domingo, 28 de maio de 2017

Vem aí mais uma supersafra paranaense...


O ano de 2017 promete ser, mais uma vez, próspero para o agronegócio paranaense. Só na produção de soja, serão 3,6 toneladas por hectare, o que coloca o Paraná 4% acima da média colhida nos Estados Unidos, maior produtor do planeta. Os dados são da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento que estima, ainda, a produção de 19,4 milhões de toneladas de soja na atual safra, uma alta de 17% sobre o volume registrado na colheita passada. Em meio a crise econômica, o agronegócio paranaense representa uma grande força na economia nacional.

De acordo com o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), a agropecuária – principalmente a produção de grãos, como soja, milho e trigo, a pecuária (principalmente a avicultura), as lavouras de cana-de-açúcar e a silvicultura – continua a ser um dos principais setores para o desenvolvimento do Estado. Os dados de um levantamento feito pelo Instituto, com base nos números do Produto Interno Bruto (PIB) dos municípios, medido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no período de 2010 a 2014 mostra que, dos 399 municípios do Paraná, 144 têm mais de 50% das economias vinculadas à agropecuária. Algumas cidades com grande participação da agropecuária chegaram a dobrar o tamanho das suas economias no período analisado.

Boa parte desse crescimento deve ter como destino o mercado externo. De acordo com a Organização das Cooperativas do Paraná (OCEPAR), apesar das variáveis, estima-se que o setor continuará sendo crucial para a balança comercial brasileira. Em 2016 o saldo comercial do Brasil foi de US$ 47,7 bilhões, o agronegócio exportou US$ 84,9 bilhões, o que representou 46% das vendas externas.

Dentro deste cenário, as rodovias paranaenses têm papel fundamental na cadeia que suporta o agronegócio. Isso porque 56% da produção de grãos é enviada para exportação por meio das chamadas artérias do Paraná. Apesar da elevada importância, as rodovias padecem de investimentos, e o cenário promissor poderá ficar comprometido se os obstáculos relacionados à infraestrutura de transporte não forem solucionados. “Os entraves de infraestrutura oneram significativamente os custos logísticos para o escoamento dos produtos, pois, da totalidade do custo logístico, o custo de transporte destaca-se como principal componente, demonstrando a importância de sistemas de transportes eficientes em relação ao desenvolvimento econômico nacional. 

Assim, elevados custos de transportes afetam negativamente a competitividade das exportações brasileiras e, em relação ao mercado interno, o abastecimento inter-regional também é prejudicado”, conta o ministro dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Maurício Quintella.

Para continuar com bons resultados o Paraná investiu, considerando os setores público e privado, mais de R$ 1 bilhão em transporte rodoviário em 2016, de acordo com a Secretaria do Tesouro Nacional. Isso fez dele o segundo estado brasileiro com mais investimentos no setor, atrás apenas de São Paulo.

Prosperidade e cooperativismo

Mas, o que faz do Paraná um estado tão próspero no agronegócio? Do ano 2000 para cá o estado vem acumulando bons resultados, inclusive nos períodos de crise financeira, ou mesmo do clima. Para Pedro Loyola, economista da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP), os pontos fundamentais para os bons números são a pesquisa e a capacitação. “No que diz respeito à pesquisa, após a Embrapa e com a chegada das multinacionais, houve um avanço grande no estudo e desenvolvimento das sementes. Já na capacitação, a forte presença de organizações junto aos produtores, trazendo capacitação, acompanhamento, ministração de cursos, fez uma enorme diferença para tornar o Paraná essa potência do agronegócio de hoje”, completa Loyola, que afirma que mais de 50% de tudo que é produzido no estado passa por cooperativas. “Nosso produtor tem visão estratégica e faz uma boa gestão de riscos e isso os diferencia dos demais. Cerca de 1/3 das apólices de seguro rural do país estão no Paraná, líder absoluto neste tipo de contratação”, conta Loyola.

Essa gestão é fundamental para garantir bons números, já que a estrutura fundiária está basicamente no pequeno e médio produtor – 87% das propriedades rurais do estado tem até 50 hectares. Para o superintendente da OCEPAR, Robson Mafioletti, pequenas economias juntas geram grandes riquezas. 

“Em 2016, as cooperativas brasileiras exportaram US$ 5,2 bilhões e cerca de 40% dessas exportações são realizadas pelo cooperativismo paranaense. O crescimento de 16% no faturamento em 2016. Esses números contribuíram para a geração de renda e emprego e, em última análise, dão o impulso necessário para o crescimento do PIB do país”, afirma Mafioletti.

Futuro

Outro ponto levantado pelos especialistas que, certamente, fará diferença no futuro do agronegócio, é o planejamento. “Por meio dele poderemos melhorar a gestão, discutir questões logísticas urgentes e importantes e continuar a crescer de forma consolidada”, conta Mafioletti.

Com a área de produção praticamente ocupada, a pergunta importante é: como manter o estado no mesmo patamar econômico, gerando riquezas ainda do agronegócio? De acordo com Pedro Loyola, a diversificação nas atividades garantirá a sobrevida do setor por muito tempo. “Há alternativas para a cultura de inverno como, por exemplo, a cevada. Vejo também um grande potencial para o bovino de corte. Acredito que as atividades integradas lavoura x pecuária serão o futuro do agronegócio no Paraná”, finaliza Loyola.


Fonte: g1.globo.com

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