quarta-feira, 31 de maio de 2017

Por que um Brasil sustentável, logo agora? (por Renata Koch Alvarenga)...


A COP21, Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, aconteceu em dezembro de 2015, somente um mês após o maior desastre ambiental da história do Brasil: o rompimento da barragem em Mariana, Minas Gerais. Apesar disso, o Brasil teve uma posição de liderança nas negociações climáticas, e o Acordo de Paris, que entrou em vigor no final do ano passado, foi adotado por 195 países, incluindo diversas medidas que visam combater as mudanças climáticas.
Dentre essas medidas, destaca-se a cláusula para manter o aumento da temperatura média global em menos de 2°C em relação aos níveis pré-industriais, realizando esforços para que o aumento máximo da temperatura seja de 1,5°C. Essa última condição, motivo de polêmica nas negociações em Paris, é crucial, pois esse meio grau Celsius de diferença pode resultar em consequências desastrosas para o planeta – e principalmente para o Brasil.
Sede da maior floresta tropical do mundo, o Brasil tem 42% do seu território ocupado pela floresta Amazônica. Devido a essa riqueza natural, o governo brasileiro possui o dever de implementar medidas ambientais que visem proteger a Amazônia. A questão do 1,5°C encaixa-se nisso, já que dentre as principais fontes emissoras de gases de efeito estufa no Brasil está o desmatamento de regiões tropicais como a floresta Amazônica.
Um segundo fator diz respeito à queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás natural e carvão mineral), que não são renováveis e causam muita poluição na atmosfera. O setor de produção de energia brasileiro, por meio das termelétricas, é um dos mais poluentes e, desde 2013, tem sido utilizado como medida para amenizar a crise hídrica que atingiu o Brasil – mais um motivo para manter o aumento em 1,5°C.
De acordo com o site Carbon Brief, o orçamento atual de carbono revela que em apenas quatro anos de emissões globais de gases de efeito estufa o aumento da temperatura média global será maior do que 1,5°C. Essa informação leva o planeta a um estado de urgência; e o Brasil, como um dos principais emissores do mundo (atrás da China, dos EUA, e da União Europeia), tem enorme responsabilidade na luta para estabilizar a temperatura do planeta.
A crise política e econômica do Brasil não deve – e nem pode – ser deixada de lado em meio à urgência ambiental no planeta. Entretanto, mais do que nunca, as secas e as enchentes, assim como outros desastres ambientais, têm o potencial de desestabilizar o Brasil em proporções catastróficas. Se as mudanças climáticas e o desenvolvimento sustentável não forem vistos como prioridades pelo governo brasileiro e pela população, as consequências serão muito piores do que a atual instabilidade que figura nos setores público e privado.
Fonte:.sul21.com.br

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