segunda-feira, 29 de maio de 2017

Hortelões urbanos criam grupo no Facebook para compartilhar conhecimento, técnicas e sementes...


Hortas urbanas já são uma tendência. Cada vez mais moradores de cidades grandes investem seu tempo e dinheiro na criação de pequena hortas em suas casas, quintais e apartamentos. As opções são diversas: um vasinho na janela da cozinha, uma horta vertical na varanda ou na sala de estar, e ainda, para aqueles que têm mais espaço, uma horta completa no quintal. Por prazer, economia de plantar a própria comida e pela busca por alimentos saudáveis, a prática se espalhou.

Porém, cultivar não é tarefa simples. Além do esforço, o hortelão ou hortelã precisa de um mínimo de conhecimento para fazer prosperar a terra. Já existem cursos sobre o assunto e a literatura sobre o tema é diversa e extensa, mas muitos iniciantes não sabem disso, não têm tempo ou condições financeiras para se aperfeiçoar por esses meios.

Para dividir técnicas e trocar experiências entre hortelões iniciantes e experientes, a jornalista Claudia Visoni criou, com a colega Tatiana Achcar, o grupo Hortelões Urbanos no Facebook, em 2011. 

Quatro anos depois, a comunidade já reúne mais de 18 mil membros que diariamente tiram dúvidas, compartilham as conquistas de suas hortas e dividem o conhecimento que acumularam ao longo de seu tempo de cultivo. “No grupo, tem desde gente que começou ontem, que colocou uma sementinha na terra, viu brotar e correu para perguntar o que fazer agora, a agrônomos experientes, que têm toda a paciência para nos dar uma força”, conta Claudia.

Há pouco mais de 7 anos, a administradora também era iniciante no assunto e, mesmo estudando em livros e cursos, sentia que faltava compartilhar as experiências. “Na hora de colocar a mão na terra, eu me sentia meio sozinha. Conheci a Tatiana num dos cursos que fazia e criamos o grupo também para reestabelecer o sentimento de comunidade, que estava esquecido, e, principalmente, para reestabelecer a confiança no ser humano”, relata.

A diversidade de mensagens e de experiência dos hortelões pode ser percebida em uma rápida visita ao grupo no Facebook. Os membros da comunidade divulgam frutos colhidos, plantas e flores que conseguiram cultivar em pequenos pedaços de terra, além de tirarem dúvidas pontuais, como a melhor época para plantar ou colher determinado alimento e como combater uma praga.

Algumas discussões do grupo rendem tanto, que passam dos 100 comentários. Ao longo do tempo em que a reportagem de GLOBO RURAL monitorou o grupo, nenhuma dúvida ficou mais de uma hora sem receber uma resposta ou ajuda de algum hortelão experiente ou que já tinha passado pela mesma situação.

A terapeuta ocupacional Mariana Neves publicou no grupo uma foto de uma planta que havia brotado em sua horta e perguntou aos hortelões que espécie era aquela. Em menos de uma hora, foram mais de quarenta comentários que, além de elucidar que o que havia crescido no canteiro de Mariana era uma muda de abóbora menina, indicavam qual era a melhor época para a colheita e quais cuidados adicionais a hortelã precisava ter. “Depois de publicar no grupo, precisei sair e, quando voltei a acessar a internet, fiquei até assustada com a quantidade e qualidade dos comentários. A gente percebe que são pessoas querendo ajudar pelo prazer de ver que a prática que tanto amam está se espalhando”, disse a terapeuta.

Vida real

Outra prática comum entre os hortelões é a troca de sementes. Membros do Brasil inteiro combinam o envio dos grãos pelo grupo e se correspondem via Correios. Basta explorar um pouco a comunidade para encontrar fotos de sementes, envelopes e agradecimentos entre os hortelões. A cearense Celsa Feijó, por exemplo, recebeu algumas sementes de maracujá da gaúcha Mônica Birchler. Os mais de quatro mil quilômetros entre as duas cultivadoras ficaram curtos na tela do computador.

É muito fácil participar das trocas. Basta publicar no grupo pedindo determinada semente e esperar algum companheiro responder se tem o que foi requisitado para enviar. O mesmo funciona para quem deseja doar as sementes. O cultivador publica perguntando se alguém se interessa em receber os grãos e diversas pessoas se apresentam para recebe-los.

Mas não é só no mundo virtual que os hortelões urbanos são ativos. Desde 2012, alguns participantes da comunidade se uniram e decidiram levar o trabalho que faziam em suas casas para praças e ambientes públicos. Somente em São Paulo, o grupo ajuda a manter 31 canteiros. São Bernardo do Campo, no ABC paulista, Rio de Janeiro, Brasília e Curitiba, são as outras cidades que têm hortas mantidas por membros do grupo. É possível acessar uma página com os endereços das hortas comunitárias clicando neste link: https://www.facebook.com/notes/hortel%C3%B5es-urbanos/as-hortas-e-os-hortel%C3%B5es-onde-est%C3%A3o/475572129178440.


Fonte: revistagloborural.globo.com

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