segunda-feira, 29 de maio de 2017

Estudante de arquitetura cria projeto de cooperativa para manter agricultores no campo...


Para fazer a agricultura uma atividade melhor, todas as ciências podem ajudar, não apenas as que estudam a terra e os animais. A exemplo da arquitetura, área estudada por Caciano Gemmi na Faculdade Mater Dei, de Pato Branco (PR). Como trabalho de conclusão de curso, o estudante desenvolveu a planta de uma cooperativa agroindustrial focada no armazenamento e venda de produtos orgânicos.

A iniciativa, segundo explica seu orientador, o Prof. Esp. Gilmar Tumelero, ajudaria na permanência dos pequenos trabalhadores rurais no campo. “Além da necessidade do cumprimento das disciplinas do curso, tanto o aluno como eu, orientador, temos a preocupação com o êxodo rural, com a extinção da pequena propriedade, por entender que a agricultura familiar é quem produz produtos orgânicos e que muitos deles deixaram de existir nas prateleiras dos supermercados”, explica.

Filho de produtores de queijos no município de Bom Sucesso do Sul (PR), Caciano trouxe da vivência com sua família a ideia do trabalho. Para entender as demandas do setor, também fez uma visita técnica à Cooper Fonte Nova, localizada em Crissiumal (RS), onde buscou referências de sucesso em cooperativismo agrícola.

Munido de experiências que deram certo, ele pensou em formas de incrementar ainda mais a venda de produtos orgânicos na sua região. No seu projeto, há diversos pontos que podem agregar valor aos coletivos comuns. São eles:

1 – Áreas experimentais, que possibilitam a prática para os dias de campo, experimentos agrícolas de plantas e máquinas, e demonstrativos de máquinas e equipamentos;

2 - Área de comercialização de produtos agro industriários. Espaço voltado à exposição dos produtos, onde aconteceria a venda constante de produtos, similar a uma feira ou mercado de produtos do campo. Além disso, os interessados em compras de grande escala poderão conhecer e degustar os produtos antes de fechar negócios;

3 – Áreas de apoio, caracterizadas por inúmeras funções:

• Salas administrativas onde presta serviços administrativos aos produtores, com recursos humanos, financeiros, jurídicos entre outros;

• Salas para comercialização, onde os produtores poderão vender ou comprar produtos diretamente com os representantes;

• Salas de armazenamentos condicionadas para laticínios, embutidos, hortifruti, panificados, carnes;

• Armazém para tratamento de sementes, onde aconteceria o beneficiamento de sementes para os produtores;

• Depósito de embalagens, desde sacarias, sacolas, caixas, entre outras, destinadas aos produtores para acondicionamento das mercadorias;

• Garagem para implementos agrícolas de uso comum por produtores;

• Auditório de treinamento, palestra, eventos em geral;

• Laboratórios de testes e pesquisas, como análise de solos, enxerto, pragas agrícolas e outras inovações;

• Área de lazer, para confraternizações e eventos em geral;

A estrutura completa tem razão de ser, como explica o professor. “A cooperativa funciona como o centro de uma rede composta de diversas atividades, que tende a atender não somente o município em que está implantado, mas também a região com possibilidade de ramificações ainda maiores”, diz. 

Além da integração entre todos os ambientes, o local possibilita um espaço dentro de normas regulamentadoras, bem como acessibilidade em todos os ambientes do complexo. Ainda na planta, há a busca por sustentabilidade quando optam por explorar os recursos naturais. “É possível usar iluminação e ventilação naturais, sombreamento das fachadas com alto fator incidência solar, faces norte e leste abertas com visual para cidade, captação e aproveitamento de água da chuva e uso de placas solares para geração de energia”, detalha Tumelero.

Toda esta estrutura abrigaria, inicialmente, de 50 a 80 produtores.

“Outros agricultores também podem ser sócios, mas de uma maneira diferente. Não para comercializar seus produtos, mas participando dos cursos e treinamentos, dos dias de campo, exposições de máquinas e implementos (como um show rural)”, complementa o professor.

Investimento

O projeto ainda não saiu do papel. Professor e aluno agora buscam investidores que tornem o espaço real, que podem ser da iniciativa privada, pública (como prefeituras), entidades como sindicatos, cooperativas e bancos rurais. A planta pode ser utilizada em todo o território nacional e adaptada às necessidades dos grupos cooperados.

A obra é orçada em até R$ 6 milhões, que pode ser barateada se construída em módulos, ou com áreas reduzidas. O tempo de retorno financeiro é estimado em 8 ou 10 anos. Mas o retorno social é imediato, segundo argumenta Gilmar Tumelero. “Se analisar o investimento do empreendimento, o retorno é mais longo. Mas se analisar pelo aspecto funcional, de que irá fomentar a agricultura familiar, aumentar a renda das pequenas propriedades, a permanência no campo, ampliação do alcance dos produtos, o retorno é em curto prazo”.

É uma forma, finaliza ele, de levar conforto e comodidade aos trabalhadores, fortalecendo o setor e a representatividade da cultura e os costumes das unidades agroindustriais do município e região onde forem implantadas; além de beneficiar o público consumidor e as empresas fornecedoras e parceiras dos agricultores.


Fonte:  revistagloborural.globo.com

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