sexta-feira, 14 de abril de 2017

Reúso de água, controle da demanda e conservação ambiental...


Mitigação das secas, um termo largamente utilizado nos meios acadêmicos, traduz as ações destinadas à atenuação dos impactos, que a escassez de água provoca na sociedade. A redução da demanda é a ferramenta mais efetiva para essa mitigação, não se deixando de relevar a importância da ampliação da oferta. Por outro lado, a poluição hídrica por esgotos domésticos, efluentes industriais, resíduos hospitalares, agrotóxicos, entre outros, cresce em função do aumento da demanda. Atualmente, a água é dividida em quatro fontes principais: superficial, subterrânea, de chuva e de reúso.  

O reúso reduz a demanda sobre os mananciais de água, ao preservar águas de melhor qualidade para usos mais nobres, substituindo assim, o uso da água potável, por água de qualidade inferior. No entanto, essa substituição deve ser realizada em função da qualidade da água requerida para um uso específico, ou seja, é fundamental na seleção dos processos de tratamento de águas residuárias, sejam eles físico-químicos e ou biológicos, a determinação dos usos pretendidos.

As vantagens do reúso, em termos econômicos, são contabilizadas ao se levar em consideração a conservação dos recursos hídricos, relacionada a escassez e qualidade da água (afetada ainda pela baixa capacidade de diluição dos corpos hídricos, nas secas) e a consequente redução das doenças de veiculação hídrica; a economia de energia e a eficiência de processos industriais. As possibilidades de uso estão na irrigação, piscicultura, indústria, com destaque para a refrigeração das usinas térmicas, recarga de aquíferos e na área urbana, como rega de parques e jardins, limpeza pública e toaletes.

Na Região Metropolitana de Fortaleza, a expressividade do volume de efluentes dos sistemas de lagoas de estabilização se constitui em forte opção de reúso. Somente a Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) do distrito industrial de Maracanaú é capaz de gerar um volume efluente médio em torno de 245l/s, o qual, a ser reciclado, aliviaria a carga poluente, que aflui ao rio Maranguapinho.

Que pode ser feito em termos de legislação e de incentivos fiscais para estimular o reúso? Que projetos ambientais potenciais poderiam ser identificados? Como se intensificar as ações de engenharia ambiental e sanitária? Como incentivar a participação da população em desenvolver mecanismos de conservação da água? As repostas devem basear uma política de reúso de efluentes sanitário no Brasil.

Autora:
Thereza Christina C. Rêgo de Sá
Doutora (Universidade Federal do Ceará)

Fonte: opovo.com.br

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