sexta-feira, 21 de abril de 2017

Nós sabemos o que pinguins fizeram no inverno passado...


Os pinguins-gentoo (Pygoscelis papua) do extremo sul da Península Antártida Ocidental não tinham como desconfiar, mas estavam sendo vigiados pela internet. Câmeras fotográficas espalhadas em sete locais de reprodução da espécie, na Argentina, Antártica e algumas ilhas, enviavam diariamente entre 8 e 14 fotografias para site Penguin Watch na internet, entre os anos de 2012 e 2014.

As imagens eram acompanhadas por um grupo de voluntários, cientistas-cidadãos que contavam os animais registrados. As fotografias retratam cerca de 1400 horas da vida dos pinguins, inclusive durante o rigoroso e escuro inverno antártico. Resultados do estudo foram publicados na edição desta quinta-feira no jornal científico The Auk: Ornithological Advances.

"Trabalhar com câmeras nos permite entender metade da vida desta espécie sem ter que passar o inverno rigoroso na Antártica”, afirma Caitlin Black, candidata ao doutorado pela Universidade de Oxford. Além dela, o artigo é assinado por Tom Hart, também de Oxford, e Andrea Raya Rey, do Conselho Nacional de Investigação Científica e Técnica da Argentina.

Pinguins-gentoo são as aves que nadam mais rápido no planeta, quando estão submersas, atingindo cerca de 36 quilômetros por hora. Além disso, enquanto outras espécies de pinguins estão em declínio naquela região, a população desta espécie continua a aumentar. Agora, os pesquisadores conhecem também hábitos dos animais não estão no período de reprodução e que são influenciados por alterações no clima e diferenças geográficas.

Graças a vigilância, eles descobriram, por exemplo, que as áreas de reprodução ficam mais povoadas quando estão em águas abertas ou geleiras que flutuam livremente do que em praias congeladas. Além disso, antes do período de reprodução, nestas áreas são encontrados mais animais do que após os animais procriarem.

De acordo com os pesquisadores, nas áreas polares, indivíduos de uma mesma espécie podem adotar estratégias diferentes de migração para sobreviver. O editor-chefe da revista Auk, Mark Hunter, que também é professor de Comportamento Animal na Faculdade Hunter e no Centro de Pós-Graduação da Universidade da Cidade de Nova York, destaca que na Antártida esses estudos são particularmente importantes devido aos longos períodos de escuridão que os animais enfrentam.

"Esta nova pesquisa publicada na Auk: Ornithological Advances em colônias de pinguins-gentoo revela diferenças críticas ano a ano, onde as aves estão quando não estão aninhando: em alguns anos, apenas os locais mais temperados são visitados, e em outros anos tanto Sul e Norte estão ocupados com pinguins ", afirma.

Fonte: oeco.org.br

Nenhum comentário:

Postar um comentário