quinta-feira, 2 de março de 2017

Os NEAs como agentes transformadores na vida do agricultor familiar...

 

Firme na aposta da indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead) apoia a construção e manutenção de Núcleos de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica (NEAs). Dentre os objetivos, o principal é contribuir com a formação de técnicos capazes de possibilitar benefícios ambientais, sociais e econômicos no campo, ampliando o acesso a conhecimentos e tecnologias relacionadas à agroecologia e produção orgânica.

Existem hoje pelo Brasil 100 NEAs, que surgiram do esforço da Secretaria de Agricultura Familiar (SAF) da Sead em parceria com outros órgãos, como MEC, MAPA, CNPq e MCTI. A agroecologia foi inserida no projeto por defender práticas de cultivo em harmonia com o meio ambiente e promover a inclusão social. Segundo a SAF, através dessa formação é possível planejar, executar e monitorar junto ao agricultor familiar uma agricultura ambientalmente sustentável, economicamente eficiente e socialmente justa. 

“O nosso esforço conjunto resultou em várias experiências inovadoras tanto no que se refere à integração ensino, pesquisa e extensão, como na construção e compartilhamento de conhecimentos. Expandimos equipes técnicas formadas por extensionistas, professores, estudantes bolsistas e pesquisadores; atividades de capacitação e eventos, geração de tecnologias sociais, produções acadêmicas, projetos de pesquisa e novas atividades de extensão, inovações tecnológicas e metodológicas e produção de mídias, que nos gerou parcerias locais. E para completar, ainda realizamos a interação dos NEAs com as políticas públicas da agricultura familiar”, explicou o coordenador geral de formação da SAF, Gereissat Rodrigues Almeida.

Sucesso de NEAs
 
O Núcleo Interdisciplinar de Agroecologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) é um dos NEAs que se tornaram referência no país. Já foi selecionado por três chamadas públicas. Há quase uma década de existência, professores, pesquisadores e estudantes transformam vidas no campo, movidos por um interesse em comum: a agroecologia. Com o esforço dos atores envolvidos, foi possível mapear as áreas com agricultores rurais pelo estado. Assim foram realizados vários cursos de extensão rural de acordo com a necessidade local. Os estudos também envolveram a participação do elemento chave –o agricultor familiar- que algumas vezes até continuou o processo de aprendizado, ingressando em instituição de ensino para se formar nos cursos como agronomia e zootecnia.

“Eu vejo o NEA cumprindo seu papel. É o ponto de conexão de pesquisadores, professores, técnicos e agricultores. O NEA aproxima a universidade do campo e vice-versa. É uma grande contribuição para o desenvolvimento do nosso país”, disse o professor e coordenador do trabalho na UFRRJ, Robson Amâncio.

Ele explicou que no dia-a-dia do trabalho de campo, nas áreas de reforma agrária onde é prestado o serviço de Ater, pode-se realizar o diagnóstico das propriedades e identificar as características de cada uma, como por exemplo a qualidade do solo.

“Essas terras geralmente são degradadas, precisam passar por um processo para recuperar a fertilidade e os agricultores não tem renda suficiente para investir. É onde entra nosso trabalho e o técnico recém-formado, cheio de vontade de mudar a realidade dessas famílias”, contou Amâncio sobre a assistência.

Os cursos são voltados para as especificidades do Rio de Janeiro. Um dos principais no estado é a produção de mudas de olerícolas (legumes, raízes, bulbos, tubérculos, talos, folhas, flores, frutos e sementes). Os NEAs também realizam intercâmbio de profissionais entre si, até mesmo de estados diferentes para a troca de experiências. 

Chamada pública para projetos de agroecologia e produção orgânica
 
Está aberto até o dia 10 de março uma chamada pública para NEAs.Trata-se do edital nº 21/2016, que vai destinar mais de R$ 10 milhões aos melhores projetos voltados para a construção e socialização de conhecimentos e técnicas relacionados à agroecologia e à produção orgânica. 

As propostas devem atender a implantação de Unidades de Referência nas áreas produtivas familiares, visando à construção participativa de referências em tecnologias produtivas e sociais na agricultura familiar, a validação participativa de tecnologias de base agroecológica e orgânica e/ou o compartilhamento de conhecimentos, atendendo às demandas dos agricultores e a realização de atividades de formação relacionadas aos temas de interesse da agroecologia e produção orgânica, buscando a alternância entre teoria e prática, com pontos focais identificados previamente pelas instituições de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

Os projetos enviados devem estar inseridos em uma das seguintes linhas:

Linha 1: Criação de Núcleo de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica (NEA);
Linha 2: Manutenção de Núcleo de Estudo em Agroecologia e Produção Orgânica (NEA).

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