terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Nova York terá o maior parque eólico offshore dos EUA...


Localizada em South Fork, no estado de Nova York, o futuro parque eólico irá gerar 90 megawatts de energia limpa e renovável a partir de 15 turbinas, o que poderá alimentar mais de 50 mil casas. As turbinas serão conectadas à uma subestação por um cabo submarino de 80 quilômetros.

O projeto é o segundo nos EUA depois do parque eólico de 30 megawatts e 5 turbinas, localizado em Block Island, que começou a operar na costa de Rhode Island recentemente.

“Este projeto não só fornecerá uma fonte nova e confiável de energia limpa, mas também criará empregos altamente remunerados, continuará nossos esforços para combater as mudanças climáticas e ainda irá ajudar a preservar nosso ambiente para as gerações atuais e futuras de nova-iorquinos”, disse o governador de Nova York, Andrew Cuomo, em comunicado.

Cuomo prometeu construir 2.400 megawatts de energia eólica offshore até 2030 – o suficiente para alimentar 1,25 milhões de casas. O projeto de US $ 740 milhões é o primeiro passo no desenvolvimento da área de 662 quilômetros quadrados que poderão abrigar até 200 turbinas eólicas gerando 1.000 megawatts de eletricidade limpa e renovável.

A Autoridade de Pesquisa e Desenvolvimento Energético do Estado de Nova York está trabalhando em um Plano Mestre de Vento Offshore que identificará áreas costeiras adicionais de Nova York onde o vento offshore pode ser desenvolvido.

Brasil deve bater recorde de produção orgânica em 2017...


Segundo levantamento feito pela Coordenação de Agroecologia (Coagre) da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e Cooperativismo (SDC), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a área de produção orgânica no Brasil pode ultrapassar os 750 mil hectares registrados em 2016, impulsionada, principalmente, pela agricultura familiar.

Segundo a Coagre, houve um salto de 6.700 mil unidades (2013) para aproximadamente 15.700 (2016). Em apenas três anos, foi registrado mais do que o dobro de crescimento deste tipo de plantio em solo brasileiro. No ranking das regiões que mais produzem alimentos orgânicos, o Sudeste fica em primeiro lugar, totalizando 333 mil hectares e 2.729 registros de produtores no Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos (CNPO). Na sequência, as regiões Norte (158 mil hectares), Nordeste (118,4 mil), Centro-Oeste (101,8 mil) e Sul (37,6 mil).

Hoje, cerca de 75% dos produtores cadastrados no CNPO são agricultores familiares. “Interessante notar que o número de unidades de produção é cada vez maior e está se espalhando por quase todas as regiões do Brasil, o que indica que os agricultores familiares reconhecem na agroecologia e na produção orgânica uma maneira de comercializar alimentos, com valor agregado, e que, ao mesmo tempo, são produzidos sem o uso de insumos agroquímicos, constituindo uma opção mais segura para o agricultor, para o consumidor e para o meio ambiente”, analisa Sylvia Wachsner, coordenadora do Centro de Inteligência em Orgânicos (CI Orgânicos), mantido pela Sociedade Nacional de Agricultura (SNA).

Responsável pelo incremento do número de agricultores familiares voltados para a produção orgânica, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) tem com objetivo fortalecer a produção agrícola de base agroecológica e orgânica, além de ampliar a oferta e o consumo de alimentos saudáveis, apoiar o uso sustentável dos recursos naturais e disseminar o conhecimento em agroecologia, de forma a promover a melhoria da qualidade de vida da população brasileira do campo e das cidades.

Para isso, o Plano previu a implementação de amplo conjunto de iniciativas, programas e projetos de apoio à transição agroecológica e à produção orgânica no país, executado por cerca de 15 instituições públicas federais. “O primeiro PLANAPO, de 2013 a 2015, contribuiu para o crescimento da produção de orgânicos. No segundo PLANAPO, que vai até 2019, pelo menos mais oito mil agricultores familiares devem se cadastrar por meio de projetos apoiados pela Sead”, destaca Suiá Kafure da Rocha, especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental.

Como funciona a política dos orgânicos

A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo) foi lançada pelo Governo Federal, com a edição do decreto 7.794, de 20 de agosto de 2012, como importante passo para a ampliação e efetivação de ações de promoção do desenvolvimento rural sustentável. Um dos principais instrumentos desta política é o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), também conhecido como Brasil Agroecológico.

O primeiro Planapo finalizou em 2015 e beneficiou  678.449 agricultores familiares, produtores orgânicos, povos indígenas e povos e comunidades tradicionais, técnicos e extensionistas. Em 2016 deu-se início a um novo ciclo de planejamento para essa temática, com o lançamento do Planapo 2016-2019.

“Quem coordena o PLANAPO, no qual participam outras 14 instituições públicas federais, é a Sead, e somos protagonistas deste plano. Neste momento, estamos desenvolvendo o portal ‘agroecologia.gov’ que vai envolver todos os atores do plano e teremos mais informações disponibilizadas sobre as políticas públicas de agroecologia”, adianta Suiá Kafure da Rocha.

5 remédios naturais para aliviar picadas de insetos...


Nesta época do ano, não são poucas as pessoas que sofrem com a presença dos insetos: irritações na pele, coceira, inchaço e dor são os principais vestígios que mosquitos, abelhas e formigas costumam deixar no organismo – além das noites embaladas pelos zunidos ao redor do travesseiro. A situação fica ainda pior quando as pessoas estão longe dos centros urbanos ou quando as crianças são afetadas. Pensando nisso, separamos cinco remédios naturais e eficientes para aliviar os incômodos das picadas – que podem até mesmo entrar para as páginas de um manual de sobrevivência para os aventureiros.

A lista traz opções naturais que substituem cremes e pomadas específicas. No entanto, caso a reação alérgica seja mais intensa que o comum, ou haja suspeita de dengue ou malária, é imprescindível procurar a ajuda de um médico.

Casca de banana – Utilizar a casca da banana como remédio natural contra as picadas de mosquitos é uma alternativa sustentável de aproveitamento em totalidade da fruta. Assim, o resíduo pode substituir com bastante eficiência as pomadas e cremes específicos, basta esfregar a parte interna da casca na área atingida pelos insetos – em alguns minutos, a picada vai desinchar, diminuindo, também, o incômodo. Além disso, a casca de banana é eficiente para estancar sangramentos e ajudar na cicatrização de feridas.

Manjericão – Engana-se quem pensa que a erva aromática tem apenas importância na cozinha, pois o óleo extraído do manjericão alivia a alergia causada no local das picadas de insetos. Para preparar o remédio natural, basta amassar as folhas até extrair o líquido de cor escura que elas reservam. Isso porque a substância aromática contém cânfora e timol, duas propriedades utilizadas para aliviar a coceira.

Mel – Composto por substâncias antibacterianas e anti-inflamatórias, o mel trata o incômodo causado pelas picadas e traz vários benefícios para o corpo. Assim, basta passar um pouco do produto natural na picada para diminuir a irritação. Além disso, a consistência do mel dificulta que as pessoas cocem o local, contribuindo para desinchar a derme mais rápido.

Gelo – Uma compressa de água gelada ou de pedras de gelo consegue aliviar não só a coceira causada pelos mosquitos, mas também a dor que resulta da picada de outros insetos, como abelhas e formigas. Isso porque as fibras nervosas da pele “congelam”, contribuindo para que a pessoa não sinta mais os incômodos trazidos pelos insetos. No entanto, na hora de fazer compressas, é preciso ficar atento e nunca optar pela água quente, pois, após a sua aplicação, as altas temperaturas fazem com que o organismo volte a produzir histamina, substância responsável pela resposta alérgica do corpo.

Leite e água – Aplicar leite misturado com água nas picadas é uma maneira simples de reduzir não apenas a dor e a coceira, mas também o inchaço e a inflamação que ocorre no local atingido (caso a pessoa não tenha alergia à lactose). O remédio natural é preparado, de preferência, com os dois ingredientes bem gelados, em quantidades iguais. Depois de ficar pronta, a mistura deve ser aplicada na pele com um pedaço de tecido, reduzindo  os incômodos trazidos pelos insetos em pouco tempo. A mistura também pode ser aplicada nas queimaduras causadas pelo sol.

Baleia morta na África do Sul tinha estômago cheio de plástico...


Uma baleia orca encontrada morta na areia de Plettenberg Bay, na África do Sul, é mais uma demonstração da gravidade do lixo nos oceanos. De acordo com pesquisadores, o animal estava passando fome e seu organismo estava repleto de resíduos plásticos.

O episódio aconteceu no final do mês de dezembro e chamou a atenção dos pesquisadores por ser algo tão inusitado. Segundo os especialistas, não é comum que as baleias desta espécie sejam encontradas tão próximas à praia. O fato incomum foi considerado uma das possíveis causas da morte do animal.

Em entrevista à imprensa local, a pesquisadora Dra. Gwenith Penry explicou que a baleia devia estar fraca demais para seguir com o baleal, por isso permaneceu na área da baía em busca de alimentos mais fáceis. No entanto, ao invés de encontrar outros animais que pudesse comer, ela encontrou embalagens plásticas, potes de iogurtes e até uma sola de sapato.

O animal, de mais de cinco metros, foi parcialmente dissecado na própria praia, isso permitiu que os especialistas identificassem o que havia no estômago da baleia em seus últimos dias. Segundo Gwenith, havia pouquíssima comida de verdade. Além da dificuldade em encontrar alimento, os resíduos dentro da baleia podem ter impedido a passagem da comida, deixando-a “estufada”, mas desnutrida.

O ocorrido é mais uma prova de que diversos tipos de espécies marinhas têm sido afetados pelos resíduos produzidos por humanos.
 

Empresa da Indonésia cria sacolas descartáveis comestíveis...


As sacolas plásticas são grandes vilões ambientais. Mesmo sendo usadas durante poucos minutos, elas são um problema que dura centenas de anos. Mas, uma empresa de Bali, na Indonésia, tem trabalhado em uma solução para este problema: sacolas biodegradáveis comestíveis.

Quando se fala em resíduos plásticos, é muito comum associar este material ao lixo dos oceanos. Em todo o mundo, animais marinhos são encontrados com plástico em seu organismo. As sacolas descartáveis estão na lista desses resíduos ingeridos por diferentes espécies.

A empresa indonésia possui uma linha com vários produtos descartáveis totalmente biodegradáveis, entre eles: talheres, xícaras de café, capas de chuva, entre outros. Mas, os sacos plásticos são os mais interessantes.

As sacolas feitas pela Avani são fabricadas com amido de mandioca e outras resinas naturais. De acordo com a fabricante, nada derivado do petróleo é usado no processo de fabricação. Segundo eles, o material se degrada inteiramente dentro de três a seis meses, dependendo da condição do solo, sem deixar nenhum rastro de resíduos tóxicos.
 
Como os oceanos são grandes preocupações quando se fala em plástico, a companhia se preocupou em fazer testes para saber como seria a degradação do material em água e, em pouco tempo, ele se desfaz.

Se algum animal cruzar com uma dessas sacolas, eles podem, inclusive, usá-las como alimento. Em alguns testes, os animais chegaram a disputar o material. A empresa explica que, se dissolvida em água quente, ela pode ser ingerida até por seres humanos.
 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Bananas podem ser extintas em 5 anos...


Um mundo sem bananas é difícil de imaginar - até porque a fruta está entre os 5 alimentos mais importantes para a população mundial, sendo considerado de "primeira necessidade", segundo a ONU. Só que andar pela feira vendo uma fila de cachos amarelos pode se tornar coisa do passado nos próximos 5 anos: uma das pragas da banana se tornou mais letal do que nunca.

Entre as infestações mais comuns nas bananeiras estão os fungos Sigatoka - três espécies diferentes capazes de causar a doença que reduz a quantidade de folhas e queima a planta, atrapalhando a fotossíntese. O impacto econômico também é enorme: os cachos saem pequenos e as bananas, deformadas, cremosas e ácidas.

Pesquisadores da Universidade da Califórnia sequenciaram pela primeira vez o genoma de duas dessas espécies - e descobriram que elas estão ficando mais agressivas no seu ataque às bananas.

Comparando o novo estudo ao genoma já descoberto de uma variedade antiga da Sigatoka amarela, os cientistas perceberam que os fungos são capazes de não apenas bloquear o sistema imunológico da banana, mas também de adaptar seu metabolismo para "imitar" o da planta. Com isso, eles passam a produzir enzimas que destroem as paredes celulares e se alimentam dos nutrientes internos da bananeira.

Os autores do estudo acreditam que os produtores de bananas não têm a percepção do tamanho da ameaça que essas linhagens de fungo representam. Hoje em dia, a Sigatoka é responsável por reduzir em quase 40% a produção da planta. Até 35% do custo de plantação vem das aplicações bimestrais de veneno antifúngico.

Está longe de ser o suficiente: a nova pesquisa mostra que não só as pragas tem avançado rapidamente na sua forma de infecção, como também estão se tornando mais resistentes aos agrotóxicos.

A situação fica pior. A banana nanica é o tipo mais vendido da fruta no mundo. Mas todos os cachos são descendentes genéticos de uma única planta. Bananas nanicas são estéreis e novas bananeiras são plantadas a partir de um pedaço cortado de uma bananeira anterior. Na prática, são clones. O lado bom é que todas têm o mesmo gosto. O ruim é que são todas igualmente vulneráveis a possíveis pragas, como a Sigatoka.

Levando em conta todos esses riscos, os pesquisadores estimam que a nova versão turbinada dos fungos pode eliminar as bananas da plantação e das nossas cozinhas em um período de 5 a 10 anos.

O lado bom é que, com o genoma inédito desses fungos em mãos, os cientistas estão melhor equipados que nunca para tentar encontrar as vulnerabilidades genéticas dos invasores. O que eles pretendem é tentar criar novas estratégias antifúngicas tão rápido quanto os Sigatoka se tornam resistentes - a nossa versão moderna da Guerra da Banana.

Temperatura nas alturas? Praias mais salgadas...


Secas prolongadas, altas temperaturas, quebra de safras agrícolas, perda de biodiversidade...A lista de problemas associados ao aquecimento global é extensa - e não para de crescer. Um novo efeito preocupante do fenômeno? O aumento da salinidade da água do mar.

Em estudo recente publicado na revista Scientific Reports, pesquisadores observaram que o aumento da temperatura tem um poderoso impacto sobre a evaporação ao longo da costa, o que, por sua vez, torna a água do mar mais salgada.

Os cientistas enxergam com preocupação esse processo, especialmente nas zonas costeiras, que suportam uma rica variedade de criaturas marinhas e de plantas. O estudo foi realizado pelo Centro de Recursos Naturais e Desenvolvimento (CNRDP) do New Jersey Institute of Technology.

"A evaporação é um importante motor de fluxo de água e salinidade subterrâneas, e os animais, tais como mexilhões e caranguejos são afetados por mudanças de salinidade. Se a concentração é muito alta ou muito baixa, eles vão se afastar", observa Xiaolong Geng, principal autor do estudo.

As taxas de evaporação - e salinidade - são determinadas principalmente pela temperatura e umidade relativa do ar, enquanto os fluxos de maré e de ondas ajudam a diluir o teor de sal de uma praia.

Neste estudo, os cientistas analizaram os efeitos da evaporação sobre o fluxo das águas subterrâneas e sobre a salinidade na zona intertidal da praia (ou zona entremarés), que corresponde à zona do litoral que fica exposta ao ar durante a maré baixa e que permanece submersa durante o resto do tempo.

Na costa de Slaughter Beach, em Delaware, a equipe mediu concentrações de sal de 25 gramas por litro (g / L) na parte mais superficial da água, durante a maré baixa, o que levou os pesquisadores a esperar que a água durante a maré alta teria níveis semelhantes ou mesmo inferiores de salinidade, uma vez que nesses níveis a água do mar avança sobre a terra e se mistura com as águas subterrâneas, menos salgadas.

No entanto, eles descobriram que a salinidade média da chamada zona intertidal superior (a linha da maré alta) foi de 60 g / L, com alguns valores chegando a 100. "Estes níveis elevados só podem ser causados por evaporação, já que não há outro mecanismo para aumentar o sal na água intersticial, que fica presa entre os grãos de sedimentos", disse Xiaolong Geng, principal autor do estudo.

Os pesquisadores desenvolveram modelos que mostram que o aumento da temperatura associado ao aquecimento global pode alterar drasticamente o padrão de salinidade da água costeira, com graves implicações para animais e plantas.

Florestas da Índia valem US$1,7 tri - mais que PIB do Canadá...


As florestas ocupam 22% do território da Índia. É pouco, mas vale muito: nada menos do que US$ 1,7 trilhões, quase o PIB do próprio país, e mais que o do Canadá. A estimativa vem de um relatório produzido por uma painel de cientistas do Instituto Indiano de Pesquisa e Gestão Florestal da Índia.

Em 2013, a pedido do governo indiano, eles calcularam o Valor Presente Líquido (VPL) das florestas indianas para uma situação hipotética em que toda a cobertura vegetal fosse convertida para atividades econômicas.

Como nossas sociedades têm dificuldade de enxergar valor em coisas que não circulam dentro do tradicional sistema de preços - quanto custam as árvores, as águas de um manacial ou até mesmo o ar que se respira? - a valoração ambiental tem atraído atenção de governos, que buscam de alguma forma legitimar a importância da preservação dos ecossistemas naturais.

No caso indiano, a legislação determina que quando terrenos florestais são convertidos para uso industrial, o desenvolvedor do projeto tem que pagar uma quantia determinada para a arborização compensatória e o Valor Presente Líquido (VPL) da floresta, para compensar a perda de ecossistema.

Neste mês, o ministro de Meio Ambiente daquele país aprovou o relatório apresentado em 2013, que a partir de agora servirá de base para calcular o valor de compensação florestal por áreas que vierem a ser desmatadas. As taxas de cobrança foram fixadas em 2008, mas a nova revisão de valores deve duplicar essas taxas, segundo o Hindu Times.

O desmatamento, seja ele legal ou ilegal, é um ciclo vicioso. Na Índia, a perda de cobertura florestal está associada, principalmente, à agricultura, exploração de madeira, mineração e construção indiscriminada de projetos hidroelétricos. Para agravar, o país ainda tem uma população em crescimento constante e uma urbanização desordenada, o que aumenta a pressão sobre as áreas verdes.

O saldo da perda de floresta é sempre desastroso, e inclui erosão do solo, secas e enchentes extremas. Um estudo recente do Indian Institute of Science de Bangalore estimou que o desmatamento em grande escala poderia, até mesmo, mudar a direção das chuvas de monção para o sul do país, o que reduziria a precipitação na Índia em quase um quinto, segundo os cientistas.

Na prática, com a aplicação das novas taxas pelo Ministério do Meio Ambiente, a Índia vai aumentar a sua arrecadação junto aos industriais e talvez frear novas investidas do setor sobre as áreas florestadas remanescentes.

Apesar das aparentes boas intenções da nova abordagem, as autoridades deixaram de fora cerca de 400 milhões de pessoas que dependem direta ou indiretamente dos recursos florestais para sua sobrevivência.

Ao contrário do que propunha o relatório do Instituto Indiano de Gestão Florestal e Pesquisa Florestal da Índia, as comunidades florestais não serão contempladas pelo fundo de compensação por desmatamento. Então quando uma floresta for desmatada para fins econômicos, as comunidades tradicionais afetadas não serão compensadas e tampouco participarão do processo de decisão inicial.

Historicamente, a Índia herdou uma infraestrutura de governança florestal colonial que trata as florestas como propriedade do Estado. Essa situação gerou nos últimos anos uma grande mobilização nacional exigindo direitos locais sobre as florestas e culminou em 2006 com a criação da Lei de Direitos Florestais.

Mas as autoridades indianas ainda falham em reconhecer os direitos coletivos territoriais dos grupos tribais. A falta de direitos legalmente reconhecidos deixa as comunidades vulneráveis à perda de suas terras, o que, por tabela, também reduz a proteção das florestas, um problema que extrapola as fronteiras indianas.

Globalmente, existem pelo menos 513 milhões de hectares de florestas comunitárias, reconhecidas legalmente. Estudos mostram que esses terrenos, mantidos coletivamente por populações rurais ou indígenas, revelam-se aliados na luta pela preservação ambiental e no combate às mudanças climáticas.

Nesse sentido, fortalecer os direitos das comunidades florestais e expandir suas áreas é uma oportunidade para os governos cumprirem suas metas climáticas ao mesmo tempo em que protegem o meio ambiente.

Como o alemão Michael Braungart quer acabar com o lixo...


O químico alemão Michael Braungart lidera uma das vertentes mais radicais entre os defensores da chamada economia circular. O conceito prevê que os materiais usados num aparelho celular ou num automóvel sejam reutilizados após o consumo em novos processos produtivos. Braungart vai além: ele sugere que esse tipo de preo­cupação seja soberana na concepção dos produtos e na escolha dos materiais usados em sua confecção.
Coautor do livro best-seller Cradle to Cradle ("Do berço ao berço", numa tradução livre), ele criou, ao lado do arquiteto americano William McDonough, a associação Cradle to Cradle Products Innovation Institute, nos Es­tados Unidos, e já conferiu um selo a mais de 1 000 produtos, além de prestar consultoria para marcas como Puma e Philips. De seu escritório em Hamburgo, Braungart concedeu a seguinte entrevista à revista EXAME.

Exame - O senhor prega que o foco em ampliar a reciclagem não é a maneira mais adequada de proteger o meio ambiente. Por quê?
Braungart - Nossos atuais produtos são incrivelmente primitivos no que diz respeito a questões ambientais. Você entra em contato com dezenas de químicos ao tocar um cupom de supermercado ou um tíquete de estacionamento. As cinzas de um jornal queimado são tão tóxicas que você não pode usá-las para agricultura.
A qualidade do ar em prédios é de três a oito vezes pior do que a qualidade do ar em espaços abertos de cidades, porque os prédios não foram feitos para nós. Precisamos reinventar os produtos. Eles precisam ser bons para a biosfera. Devido a ganhos de eficiência, os pneus duram mais hoje do que há 30 anos. Mas agora inalamos suas partículas, que ficaram muito menores e se soltam quando a borracha atinge a estrada.

É preciso reinventar tudo, porque esses produtos não foram feitos para nós. Um xampu com silicone, por exemplo, reveste não só os fios de cabelo mas também os recifes de corais. Globalmente, colocamos 10 milhões de toneladas de plástico nos oceanos todos os anos. Se diminuirmos 10% disso, resolve? Não. Precisamos rever a produção de plástico desde o início.

Tradicionalmente, pensamos em proteger o meio ambiente quando diminuímos o consumo de água, a conta de energia, a produção de resíduos. Mas esse tipo de proteção apenas reduz os danos. Representa fazer a coisa errada de maneira controlada.

Exame - Qual é o alcance desse conceito até agora?
Braungart - A fabricante Puma tem 128 produtos com nosso selo cradle to cradle no mercado. Calculamos ter, ao todo, 2 900 produtos elaborados segundo esses princípios no mundo. Muitos produtos foram redesenhados sem que isso tenha sido comunicado aos consumidores.
Se os fabricantes falarem "essa roupa íntima foi feita para entrar em contato com a pele", as pessoas vão perguntar "e o que acontecia antes?" Também há muita inovação ocorrendo sem necessariamente o aval de nosso selo. Podemos ver que essas coisas estão se tornando mais dominantes em diferentes áreas.

Exame - Não é uma ideia radical demais?

Braungart - Afinal, cadeias inteiras de produção precisariam ser transformadas. Qual é a alternativa? Se não mudarmos, seremos pessoas demais neste planeta. A alternativa é, em vez de reduzir o consumo de energia nos prédios, construir prédios que sejam como árvores, que limpem o ar.

Mobilidade urbana: como desatar este nó?


Isto é São Paulo, a cidade do trabalho, o gigante de concreto armado que se torna dia a dia maior", introduz o locutor de voz profunda e limpa da era do rádio enquanto passam imagens da multidão nas ruas a caminho do trabalho. "Porém, há dramas que não se podem ocultar. E, entre eles, a luta pelo transporte, o sofrimento diário com as filas, a espera angustiosa pelos ônibus que tardam - e eles não bastam, pois seu número não cresceu no mesmo ritmo vertiginoso da expansão da cidade", continua ele.

Poderia ser um retrato atual da maior metrópole do país. Mas é a São Paulo de 1952, então com 2,5 milhões de habitantes, em um documentário restaurado do fotógrafo francês Jean Manzon sobre a demanda de transporte público na época. No fim do filme, ele pergunta: "Quando será o dia em que São Paulo não mais verá quadros como este?" E 50 anos depois, em 1o de junho de 2012, uma combinação de acidentes nas principais ruas e avenidas, chuva e excesso de carros criou o maior congestionamento da história: 295 quilômetros de filas. A cidade que não pode parar anda a passos de tartaruga.

O cenário piora a cada dia. Uma hora, esse nó vai estrangular a capital paulistana. São Paulo tem cerca de 11,4 milhões de habitantes e uma frota de 4,8 milhões de automóveis. Sua população cresceu cerca de 8% de 2001 até 2012, enquanto a frota aumentou 60,1% entre 2003 e 2012. Mais de 2,5 milhões de veículos foram colocados nas ruas, entre eles 1,5 milhão de carros particulares e 510 mil motocicletas, que, durante o mesmo período, aumentaram 197,3%. Na média, são quase 22 mil veículos por mês (730 por dia) a mais.

O preço que se paga por esse absurdo é elevadíssimo. Marcos Cintra, economista e vice-presidente da Fundação Getúlio Vargas, criou, em 2002, um estudo apelidado de "custo São Paulo", que calcula o prejuízo causado por seu trânsito. Segundo dados consolidados de 2012, estima-se que ele seja de cerca de 40 bilhões de reais ou aproximadamente 80% do PIB municipal, que é de 52 bilhões. Só dos chamados custos pecuniários (preços da gasolina por quilômetro rodado, desgaste dos veículos e manutenção de vias, além dos gastos com poluição e seus efeitos nocivos à saúde pública) perde-se cerca de 10 bilhões de reais ao ano. O que não se ganha, ou seja, os custos de oportunidade (soma de tudo aquilo que a cidade deixa de consumir, produzir e arrecadar enquanto sua força de trabalho está estagnada no trânsito), representa mais 30 bilhões. "Isso sem falar na parcela da população presa dentro dos ônibus", explica Marcos Cintra. No Rio de Janeiro, estudo semelhante feito pela UFRJ revela que o tempo perdido no trânsito gera um prejuízo de até 12 bilhões de reais ao ano à capital fluminense.

O caos do trânsito começa a alastrar-se. Em tempos de expansão de crédito e redução de impostos para a indústria automotiva, houve uma série de quebras de recorde na venda de veículos, de modo que outras cidades brasileiras começam a enfrentar crises de mobilidade. Um estudo do Observatório das Metrópoles, órgão de pesquisa ligado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia, aponta que, em dez anos (de 2001 a 2011), a frota das 12 principais regiões metropolitanas do país, incluindo seus 239 municípios-satélite, cresceu, em média, 77,8%.

sábado, 28 de janeiro de 2017

Manifestantes protestam contra usina térmica perto de reserva em Bangladesh...


Centenas de pessoas protestaram nesta quinta-feira (26) em Daca, capital de Bangladesh, contra a construção de uma usina térmica perto dos Sunderbands, o maior mangue do mundo, em uma manifestação que acabou em confrontos com a polícia.

Os manifestantes, que rejeitam a instalação da usina por causa de seu impacto ecológico na reserva natural, foram dispersados com gás lacrimogêneo depois que 250 deles bloquearam uma das principais intersecções da capital, afirmou o subcomissário da polícia metropolitana, Marouf Sorder.

“Dispersamos o protesto e a situação está agora sob controle”, afirmou o subcomissário.

Um dos manifestantes, Syed Fayiz Ahmed, criticou a repressão policial, ao assinalar que a mobilização acontecia de forma “pacífica” até que a polícia os “atacou sem provocação prévia”.

Pelo menos quatro dos feridos tiveram que ser hospitalizados e receber atendimento de primeiros socorros, segundo explicou o encarregado de segurança do Hospital Universitário de Daca, Baccu Miah.

O protesto faz parte de uma série de medidas realizadas por um grupo ecologista local que pressiona para que seja instalada a unidade perto dos Sunderbans, uma reserva natural de mangues situada no sudoeste do país e declarada patrimônio da humanidade em 1997.

A companhia mista indo-bengali Bangladesh-India Friendship Power Company espera poder começar a construção desta usina em fevereiro em Rampal, a apenas 14 quilômetros dos Sunderbans.

A central terá capacidade para gerar 1.320 megawatts o que a tornará a maior do país e terá um custo estimado de US$ 1,7 bilhão.

De acordo com fontes da empresa consultadas pela Efe, a usina poderia começar a operar em 2019.

O projeto recebeu várias críticas dentro e fora do país. Em outubro do ano passado, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pediu ao governo bengali para cancelar ou transferir o local de construção da central térmica.

Segundo a Unesco os principais danos ecológicos derivados da construção da central serão a poluição devido à combustão de carvão, às águas residuais e às cinzas.

A Unesco assegurou que a poluição do ar e da água vai representar um “dano irreversível” à reserva, habitat de espécies protegidas como o tigre de bengala.

Sapos têm detectores sísmicos e conseguem saber quando está chovendo...


Sapos são animais que dependem da umidade para sobreviver. E aquelas espécies que habitam regiões muito secas precisam “dar seus pulos” para conseguir sobreviver no verão. A estratégia encontrada é esconder-se sob o solo, suficientemente úmido, à espera da chegada das chuvas de outono.

A incógnita para os cientistas era saber como os anfíbios faziam para descobrir, enterrados, o momento exato de sair das profundezas para voltar à vida na superfície para iniciar um novo ciclo de reprodução.

Um estudo publicado na revista Current Biology, liderado pelo pesquisador Rafael Márquez, do MNCN (Museu Nacional de Ciências Naturais), de Madri, na Espanha, mostrou que existem detectores sísmicos no ouvido interno de sapos e rãs que servem justamente para eles detectarem, por meio de frequências de som captadas nas vibrações do ar, o momento de ir para a superfície.

“Ao abordar este estudo, nos perguntamos como os sapos sabem que está chovendo se o solo subterrâneo onde eles estão escondidos já está úmido”, disse Márquez, em comunicado divulgado pelo MNCN.

“Aventávamos a hipótese de que eles são capazes de detectar as vibrações de baixa frequência e elaboramos um experimento para prova-lo”, completa.

A pesquisa, desenvolvida com duas diferentes espécies de sapos –sapo-de-unha-negra (Pelobates cultripes) e sapo-corredor (Bufo calamita)– foi realizada em dunas do Parque Natural de Doñana, em Huelva, na Espanha de fato apontou que os animais possuem três diferentes sensores no ouvido interno. Um deles percebe as frequências de som, ao passo que os outros dois captam frequências mais baixas, como as vibrações do solo.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas foram ao parque na época das chuvas para gravar o som com o intuito de, posteriormente, reproduzir estas vibrações captadas de forma artificial.

Um ano depois, em 2013, no outono –quando os anfíbios ficam enterrados durante o dia, mas saem à superfície pela noite–, os pesquisadores voltaram ao local, instalaram cercas e colocaram ali 64 sapos, de maneira que pudessem monitorá-los naquele espaço.

Dois grupos distintos de sapos, então, foram divididos pelas cercas. Um deles foi exposto às vibrações artificiais, geradas a dez centímetros de profundidade, por 2 horas, em uma noite sem chuva. No outro grupo foram mantidas as condições naturais. O resultado foi que todos os sapos, em algum momento, saíram à terra.

O pesquisador ainda afirma que a dimensão sísmica do campo sensorial destes anfíbios pode ter “consequências importantes para medir o impacto que as atividades humanas podem ter neste grupo de vertebrados tão ameaçados”.

Mediterrâneo acumula 62 milhões de pedaços grandes de lixo...


O Mar Mediterrâneo tem 62 milhões de pedaços grandes de lixo, o que representa uma grande ameaça para o ecossistema e para o ser humano, adverte a ONG Ecologistas en Acción em um relatório divulgado nesta sexta-feira na Espanha.

O estudo sobre lixo marinho, plásticos e microplásticos resumiu o conhecimento apresentado no tema por 300 publicações científicas internacionais. Entre as conclusões, destaca-se a informação de que anualmente de 6,4 a 8 milhões de toneladas de lixo marinho entram no oceano, sendo 80% plástico, que gera elementos mais leves, como microplásticos capazes de viajar longas distâncias.

Os ecologistas advertem também que mais de 690 espécies da fauna e flora interagiram com lixo plástico, e que partes deles já estão na cadeia alimentar humana.

Segundo o relatório, 80% do lixo marinho vem da terra, de zonas com grande densidade populacional, presença de indústrias e lixões. No início, os grandes blocos de resíduos eram vistos principalmente no litoral, mas nos últimos anos foram achadas grandes ilhas de lixo flutuante em mar aberto e no fundo dos oceanos.

A organização alerta da elevada presença de micro-plásticos (partículas de menos de 5 milímetros), muitos com origem na indústria cosmética, que impregnam os sistemas de saneamento e desembocam em mares e oceanos. Muitos deles têm origem também na fragmentação de tecidos sintéticos – em apenas uma lavagem podem gerar mais de 1.900 fibras de microplásticos – e na degradação das sacolas plásticas em partículas microscópicas.

O problema da poluição é, ao lado da mudança climática, uma das maiores “ameaças globais deste século” para os oceanos, segundo a ONG.

De acordo com o grupo, em alguns casos os animais marinhos “não sofrem morte direta por ficarem emaranhados em redes plásticas, mas ficam gravemente afetados pelos ferimentos ou os impedimentos gerados pelo aprisionamento”.

Além disso, casos de ingestão de macro-plásticos em um grande número de animais, “incluindo espécies peixes de valor comercial, como arenque, cavala, atum do Mediterrâneo e bacalhau do Atlântico”, que confundem lixo com alimento, podem causar a morte direta, através da obstrução do estômago ou afetar os organismos por muito tempo.

Municípios passam a ser obrigados a fazer levantamento de infestação por Aedes...


A partir de agora, todos os municípios serão obrigados a fazer o levantamento de infestação pelo mosquito Aedes aegypti. A informação deverá ser enviada para as secretarias estaduais de Saúde que, por sua vez, repassarão os dados para o Ministério da Saúde.

A decisão, publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (27), determina que municípios com mais de 2 mil imóveis realizem o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (LIRAa). Municípios com menos de 2 mil imóveis devem realizar o Levantamento de Índice Amostral (LIA). Os levantamentos têm o objetivo de identificar a porcentagem de imóveis que apresentam criadouros de mosquito em cada cidade.

Já municípios que não são infestados pelo mosquito devem fazer o monitoramento por ovitrampa ou larvitrampa, armadilhas que permitem identificar se existem mosquitos pondo ovos na região.

Muitos municípios já realizam esse tipo de levantamento rotineiramente. Em 2016, por exemplo, 62,6% dos municípios com mais de 2 mil imóveis realizaram o LIRAa e repassaram os dados para as autoridades estaduais e federais. A partir dessas informações, o Ministério da Saúde colocou em alerta de risco para dengue, zika e chikungunya 855 cidades brasileiras.

Em 2016, até 24 de dezembro, o Brasil registrou 1.976.029 casos prováveis das três principais doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti no Brasil: 1.496.282 de dengue, 265.554 de chikungunya e 214.193 de zika.

Em dezembro, o Ministério da Saúde já tinha anunciado que o repasse da segunda parcela de uma verba de R$ 152 milhões destinada ao combate do Aedes só seria feito para os municípios que tivessem feito o LIRAa ou o LIA.

A resolução publicada nesta sexta-feira foi assinada pela Comissão Intergestores Tripartite, composta pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros, pelo presidente do Conselho Nacional de Secretários da Saúde, João Gabbardo dos Reis, e pelo presidente do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Mauro Guimarães Junqueira.

Robô captura imagens do interior de reator de Fukushima, no Japão...


Um robô conseguiu entrar pela primeira vez no reator número dois da usina nuclear de Fukushima, no Japão, para avaliar seu estado e filmar a parte interna, um passo fundamental para sua complicada desativação. 

As imagens, além de outros dados captados por sensores do aparelho, como temperatura e nível de radiação no núcleo do reator, permitirão desenvolver métodos para a retirada segura do combustível gasto, conforme informou a empresa operadora da usina, a Tokyo Electric Power (TEPCO), à Agência Efe nesta sexta-feira (27).

Os reatores 1, 2 e 3 sofreram fusões parciais nos núcleos por causa do desastre que originou o terremoto e o tsunami de março de 2011, e conhecer o estado exato das barras de combustível radioativo é fundamental para seu manejo e retirada. No caso da unidade 2, acredita-se que o combustível se fundiu o suficiente para perfurar o compartimento de pressão e se acumular no fundo de contenção.

O vídeo feito pelo robô e divulgado pela TEPCO mostra uma plataforma metálica sob o compartimento de pressão, onde existe uma substância escura que poderia proceder das barras de combustível nuclear.
O robô, desenvolvido pela Toshiba e com formato de escorpião, conseguiu entrar no reator através de um encanamento na quinta-feira. Dois dias antes, houve uma tentativa fracassada, quando a câmera que ele levava ficou presa no duto.

Desde agosto de 2015, os técnicos da TEPCO tentam sem sucesso realizar esta operação. A dificuldade se devia à presença de escombros que bloqueavam as vias de acesso para o aparelho ou aos altos níveis de radiação detectados em um dos pontos a partir de onde o robô era operado remotamente. No próximo mês, a TEPCO deve introduzir um segundo robô no reator para fazer testes extras.

A retirada de combustível é o processo mais complexo dentro dos trabalhos de desmontagem – que levarão de três a quatro décadas – da central, palco do pior acidente nuclear da História desde o de Chernobyl (Ucrânia), em 1986.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Tocantins ganha programa governamental de incentivo à energia solar...


Integrando um grande cinturão solar no Brasil e se destacando entre os estados com maior irradiação do sol, o Tocantins tem um alto potencial de geração de energia solar. Com o objetivo de aproveitar este potencial e incentivar o uso desta energia limpa e renovável, o Governo do Estado instituiu a Política Estadual de Incentivo à Geração e ao Uso da Energia Solar – Pró-Solar. A política será coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh).

A lei nº 3.179/2017, que institui a política, traz os instrumentos e objetivos da Pró-Solar, que tem como finalidade aproveitar o potencial do Tocantins e racionalizar o consumo de energia elétrica.  São previstos investimentos que englobam o desenvolvimento tecnológico e a geração (fotovoltaica e fototérmica) para comercialização e autoconsumo nas áreas urbanas e rurais, pela iniciativa pública e privada, considerando o uso residencial, comunitário, comercial, industrial e agropecuário.

O diretor de Desenvolvimento Sustentável da Semarh, Jânio Washington, ressalta a importância da Pró-Solar para aumentar o uso da energia solar na matriz energética do Tocantins. “Um dos objetivos é estimular a instalação de indústrias produtoras de equipamentos de geração de energia solar no estado, gerando emprego e renda. Além disso, a política pode transformar o Tocantins num referencial de geração de energia solar, já que temos todas as condições pra isso”, afirma.

Washington destaca ainda que o Governo do Estado seria o primeiro a dar o exemplo, já que a partir da sanção da lei, “todas as novas obras públicas estaduais deverão prever instalação do sistema de energia solar no projeto de construção. Ou seja, o governo vai dar o exemplo para que as empresas, a iniciativa privada e os consumidores de modo geral também possam fazê-lo”.

A política prevê ainda prioridade na celebração de convênios com o Estado, para a construção de prédios públicos e conjuntos habitacionais, para os municípios que disponham de legislação promotora de uso de energia solar.

Plano de manejo dos rejeitos da Samarco deve ser anunciado em 45 dias...


O plano de manejo dos rejeitos de mineração espalhados após a tragédia de Mariana (MG) começou a ser discutido na última quarta-feira (25) e deverá ser entregue em 45 dias à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad) de Minas Gerais. Pesquisadores, empresas de consultoria e representantes de órgãos ambientais participaram de um seminário que deu início às discussões. O evento foi organizado pela Fundação Renova, criada pela mineradora Samarco para gerir as ações de reparação dos danos causados pelo episódio. Novos encontros ocorrerão nas próximas semanas.

A Secretaria de Meio Ambiente precisará apontar o que será feito com toda a lama dispersa. Não haverá uma única solução e nem todo o rejeito será retirado. Medidas diferentes deverão ser adotadas, levando em conta que a região afetada é composta por áreas com características distintas.

A tragédia de Mariana ocorreu em cinco de novembro de 2015, quando o rompimento da Barragem de Fundão, pertencente à Samarco, levou devastação à vegetação nativa e poluição à bacia do Rio Doce. Dezenove pessoas morreram e comunidades foram destruídas, entre elas os distritos de Bento Rodrigues e Paracatu. O episódio é considerado a maior tragédia ambiental do país.

Um acordo assinado entre a Samarco, suas acionistas Vale e BHP Billiton, o governo federal e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo estabeleceu que toda a área que sofreu impacto deverá ser recuperada pelas empresas. Entre as obrigações definidas está o manejo dos rejeitos. Embora esse acordo tenha sido contestado pelo Ministério Público Federal (MPF) e ainda não tenha validade judicial, as partes signatárias estão cumprindo o combinado.

Segundo a Fundação Renova, 39 milhões de metros cúbicos de rejeitos escaparam dos limites do complexo minerário da Samarco. Desses, 20 milhões estão depositados no trecho que vai até a Usina de Candonga, em Santa Cruz do Escalvado (MG). Em um desdobramento do acordo, a Fundação Renova protocolou nos órgãos ambientais um ofício assumindo o compromisso de retirar 11 milhões de metros cúbicos de lama.

No município de Barra Longa, foram recolhidos 170 mil metros cúbicos. Além disso, está em curso uma dragagem na Usina de Candonga. Cerca de 500 mil metros cúbicos já foram retirados e a meta é chegar a 10 milhões. Nos próximos meses também terão início os trabalhos na região de Bento Rodrigues. O objetivo será tirar do local aproximadamente um milhão de metros cúbicos. Não há previsão para a conclusão de todo o trabalho, que deverá levar alguns anos.

Uma vez que já existe compromisso em relação à retirada de 11 milhões de metros cúbicos de rejeito, o plano de manejo que será elaborado nos próximos 45 dias deverá indicar o que fazer com mais 9 milhões que estão depositados entre a Barragem de Fundão e a Usina de Candonga, assim como o restante que escoou pelo Rio Doce até o litoral do Espírito Santo.

Tecnologia brasileira monitora a umidade do solo e evita desperdício de água...


A Embrapa Instrumentação anunciou recentemente o desenvolvimento de dois sensores que monitoram a umidade do solo para evitar a rega desnecessária. A proposta deve facilitar o controle nas lavouras e também em jardins e hortas caseiras.

Conforme informado pelo pesquisador Adonai Gimenez Calbo, responsável pelo desenvolvimento, os equipamentos são capazes de funcionar sem a utilização de energia elétrica. As patentes já foram feitas e a Embrapa licenciou a comercialização por empresas brasileiras e norte-americanas.

De acordo com a Embrapa, o grande diferencial destes sistemas para os já existentes é que eles não sofrem com a salinidade e podem ser produzidos com materiais de baixo custo, como vidro e cerâmica. Assim, os materiais tendem a chegar ao consumidor final com preços mais acessíveis.

Sensor Diédrico

Este modelo é baseado no princípio de retenção de água por capilaridade e mede a tensão da água, ou seja, a força com que ela está sendo retirada do solo. A tecnologia será fabricada em duas versões pela empresa brasileira Tecnicer Tecnologia Cerâmica Ltda.

O sensor fixo é instalado no solo e permite a leitura de dez a 60 centímetros de profundidade. É indicado para uso no campo, em hortas e jardins. A versão portátil é destinada a leituras na superfície do solo e pode ser usada em hortas e jardins.

Calbo explica que estes equipamentos não sofrem interferência por fatores como temperatura, salinidade, densidade do solo e teor de substâncias ferromagnéticas.

Sensor IG

Este instrumento será produzido pela Acqua Vitta Floral e permitirá a rega automática. Ao identificar o solo seco, ele libera o gotejamento, a partir de um reservatório hermético, que pode ser até mesmo uma garrafa plástica.

Este modelo será disponibilizado em três versões. A primeira delas é destinada apenas ao uso doméstico, por sua capacidade reduzida. A segunda é baseada na mesma lógica, mas consegue monitorar até dez centímetros de profundidade do solo, sendo ideal para a rega de frutas, hortaliças e outros vegetais.

A terceira versão do IG é usada apenas para grandes profundidades. Ele é capaz de chegar a até 60 centímetros de profundidade, indicado apenas para uso agrícola.

Comercialização

Os produtos devem ajudar a reduzir o desperdício de água, ao mesmo tempo em que colabora para a melhora na produção, através da utilização adequada de recursos para cada finalidade específica. De acordo com o responsável pela criação, os aparelhos devem chegar ao mercado com preços acessíveis, que variam de R$ 10 a R$ 150.

Trump elimina Plano de Ações Climáticas e diz que investirá em petróleo...


O presidente eleito nos EUA, Donald Trump já assumiu a Casa Branca. Após uma campanha eleitoral cheia de polêmicas, ele já colocou em prática algumas das promessas pré-madato. Uma delas é o corte na verba destinada às pesquisas e medidas de combate às mudanças climáticas.

As principais propostas de governo já foram publicadas no site da Casa Branca e o setor energético é um dos que mais passaram por mudanças.  Durante a gestão Obama, os norte-americanos haviam ganhado o “Plano de Ações Climáticas” que estabelecia, entre outras coisas, limites para as emissões de gases de efeito estufa, o incentivo às energias renováveis e outras políticas de desenvolvimento econômico de baixo carbono.

No entanto, este foi um dos primeiros cortes do novo governo. O informativo oficial da Casa Branca dá a entender que o programa era uma ação onerosa, burocrática e desnecessária, substituído pelo novo “Primeiro Plano de Energia da América”. “Durante muito tempo, nós tivemos a nossa indústria energética limitada por regulamentos onerosos. O presidente Trump está empenhado em eliminar políticas prejudiciais e desnecessárias, como o Plano de Ações Climáticas e as legislações do programa Águas para os EUA. Eliminar essas restrições ajudará muito os trabalhadores americanos, aumentando os investimentos em US$ 30 bilhões para os próximos sete anos”, diz a página do novo programa.

Além de paralisar boa parte dos investimentos em energia limpa e renovável, a nova gestão quer focar seus esforços na exploração de petróleo e gás, duas fontes altamente poluentes.

“Uma política de energia sólida começa com o reconhecimento de que temos vastas reservas energéticas domésticas inexploradas aqui mesmo na América. A Administração Trump vai abraçar a revolução do petróleo, gás e xisto, para trazer prosperidade para milhões de americanos. Devemos aproveitar os estimados US$ 50 trilhões em reservas de xisto, petróleo e gás natural inexploradas, especialmente aquelas em terras federais que o povo americano possui.”

As políticas divulgadas pelo presidente Donald Trump vão na contra mão da tendência mundial em estabelecer normas de baixo carbono como estratégia para frear o aquecimento do planeta e suas consequências.

Bicicleta dobrável pesa apenas 8,5kg e cabe na bolsa...


A Kwiggle é uma bicicleta dobrável pensada para ser realmente prática de transportar para qualquer lugar. Pesando menos de nove quilos, ela pode ser dobrada em um tamanho tão pequeno que cabe na bolsa ou pode ser facilmente carregada na mão mesmo.

Nem todas as bicicletas dobráveis são realmente fáceis de serem transportadas sem ser pedalando, o que acaba dificultando seu uso como uma opção intermodal de deslocamentos. Às vezes esse problema é causado pelo tamanho das rodas, pelo peso do quadro ou, simplesmente, por ter um design que não permite reduções significativa em seu tamanho.

A empresa alemã que criou a Kwiggle chegou em um desenho que reduz esses problemas. Com o formato semelhante ao de um patinete, mas com banco, ela tem rodas pequenas e o quadro é todo em alumínio. As medidas também são impressionantes. Quando dobrada, ela cabe em espaços de 55 x 40 x 25 centímetros.

De acordo com os fabricantes, a Kwiggle é 60% menor do que as bicicletas dobráveis comuns. Apesar disso, ela pode atingir uma média de velocidade de até 30 km/h. A postura do ciclista também é um diferencial desta bike, que proporciona uma estrutura confortável para se pedalar com a coluna reta, o que garante praticidade e segurança para quem trafega entre os carros no trânsito das cidades.

Apesar de parecer pequena, ela é ideal para pessoas de até 1,90 metro de altura e de até 92 kg.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

ANP faz pesquisa sísmica no Oeste de Santa Catarina e avisa que vai retornar ao Paraná...

 

A presença dos caminhões vibradores contratados pela Agência Nacional de Petróleo de Gás (ANP) nas rodovias do Oeste de Santa Catarina pegou os gestores públicos e moradores da região de surpresa. Dionísio Cerqueira, colada com a cidade paranaense de Barracão, Guarujá do Sul, Guaraciaba e Campo Erê são localidades onde o comboio já passou e pasmem, a população soube pela imprensa.

Matéria divulgada no Jornal do Almoço do Grupo RBS TV mostra o desconhecimento da população e informa que a ‘pesquisa aponta a possibilidade de haver gás natural e petróleo no subsolo, mas que somente a perfuração de poços é capaz de comprovar essa existência’.

Proibidos de dar entrevista, como afirma a reportagem, os técnicos não explicam que essa perfuração é feita por fraturamento hidráulico, método altamente poluente também chamado do fracking, que usa milhões de litros de água potável, areia e coquetel com 720 substâncias tóxicas, muitas cancerígenas e até radioativas.

“Na fase de pesquisa, a perfuração de poços para comprovar a existência de reservas de gás é feita por fraturamento hidráulico, colocando em risco as reservas de água subterrâneas e de superfície, contaminado o solo e inviabilizando a agricultura e provando câncer na população. É isso que a ANP não conta para a população”, alerta Juliano Bueno de Araujo, coordenador de Campanhas Climáticas da 350.org e coordenador nacional da COESUS – Coalizão Não Fracking Brasil pelo Clima, Água e Vida.

Segundo a ANP informou à RBS TV, a pesquisa no Oeste catarinense deve ser finalizada na próxima semana. Depois disso, as máquinas voltam a analisar cidades do Paraná.

Paraná proíbe testes sísmicos

Assim como aconteceu nas cidades do Paraná, mais uma vez a ANP não informa em detalhes a natureza e riscos dos testes de aquisição sísmica. Entre os principais impactos são os terremotos induzidos pelos caminhões vibradores que provocam rachaduras em casas e edifícios, assim como são fatais para a piscicultura.

“Embora a ANP diga que a aquisição sísmica não causa impactos, temos relatos de milhares de paranaenses que tiveram suas residências danificadas, e centenas foram condenadas”, diz Juliano.

Diante da ameaça dos impactos ambientais, econômicos e sociais que colocariam em risco as reservas de água e a agricultura, o Paraná foi o primeiro estado brasileiro a suspender por 10 anos a emissão de licenças para exploração do gás de xisto pelo método não convencional. Tanto que o governador Beto Richa vetou, a pedido das entidades e organizações parceiras da COESUS, o artigo 3º que autorizava as pesquisas.

“Já temos memorando do IAP (Instituto Ambiental do Paraná) que proíbe emissão de licenças para pesquisa sísmica com base na Lei 18.947/2016. Se os caminhões contratados pela ANP retornarem ao Paraná vamos acionar o Ministério Público Federal para impedir essa ilegalidade”, garante Juliano.

Pescadores com outra fonte de renda não terão direito ao seguro-defeso...

 

Decreto também permite que o governo condicione o pagamento à participação em curso profissionalizante. Benefício pode ser suspenso para pescadores que tiverem “alternativa de pesca”.

pescadores que tiveram vínculo empregatício fora da pesca perderão o direito ao seguro-defeso, informou o Ministério da Agricultura. A proibição está em um decreto publicado nesta terça-feira (24) e que altera as regras de concessão do benefício.

O decreto também exclui do benefício os pescadores artesanais que tiverem uma “alternativa de pesca”, ou seja, que tenham outra espécie disponível para pesca, que não esteja no período de defeso.

O defeso é um período em que a pesca de determinadas espécies fica proibida, por causa da época de reprodução. Como os pescadores ficam impedidos de pescar, o governo paga um seguro-desemprego para aqueles que tenham a pesca como única fonte de renda. O benefício equivale a um salário mínimo, atualmente em R$ 937.

Qualificação

De acordo com o Ministério da Agricultura, o decreto também permite ao governo condicionar o recebimento do benefício à comprovação da matrícula e da frequência do trabalhador em curso de formação de qualificação profissional. A medida, informou o ministério, tem como objetivo a melhoria da atividade e gestão do negócio pesqueiro.

O pescador que recebe o benefício também passa a ser obrigado a informar o local de moradia e da pesca.

“Isso vai assegurar que o beneficiário seja efetivamente pescador profissional artesanal. Também contribuirá para a sustentabilidade da pesca, com a preservação dos recursos naturais, por meio da identificação da área em que a atividade é desenvolvida”, informou o Ministério da Agricultura.

O decreto também dispensa o pescador que já tenha recebido o benefício de apresentar um novo requerimento nas agências do INSS para receber o seguro-desemprego no próximo período de defeso e amplia de um para três anos a validade das autorizações de pesca das embarcações.

Estratégia militar para reflorestamento aéreo...


 
Os ­ambientalistas costumam ser pessoas bastante pacíficas, por isso ouvi-los discutir o uso de GPS e tecnologia de rastreamento de mísseis para avaliar um alvo é um tanto desconcertante. Os amigos das árvores usando tecnologia de rastreamento de mísseis e lançando bombas de aviões C-130? O que está acontecendo com o mundo?

Entretanto, essas táticas aparentemente sorrateiras não são o que parecem. A floresta não está sendo convertida em zona de guerra. Esses inovadores estão simplesmente adaptando tecnologias militares avançadas para uso em reflorestamento aéreo, principalmente nos Estados Unidos. Às vezes definido como plantação aérea e semelhante ao método de plantio de jardins conhecido como broadcasting, o reflorestamento aéreo envolve o uso de aeronaves para distribuir sementes e replantar florestas.

Na verdade, o reflorestamento aéreo nada tem de novo. As pessoas o empregam, no mínimo, desde os anos 30, quando aviões foram usados para distribuir sementes sobre as inacessíveis montanhas de Honolulu, no Havaí, depois de um incêndio na floresta. A técnica também ganhou popularidade nos Estados Unidos por algum tempo depois da Segunda Guerra Mundial, apesar de nem sempre ter sido bem-sucedida. As técnicas utilizadas atualmente são bem mais avançadas.

Casos brasileiros

No Brasil, já há alguns casos reflorestamento aéreo, a partir de semeadura, principalmente nas áreas de encosta da Mata Atlântica como, por exemplo, em Cubatão (SP) ou Joinvile (SC). Já a agricultura trabalha com a semeadura aérea desde os anos 40, tanto no combate de pragas quanto na semeadura. Segundo o engenheiro agrônomo Manoel Ibrain Lobo Júnior, que tem um blog sobre o assunto, existem no país 300 operadores de aviação agrícola com cerca de 1,5 mil aeronaves. As aeronaves, com mais de 1,5 mil litros de capacidade (tamanho para trabalhos de reflorestamento), são apenas 100.

Algumas pessoas acreditam que podem usar bombas e aviões militares para acelerar o processo de reflorestamento. Mas embora o uso de C-130s para lançar bombas de semeadura ainda não tenha se tornado corriqueiro, o reflorestamento aéreo civil já é de alguma utilidade.

O reflorestamento aéreo pode ter várias aplicações. Ele é usado com freqüência pelo Serviço de Fauna e Pesca dos Estados Unidos para aumentar a cobertura vegetal e impedir erosão em locais queimados, logo depois de um incêndio. O método também pode ser útil em qualquer lugar onde o reflorestamento tradicional encontre dificuldades: encostas de montanhas inacessíveis, áreas devastadas pela guerra e terras úmidas nas quais as pessoas talvez não encontrem áreas sólidas o suficiente para plantar sementes.

Embora nem sempre atinja índice de sucesso tão elevado quanto os métodos manuais, a efetividade do reflorestamento aéreo depende de diversos fatores, como o tipo de semente usado, a distribuição dessas sementes na estação apropriada e sua difusão no momento e nos locais exatos. Outra questão é a ação dos predadores: os esforços posteriores à Segunda Guerra Mundial foram abandonados porque as sementes lançadas terminavam alimentando camundongos e outros roedores, em vez de se tornarem árvores. Mas caso o método seja aplicado corretamente, o reflorestamento por via aérea pode atingir índice de sucesso de até 70% [fonte: Joffe-Block].

Os métodos tradicionais de reflorestamento, no entanto, exigem muita mão-de-obra, são demorados e dispendiosos. Plantar um hectare manualmente pode custar até US$ 8.750 [fonte: Utomo].

Desconsideradas as questões monetárias, o volume de sementes que pode ser plantado por meio do reflorestamento aéreo é espantoso. Um avião de grande porte pode lançar até 100 mil sementes em um vôo, o que pode representar até um milhão de árvores em apenas um dia [fonte: MIT (em inglês)].

Mesmo que apenas 70% delas sobrevivam - isso seria um dia de sucesso. Plantar todas essas árvores em um só dia por meios manuais exigiria muita gente, mesmo que consideremos o índice de sucesso de 95% geralmente associado aos métodos manuais de plantio [fonte: Joffe-Block (em inglês)].

É claro que todos esses cálculos hipotéticos dependem muito dos métodos utilizados. Da mesma maneira que a estratégia pode trazer vitória ou derrota em uma batalha militar, pode ser a chave para vencer essa batalha específica.
Não pense que o reflorestamento aéreo requer apenas levar uma sacola de sementes para um avião e despejá-las pela janela da cabine. Na verdade, o processo é bem mais complexo. Caso as sementes sejam simplesmente lançadas de uma altitude elevada, sem planejamento, apenas a sorte poderia garantir que caíssem em terras férteis.

Um fator importante para o relativo sucesso do reflorestamento aéreo é o projeto de cartuchos de sementes ou mudas. Nos estágios iniciais do reflorestamento aéreo, era difícil lançar sementes de altitudes elevadas sem prejudicar suas extremidades sensíveis. Mas agora existem diversos modelos que envolvem as sementes em recipientes cônicos resistentes e biodegradáveis. 

Os recipientes são fortes o bastante para proteger as sementes quando elas atingem o chão, mas se desintegram e assim, as raízes das árvores podem emergir. Esses cartuchos também contém tudo que a muda precisa para sobreviver. Dependendo do modelo específico, podem conter terra, nutrientes, fertilizantes e até mesmo um material que suga a umidade da área circundante, algo de que a árvore precisa para seu crescimento.

Nem mesmo cartuchos bem projetados garantirão sucesso sem colocação precisa, mas é para isso que equipamentos como o avião de transporte militar C-130 servem. No fim dos anos 90, algumas pessoas perceberam que, embora as forças armadas não tivessem a plantação de árvores entre suas missões, elas tinham grande capacidade de lançar bombas em locais precisos, e de rastrear mísseis.

Segundo essas pessoas, caso essa tecnologia fosse aplicada ao reflorestamento aéreo, as coisas poderiam de fato decolar. Então, surgiram algumas idéias.

Uma das propostas envolvia o uso de câmeras de alta resolução acopladas a um dirigível de pilotagem remota, a fim de fornecer dados em tempo real sobre as condições de clima e a umidade do solo, de modo que fosse possível planejar o melhor momento para uma missão. O dirigível poderia percorrer os céus por até dois anos, mapeando os melhores locais para o cultivo e transmitindo informações ao solo.

Outro método, cujo objetivo era colocar os cartuchos com mais precisão, envolvia equipar cada um deles com controles de tempo e ejeção semelhantes aos atualmente utilizados em bombas usadas na destruição de pistas de pouso. Além disso, GPS e equipamento de rastreamento de mísseis poderiam apontar a posição exata de um avião em relação à área-alvo. Se acoplada a dados sobre a velocidade do vento, essa informação poderia determinar o momento exato de lançamento dos cartuchos.

Já que todas essas tecnologias existem (e há mais de 2,5 mil C-130 operando em 70 países), basta obter verbas para literalmente conseguir que algumas dessas propostas decolem [fonte: Brown (em inglês)]. No entanto, já há métodos menos técnicos em operação.

Por exemplo, embora não empreguem aviões militares, funcionários do Parque Nacional de Izta-Popo, perto da Cidade do México, fizeram diversos lançamentos de esferóides de sementes (o nome do modelo específico de cartucho que empregam) para reflorestar a área. A Comissão Florestal Nacional do México também vem testando o reflorestamento aéreo com sua versão própria de cartuchos de sementes, para determinar se eles teriam uso em futuros projetos. No começo de 2008, cerca de 400 voluntários na Louisiana construíram cartuchos de sementes usando sementes, areia e terra envoltos em gaze impermeabilizada por cera de velas. Depois, os recipientes foram lançados estrategicamente por um helicóptero ao longo da costa sul do Estado.

Assim, embora C-130 equipados com rastreadores de mísseis no momento não estejam sendo usados em reflorestamento aéreo, alguns aviões mais simples que você ouve passar talvez estejam carregados de cartuchos de sementes.