segunda-feira, 16 de outubro de 2017



A empresa austríaca Johammer desenvolveu um novo conceito de motocicletas elétricas. Apelidada de J1, a moto inova no design e na tecnologia, trazendo para a realidade atual um modelo que lembra diversas ideias futuristas. De tradicional, a moto elétrica traz apenas o fato de ter duas rodas, um assento e um guidão.

A estrutura da J1 é feita em alumínio, envolta por uma capa de polipropileno, que oculta totalmente o moto elétrico. O modelo é equipado com uma bateria de 72V/12,7kWh e um motor elétrico de 11kW, com pico de até 16 kW. A moto tem autonomia de 200 km e velocidade máxima de 120 km/h, limitada eletronicamente.

Além de ser carregada através de uma tomada, a J1 também possui um sistema de frenagem regenerativa, que aproveita a energia da frenagem para abastecer o motor. De acordo com a fabricante, a recarga total leva 3,5 horas.

As baterias usadas na motocicleta são fabricadas pela própria Johammer, que garante que sejam de alta densidade e extremamente duráveis. Segundo a empresa, as baterias de íon-lítio têm vida útil de até 200 mil quilômetros instaladas na moto, mas, após esse tempo, ela ainda pode ser usada para outros tipos de armazenamento, como o de energia solar, prolongando o uso por até 20 anos.

Outro diferencial da J1 é o seu painel, aliás, a falta de um painel. Diferente das motos tradicionais, este modelo não possui um painel central. As informações de velocidade, carga e distância aparecem nos espelhos retrovisores, para causar menos distração aos pilotos.
A moto elétrica da Johammer está disponível em dois modelos, equipados com diferentes baterias. Ela também está disponível em cinco cores diferentes.

Para mais informações, acesse o link:

http://www.johammer.com/


Fonte: Site Ciclo Vivo

Nissan transforma van elétrica em escritório móvel...



A Nissan tem colaborado com a oficina de design, Studio Hardie, com sede no Reino Unido, para transformar sua van no primeiro escritório do mundo dentro de um veículo elétrico – o e-NV200 WORKSPACe.

Este ambiente de escritório profissional sobre rodas dispõe de uma mesa dobrável, computador touchscreen, internet, wireless, luzes de LED controladas por smartphones, carregamento sem fio de telefone, sistema de áudio Bluetooth, mini frigorífico e máquina de café barista de qualidade.

Em 2015, o número de espaços de co-working e hot-desking em todo o mundo aumentou 36%, enquanto pequenas empresas e profissionais que trabalham notaram a mudança na mobilidade, uma alternativa mais rentável no trajeto do centro da cidade para o escritório.

Redução de custos

Ao passo que rodar com veículos elétricos custa 0,03 euros por quilômetro, o e-NV200 WORKSPACe oferece uma solução de espaço que permite aos utilizadores trabalhar sem custo em algumas cidades que oferecem recarga gratuita de veículos elétricos, ou para quem deseja fugir da cidade para o campo ou para o ar fresco do litoral.

“A Nissan e-NV200 já é uma solução inteligente, sustentável de transporte para as empresas com visão de futuro, tornando-se o veículo ideal para ser usado como base para um local de trabalho móvel. O espaço de trabalho e-NV200 WORKSPACe leva a simplicidade da nossa van 100% elétrica a mais um passo e, contando com a expertise em design do Studio Hardie – conhecido pela sua abordagem ecocriativa – o e-NV200 foi reinventado como um ambiente de trabalho inovador de zero emissão”, disse Gareth Dunsmore, Diretor de Veículos Elétricos da Nissan na Europa.

 “Com os preços dos imóveis em nossas capitais, e como o profissional moderno precisa cada vez mais se movimentar, as empresas terão de pensar e considerar como o local de trabalho no futuro será transformado”, acrescentou. “Com hot-desking e o trabalho remoto em ascensão, não é preciso um salto muito grande para ver o futuro em que nossos veículos se tornarão conectados, com energia eficiente e espaços de trabalho móveis. E o projeto e-NV200 WORKSPACe pode tornar-se mais do que apenas um conceito.”

O e-NV200 WORKSPACe pode ser rapidamente carregado do 0 a 80% em apenas 30 minutos, e para aqueles momentos em que você quer deixar de estacionar e cobrando-se, há uma montagem interna de uma dobradura para bicicleta Brompton, permitindo aos usuários fazer viagens curtas em torno da cidade ou completar algum deslocamento.

O processo criativo

William Hardie, célebre designer do Reino Unido e fundador do Studio Hardie, disse: “Nós nos especializamos na criação de espaços surpreendentes em lugares inesperados, mas nunca fizemos nada em um veículo elétrico antes.”

“Dadas as credenciais verdes da van, nós queríamos maximizar o espaço com características inteligentes e materiais considerados sustentáveis, e tecnologias de forma eficiente e potente. Nós acreditamos que o futuro da tecnologia é um retorno ao artesanato de qualidade, por isso, também tentamos criar um ambiente em que os profissionais vão sentir gosto ao trabalhar. Colocamos todo o conforto e conectividade de um escritório moderno, com alguns toques surpreendentes.”


Fonte: Site Ciclo Vivo

Chip instalado em bike aciona dispositivo que fecha semáforo para carros...



Aarhus, uma cidade dinamarquesa, está testando uma ferramenta que promete ajudar os ciclistas pedalarem com mais facilidade e segurança. Trata-se de um código digital por radiofrequência, cuja sigla é RFID, que é instalado na bicicleta e se comunica com semáforos nas ruas. Quando o ciclista se aproxima de um cruzamento, o sinal abre para ele.

“É fácil se locomover de bicicleta usando ciclovias fora da cidade, mas logo que você se choca com o tráfego pesado da cidade as coisas se tornam mais complicadas. Precisamos descobrir como tornar a vida mais fácil para os ciclistas – particularmente nos semáforos. Você tem que esperar muito tempo para eles mudarem de vermelho para verde”, diz Kristian Würtz, vereador responsável por questões ambientais.

Quando registrada no sistema, a tecnologia garante prioridade para ciclistas nos cruzamentos. Além disso, ao identificar mais de uma bicicleta atravessando a via o sinal verde permanece por mais tempo para o ciclista.

O plano do município é desenvolver um sistema de “passaporte ciclístico” em que os membros cadastrados ganham uma série de facilidades. Por meio do programa “Aarhus Cycling City”, por enquanto, apenas um cruzamento está sendo testado. Se o projeto for bem sucedido, o plano é levá-lo a mais lugares da cidade. Este é mais um dos projetos de mobilidade, que a cidade lançou nos últimos anos, para aumentar o uso de bicicletas.


Fonte:  Site Ciclo Vivo

domingo, 15 de outubro de 2017

Brasília planeja 1,2 mil quilômetros de ciclovias até 2022...



Ampliação de ciclovias, integração com outros transportes e mais bicicletas públicas estão entre as medidas do Plano de Ciclomobilidade de Brasília, o +Bike, lançado na última quarta-feira (9) pelo governador Rodrigo Rollemberg.

A estratégia — que integra o programa Circula Brasília — está voltada a resolver a descontinuidade entre as ciclovias da cidade que não se comunicam. O objetivo é conectá-las e criar uma rede integrada para facilitar o deslocamento dos ciclistas.

Diversas medidas serão articuladas para esse fim, desde mais quilômetros de ciclovias, a instalação de bicicletários nos terminais de ônibus e um novo sistema de compartilhamento de bicicletas integradas ao BRT.

O investimento será de R$ 20 milhões, sem contar os valores aplicados em 72 quilômetros de projetos já em andamento, como a ciclovia da Estrada Parque Taguatinga (EPTG), a do Lago Oeste, a do Trevo de Triagem Norte e a da Ligação Torto-Colorado.

O governador ressaltou que o plano considera tanto as ciclovias que serão usadas como meio de deslocamento de pessoas que usam esse meio de transporte para se locomover pela cidade quanto as destinadas ao lazer. “O nosso objetivo é que, no futuro, todo o DF possa ser ligado por uma malha cicloviária”, disse.

Brasília conta com 420 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas. A meta é ampliá-las em 50%, chegando ao fim de 2018 com mais 218 quilômetros. Até 2022, o plano prevê ampliar para 1,2 mil quilômetros o alcance das ciclovias de Brasília.

Ampliação de bicicletas públicas compartilhadas

Já como parte das ações, o governador inaugurou um dos cinco novos pontos, com 50 bicicletas compartilhadas, instalados na UnB (Universidade de Brasília). Todos eles já começaram a funcionar.

Para os outros pontos, serão priorizadas as regiões que contam com o transporte de metrô. Além disso, haverá remanejamento em alguns casos – realocando as estações onde há pouco uso das bicicletas públicas para áreas com maior demanda.

O modelo será mantido, com uma empresa privada, a concessionária do serviço, fazendo o gerenciamento.

Três mil paraciclos e dez bicicletários serão instalados no DF

Visando à integração do uso da bicicleta com outros modais, bicicletários serão instalados em dez terminais do sistema de transporte público coletivo. Cada um deles terá capacidade de 30 a 50 vagas. De uso gratuito, bastará que o usuário leve um cadeado para prender a bicicleta no local.

Ainda em agosto, a pasta lançará licitação para compra de três mil paraciclos. A instalação em diversos pontos do DF, principalmente naqueles que contam com transporte de metrô, está prevista para até o fim deste ano.

Três terminais de BRT receberão testes para uso de bicicletas integradas

Três terminais de BRT — os de Santa Maria, do Gama e do Park Way — passarão por testes para implementar o compartilhamento de 150 bicicletas integradas. A licitação para os testes ainda está em fase de finalização.

A ideia é que os usuários fiquem com as bicicletas por um longo período, de cerca de 12 horas. Por exemplo, alguém que saia do trabalho e chegue à estação de Santa Maria poderá retirar uma unidade e ir para casa. Apenas no dia seguinte, provavelmente quando precisar se deslocar novamente até a estação, é que o cidadão precisará devolver a bicicleta.

Aplicativo para usar bicicletas será atualizado

Também dentro das medidas do plano, o aplicativo (disponível para Android e iOS) para usar as bicicletas passará por uma atualização e será renomeado para +Bike.

Entre as novidades do aplicativo está a opção de cobrança de tarifa diária, de R$ 3, e de R$ 6 por mês, além da tarifa anual de R$ 10, o que pode ser uma opção para turistas ou para aqueles que querem usar a bicicleta por menos tempo.


Fonte:  Agência Brasília

Londres vai construir mais uma superestrada para bicicletas...



A capital da Inglaterra quer se livrar da emissão dos poluentes. Depois de anunciar que vai zerar as emissões de transporte até 2050, Londres afirma que fará mais uma estrada especialmente para bikes. A medida vai contribuir com o aumento do ciclismo, que já subiu 70% desde a construção da primeira via exclusiva.

A via ligará Tower Bridge a Greenwich. A rota foi identificada como uma prioridade devido à alta demanda da área para o ciclismo -, com quase 3.500 viagens realizadas diariamente. Durante a construção, os pedestres serão beneficiados com cinco novos cruzamentos e outras vinte faixas serão revistadas e, se necessário, melhoradas.

“Estou encantado de poder anunciar planos para trazer mais de quatro quilômetros de pistas segregadas para o sudeste de Londres. Precisamos de mais londrinos andando de bicicleta e caminhando pelo bem da saúde e da nossa qualidade do ar, e é por isso que estamos trabalhando para fazer o ciclismo mais seguro e mais fácil em toda a capital. Ao trazer esta rota para uma área com alta demanda, a estrada realmente abrirá ciclismo para milhares de pessoas”, afirmou entusiasmado o prefeito Sadiq Kahn.

A gestão já havia anunciado um plano para incentivar o uso de transporte público, bicicletas e a caminhada como alternativas de deslocamento. As medidas integram o documento “Estratégia de Transporte”, saiba mais acessando o link: http://ciclovivo.com.br/noticia/londres-quer-zerar-emissoes-de-transporte-ate-2050/

Fonte: Site Ciclo Vivo


Marca lança cápsulas de café biodegradáveis que viram adubo em 4 meses...



A marca brasileira de café Orfeu, certificado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), dá um passo importante em sua história. Após um ano de intensa pesquisa e investimentos para encontrar a melhor solução para a sua linha de cápsulas de café, a marca lança sua cápsula biodegradável e compostável. Com isso, todas as cápsulas de café Orfeu fabricadas a partir de outubro, passam a ser produzidas neste novo material.

“Após muita pesquisa e dedicação, estamos muito felizes em dizer que as cápsulas de café Orfeu, compatíveis com as máquinas Nespresso®, são biodegradáveis e compostáveis. Conseguimos dar um grande passo para tornar sustentável o consumo e descarte de cápsulas de café de uma forma mais prática, viável e efetiva para os clientes”, conta Amanda Capucho, diretora geral de Orfeu Cafés Especiais.

A cápsula biodegradável e compostável, quando destinada ao tratamento de lixo orgânico, tem um ciclo de até quatro meses para se degradar completamente e se transformar em adubo, um nutriente para a natureza. Esta transformação é possível porque as cápsulas são feitas de um exclusivo bioplástico compostável.

O produto possui todas as certificações necessárias pela norma EN-13432, representadas pelos selos “OK Compost” e “OK Biobased”. Ela é feita a partir de fontes renováveis e sua composição é livre de alumínio, livre de Bisfenol A (BPA Free) e de transgênicos (GMO Free).  Além disso, são as primeiras no Brasil a receber o Rótulo Ecológico ABNT – o único programa de rotulagem ambiental brasileiro aprovado pelo Global Ecolabelling Network (GEN), que garante que o produto certificado é a melhor opção para o meio ambiente, em comparação a produtos similares da mesma categoria. Na categoria de cápsulas de café, o selo exige que o material da cápsula seja biodegradável ou compostável, além de diversos critérios que envolvem responsabilidade socioambiental no processo produtivo, desde a plantação, até a embalagem.

“Esta iniciativa é um dos diversos passos que damos diariamente para firmar um compromisso que nasceu conosco: cuidar bem do café, das pessoas e de nossa terra. Sabemos que esse zelo resulta diretamente na qualidade de cada xícara de Orfeu”, comenta Amanda.

Para todo esse lixo orgânico voltar à natureza de forma limpa e sustentável, ele deve ser descartado de forma adequada para iniciar o processo de biodegradação e compostagem.

Coleta seletiva: em algumas cidades no Brasil, já é possível destinar o lixo orgânico de forma adequada para tratamento. Se o consumidor já faz uso da coleta seletiva e ele destina o lixo orgânico para estações de compostagem, basta garantir que suas cápsulas estejam sendo descartadas no lixo orgânico. Nesse processo, a biodegradação da cápsula acontece em até quatro meses.

Composteira termofílica: é um recipiente de materiais orgânicos que, com a reação natural das bactérias e dos fungos ao calor e ao oxigênio, transforma o lixo orgânico em adubo. Atualmente, existem empresas que recebem este tipo de lixo, mas também é possível que os consumidores façam em seus próprios lares. Nesse processo, a biodegradação da cápsula acontece de 2 a 4 meses.

Composteira elétrica (processadora de resíduos orgânicos): processa rapidamente os resíduos orgânicos por meio do calor e da movimentação mecânica. Há composteiras domésticas e composteiras industriais, que são comumente utilizadas em restaurantes, empresas e shoppings. Se a cápsula for misturada aos restos de alimento, cascas de frutas e demais materiais orgânicos, gera-se um adubo ainda mais rico em nutrientes. Nesse processo, a biodegradação da cápsula é acelerada e acontece em até 7 horas.

Caso o consumidor tenha acesso ao adubo gerado por suas cápsulas biodegradáveis, é recomendável que o material retorne à natureza. Para isso, basta misturar a proporção de uma parte de adubo para três partes de terra, para que as plantas possam receber todos estes nutrientes de forma equilibrada.

Fonte: Site Ciclo Vivo

sábado, 14 de outubro de 2017

Áreas paranaenses são incluídas em Lista de Zonas Úmidas...




A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guaratuba, no litoral paranaense, e o Parque Nacional de Ilha Grande, entre os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, são as primeiras do Estado a serem incluídas na Lista de Zonas Úmidas de Importância Internacional. As áreas também receberam o nome de “Sítio Ramsar”. A classificação, confirmada nessa segunda-feira (2) pelo Ministério do Meio Ambiente, é usada como principal instrumento para proteger áreas úmidas e habitats aquáticos importantes para a conservação de diversas espécies, principalmente aves migratórias.

“Isso demonstra que o Paraná está preocupado com a questão ambiental tendo entre essas unidades uma de uso sustentável (a APA), que permite a produção de forma sustentável. Com esse reconhecimento internacional abre-se uma porta para a aquisição de recursos para melhorar esses ambientes, trazendo mais condições de proteção”, explica o chefe do Departamento de Estratégias de Conservação do IAP, Francelo Mognon.

De acordo com ele, a inclusão das áreas na lista não as torna unidades de conservação, até porque já o são e têm o uso racional dos recursos naturais restritos, mas pode trazer outros benefícios.

“São inúmeros benefícios, desde mais incentivo ao turismo ambiental na região, aprofundamento de pesquisas científicas, valorização dos produtos produzidos na APA, principalmente aqueles que possuem algum tipo de certificação, entre outros. O município também pode ter uma melhora no seu repasse do ICMS Ecológico, visto que o reconhecimento desses ambientes demonstra qualidade da unidade de conservação”, disse.

Além disso, a classificação também permite prioridade na implementação de políticas governamentais e reconhecimento público, tanto por parte da sociedade como por parte da comunidade internacional.

SÍTIOS RAMSAR - O reconhecimento e a classificação de áreas com essa característica foram estabelecidos na Convenção sobre Áreas Úmidas de Importância Internacional em 1971, em Ramsar, no Irã. O Brasil se tornou signatário desse acordo em 1996.

Entre os objetivos da convenção está estabelecer marcos para ações para promover a conservação e o uso racional das áreas, de acordo com o reconhecimento da sua importância ecológica e dos seus valores social, econômico, cultural, científico e recreativo.

Com esses dois locais e mais a APA Cananéia-Iguape-Peruíbe, em São Paulo, também reconhecida na ocasião, o Brasil passa a ter 22 áreas úmidas com o título.

SÍTIO RAMSAR GUARATUBA - Localizado no município com mesmo nome, no litoral do Paraná, possui cerca de 40 mil hectares e está localizado dentro da APA Estadual de Guaratuba, que tem no total cerca de 200 mil hectares. A área foi apresentada em 2015 para o Comitê Nacional de Zonas Úmidas do Ministério do Meio Ambiente, pela bióloga Bianca Luiza Reinert, vice-presidente do Conselho Gestor da Unidade de Conservação.

A região apresenta potencial para o turismo, com suas serras com campos de altitude, rios, cachoeiras, represas, baía, planícies costeiras, manguezais e sítios arqueológicos. Além disso, já foram registradas na área 322 espécies de aves, sendo 14 destas ameaçadas de extinção a nível global.

SÍTIO RAMSAR PARQUE NACIONAL DA ILHA GRANDE – Inserido por completo no Parque Nacional da Ilha Grande, sob o rio Paraná e na divisa dos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, possui 78 mil hectares inseridos no Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná.

Fonte: Site Aen

Infográfico mostra dados sobre energia eólica no Brasil...



Nada menos que 18 milhões de residências foram abastecidas mensalmente por energia eólica no último ano. Isso equivale a cerca de 54 milhões de habitantes. Os dados da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica) comprovam que uma informação que o CicloVivo já compartilhou: o crescimento da geração de energia eólica não tem volta, só neste ano o aumento foi de 25%.

A ABEEólica acaba de divulgar seu boletim mensal com dados atualizados. O infográfico mostra que o Brasil chega a outubro com 12,3 GW de capacidade instalada de energia eólica em seus mais de 490 parques eólicos.

O material também dá destaque para o fato do Brasil ter ultrapassado a Itália no ranking mundial de capacidade instalada, ocupando agora o posto da 9ª posição. E já neste ano, bateu três recordes de abastecimento, sendo dois na região Sul e Nordeste e outro nacional.

Fonte: Ciclo Vivo

Programa na Alemanha dá bolsas de 1 mi de euros para pesquisa sobre clima...



Um programa de bolsas franco-alemãs para financiamento de pesquisas convida estudiosos a cooperar com parceiros alemães e franceses em pesquisa sobre mudanças climáticas, transição de energia e sistema terrestre.

O período de bolsas vai de 1º de março de 2018 a 31 de dezembro de 2022. Poderão se inscrever pesquisadores com doutorado completo que não tenham residido na Alemanha nos últimos dois anos.

Os pesquisadores juniores devem ter completado doutorado com distinção pelo menos dois anos antes do prazo de inscrição do programa.

Os candidatos devem ter excelente registro de publicações e/ou patentes, ter interesse em criar seu próprio grupo de pesquisa e realizar um projeto de pesquisa original e inovador em uma universidade ou instituição de pesquisa alemã de sua escolha.

O programa é financiado pelo Ministério Federal Alemão de Educação e Pesquisa (BMBF). Serão disponibilizados recursos para o estabelecimento de grupos de pesquisa nas áreas designadas sob a liderança dos candidatos aprovados.

Os pesquisadores juniores receberão até 1 milhão de euros e pesquisadores seniores até 1,5 milhão de euros por quatro anos, valor combinado das contribuições do Serviço Alemão de Intercâmbio Acadêmico (DAAD) e da instituição alemã de destino.

O financiamento fornecido abrangerá as despesas de pessoal (incluindo o cargo do candidato, pós-doutorandos, doutorandos e/ou técnicos), bem como despesas com materiais e consumíveis.

Na primeira etapa da chamada, os candidatos individuais devem enviar uma declaração de interesse usando um formulário de inscrição online. O prazo final é dia 13 de outubro.

Na segunda etapa da chamada, após um processo de seleção, a um número limitado de candidatos será solicitada uma inscrição completa junto à instituição alemã de destino escolhida (instituição de pesquisa universitária ou não universitária). O prazo da segunda etapa encerra em 15 de fevereiro de 2018.

Para mais informações e inscrição acesse:

https://www.daad.de/hochschulen/ausschreibungen/projekte/de/11342-foerderprogramme-finden/?s=1&projektid=57401203%20

Fonte: Site Ciclo Vivo

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Flotovoltaica: Energia solar flutuante para o Brasil...



A ideia é usar a energia solar flotovoltaica, um termo oriundo de "sistemas fotovoltaicos flutuantes", que envolvem a instalação de painéis solares sobre as águas de represas, lagos ou do mar.

Enquanto outros países estão explorando principalmente a superfície de lagos, lagoas e estações de tratamento de águas residuais, a situação brasileira é particularmente favorável à adoção da tecnologia devido às grandes áreas das represas das usinas hidroelétricas.

Além de adicionar outra fonte de energia limpa e renovável, a cobertura das represas pelos painéis solares contribui para a diminuição da taxa de evaporação dos reservatórios e para a redução da proliferação de algas, em decorrência do sombreamento.

E, do ponto de vista técnico e econômico, a grande vantagem é a possibilidade de utilização das linhas de transmissão já disponíveis para as usinas. Hoje, várias fazendas eólicas já totalmente operacionais continuam sem gerar energia no Brasil por falta de linhas de transmissão para levar a eletricidade até os consumidores - e a construção dessas linhas esbarra na dificuldade em conseguir os terrenos necessários às suas instalações e em autorizações ambientais para uso desses terrenos.

Energia limpa

O objetivo de Karina Strangueto e Ennio Peres era estimar o potencial de produção de energia elétrica através da instalação dos sistemas flotovoltaicos nos reservatórios das hidroelétricas brasileiras.

A pesquisa foi exaustiva, cobrindo 165 das principais usinas, o que envolveu verificar áreas, latitudes, longitudes, altitudes, temperaturas e climas de cada reservatório, para verificar o potencial de geração de energia solar. Usando dois cenários - um com utilização de 8% da área do reservatório, e outro com utilização de 80% - Karina calculou então o número de painéis solares, a inclinação adequada para evitar sombreamentos excessivos e a instalação de passarelas para limpeza e manutenção.

Os resultados foram surpreendentes: com apenas 8% de utilização das áreas totais dos reservatórios poderiam ser produzidos anualmente 444.333 GWh, o que corresponde a cerca de 70% de toda a energia elétrica consumida no mesmo período no país em 2014, que foi de 624.254 GWh. Com a utilização de 80% das mesmas áreas, estima-se a produção de 4.443.326 GWh, que corresponderia a sete vezes o consumo de eletricidade nacional em 2014.

"Imagine quantas hidroelétricas seriam necessárias para chegar a esse mesmo resultado? Claro que devem ser superados ainda os problemas dos altos custos e estudados eventuais impactos ambientais, mas o estudo deixa clara a importância de investir em tecnologias alternativas. Os dados mostram que o potencial desse sistema no Brasil é extremamente alto. O respeito à ecologia não justificaria o emprego desse sistema, embora mais caro?" disse Karina.

Fonte: Site Inovação Tecnológica

A nova revolução chinesa: fim dos carros com motor de combustão interna...



O mundo produziu 95 milhões de automóveis em 2016. A China liderou a produção global com 28 milhões de unidades produzidas. Os Estados Unidos ficaram em segundo lugar com 12 milhões de unidades. O Brasil ficou em 10º lugar e produziu 2,2 milhões de automóveis, em 2016.

Noventa e nove por cento dessa produção foi de carros com motor de combustão interna, seguindo o padrão hegemônico em mais de 100 anos da indústria automobilística. Contudo, existe uma revolução em curso no mundo e a era da combustão interna e uso de combustíveis fósseis está ficando para trás.

A Europa e os Estados Unidos lideraram a implantação da primeira fase da indústria automobilística e suas multinacionais estabeleceram um padrão internacional de modelos adaptados ao gosto dos consumidores. Os automóveis trouxeram muita riqueza para o Ocidente e viabilizou o crescimento de uma grande classe média e a mobilidade social e espacial. Mas também gerou muita poluição do ar e aumentou a concentração de CO2 na atmosfera, gerando o aquecimento global que já provoca diversos danos à civilização.

A China é o país mais poluidor do mundo e sofre bastante com a qualidade do ar. Por conta da necessidade de melhorar suas condições ambientais, mas também liderar uma indústria que vai se transformar totalmente no século XXI, planeja abandonar a produção de carros com motores combustíveis alimentados por combustíveis fósseis.

O vice-ministro da Indústria e Tecnologia da Informação, Xin Guobin, em um evento da indústria automotiva na cidade costeira do norte de Tianjin, anunciou um plano para a China produzir somente carros elétricos. A data ainda não foi marcada, mas provavelmente será algo antes do Reino Unido e da França, que anunciaram que vão proibir novos carros a gasolina e diesel a partir de 2040.

Somente nos primeiros sete meses de 2017, a China produziu 227 mil veículos elétricos e prevê chegar a 6 milhões de carros ao ano até 2025. O anúncio da proibição, em algum ponto no futuro próximo, poderia impulsionar a produção da nova indústria não fóssil. Na verdade, o governo de Pequim está desesperado para assumir a liderança na corrida global para desenvolver carros elétricos, tanto para limpar suas cidades fortemente congestionadas quanto com poluição atmosférica e garantir um lugar de liderança na indústria automobilística do futuro.

Um total de 55 mil novos carros elétricos de passageiros foram registrados no mês de agosto na China, com o mercado crescendo 68% em relação ao mesmo mês do ano passado e puxando a contagem acumulada até o ano (nos 8 primeiros meses) para mais de 282 mil carros elétricos, um aumento de 45% no ano.

A China anunciou que as montadoras estrangeiras que querem fabricar carros alimentados com combustível fóssil primeiro devem produzir carros de baixas emissões ou de emissão zero para atingir uma nova pontuação estatal. A nova regra aplica-se às empresas que fazem ou importam anualmente mais de 30.000 carros de combustíveis fósseis. Isso significa que até 2019, os fabricantes de automóveis devem estar produzindo uma frota com um total de 10% ou mais veículos elétricos e 12% ou mais até 2020.

A fabricante Volvo disse em julho que, a partir de 2019, todos os carros novos de sua ampla gama de veículos virião com uma opção elétrica, inclusive nas suas fábricas na China. Isto se reforça com a política do governo chinês de fornecer incentivos às empresas automotivas para desenvolver tecnologia de carro elétrico, ofertas que atraíram uma série de fabricantes de automóveis internacionais.

A China já é a primeira economia do mundo, quando se mede pelo poder de paridade de compra (ppp), ou a segunda economia, quando se mede por dólares correntes. Mas o gigante asiático tem a pretensão de ser a nação-líder do mundo. No dia 18 de outubro de 2017, começa o congresso quinquenal do Partido Comunista Chinês (PCC), com a expectativa de que o presidente Xi Jinping volte a ser eleito para um segundo mandato à frente do partido e do país.

A nova direção eleita no 19º congresso do PCC vai comemorar os 70 anos da Revolução Comunista de 1949 e as festividades dos 100 anos de fundação do PCC, que ocorreu em 1921. Ao contrário do colapso da União Soviética e da Revolução Bolchevique (que completa 100 anos neste outubro de 2017), o comitê permanente do Escritório Político, o órgão de sete membros no qual reside o poder na China, planeja lançar um programa para transformar a China em uma potência econômica e política sem rivais. A China comunista é o capitalismo de estado que “deu certo”.

O gigante asiático é o antípoda do Brasil e dos EUA, pois possui altas taxas de poupança e de investimento é líder do comércio mundial, além de contar com um montante de trilhões de dólares em reservas internacionais. Para dar continuidade ao seu modelo produtivista e superar os impasses da globalização neoliberal, a direção do partido comunista, por meio do “centralismo democrático”, na figura presidencial de Xi Jinping, lançou a iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota” (Belt and Road Initiative – B&RI). Trata-se de um conjunto espetacular de investimentos, na casa de US$ 1 trilhão em dez anos, visando promover uma rede de infraestrutura, comércio e cooperação econômica e cultural ao redor do mundo, mas especialmente ao longo do espaço que liga a Ásia e a Europa.

A ideia é estabelecer uma “Nova Rota da Seda”, revivendo, no século XXI, as antigas rotas milenares que conectavam o Ocidente e o Oriente. A iniciativa é composta por um corredor terrestre (“Silk road belt”) e uma rota marítima (“Maritime silk road”), buscando ligar a China – por meio de ferrovias, trens de alta velocidade, rodovias, portos, aeroportos, ligações telefônicas, Internet, telecomunicação e associações empresariais – aos países da Ásia, da Europa e da África. A China pretende liderar a Revolução 4.0.


Prioritários também são os investimentos na área de energia. A China pretende ser o país líder na produção de energias renováveis, na indústria de carros elétricos e na construção de uma rede elétrica inteligente, cobrindo longas distâncias, com base em conectores de corrente contínua de ultra-alta tensão (UHVDC, na sigla em inglês). A mudança da matriz energética é a base para uma nova estrutura produtiva global e uma forma de mitigar as emissões de gases de efeito estufa e reduzir a poluição atmosférica, em consonância com as recomendações climáticas do Acordo de Paris.

Portanto, 70 anos após a Revolução Chinesa e antes dos 100 anos do PCC, o país mais populoso do mundo pretende fazer várias revoluções tecnológicas simultâneas. A transformação da indústria automobilística e a transição da matriz energética (dos combustíveis fósseis para as energias renováveis) estarão na ponta de uma nova ampla renovação que pode colocar a China na liderança da Revolução 4.0 e no topo do ranking da economia mundial.

Por José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

Fonte: Site Águas do Pontal

Demanda por dentes de hipopótamos atrai caçadores e deixa animais à beira da extinção...



Um estudo recente publicado no African Journal of Ecology por pesquisadores da Escola de Ciências Biológicas da Universidade de Hong Kong mostra discrepâncias significativas nos volumes do comércio de dentes de hipopótamos, o que pode ameaçar sua sobrevivência.

Os hipopótamos são classificados como vulneráveis pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A caça por suas carnes, peles e dentes – somada à redução de habitats e ao aumento do conflito com humanos – resultou em um declínio das populações em toda a África. Com as taxas atuais, as espécies podem desaparecer dentro de um século.

A demanda por dentes de hipopótamos cresceu muito após uma proibição de 1989 sobre o comércio internacional de marfim de elefantes, de acordo com a IUCN.

Enfeites e acessórios feitos a partir de hipopótamos agora são vendidos a preço mais baixo no mercado global do que os produzidos com presas de elefantes, provavelmente porque a importação dos dentes dos animais é legalizada em muitos países. Os dentes dos hipopótamos também são mais fáceis de ser traficados do que as presas de elefantes.

Os pesquisadores examinaram registros de 1975 da CITES, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens. Eles descobriram que quase todo o comércio global de dentes de hipopótamo passa por Hong Kong – um dos principais centros do tráfico de espécies ameaçadas – e 75% dessas importações provêm de apenas dois países: Uganda e Tanzânia.

Porém, o volume de importações declarado por Hong Kong foi substancialmente distinto das exportações registradas nesses dois países, concluiu o estudo, sugerindo que o comércio excedia as cotas internacionalmente estabelecidas.

De acordo com o Quartz, os autores descobriram 14 mil quilos de dentes de hipopótamos não contabilizados, o equivalente a 2700 hipopótamos ou 2% da população mundial dos animais.

“Esta grave discordância nos dados comerciais enfraquece as medidas regulatórias e desafia a persistência das populações de hipopótamos na África”, escreveram os autores Alexandra Andersson e Luke Gibson.

A Uganda proibiu o comércio de dentes dos animais em 2014. As discrepâncias nos volumes do comércio de dentes de hipopótamos e de outras espécies ameaçadas podem resultar em “níveis de exploração incontroláveis” dos animais e, em última instância, acelerar sua extinção, argumentam os autores da pesquisa.

“Como um centro do comércio legalizado de animais e partes raras, as autoridades de Hong Kong devem ter um conhecimento preciso e o controle das espécies ameaçadas, vendidas ou exportadas em seu território. O destino dos hipopótamos de uma série de outras espécies pode depender disso”, declarou Andersson em um comunicado.

Fonte: Site Anda

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Já são mais de 1400 as espécies afetadas pelo lixo que despejamos nos oceanos...





O número total de espécies afetadas pelo lixo marinho está a subir constantemente e já ultrapassa, atualmente, as 1400 espécies. São 1441 as espécies afetadas de peixes, mamíferos, moluscos, algas, aves marinhas, tartarugas, bactérias, corais e muitas outras formas de vida aquática.

Estes dados são da AWI Litterbase, uma base de dados digital do Instituto Alfred Wegener, que compila os dados científicos publicados sobre o lixo marinho e que é frequentemente atualizada.

Os encontros da vida aquática com o nosso lixo

Os dados da Litterbase sobre as interações do lixo com os organismos mostram, sob a forma de mapas mundiais e gráficos, que os peixes e as aves marinhas são especialmente afetados por esta poluição e que a maioria do lixo encontrado no mar é constituída por plástico.

“Estima-se que, todos os anos, um milhão de aves e 100 mil animais marinhos, incluindo mamíferos e tartarugas, morram vítimas dos detritos de plástico nos oceanos.”

Segundo a análise mais recente de interações da Litterbase, 36% das espécies ingerem os detritos, 31% ficam presas ou enredadas neles e 28% colonizam-nos.

Os detritos que os animais ingerem, por os confundirem com alimento, podem perfurar ou obstruir-lhes o aparelho digestivo e causar-lhes outros problemas de saúde e ferimentos que podem resultar na sua morte. No caso da ingestão de resíduos plásticos existe ainda o problema de estes poderem absorver e libertar poluentes, que se vão acumulando ao longo da cadeia alimentar.

Muitos animais também ficam presos no lixo marinho. Todos os anos, as redes de pesca “fantasma”abandonadas nos oceanos capturam e matam milhares de focas, leões-marinhos e baleias, entre outros animais. 

A distribuição do lixo nos oceanos

“[A AWI LItterbase] é de tremendo valor científico. A nossa base de dados permitir-nos-á avaliar e compreender melhor as quantidades e padrões de distribuição globais do lixo no oceano”, explicou Melanie Bergmann, bióloga do Instituto Alfred Wegener. “Os mapas documentam os lugares onde os investigadores identificaram lixo marinho. Mas convém ter em conta que as áreas a branco no mapa não representam necessariamente regiões sem lixo; pelo contrário, são ângulos mortos.”
 

Estes “ângulos mortos” ajudam a identificar as áreas onde os esforços de investigação precisam de ser intensificados. Por exemplo, facilmente se percebe, observando o mapa acima, que foram realizados muitos estudos no Mediterrâneo. No entanto, houve poucos artigos sobre a situação em África, no mar Morto ou em mar aberto.

Melanie Bergmann, Lars Gutow e Mine Tekman, os investigadores que desenvolveram a base de dados, ficaram surpreendidos com a variedade de trabalhos científicos que descreviam a presença de lixo marinho. Estes podiam ser artigos sobre assuntos muito diversos, “como estudos sobre os jardins de corais no Mediterrâneo [ou] os efeitos antropogénicos de atividades como a pesca no fundo do mar”.

Também redescobriram dados antigos sobre este problema, como estudos realizados nos anos 80 sobre a ingestão de microplástico por plâncton e organismos unicelulares. “A Litterbase também vai ajudar-nos a redescobrir dados ‘antigos’ e em alguns casos esquecidos”, disse a bióloga.

O facto de disponibilizar hiperligações para todos os artigos científicos usados para a sua criação faz da AWI Litterbase uma ferramenta de grande utilidade para quem esteja interessado em aprofundar as suas próprias investigações.

Fonte: The UniPlanet





Assim como grande parte dos profissionais de sustentabilidade, tenho acompanhado de perto as discussões e iniciativas para atendimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10).

Para quem não está familiarizado, a PNRS, além de outros itens, prevê a responsabilidade compartilhada para a destinação correta dos resíduos sólidos urbanos, incluindo órgãos públicos, fabricantes, consumidores, importadores, distribuidores, comerciantes, entre outros. Uma das inovações da Política brasileira em relação à de outros países é a inclusão dos catadores de materiais recicláveis nos sistemas de Coleta Seletiva e de Logística Reversa.

Colocado este cenário inicial, gostaria de fazer um alerta importante para os catadores de materiais recicláveis e cooperativas que os representam.

Ao longo da minha carreira tive a grande oportunidade de trabalhar com os catadores e admiro o trabalho que eles desempenham. A inclusão dos mesmos na Política foi uma luta de anos e felizmente, conseguiu uma vitória social significativa no sentido de incluir estes importantes protagonistas na PNRS. Isto posto, tendo conhecido e mesmo gerenciado diversas iniciativas que visam a implementação de sistemas de logística reversa, posso dizer com propriedade que os catadores precisam se profissionalizar agora. Este é o momento em que não dá mais para postergar.

Existem cooperativas espalhadas por todo o Brasil que tem realizado um trabalho diferenciado, no entanto, grande parte delas ainda sofre com problemas sérios de gestão, falta de documentação básica, carência de procedimentos essenciais de saúde e segurança dos seus trabalhadores, dependência extrema de órgãos públicos, falta de capacitação e baixa produtividade.

Considerando que para atingir as metas estabelecidas pelo governo será necessário o manejo de volumes extremamente significativos de resíduos sólidos, se as cooperativas não se organizarem agora, perderão uma oportunidade única de serem peças-chave neste processo.

Alternativas como as reverse machines e outras máquinas que automatizam o processo, aumento no número de empresas especializadas, e a tendência de valorização gradual dos resíduos sólidos, significam a abertura de novos mercados e a inserção de novos atores interessados em concorrer neste cenário.

Não, isso não significa que o sistema é “mal”, mas, sendo direta, significa que quem estiver melhor preparado terá a preferência neste mercado.

Não existem desculpas. As cooperativas podem e tem plena capacidade de exercer este trabalho com a qualidade e a produtividade necessárias. Certamente não é um caminho fácil, mas já vi muitas fazerem acontecer, mesmo em condições extremamente desfavoráveis.

É claro que um sistema, para ser resiliente, não deve contar com uma alternativa única, mas ser diverso e incluir possibilidades diferentes para chegar a um objetivo comum. Assim, reverse machines, créditos de resíduos, empresas especializadas, startups de empreendedorismo social e cooperativas são peças importantes de um sistema complexo com características que se complementam.

O ponto que abordo aqui é o fato das cooperativas estarem correndo o sério risco de terem seu papel muito reduzido, caso não se preparem para atender os requisitos mínimos de um mercado que está cada vez mais exigente e profissionalizado.

Justamente por conhecer e admirar os catadores é que deixo este alerta. Bora fazer acontecer, todos juntos!

Por Juliana Zellauy Feres, executiva da área de sustentabilidade, com passagens por diversas organizações e empresas.

Fonte: Site Envolverde

Ambev e Coca-Cola Brasil se unem para investir em cooperativas de catadores...



A Coca-Cola Brasil e a Ambev anunciam na última terça-feira (04) o lançamento de um programa conjunto de reciclagem chamado Reciclar pelo Brasil. Um dos principais objetivos da integração dos programas das duas fabricantes de bebidas é otimizar e potencializar os resultados dos investimentos direcionados às cooperativas de catadores do País.

Além de impulsionar os investimentos, o Reciclar Pelo Brasil quer também colaborar com a meta do Acordo Setorial de Embalagens, que é a de reduzir, no mínimo, 22% das embalagens dispostas em aterros sanitários até 2018. A expectativa é a de que as 110 cooperativas que fazem parte da etapa inicial do programa recebam até 25% a mais de investimentos.

O programa, resultado de um ano de trabalho conjunto, foi cocriado com a participação da Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis (ANCAT), que fará também a operação do programa, com uma equipe de assessoria técnica.

“Ambas as companhias, Coca-Cola e Ambev, já investem em reciclagem há muito tempo e ambas criaram expertises próprias. Trabalhamos em conjunto com a ANCAT para desenvolver o que há de melhor no programa de cada uma e planejar um modelo que maximizasse essa inteligência que desenvolvemos nos últimos anos,” disse Pedro Mariani, vice-presidente de Relações Corporativas e Jurídico da Ambev ao CicloVivo.

O primeiro passo do programa é executar um diagnóstico e plano de ação periódico e customizado, para direcionar os investimentos de acordo com as necessidades de cada cooperativa. Os objetivos principais são: profissionalizar e regularizar cada vez mais o trabalho das organizações; aumentar o volume dos resíduos recolhidos; elevar a receita das cooperativas; e aumentar a renda dos catadores.

Para Roberto Laureano, presidente da ANCAT, o objetivo é que no futuro as cooperativas consigam ter a rastreabilidade do que coleta e entrega de cada material. “A criação desta plataforma é exatamente a construção do início disso, porém, ainda estamos numa etapa de profissionalização”, relatou ao CicloVivo. “Esta parceria contribuirá para avançarmos com ações de qualificação das cooperativas, especialmente na sua regularização jurídica, na melhoria da infraestrutura e na construção de melhores condições de trabalho. Queremos a médio-longo prazo ser parte do negócio dentro da cadeia de reciclagem”, conclui Laureano.

As empresas passam a buscar a partir de agora a adesão de outras indústrias para aumentar, exponencialmente, o impacto do projeto.

Índice de reciclagem

Segudo Thais Vojvodic, gerente de sustentabilidade da Coca-Cola Brasil, a iniciativa também aproxima a indústria das cooperativas, reduzindo o número de atravessadores que fazem a intermediação dos materiais e acabam pagando uma quantia menor para os cooperados e vendendo os resíduos com valor mais elevado para a indústria. Com isso, muitos materiais acabam sendo pouco coletados por não “valer a pena” para os catadores, como o PET, por exemplo. “Negociando diretamente com os catadores conseguimos melhorar o valor do material, pois no fundo, é o preço do material que dita o que é coletado na ponta Por isso o alumínio é tão desejado, ele tem muito valor de mercado. Se o PET conseguir seguir este mesmo caminho a tendência é que a gente consiga aumentar o valor para as cooperativas e assim aumentar o índice de reciclagem”, disse a gerente de sustentabilidade ao CicloVivo.

Mayra Rosa – Redação CicloVivo

Fonte: Site Águas do Pontal

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Cientistas europeus tomam decisão conjunta contra homeopatia...



Há muitas curas medicinais antigas que já não usamos. Não consumimos mais pó de múmia, por exemplo – pedaços de cadáveres humanos mumificados triturados que costumavam ser vendidos como produtos curativos. Geralmente, não usamos sanguessugas – pelo menos a maioria de nós. Mas de alguma forma, alguns médicos ainda estão empregando medicina homeopática, uma prática desacreditada do século 18.

A homeopatia descreve todo um sistema de medicina alternativa elaborado pelo médico Samuel Hahnemann em 1796 com base em um princípio de que o “semelhante cura o semelhante”. Essencialmente, Hahnemann acreditava que uma doença pode ser curada utilizando-se a mesma substância que causa os seus sintomas, mas diluída em proporções infinitesimais. Isso pode soar parecido com as vacinas – micróbios enfraquecidos usados ​​para treinar o sistema imunológico do corpo – mas não é.

Basicamente, os homeopatas encontram uma substância a partir de uma lista de muitos remédios e, em seguida, o diluem muito bem em alguma solução, água ou alguma outra substância, e os pacientes ingerem para curar os sintomas. Isso é bom porque, em última análise, o efeito placebo pode curar muito, sintomaticamente. Mas quando os remédios homeopáticos são oferecidos no lugar do tratamento do câncer, as coisas mudam de figura. Na semana passada, o Conselho Consultivo de Ciências das Academias Europeias emitiu uma declaração: depois de analisar as pesquisas, determinaram que não há evidências robustas e reprodutíveis que respaldam a eficácia da homeopatia para qualquer das doenças que ela deveria tratar.

Os cientistas europeus não querem proibir os medicamentos homeopáticos de forma definitiva. Em vez disso, eles gostariam de garantir que os consumidores estejam melhor informados e que os fornecedores sejam abertos sobre as evidências que respaldam a eficácia dos produtos.

No entanto, a decisão do conselho não é a lei. “Não acho que vá haver diminuição no interesse em tratamentos homeopáticos”, diz Arthur Caplan, bioeticista da Faculdade de Medicina da Universidade de Nova York. “Especialmente considerando as alegações na internet em relação à sua eficácia”.

Obviamente, as misturas super diluídas são seguras, e os sites de homeopatia enfatizam isso. Este não é o caso se você tiver uma doença que ameace a vida – novamente, alguns sites suspeitos afirmam que os remédios homeopáticos podem tratar o câncer. Independentemente disso, o comitê deve ajudar a orientar os órgãos reguladores da União Europeia enquanto estes tomam decisões sobre a prática. [Gizmodo]

Fonte: Site Hypescience
  

Statoil investe US$ 25 milhões em primeiro projeto de energia solar no Brasil...




A Statoil assinou um acordo para adquirir 40% da participação da norueguesa Scatec Solar no empreendimento Apodi, de 162MW, localizado no estado do Ceará. O projeto irá prover energia para cerca de 160 mil residências. As duas empresas também acordaram uma cooperação exclusiva para desenvolver, em conjunto, futuros projetos de energia solar no Brasil.

A Statoil também irá adquirir 50% de participação na empresa que irá executar o projeto, permitindo-a participar da elaboração e realização de novos projetos em energia solar no futuro.

O Brasil é um país estratégico para a Statoil, onde nossa ambição é promover um crescimento seguro e sustentável num mercado de energia que é significativo. Entrar no segmento de energia solar no Brasil reforça nosso portfólio de atividades, que inclui o Campo de Peregrino, além das descobertas de Carcará e Pão de Açúcar, a serem desenvolvidas.

Estamos entusiasmados por termos iniciado nosso primeiro projeto solar com um parceiro experiente como a Scatec Solar, diz Irene Rummelhoff, vice-presidente executiva da área de Novas Soluções Energéticas da Statoil.

A Statoil pagará um preço combinado de aquisição de USD 25 milhões pelo ativo e pela empresa de execução. A fase de construção do projeto começará em outubro deste ano, com o objetivo de fornecer energia elétrica a partir do final de 2018. O investimento total do projeto é estimado em USD 215 milhões.

O projeto solar de Apodi será financiado por empréstimo financeiro (65% do valor) e por recursos próprios dos acionistas (35%), dos quais USD 30 milhões correspondem à parcela da Statoil.

Projeto pronto para iniciar construção

Localizado no município de Quixeré, no Estado do Ceará, o empreendimento tem total permissão para conexão à rede elétrica.O ativo possui um contrato de compra de energia com duração de 20 anos (power purchase agreement – PPA), obtido em 2015, em um leilão organizado pelo governo brasileiro, com preço de entrega da energia ajustado pela inflação equivalente a 104 USD/MWh em 2017.

Com essa transação, a Scatec Solar permanece com outros 40% de participação no empreendimento, enquanto a ApodiPar detém os restantes 20%.

”Como parte da nossa estratégia de ativamente complementar o nosso portfólio de petróleo e gás natural com fontes de energia renováveis e lucrativas, até então estávamos focados em energia eólica offshore, onde temos uma vantagem competitiva única por conta de nossos 40 anos de atividades de óleo e gás. O projeto Apodi é um primeiro passo para entrarmos no mercado solar e avaliarmos como este segmento pode apresentar oportunidades de crescimento lucrativas e com possibilidade de expansão”, diz Rummelhoff.

A fase de construção e operações para este projeto será liderada pela Scatec Colar e a Statoil contribuirá com funcionários e serviços do Brasil e da Noruega.

Oportunidades de crescimento em energia solar

O avanço da tecnologia e a redução nos custos tornaram o segmento de solar ainda mais atrativo, superando fontes tradicionais de energia em mercados importantes. Em todo o mundo, o uso de painéis fotovoltaicos vem crescendo por ano aproximadamente 50%, considerando os últimos 10 anos. A expectativa é de que seja uma fonte importante de energia renovável no futuro.

No Brasil, ao longo dos últimos anos, aproximadamente 3 GW de projetos solares foram adquiridos em três leilões consecutivos.Outros 7GW deverão ser ofertados até 2024.

”O potencial do setor de energia solar no Brasil é crescente e, em conjunto com a Statoil, estamos aumentando ainda mais as nossas ambições neste mercado. Estamos trazendo para esta parceria um forte histórico como produtor independente de energia solar, enquanto a Statoil tem grande envolvimento e experiência no Brasil por meio de suas outras atividades de energia”, diz Raymond Carlsen, CEO da Scatec Solar.

A Scatec Solar é um produtor independente de energia solar da Noruega, com usinas em operação produzindo 322 MW de energia. Além disso, a empresa possui em seu portfólio outros importantes projetos de energia solar.

O ApodiPar é um consórcio brasileiro formado por três investidores locais.

Sobre os projetos renováveis da Statoil

A Statoil já possui um portfólio de fontes renováveis considerável, com uma capacidade de abastecer mais de 1 milhão de casas com energia eólica offshore.

A Statoil opera o parque eólico Sheringham Shoal, no Reino Unido, que está em produção desde 2012. O parque eólico offshore Dudgeon, no Reino Unido, também operado pela Statoil – e o primeiro parque eólico offshore flutuante mundial, a Hywind Scotland – começam a produzir em 2017.

Em 2016, a Statoil também adquiriu 50% do parque eólico offshore de Arkona, na Alemanha, que entregará energia em 2019.

Fonte: Site Ambiente Energia

Produção de energia eólica em 2017 foi 61,5% superior comparado ao ano passado...



Dados consolidados do boletim InfoMercado mensal da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE apontam que a produção de energia eólica em operação comercial no Sistema Interligado Nacional – SIN foi 61,5% superior à geração no mesmo período de 2016.

As usinas da fonte produziram um total de 3.495 MW médios em janeiro e fevereiro frente aos 2.164 MW médios gerados no primeiro bimestre do ano anterior. A representatividade da fonte eólica em relação a toda energia gerada no período por todas as usinas do Sistema alcançou 5,3%. A fonte hidráulica (incluindo as Pequenas Centrais Hidrelétricas – PCHs) foi responsável por 81,7% do total e as usinas térmicas responderam por 13% da geração no país.

Ao final de fevereiro deste ano, havia 409 usinas em operação comercial no país, que somam 10.393 MW de capacidade instalada, aumento de 23% frente às 332 unidades geradoras existentes no mesmo mês do ano passado.

Eólica por Estado

Na geração eólica por estado, os dados consolidados da CCEE indicam que o Rio Grande do Norte permanece como maior produtor do país com a produção de 1.267,5 MW médios em 2017, aumento de 98% em relação ao mesmo período do ano passado. Em seguida, aparece o estado da Bahia com 685 MW médios (+92%) produzidos, o Ceará com 587,5 MW médios (+51%) e o Rio Grande do Sul, que alcançou 430 MW médios (-6,3%) nos dois primeiros meses do ano.
 

Os dados da CCEE também confirmam o estado do Rio Grande do Norte com a maior capacidade instalada, somando 3.181 MW, aumento de 25% em relação ao ano anterior. Em seguida, aparece o Ceará com 1.960 MW (+23,5%), a Bahia com 1.750 MW (+17,5%) e o Rio Grande do Sul com 1.667 MW (+10%).

Fonte: CCEE



terça-feira, 10 de outubro de 2017

Astronomia gravitacional revelada em 2016 inspira Nobel de Física...




Foi o esperado reconhecimento da importância da primeira detecção de ondas gravitacionais, realizada em 14 de setembro de 2015, às 6h51 no horário de Brasília, pelo experimento LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory).

Na ocasião, utilizando os detectores gêmeos do LIGO, com 4 quilômetros de “braço” cada um e distantes 3 mil quilômetros um do outro, os pesquisadores envolvidos no experimento captaram as ondas gravitacionais produzidas pelo espiralamento de dois buracos negros, um ao redor do outro, instantes antes da fusão.

A observação confirmou uma previsão feita por Albert Einstein há um século e inaugurou um novo campo de estudos, constituído pela astronomia gravitacional.

A premiação de Thorne, Weiss e Barish só não ocorreu no ano passado porque as indicações ao Nobel devem ser feitas até 31 de janeiro do ano do prêmio. E o anúncio oficial da detecção foi feito em 11 de fevereiro de 2016, quando o prazo havia sido ultrapassado.

Odylio Denys de Aguiar, pesquisador titular do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), é o coordenador da participação do Instituto na LSC, a Colaboração Científica LIGO. Essa participação tem sido apoiada pela FAPESP por meio de várias bolsas e auxílios.
Em entrevista à Agência FAPESP, Aguiar fala dos premiados, do LIGO e das perspectivas da astronomia gravitacional.

FAPESP – O senhor conhece pessoalmente os três premiados. Como foi seu contato com eles?

Odylio Denys de Aguiar – Tenho contato com Kip Thorne desde 1982, quando trocamos correspondência acerca das pesquisas na área de ondas gravitacionais. Depois, passamos a nos encontrar pessoalmente. Barry Barish entrou nessa pesquisa nos anos 1990 e fizemos amizade a partir de 2001, quando o convidei a participar de um evento no Brasil. Tive menos contato com Rainer Weiss, mas é claro que nos encontramos nas reuniões da Colaboração Científica LIGO (LSC).

FAPESP – Quando começou a LSC?

Aguiar – A Colaboração foi uma invenção de Barry Barish, em 1997.

FAPESP – Mas Thorne foi o precursor?

Aguiar – Sim. Como físico teórico, Thorne começou a trabalhar com ondas gravitacionais na década de 1960, logo depois de se doutorar. Ele foi aluno de Wheeler [John Archibald Wheeler, 1911-2008]. Junto com Wheeler e Charles Misner, Thorne foi um dos autores do livro Gravitation, de 1973, que se tornou referencial na área. Muitos cientistas ingressaram no campo de estudos das ondas gravitacionais graças a esse livro. Tenho comigo uma carta que me foi enviada por Thorne em 1982, na qual ele cita vários pesquisadores da área que seriam candidatos ao Nobel, se não tivessem falecido: Grishchuk, Zel’dovich e Braginsky, em 2016; Drever e Billing, em 2017.

FAPESP – Além desse trabalho de divulgação junto à comunidade científica, Thorne também se dedicou à divulgação para o público geral, não?

Aguiar – Sim. Além de importantes contribuições teóricas e do trabalho de divulgação do tema da gravitação no meio científico, Thorne foi também um grande divulgador de ciência para o público leigo. Recentemente, ele atuou como consultor científico do filme Interestelar. Sua atividade foi fundamental para que a NSF [National Science Foundation, agência de financiamento à pesquisa dos Estados Unidos] investisse tanto dinheiro no projeto LIGO.

FAPESP – A atuação dele influenciou os outros premiados?

Aguiar – Weiss começou a atuar na área no início da década de 1970, em parte incentivado pelo trabalho desenvolvido por Thorne e Weber [Joseph Weber, 1919-2000, que começou a pesquisa de detecção de ondas gravitacionais com barras sólidas]. Weiss entrou na parte experimental, no MIT [Massachusetts Institute of Technology], desenvolvendo lasers. Mais ou menos na mesma época, na Escócia, começou a atuação de Drever [Ronald William Prest Drever, 1931-2017]. Drever foi, juntamente com Thorne e Weiss, o indicado ao Nobel de 2017, mas, como faleceu neste ano, seu nome foi substituído pelo de Barry Barish, o que foi uma escolha justa.

FAPESP – Qual foi o papel de Drever?

Aguiar – Thorne o convidou para trabalhar no Caltech [California Institute of Technology]. E, lá, Drever desenvolveu um interferômetro laser de 40 metros, utilizado até hoje. Esse equipamento foi fundamental para o desenvolvimento de pesquisas experimentais em interferometria por laser. Paralelamente, Weiss desenvolveu um interferômetro laser de 10 metros no MIT. Esses equipamentos já estavam funcionando no início dos anos 1980 e foi nessa época que fizeram planos para a construção de uma grande unidade. Escreveram um projeto de 94 páginas, que submeteram à NSF em 1989.
Tenho uma cópia desse projeto. Os cinco signatários eram Rochus Vogt (diretor do projeto), Thorne, Weiss, Drever e Fred Raab. Vogt foi substituído mais tarde por Barish. E, como Raab era recém-doutor na época, a Colaboração Científica LIGO julgou que não seria conveniente indicar seu nome para o Nobel. E indicou apenas Thorne, Weiss e Drever. Weiss e Drever foram responsáveis por toda a tecnologia de laser do interferômetro. Foram eles que criaram o projeto experimental que viria resultar no LIGO.

FAPESP – Como Barish entrou no processo?

Aguiar – Foi uma sorte para o LIGO. O projeto do Supercollider foi cancelado pelo Congresso dos Estados Unidos em 1993. Quem estava à frente era Barish, considerado um grande administrador de projetos científicos de grande porte. Quando o projeto foi cancelado, ele ficou desempregado e foi contratado para o LIGO. Foi uma excelente aquisição.

No ano seguinte, o projeto LIGO começou a ser executado, sob sua direção. Barish dirigiu o LIGO de 1994 a 2006. Depois, como bom administrador que é, inventou a Colaboração Científica LIGO, com pesquisadores de vários países, percebendo que não bastava ter o pessoal experimental para tocar a construção de todos os equipamentos e operar os detectores.

Era preciso ter também um corpo de cientistas capazes de desenvolver todas as outras etapas: a teoria, o modelamento e análise dos sinais, a identificação dos ruídos etc. E ainda pessoal experimental já voltado para a melhoria dos equipamentos. Essa Colaboração Internacional, criada por Barish em 1997, tem hoje mais de 1.300 pessoas.

Assim, o LIGO passou na frente de todas as outras iniciativas mundiais, em termos de cronograma, inclusive do Virgo [o grande interferômetro europeu.

FAPESP – Qual é o porte do Virgo?

Aguiar – Ele tem 3 quilômetros de “braço”. É menor do que os interferômetros gêmeos do LIGO, que têm 4 quilômetros. E há outros projetos em desenvolvimento. Um no Japão, constituído por interferômetro subterrâneo, com 3 quilômetros de “braço” e espelhos resfriados, para diminuir os ruídos finos. E também o LIGO-Índia, que está sendo construído com equipamentos do LIGO.
FAPESP – Como assim?

Aguiar – É que em Hanford, no estado de Washington, além do interferômetro principal, de 4 quilômetros, foi instalado, no mesmo túnel de vácuo, um interferômetro suplementar, de 2 quilômetros. Depois, chegou-se à conclusão de que esse interferômetro extra não era necessário.

E a administração o ofereceu a quem estivesse disposto a investir US$ 100 milhões no LIGO. A Austrália tentou, mas não conseguiu o dinheiro. Eu nem pensei em solicitar, porque considerei opção irrealista para o Brasil. Mas o governo indiano se comprometeu.
FAPESP – Qual o interesse científico em haver equipamentos similares em diferentes regiões do mundo?

Aguiar – Isso possibilita fazer a triangulação do sinal, o que aumenta a confiabilidade na atribuição do evento a uma onda gravitacional. Permite também localizá-lo no céu com muito mais precisão.

FAPESP – Os interferômetros vão operar em conjunto, portanto.

Aguiar – Sim. Por exemplo, na última detecção feita, já houve a participação do Virgo. Se fossem só os interferômetros do LIGO, a localização da região emissora ficaria espalhada por uma área de cerca de 1160 graus quadrados.

Com a entrada do Virgo, a área foi reduzida para 60 graus quadrados. Ou seja, houve um enorme aumento de precisão na localização da fonte. Com cinco interferômetros, a precisão será ainda maior.

FAPESP – Até agora, os eventos detectados foram fusões de pares de buracos negros. Há outros tipos de eventos previstos?

Aguiar – As detecções de fusões de pares de buracos negros se tornaram recorrentes e até monótonas. Será muito mais emocionante quando forem detectadas fusões de pares de estrelas de nêutrons. Digo isso pelo seguinte. A fusão de buracos negros não produz ondas eletromagnéticas de forma significativa, que possibilite detecção.

Então toda a detecção é feita por meio de ondas gravitacionais. Já um evento envolvendo estrelas de nêutrons é completamente diferente. Porque, no choque, os nêutrons são esmagados e emitem radiação eletromagnética em várias bandas de frequência: raios gama, luz visível, rádio etc.

FAPESP – Nesse caso, será possível cotejar as ondas eletromagnéticas com as ondas gravitacionais.

Aguiar – Exatamente. O LIGO inaugurou a astronomia gravitacional, mas, quando forem detectadas fusões de estrelas de nêutrons, será inaugurada a astronomia multimensageira. Será uma astronomia que envolverá vários tipos de detecção: ondas eletromagnéticas, ondas gravitacionais, neutrinos etc. Cada evento será observado em vários canais, com muito maior aporte de informações para a compreensão científica do fenômeno. Estamos aguardando o anúncio desse tipo de detecção.

FAPESP – Como tem sido a participação brasileira?

Aguiar – Há duas instituições no Brasil que participam da LSC: o Inpe, em São José dos Campos, e o Instituto Internacional de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Lá está o físico italiano Riccardo Sturani, que atuava anteriormente no IFT [Instituto de Física Teórica da Unesp].

Sturani trabalha com modelamento de sinais e análise de dados. No Inpe, temos uma equipe maior. Eu coordeno o grupo todo e também a área experimental e há um subcoordenador, o César Augusto Costa – que foi meu aluno de mestrado e doutorado e é atualmente supervisionado por mim no pós-doutorado –, que coordena a área de identificação de ruídos. São mais de 100 mil canais que monitoram os ruídos captados pelos detectores do LIGO.

FAPESP – E é preciso descartar tudo que não seja o fenômeno propriamente dito.

Aguiar – Isso. É preciso identificar o que é sinal e o que é ruído. Assim, logo que alguma coisa é detectada, a equipe internacional dentro da LSC da qual o César faz parte é acionada para fazer a triagem. Ele tem uma aluna de mestrado, Tábata Aira Ferreira, que é a única mulher da participação brasileira na LSC.

FAPESP – Qual é o foco do pessoal brasileiro que trabalha na parte experimental?

Aguiar – A melhoria da instrumentação, com vista a maior sensibilidade. A grande estrutura do experimento permanece, mas detalhes são constantemente melhorados. Por exemplo, trabalhamos desde 2011 em um sistema de isolamento vibracional. E, desde 2013, em técnicas de resfriamento dos espelhos. Porque a intenção é resfriar os espelhos em meados da década de 2020.
FAPESP – Resfriar a qual temperatura?

Aguiar – A 123 kelvin, que correspondem a menos 150 graus Celsius.
FAPESP – Qual é a vantagem desse resfriamento?

Aguiar – A intenção é trocar os espelhos de vidro por espelhos de silício. A 123 kelvin, o silício apresenta uma parada na contração térmica, quando ocorre um arrefecimento, uma diminuição do ruído browniano, constituído por trocas de calor entre os modos mecânicos do sólido. Seria muito mais ousado modificar o LIGO para uma tecnologia baseada em hélio líquido, que possibilita chegar quase ao zero absoluto. Mas os norte-americanos não têm experiência em trabalhar com hélio líquido.

Nós temos. O Detector Brasileiro de Ondas Gravitacionais Mario Schenberg [construído com apoio da FAPESP] é resfriado, por meio do hélio líquido, a poucos centésimos de grau acima do zero absoluto [nessa temperatura, praticamente cessa todo o ruído térmico, causado pela agitação atômica].

O interferômetro japonês em construção também já foi projetado para operar com hélio líquido, ao passo que os interferômetros do LIGO serão modificados para operar com espelhos resfriados por nitrogênio líquido. Não é a solução ideal, mas a sensibilidade melhora bastante.

FAPESP – Qual é o horizonte de toda essa pesquisa com ondas gravitacionais?

Aguiar – Os cinco interferômetros de grande porte deverão estar em operação na década de 2020, com os dois interferômetros do LIGO em sua sensibilidade máxima. Com o aumento da sensibilidade do LIGO, detecções de eventos, que têm ocorrido com frequência de um a cada dois meses, passarão a ser feitas cerca de duas vezes por semana.

A expectativa é não apenas observar muito mais binários de buracos negros, com maior exatidão, mas também observar pares de estrelas de nêutrons e outros fenômenos. Além disso, os movimentos dos objetos, espiralando um ao redor do outro, poderão ser detectados bem antes da colisão. Atualmente, as órbitas são detectadas 1 ou 2 segundos antes da colisão.

No espiralamento de estrelas de nêutrons, o fenômeno será detectado com 100 segundos de antecedência. Outro importante aporte será proporcionado pelo interferômetro espacial LISA, que deverá ser posto em órbita antes de 2030. Ele poderá observar eventos, atualmente detectados pelo LIGO, em uma fase muito anterior, 10 anos antes da colisão.
FAPESP – O senhor mencionou outros fenômenos além do espiralamento e choque de buracos negros e estrelas de nêutrons. Que fenômenos seriam esses?

Aguiar – Eventos envolvendo supernovas, estrelas de quarks, estrelas estranhas. Eventos envolvendo oscilações de estrelas de nêutrons ou binários de anãs brancas.

Eventos envolvendo espiralamento de buracos negros supermassivos, quando duas galáxias se chocam e seus núcleos, onde se localizam os buracos negros supermassivos, passam a orbitar um ao redor do outro. Eventos envolvendo cordas cósmicas.

FAPESP – O que são as cordas cósmicas?

Aguiar – Apesar do nome, elas não têm a ver com as teorias de cordas. São defeitos primordiais na estrutura topológica do espaço-tempo decorrentes de concentrações de energia imediatamente após o Big Bang. Segundo a hipótese, quando o defeito é pontual, forma-se um buraco negro; quando o defeito é linear, forma-se uma corda cósmica. Inclusive os buracos negros que estão sendo detectados pelo LIGO são, surpreendentemente, muito massivos.

E uma das hipóteses cogitadas para explicar isso é a de que não tenham sido gerados por evolução estelar, mas por defeitos produzidos na formação do Universo.

Nesse caso, eles poderiam responder por grande parte da matéria escura. Não seriam constituídos por matéria bariônica [a matéria ordinária], mas por matéria escura. Porém só chegaremos à conclusão de que sejam uma coisa ou outra aumentando o número de detecções, mapeando a população de buracos negros. 


Fonte: Site Exame