quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Mudança climática afeta Bangladesh...


Duas vezes por semana, Kulsum Begam, de 20 anos e mãe de dois filhos, passa mais de três horas conversando com as vizinhas nesta aldeia de Bangladesh, a 300 quilômetros de Daca, a capital. Seu marido e familiares incentivam esse ritual, quase a empurrando pela porta para que reencontre suas amigas. A razão desse entusiasmo é que, enquanto Begam conversa, na realidade está fazendo fila para conseguir água para uso da família. 

Cerca de 50 mulheres esperam durante horas com seus baldes na única fonte pública, em uma fila que anda lentamente, no povoado de Boyarshing. Na verdade, estão rodeadas de água, pelas chuvas da última monção que inundaram grande extensões de terras de cultivo. “Mas não podemos usar essa água para beber ou cozinhar. Há muito sal nela”, explicou Begam à IPS, olhando ao seu redor.

Seus problemas são comuns neste país de 156 milhões de habitantes que enfrentam os diversos impactos da mudança climática, como secas e inundações recorrentes, aumento do nível do mar e salinização das terras agrícolas. Mas nem todos sofrem a crise por igual. Os 1.500 habitantes de Boyarshing, por exemplo, têm acesso periódico a água potável, graças a um projeto-piloto dirigido pelo Banco Asiático de Desenvolvimento, que instalou 3,5 quilômetros de tubulações.

Embora alguns se queixem de que o encanamento seja muito estreito e se demore horas para recolher cinco litros de água, no município próximo de Shyamnagar a situação é muito mais precária. Em destaque na periferia de Sundarbans, o maior território de mangues em zonas de mares do mundo, as pitorescas casas desse povoado desmentem uma realidade de pobreza e dificuldades extremas.

Mizunur, um morador de 30 anos, ganha US$ 12 por mês, dos quais gasta US$ 2,5 para comprar água potável em baldes de dez litros. “Venham almoçar conosco, mas traga sua própria água”, foi o convite de Riysshath Gain, de 65 anos, à IPS, acrescentando que o tufão Aila, que assolou Bangladesh em 2009, destruiu muitas fontes de água doce e subterrânea nas áreas rurais do país.

A diretora de Gestão de Mudança Climática e Risco de Desastres do Banco Asiático de Desenvolvimento, Preety Bhandari, afirmou à IPS, da sede da instituição nas Filipinas, que Bangladesh “realmente está sentindo o impacto” do aquecimento do planeta. Se o aumento da temperatura mundial superar os dois graus Celsius o país perderá, até 2050, o equivalente a 2% de seu produto interno bruto anual em gastos provocados pelo clima.

A partir daí as perdas serão mais pronunciadas, chegando a aproximadamente 8,8% do PIB ao ano até 2100, segundo avaliações do Banco. Até 2030, Bangladesh necessitará de US$ 89 milhões ao ano para garantir que o país resista ao impacto. Em 2050, o custo anual da adaptação poderia aumentar quatro vezes, para US$ 369 milhões. E o estresse financeiro é apenas um fator do problema. Os fenômenos meteorológicos extremos apresentam um desafio ainda maior.

A elevação em um metro do nível do mar poderia inundar periodicamente 14% da superfície de Daca, e as zonas mais próximas a Sundarbans terão pior sorte. O aumento da frequência dos desastres naturais implica que a costa de 47 mil quilômetros quadrados, onde vivem 36 milhões de pessoas, ou cerca de 25% da população, fará com que tenham que suportar mais tempestades, ciclones e salinidade.

A produção de arroz poderia cair entre 17% e 28%, o que seria catastrófico para o setor agrícola, que contribui com 20% do PIB e emprega 48% da mão de obra de 60 milhões de pessoas em Bangladesh. Em Daca, onde vivem quase 15 milhões de pessoas, as inundações repentinas são um fenômeno comum. “Cada vez que chove durante meia hora, a cidade inunda. A água demora três horas para escorrer, e aí já perdi o ganho de um dia”, se queixou Hussain Mohamed, motorista de carro na capital.

Algumas intervenções funcionaram. O país conseguiu reduzir drasticamente a mortandade provocada pelos ciclones em mais de cem vezes nos últimos 40 anos. “Quando há um alto nível de participação comunitária, então os programas de resiliência funcionam melhor”, apontou Afrif Mohammad Faisal, especialista ambiental do Banco Asiático de Desenvolvimento em Bangladesh.

É precisamente isso que fizeram os moradores de Chenchuri, uma pequena aldeia no sudoeste do país. Em 2012, após a passagem do ciclone Alia, fundos do Banco Asiático de Desenvolvimento, da Holanda e do governo de Bangladesh permitiram a reabilitação de uma represa de dez comportas. Agora, um comitê de 572 membros locais administra a água que flui no rio Chitra. “Quando necessitamos de água para cultivo, o Comitê decide ou os aldeões usam o telefone celular para se comunicar com o comitê”, explicou Raiza Sultana, um camponês cuja família vive do cultivo de arroz.

A combinação de um investimento milionário em dólares com tecnologia acessível funcionou bem nesse caso. Os aldeões usam um simples monitor de salinidade, que custa US$ 70, para testar as águas. Quando este indica que o teor de sal está aumentando, bloqueiam a corrente de água para evitar dano aos cultivos.

“A produção de arroz aqui aumentou quatro vezes, as pessoas estão ganhando mais e têm mais controle da situação”, pontuou Munsheer Sulaiman, presidente do comitê de gestão da água. Antes, demorava dois dias para entrar em contato com a pessoa encarregada só para que abrisse as comportas, explicou à IPS. Agora o comitê conta com um operador permanente das comportas, ao qual se paga fundos arrecadados dos beneficiários ao longo dos 2.400 hectares que a represa alcança.

O sucesso do projeto se baseia em aldeões como Sulaiman e Sultana, que se convenceram da eficiência de um enfoque de gestão comunitária. “Estavam acostumados à velha mentalidade, quando o governo administrava tudo”, indicou o engenheiro Masud Karim. “Tivemos que convencê-los de que o governo não tem o dinheiro nem a capacidade para fazer isso agora”, acrescentou.

Mas os especialistas dizem que, se o país quer enfrentar adequadamente a realidade da mudança climática, tem que aplicar mudanças semelhantes nas atitudes e políticas em nível nacional. “A Ásia meridional está na primeira linha da mudança climática. É uma travessia que a região tem que empreender e há tantas prioridades em jogo que as autoridades responsáveis devem integrar as considerações climáticas aos objetivos de desenvolvimento”, ressaltou Bandhari.

A floresta negociada na bolsa...


O novo Código Florestal, aprovado em 2012, trouxe a novidade das Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), que possibilitam a adequação ambiental das propriedades rurais em mecanismo similar ao do mercado de crédito de carbono, que permite que países que emitem muito CO2 comprem cotas daqueles que emitem menos. A diferença é que, no caso das CRAs, o negócio se dá entre as áreas de Reserva Legal dos imóveis rurais.

Uma Reserva Legal é uma área coberta por vegetação natural dentro do imóvel rural que pode ser explorada somente com manejo florestal sustentável, respeitando-se o bioma em que está a propriedade. Funciona assim: os proprietários ou posseiros dos imóveis que possuírem um excedente de Reserva Legal ou vegetação nativa declarado nos seus Cadastros Ambientais Rurais (CARs) poderão vender, quando as CRAs forem regulamentadas, essas áreas excedentes em forma de cotas, também chamados de “títulos representativos”, para os imóveis que não estiverem com o nível de Reserva Legal exigido pela legislação ambiental. Por lei, esse nível de Reserva Legal varia de 20% a 80% da área do imóvel e leva em conta o bioma e a região do país no qual está inserido.

Uma Espanha disponível

É a Bolsa de Valores Ambientais (BVRio) do Rio de Janeiro a responsável por mediar o futuro mercado das CRAs. Hoje, a BVRio já registra numa plataforma os interesses de compra e venda de CRAs para imóveis rurais situados em todos os biomas do país. “Já temos mais de 5 milhões de hectares em disponibilidade. E os compradores de áreas já podem consultar esses valores”, afirma Maurício de Moura Costa, diretor de Operações da Bolsa de Valores Ambientais do Rio de Janeiro. Cinco milhões de hectares equivalem a uma área territorial do tamanho da Espanha. “A gente criou um modelo contratual, uma espécie de contrato promessa em que as partes acertam o negócio, que fica só dependente da emissão da cota. Algumas secretarias de Meio Ambiente já se demonstraram receptivas a aceitar um contrato desse tipo como um início de regularização”, diz. No caso, a bolsa lucra com um percentual da negociação entre os proprietários rurais. Também já é possível pagar por cotas referentes a imóveis passíveis de desapropriação que estão dentro de Unidades de Conservação (UCs).

A iniciativa é vista com restrição segundo especialistas entrevistados pela Pública. “O mecanismo de compensação de Reserva Legal foi durante muito tempo uma enorme esperança de conseguir equacionar a permissão de uma regularização ambiental com ganhos ambientais. Agora, da forma como o Código Florestal foi definido, esse mecanismo perdeu completamente o poder de trazer benefícios ambientais”, avalia o professor Gerd Sparovek, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq-USP). Segundo ele, a oferta de cotas é maior do que a demanda, o que fragiliza os CRAs como medida eficiente para a regularização ambiental. O professor calcula que há uma oferta de 13 milhões de hectares no país. “Na prática, inviabiliza a proteção”, diz.

As críticas de Sparovek se referem, por exemplo, aos imóveis abaixo de quadro módulos fiscais – unidade de medida agrária que corresponde à área mínima necessária a uma propriedade rural para que sua exploração seja economicamente viável. Essas propriedades, segundo ele, poderiam usar como CRAs a totalidade de vegetação natural fora de Área de Proteção Permanente (APP). “Isso gera uma cota de uma área já protegida, ou seja, não tem custo de oportunidade. É uma área que não se pode mexer”, esclarece. Além disso, Sparovek afirma que em 80% das transações de CRAs não haveria benefício ao meio ambiente. “A CRA não é um recurso que vai atender o objetivo finalístico do Código, que é a proteção à vegetação, e muito menos um benefício social”, avalia. O professor calcula que o passivo de Reserva Legal nos imóveis rurais do país é de 174 mil km², algo como o estado do Paraná.

Vantagens econômicas

“A cota traz vantagens do ponto de vista econômico. Ela permite que você compense a sua Reserva Legal nas áreas em que a terra é mais barata. Mas, do ponto de vista ambiental, essa compensação nem sempre é equivalente”, diz Victor Ranieri, professor doutor da Universidade de São Paulo (USP), engenheiro agrônomo e mestre em engenharia ambiental. “Está se perdendo a proteção em áreas que já perderam muito de sua cobertura original”, avalia. Ele critica a flexibilização trazida pelo novo Código Florestal, que permitiu que essa compensação por CRAs fosse feita com amplos parâmetros. “A lei permite a compensação entre estados dentro do mesmo bioma. Mas um bioma é muito diverso, o que pode permitir uma falsa compensação”, corrobora a bióloga e mestre em engenharia ambiental Jéssica Santos da Silva, também da USP.

O pesquisador Raoni Rajão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), autor da pesquisa sobre a viabilidade econômica e os efeitos ambientais das CRAs, exemplifica: “Você pensa, por exemplo, no caso da Amazônia. Tem um produtor em Sorriso, no Mato Grosso, que planta soja e precisa compensar sua Reserva Legal. Ele compra uma cota numa região longínqua do norte do Amazonas, onde a cota é mais barata. Lá é uma região que não seria desmatada nem se levasse a tora de helicóptero, porque muitas vezes não há viabilidade econômica para fazer esse desmatamento. Ou seja, você não está gerando ganho ambiental”, avalia.

O mecanismo de compensação pelas CRAs foi alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) movida pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) em 2013, ainda não votada no plenário do Supremo Tribunal Federal. “A possibilidade de transformar uma reserva ambiental, ainda que particular, num título nominativo de valor monetário fará com que apenas aquelas áreas de menor valor econômico sejam utilizadas como reservas ambientais, estimulando a especulação imobiliária. Assim, muitos proprietários rurais contarão com esse instrumento para promover desmatamentos em áreas de maior valor econômico, pagando um valor menor pela cota de reserva ambiental”, afirma a ação apresentada pelo partido, que critica também a flexibilização da compensação ambiental pelo novo Código Florestal.

Moura Costa, da BVRio, rebate as críticas dos especialistas, por exemplo, com relação à ampliação da área passível de compensação por CRAs. “[No antigo Código Florestal], de tão específico que era esse instrumento, ele jamais foi usado. Você estava restringindo um mecanismo de compensação, basicamente, entre vizinhos. Não tinha uma utilidade real”, argumenta. Ele avalia que a determinação legal de só realizar compensações por CRAs em áreas prioritárias de um mesmo bioma garante o retorno ambiental das cotas, mesmo quando a transação for feita entre estados. “O estado vai reservar essas áreas em lugares ambientalmente relevantes. Esse risco é mitigado”, diz.

Para Jéssica Santos, da USP, o valor ambiental das CRAs dependerá muito de sua regulamentação futura, que depende do Ministério do Meio Ambiente. “É preciso ter procedimentos muito bem estabelecidos, funções muito bem definidas entre os entes federativos. Se o imóvel com déficit de reserva está em São Paulo e está compensando sua reserva na Bahia, como esses entes irão proceder? Quem fiscaliza o quê?”, pergunta. “Essas funções e procedimentos precisam ser compatíveis, a base de dados precisa ter boa qualidade. São vários aspectos que influenciam na eficiência do sistema de gestão que, hoje, se configuram como um desafio”, finaliza.

Hidrelétricas: O futuro energético ainda dependerá delas?


O sistema energético  brasileiro é atendido fundamentalmente pela geração hidrelétrica, complementado por usinas térmicas e fontes renováveis, como a energia eólica, a energia solar, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e também por meio da da biomassa, principalmente o obtido do bagaço de cana. De toda maneira, ainda se aposta na- hidroeletricidade como a matriz energética com maior  probabilidade para atender o crescimento econômico esperado para os próximos anos, em termos de custo (competitividade econômica), viabilidade ambiental, índice de emissões de gases do efeito estufa e confiabilidade no suprimento.

Sendo o quarto maior potencial hidrelétrico do mundo, atualmente a participação da geração hidrelétrica na produção de energia elétrica  consumida no país é de aproximadamente 80%. Informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia indicam que qualquer substituição desta forma de energia refletiria em aumento substancial da parcela de geração na conta de luz dos consumidores, uma vez que, os custos de geração da energia hidrelétrica são inferiores aos preços de outras fontes.

Em relação à emissão de poluentes, segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a cada MWh (megawatt hora) gerado, o fator de emissão de CO2 emitido pelas hidrelétricas corresponde a 0.02, o que a colocaria como a menos poluidora, enquanto que o valor referente a termelétrica a gás natural é de 0.45, a óleo é de 0.9 e a carvão 1.10, maior poluidora entre as quatro.

No entanto, apesar das facilidades apontadas pelo Ministério, este ainda encontra uma dificuldade: harmonizar a preservação ambiental com a exploração dos potenciais de energia hidráulica, principalmente na Amazônia, região do país com maior potencial a ser explorado. Esta dificuldade põe em cheque os benefícios da matriz energética, pois, para a instalação da infraestrutura necessária, gera-se alto impacto ambiental, entre eles, podem-se destacar os impactos na fauna e na flora, a inundação de áreas pela criação de reservatórios, a realocação de moradores nas áreas do projeto e as perdas de acervos patrimoniais e culturais.

Referente aos danos que a construção da infraestrutura acarreta, fonte do Ministério de Minas e Energia afirma: “Nos estudos e nos projetos do setor elétrico, são obrigatórias na legislação ações preventivas para mitigar esses impactos e preservar a qualidade ambiental dessas áreas, contemplando saúde pública, educação, saneamento, segurança, habitação e a preservação da biodiversidade, entre outras”.

Dentre os benefícios da instalação de hidrelétricas, informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia enumeram: o desenvolvimento econômico e social da região; o aumento da demanda por serviços, que geraria oferta de empregos para toda a população; aumento da renda e melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade; o crescimento da arrecadação de impostos, que proporcionaria aumento da capacidade de investimentos para as áreas de saúde, educação, segurança e bem estar da comunidade. Após a estabilização da área do empreendimento, especificamente do reservatório, criam-se novas oportunidades de atividades comercias, como turismo, irrigação, pesca e navegação.

Ainda de acordo com a fonte do Ministério de Minas e Energia, desconsiderar esse potencial energético é abrir mão de uma energia renovável, limpa e inesgotável. A energia das hidrelétricas proporcionaria uma vantagem econômica aos brasileiros, pois o país tem a expertise de toda a sua cadeia produtiva, não dependendo de tecnologias de outros países. Além do mais, é considerada uma energia barata que favorece os produtos brasileiros numa competição com outras nações.

Se por um lado ela pode ser vista por um espectro positivo, há quem defenda o investimento em outra fonte energética, uma vez que, acredita no impacto negativo social e ambiental. Alice Amorim, colaboradora do grupo Gestão de Interesse Público, acredita que há várias fontes energéticas ainda não exploradas no Brasil, com externalidades negativas muitos menores quando comparadas com a energia de hidrelétricas. Entre estas fontes, Amorim aponta a solar e a eólica.

O argumento da promoção de benefícios tanto para a comunidade local, como para o país, é refutado por Amorim: “O argumento outrora de geração de emprego, da promoção de “desenvolvimento” não se verifica na prática. Com um modelo de distribuição de demanda tão concentrado nas grandes cidades do sudeste, não faz sentido criar um sistema que não contribui para uma maior autonomia e descentralização de geração de energia”. O custo mais barato do KWH de hidrelétricas não justificaria e compensaria o preço da biodiversidade perdida. O custo mais elevado de energias como a eólica e solar, poderiam vir não só do dinheiro público, mas da iniciativa privada também, afirma Amorim.

Paulo Adario, estrategista Sênior de Florestas do Greenpeace, compartilha da opinião de que a hidrelétrica como principal matriz energética não é a solução para o Brasil. Para ele, o país não precisa expandir as fontes de energia hidráulica. “As hidrelétricas são caríssimas, têm profundo impacto ambiental. Se nós alagamos as áreas permanentes, se mudarmos o fluxo do rio, provocaremos um impacto gigantesco na diversidade de animais. Com a discussão do clima, não estamos só salvando a nossa espécie e tentando parar com este desastre climático. Estamos salvando todas as espécies que estão sendo ameaçadas pela nossa existência e expansão do homem sobre a terra”.

A geração do emprego durante o processo de construção da hidrelétrica é tido como um efeito colateral para Paulo, uma vez que, as pessoas que chegam a cidade geram desmatamento para se instalarem, como na cidade de Altamira, com a construção da hidrelétrica de Belo Monte e posteriormente deixam a cidade. Adario reforçou a importância de uma autoridade brasileira, como o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ter afirmado durante a COP 22 que as hidrelétricas não são uma solução para a Amazônia.

O  potencial brasileiro em relação a energia solar, a bioenergia, a biomassa e a energia eólica são opções apontadas como energias a serem priorizadas para se ter uma energia limpa. Para que no quadro energético brasileiro prevaleça as energias renováveis, o país precisa fazer mudanças:“ A energia solar ainda tem custos altos, mas que estão desabando muito rapidamente. A China tem produzido placas solares cada vez mais baratas, mas o Brasil precisa começar a produzir suas próprias placas solares e diminuir os impostos. Por ser uma energia renovável, não é justo que pagamos mesmo impostos quando comparada com energias sujas”.

O Brasil indica que buscará alternativas limpas, tendendo a reduzir as energias mais poluentes. O veto do presidente Michel Temer referente ao artigo inserido na Medida Provisória 735, que propunha a criação de um programa de modernização do parque termelétrico brasileiro movido a carvão mineral nacional para implantar novas usinas que entrassem em operação a partir de 2023 e até 2027, surge como uma ação com intuito de cumprir com a redução de poluentes assumida na ratificação do Acordo de Paris.

Seca põe Bolívia em estado de emergência...




O governo da Bolívia foi forçado a declarar estado de emergência devido à pior seca em pelo menos 25 anos.

Boa parte do fornecimento de água de La Paz, a capital de maior altitude do mundo, e da vizinha El Alto, segunda maior cidade da Bolívia, vem das geleiras na região das montanhas dos Andes.

Mas as geleiras estão diminuindo rapidamente, o que ilustra como a mudança climática já está afetando um dos países mais pobres da América Latina.

As três maiores represas que abastecem La Paz e El Alto, originalmente alimentadas do degelo, estão quase secas. La Paz já está sofrendo racionamento de água, e a população pobre de El Alto, parte da qual não está nem mesmo conectada ao fornecimento principal d’água, está realizando protestos.

As Forças Armadas estão distribuindo água para as cidades, poços emergenciais estão sendo perfurados e escolas terão que encerrar as atividades duas semanas antes das férias de verão.

O Presidente Evo Morales demitiu a chefia da companhia de água por não tê-lo avisado antes sobre o perigo da situação, mas os efeitos do aquecimento global já estão evidentes há algum tempo.

Um relatório recente do Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo (SEI) afirma: “Temperaturas na região aumentaram 0.5ºC no período entre 1976 e 2006, e a população de La Paz e El Alto pode ver as evidências da mudança climática no encolhimento da porção nevada das montanhas da paisagem. Uma geleira na região da montanha Chacaltaya – acima de El Alto e que já abrigou a maior estação de esqui do mundo – desapareceu completamente. E as duas geleiras Tuni-Condoriri que fornecem água para El Alto e La Paz perderam 39% de suas áreas entre 1983 e 2006, em uma taxa de 0.24 km² por ano.”

O SEI afirma que, se os modelos climáticos globais e regionais que preveem um aumento de 2ºC na temperatura estiverem certos, várias pequenas geleiras irão desaparecer, e outras devem encolher drasticamente.

O Instituto alerta: “Geleiras devem fornecer entre 20% e 28% da água para El Alto e La Paz. Assim, a perda de geleiras terá um impacto considerável, que será sentido particularmente durante a época de seca, em que a água de degelo é responsável pela maior parte do abastecimento urbano”.

“Os sistemas das geleiras e de água das montanhas também são importantes para a agricultura, geração de energia e para os ecossistemas da região.”

Ao longo dos últimos dez anos, uma rede cada dia mais forte de stakeholders estratégicos e organizações não governamentais com influência e atuação internacional promoveu a ideia de um “capital natural”. Essa seria a chave para o desenvolvimento sustentável, em particular para expressar questões de conservação em termos que economistas, políticos e CEOs entendem.

No recente Congresso Mundial de Conservação, realizado pela IUCN no Havaí, o “capital natural” esteve onipresente no lançamento do Protocolo do Capital Natural e o anúncio de uma nova coalizão que visa desenvolver a financeirização da conservação.

No site do Fórum do Capital Natural, o conceito é descrito nestes simples termos: “A comida que comemos, a água que bebemos e os materiais que usamos para produzir combustível, equipamentos ou medicamentos”. Este exemplo é fundamentado na suposição de que o conceito do “capital natural” pode se tornar a base para uma economia sustentável. Mas dois argumentos principais deste programa (que a natureza pode ser vista como um capital e de prestação de serviços e que o capital pode se tornar a base para uma economia sustentável) estão baseados em enganos; enganos que agravarão os efeitos negativos da nossa economia de crescimento globalizado, e não combatê-los.

Crescimento verde ilusório

Certificar como “capital natural” o alimento que comemos e a água que bebemos só tem sentido no contexto de um crescimento econômico que não é nosso. Nesse contexto, tudo deve ser considerado um “capital”. Em seguida, é necessário clarificar o verdadeiro significado dessa palavra. Na linguagem cotidiana e de acordo com algumas teorias econômicas, o capital é muitas vezes visto como um “estoque” ou como um conjunto de ativos. Mas, é preciso ver o capital como um processo, uma dinâmica.

Trata-se de investir dinheiro (ou valores) para ganhar mais dinheiro (ou valores). Em suma, o capital é o valor em movimento.

O capital num sistema de economia capitalista, nunca é investido para render nada. O objetivo é sempre obter mais dinheiro ou valores, muito além do que fora investido inicialmente. Caso contrário, não seria capital.

Segue-se que o deslizamento do conceito de “natureza” para o de “capital natural” não é uma mudança de terminologia inocente, que consiste na utilização de um novo termo para significar a mesma coisa. É mais uma reconceitualização, de uma reavaliação fundamental da natureza. Para os defensores do “capital natural”, a natureza trabalha para o crescimento capitalista. Isso foi então chamado de “crescimento verde” o que é um eufemismo adocicado.

Se o deslizamento do conceito de “natureza” ao do “capital natural” é um problema, é também porque ele pressupõe que as diferentes formas do capital – humano, financeiro, natural – são equivalentes e intercambiáveis.

Na prática – embora os partidários do “capital natural” o neguem enfaticamente – isso significa que tudo pode ser expresso numa unidade comum e quantitativa: dinheiro. Mas os elementos naturais, inerentemente complexos, qualitativos e heterogêneos, como esses mesmos adeptos reconhecem, não podem resultar em unidades monetárias quantitativas e homogêneas.

Além disso, existe uma contradição fundamental entre a natureza ilimitada do dinheiro (sempre pode gerar mais dinheiro) e os limites do “capital natural” (nem sempre se pode transformar o “capital natural” em capital monetário).

O conceito de “capital natural” é, portanto, intrinsecamente antiecológico e tem muito pouco a ver com a valorização da natureza ou com o fato de fazer o seu valor tangível. Esta é uma forma de exploração da natureza que tem como objetivo promover e legitimar uma economia em declínio.

Investimento insignificante

O outro postulado dos partidários do capital natural consiste em afirmar que ele permite lançar as bases para uma sociedade sustentável. Na prática, no entanto, é claro que a maioria das empresas e governos não querem investir num “capital natural”. Assim, mesmo que se colem etiquetas de preços nos elementos naturais – sabendo que é impossível determinar o valor total da natureza – uma recente pesquisa mostra que os mercados dedicados ao “capital natural” e aos serviços dos ecossistemas estão falidos. Na realidade, não são de forma alguma mercados, mas sim subsídios disfarçados.

Além disso, os investimentos privados a favor do “capital natural” são insignificantes em comparação com os investimentos em atividades econômicas não sustentáveis. Estas atividades são muito mais rentáveis, e são uma forma do capital onde o “valor em movimento” é mais eficiente.

Quando o Governo do Equador, por exemplo, solicitou a empresas do país que conservassem a área protegida do Parque Nacional Yasuní, as promessas de investimento permaneceram bem abaixo do que se esperava e as aplicações financeiras reais foram ainda muito menores do que fora anunciado. Resultado: o país agora permite que as empresas perfurem o Parque para extrair petróleo.

Além disso, afirmar que o “capital natural” ajuda a tornar tangível o valor da natureza é um argumento hipócrita. O valor da natureza é perfeitamente visível para os investidores: eles sabem que a destruição é muito mais rentável do que investir para salvar a natureza.

Destruir sob o pretexto de proteger

De forma alarmante, o “capital natural” leva à destruição da natureza, sob o pretexto de protegê-la. Os programas baseados no “capital natural” geralmente oferecem compensar a destruição da natureza, e esta destruição gera os fundos necessários para investir na sua conservação. De acordo com a lógica do “capital natural”, os investimentos em atividades econômicas não sustentáveis são “compensados” pelos investimentos equivalentes em atividades econômicas sustentáveis.

Em teoria, esta prática deve resultar em nenhuma perda líquida – ou melhor, ainda, com um impacto líquido positivo sobre a natureza e a biodiversidade. Na verdade, ela leva a uma contradição insustentável ao induzir que a natureza só pode ser preservada se primeiro for destruída.

Mas, como mencionado, há um problema virtual porque os investimentos reais na conservação do “capital natural” são insignificantes. Pior ainda, as empresas costumam investir muito mais dinheiro em poderosos lobbies para manter a regulamentação ambiental com o mínimo controle, regulamentações e normas possíveis. Se eles sinceramente acreditassem na rentabilidade da conservação, teriam menos vontade de continuar com esse lobby.

As perguntas difíceis

A conclusão é clara: o “capital natural” não é uma forma realista de integrar a natureza na economia ou fazer seu valor tangível. Esta é uma ilusão que agrava e legitima a crise ambiental. E se alguns acreditam no seu potencial, a maioria dos investidores que dirigem o atual sistema econômico sabe muito bem que falar de “capital natural” é ilusório.

Entretanto, fazendo a promoção deste conceito, eles também sabem que questões mais importantes sobre a lógica do sistema econômico vigente e sobre aqueles que se beneficiam, não serão formuladas.

Não é hora de sair de uma economia baseada no fetichismo de um crescimento que não é sustentável? Não deveríamos considerar a construção de uma economia centrada no ser humano, na natureza e na igualdade, em vez de insistir num investimento financeiro destinado a criar cada vez mais riqueza? Não podemos apostar numa economia centrada na qualidade de vida, em vez da quantidade do crescimento?

Com um pouco de imaginação, as respostas a estas perguntas não são apenas simples, mas também pragmáticas, lógicas e verdadeiramente sustentáveis.

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Renováveis podem destronar combustíveis fósseis em 2030...


No ano de 2014, as energias renováveis responderam por quase metade de todas as novas usinas construídas no mundo, segundo relatório recente da Agência Internacional de Energia (AIE).

De acordo com o World Energy Outlook 2015, a energia verde é o segundo maior gerador de eletricidade do mundo, com potencial de destronar os combustíveis fósseis até 2030.

Segundo o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, o relatório é um indicativo da consolidação da indústria de energia renovável. "Ela não é mais um nicho, tornou-se um combustível mainstream", disse ele ao jornal The Guardian.

O estudo aponta que 60 por cento de todos os novos investimentos em energia está sendo canalizando em projetos de geração renovável, apesar dos US$ 490 bilhões em subsídios que os combustíveis fósseis receberam no ano passado.

A inclinação do mundo para fontes de energia mais limpas é um sinal promissor que chegou até a cúpula do clima da ONU em Paris, onde diplomatas de quase 200 países elaboraram um acordo para reduzir drasticamente as emissões de gases-estufa.

Apesar do crescimento, as energias renováveis continuam a representar apenas uma pequena fração do consumo de energia global. Muito mais deve ser feito para descarbonizar o fornecimento de energia global, advertem os analistas a Agência.

Seu ritmo de expansão precisa acelerar se quisermos evitar os piores efeitos das mudanças climáticas associados a um aumento superior a 2ºC na temperatura do Planeta.

Para se ter ideia, um estudo divulgado sobre o assunto mostra que os governos dos principais países industrializados fornecem mais de US$ 450 bilhões por ano para apoiar a produção de combustíveis fósseis.
 
Isso é quase quatro vezes os subsídios mundiais para a expansão das energias renováveis, que totalizou US$ 121 bilhões em 2013, segundo dados da AIE.

Chernobyl pode virar a maior usina solar do mundo...


O desastre de Chernobyl ainda custa caro para a Ucrânia. A radiação na região poder demorar mais 24 mil anos para chegar a níveis seguros. Hoje o governo gasta até 7% dos impostos para garantir o isolamento e a segurança de uma região maior que um Parque do Ibirapuera e meio.

A Ucrânia já aceitou que a Zona de Exclusão não vai servir de moradia, plantação e nem madeireira tão cedo. A nova proposta é criar uma enorme usina de energia solar no local do acidente nuclear, capaz de gerar mil megawatts de potência, suficiente para abastecer uma média de 164 mil residências. Se fosse terminada hoje, seria a maior planta solar da história.

Pela localização, os painéis poderiam ajudar a manter "ligada" parte da cidade de Kiev, o maior centro urbano do país, que também é o que consome mais energia.

A Chernobyl Solar ainda tem que ultrapassar alguns desafios para se tornar realidade. O primeiro passo é aprovar uma lei amplie o acesso e o uso da Zona de Exclusão - a primeira versão dessa legislação já está passando pelo Parlamento ucraniano.

Depois, é uma questão de dinheiro. O custo total da instalação da planta solar deve passar dos R$ 3 bilhões e a Ucrânia quer atrair investidores dispostos a financiar o projeto. Como a região está abandonada, o custo do terreno é extremamente baixo. Além disso, a instalação poderia tirar vantagem dos cabos de transmissão de alta voltagem que já estão instalados por conta da antiga usina nuclear.

Chernobyl fica no norte da Ucrânia, que recebe bem menos luz solar que a porção sul do país. Mas o país como um todo ainda recebe bem mais radiação solar que a Alemanha, que é líder europeia em energia renovável. Além das possibilidades energéticas, outra etapa decisiva vai ser a avaliação dos riscos por parte dos investidores: afinal, eles precisam se comprometer com a segurança das equipes de construção que vão instalar os painéis solares.

Acima dos aspectos técnicos, porém, a Ucrânia tem divulgado o projeto como o renascimento de Chernobyl e um esforço para que nada parecido volte a se repetir. Ainda hoje, metade da energia do país vem de usinas nucleares. Já as novas instalações em Chernobyl seriam o primeiro passo para "limpar" a matriz energética. O plano é que, até 2020, 11% da energia ucraniana venha de fontes renováveis.

Cientistas geram energia com tomates que iriam para o lixo...


Uma equipe de cientistas está explorando uma fonte, no mínimo, incomum de eletricidade: tomates danificados que são considerados impróprios para venda no supermercado.

O projeto piloto envolve uma célula a base de combustível biológico que utiliza resíduos de tomate que sobraram das colheitas na Flórida, nos Estados Unidos.

Todos os anos, o estado americano joga no lixo nada menos do que 400.000 toneladas de uma mistura de tomates danificados ou comidos por pragas e de sementes descartadas na produção de molhos.

Todo esse rejeito é transferido para aterros sanitários, liberando metano, um gás de efeito estufa perigoso. Atento ao problema, um grupo de pesquisadores da Escola de Minas e Tecnologia de Dakota do Sul desenvolveu uma célula de combustível microbial especial para transformar os resíduos em eletricidade.

Graças à ação oxidante das bactérias aeróbicas, é possível processar os resíduos de tomate e gerar uma corrente elétrica. O pigmento de licopeno no tomate, segundo os pesquisadores, é um excelente mediador para incentivar a geração de cargas elétricas. O processo também neutraliza os resíduos, impedindo que eles emitam gases de efeito estufa, vilões do aquecimento global.

Pelos cálculos dos pesquisadores, as tais 400.000 toneladas de resíduos de tomate desperdiçados na Flórida poderiam gerar energia suficiente para abastecer a Disney World por 90 dias.

Neste momento de testes em pequena escala, porém, os resultados são bem mais módicos - cerca 0,3 watts de eletricidade por 10 miligramas de produto.

A ideia é aperfeiçoar o processo para aumentar a escala. Os pesquisadores apresentaram seus trabalhos neste mês em um encontro da American Chemical Society (ACS), a maior sociedade científica do mundo.

Campanha Calçada Viva quer ajudar a melhorar as cidades com uso de aplicativo e redes sociais...


O blog Cidades sem Fronteiras e o portal Veja.com lançaram a campanha Calçada Viva, uma combinação de conteúdo jornalístico, aplicativo para celular e postagens nas redes sociais para melhorar aquilo que as cidades têm de mais democrático: as calçadas. Crianças, idosos, ciclistas, motoristas, motociclistas, todos são pedestres antes de qualquer coisa. Seria de imaginar, então, que as calçadas fossem o item mais bem cuidado de todas as cidades. Não é bem assim.

Uma pesquisa feita com exclusividade para o blog revelou que são elas o principal motivo de queixa dos brasileiros sobre os locais onde vivem. O quesito obteve média 4,7, a mais baixa entre todos os avaliados, que incluíram tempo gasto no trânsito, iluminação pública, presença de áreas verdes e qualidade do ar.

Para participar da campanha e dar esse primeiro passo para melhorar a sua cidade, você pode acessar o aplicativo Precisa Melhorar - Calçada Viva e registrar as falhas encontradas pelo seu caminho. No final deste ano, as prefeituras das cidades participantes serão notificadas e cobradas por soluções.

Quem também pode participar pelas redes sociais, publicando flagrantes e depoimentos no Facebook, Twitter ou Instragram e usando a hashtag #calçadaviva. As melhores imagens serão exibidas no site de VEJA e no blog Cidade sem Fronteiras, que terá conteúdo especial com enquetes, vídeos, entrevistas e análises sobre a importância de melhorar os locais por onde andamos.

Legal, mas por que é importante melhorar as calçadas?
Elas são o ponto de partida para lidar com um monte de outras coisas. Vamos às principais:

1) Trânsito
Entre 2002 e 2012, o ritmo de crescimento da frota no país foi seis vezes maior que o da população, o que faz com que hoje falta espaço para tanto automóvel. Para sair dessa encruzilhada, o caminho é combinar o uso do carro a outras formas de deslocamento. E como não há usuário de ônibus, trem ou metrô que não caminhe até o ponto ou estação, a melhoraria o transporte público passa pela melhoraria das calçadas.

2) Saúde
Cerca de 100.000 pessoas caem e se machucam todos os anos por tropeçar em calçadas malcuidadas, e isso apenas em São Paulo. O descaso acaba sobrecarregando os pronto-socorros e a ortopedia da rede pública. Boas calçadas, por outro lado, são um convite ao exercício físico, essencial para a saúde e a qualidade de vida. Além disso, mais da metade dos brasileiros está acima do peso e um em cada cinco é obeso.

3) Segurança
Nada é tão eficiente para combater o crime do que manter gente circulando. Locais movimentados são sempre mais seguros. Isso porque as pessoas vigiam umas às outras formando uma rede de proteção que beneficia todo mundo. E o movimento nas ruas começa com uma boa calçada. De quebra, seu uso aumenta a exigência de um sistema de iluminação pública que funcione, o que torna as ruas ainda mais seguras.

4) Economia
Calçadas garantem que a clientela de cafés, bares, restaurantes e comércios alcance seu destino. Ao impulsionar esses empreendimentos, as calçadas consolidam a economia local e tornam as cidades mais prósperas. Contribuem ainda a sobrevivência de pequenos comerciantes e prestadores de serviço, como jornaleiros, sapateiros, cabeleireiros e farmácias de bairro, os verdadeiros responsáveis por tornar as calçadas vivas.

5) Idosos
O Brasil envelhece rapidamente. Há mais de 22 milhões de brasileiros com mais de 60 anos, população que dobrará em duas décadas. Já existe no mundo mais gente acima dos 65 anos do que abaixo dos 5 anos de idade. A capacidade de ir e vir dos idosos depende fundamentalmente da qualidade das calçadas de suas cidades. O mesmo vale para deficientes físicos e crianças.

6) Ambiente
Melhores calçadas contribuem para a qualidade do ar e redução do ritmo das mudanças climáticas. No mundo todo, as temperaturas aumentam ano após ano, devido à enorme quantidade de monóxido de carbono emitido pelos automóveis e indústrias. Segundo a Nasa, o ano de 2014 foi mais quente registrado na história. E as médias deste ano podem fazê-lo superar o ano que passou.

7) Convivência
O propósito e a principal vantagem das cidades, desde quando foram inventadas, sempre foi facilitar e permitir o encontro entre pessoas. E caminhar é a maneira mais eficiente de estabelecer vínculos, observar o que acontece e vivenciar a cidade as boas surpressas das cidades onde moramos.

Universidade planta uma árvore por aluno para ajudar a Terra...

Uma universidade britânica está plantando uma árvore para cada novo estudante matriculado.

A iniciativa tem como objetivo eliminar a pegada de carbono, ou seja, a quantidade de dióxido dos alunos emitida na atmosfera.

A Arts University Bournemouth (AUB) fechou uma parceria com a organização Woodland Trust, que fornecerá as árvores, com mudas do Reino Unido, para serem plantadas nas proximidades da fazenda Hicks Farm, na cidade costeira de Bournemouth, no sul da Inglaterra.

As árvores incluem 500 carvalhos ingleses e uma mescla de outras espécies nativas.

Oscar Woodruff, presidente da união dos estudantes da universidade, que está liderando o projeto, disse: "Plantar uma árvore para cada novo estudante da AUB é uma tradição fantástica e uma maneira criativa de neutralizar as pegadas de carbono de cada novo aluno", afirmou.

"Mostra o compromisso da união dos estudantes e da universidade para causar um impacto positivo na área local e na comunidade, ao mesmo tempo aumentando a conscientização para questões mais amplas relacionadas à sustentabilidade."

"As emissões de gases causadas por organizações e pessoas ainda não foram levadas a sério por muitos, então estamos fazendo nosso melhor, considerando todas as questões relacionadas à sustentabilidade sempre que possível para incentivar e apoiar uma mudança positiva."

Um porta-voz da Woodland Trust acrescentou: "à medida que as novas árvores cresçam, ajudarão a aumentar a contagem de árvores [do condado de] Dorset, que atualmente está abaixo da média nacional, coberto em apenas 11,5% por florestas. O índice recomendado pelo governo é de 15%".

"As árvores absorvem e removem naturalmente as emissões de dióxido de carbono prejudiciais da atmosfera, ajudando a limpar e purificar o ar, então é fantástico que os estudantes estejam comprometidos em investir num futuro ambiental mais saudável".

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Tailandeses criam sistema solar-hidrogênio para construir casas autossuficientes...


O escritório tailandês CNX Construction criou um sistema inovador para que residências e escritórios sejam mantidos inteiramente a partir de energias renováveis, independente das condições do clima. A novidade utiliza sistemas de aquecimento e produção de energia solar e também através do hidrogênio. 

A primeira casa a receber a estrutura em sua concepção foi a Phi Suea House, que funciona totalmente independente das redes de transmissão e tem energia renovável disponível durante as 24h do dia e no ano inteiro.

Foto: Divulgação

Enquanto o sol está brilhando, a estrutura conta com painéis fotovoltaicos funcionando a toda força. Segundo a empresa, as placas produzem 326,8kWh de média diária de energia. O que não é usado no abastecimento comum da casa, é destinado ao sistema que separa as moléculas de água, para gerar energia através do hidrogênio.

Foto: Divulgação

Graças a essa mescla de fontes, a casa consegue produzir energia mesmo nos dias mais nublados ou durante a noite. Além disso, o uso de aquecedores solares para água e da arquitetura bioclimática ainda no desenho do projeto, fazem com que a estrutura tenha um baixo consumo energético.

Foto: Divulgação

Toda a energia produzida é direcionada a um sistema central de controle, que também conta com uma bateria para armazenar eletricidade para casos de emergência.

Por um ano, lixo gerado por 2 famílias enche apenas 2 potes de vidro...


Reduzir todo o lixo produzido por uma família por um ano a ponto que ele caiba dentro de um pote. Parece inacreditável, mas foi isso que duas famílias fizeram e a experiência é compartilhada por meio de um blog.

Tara Smith vive com seu marido, os dois filhos e um cachorro na cidade canadense Victoria, província de Colúmbia Britânica. O interesse por livrar-se da produção de lixo surgiu quando sua amiga Katelin Leblond (também casada e mãe de duas crianças) mencionou que estava lendo o bestseller “Waste Free Home” (Casa livre de resíduos, em tradução livre), de Bea Johnson. Após muita pesquisa e conversa, inclusive com suas respectivas famílias, ambas resolveram mudar radicalmente seus hábitos.

Há um ano elas deram início a jornada de minimizar ao máximo a produção de lixo. Escolhas e cuidados diários, dentro e fora de casa, fizeram com que, após um ano, elas possam ver todos os resíduos de suas famílias em dois potes de vidro.

“Como uma família que agora tem mais tempo para se concentrar na criação de memórias e experiências, em vez de coisas, minimizamos os itens em nossa casa e isso nos tem feito muito mais felizes. Há muito menos limpeza a ser feita. Menos coisas, menos stress”, garante Tara. O mesmo sentimento é compartilhado com Katelin. “Foi embora o stress e a ansiedade e eu não percebia que tudo isso estava presente até o momento que tais problemas se foram. Estou mais feliz e mais calma e nossas crianças experimentam igual, se não maior, felicidade desde que começamos nossa mudança. Construímos relacionamentos mais fortes com os nossos vizinhos e nossa comunidade”, conta ela.

Agora elas levam os próprios recipientes para onde quer que vão, como sacolas, potes e copos reutilizáveis. Materiais desnecessários, como papel toalha, foram banidos de suas cozinhas. Embalagens são recusadas, assim como a compra de itens novos. Outra mudança essencial no estilo de vida foi dedicar mais tempo à cozinha e aprender a fazer produtos de higiene pessoal e de casa.

Katelin, que junto à amiga criou o blog “Pare Down”, cresceu na costa oeste do Canadá, cercada por oceanos, montanhas e florestas. Segundo ela, toda essa paisagem tornava-a ciente da fragilidade do planeta. Ainda assim, em algum momento da vida foi tomada pelo que chama de “roda do consumismo” e se perdeu no caminho.

“Comprei a ideologia que eu precisava ganhar mais dinheiro para comprar mais coisas e isto faria eu me sentir mais feliz. A noção de que tudo está conectado – que minhas compras e estilo de vida têm impacto para mais tarde me afetar negativamente – me escapou temporariamente”, relata Katelin.

Receitas de molhos e pratos, como fazer festas sem gerar resíduos, como fazer seus próprios cosméticos. Estas são alguns dos assuntos tratados no blog “Pare Down”.

“Este estilo de vida não é uma transição que vai acontecer do dia para a noite. É um esforço diário para que um dia possamos viver uma vida livre de resíduos”, afirma Tara. “Nós não estamos 100% livre de resíduos…ainda. Mas, já percorremos um longo caminho ao longo do último ano e estamos animadas sobre o futuro”, entusiasma-se Katelin.

Primeiro caminhão de lixo elétrico no mundo começa a rodar em SP...


O primeiro caminhão 100% elétrico destinado a coleta e compactação de lixo do mundo começou a rodar pelo interior de São Paulo. O projeto é fruto de uma parceria entre a Corpus Saneamento e Obras e a fabricante chinesa BYD, e já está em operação nas cidades de Paulínia, Indaiatuba, Tietê, Salto e Valinhos. O veículo pode compactar até 16 toneladas de lixo por turno de funcionamento – e tem autonomia estimada superior a 200 quilômetros ou oito horas de operação por recarga. A partir da primeira metade de 2017, a energia gerada em aterro será utilizada para abastecer os veículos elétricos, fechando um ciclo totalmente sustentável.

De acordo com as empresas envolvidas no projeto, este é o primeiro veículo 100% elétrico produzido em massa utilizado para tal finalidade no mundo. Alimentado por uma bateria de fosfato de ferro lítio – reciclável, com vida útil de até 40 anos – o caminhão coletor não emite gases ou fumaça de escapamento na atmosfera, possui manutenção simplificada e é bem mais silencioso do que os veículos tradicionais utilizados na limpeza urbana.

A intenção é tornar o veículo limpo uma norma e não uma exceção. “Em longo prazo, nossa expectativa é contar somente com caminhões elétricos em nossa frota”, planeja João Paschoalini, diretor operacional da Corpus.


Foto: Divulgação


“O caminhão BYD eT8A possui transmissão automatizada, auxiliar de partida em rampa, e aplicação automática dos freios de serviço sempre que o veículo estiver a zero km/h, proporcionando muito conforto ao motorista e uma condução segura e sem estresse. Além disso conta com torque máximo de 1500 Nm a zero RPM, oferecendo um desempenho sem igual na classe e em todas as condições de operação. Com menos peças móveis o custo de manutenção esperado é de pelo menos um terço do veículo a Diesel”, explica Carlos Roma, diretor de comercial da BYD no Brasil.

“Após uma recarga de até duas horas, o caminhão BYD eT8A opera por mais de 200 km ou 8 horas. Além disso, é muito mais econômico: em termos comparativos, o veículo pode ser até sete vezes mais eficiente do que se utilizasse óleo diesel dependendo da região de operação ou do regime de compra de energia do cliente”, acrescenta.

Chicago pode ter ciclovia flutuante coberta com placas solares...


Nos últimos anos a prefeitura de Chicago, EUA, tem dado bastante atenção às estruturas cicloviárias como estratégia para incentivar mais pessoas a usarem a bicicleta como meio de transporte. Em cinco anos a cidade ganhou 160 quilômetros de ciclovias e outros 80 km devem ser entregues até 2019. Mas, além das ruas, as bikes podem ganhar também os rios.

Um projeto do escritório de arquitetura SecondShore planejou uma ciclovia flutuante, construída sobre o rio Chicago, que corta as principais áreas da cidade. A ideia é dar mais uma utilidade ao rio, além do uso comercial que ele já tem, ao mesmo tempo em que oferece segurança total aos ciclistas.

Foto: Divulgação

Em entrevista ao site Fast Co. Exist, o arquiteto James Chuck, um dos responsáveis pelo projeto, explicou que as ciclovias tradicionais acabam não protegendo totalmente os ciclistas por estarem muito próximas dos carros e também em consequência dos cruzamentos com ruas e avenidas, que são os locais que concentram os maiores números de acidentes.

Foto: Divulgação

Com a ciclovia flutuante, seria possível pedalar com tranquilidade e rapidez, já que ela é totalmente segregada das ruas e destinada ao uso exclusivo para deslocamentos por bicicletas. O projeto ainda conta com a instalação de placas solares, que podem gerar energia para aquecer o solo, evitando que a pista fique congelada durante o inverno.

A expectativa com o projeto é de que mais ciclistas sejam atraídos pela segurança e beleza que uma ciclovia sobre um rio pode proporcionar e que assim, mais pessoas comecem a usar a bicicleta também como meio de transporte.

Imagem: Divulgação

Se tudo correr conforme o planejado, principalmente em termos financeiros, já que cada milha (1,6 km) da ciclovia deve custar de cinco a dez milhões de dólares, a estrutura pode ser construída até 2018, com 13 quilômetros de extensão e conectando-se a outras vias da cidade.

Especialista dá dicas para o controle de pragas em plantios orgânicos...



Para o produtor orgânico urbano e rural, manter a saúde de seu plantio é uma tarefa árdua. Por isso, é extremamente importante conhecer e saber como utilizar diferentes possibilidades de adubação do solo, prevenção e controle de pragas e doenças.

O controle biológico de pragas e doenças na agricultura orgânica está diretamente relacionado ao cuidado diário da produção orgânica e pode ser feito através de diversos processos, como o monitoramento constante do cultivo, para a prevenção das doenças, ou também por métodos de controle imediato, utilizando-se de técnicas para a redução de pragas como o controle biológico. Contudo, é de extrema importância saber como e quando aplicar tais técnicas na agricultura orgânica, uma vez que a cultura é ligeiramente mais frágil que a agricultura convencional.

Métodos agroecológicos

Os métodos agroecológicos têm como objetivo compreender a individualidade de cada plantação, ou seja, estudar o ambiente no qual a cultura está instalada, analisar as propriedades do alimento plantado e, dentro desses critérios, desenvolver as formas de prevenção de doenças e pragas.

Equilíbrio do ecossistema

A busca pelo equilíbrio do ecossistema não é, necessariamente, a eliminação de pragas e doenças como um todo. Os métodos agroecológicos buscam manter os insetos, fungos e bactérias sempre presentes na agricultura, porém, em quantidade reduzida, evitando sua reprodução exagerada. Afinal, para a agricultura orgânica a interação de todos organismos vivos com o ambiente é essencial.

Inimigos naturais

Para evitar o desequilíbrio ecológico, o agricultor deve incentivar a reprodução dos inimigos naturais de pragas da agricultura ali cultivada. Além disso, é importante realizar o monitoramento constante de ovos e larvas, assim como se utilizar de adubos e fertilizantes orgânicos nas plantações.

Foto: Thiago Tadeu Campos
Foto: Thiago Tadeu Campos

Lagarta do Cartucho

Um exemplo de controle e prevenção de pragas e doenças, e que, atualmente tem gerado problemas na plantações orgânicas de milho é a lagarta do cartucho. Ela se instala nos milharais, devastando a produção. Para evitar esse ataque constante, os produtores orgânicos utilizam como defesa o controle biológico o Tesourinha, inimigo natural das lagartas do cartucho, no milho. Essa técnica faz com que o uso de defensivos agrícolas seja dispensável, preservando a organicidade da plantação.

Manejo Integrado de Pragas (MIP)

O manejo integrado de pragas é uma das principais formas de controle agroecológico e tem como foco principal o controle de pragas através de planos de medidas. Na agricultura convencional, o manejo de integrado de pragas consiste em diminuir a quantidade de agrotóxicos. Já na agricultura orgânica são utilizadas técnicas que cuidam do ecossistema. No solo, por exemplo, é incentivada a rotação de culturas e a nutrição equilibrada entre macro nutrientes e micronutrientes.

Foto: Thiago Tadeu Campos
Foto: Thiago Tadeu Campos

Técnicas limpas

Com os agrotóxicos e pesticidas, os insetos tornam-se cada vez mais resistentes, sendo assim, o uso de defensivos químicos, após um longo período de uso, só trará maiores danos para a plantação. O MIP propõe técnicas como a utilização de sementes mais resistentes e a instalação de barreiras físicas e mecânicas para evitar o aumento descontrolado de insetos na agricultura.

Faça a prevenção e controle de pragas e doenças

O agricultor orgânico precisa ter o conhecimento acerca dos métodos de prevenção, contudo, as técnicas de controle também devem ser de conhecimento do produtor orgânico. Algumas vezes, é inevitável a chegada de pragas e doenças à plantação orgânica, principalmente, por conta das produções da área cultivada.


Foto: Thiago Tadeu Campos
Foto: Thiago Tadeu Campos


Por isso, o agricultor deve possuir conhecimento para lidar com ambas as situações, de prevenção e controle para conseguir cultivar produtos orgânicos de qualidade e saudáveis. Lembre-se que uma planta saudável terá menos ataques de pragas e doenças, por isso, é fundamental fazer a adubação orgânica correta do solo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Índia aluga telhados para aumentar produção de energia solar...


A melhor opção para driblar a falta de espaço nas grandes cidades para a construção de fazendas solares é transformar os próprios telhados em pequenas usinas. Na Índia, as empresas de energia solar têm oferecido a seus clientes a opção de alugar os telhados de condomínios, centros comerciais e empresas para instalar placas fotovoltaicas.

De acordo com a imprensa local, em troca da disponibilização do espaço, os consumidores têm o benefício de pagar taxas menores pela energia. Além de ser mais sustentável, a opção custa menos do que os valores cobrados pelas empresas estatais de distribuição.

Em entrevista ao jornal India Times, o diretor executivo da companhia Hero Future Energies, explicou que uma área de 240 metros quadrados já é boa o suficiente para criar uma pequena usina solar que gere lucros significativos.

O país já tem mais de cinco empresas interessadas neste sistema. As companhias estão em busca, principalmente, de edifícios comerciais, shoppings e condomínios fechados. A oportunidade é atrativa pois transforma os espaços inutilizados em fonte de renda.

A forma de remuneração, no entanto, ainda está sendo estudada, já que a capacidade de produção varia de cidade para cidade, dependendo das condições climáticas. Mas, esta já é a grande aposta para popularizar a energia renovável e alavancar o mercado da produção solar.

Projeto usa plantas nativas para transformar o Minhocão...


O Minhocão é um dos pontos mais criticados e polêmicos da cidade de São Paulo. A construção, que data da década de 70, corta o centro da cidade, colocando carros e muito poluição direto na janela dos moradores vizinhos. Há anos a obra é tema de discussões sobre possíveis demolições ou transformação de seus mais de três quilômetros em parque. Independente dos rumos que esses debates tomarão, algo precisa ser feito com urgência para transformar a serpente de concreto em algo mais bonito. O movimento “Novas Árvores Por Aí”, junto com o coletivo Parque Minhocão, tem a solução: espalhar plantas por todo o elevado.

A proposta é muito simples e barata. Segundo Nik Sabey, um dos criadores do projeto, a ideia é colorir e dar mais vida ao minhocão. “Seja como for, ele precisa ser verde”, comenta o publicitário e ambientalista. De acordo com ele, não é necessário muito mais do que mudas de plantas conhecidas como “trepadeiras”, árvores e alguns fios de aço.
 
As movimentações para que este sonho se torne realidade já começaram. O primeiro “plantio” ocorreu em um dos acessos próximo à Praça Roosevelt. O segundo local já foi escolhido e, inclusive, até tem uma trepadeira. No espaço,  o único trabalho será instalar um cabo conecte a planta ao outro lado da avenida. O bacana deste tipo de vegetação é que ela se espalha naturalmente, sem que seja necessária muita manutenção, principalmente depois que ela já “pegou”.
A ideia é fazer isso por toda a extensão do elevado. São 3,4 quilômetros de concreto e poluição, que estão com os dias contados. Os movimentos já articulam os próximos passos e o projeto já foi desenhado profissionalmente para que toda a população consiga visualizar o que pode ser feito, quais benefícios a mudança pode oferecer e como uma obra tão feia e criticada pode ser renovada.

Além das trepadeiras, o Minhocão deve ganhar árvores, guarda-sóis, que garantirão uma sombrinha aos frequentadores do Parque Minhocão, muito mais cor e vida. Os idealizadores querem usar espécies de plantas nativas, comestíveis e que tenham flores, para resgatar a biodiversidade original que se perdeu no meio da urbanização.

Jardins Verticais

Nik Sabey explica que um dos fatores que o incentivou a criar este projeto foram os jardins verticais instalados em prédios próximos ao minhocão. “Eu comecei a passar pela região com mais frequência e quando eu vi o primeiro jardim vertical, eu achei demais. Depois eu fiquei decepcionado quando descobri que eram feitos como compensação ambiental. Aí eu comecei a falar: tem que ter uma saída.”

O principal motivo para a inquietação do publicitário foi pelo fato de que, com os altos custos de um jardim vertical, muitas árvores poderiam ser plantadas nas cidades, proporcionando benefícios em uma escala muito maior.

Foi a partir daí que ele começou a estudar soluções mais acessíveis em termos de implantação, sem que fossem necessários grandes investimentos estruturais, e em termos de manutenção, já que não é possível ter uma equipe regando plantas ou uma tecnologia automatizada que faça isso diariamente. A solução foi simples: trepadeiras, que, segundo ele são “soluções que fazem a diferença e que são muito simples de serem instaladas”.

 

Falta de cuidados preventivos é principal causa de quedas de árvores...



Com as fortes chuvas que caíram em São Paulo no final de outubro, um problema que vem causando grandes transtornos e medo à população voltou a se repetir e fez com que acendesse (de novo) o sinal vermelho. A queda de árvores na cidade em dias de tempestades mais severas tem provocado graves acidentes. Alguns, até fatais. De acordo com números levantados pelo Centro de Controle Operacional Integrado (CCOI), órgão do município paulista, nos primeiros quatro meses do ano, mais de 1.200 árvores caíram na cidade. Em 2015, no mesmo período, foram mais de 1.600.

A falta de cuidado preventivo e de um plano de mapeamento das árvores da cidade é apontada como um dos principais fatores dessas ocorrências. “Muitas árvores da cidade estão doentes porque não são cuidadas como deveriam. Os principais motivos para o enfraquecimento delas nas grandes metrópoles são a falta de espaço para o crescimento das plantas, podas mal feitas e também a infestação de cupins e fungos. No entanto, parece não haver um trabalho de prevenção para esses problemas”, diz o biólogo Giuseppe Puorto, membro do CRBio-01.

Nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, fortes vendavais também provocaram inúmeros estragos nos últimos dias. No início deste mês, no dia do feriado de finados, depois de uma forte chuva acompanhada de ventos que chegaram a 74,5 km/h, as cidades de Amambai, Bela Vista, Porto Murtinho, Dourados e Maracaju registraram uma grande quantidade de árvores derrubadas. “É um problema que, infelizmente, ocorre em várias cidades do país”, afirma Puorto. Uma semana antes, uma forte chuva castigou Cuiabá, alagando ruas e também derrubando árvores pela capital mato-grossense.

O biólogo defende que o trabalho de manutenção e prevenção seja realizado com frequência, obedecendo a rígidos critérios de observação e cuidados necessários. “Não apenas quando o problema é possível de ser constatado até por quem não entende nada do assunto”, completa Puorto, lembrando que a administração municipal é que tem a obrigação de zelar pela saúde das árvores. “É necessário que se faça um trabalho de mapeamento e análise de cada uma delas, para saber quais necessitam de cuidados especiais e quais estão comprometidas e precisam ser arrancadas, se apresentarem riscos à população”.

Na cidade de São Paulo, de acordo com o CCOI, as regiões mais problemáticas, que juntas correspondem a 62% das quedas registradas nos últimos dois anos, são Lapa, Butantã, Ipiranga, Mooca, Pinheiros, Santo Amaro, Sé, Vila Mariana e Vila Prudente.

Tráfico de animais selvagens é a 4a atividade ilegal mais lucrativa do mundo...


Estima-se que entre 20 mil e 30 mil elefantes são abatidos por ano ilegalmente. Desde 2007, o comércio ilegal de marfim mais do que duplicou. O tráfico de vida selvagem ameaça a biodiversidade do planeta e coloca em perigo de extinção espécies como os elefantes, os rinocerontes e os tigres.

O tráfico de espécies selvagens é, de acordo com a Comissão Europeia, o quarto negócio ilegal mais lucrativo do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas, de seres humanos e do comércio de armas. Estima-se que o lucro anual da atividade gire em torno de oito bilhões a 20 bilhões de euros.

“As causas são, sobretudo, a procura do mercado e a falta de conhecimento do comprador. É mais fácil traficar marfim e chifre de rinoceronte do que drogas. O marfim é mais valioso do que a platina. [Os criminosos] enviam o marfim para a China e regressam da China com drogas ou armas. É por isso que é necessário que a UE trabalhe em conjunto. Precisamos que a Europol (Serviço Europeu de Polícia) lide com esse tipo de crime como um crime organizado”, afirma Catherine.
 
Nos últimos anos, o tráfico de vida selvagem alcançou níveis sem precedentes e a procura global por fauna e flora selvagens e produtos derivados não para de aumentar, segundo informações do Parlamento Europeu. Além disso, o baixo risco de detenção e as elevadas contrapartidas financeiras atraem cada vez mais os criminosos organizados, que utilizam os lucros para financiar milícias e grupos terroristas. Os produtos traficados são vendidos por meio de canais legais e os consumidores, muitas vezes, não estão conscientes de sua origem ilegal.
Em fevereiro deste ano, a Comissão Europeia adotou um plano de ação para combater o tráfico de animais selvagens. A região é origem, trânsito e destino do tráfico de espécies ameaçadas de extinção e de espécimes vivos e mortos da fauna e da flora selvagens. A UE destinou 700 milhões de euros para a aplicação do plano, entre 2014 a 2020.

As prioridades do plano de ação da Europa são a prevenção do tráfico, a redução da oferta e da procura de produtos ilegais da fauna e da flora selvagens, a aplicação das regras vigentes e o combate à criminalidade organizada por meio da cooperação entre os serviços de polícia competentes, designadamente a Europol. Também é prioridade a cooperação entre os países de origem, de destino e de trânsito, incluindo apoio financeiro da UE para proporcionar fontes de rendimento a longo prazo às comunidades rurais que vivem em zonas de extensa fauna selvagem.

As consequências do crime

Não são apenas os animais que sofrem com o tráfico de vida selvagem. Esse crime põe em risco também a sobrevivência de muitas espécies vegetais, como árvores de madeiras tropicais, corais e orquídeas. O tráfico ainda gera corrupção, faz vítimas humanas e priva as comunidades mais pobres de receitas que lhes são necessárias.

Dados do Parlamento Europeu mostram que enquanto em 2007, na África do Sul, foram mortos ilegalmente 13 rinocerontes, em 2015 o número subiu para 1.175 animais abatidos. A maioria dos 20 mil rinocerontes ainda existentes no mundo está naquele país. Os chifres do animal são usados na medicina asiática para tratamentos diversos, inclusive de câncer. Também são usados em joalheria e decoração.

Há um século, a estimativa é que a população de tigres no mundo chegava a cem mil. Hoje, se resume a 3.500 animais. Os dentes, os ossos e a pele são utilizados na confecção de artigos de decoração, enquanto os ossos são usados pela medicina tradicional asiática.

Os pangolins, que também correm risco de extinção, são os mamíferos mais traficados do mundo. Esses animais são consumidos como alimento e suas escamas são usadas para fins medicinais. Estima-se que, entre 2007 e 2013, mais de 107 mil espécimes foram confiscados como contrabando.
 

Australiano transforma espaço de 60 m² em fazenda urbana...


A agricultura urbana é uma das soluções para garantir a segurança alimentar no mundo. Este é o pensamento do permacultor australiano Geoff Lawton. Como um dos grandes incentivadores do plantio em pequenos espaços, ele mostra que é possível produzir diversos tipos de alimentos em áreas muito pequenas. Para provar a eficiência deste conceito, o especialista mostrou o exemplo criado por um de seus alunos, que produz centenas de quilos de frutas, legumes e ervas medicinais em sua própria residência.

Angelo Eliade é um farmacêutico que vive na cidade de Melbourne, na Austrália. Estudante de permacultura, ele levou quatro anos para transformar um jardim comum em uma verdadeira fazenda urbana. Externamente a casa é exatamente igual às residências vizinhas, com um pequeno gramado à frente. No entanto, ao abrir o portão, o que se vê é um terreno altamente fértil espalhado por apenas 60 metros quadrados.

“Você pode transformar qualquer propriedade, de qualquer situação para a absoluta abundância”, explica Lawton. A casa em Melbourne comprova isso. No quintal de Eliade são produzidos anualmente 70 quilos de vegetais e 161 quilos de frutas. Entre as opções estão: limões, maçãs, figos, cereja, pêssego, uva, banana, feijão, pepino, batata, alface, cenoura, alho, cana-de-açúcar, entre outras coisas.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Restauração e reflorestamento para frear o aquecimento...


Para Mario Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica, o acordo climático trouxe como avanço o fato de os próprios países apresentarem suas contribuições, o que aumenta as chances de que sejam cumpridas. “A nossa meta de redução das emissões de gases do efeito estufa (GEEs) é pouco ousada, se levarmos em conta a degradação ambiental já ocorrida no país. Mas é realista e pode trazer uma contribuição efetiva se somada à mudança na matriz energética e ao combate contra o desmatamento, por envolver custos”, afirma Mantovani.

O secretário-executivo do Observatório do Clima, Carlos Rittl, que discursou representando a sociedade civil, destacou que o Brasil tornou-se uma das primeiras grandes economias a ratificar o Acordo de Paris; porém, o país ainda precisa rever diversas posturas nocivas ao equilíbrio climático. “Ainda planejamos novas termelétricas a carvão, enquanto outros países fecham as suas. Ainda apostamos alto no petróleo, enquanto o mundo já se deu conta que a maior parte das reservas de combustíveis fósseis ficará no subsolo do planeta. Falamos em flexibilizar o licenciamento ambiental, enquanto outros países ampliam a regulação de atividades poluentes. Queremos reduzir a proteção dos nossos parques e reservas, enquanto as Unidades de Conservação são conhecidamente nosso porto seguro contra um clima cada vez mais hostil. Há muito o que avançar”, declarou.

Com apenas 12,5% da vegetação original, a Mata Atlântica é o bioma que deve ser mais beneficiado por esta meta de restauração. Desde 2000, os projetos da SOS Mata Atlântica de restauração florestal já foram responsáveis pelo plantio de mais de 36 milhões de mudas, o que ocuparia uma área de 21.228 hectares, tamanho equivalente à cidade de Recife.

Conhecimento científico aliado à inovação...


A Escola Superior de Agricultura e Veterinária (ESAV) nasceu há 90 anos e deu origem mais tarde à Universidade Federal de Viçosa (UFV), uma das instituições mais prestigiadas do país, principalmente na área de Ciências Agrárias. A universidade conta com o trabalho de professores e pesquisadores estrangeiros de renome na comunidade científica, que colaboram com o seu corpo docente, ao mesmo tempo em que executa um programa de treinamento que mantém diversos profissionais se especializando tanto no Brasil quanto no exterior.

Considerada uma das instituições brasileiras com índices mais elevados de docentes com qualificação em nível de pós-graduação, a UFV é referência na contribuição científica, econômica, social e tecnológica. Um exemplo disso é o Parque Tecnológico de Viçosa (tecnoPARQ), inaugurado em 15 de abril de 2011, sendo o primeiro de Minas Gerais a entrar em operação.

O tecnoPARQ é um ambiente de inovação diferenciado, seja no que diz respeito ao seu funcionamento e estrutura, seja nos produtos, serviços e benefícios oferecidos para a comunidade empresarial, acadêmica e a sociedade em geral. Instituições e empresas de base tecnológica, cuja competitividade está relacionada ao uso intensivo de conhecimento científico e tecnológico, podem usufruir das vantagens de estar em um ambiente privilegiado de empreendedorismo e inovação.

Para se tornar uma empresa residente no tecnoPARQ é necessário que a proponente seja caracterizada como instituição de base tecnológica e esteja engajada em pesquisa, projeto e desenvolvimento de produtos, processos ou serviços; além de ter vínculos de parceria com áreas de conhecimento de atuação da UFV em ensino, pesquisa ou extensão.

São consideradas empresas de base tecnológica (EBT) as legalmente constituídas, cuja atividade produtiva seja direcionada para o desenvolvimento de novos produtos ou processos, de alto valor agregado, com base na aplicação sistemática e intensiva de conhecimentos científicos e tecnológicos. E utilização de técnicas  avançadas ou pioneiras, ou que desenvolva projetos de ciência, tecnologia e inovação.

Consumo consciente é sustentável?


Conforme consta no site do Ministério do Meio Ambiente, consumo consciente “é uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária do cidadão para garantir a sustentabilidade da vida no planeta”. Já o Instituto Akatu define que “consumir de forma consciente é levar em consideração os impactos ambientais e sociais da produção, uso e descarte de produtos e serviços”.



Pode-se deduzir que ambos pressupõem conhecimento do ciclo de vida de produtos e serviços por parte dos cidadãos, condição prévia para que evitem supérfluos e geração de resíduos desnecessários. Mas, consumo consciente não é responsabilidade somente dos consumidores finais. Instituições públicas e privadas têm responsabilidade talvez maior do que a deles. O Brasil ainda está engatinhando nesta área. Em Minas, exemplo conhecido que podemos citar é o Projeto AmbientAção, de iniciativa da Feam. A “trancos e barrancos”, ele conseguiu até a adesão de outras secretarias do Estado e algumas normas relativas a compras e contratação de serviços pela máquina pública. Se são observadas, só Deus sabe.  Na prática, desperdício e estrago de materiais são a “lei”, mesmo considerando que evitá-los seria positivo para os cofres públicos. Os cemitérios de carros são mostras disso.

No setor privado de forma geral (incluindo prestação de serviços médicos, lazer, transporte, eventos e outros), a adoção de ações relativas ao consumo consciente é também ainda pontual. Na construção civil, algumas empresas já se preocupam com desperdício de água, cimento, brita e outros materiais - mas o setor como um todo continua sendo uma catástrofe ambiental. 

Consumo desnecessário e desperdício estão em todos os lugares: nas residências, indústrias, repartições públicas, hospitais, farmácias, escolas, igrejas, bares, restaurantes, eventos e por aí afora. É uma verdadeira orgia “romana” que come os recursos naturais do planeta, confirmando as primitivas ideias de que eles são infinitos e ilimitados, e que a espécie humana poderá continuar se reproduzindo à vontade. Há instituições que ainda se indignam com a simples ideia de controle da natalidade. Principalmente aquelas que vivem da pobreza alheia.

Porém, consumo consciente não é sinônimo de consumo sustentável. Podemos por exemplo reduzir ao máximo o gasto de combustível (consumo consciente), mas poderíamos diminuir muito mais seu uso e dos carros (consumo sustentável), se o transporte coletivo for eficiente. 

Se consumo consciente já é difícil de ser adotado, o sustentável nem se fala, pois pressupõe mudanças muito mais radicais que possibilitem manter estoque de recursos naturais suficientes para manter o equilíbrio ambiental do planeta. Leia-se fauna, flora, água, solo e ar, cuja exploração já ultrapassou em muito a fronteira da possibilidade de manter vivos nove bilhões de seres humanos. 

Protagonismo hídrico...


Nos últimos três anos, uma grave crise hídrica vem assolando o Brasil. Grandes metrópoles brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, foram forçadas a pensar novos modelos de captação e abastecimento de água e chegaram até a racionar o fornecimento em algumas regiões.

Paralelamente a isso, vários outros problemas vêm contribuindo para o agravamento dessa situação. Um deles é a ocupação desordenada do território, que contribui para a impermeabilização do solo e afeta a recarga de aquíferos, além de dizimar nascentes e áreas de matas nativas, hábitats de várias espécies da nossa fauna e flora.

Como, então, mudar essa realidade? É possível que os projetos urbanísticos possam, de fato, conviver de forma harmoniosa com a natureza? Perfeitamente. E as empresas de desenvolvimento urbano estão cada vez mais preocupadas em preservar os ambientes naturais que receberão seus novos projetos, principalmente em tempos de escassez hídrica.

É o caso da CSul Desenvolvimento Urbano, que em 2015 lançou um novo modelo sustentável de empreender, morar e viver, a ser implantado nos próximos 45 anos na região da Lagoa dos Ingleses – confluência das BRs 040 e 356, no município de Nova Lima, Vetor Sul da Região Metropolitana de BH.
O Masterplan da CSul leva a assinatura do arquiteto e urbanista Jaime Lerner e prevê a criação de três subcentralidades na região, com ocupações de uso misto, áreas residenciais, áreas de lazer, áreas empresariais, amplamente servidas e estruturadas por uma rede de comércio e serviços de pequeno, médio e grande portes.

“É um projeto elegante, não elitista, onde vão morar pessoas das mais diversas camadas sociais. Estamos 100% inseridos na Apa Sul e nossa proposta foi concebida em sintonia com o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado da Região Metropolitana de BH (PDDI), que visa criar outros pontos de adensamento urbano, com oferta de moradia, emprego e serviços variados. O objetivo é desafogar a capital mineira”, afirma Fabíola Carvalhido, gerente de Urbanismo da CSul, durante participação no seminário “Fórum das Águas 2016 – Nosso Futuro Comum”, realizado recentemente na Fundação Dom Cabral, em Alphaville.

Estudo pioneiro

O empreendimento tem a sustentabilidade como principal norteadora das ações. Além de contemplar um índice de área verde por habitante que será sete vezes maior (entre 92 m2 e 129 m2) que o da capital mineira e seguir um protocolo de sustentabilidade baseado em 10 pilares (leia mais a seguir), outra iniciativa inovadora da CSul possibilitará uma percepção mais abrangente da disponibilidade hídrica da região.


O Programa da CSul foi apresentado durante o “Fórum das Águas”, realizado pelo Centro IDeSCA na Fundação Dom Cabral, em Alphaville - Foto: Divulgação/Centro idEsca

Trata-se do “Programa de Pesquisa e Monitoramento dos Recursos Hídricos”, estudo pioneiro que será referência no segmento urbanístico do país, e  permitirá um amplo conhecimento da realidade hídrica local tanto no uso racional dos recursos hídricos quanto para sua conservação.

O programa foi iniciado no primeiro semestre deste ano e segue todas as orientações dos técnicos da Superintendência Regional de Meio Ambiente (Supram), órgão responsável por planejar, supervisionar, orientar e executar as atividades relativas à política estadual de proteção do meio ambiente e de gerenciamento dos recursos hídricos formuladas e desenvolvidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad).

“Após a apresentação dos estudos de disponibilidade de águas superficiais e subterrâneas junto à Supram, encomendamos mais esse novo estudo para detalhar a dinâmica regional dos recursos hídricos. As novas análises serão uma evolução do conhecimento que temos até hoje e auxiliarão na identificação de fontes potenciais capazes de atender a demanda de abastecimento do empreendimento, sem trazer prejuízos ao meio ambiente e à região”, revela Fabíola.

A CSul está investindo R$ 8 milhões na realização do estudo. Com ele, serão reunidos dados e informações capazes de atestar a segurança hídrica para o desenvolvimento do projeto. Para acompanhar periodicamente o comportamento dos recursos hídricos superficiais, foi definida há dois meses numa área superior à do empreendimento uma rede inédita de monitoramento ambiental. Ela é composta por poços tubulares profundos, poços rasos, piezômetros, estações fluviométricas, estação de monitoramento pluviométrico e vertedores que irão realizar a compilação, transmissão e armazenamento de dados. Com todo o conteúdo reunido, será possível atuar pontual e sustentavelmente em todo o território do empreendimento.
“A rede de monitoramento irá proporcionar a criação de um banco de dados completo sobre a região, quantificando as vazões das principais drenagens e criando um modelo hidrológico numérico, com representação do meio físico. Assim, será possível simular a resposta do aquífero às interferências, respeitando a hidrologia e o ciclo da reserva renovável de água subterrânea”, destacou Maurício Bertachini. Ele é diretor de Monitoramento e TI da MDGeo, empresa de consultoria contratada pela CSul para executar o programa e que também desenvolve diversos projetos relacionados às águas subterrâneas, na área de mineração e meio ambiente.

A coleta das informações e o escopo com os resultados apurados - a serem utilizados para o andamento das ações - deverão ser entregues até 2018.


O Programa

Etapas 

1) Implantação da Rede de Monitoramento;
2) Monitoramento dos recursos hídricos;
3) Definição do potencial hidrogeológico e
simulação de cenários;
4) Avaliação do potencial hídrico;
5) Relatório técnico para outorga de pesquisa hidrogeológica.

Objetivos da Rede de Monitoramento

Elaborar um banco de dados meteorológicos, nível de água e vazão dos córregos (modelo hidrogeológico);

Quantificar as vazões das principais drenagens (interação entre precipitação e recarga do aquífero);

Determinar a variação do nível de água (interação entre os Sistemas Aquíferos regionais e locais);

Fornecer dados para elaboração do modelo hidrogeológico numérico (simulações de cenários futuros).

Conheça o Projeto Csul


No inventário dos pontos de água mapeados pela MDGeo, a CSul estendeu a abrangência do estudo (em amarelo) para além da área do empreendimento (em vermelho)

A área total do empreendimento em licenciamento é superior a 20 milhões de metros quadrados. É o planejamento integral em detrimento da realidade de fracionamento dos licenciamentos urbanísticos.
O PEDIDO de concessão da Licença Prévia (LP) foi protocolado em fevereiro de 2015 na Supram Central Metropolitana. A CSul optou por licenciar integralmente o Masterplan.

Depois de 100% implantado e ocupado, o projeto terá 64% de área permeável em terreno natural. Com isso, o escoamento e a infiltração da água da chuva irão favorecer o dimensionamento do sistema de drenagem.

A CSul irá criar uma Unidade de Conservação na Serra da Moeda, que terá aproximadamente 317 hectares e possibilitará a formação de um corredor ecológico interligando o Monumento Natural (Mona) da Serra da Moeda ao complexo ambiental formado pelo Mona Serra da Calçada e o Parque Estadual da Serra do Rola Moça.

O empreendimento segue os 10 pilares do Protocolo de Sustentabilidade da CSul: ocupação e desenho urbano; qualidade ambiental; ecossistema e biodiversidade; mobilidade e acessibilidade; gestão de energia; gestão de água; materiais e recursos; gestão de resíduos; informação, comunicação e tecnologia; governança e desenvolvimento local.

Conforme legislação federal de parcelamento do solo (Lei nº 6.766/1979), a CSul entregará os sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário prontos para a concessionária operar. Os esgotos serão 100% coletados e tratados em conformidade com a realidade já existente na região do empreendimento.

No quesito mobilidade urbana, o projeto da CSul contribuirá para a retenção e redução dos fluxos pendulares dos bairros já existentes na região e dos municípios do entorno. Com as centralidades, os moradores não precisarão se deslocar até a capital para ter acesso a bens e serviços, o que irá evitar grandes deslocamentos. 

Para assegurar as diversas formas de sustentabilidade adotadas na implantação do empreendimento e mantê-las ao longo de sua vida útil, a empresa criou o “Prêmio CSul de Qualidade Urbana” (leia mais na próxima página), que reconhecerá ideias e práticas que incentivam um modo de vida mais sustentável nas cidades, com a adoção de conceitos de ocupação urbana e ações que promovam o bem-estar coletivo.