quinta-feira, 30 de junho de 2016

Noruega contra a poluição...

Alemanha contra a poluição...

Após Brexit, Londres promete manter compromisso contra o aquecimento global...

 


A Grã-Bretanha prometeu nesta quarta-feira (29) manter seus compromissos contra o aquecimento global, apesar do Brexit, mas especialistas temem o impacto de sua saída da UE sobre a ação climática europeia.

“Estamos claramente empenhados em agir contra as mudanças climáticas. (…) Isso vai continuar”, assegurou a secretária de Estado britânica para Energia e Mudanças Climáticas, em uma audiência de CEOs e responsáveis pelo clima reunidos em Londres na terça e quarta-feira para um “Business and Climate Summit”.

“A decisão da semana passada (saída britânica da União Europeia) pode tornar o caminho mais difícil”, admitiu Amber Rudd. Mas “os nossos esforços foram essenciais para alcançar este acordo histórico (de Paris). O Reino Unido não vai desistir desse papel de liderança”, acrescentou.

Além da ação britânica, é uma onda de choque do outro lado do Canal da Mancha que faz tremer os atores na luta climática, seis meses após o acordo global alcançado em Paris para limitar as emissões de gases de efeito estufa (GEE).

Para eles, este evento pode prejudicar a ação da Europa. E quanto mais tempo o processo de divórcio entre Londres e Bruxelas levar, maiores serão os danos, alertam, temendo ainda que outros países se inspirem nos desejos de independência britânicos.

“Haverá alguma incerteza, transição e volatilidade por pelo menos dois anos” na política da UE, advertiu nesta terça-feira a responsável pela questão climática na ONU, Christiana Figueres, diante da mesma assembleia.

Na melhor das hipóteses, essa saída vai gerar um quebra-cabeça administrativo, uma vez que o Acordo de Paris foi negociado com base em um bloco de 28 países, que se comprometeram a reduzir suas emissões em 40% até 2030 em relação a 1990.

“A UE vai estudar uma recalibração” dos esforços comuns de redução de emissões entre os países, disse Figueres.

Pior cenário – O caso também promete complicar a situação de algumas empresas que precisam antecipar as mudanças ligadas ao aquecimento global.

“Dentro da comunidade dos negócios, o tempo gasto nesta questão do Brexit vai nos desviar de decisões importantes que poderíamos tomar em outras questões”, considerou Peter Sweatman, CEO da empresa de consultoria Climate Strategy.

Outros temem que o Brexit dificulte a capacidade da UE, o terceiro maior emissor mundial, de rever rapidamente seus planos para reduzir as emissões de gases do efeito estufa, medida esperada dos principais países emissores se o mundo quiser se manter abaixo do limiar crítico de 2°C de aquecimento.

“O papel de protagonista da Europa sobre o clima vai ser reduzido”, acredita Nick Mabey, do think tank londrino E3G. “E isso vai afetar a motivação geral”. “Logo, veremos o mundo se desviar da trajetória de 2 graus, e é aí que entraremos nas zonas de perigo globais”, alertou.

No Acordo de Paris, a comunidade internacional comprometeu-se em limitar o aquecimento global abaixo dos 2°C ou 1,5°C em relação ao nível de antes da Revolução Industrial.

Acima dessa meta, os cientistas prometem ao planeta eventos extremos, com consequências desastrosas para as espécies e economias.

Os compromissos nacionais atuais levam o mundo a um aumento em 3°C. Acertar esta lacuna tornou-se uma questão prioritária para os 195 Estados partes no acordo.

Historicamente, a Europa – em parte sob o impulso britânico – tem sido líder na luta contra o aquecimento global, fazendo o papel de mediador junto aos países relutantes a partilhar os esforços.

Enquanto os partidos de extrema-direita cobraram, na França e na Holanda, referendos sobre a saída de seus países da UE, o pior cenário seria, aos olhos dos defensores do clima, que outros Estados sigam o exemplo da Grã-Bretanha.
 
“Se a Europa realmente começar a se desintegrar, será difícil preservar as políticas europeias (para o clima), seja em relação as normas de emissões, energia limpa ou mercado de energia”, afirma Nick Mabey.


Como funciona a primeira estrada elétrica do mundo, inaugurada na Suécia...

 


A Suécia tem uma missão: conseguir fazer que, até 2030, o setor de transporte não utilize mais combustíveis fósseis.

No mercado já existem soluções para diminuir as emissões de automóveis privados, como os carros elétricos e híbridos.

Mas uma dos desafios é reduzir a contaminação produzida por caminhões de carga que, no país nórdico, representam 15% das emissões de dióxido de carbono.

Por isso, o país está testando uma solução inovadora: autoestradas elétricas – as primeiras dos mundo. Nelas, os veículos pesados podem ser alimentados por uma rede elétrica graças a um sistema de distribuição de energia parecido com o utilizado nas linhas de trem da Europa.

O projeto, conhecido como eHighway, acaba de ser inaugurado em um trajeto de dois quilômetros da autoestrada E16, ao norte de Estocolmo.

Utiliza veículos híbridos que contam com um mecanismo instalado no topo da boleia do caminhão, chamado de “pantógrafo inteligente”, que é acionado automaticamente quando entra neste trecho da via, se conectando às linhas de eletricidade instaladas sobre a pista.

Emissões zero – Diferentemente dos ônibus elétricos tipo tróleibus, os caminhões podem se desconectar da rede quando precisam trocar de pista – para ultrapassar outro veículo, por exemplo.

Nesse caso, o caminhão volta a usar diesel.

A velocidade máxima que o veículo faz quando conectado à rede elétrica é de 90 km/h.

“O eHighway é duas vezes mais eficiente que os motores convencionais de combustão interna”, explica Roland Edel, engenheiro chefe do departamento de mobilidade da Siemens, a empresa alemã responsável pelo projeto. “(Nossa) inovação consiste em alimentar os caminhões com a energia que vem das linhas (elétricas).”

Durante o tempo em que estes veículos estão se movendo com eletricidade, eles não emitem dióxido de carbono e tem uma eficiência de 80%.

Com a tecnologia, “o consumo de energia se reduz à metade, e a contaminação ambiental local diminui”, acrescenta Edel.

E a cada vez que o condutor freia, alimenta a rede elétrica com a energia cinética que é liberada.

‘Complemento excelente’ – Por ora, sistema funciona em um trecho de dois quilômetros.

“Grande parte dos produtos que são transportados na Suécia passam por estradas. As autoestradas elétricas oferecem a possibilidade de libertar os caminhões da dependência do combustível fóssil”, destacou Anders Berndtsson, chefe de estratégia da Administração Sueca de Transporte.

Quando os caminhões saem da rede, ativam o motor diesel para seguir o trajeto.
 
Este ano, a empresa alemã fará um piloto parecido na Califórnia, nos Estados Unidos, em um trecho de três quilômetros da estrada que conecta o porto de Los Angeles a Long Beach.


Ministros de Energia do G20 estudam aplicação dos acordos de Paris...

 


Os ministros de Energia do G20 se reúnem em Pequim em busca de fórmulas para aplicar os acordos alcançados na Cúpula sobre a Mudança Climática de Paris (COP21) de dezembro como principal objetivo.

Este encontro de dois dias começou com uma densa camada de poluição no céu de Pequim, uma cidade conhecida mundialmente por isso, e pouco depois que a Agência Internacional da Energia (AIE) alertou em um informe que este problema provoca 6,5 milhões de mortes prematuras por ano em todo o planeta.

“A China tem feito conquistas para sanar a magnitude de seu problema de poluição atmosférica e merece elogio pelos esforços feitos para resolver esta questão”, disse o presidente da AIE, Fatih Birol, em seu discurso na reunião do G20.

Birol garantiu que, para cumprir com os compromissos adquiridos em Paris, o gigante asiático deve implementar mais controles de emissões poluentes industriais, melhorar sua eficiência energética e endurecer as normativas.

Neste sentido, o vice primeiro-ministro chinês Zhang Gaoli ressaltou a importância de desenvolver um fornecimento energético de baixa emissão poluente, em declarações citadas pela agência oficial “Xinhua”.

O dirigente chinês realçou o compromisso de seu país, maior emissor de gases do efeito estufa do mundo, para aumentar o peso das energias limpas.

O vice-primeiro-ministro avançou que a China controlará o consumo total de energia, investirá em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias deste campo e potencializará o uso de redes elétricas inteligentes.

Além disso, Zhang pediu aos membros do G20 que iniciem mecanismos para reforçar a cooperação internacional em matéria de energia, com uma plataforma para compartilhar as inovações tecnológicas neste campo e melhorar as infraestruturas energéticas e garantir sua segurança.


quarta-feira, 29 de junho de 2016

Duas vacinas contra zika eficazes em animais geram otimismo...



 
Duas vacinas se mostraram eficazes contra o vírus zika em ratos e camundongos em testes feitos em laboratório, anunciaram nesta terça-feira (28) os pesquisadores, que consideram isso um passo para o desenvolvimento de imunização para os humanos.

“É uma etapa para o desenvolvimento de uma vacina”, afirmou Dan Barouch, da Universidade Harvard dos Estados Unidos, que chefia o estudo publicado pela revista “Nature”.

Uma das vacinas testadas é feita de DNA e a outra é feita de vírus purificado e inativado. Os animais que receberam as imunizações produziram anticorpos que reconheceram proteínas virais específicas, e a extensão da proteção foi relacionada ao nível desses anticorpos.

Participaram do estudo pesquisadores da Universidade Harvard e da Universidade de São Paulo (USP).

Vírus fica mais tempo em grávidas – Também nesta terça-feira, foi publicado outro estudo que sugere que a infecção pelo vírus da zika é prolongada no caso de gestantes. O estudo foi feito com macacos rhesus e constatou também que animais infectados pelo vírus ficam protegidos de uma segunda infecção, o que indica que a exposição ao vírus leva à imunidade contra o agente. As conclusões foram publicadas na revista “Nature Communications”.

Acordos destinam € 15 mi para clima e gestão...






O ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, assinou nesta terça-feira (28) dois acordos com a Alemanha que garantirão 15 milhões de euros (R$ 55 milhões) para medidas voltadas para a mudança do clima e para a gestão da zona costeira do Brasil. Os recursos serão doados pelo Ministério Federal do Meio Ambiente, Proteção da Natureza, Construção e Segurança Nuclear (BMUB) da Alemanha e financiarão o projeto de Proteção e Gestão Integrada da Biodiversidade Marinha e Costeira (TerraMar) e o Programa Planos Setoriais.

O investimento manterá o destaque brasileiro perante os demais países na agenda ambiental. “O Brasil alcançou o protagonismo, em especial no que diz respeito à mudança do clima, por conta da nossa política ambiental”, declarou Sarney Filho. O ministro ressaltou, ainda, a importância da cooperação com o governo alemão, parceiro histórico do Brasil há mais de 45 anos. “A Alemanha é um parceiro muito importante”, observou.

Sustentabilidade – Ambos os projetos durarão cinco anos e incentivarão o desenvolvimento ambiental, econômico e social do país. “Todos os dois dizem respeito à sustentabilidade”, resumiu Sarney Filho. Em relação à mudança do clima, o Programa Planos Setoriais destinará 9 milhões de euros para gestão do conhecimento e para ações de redução de emissões de gases de efeito estufa em setores como energia e combate ao desmatamento na Amazônia.

O programa também permitirá a elaboração de um registro nacional de emissões e sumidouros de carbono, além de apoiar a execução do Plano Nacional de Adaptação à Mudança do Clima. A intenção é ajudar o Brasil no cumprimento da meta de redução de emissões assumida no contexto do Acordo de Paris, firmado no fim de 2015 entre mais de 190 países. “Internamente, vamos tentar encurtar os prazos e ampliar as metas”, acrescentou o ministro.

Gestão integrada – O Projeto TerraMar garantirá 6 milhões de euros para o planejamento ambiental e territorial e para a gestão integrada da zona marinha e costeira. As ações serão executadas na Área de Preservação Ambiental (APA) Costa dos Corais, em Pernambuco e Alagoas, e no Banco de Abrolhos, na Bahia e no Espírito Santo. “O projeto completará nosso trabalho voltado para a biodiversidade”, analisou o embaixador da Alemanha no Brasil, Dirk Brengelmann. 

Ações de capacitação, desenvolvimento de metodologias e ferramentas para a gestão costeira também fazem parte do Projeto TerraMar. O objetivo é realizar o planejamento ambiental territorial e fomentar e medidas de proteção e uso sustentável da biodiversidade. “Os projetos consolidarão a cooperação entre o Brasil e a Alemanha e para promover o objetivo comum de estabelecer o desenvolvimento sustentável”, afirmou o diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), embaixador João Almino.


YInMn, a nova tonalidade intensa e brilhante de azul descoberta por acidente...

 


Cientistas da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, descobriram por acidente uma nova tonalidade de azul, descrita como intensa e muito brilhante. A cor será lançada no mercado.

Tudo começou em 2009, quando a equipe de Mas Subramanian, do Departamento de Química da instituição, fazia experiências com materiais que poderiam ser usados em aparelhos eletrônicos.

“Foi quando um estudante submeteu manganês, índio e ítrio a cerca de 1,2 mil graus centígrados”, contou Subramanian à BBC Mundo, serviço em espanhol da BBC.

O resultado foi um péssimo condutor de eletricidade, mas com uma cor tão incrível que chamou a atenção do chefe da equipe.

O pesquisador decidiu então analisar as propriedades óticas do que tinha acabado de ser criado no laboratório.

“Eu trabalhei para a empresa (de tintas) DuPont no passado. Percebi que tínhamos encontrado um com bom pigmento”, afirmou.

A tonalidade não apenas era quase perfeita, muito parecida com a do lápis-lazúli, como também apresentava durabilidade, estabilidade e resistência que nunca tinham sido observadas em outra cor azul disponível no mercado.

“Nosso pigmento, chamado YInMn blue, pode refletir o calor. Logo, se for usado para pintar edifícios ou carros, pode mantê-los mais frescos”, afirmou o pesquisador.

Subramanian reconhece não saber exatamente de onde veio a tonalidade – a cor natural dos elementos usados na mistura feita por seu estudante são preto e branco.

“Foi fortuito, na verdade. Uma descoberta acidental e feliz”, afirmou.

Propriedades – O novo pigmento é formado por uma estrutura única que permite que os íons de manganês absorvam o comprimento de onda de luz vermelha e verde, enquanto reflete apenas o azul.

“O azul é a cor mais difícil de obter porque você precisa absorver o vermelho”, disse o pesquisador.

Desde a Antiguidade – entre os egípcios, passando pela dinastia Han, na China, e alcançando até a cultura maia na América Latina -, todos já tentaram desenvolver um pigmento azul mais próximo da perfeição.

A cor vibrante descoberta na Universidade do Oregon é tão durável e seus compostos são tão estáveis – mesmo em contato com óleo e água – que não desbota.

“A intensidade das tonalidades variam desde um azul pálido até um quase negro, de acordo com a concentração de manganês”, escreveu o jornalista especializado em ciência Philip Ball para a revista especializada Chemistry World .

Outra vantagem é que, diferente de pigmentos usando cobalto, que pode causar câncer, o YinMn não é tóxico.

“A estrutura cristalina básica que estamos usando era conhecida antes, mas ninguém tinha pensado em um uso comercial, incluindo em um uso em pigmentos. Desde que os egípcios desenvolveram alguns dos primeiros azuis, a indústria de pigmentos luta para tratar de problemas como segurança, toxicidade e durabilidade”, afirmou Subramanian.

Agora, o YinMn está pronto para a comercialização – e poderá abrir as portas para outros novos pigmentos.

“Esse novo azul é um sinal de que, na família de pigmentos inorgânicos, há muitas cores para se descobrir”, afirmou Geoffrey Peake, gerente de pesquisa e desenvolvimento da empresa americana Shepherd.

A equipe da Universidade do Oregon continua com suas pesquisas. A ideia é tentar reproduzir o “acidente” ocorrido em 2009 e descobrir novas tonalidades e pigmentos, disse Subramanian. “Quem sabe o que poderemos encontrar?”


Arqueólogos encontram esqueleto e templo do século 5 a.C...

 



Cerca de 400 anos antes da erupção do vulcão Vesúvio, na Itália, que cobriu de lava e cinzas as cidades de Pompeia, Herculano, Oplonti e Stabia, a região era habitada pelos sanitas. Essa afirmação foi confirmada mais uma vez pela descoberta do esqueleto de um jovem do século 5 a.C.

Os restos, que são de um homem de cerca de 20 anos alto e foram achados em uma tumba próxima dos muros de entrada de Pompeia, durante uma escavação realizada perto da Porta Erculano, na famosa cidade.

Os trabalhos são uma colaboração entre a Superintendência do Patrimônio Arqueológico de Pompeia e os institutos franceses de pesquisas École Francaise de Rome e Centre Jean Bérard. A descoberta foi apresentada na semana passada, durante uma coletiva de imprensa.

A tumba funerária é composta por uma caixa em lajes de calcário do século 4 a.C e por seis vasos pintados de preto, com formas elegantes, mas não decorados, o que mostra diferenciação no gosto funerário entre homens e mulheres.

Com o esqueleto, que foi encontrado de bruços, será possível identificar qual foi a causa da morte de um homem tão jovem, quais eram suas roupas e o que comia.

Este é o terceiro mausoléu encontrado na mesma necrópole. Há cerca de um ano, foi achado na mesma região outro esqueleto, de uma mulher de aproximadamente 42 anos. Entre os pertences funerários da mulher, também sanita, está um vaso com sedimentos de vinho no seu interior. Esse achado é um forte indício de que naquela época as mulheres também podiam consumir a bebida, diferentemente do que acontecia na cultura grega.

Além disso, as equipes de escavação também descobriram alguns restos mortais de cinco jovens que tentavam fugir da destruição da grande erupção do ano 79 d.C, entre eles o de uma garota, três moedas de ouro junto aos esqueletos e um pingente em forma de folha.

Todos os novos achados estão sendo estudados e, por isso, ainda não podem ser vistos pelo público.

Templo Helenístico – No Sul da Rússia, escavações arqueológicas de um monumento na região de Krasnodar, permitiram descobrir um templo helenístico construído no início do século 5 a.C. A informação é da Fundação Volnoe Delo de Oleg Deripaska, entidade que presta apoio aos cientistas do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia, responsáveis pelas escavações.

Fanagoria, onde o templo foi localizado, é o maior monumento arqueológico da antiguidade russa. A cidade foi fundada em meados de século VI por colonos gregos e foi a capital de um dos estados mais antigos em território russo – o Reino do Bósforo.

As escavações em Fanagoria permitiram descobrir o templo helenístico mais antigo no território da Rússia. Os cientistas começaram estudá-lo e indicam como a data da sua construção a primeira metade do século V a.C.”, informa o comunicado.

Em 2013, na parte central de Fanagoria, onde ficava a Acrópole, centro social e político da cidade, foi descoberto e estudado um templo do século V a.C. Os especialistas pensavam que esse seria o templo mais antigo helenístico encontrado na Rússia.

O comunicado diz que a área total do templo encontrado é de 14,5 metros quadrados. Era construído em tijolos crus, sem fundamento, como muitas outras construções em Fanagoria daquele tempo.


Canadá, EUA e México buscam acordo contra mudanças climáticas...

 


Os líderes dos Estados Unidos, México e Canadá tentarão definir nesta quarta-feira (29), durante uma cúpula na capital canadense, Ottawa, uma estratégia comum para lutar contra o aquecimento global na América do Norte.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, e seus convidados, o presidente americano, Barack Obama, e o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, também vão aproveitar a ocasião para trocar opiniões sobre a incerteza gerada pela decisão do Reino Unido de abandonar a União Europeia (UE). Trudeau e Obama tinham pedido fervorosamente aos britânicos que votassem pela permanência no bloco.

Os três países, vinculados desde 1994 pelo Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), costumam se reunir uma vez por ano durante uma cúpula chamada de os “Três amigos”.

Presidido pela primeira vez por Trudeau, este encontro será o último ao que comparecerá o atual ocupante da Casa Branca.

“Claramente, as mudanças climáticas e as iniciativas em matéria de crescimento (econômico) limpo estarão no centro de várias das nossas conversas”, afirmou Trudeau recentemente durante uma coletiva de imprensa.

“Sobre este e outros assuntos, nós, os três sócios do Nafta, estamos buscando alinhar nossas posições para demostrar (…) que gerar crescimento e proteger o ambiente para as futuras gerações não são objetivos contraditórios no século XXI, mas complementares”, acrescentou Trudeau.

O governo canadense pretende aproveitar a cúpula de 2016 para abordar também a criação de empregos e medidas que os três líderes esperam tomar “coletivamente para ter uma economia mais integrada, sustentável e competitiva no cenário mundial”, informou o gabinete do primeiro-ministro.

Em março, Trudeau foi recebido na Casa Branca, uma visita que representou uma melhora evidente das relações entre os dois países, após o governo do conservador Stephen Harper, que não mostrava muita preocupação com a luta contra as mudanças climáticas.

Na ocasião, Trudeau e Obama se comprometeram a reduzir as emissões de metano do setor de petróleo e gás em até 45% antes de 2025 em relação aos níveis de 2012.

O metano é um poderoso gás do efeito estufa, 25 vezes mais prejudicial que o dióxido de carbono (CO2).

Antes de chegar a Ottawa, onde manterá um encontro bilateral com Trudeau na véspera da cúpula, Peña Nieto irá a Quebec, na que será a primeira visita oficial de um presidente mexicano à província francófona nos últimos 25 anos.

O México espera, principalmente, que o Canadá elimine a exigência de visto para os visitantes mexicanos, em vigor desde 2009, como prometeu Trudeau durante sua campanha eleitoral.


terça-feira, 28 de junho de 2016

Vazamento de 600 barris de petróleo afeta mais de 400 pessoas no Peru...

 



O vazamento de 600 barris de petróleo da estatal Petroperú na região amazônica de Loreto, no Peru, afetou ao menos 435 pessoas e contaminou terrenos de cultivo – informou o Instituto Nacional de Defesa Civil nesta segunda-feira (27). “Registramos 435 pessoas afetadas pelo vazamento. O petróleo se expandiu pelas localidades limítrofes ao riacho Caraña Caño em Loreto”, explicou a Defesa Civil em um comunicado. O incidente ocorreu na última sexta-feira (24). “O Centro de Operações de Emergência Nacional continua com o acompanhamento da emergência”, acrescentou. O órgão de fiscalização ambiental do Ministério do Meio Ambiente informou hoje que “o vazamento do petróleo foi provocado por uma falha em um ducto localizado a uma profundidade de 2,2 metros no terreno seco e argiloso”. “Estima-se, de maneira preliminar, que o volume derramado seria de aproximadamente 600 barris de hidrocarboneto”, tendo atingido uma região de 16.000 metros quadrados, completou a pasta. O gerente sub-regional da província de Datem del Marañón, Néstor Paredes, disse à imprensa que o vazamento aconteceu devido à corrosão e ao desgaste do cano. A Petroperú declarou ainda que o bombeamento de petróleo no oleoduto está suspenso desde 16 de fevereiro, após a ocorrência de dois incidentes similares. No início deste ano, dois vazamentos de petróleo ocorreram devido a fissuras no oleoduto Nor Peruano. Ambos os incidentes afetaram as comunidades indígenas das regiões Amazonas e Loreto, prejudicando o abastecimento de água e danificando os terrenos de cultivo. Na ocasião, a Petroperú foi multada em 3,6 milhões de dólares e foi obrigada a realizar uma série de estudos sobre a água que chega à população, assim como a ajudar as famílias a recuperarem seus terrenos.

Poluição causa 6,5 milhões de mortes prematuras por ano...

 



Um total de 6,5 milhões de pessoas morrem por ano de forma prematura devido à poluição do ar, segundo revelou nesta segunda-feira (27) a Agência Internacional da Energia (IEA). O documento “World Energy Outlook”, apresentado em Londres, “evidenciou que a Ásia e África são as regiões com maior taxa de mortalidade por poluição e que este problema se transformou no quarto fator de risco para a saúde humana, atrás da pressão sanguínea, da má alimentação e do hábito de fumar”. Do número total, 3,5 milhões de falecimentos estão ligados ao uso de biomassa para cozinhar e querosene para iluminar os lares em zonas pobres, enquanto 3 milhões correspondem à respiração de ar poluído, sobretudo em grandes cidades. A IEA avisou que, se não houver uma atuação imediata, as mortes prematuras por contato direto com a poluição do ar aumentarão até 4,5 milhões em 2040, em sua maioria em países em desenvolvimento do continente asiático. A pesquisa ressaltou que a maioria das poluições provém do setor energético, concretamente da queima de combustíveis em fábricas, carros, centrais elétricas e em cozinhas particulares. Para o diretor-executivo da IEA, Faith Birol, estes dados são “alarmantes” e revelam um “grande problema em nível global”, além de que “os esforços que foram feitos para freá-lo não são suficientes”. Birol ressaltou que “este não é um problema só de países emergentes, como China, Índia, Indonésia, Brasil e México, mas também afeta as economias avançadas”, apesar de Estados Unidos, União Europeia e Japão terem reduzido suas emissões poluentes por meio de regulações. O relatório recolhe que “os altos níveis de poluição na China desafiam a saúde pública”, dado que causam até 2,2 milhões de mortes prematuras e reduzem em 25 meses a esperança de vida. A organização apontou também a Índia como um caso preocupante, já que “12 das 20 cidades do mundo com maior poluição de ar” se encontram nesse país asiático, e apontou que este padrão está se “transferindo à África, a cidades como Lagos e Cairo”. No outro lado da balança, a UE se posiciona como uma das zonas que “tomou passos importantes para melhorar a qualidade do ar”, apesar de em 2015 terem ocorrido 340 mil mortes devido à poluição e a esperança de vida ter se reduzido em seis meses. Para combater este panorama, Birol propôs chegar a um “Clean Air Scenario” (“Cenário de Ar Limpo”) para 2040, que “reduziria as mortes prematuras em até 50%”. Para diminuir o número até 3,3 milhões de mortes anuais, a IEA defendeu um aumento de 7 % do investimento no setor da energia, o que chega até US$ 4,7 trilhões. Entre as medidas postas sobre a mesa por esta organização estão reduzir as emissões poluentes por meio de tecnologias de controle, substituir combustíveis por energias renováveis, baratear os custos de redução e assegurar uma aplicação efetiva destas ações. Birol garantiu que apresentará este relatório perante o G20, “porque aí se encontram países como China, Índia e Indonésia”, e perante a ONU em Nova York, para que revise a legislação atual, que apesar de ser “boa”, não é efetiva. Conseguir o “Clean Air Scenario” também reportaria benefícios acrescentados a outras políticas, como o acesso às energias e a mudança climática. Uma menor emissão de poluição significaria uma atmosfera libertada de dióxido de carbono -um dos gases do efeito estufa- e uma arma contra o aquecimento global, uma das principais batalhas da política internacional, na qual Birol qualificou à UE como uma “grande lutadora”.

Butantan fecha parceria com EUA para desenvolver vacina de zika...

 





O Instituto Butantan fechou, na sexta-feira (24), uma parceria com os Estados Unidos e com a Organização Mundial da Saúde (OMS) para o desenvolvimento de uma vacina contra o vírus da zika. O centro de pesquisa brasileiro deve receber US$ 3 milhões da Autoridade de Desenvolvimento e Pesquisa Biomédica Avançada (Barda, na sigla em inglês), órgão ligado ao Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo americano (HHS), para o desenvolvimento de uma vacina de zika com vírus inativado. O HHS é o órgão equivalente ao Ministério da Saúde dos EUA. O investimento faz parte de um acordo já existente entre a Barda e a OMS. Além dos US$ 3 milhões provenientes do órgão americano, a OMS também destinará doações de outros países e organizações privadas para o expandir a capacidade de produção de vacinas do Instituto Butantan. Com o dinheiro, o Butantan poderá comprar equipamentos de laboratório, reagentes, linhagens de células e outros recursos necessários para o desenvolvimento e produção da vacina de zika. A parceria também inclui a cooperação técnica entre pesquisadores da Barda e do Butantan. A expectativa é que a vacina esteja pronta para testes em humanos no primeiro semestre de 2017. Vacina de vírus inativado – Segundo o diretor do Instituto Butantan, Jorge Kalil, o desenvolvimento da vacina de vírus inativado contra zika já está em desenvolvimento há alguns meses. Pesquisadores do centro já trabalharam no processo de cultura, purificação e inativação do vírus em laboratório. Na fase atual, roedores devem começar a receber os vírus inativados. O Butantan tem ainda outras três iniciativas de desenvolvimento de vacina contra zika: uma vacina a base de DNA, outra vacina com vírus inativado semelhante à vacina da dengue, além de uma vacina híbrida que tem como base a vacina de sarampo. “A resposta tem que ser rápida ou o dano vai estar feito e deixará um legado terrível: as crianças com microcefalia”, diz Kalil. Segundo o diretor, esse desenvolvimento ocorreria de forma mais rápida se houvesse mais recursos disponível. Em fevereiro, o governo federal anunciou um investimento de R$ 8,5 milhões para financiar o desenvolvimento de pesquisas relacionadas à zika no Instituto Butantan. Mas, segundo Kalil, o recurso ainda não foi liberado. Vírus já circula em 61 países – Em fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o vírus da zika como emergência de saúde pública global. O vírus foi associado à microcefalia, uma malformação congênita. De acordo com boletim da OMS divulgado na semana passada, 61 países e territórios já registram transmissão continuada do vírus da zika. Além disso, outros 10 países tiveram relato de transmissão de zika de indivíduo para indivíduo, provavelmente por via sexual. O Brasil é o país onde o vírus está mais disseminado, com mais casos de infecção pelo vírus e de microcefalia associada à zika. O país teve 138.108 casos prováveis de zika em 2016 até o dia 7 de maio, segundo o Ministério da Saúde. Em 2016, o país registrou uma morte causada pela doença em um adulto no Rio de Janeiro e, no ano passado, foram 3 mortes de adultos. Ainda segundo a pasta, são 1.616 casos confirmados de microcefalia desde o início das investigações, em 22 de outubro, até 11 de junho, com 73 mortes de bebês.

Fórum Mundial da Água vai envolver governos locais na busca de soluções hídricas...

 



O Fórum Mundial da Água, programado para março de 2018 em Brasília, quer envolver governos locais e parlamentares na busca de soluções de problemas envolvendo recursos hídricos. De acordo com o presidente do Conselho Mundial da Água, Benedito Braga, apesar de não ter declarações vinculantes, o fórum produz resultados práticos importantes, que influenciam diretamente os municípios, além de ter a participação de parlamentares, responsáveis por estabelecer leis de regulação e aprovar os orçamentos para os diferentes setores. “Estamos trabalhando com os governos locais. No âmbito da água e do saneamento, a força política importante são os municípios, porque em todo o mundo esse é um problema local”, disse, durante o evento de lançamento do fórum, na segunda-feira (27), na capital federal. Braga explica que a questão do financiamento também será um ponto importante de discussão. “Como achar soluções de financiamento que sejam benéficas para quem recebe e para quem doa. Vamos trabalhar com os bancos a importância do financiamento para esse setor”, afirmou, ao ressaltar que 2,4 bilhões de pessoas no mundo não têm acesso à água potável de fonte confiável. “As Nações Unidas dizem que são 800 milhões, mas água no cano não significa que está limpa.” Com o tema Compartilhando Água, a expectativa é reunir cerca de 40 mil pessoas em 2018 e, segundo o diretor-presidente da Agência Nacional de Águas (ANA), Vicente Andreu Guillo, dar à agenda da água a mesma relevância política de outros temas públicos. “Temos uma imensa expectativa que esse fórum possa produzir um legado robusto para a gestão de recursos hídricos no país.” Para o diretor-presidente da ANA, os Planos de Bacias Hidrográficas devem ser reconhecidos como instrumentos precisos para a gestão da água. “Mais da metade do nosso território tem planos de recursos hídricos, mas muitas vezes esses planos não têm repercussão direta sobre a aplicação de políticas públicas”, disse, ao explicar que é preciso fortalecer os órgãos gestores locais e regionais para promover a gestão descentralizada da água. O Fórum Mundial da Água ocorre a cada três anos desde 1997. A 8ª edição será promovida de 18 a 23 de março de 2018, em Brasília. O primeiro evento preparatório para o fórum ocorre até quarta-feira (29) e reúne cerca de 800 representantes de diversos países para colher informações temáticas que nortearão as discussões do fórum. Preparativos – Segundo o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, ao longo dos próximos dois anos, serão investidos em torno de R$ 80 milhões, sendo R$ 50 milhões da iniciativa privada e R$ 30 milhões divididos entre o governo federal e o do Distrito Federal. A verba servirá para a promoção de eventos oficiais do fórum e para incentivar o envolvimento da comunidade. “Só os dividendos políticos, sociais, educativos e econômicos já são superiores aos investimentos financeiros realizados.” Rollemberg explicou que os recursos hídricos serão tema interdisciplinar permanente nas escolas públicas e particulares do Distrito Federal. “As ações já começaram, tivemos uma primeira oficina com professores, para que Brasília aproveite esta oportunidade de dar um salto qualitativo na conscientização das pessoas pelo compartilhamento e sustentabilidade da água”, disse.

Astronauta britânico relata como sobreviveu a uma ‘colisão em pleno espaço’...

 



Durante mais de um ano, o astronauta britânico Michael Foale passou por uma pesada bateria de treinamentos na Rússia. A tarefa pedia: como representante da Nasa (agência espacial americana), ele embarcaria com dois cosmonautas russos para uma missão a bordo da estação espacial Mir. O que Foale não sabia era que, em 25 de junho daquele 1997, ele e seus dois colegas se deparariam com algo totalmente inesperado: o choque de uma nave de carga não tripulada contra a estação. O trio teve apenas alguns minutos para se salvar de um desastre – e conseguiram graças a uma combinação de calma, improviso e um pouco de sorte. Pioneirismo – A Rússia havia lançado a Mir dez anos antes, em 1986. O programa foi pioneiro ao permitir a permanência prolongada de humanos no espaço. Além disso, era uma resposta às missões da Nasa para a Lua. Porém, passou por uma série de altos e baixos tecnológicos, políticos e econômicos durante seu longo funcionamento. O colapso da União Soviética fez o programa perder verbas e, em um momento crucial de transição política, um cosmonauta chegou a ficar praticamente abandonado em órbita. Depois do fim da era soviética, houve um período de cooperação internacional em torno do projeto, que incluía voos de transporte regulares da Nasa e a participação de astronautas de outros países. Quando desembarcou na estação em 1997, Michael Foale já podia ver os sinais do envelhecimento e de um perigoso incêndio que a Mir havia sofrido meses antes. “Duas coisas impressionavam quando você abria as comportas para entrar”, contou Foale à BBC. “A primeira era o cheiro, parecido com o de uma garagem cheia de óleo, e talvez um pouco de umidade. Com certeza havia mofo na Mir.” A segunda, disse o astronauta, o fato de que a estação era pequena e bagunçada – era como “entrar no esôfago de uma pessoa”. Algumas semanas depois, ele se adaptou. “Fazia experiências, estava feliz”. Manobra – Os suprimentos chegavam a cada dois meses em uma nave não tripulada chamada Progress. Em condições normais, ela se acoplava automaticamente na Mir graças a uma cara tecnologia desenvolvida na Ucrânia. Mas os cortes de verbas ocorridos depois do fim da União Soviética obrigaram o programa espacial a abandonar o sistema, levando a tripulação da Mir a ter de fazer a manobra manualmente. Após uma série de problemas, Foale e seus dois colegas russos tiveram de abordar a manobra várias vezes. Naquele 25 de junho, voltaram a tentar. O comandante Vasili Tsibliyev e Aleksandr (Sasha) Lazutkin, o engenheiro de voo, tentavam guiar a nave de carga via sistema de rádio, controlando a movimentação por uma pequena tela. “Quando vi a tela de Vasili, percebi que a orientação estava completamente errada”, contou o britânico. Foi então que ele ouviu os gritos de Sasha: “Michael, módulo de fuga!” – o russo se referia à cápsula Soyuz, que estava acoplada à estação e era a única chance de salvar suas vidas. “Ele estava me dizendo: ‘vá até lá e se salve!’” Enquanto flutuava na direção da Soyuz, Foale sentiu a estação inteira sacudir e começar a girar. A nave de carga tinha se chocado contra os painéis solares de um dos módulos principais, o Spektr. O impacto fez uma rachadura no casco, fazendo com que o ar escapasse rapidamente. A pressão interna começou a cair e o oxigênio diminuía. “Os alarmes de emergência começam a tocar quando há uma fuga (de ar). Senti meus ouvidos estalando… e havia um assobio no Spektr”, disse Foale. ‘Estação morta’ – Se os três não fizessem algo, perderiam a consciência em menos de 30 minutos. Mas eles decidiram não abandonar a estação. Sasha Lazutkin começou a desconectar os cabos do módulo avariado pela colisão e a procurar algo grande para tapar a ruptura do casco. Ele encontrou uma comporta que, com a sucção, parou no local. Mesmo assim, a Mir continuava a rodar descontroladamente. Para piorar, a tripulação estava sem energia elétrica. As baterias se esgotavam e já não funcionavam os sistemas de retirada de dióxido de carbono e de regeneração de oxigênio. Eles tinham perdido o contato com Moscou e com qualquer outra base. “A estação estava completamente morta. E não era como nos filmes, onde as coisas se resolvem instantaneamente”, disse Foale à BBC. A verdade é que eles precisaram de pelo menos seis horas para estabilizar a situação. Michael Foale lembrou de algo que um dos primeiros comandantes da Mir disse a ele: disparar os foguetes da Soyuz poderia frear uma rotação. Foi o que os tripulantes fizeram, tomando cuidado para não usar muito combustível – eles poderiam precisar da Soyuz para fugir no caso de outra emergência. “Depois disso, de forma espetacular, ficamos expostos à luz do sol. De repente, os ventiladores começaram a funcionar, as luzes acenderam… eu disse ‘Vasili, conseguimos!’.” A volta – Os danos na Mir deixaram a estação praticamente inoperante durante todo o mês seguinte ao acidente. “Apenas conseguíamos manter nossas vidas, nada mais”, disse o astronauta. Em outubro, a Nasa enviou uma nave de transporte para que Michael Foale voltasse à Terra. “À medida que nos afastávamos da estação, olhei e pensei: não me incomodaria se nunca mais voltasse a vê-la.” Os russos, por sua vez, enviaram uma nova tripulação para fazer os consertos necessários. A Mir continuou no espaço por mais três anos antes que a Rússia permitisse que ela saísse da órbita e se desintegrasse na reentrada na atmosfera, em 23 de março de 2001. O trabalho e a experiência vividos ali foram valiosos para as missões espaciais que ocorreriam no futuro – a Mir serviu de base para a Estação Espacial Internacional. Antes de se aposentar, Foale fez uma nova viagem com a Nasa.

IBGE lança Atlas Digital com Caderno Temático especial sobre indígenas...

 





O Censo de 2010 constatou que, de uma população de 899,9 mil indígenas existentes em todo o país, 517,4 mil (57,8%) viviam em Terras Indígenas oficialmente reconhecidas na época da realização da pesquisa, outros 298,871 mil (33,3%) viviam em áreas urbanas, principalmente nos grandes centros; e outros 80,663 mil (8,9%) habitavam áreas rurais, aí incluídas terras indígenas não reconhecidas pela Fundação Nacional do Índio (Funai). Os dados fazem parte do primeiro Caderno Temático sobre a população indígena e constam do Atlas Digital do Brasil 2016, que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) lançou nesta segunda-feira (27), com mapas interativos com o aprimoramento do Censo Demográfico 2010, sobre a distribuição da população indígena no território nacional. De acordo com os dados, a maioria destes 57,7% se concentra nas regiões Norte e Centro-Oeste. Na Região Norte, este percentual chega a 73,5% e no Centro-Oeste 73,5% dos indígenas estão em território demarcado. Roraima é o estado brasileiro que detém o maior percentual de indígenas em terras demarcadas (83,2%) e o Rio de Janeiro, o menor, com apenas 2,8% do total. Taxa de Fecundidade – Segundo a demógrafa de mapeamento populacional Indígena do IBGE Nilza de Oliveira Martins, existe uma variação na taxa de fecundidade entre as populações indígenas que moram na cidade, em áreas rurais e em reservas oficialmente reconhecidas pela Funai, sendo maior entre este último grupo. Para o levantamento, o IBGE considerou a proporção de crianças até quatro anos, em relação a mulheres entre 15 e 49 anos. Em terras indígenas, essa proporção era de 74 crianças para cada grupo de 100 mulheres, o que resulta em taxa de fecundidade de aproximadamente 5 filhos para cada mulher. Nas áreas rurais, a proporção cai um pouco: são 54 crianças para cada grupo de 100 mulheres (4,2 filhos por mulher). Já nos centros urbanos a média cai para menos da metade: 20 crianças para cada 100 mulheres (1,6 filho por mulher). “Isto comprova que há um envelhecimento significativo da população indígena que vive em áreas urbanas do país, principalmente nos grandes centros. Esta taxa de fecundidade entre os indígenas que vivem nas áreas urbanas é ainda maior do que a taxa de fecundidade para o total da população brasileira de uma maneira geral, que é de 1,9 filhos por cada mulher”, disse. Reconhecimento – De acordo com o Atlas Nacional Digital, 75% das pessoas que se declararam indígenas no país souberam informar o nome de sua etnia ou o povo ao qual pertencem. As etnias mais representativas, segundo as unidades da federação, revelaram características determinantes de possíveis padrões de distribuição espacial de algumas delas. Os Xavantes, por exemplo, estão entre os mais numerosos em todos os estados da região Centro-Oeste, e os Guarani Kaiowá, com penetração em toda região Sul e parte das regiões Sudeste e Centro-Oeste. A publicação, cujo lançamento inaugura a política do IBGE de divulgação anual do Atlas Nacional Digital do Brasil, analisa as características sociodemográficas dentro e fora das Terras Indígenas, de forma a dar maior visibilidade a esse segmento da população e mapear estas informações. O Caderno Temático identificou 274 línguas indígenas no Brasil. Em áreas demarcadas, 57,3% de indígenas com mais de cinco anos falam ao menos uma dessas línguas, enquanto em áreas urbanas, o percentual cai para 9,7%. Em áreas rurais, este percentual chega a 24,6%. Em uma análise regional, as línguas indígenas são faladas em maior porcentagem nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste. Esta última região concentra o percentual mais elevado do país, com 72,4% dos indígenas que vivem em Terras Indígenas demarcadas falando alguma dessas línguas. Atlas – O Atlas Nacional Digital do Brasil 2016 incorpora, em ambiente interativo, as informações contidas no Atlas Nacional do Brasil Milton Santos, publicado em 2010, acrescidas de 170 mapas com informações demográficas, econômicas e sociais atualizadas e o Caderno Temático sobre a população indígena no Brasil. Segundo o IBGE, o Atlas “revela as profundas transformações ocorridas na geografia brasileira, acompanhando as mudanças observadas no processo de ocupação do território nacional na contemporaneidade”. O Atlas se estrutura em torno de quatro grandes temas: o Brasil no mundo; Território e meio ambiente; Sociedade e economia; e Redes geográficas. Além do texto escrito, o Atlas utiliza mapas, tabelas e gráficos, “o que permite um amplo cruzamento de dados estatísticos e feições geográficas que tornam flexível e abrangente a seleção de informações, permitindo o entendimento aproximado da diversidade demográfica, social, econômica, ambiental e cultural do imenso território brasileiro”. Aplicativo – O IBGE lançou também um aplicativo que para navegação em ambiente interativo que permite aos usuários – que queiram ter acesso somente ao conjunto de mapas ou aos que possuem conhecimento mais avançado quanto à busca de informações geográficas on line – ter acesso a todas as páginas da publicação, podendo fazer download e consultar dados geográficos, estatísticos e metadados. “A aplicação possibilita também analisar os 780 mapas do Atlas em um ambiente interativo, que permite a navegação pelo mapa, alterar a escala de visualização, ver e exportar tabelas e arquivos gráficos, personalizar o mapa superpondo temas de várias fontes, gerar imagens, salvar o ambiente de estudo para posterior análise e abrir um ambiente personalizado de estudo”.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Holandês de 21 anos cria projeto inovador para limpar oceanos...

 


Um inventor holandês de 21 anos revelou, na quarta-feira (22), o protótipo de um dispositivo de filtração para remover milhões de toneladas de resíduos plásticos dos oceanos, um projeto inédito que será testado no mar do Norte.

Com a iniciativa “The Ocean Cleanup” (a limpeza do oceano), Boyan Slat quer lutar contra a “sopa plástica”, uma mistura de garrafas, bolsas, chinelos e outros detritos plásticos que flutuam no oceano.

A maioria dos resíduos plásticos nos oceanos está acumulada em cinco blocos de lixo gigantes – o maior deles no Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí.

A sopa de plástico é criada quando o lixo fica preso em cinco grandes “giros”, ou correntes oceânicas rotativas. Esses detritos vão juntando enormes blocos de resíduos, que se convertem quase em “continentes” de plástico.

Enquanto a maioria dos projetos que tentam coletar material plástico utiliza barcos que rastreiam os oceanos, Slat pretende aproveitar a potência das correntes marítimas para limpar as águas.

“Por que temos de ir até os resíduos, se os resíduos podem vir até nós?”, questionou o jovem em uma coletiva de imprensa no porto de Scheveningen, nos arredores da cidade holandesa de Haia.

A ideia nasceu quando ele ainda era um estudante do Ensino Médio e esboçou o projeto em um guardanapo de papel.

O jovem inventor pretende usar uma barreira de 100 km de comprimento em forma de V composta de grandes boias de borracha, que flutuam na superfície do oceano e estão conectadas a redes submersas de até três metros de profundidade.

O objetivo é capturar os pedaços de plástico que se movem com as correntes e juntá-los em recipientes com capacidade para até 3.000 metros cúbicos de resíduos – suficientes para encher uma piscina olímpica -, que poderão ser reciclados.

O protótipo, que tem 100 metros de comprimento e custou 1,5 milhão de euros, foi financiado por crowdfunding e doações, inclusive do governo holandês. Será levado para o mar do Norte nesta quinta-feira (22) para uma série de testes que serão realizados durante um ano a 23 km da costa holandesa.
 
Mais jovem ganhador do Prêmio Campeões da Terra, concedido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), Slat abandonou seus estudos de Engenharia Espacial para se dedicar totalmente a esse projeto.


Samarco sabia dos riscos antes de desastre, diz delegado da PF...

 




O delegado Roger Lima de Moura, da Polícia Federal, disse nesta quarta-feira (22), que a Samarco sabia dos riscos do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana.

A Samarco foi procurada pelo G1 e disse que “repudia qualquer alegação de conhecimento prévio de risco de ruptura na Barragem de Fundão. A empresa informa ainda que continuará prestando todos os esclarecimentos devidos nos autos do processo”, diz a nota.

A barragem de Fundão se rompeu no dia 5 de novembro de 2015, destruindo o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana. Os rejeitos atingiram mais de 40 cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. A lama percorreu o Rio Doce até a foz e o desastre ambiental, que deixou 19 mortos, é considerado o maior do Brasil.

As trocas de mensagens internas entre técnicos e diretores, além de comunicados emitidos internamente provaram a afirmação, segundo o delegado. “Eles sabiam do risco de que Bento Rodrigues poderia ser atingido. Temos inclusive documentos internos e conversas falando se iria ou não levar os estudos para o licenciamento ambiental”, disse Lima.

Na primeira semana de junho, a Polícia Federal em Minas Gerais concluiu o inquérito sobre o rompimento da barragem de Fundão em Mariana, na Região Central do estado, e a consequente contaminação do Rio Doce e da área costeira.

“Durante as investigações, apuramos causas, consequências e responsáveis do rompimento das barragens. A barragem era problemática desde a sua construção. Ela sempre foi uma barragem doente. Na fase de construção foi usado um material diferente do projeto. Nesse projeto inicial, dizia que seria usado brita e rocha. Mas na obra eles usaram restos de minério”, comentou o delegado de Minas.

O delegado explicou ainda que sempre aconteceram problemas de drenagem. “Posteriormente, eles fizeram um remendo na barragem, sem projeto, nem recomendação dos órgãos ambientais. A barragem recebe material arenoso e lama. No projeto, esse material era despejado separado, mas depois eles juntaram. Na verdade, foram uma série de erros”, acrescentou.

Oito pessoas e a Samarco, a Vale e a consultoria VogBR – consultoria responsável pela declaração de estabilidade da barragem -, foram indiciadas por crimes ambientais e danos contra o patrimônio histórico e cultural.

Um outro ponto citado na apresentação do inquérito foi o investimento da Samarco na área de geotécnica, responsável pelo controle da barragem. No período entre 2012 e 2015, a queda no orçamento foi de 29% e a previsão era de uma redução de 38% em 2016. Em contrapartida, a produção tinha aumentado em 30% e a previsão era aumentar em até 35%.

Ele também afirmou que o lançamento de lama por parte da Vale contribuiu para o desastre ambiental. Segundo Lima, em um primeiro momento, a empresa negou o despejo de rejeito, mas acabou assumindo, apesar de informar um valor menor do que o apurado.

“Ela assumiu isso, como se lançasse 5%, porém o que foi constatado é que não foi 5%. Chegava, do total de lama de lama que era lançado no Complexo de Germano, o que pertencia à Vale era 27%. E esse 27% contribuiu para que o rejeito de lama se aproximasse do rejeito arenoso, que é uma das causas de ocorrer a liquefação, depois que fez com que a barragem rompesse”, avaliou Lima.


Nasa descobre asteroide que acompanhará a órbita da Terra por séculos...

 


A agência espacial americana, a Nasa, descobriu um pequeno asteroide que orbita o Sol ao mesmo tempo em que circunda a Terra. Ele deverá acompanhar a trajetória de nosso planeta por vários séculos.

Batizado como 2016 HO3, o asteroide dá voltas em torno da Terra enquanto percorre sua órbita ao redor do Sol, mas está distante demais para ser considerado um satélite, como a Lua.

“Como o 2016 HO3 circunda nosso planeta, mas nunca vai longe demais, já que ele e a Terra orbitam o Sol juntos, nos referimos a esse asteroide como um semissatélite”, disse Paul Chodas, gerente do Centro de Estudos de Objetos Próximos da Terra, da Nasa.

Segundo o cientista, o asteroide 2003 YN107 seguiu um padrão de órbita similar há dez anos, mas acabou se afastando após algum tempo.

“Esse novo asteroide parece estar mais preso à Terra. Nossos cálculos indicam que ele tem se comportado como um semissatélite há quase um século e continuará a nos fazer companhia por vários séculos.”

Dança espacial – O 2016 HO3 foi visualizado pela primeira vez em 27 de abril. Seu tamanho ainda não foi determinado, mas é provável que tenha entre 40 metros e 100 metros de comprimento.

Em sua órbita, o 2016 HO3 passa metade do tempo mais próximo do Sol do que a Terra e, na outra metade, fica posicionado mais distante.

Quando o asteroide e nosso planeta se afastam muito, forças gravitacionais o trazem para mais perto.

“Quando ele começa a se distanciar demais, a gravidade da Terra é forte o suficiente para reverter esse processo e mantê-lo em sua órbita. Assim, ele nunca se afasta além de uma distância de mais ou menos cem vezes a distância da Lua em relação à Terra”, afirma Chodas.

“O mesmo efeito o impede de chegar perto demais – ele chega no máximo até 38 vezes a distância da Lua. Assim, esse pequeno asteroide fica preso à Terra, como se estivesse fazendo uma dança com o nosso planeta.”


Luta da ONU contra mudança climática ganha Prêmio de Cooperação na Espanha...

 


A Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) e o Acordo de Paris obtiveram nesta quarta-feira (22) o Prêmio Princesa das Astúrias de Cooperação Internacional 2016.

A Convenção é um acordo promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) para estabilizar as concentrações de gases do efeito estufa em níveis que não resultem em uma mudança de clima perigosa e que propiciou, no final de 2015, a assinatura do histórico Acordo de Paris, de caráter vinculativo.

Desde maio de 2010, a UNFCCC tem como secretária executiva a costa-riquenha Christiana Figueres e a previsão é que em julho ela seja substituída pela diplomata mexicana Patricia Espinosa.

Competiram nesta edição 27 candidaturas de 14 nacionalidades. No ano passado, o prêmio foi para a Wikipedia e em edições anteriores foram premiados, entre outros, a Fundação Fulbright; a Cruz Vermelha; Al Gore; a Fundação Bill e Melinda Gates; Yitzhak Rabin e Yasser Arafat; Frederik De Klerk e Nelson Mandela.

O Prêmio Princesa das Astúrias de Cooperação Internacional faz parte dos oito que anualmente a Fundação Princesa das Astúrias na Espanha entrega e que este ano chega a sua 36ª edição.

Da mesma forma que as demais categorias, o de Prêmio de Cooperação Internacional está dotado com a reprodução de uma escultura de Joan Miró – símbolo representativo do prêmio , 50 mil euros em dinheiro, um diploma e uma medalha.


Condomínio João de Barro...

quarta-feira, 22 de junho de 2016

‘Erramos’, diz Rio 2016 após morte de onça presente em tour da Tocha...

 


A organização dos Jogos Olímpicos Rio 2016 se pronunciou nesta terça-feira (21) sobre a morte da onça Juma, abatida após participar do revezamento da Tocha Olímpica no Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs). “Erramos ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado”, admitiu o comitê.

Em nota divulgada em sua página no Facebook, a Rio 2016 disse que o ocorrido “contraria as crenças e valores” da organização.

Veja a íntegra da nota:

Erramos ao permitir que a Tocha Olímpica, símbolo da paz e da união entre os povos, fosse exibida ao lado de um animal selvagem acorrentado. Essa cena contraria nossas crenças e valores.
Estamos muito tristes com o desfecho que se deu após a passagem da tocha. Garantimos que não veremos mais situações assim nos Jogos Rio 2016.

Entenda o caso – A onça Juma foi abatida pelo Exército após fugir e avançar contra um militar, informou o Comando Militar da Amazônia (CMA). O fato ocorreu na segunda-feira (20), após o local receber o ‘Tour da Tocha’.

Segundo o CMA, a onça escapou no momento em que o Cigs estava fechado para visitas. Uma equipe de militares composta de veterinários especializados tentou resgatar o animal. Porém, mesmo atingido com tranquilizantes, Juma se deslocou em direção a um militar e foi realizado um tiro de pistola por medida de segurança. O animal morreu no local.

Ambientalistas criticaram o ocorrido. Ao G1, Diogo Lagroteria, analista ambiental do Ibama e veterinário, disse que, mesmo com anos de treinamento e em cativeiro, a onça nunca poderá ser considerada um animal domesticado. “O incidente no Cigs aconteceu pelo simples fato dele [o animal] ser uma onça. Animais selvagens sempre serão animais selvagens. Não tem como prever a reação deles nesse tipo de situação”, disse o analista ambiental ao G1.


Parceria entre Brasil e EUA analisa 10 mil grávidas em pesquisa sobre o zika...

 


Pesquisadores americanos anunciaram nesta terça-feira (21) o lançamento de um estudo amplo sobre o vírus da zika e seus efeitos para as mulheres grávidas nas zonas afetadas pelo vírus, principalmente na América Latina.

Esse estudo sobre os efeito do zika nos bebês e nas mulheres grávidas será realizado pelo Instituto Nacional da Saúde americano (NIH) e por seu correspondente brasileiro, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A pesquisa será iniciada em Porto Rico e posteriormente expandida para Brasil, Colômbia e outros países onde a transmissão do vírus é ativa. No total, cerca de 10.000 mulheres grávidas com mais de 15 anos foram selecionadas para participar do estudo.

O objetivo da pesquisa é determinar o alcance dos riscos para a saúde que o zika representa para as gestantes, os fetos e os bebês.

As participantes do estudo, que estarão no seu primeiro trimestre da gravidez, serão submetidas a um acompanhamento até o parto. Os pesquisadores também estudarão os bebês durante ao menos um ano após o nascimento.

“Ainda não determinamos todo o alcance dos efeitos do vírus da zika sobre a gravidez”, afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos.

“Este estudo estendido deve fornecer novos dados importantes que ajudarão a guiar as respostas médicas e de saúde pública à epidemia de zika”, ressaltou Fauci.

O vírus da zika se propaga principalmente através da picada de mosquitos infectados, mas também pode ser transmitido sexualmente e de mãe para filho durante a gestação.

O vírus está ligado a um aumento de casos de microcefalia, uma malformação rara e grave que se caracteriza por um tamanho abaixo da média da cabeça de recém-nascidos e que causa problemas de desenvolvimento.

Infecções pelo vírus da zika já foram constatadas em 60 países e territórios. No Brasil, o país mais afetado, foram detectados 1.581 casos de microcefalia desde o início da epidemia de zika, em outubro passado, segundo dados do Ministério da Saúde.

Além da microcefalia, foram detectados outros problemas nas grávidas, nos fetos e nos bebês infectados pelo vírus da zika antes do nascimento, como abortos, bebês natimortos ou com estruturas cerebrais pouco desenvolvidas, defeitos oculares e problemas de audição.

O estudo vai comparar grupos de mães e filhos infectados pelo vírus da zika com outros não infectados, para determinar a frequência de abortos, nascimentos prematuros, microcefalia, malformação do sistema nervoso e outras complicações.

Os pesquisadores pretendem, ainda, comparar o risco de complicação durante a gravidez entre as mulheres que tiveram sintomas de infecção pelo vírus e as que não tiveram.


Anvisa propõe proibir uso de termômetros de mercúrio na saúde...

 


O termômetro de mercúrio pode estar com os dias contados, ao menos para o uso em saúde. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) abriu, nesta segunda-feira (20), uma consulta pública para discutir a proposta de proibição do termômetro com coluna de mercúrio usado para diagnóstico em saúde. O mesmo vale para o esfigmomanômetro de mercúrio, aparelho usado para medir pressão.

O velho termômetro consiste em um tubo de vidro com um pequeno volume de mercúrio dentro. O calor faz o mercúrio dilatar e indicar, em uma escala graduada, a variação da temperatura.

A proposta da Anvisa é proibir a fabricação, importação, venda e uso em serviços de saúde. Caso aprovada, a resolução deve entrar em vigor em janeiro de 2019. A consulta pública ficará aberta durante dois meses.

Tóxico para humanos e meio ambiente – O mercúrio é tóxico para humanos e para o meio ambiente, onde pode se ligar a outros elementos químicos e formar o metilmercúrio, que o torna ainda mais prejudicial.

Segundo o Ministério da Saúde, o metilmercúrio pode prejudicar os rins, fígado e sistema nervoso central, levando a sintomas como perda de coordenação motora, dificuldades na fala e audição, perturbações sensoriais e fraqueza muscular. Em casos mais extremos, pode levar à morte.

Em quantidades tão pequenas quanto a presente em um termômetro, porém, dificilmente causará problemas de saúde, segundo avaliação do Serviço Nacional de Saúde (NHS) do Reino Unido.

Os termômetros de mercúrio já foram banidos da União Europeia em 2007, quando a venda foi proibida. Nos Estados Unidos, 13 estados têm leis que impedem a fabricação, venda e distribuição desses instrumentos.
 
A consulta pública aberta pela Anvisa ficará aberta a partir da próxima segunda-feira (27 até o dia 25 de agosto. A proibição não vale para instrumentos usados em pesquisa, calibração de instrumentos e uso como padrão de referência.


Cientistas criam rede para montar mapa dos micróbios em metrôs do mundo...

 


Cientistas espanhóis estão participando do projeto de pesquisa internacional Metasub, que pretende fazer um mapa do microbioma dos sistemas de transporte público de 54 cidades no mundo todo, incluindo Nova York, Hong Kong, Paris, Cidade do México, São Paulo e Barcelona.

Na terça-feira (21), os cientistas do Metasub realizaram o Dia Global de Coleta de Amostras no mundo todo e saíram para recolher exemplares no metrô de Barcelona – e nas outras cidades – para este projeto, que terá cinco anos de duração.

Os cientistas do Centro de Regulação Genômica (CRG) de Barcelona participam do projeto não só coletando e sequenciando amostras do metrô de sua cidade, mas também lideram o grupo de trabalho que melhorou e padronizou os protocolos para processá-las nos laboratórios.

O projeto Metasub nasceu em 2013 em Nova York, liderado por Christopher E. Mason, na faculdade Weill Cornell Medical e atualmente é um consórcio de laboratórios que pretende estabelecer um “mapa do DNA” mundial dos micróbios presentes no transporte público.

“O fato de reunir cientistas de 54 cidades no mundo todo em uma iniciativa realmente interdisciplinar faz com que este projeto seja único”, declarou o chefe de grupo no CRG e coordenador do projeto Metasub em Barcelona, Stephan Ossowski.

O Metasub – acrescentou Ossowski – permitirá desenvolver novos padrões no campo da metagenômica e otimizar os métodos de pesquisa e visualização.

O diretor de qualidade e meio ambiente em Transportes Metropolitanos de Barcelona, Eladio de Miguel, disse que considera “a colaboração com a pesquisa científica como um dever e o conhecimento que será apresentado pelo projeto Metasub de pesquisa do microbioma na rede do metrô contribuirá para que o deslocamento de milhares de pessoas aconteça em melhores condições”.

Segundo os cientistas, os sistemas de transporte público representam meios, microbiomas e metagenomas urbanos únicos.

O microbioma constitui um elemento importante de nosso ambiente: as bactérias dentro e sobre o nosso corpo superam as células humanas em uma proporção de dez para um, até 36% das moléculas ativas presentes na corrente sanguínea provêm do microbioma, e é um elemento-chave para a saúde humana.

No entanto, a forma como os humanos interagem e adquirem novas espécies de bactérias depende do ambiente em que se encontram, do tipo de superfícies que tocam, e do ambiente.

Isso, segundo os especialistas, pode ter ainda mais relevância em ambientes construídos e densos como as cidades, onde se concentra a maior parte da população mundial (54%).

Os dados gerados pelo consórcio MetaSub servirão para urbanistas, responsáveis de saúde pública e projetistas, mas também favorecerão o descobrimento de novas espécies, sistemas biológicos, e clusters genéticos.

Segundo Ossowski, o projeto permite abordar muitas perguntas, por exemplo, como o microbioma muda de acordo com o tempo, o fluxo de gente, a limpeza, e os materiais do mobiliário.

Além disso, há outras questões relacionadas com a cidade, como as diferenças entre bairros e distritos, sua localização geográfica em relação ao mar, o nível socioeconômico de seus usuários, etc.

Para isso, foi escolhido um conjunto muito variado de estações, desde as mais antigas da cidade, até as mais turísticas, ou as que estão próximas a hospitais, assim como as situadas em diferentes distritos e bairros para ilustrar a diversidade e o multiculturalismo da cidade.


Avião movido a energia solar sobrevoa Oceano Atlântico...

 


O avião Solar Impulse 2 sobrevoou o Atlântico nesta terça-feira (21), com sol e céu azul, rumo à Espanha, após ter decolado na véspera em Nova York. Esta é uma das etapas mais difíceis de uma volta ao mundo inédita usando energia solar como único combustível.

“Acabo de acordar da sesta, um pouco cansado ainda, mas contente de ver o amanhecer sentado no meu pequeno #si2″, escreveu nesta terça-feira no Twitter o piloto suíço Bertrand Piccard, que realiza este voo para promover as energias renováveis.

O Solar Impulse 2 iniciou o voo na segunda-feira (20) no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, e demorará entre 90 e 110 horas para chegar ao destino desta 15ª etapa, o aeroporto de Sevilha, na Espanha.

Ao amanhecer, as baterias do avião voltaram a se recarregar, após uma noite de voo alimentada pela energia gerada nas suas 17.000 células fotovoltaicas.

“Não vão acreditar em mim, mas à minha direita vejo um iceberg no oceano Atlântico. Olhem!”, relatou Piccard no blog que compartilha com o outro piloto do Solar Impulse 2, André Borschberg.

Em sua primeira jornada sobre o Atlântico, Piccard viu baleias saltando sobre a água e uma maravilhosa lua cheia durante a noite.

Às 10h30 desta terça (horário de Brasília), o avião completou mais de um terço do trajeto – 2.500 km em um dia e cinco horas, informou o Solar Impulse.

Com o peso de um carro e uma envergadura de 72 metros, a aeronave voa a uma velocidade que geralmente não passa de 50 km/h, mas que pode dobrar com uma exposição direta ao sol.

Por ser leve (1,5 toneladas), o Solar Impulse 2 é muito sensível às turbulências.

O Solar Impulse 2 realiza sua volta ao mundo de 35.400 km em etapas, nas quais Piccard e Borschberg se revezam para pilotar este avião de quatro hélices.

Em sua etapa mais longa, o Solar Impulse 2 voou 118 horas de Nagoya (Japão) até a ilha americana do Havaí.

O piloto André Borschberg foi o responsável por conduzir a aeronave durante essa longa etapa, de 6.437 quilômetros, sobre o Pacífico ocidental, na qual foi batido o recorde de voo ininterrupto mais longo da história.



segunda-feira, 20 de junho de 2016

ICMBio multa Samarco em R$ 143 milhões...

 


A empresa Samarco Mineração foi autuada por agentes de fiscalização do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) por causar impactos à Área de Proteção Ambiental (APA) Costa das Algas, ao Refúgio de Vida Silvestre (RVS) de Santa Cruz e à zona de amortecimento da Reserva Biológica (Rebio) de Comboios.

As três unidades de conservação (UCs) federais são administradas pelo ICMBio e estão localizadas no Espírito Santo. Ao todo, foram lavrados três autos de infração pelos técnicos das UCs impactadas. Juntos, os autos totalizam multa no valor de R$ 143 milhões.

A autuação se deu em decorrência do acidente do dia 5 de novembro do ano passado, quando ocorreu o rompimento da barragem de Fundão e a subida dos rejeitos de minério sobre a barragem de Santarém, de propriedade da empresa Samarco.

Carregados ao longo do rio Doce (ES), os rejeitos chegaram, no dia 21 de novembro, ao litoral do Espírito Santo, formando uma pluma que atingiu áreas da APA Costa da Algas, do RVS de Santa Cruz e da Rebio de Comboios.

“O primeiro auto de infração foi lavrado a partir da constatação de deposição de rejeitos de mineração no interior da zona de amortecimento da Rebio de Comboios, área protegida que abrange importante criadouro natural do camarão sete-barbas (Xiphopenaeus kroyeri), responsável por aproximadamente um terço do volume total de camarões pescados no Espírito Santo”, explica o oceanógrafo Leandro Pereira Chagas.

A segunda autuação ocorreu em virtude da contaminação da água nessas UCs. “Verificou-se que a concentração de metais como Arsênio, Chumbo, Cádmio e Cobre na zona de amortecimento da REBIO de Comboios, bem como de Arsênio e Chumbo na APA Costa das Algas e no RVS de Santa Cruz, apresentavam-se em níveis maiores do que os valores máximos determinados pela Resolução CONAMA nº 357/2005”, disse a chefe do RVS de Santa Cruz, Lígia Coser.

O terceiro impacto, verificado após a emissão de rejeitos de mineração, foram os danos causados a organismos marinhos. “Os estudos realizados pelos pesquisadores da UFES evidenciaram significativas alterações em números de espécies zooplanctônicas encontradas na região. Este fato ganha importância uma vez que tais organismos constituem a base da cadeia alimentar em ambientes marinhos”, afirmou o oceanógrafo Leandro Chagas.

Os estudos que subsidiaram as autuações foram realizados com o apoio de pesquisadores da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a partir de expedições realizadas pelo ICMBio a bordo do navio de pesquisa Soloncy Moura, e pela Marinha, a bordo do navio Oceanográfico Vital de Oliveira.

A APA Costa das Algas e o Refúgio de Vida Silvestre de Santa Cruz foram criados dia 17 de junho 2010, por meio de decreto presidencial, ambas protegendo ambientes marinhos nos municípios de Aracruz, Fundão e Serra, no Espírito Santo, bem como uma faixa da orla marítima.

A Rebio de Comboios, criada pelo decreto presidencial 90.222, dia 25 de setembro de 1984, protege 833 hectares de diferentes formações vegetacionais de restingas, tendo como principal objetivo proteger as espécies de tartarugas marinhas tartaruga de couro (Dermochelys coriácea) e tartaruga cabeçuda (Caretta caretta), ambas constantes da Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção.


Biólogos e agricultores lutam para a preservação do papagaio-charão...

 


Muitos agricultores do Sul do país sabem da importância da araucária, árvore de rara beleza e que dá o pinhão, uma semente saborosa. Além disso, ela é decisiva para a preservação de uma espécie de papagaio ameaçada de extinção. Esse esforço conta ainda com a dedicação de um casal de biólogos.

Quando o dia vai chegando ao fim na serra catarinense, é hora do show. As aves proporcionam uma das mais belas exibições da vida silvestre no Brasil. A visão da revoada do papagaio-charão mexeu com os biólogos Jaime Gonzales e Nêmora Prestes. Para o casal foi paixão à primeira vista e em alto e bom som.

“Esta emoção começou há 25 anos, quando nós vimos bandos de 200 a 300 papagaios. Essa emoção aumenta muito vendo hoje milhares de papagaios voando pelo céu do Brasil. É muito bacana”, diz Gonzales.

Antes de contar essa história de muita dedicação, será apresento o amazona petrei, nome científico do papagaio-charão.

No passado, o bicho vivia no Rio Grande do Sul e em algumas partes da Argentina e do Paraguai. Mas seu habitat foi tão destruído que agora ele só é encontrado em alguns locais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Hoje, a ave está na lista das espécies ameaçadas de extinção.

A marca registrada do charão é a máscara vermelha na testa, em volta dos olhos e na parte de cima das asas. É o menor de todos entre as 12 espécies de papagaios do Brasil. Tem o tamanho de uma régua escolar, com cerca de 30 centímetros, e pesa só 300 gramas. Mas a criatura faz muito barulho.

O bicho também é resistente. É o que voa as maiores distâncias atrás de comida. O cardápio variado tem cerca de 80 tipos de frutas, sementes e flores de plantas nativas do Rio Grande do Sul. Mas a o alimento preferido deste papagaio é o pinhão.

Uma curiosidade sobre o charão: ele é um bicho fiel. O casal fica junto para vida toda. E, pelo que se sabe, a ave pode passar dos 40 anos.

Também é da natureza do charão se reunir em grandes bandos que enfeitam o céu. Antes, o espetáculo era em outro lugar, longe da serra catarinense. Por isso, a equipe de reportagem viajou cerca de 200 quilômetros de Urupema até o Rio Grande do Sul para conhecer a Estação Ecológica Aracuri-Esmeralda.

As grandes revoadas chamaram a atenção de pesquisadores ainda na década de 70. Elas aconteciam no município de Muitos Capões, nos campos de cima da serra, no nordeste do Rio Grande do Sul. Eles ficaram tão encantados que passaram a pressionar o poder público. Então, em 1981 foi criada uma das primeiras estações ecológicas do Brasil. São 272 hectares para proteger o papagaio-charão.

Dez anos depois, os biólogos Jaime Gonzales e Nêmora Prestes, então dois jovens professores de biologia da universidade gaúcha de Passo Fundo, foram conhecer o lugar e levaram um susto.

“Quando chegamos foi nossa surpresa porque a gente esperava encontrar bandos imensos e só registramos oito indivíduos. Então, foi um compromisso bastante forte da nossa parte de iniciar um trabalho de conservação para a espécie”, diz Nêmora.

O sumiço do papagaio-charão tinha virado um mistério. Os bandos simplesmente desapareciam do Rio Grande do Sul por cinco meses, de março a julho, período em que deveriam estar se fartando de pinhão.

Cadê os bichos? Os biólogos, que se conhecem desde criança e dividem o mesmo amor pela natureza, puseram o carinho na estrada atrás de resposta. Assim, nasceu o Projeto Charão.

“Começamos uma busca por todo o Rio Grande do Sul, aonde o papagaio-charão estaria neste período de março a julho. Encerradas as investigações no Rio Grande do Sul, nós começamos a procurar entre os pinheirais de Santa Catarina”, diz Gonzales.

Foram quatro anos de expedições, até que um dia “de repente a Nêmora encontra um bando de 17 papagaios-charões durante o mês de abril, maio e foi seguindo estes 17 papagaios que nós acabamos localizando um grupo de 8,5 mil papagaios”, explica Gonzales.

Uma imagem de satélite mostra que ao redor da Estação Biológica dos Charões, no Rio Grande do Sul, o que sumiu foram as florestas com araucárias. “Os papagaios são espertos. Não tinha lá a alimentação preferida deles, vieram encontrar na serra catarinense”, diz Nêmora.

Agora, a nova área de alimentação dos charões fica entre os municípios de Painel, Urupema e Bocaina do Sul, no planalto serrano catarinense, onde as matas com araucárias estão bem mais preservadas. É um banquete para o charão. O bicho passa o dia comendo. Enche a barriga de pinhão. A semente da araucária é o seguro de vida da espécie.

“Depois de meses comendo pinhão, o papagaio charão consegue estocar energia o suficiente, na forma de gordura, para retornar ao Rio Grande do Sul e começar o período reprodutivo. Esta floresta com araucárias do planalto de Santa Catarina é fundamental para a sobrevivência do papagaio charão”, alerta Gonzales.

Por isso, virou compromisso do Projeto Charão preservar as árvores majestosas e muito antigas. Ela também é chamada de pinheiro brasileiro e é mais comum na região Sul do país, onde o pinhão, a semente da árvore, é usado em muitas receitas. Mas, foi por causa do alto valor da madeira que a araucária acabou explorada, sem trégua, durante dois séculos. Hoje, a araucária está em perigo crítico de extinção e o corte é proibido por lei.

Mais do que nunca, as araucárias e os bichos que dependem da árvore precisam de amigos. Os pinhões que os papagaios vão comer em Santa Catarina não estão em parques nacionais ou em outras unidades de conservação. As araucárias, na verdade, ficam em propriedades particulares como a do agricultor Dercílio Arruda. Por isso, é fundamental contar com a colaboração deles para que a mata de araucária continue de pé.

O agricultor Dercílio Arruda produz leite, feijão e hortaliças no município de Painel. Mas quase toda a propriedade, de 600 hectares, está coberta de araucárias. Ele está com 67 anos e desde menino sobe nas árvores de pés descalços. O produtor usa a vara como se fosse um taco de sinuca para derrubar as pinhas.

O pinhão garante uma renda extra para centenas produtores rurais da região. Esses são os casos dos agricultores Avelino Vitorino e do Rodnei dos Santos, que também são de Painel. Depois de colher o pinhão na terra deles, foram para a propriedade de um vizinho. Eles estavam ajudando a separar os pinhões que são bons das falhas, como eles chamam as sementes que não se desenvolveram.

A lógica é simples: com as araucárias em pé, tem pinhão para todo mundo. Sabe aquela história de que as pessoas só cuidam daquilo que aprendem a gostar? Por isso, o Projeto Charão aposta nas crianças e vai de escola em escola no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.

“O que nos preocupa muito é a predação pelo homem, que captura os filhotes para um comércio ilegal. Mas isso nós temos conseguido diminuir bastante através de programas de educação”, diz Gonzales.

A garotada também põe as mãos na terra e planta o futuro. O pessoal do projeto também mostra com orgulho uma área muito especial, de 43 hectares, em Urupema. “Foi possível comprar esta área graças ao apoio de duas instituições internacionais que trabalham com a conservação em todo o mundo. Estaremos preservando ambientes de alimentação”, diz Nêmora.

O nome da reserva é Papagaios de Altitude. É que, além do charão, o papagaio do peito roxo, outra espécie da região, precisa de proteção. O pessoal do projeto acabou de fazer o censo do bicho, de contar quantas aves existem. Eles só acharam 3.829 mil papagaios do peito roxo.

Assim como o charão, o peito roxo também está na lista vermelha das espécies ameaçadas. Para evitar que este risco aumente, os biólogos criaram um centro de reprodução na universidade de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. O foco agora é dominar a técnica de reprodução do peito roxo em cativeiro. A técnica do charão já é bem conhecida.

Na natureza, a reprodução papagaio-charão só acontece no Rio Grande do Sul, como descobriram os pesquisadores do projeto. A ave usa buracos nos troncos das árvores para fazer o ninho. Uma vez por ano, a fêmea põe de dois a três ovinhos. Os filhotes nascem depois de 29 dias. Os pais alimentam os pequenos com papinhas de frutas como a gabiroba. A mordomia acaba cedo.

Quando o charão migra para Santa Catarina, os pesquisdores do projeto vão atrás da ave. Poucas pessoas têm o privilégio de ver de perto o espetáculo que os papagaios produzem na natureza. O encontro de milhares de aves, que acontece sempre no fim do dia, na serra catarinense, é a chance que os pesquisadores têm de fazer o censo da espécie, de fazer a contagem da população.

Não existe uma técnica específica para a contagem. Nessa hora, vale mesmo a experiência de mais de duas décadas dos biólogos contando os bandos de charões. Ao todo, são 19.168 papagaios-charão. O que quer dizer que nos últimos 20 anos a população mais do que dobrou.

A safra de pinhão este ano em Santa Catarina foi menor. Por isso, o papagaio-charão, que geralmente fica na serra catarinense até julho, já voltou para o Rio Grande do Sul. Graças a iniciativas como essa que o charão irá continuar a dar um belo espetáculo nos céus do Brasil.