terça-feira, 31 de maio de 2016

Tucano com bico quebrado é operado em Brasília...

 


O tucano Pirata ganhou uma prótese de bico (ou rostro) em uma cirurgia no dia 23 de maio. Foi a primeira vez que uma operação desse tipo foi realizada na Fundação Jardim Zoológico de Brasília, numa parceria com uma clínica particular de cuidados a animais silvestres que faz um trabalho voluntário para ajudar os bichos. As informações são da Agência Brasília.

Segundo o médico veterinário e dentista Roberto Fecchio, o bico do tucano é poroso e quebra com facilidade. Muitas aves se acidentam em disputas de território, por maus-tratos ou até mesmo por bater em vidros de edifícios.

Após a cirurgia, que durou cerca de uma hora, a ave já podia se alimentar normalmente. De acordo com o médico, além de ser fundamental para o tucano comer, o rostro ajuda no controle de temperatura e na atração sexual.

O médico, que já operou nove aves, diz que a prótese dá ao ao animal mais qualidade de vida. “É funcional, não é estético”, explicou.

Um dos donos da clínica, Rodrigo Rabello, contou que uma equipe parceira faz as imagens digitais do bico. Elas são enviadas ao designer Cícero Moraes, em Mato Grosso, que as transforma em 3D. Em grupos de rede social, os médicos conversam entre si e avaliam o resultado.

Aprovado, o material é enviado para Santos (SP), onde o dentista forense Paulo Miamoto converte o arquivo para a impressão em 3D. A prótese é confeccionada com material à base de milho. “É biocompatível e biodegradável”, atesta Rabello.

Como o bico também é um atrativo sexual para os tucanos, a prótese, originalmente branca, é pintada em tons alaranjados e pretos.
 
Pirata foi resgatado em 24 de dezembro pela Polícia Ambiental, já com o rostro danificado. O tucano está em observação e deverá ficar no zoológico após recuperado.


Começa a Semana dos Orgânicos 2016...

 


A definição de alimento orgânico é simples. Simples como a própria produção orgânica que se baseia em princípios agroecológicos e no manejo sustentável dos sistemas de produção, não sendo permitido o uso de agrotóxicos, adubos químicos, pesticidas, transgênicos (para alimentos de origem vegetal), hormônios de crescimento, anabolizantes ou drogas, como antibióticos (para os de origem animal).

Considerados mais saudáveis e saborosos, os alimentos orgânicos possuem ainda alto teor de antioxidantes, vitaminas, minerais, fibras e outros nutrientes que beneficiam o equilíbrio do organismo. O agricultor José Vitorino Barros, 54 anos, um dos oito produtores do assentamento Colônia I, localizado no Distrito Federal, e que produz apenas alimentos orgânicos, resume: “A ideia é produzir qualidade de vida. O segredo é: quanto mais você olha, mais bonito fica”.

Com o objetivo de abrir um diálogo com o consumidor para mostrar como é a produção orgânica, os benefícios sociais, ambientais e para a saúde, além de ajudar a fortalecer o mercado interno, começou no sábado (28/05) a 12ª edição da Semana dos Alimentos Orgânicos.

A campanha deste ano traz o tema da educação como referência. Visa deixar claro que é pela educação, em todos os níveis e formas, que será reforçada a conscientização da importância de cada um, por meio de seus atos e escolhas, seja na produção como no consumo, na construção de um mundo melhor para todos, hoje e no futuro. O evento ocorrerá, simultaneamente, no Distrito Federal e em 23 estados, até 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente.

Pitada orgânica – A campanha é realizada pelo Ministério da Agricultura, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), e os Ministérios do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Educação, da Ciência, Tecnologia e Inovação, do Desenvolvimento Agrário, da Saúde, da Pesca e Aquicultura, e da Fazenda, além da Secretaria Geral da Presidência da República e de outras organizações governamentais e não governamentais.

Para divulgar os benefícios dos alimentos orgânicos, o MMA vai estrear nas suas mídias sociais, durante a campanha deste ano, a série gastronômica Pitada Orgânica. Nos vídeos, quatro chefs de Brasília ensinam receitas especiais utilizando alimentos orgânicos e da biodiversidade brasileira. Mara Alcamim (Universal Diner), Renata Carvalho (Loca como tu Madre e Ancho Bistrô de Fogo), Paulo Bessa (Pizza à Bessa) e Leandro Nunes (Jambu) aceitaram o convite do MMA e irão compartilhar receitas deliciosas.

A semana - Os organizadores esperam transformar, nesta 12ª edição da Semana, o tema: “Produto Orgânico – melhor para a vida”, em campanha permanente, reforçando o desenvolvimento de atividades e divulgação ao longo de todo o ano, assim como a integração com diversos eventos e outras campanhas correlacionadas com a temática da produção orgânica, da qualidade de vida, da sustentabilidade, da biodiversidade, entre outros.

Os objetivos da campanha são a promoção do produto orgânico e a conscientização dos consumidores sobre os princípios agroecológicos que regem a produção orgânica e a importância de fazerem a opção por esses produtos. Princípios esses que buscam viabilizar a produção de alimentos e outros produtos necessários ao homem de forma mais harmônica com a natureza, valorizando a biodiversidade, contribuindo para a saúde de todos e garantindo justiça social em todos os segmentos de sua rede de produção.

O evento terá feiras demonstrativas, palestras, rodas de conversas, dias de campos, visitas técnicas, cursos e trabalhos de conscientização em espaços de concentração do público consumidor. Programação completa aqui.

Marco legal - A produção e comercialização dos produtos orgânicos no Brasil foram aprovadas pela Lei 10.831, de 23 de dezembro de 2003. Mas sua aplicação começou em 2011, quando o uso do selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica passou a ser exigido nos produtos embalados à venda no comércio.

A produção orgânica tem crescido no país com o aumento da demanda. Consumidores conscientes dos benefícios à saúde e ao meio ambiente se multiplicam, assim como os produtores. Atento a essa demanda social, o governo criou a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) e, em 2013, o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo).

Em fase de conclusão, o Programa Nacional de Redução do Uso de Agrotóxico (Pronara), parte do Planapo, foi aprovado em 2014 pela Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO). Trata-se de uma comissão paritária, composta por membros do governo e da sociedade civil.


MPF pede suspensão de acordo do Rio Doce entre governos e Samarco...

 


O Ministério Público Federal (MPF) divulgou nesta segunda-feira (30) que recorreu na Justiça Federal da decisão que homologou acordo firmado no dia 2 de março entre representantes dos poderes públicos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo com a Mineradora Samarco, Vale e BHP Billiton. O MPF apresentou o recurso por embargos declaratórios, que são um tipo de recurso que servem para questionar contradições ou omissões no acordo, não modificando a decisão. O órgão espera que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, julgue a questão ainda esta semana.

O trato prevê um fundo de R$ 20 bilhões para recuperar a Bacia do Rio Doce em 15 anos. A previsão é que, só entre 2016 e 2018, a Samarco aplique no fundo R$ 4,4 bilhões. O ato de assinatura do acordo, no Palácio do Planalto, foi acompanhado pela presidente Dilma Rousseff.

De acordo com nota divulgada pelo Ministério Público Federal, os efeitos da decisão devem ser suspensos para que “sejam sanadas suas omissões e contradições, ou, não sendo possível tal correção, a nulidade do acordo”. O trato foi homologado no dia 5 de maio pelo TRF.

Para o órgão, o acordo não garante reparação integral e afirma que não houve participação efetiva dos atingidos pela tragédia. Ainda segundo o MPF, ele prioriza a proteção do patrimônio das empresas em detrimento das populações afetadas e do meio ambiente.

O documento prevê a conclusão de projetos de recuperação da Região do Rio Doce em 15 anos, prazo considerado longo pelo órgão.

O rompimento da barragem de Fundão, que pertence à mineradora Samarco, cujas donas são a Vale e a BHP Billiton, destruiu o distrito de Bento Rodrigues, em Mariana, e afetou outras localidades, além das cidades de Barra Longa e Rio Doce.

Os rejeitos também atingiram mais de 40 cidades na Região Leste de Minas Gerais e no Espírito Santo. Dezenove pessoas morreram. Um corpo ainda está desaparecido. O desastre ambiental é considerado o maior e sem precedentes no Brasil.

Em nota, a Samarco afirma que “seguirá cumprindo com as ações previstas no acordo assinado com os governos federal, de Minas Gerais e do Espírito Santo, homologado no último dia 5 de maio.”

Veja os principais pontos do acordo firmado em março:
 
– Reparação integral das condições socioeconômicas e do meio ambiente afetados, sem limites financeiros até a integral reparação;
– Horizonte de 15 anos para recuperação. A cada três anos, todos os programa serão avaliados para readequar metas e compromissos;
– Os recursos doados pelas empresas para 2016-2018 será de R$ 4,4 bilhões de reais, como aporte incial, que será ampliado conforme a necessidade;
– Após 2018, a previsão é de aporte anual de R$ 1,2 bilhão, podendo chegar a R$ 20 bilhões concluído o período;
– Medidas de compensação aos pescadores, produtores, povos indígenas, povos tradicionais, bem como para estimular a retomada de atividades econômicas;
– Recursos para que municípios possam fazer obras de saneamento básico, interrompendo processo de contaminação do rio pelo esgoto;
– Garantir que todos os envolvidos, incluindo comunidades e movimentos sociais, participem da definição, acompanhamento e desenvolvimento de todas as ações;
– As ações serão executadas pela iniciativa privada, mas fiscalizadas pelos estados.
– Com o acordo, a ação civil que tramita sobre o caso entra na fase de implementação e fiscalização.

O que continua pendente:
 
– O acordo não trata da volta do funcionamento da Samarco, que teve a licença ambiental suspensa;
– A responsabilidade pelos danos também é apurada nas esferas penal e administrativa;
– O Ministério Público ainda deve se pronunciar sobre o pedido de prisão de 7 pessoas, que podem responder por homicídio qualificado por dolo eventual;
– Ainda não foram definidas indenizações para todos os afetados pelo rompimento da barragem. Houve uma antecipação (R$ 100 mil) para vítimas de Mariana;

Orçamento do fundo – Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o fundo criado a partir do acordo prevê R$ 20 bilhões em recursos, valor que pode variar. Deverão ser alocados pela mineradora R$ 2 bilhões em 2016; R$ 1,2 bilhão, em 2017; e R$ 1,2 bilhão, em 2018. De 2019 a 2021, o valor a ser investido poderá variar de R$ 800 milhões a R$ 1,6 bilhão.

A partir de 2022, os valores só serão definidos conforme o desenvolvimento dos projetos a serem implementados. Além disso, ao longo dos 15 anos de vigência do acordo, deverão ser investidos R$ 240 milhões a mais a cada ano para medidas compensatórias, como saneamento.
 
O acordo assinado em Brasília vinha sendo negociado entre os poderes públicos federal e estadual e a Samarco desde o ano passado. Assinaram o documento: Luís Adams (advogado-geral da União), Izabella Teixeria (ministra do Meio Ambiente), Fernando Pimentel (governador de MG), Onofre Alves (advogado-geral de MG), Paulo Hartung (governador do ES), Rodrigo Rabello (procurador-geral do ES), Roberto Nunes (diretor-presidente da Samarco), Murilo Ferreira (diretor-presidente da Vale), Jim (diretor comercial global da BHP) e Flávio Bocaiúvas (diretor de projetos Brasil da BHP).


Furto de água cresce 41% nos quatro primeiros meses de 2016...

 


A Sabesp informou que o furto de água cresceu 41% nos quatro primeiros meses de 2016, em relação ao ano passado. Foram 7419 irregularidades, como mostrou o SPTV.

De acordo com a empresa, são 61 flagrantes por dia. A maioria dos problemas ocorreu em residências. A principal irregularidade é a violação de hidrômetro. O total de água desviada, segundo a Sabesp, chega a mais de 1 bilhão de litros – o que daria pra abastecer uma cidade de 110 mil habitantes por um mês.

No ano passado, o volume total de água desviado foi de 3,7 bilhões de litros de água que, segundo a companhia, são suficientes para abastecer uma cidade com 400 mil habitantes por um mês, como Diadema. Em 2014, houve desvio de 2,58 bilhões de litros e, em 2013, 2,61 bilhões de litros foram furtados.

As denúncias podem ser feitas pelos telefones: 195 da Sabesp ou 181 no Disque Denúncia.

Fraudes – As duas formas mais comuns de consumir água sem pagar são alterações no hidrômetro e ligação da tubulação direto na rede da Sabesp. Nos dois casos, a constatação do furto ocorre por causa da queda no consumo do cliente e a companhia de abastecimento passa a acompanhar mais de perto o imóvel considerado “suspeito”.

Em números absolutos, as fraudes ocorrem com mais frequência nas residências. O volume desviado, no entanto, é menor. Por isso, a preocupação da Sabesp é com os clientes que tem “maior potencial de desvio”, por causa da quantidade de água que consomem de forma irregular, como lava-rápidos, postos de combustíveis, hotéis, bares, padarias e restaurantes.

No ano passado, foram gerados 507 boletins de ocorrência, e quinze inquéritos policiais foram instaurados na capital paulista. Quem é pego desviando água é autuado por furto qualificado, mas tem direito a fiança.
 
Curso – A Sabesp está com inscrições abertas para novas turmas dos cursos que ensinam a encontrar vazamentos nas casas e adotar o consumo consciente da água. As aulas são oferecidas em várias unidades da empresa na Região Metropolitana de São Paulo. O curso é de graça e tem cursos o ano todo.


Corais da Grande Barreira morrem devido à descoloração, diz pesquisa...

 


A descoloração causou a morte ou deixou a ponto disso 35% dos corais das regiões norte e centro da Grande Barreira na Austrália, o maior sistema de coral do mundo, segundo um relatório publicado nesta segunda-feira (30).

Especialistas do Centro de Excelência de Estudos de Recifes Coralinos analisaram por via aérea e submarina o impacto da descoloração neste ecossistema que se estende ao longo de 2.300 quilômetros em frente ao litoral nordeste da Austrália.

Os resultados indicaram que a parte mais afetada fica em frente ao litoral de Townsville e Papua Nova Guiné, enquanto na porção situada ao sul de Cairns, a média de mortalidade é de 5%.

“Felizmente nossos estudos submarinos revelam que mais de 95% de recifes de corais ao sul de Cairns sobreviveram e esperamos que estes corais medianamente descolorados possam recuperar sua cor nos próximos meses”, disse Mia Hoogenboom, da Universidade James Cook em comunicado.

Os pesquisadores também descobriram que em Kimberley, ao norte de Cairns, 80% do coral foi severamente afetado pela perda de cor e pelo menos 1% morreu.

O diretor do centro de estudos de recifes, Terry Hughes, indicou que “é a terceira vez em 18 anos que a Grande Barreira experimenta uma descoloração em massa devido ao aquecimento global e o desta vez é mais extremo que os que medimos antes”.

Hughes, da Universidade James Cook, explicou que os três eventos de descoloração de corais ocorrido nos últimos 18 anos coincidem com a elevação da temperatura em um grau centígrado acima da registrada no período pré-industrial.

Os corais mantêm uma relação simbiótica especial com algumas algas microscópicas chamadas zooxanthallae, que proporcionam a seus anfitriões o oxigênio e uma porção dos compostos orgânicos que produzem através da fotossíntese.

Quando são submetidos a estresse ambiental, muitos corais expulsam em massa seus zooxanthallae, e seus pólipos ficam sem pigmentação e aparecem quase transparentes, em um fenômeno conhecido como descoloração.
 
A saúde da Grande Barreira, que abriga 400 tipos de coral, 1.500 espécies de peixes e 4.000 variedades de moluscos, começou a se deteriorar na década de 1990 pelo duplo impacto do aquecimento da água do mar e o aumento de sua acidez pela maior presença de dióxido de carbono na atmosfera.


segunda-feira, 30 de maio de 2016

Livro destaca biodiversidade em paisagens agrícolas do Sudeste...

 


Com uma economia fortemente baseada na cana-de-açúcar, em plantações de eucalipto e na pecuária, o Estado de São Paulo tem paisagens naturais continuamente transformadas pelo uso intenso do solo, o que altera também o habitat natural de diversas espécies nativas.

O papel da ciência no equilíbrio dessa relação é abordado em Biodiversity in Agricultural Landscapes of Southeastern Brazil, publicado pela editora alemã De Gruyter. O livro reúne textos de pesquisadores de diversas instituições, que abordam as dimensões humanas e biológicas relativas à conservação da biodiversidade em paisagens alteradas do Sudeste do Brasil, contemplando fauna e flora.

“O que antes era visto como um conflito, a relação entre produção e conservação, hoje se apresenta como uma interdependência. Mas, para que essa relação ocorra de maneira equilibrada, é preciso conhecer em profundidade a biodiversidade dessas paisagens agrícolas, contribuindo para o desenvolvimento da agricultura e também para a conservação das espécies”, disse Luciano Martins Verdade, professor do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena) da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do programa BIOTA-FAPESP.

Verdade, que é um dos editores do livro, conta que muito do conhecimento apresentado na obra é derivado das pesquisas realizadas no âmbito do BIOTA, cujo objetivo é conhecer, mapear e analisar a biodiversidade do Estado de São Paulo, incluindo a fauna, a flora e os microrganismos, avaliando as possibilidades de exploração sustentável de plantas ou de animais com potencial econômico e subsidiando a formulação de políticas de conservação.

“Graças ao conhecimento acumulado ao longo de inúmeras dessas pesquisas foi possível apresentar uma revisão histórica dos processos que mudaram a paisagem no Estado de São Paulo e que seguem provocando importantes transformações”, disse.

A partir desse panorama, os autores discutem, já no primeiro capítulo, os principais elementos que caracterizam uma área bem preservada, tratando dos diferentes tipos de pressão que os hábitats sofrem e dos processos ecológicos resultantes delas, além do papel das populações locais em iniciativas de conservação. São abordados a história da agricultura no estado, os impactos agrícolas na vida selvagem e perspectivas para o futuro do setor, entre outros temas.

Nos capítulos seguintes é travada uma discussão sobre a atenção dada por pesquisadores às influências da atividade humana sobre as espécies selvagens e seus hábitats, como os impactos da construção de estradas.

“A maioria dos biomas tem sido intensamente modificada, mas alguns ainda são capazes de preservar uma biodiversidade considerável. O caminho para um equilíbrio não deve se restringir à biologia, mas também contemplar todas as dimensões humanas envolvidas para que se possa alcançar o ideal de conservação da biodiversidade em paisagens agrícolas”, disse Verdade.

Também é abordada a biodiversidade para além das plantas e dos animais, contemplando os microrganismos do solo. O capítulo 5, por exemplo, trata dos mecanismos de avaliação da diversidade e da estrutura das comunidades microbianas do solo por meio de ferramentas moleculares.

Também são apresentadas tecnologias de sequenciamento, técnicas biogeoquímicas para avaliação da qualidade da fertilidade do solo e aspectos relacionados à biomassa microbiana.

Os autores apresentam ainda estudos de caso sobre a relação entre a diversidade de aves e o uso da terra em paisagens agrícolas, os padrões alimentares de macacos bugios em uma floresta urbana, a geometria de determinadas paisagens e os padrões de queda de folhas em uma região do Sudeste brasileiro.
 
O livro está disponível na íntegra, em acesso aberto e para download gratuito, no site da editora. Também é possível comprar exemplares impressos.


USP de Ribeirão Preto, SP, cria ‘rato virtual’ para testes de comportamento...

 


Um grupo de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto (SP) criou um sistema que dispensa a utilização de ratos de verdade em testes comportamentais.

Desenvolvida pelo departamento de computação e matemática, a plataforma dispõe de animais virtuais e é inspirada nas ligações cerebrais de um roedor real para detectar alterações ligadas à ansiedade e ao medo.

“Essa rede neural artificial é inspirada nos neurônios, no sistema nervoso, simula o cérebro de um rato real. Com base nisso, temos o controle do nosso rato virtual. Esses ratos são postos no labirinto virtual para andarem e serem testados assim como um rato real em um labirinto real”, diz a pesquisadora Ariadne de Andrade Costa.

Mais rápido – O método convencional difundido em todo o mundo consiste da utilização de ratos de verdade, cujas reações são detectadas dentro de uma estrutura chamada de labirinto de cruz. Depois do teste, o roedor é sacrificado, pois, para cada novo procedimento, é necessário utilizar um animal diferente, explica o psicólogo Rafael Bonuti.

“Nós só usamos o rato uma vez. Se a gente reexpor o animal ao teste, ele se acostuma e o comportamento dele vai mudar”, afirma.

Além do potencial de acabar com o sacrifício de ratos, o sistema computadorizado tende a ser mais rápido que o método convencional, que demora em média cinco minutos por procedimento para apresentar resultados.

O modelo virtual simula os efeitos das drogas que diminuem e aumentam respectivamente os níveis de ansiedade em um mesmo animal virtual e em questão de segundos.

O resultado dos testes é dado em números e códigos que representam a reação dos animais.

“A gente consegue reproduzir o comportamento de ratos não apenas sem drogas, mas também de ratos em que foram inseridas drogas, mudando apenas um parâmetro”, explica Ariadne.

Coordenador do projeto, Renato Tinós explica que o sistema representa uma evolução para a área da psicobiologia e também para teorias sobre a inteligência artificial.
 
“Possibilita que se reduza o número de experimentos com os ratos reais, que têm que ser sacrificados no final. A segunda contribuição é para área de computação, porque esses modelos possibilitam testar teorias de inteligência artificial. Com isso, pesquisadores da área podem desenvolver novos programas e testar novas teorias.”


Conhecimento tradicional contribui para novo método de pesquisa para busca e captura de pacas na Amazônia...

 


A pesquisa científica sobre aspectos biológicos e ecológicos de animais silvestres apresenta um desafio: a detecção e captura desses animais em ambiente natural. Na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Amanã, no Amazonas, pesquisadores do Instituto Mamirauá encontraram uma técnica eficiente para a captura de pacas (Cuniculus paca), com a colaboração dos moradores de comunidades locais. O método foi descrito em artigo divulgado recentemente na revista científica internacional Wildlife Biology.

Hani Bizri, pesquisador do Instituto Mamirauá, unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, destaca que a maioria das informações biológicas conhecidas sobre as pacas vem do estudo em cativeiro. De acordo com o pesquisador, a falta de métodos apropriados para captura dos animais, dificulta a coleta de dados científicos que possam auxiliar no desenvolvimento de estratégias de conservação.

A paca é um roedor de grande porte que pesa em média 8 kg. “Apesar do seu tamanho, existe uma grande dificuldade de se obter dados científicos sobre a espécie, pois é um animal estritamente noturno, bastante elusivo e que vive em buracos na terra”, explica Hani.

“A partir da captura, podemos, por exemplo, usar radio-colares para monitorar o deslocamento dos indivíduos, podemos obter amostras de sangue, pelo e pele para pesquisas sobre zoonoses e reprodução”, contou Hani. Após a captura para a coleta de dados, os animais são novamente devolvidos à vida livre, em ambiente natural.

Durante a realização da pesquisa, foram testadas três técnicas em campo, comparando a relação de eficácia e custo das metodologias. O método apresentado no artigo pelos pesquisadores demonstrou resultados mais eficientes e baratos que técnicas científicas convencionais. Esse método foi desenvolvido a partir da adaptação e padronização científica da técnica executada por moradores locais, e realizado com aporte dos conhecimentos tradicionais de caça para subsistência na Amazônia.

Hani ressalta que dois assistentes de pesquisa tiveram participação importante para a pesquisa, que são moradores da comunidade Ubim, localizada na Reserva Amanã. O pesquisador ressalta que “apesar da caça afetar as populações de paca na Amazônia, esta atividade também pode servir como um auxiliador do desenvolvimento de estratégias de conservação para a espécie. Isso porque os moradores locais, de alguma forma, conseguem detectar e se aproximar dos animais para abatê-los”.

A proposta do trabalho foi a utilização de cães para a detecção das pacas na floresta, técnica tradicional de caça na Amazônia. “Discuti bastante essa técnica junto com os moradores locais, que me auxiliaram na padronização do método a partir do conhecimento tradicional sobre a espécie. Nós usamos dois cães de caça da comunidade, que identificavam as locas e expulsavam as pacas para a água, onde capturávamos com redes. O trabalho mostrou que a técnica de caça foi bem mais eficiente, 4 vezes mais do que as gaiolas com iscas usadas em outros locais, demonstrando o grande valor do conhecimento tradicional para aprimorar a ciência. Os moradores locais sentiram-se muito valorizados e também entraram como autores do trabalho”, reforçou Hani.

O pesquisador ressalta que, apesar de ser considerada como “pouco preocupante” pela International Union for Conservation of Nature (IUCN), a paca sofre ameaças localmente. “Ela se encontra em algum grau de ameaça em metade das listas vermelhas estaduais no Brasil, sendo que os principais fatores para isso é a perda de habitat e a caça. A paca é um animal bastante caçado especialmente na Amazônia, servindo como um importante alimento para os moradores das comunidades locais. Entretanto, na maioria dos trabalhos neste bioma a caça de paca é considerada insustentável”, disse Hani.

Metodologia e resultados – Foram realizadas expedições de campo entre agosto de 2013 e outubro de 2014, englobando o período de seca e cheia na região. Foi delimitada uma área de 10 hectares, onde foram aplicados os três métodos de captura: técnica de caça tradicional com cães, instalação de redes em tocas e instalação de armadilhas com iscas.

O primeiro método obteve 75% de sucesso na captura dos animais detectados, enquanto apenas uma paca foi capturada com a instalação das redes e nenhuma com as armadilhas, que ainda capturou dois animais que não eram contemplados na pesquisa e também se destacou como o método mais caro.

Na utilização da técnica de caça tradicional, dois cães treinados previamente por moradores locais ajudaram na detecção dos animais, expulsando-os para fora das tocas, momento em que eram capturados por rede. As buscas aconteceram durante a manhã. Para diminuir os riscos de zoonoses ou ferimentos entre os animais, os cães foram tratados e acompanhados de perto durante a atividade.

No segundo método testado, foram instaladas redes sobre buracos de fuga das tocas após. A equipe percorria as áreas demarcadas pela pesquisa para encontrar o animal, seus rastros ou sua toca. Após a instalação das redes, os animais são expulsos das tocas com o movimento de galhos e ramos. Essa técnica já era sugerida em outros estudos com a espécie.

No outro método, foram instaladas 55 armadilhas camufladas no ambiente, com iscas feitas com uma mistura de banana, mandioca e inhame. As armadilhas eram revisadas durante a noite. Esse método também é indicado para realização de pesquisas com pequenos mamíferos.

Os resultados positivos da pesquisa demonstram que a técnica bem-sucedida pode contribuir para outras pesquisas com a espécie. “Esta técnica é bastante eficiente e poderá ser aplicada em todo o bioma amazônico para obter dados antes impossíveis de se conseguir em campo, como informações reprodutivas e de saúde dos animais e a densidade populacional, e essas informações podem subsidiar estratégias de conservação adequadas para garantir uma exploração sustentável da espécie”, completou Hani.


“Invisíveis”, painéis solares na água viram opção para produzir energia...

 


Uma área de painéis solares azuis se estende por uma parte do reservatório da barragem Yamakura, província de Chiba, no Japão.

Em dois anos, se a construção seguir como planejado, 50.904 painéis vão flutuar sobre o reservatório gerando estimados 16.170 megawatts hora anualmente, eletricidade suficiente para abastecer quase cinco mil casas, segundo a Kyocera, empresa que está construindo a usina solar.

Quando completado, o projeto será a maior instalação do gênero no mundo, e os dispositivos solares flutuantes estão se tornando mais populares, com instalações já operando na Austrália e nos Estados Unidos, e outras mais planejadas ou em construção.

O interesse crescente é movido em parte pelo aumento enorme no mercado solar nos últimos anos enquanto o custo da tecnologia caiu rapidamente.

Dispositivos solares flutuantes — muitas vezes chamados de “floatovoltaics”, nome registrado por uma empresa — também têm vantagens sobre os painéis solares em terra, afirmam seus defensores. Alugar ou comprar terra é mais caro, e existem menos regras para estruturas construídas em reservatórios, lagos para tratamento de água e outros corpos de água não usados para recreação. Ao contrário da maioria das usinas solares terrestres, os dispositivos flutuantes também podem ser ocultos do público, motivo que levou a empresa sem fins lucrativos Sonoma Clean Power a procurar a tecnologia.

“O condado de Sonoma tem alguns dos morros mais lindos, e as pessoas não os querem ver recobertos de painéis solares”, diz Rebecca Simonson, analista de energia do desenvolvedor de energia renovável, que fechou acordos de compra para painéis solares flutuantes serem construídos em seis lagos de água tratada no condado. Segundo ela, os painéis solares não seriam visíveis da estrada.

Os dispositivos flutuantes têm outras vantagens. Eles ajudam a impedir a evaporação da água, tornando a tecnologia atraente em áreas assoladas pela seca e restringem o crescimento de algas. E eles são mais eficientes do que os painéis terrestres porque a água os resfria.

“A eficácia foi o que nos motivou a examinar isto”, afirma Rajesh Nellore, diretor executivo da Infratech Industries, que completou a primeira parte de uma usina solar flutuante em Jamestown, Austrália, que terminará cobrindo cinco bacias de tratamento de água. Após entrar em operação no ano passado, a instalação foi construída de tal forma que gere até 57 por cento de energia a mais do que uma usina solar instalada em telhado — espera-se que quando pronta gere 20 por cento a mais de energia do que uma instalada em terra.

Os painéis recebem uma cobertura especial para impedir a corrosão, e são instalados em um sistema de rastreamento que acompanha os movimentos para maximizar a luz solar durante o dia. A empresa está trabalhando num projeto similar em Holtville, cidade pequena no sul californiano, que há anos sofre com a seca.

Nellore observa que cada projeto solar flutuante tem seus próprios desafios de engenharia. Por exemplo, os painéis solares podem enfrentar ventos mais fortes do que os em terra. De acordo com ele, no entanto, o maior obstáculo que enfrentou foi convencer as agências hídricas do governo de que a tecnologia flutuante atendia a seus interesses.

“A questão está limitada aos incentivos existentes e ao que o governo deseja”, diz Nellore. Ele comentou que em Los Angeles, o Departamento de Água cobriu um reservatório com o equivalente a US$ 34,5 milhões de bolas pretas plásticas para reduzir a evaporação; os painéis solares flutuantes poderiam ter servido ao mesmo propósito e ainda gerado energia.

A Kyocera, por sua vez, recorreu aos painéis flutuantes porque a energia solar se tornou tão popular no Japão que é difícil encontrar grandes áreas de terra para a montagem de painéis típicos, explica a porta-voz, Natsuki Doi. Segundo ela, o tempo de construção e o trabalho para montar um dispositivo flutuante foram muito menores do que uma instalação em terra firme.

A vinícola Far Niente, em Oakville, Califórnia, foi uma das pioneiras dos painéis solares flutuantes, colocando 994 em plataformas sobre um lago para irrigação em 2008. Greg Allen, vinicultor da Far Niente que é engenheiro mecânico por formação, conta que a empresa estava interessada em energia solar e desejava eliminar cem por cento de seus custos energéticos.

Descontos da empresa fornecedora de energia e créditos fiscais ajudaram a financiar parte dos US$ 4,2 milhões para a construção do dispositivo flutuante, que levou dois anos e meio para ser projetado e construído, e mais 1.302 painéis solares foram colocados em terra. Espera-se que o sistema pague o investimento até 2020, diz Allen.

Os painéis solares de 90 centímetros por 150 centímetros no lago são montados sobre plataformas flutuantes plásticas preenchidas com espuma, feitas com canos de água.

“Estávamos nervosos com muitas coisas quando começamos o projeto”, conta Allen. Colocar os painéis na água economizou espaço na vinícola, e o sistema de flutuação, em conjunto com os painéis em terra, geram até 477 quilowatts de eletricidade no pico da produção.

Pelo menos mais uma vinícola seguiu o exemplo, e Allen diz que a Far Niente recebeu visitantes da Índia, China, Cingapura e de Novas Gales do Sul, Austrália, que estão interessados na tecnologia.

Os moradores do lago parecem tranquilos, acrescenta.
 
“Os peixes estão contentes, as rãs estão contentes, os patos voltaram. É um lago muito saudável.”


Governos pactuam 25 estratégias para impulsionar Acordo sobre Clima de Paris...

 



Mais de 150 ministros de todo o mundo reunidos na segunda Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA-2) pactuaram 25 estratégias com as quais buscam aplicar o acordo contra a mudança climática alcançado em Paris e a seção meio ambiental da Agenda 2030.
“Com consenso global, estamos tomando medidas para conseguir uma transformação real de nossos modelos de desenvolvimento”, destacou o diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), Achim Steiner, em comunicado divulgado na madrugada deste sábado.
Após uma semana de intensos debates em Nairóbi, a UNEA-2, conhecida como o “parlamento do Meio Ambiente”, acordou estratégias conjuntas para fazer frente à contaminação marinha, o tráfico de vida selvagem, a poluição do ar e os produtos e resíduos químicos, entre outros.
Por exemplo, os governos se comprometeram a adotar novas medidas em nível nacional para prevenir e combater o tráfico de fauna selvagem, que a cada ano movimenta até US$ 150 milhões e está pondo em perigo de extinção muitas espécies de todo o planeta.
Entre as medidas, figura o fortalecimento da luta contra a corrupção e o desenvolvimento de meios de vida sustentáveis e alternativos para as comunidades afetadas pelo impacto adverso do comércio ilegal.
Perante os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) que apontam que 12,6 milhões de mortes são atribuíveis a fatores ambientais a cada ano, os Estados se comprometeram a implantar medidas nacionais para melhorar a reciclagem de baterias de chumbo e pediram ao setor privado um maior envolvimento na gestão dos produtos e resíduos químicos.
Também se comprometeram a redobrar os esforços e a cooperação para evitar que se perca uma terceira parte de todos os alimentos produzidos anualmente, e conseguir portanto que a produção e o consumo sejam sustentáveis.
Durante a assembleia também foi abordado como a mudança climática é um novo fator de tensão a levar em conta nos conflitos armados por seu efeito multiplicador sobre outras causas como a desigualdade social e as disputas políticas.
Por isso, a UNEA-2 pediu aos Estados que cumpram com suas obrigações internacionais e protejam o meio ambiente durante os conflitos armados.
“A UNEA-2 proporcionou a liderança e a orientação que o mundo necessita para tomar estas medidas sem precedentes”, afirmou Steiner.

A UNEA é o órgão convocado ao mais alto nível nesta matéria na história da ONU e aspira se transformar na autoridade mundial em matéria meio ambiental.


terça-feira, 24 de maio de 2016

A lucrativa – e benéfica – indústria que fabrica papel a partir de fezes de elefante...

 




O empreendedor queniano John Metano descobriu uma forma de aproveitar as fezes dos elefantes para lucrar. O empresário de 58 anos usa o esterco do animal para produzir papel.

“Sempre me perguntam se o papel de fezes de elefante tem uma qualidade razoável, e a resposta é sim, sem dúvida”, garante Metane, que emprega 42 pessoas em sua empresa e tem um lucro anual de US$ 23 mil.

Para manter sua fonte de produção contínua, o empreendedor é um forte apoiador da preservação dos elefantes.

Apesar de algumas pessoas acharem estranho pensar que as fezes de um elefante possam se converter em papel, essa é uma indústria crescente no Quênia.

Atualmente, 17 empresas participam desse negócio “peculiar”, de acordo com os números oficiais.

A maior parte delas está concentrada no santuário de Mwaluganje, uma zona de proteção de elefantes de 36 quilômetros quadrados a 45 km da cidade de Mombasa.

A indústria de papel de esterco de elefante teve início em um projeto piloto em 1994. Foi só uma década mais tarde, porém, que seu produto final começou a ser comercializado por agricultores locais como Matano.

Por gerações, os habitantes da região tiveram de conviver com os elefantes que viviam na reserva estatal de Nacional Shimba Hills. Eles invadiam suas propriedades e destruíam seus cultivos, o que gerava conflitos graves entre as pessoas e os animais.

Por conta disso, o santuário Mwaluganje foi criado em 1993 junto à reserva nacional, tanto para proteger os elefantes como para ajudar os cerca de 200 agricultores locais (o projeto tem financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional e da fundação britânica Born Free Foundation).
 
A ideia era que os agricultores da região recebessem uma parte do lucro do santuário com turismo para compensá-los pela destruição de cultivos pelos elefantes.

Além disso, o santuário buscava estimular os agricultores a explorarem novas fontes de receitas como a apicultura e a venda de esterco de elefante na cadeia de produção de papel.

Como se faz – Segundo Matano, é “fácil” fabricar papel a partir do esterco de elefante.
Primeiro, é preciso lavar as fezes, que estão cheias de ervas e outras fibras vegetais decompostas no sistema digestivo do animal.

“Depois, ferve-se a fibra por quatro horas para garantir sua limpeza. A maior parte do processo restante é parecido ao da fabricação de papel normal (da madeira)”, diz Matano.

“Um elefante médio consome 250 quilos de comida por dia. A partir dessa quantidade são produzidos 50 quilos de esterco, que podem originar 125 folhas de papel tamanho carta.”

Ele assegura que tanto o preço quanto a qualidade desse produto são similares aos do papel normal, com a vantagem de o método alternativo ajudar a reduzir o desmatamento.

“Isso previne a destruição de árvores nativas em florestas da região”, diz Matano, que agora tem escritórios de sua empresa em Mombasa e na capital, Nairóbi.

“O negócio é estável e tem um futuro promissor. É importante para que a caça (de animais selvagens) e a exportação ilegal de madeira se reduzam até serem zeradas.”

Proteção e negócio – O Serviço de Vida Silvestre do Quênia (KWS, na sigla em inglês), uma agência do governo, diz que a indústria do papel feito de fezes de elefante está ajudando a proteger as cerca de 7 mil espécimes que vivem no Quênia e a reduzir o desmatamento ilegal.

“É um esforço importante, que ajuda a fazer as pessoas conviverem bem com os elefantes”, afirma Paul Gathitu, porta-voz da organização.

Segundo Kafe Mwarimo, diretor do santuário de Mwaluganke, essa indústria já ajudou mais de 500 moradores da região a saírem da pobreza.

Também há médias e grandes empresas de olho no filão. Na Transpaper Kenia, uma conhecida produtora de papel sediada em Nairóbi, cerca de 20% da produção já provêm de esterco de elefante.

“O papel feito a partir dos excrementos do elefante tem a mesma qualidade que o papel ‘normal’. E o preço também é praticamente o mesmo”, diz Jane Muihia, da Transpaper Kenia.

“Ele não tem cheiro ruim, passa pelas mesmas etapas habituais de fabricação do papel.”
Muihuia afirma que sua empresa produziu 2.809 toneladas de papel usando esterco de animais no ano passado – e espera que esse número triplique até o final do ano.


Poluição causa mais mortes prematuras que conflitos armados...

 


A poluição e a degradação do meio ambiente causam a morte prematura de 12,6 milhões de pessoas por ano, número 234 vezes superior ao provocado pelos conflitos armados.

Assim revela um relatório apresentado nesta segunda-feira na inauguração da segunda Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unea-2), que nesta semana reúne em Nairóbi delegados de 173 países para estabelecer acordos que permitam um desenvolvimento sustentável.

A assembleia, a instituição mais importante em nível mundial em matéria meio ambiental, tem como objetivo introduzir uma nova perspectiva na defesa da natureza: a proteção da saúde humana.

“Nossas economias matam muita gente em nome do desenvolvimento, uma de cada quatro ou cinco mortes prematuras são causadas por nós mesmos. É o que se chama massacre ou assassinato”, disse o diretor do Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (Pnuma), Achim Steiner.

Segundo o citado estudo, intitulado “Meio ambiente saudável, gente saudável”, mais de 25% das mortes de crianças menores de cinco anos e 23% das mortes registradas a cada ano se devem à deterioração do meio natural.

A maior parte destes falecimentos se concentra no Sudeste Asiático e no oeste do Pacífico, com 28% e 27% do total, respectivamente.

Na África Subsaariana, estima-se que 23% das mortes estão relacionadas com a poluição; 22% no leste do Mediterrâneo, 15% na Europa e em torno da mesma porcentagem no continente americano.

Uma das provas que demonstram o vínculo cada vez mais próximo entre meio ambiente e a saúde é o aumento das doenças não transmissíveis ou crônicas, que matam 38 milhões de pessoas a cada ano, 75% delas em países de rendas médias e baixas.

Assim, a poluição ambiental, na origem de muitas doenças respiratórias, mata 7 milhões de pessoas anualmente, 4,3 delas pelas más condições de vida nos ambientes domésticos de países em desenvolvimento.

O aumento destas afecções crônicas é uma das razões pelas quais a Unea pôs o foco na saúde humana. “Temos que investigar as causas de por que o meio ambiente é um grande problema para a saúde humana”, ressaltou a cientista chefe do Pnuma, Jacqueline Mcglade.

As doenças infecciosas originadas nos animais ou zoonose, como o ebola e zika, representam já 60% de todas as que afetam os humanos.

O tráfico ilegal de animais, disse, é uma das razões pelas quais estas doenças estão chegando com maior facilidade às pessoas.

A falta de acesso à água potável e sistemas sanitários mata 842 mil pessoas de diarreia anualmente, sobretudo em países pobres, e a exposição a compostos químicos tóxicos causa 654 mil mortes.

Nos últimos 20 anos, mais de 600 mil pessoas morreram por desastres naturais.

A UNEA-2 debate nesta semana em Nairóbi como tornar realidade o pacote de medidas para proteger os ecossistemas previsto na Agenda 2030 que estabelece os objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU e o Acordo de Paris sobre a Mudança Climática (COP21).

Além deste marco multilateral, os delegados debaterão medidas para lutar contra o tráfico ilegal da flora e de fauna e dos resíduos tóxicos, pela defesa dos oceanos, pela redução do impacto dos conflitos armados no meio ambiente e pela melhora da saúde humana.

O presidente da Unea-2, o costa-riquenho Edgar Gutiérrez, ressaltou o grande desafio que enfrenta nesta semana o conhecido como “parlamento do meio ambiente”.
 
“Temos que enviar uma mensagem que chegue ao povo. Que alguém na rua leia e diga: estão falando para mim e tenho que mudar”, manifestou.


Futuro da Antártica é debatido no Chile com foco nas mudanças climáticas...

 

 

A 39ª reunião consultiva do Tratado Antártico, entidade que busca ajustar as regras de cooperação internacional no Continente Branco, começou nesta segunda-feira (23) em Santiago, no Chile, com mudanças climáticas, turismo e exploração científica no centro da agenda.

No 25º aniversário do protocolo sobre preservação do meio ambiente assinado em Madri, representantes de mais de 50 países vão elaborar propostas e adotar resoluções para coordenar a administração de recursos e conservação da Antártica.

“O que vai marcar essa reunião é a dimensão ambiental, o desafio crescente das mudanças climáticas”, afirmou o chanceler chileno, Heraldo Muñoz, em coletiva de imprensa antes da abertura do evento.

Muñoz ressaltou que a dimensão ambiental se somará ao debate sobre os protocolos de cooperação científica.

Nesse sentido, o chanceler afirmou que é essencial que os países interessados em explorar o Continente Branco utilizem as bases já existentes, evitando, assim, aumentar a poluição com a construção de novas instalações.

Também foram discutidas fórmulas para administrar o turismo antártico.

“Há um patrimônio que precisa ser cuidado, porque há um crescente turismo antártico, a quantidade de turistas (…) se multiplicou, trazendo a necessidade de aumentar os controles”, disse Muñoz.

Sobre a reivindicação histórica do Chile de ter soberania sobre uma parte desse território, considerando que é o país com as fronteiras mais próximas ao Continente Branco, Muñoz lembrou que o Chile decidiu, junto com outros países que também reivindicam soberania, congelar suas aspirações para garantir a harmonia na administração da zona.

O chanceler ressaltou, ainda, que o Chile defende “uma moratória em relação à extração mineral no continente antártico, um contrapeso para que seja um continente para a exploração científica, e não para a exploração [econômica em geral]“.
 
Firmado em Washington em 1959 por 12 Estados, o Tratado Antártico permite um modelo único de administração desse território.

Beleza natural...


Diga não a PEC 65/2012...


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Meteorito pode ter sido causa de brilho e estrondo no céu do México...

 


O astrônomo José Ramón Valdés, da Coordenação de Astrofísicos do Instituto Nacional de Astrofísica, Óptica e Eletrônica, declarou neste sábado (21) que o evento que se viu e escutou durante a madrugada foi a passagem pela atmosfera de um meteorito que cortou os céus da região central do México.

Em entrevista coletiva, o cientista afirmou que a interação do objeto com a atmosfera gerou uma onda de choque que foi visível e perceptível para a população.

Apesar de sentido e visto como um fenômeno próximo, o astrônomo afirmou que o meteorito deve ter passado a mais de 1.000 quilômetros de altitude. “Os asteroides grandes podem ser monitorados, podemos ver sua trajetória no Sistema Solar. O problema são os pequenos, esses não os podemos ver”, declarou Valdés.

Ele explicou que “estes objetos são remanescentes da formação do Sistema Solar, de nosso planeta”, por isso que são de importância científica para reconstruir a história do sistema planetário ao que pertence a Terra.

Valdés também explicou que se trata de objetos que podem ser formados por rocha ou metais, e que o desta madrugada “tudo indica que foi de pedra pequena”.

“Há muitos, mas poucos chegam à superfície. É preciso estarmos preparados para um grande; esses sim são mortais e acabariam com uma cidade inclusive, e são os que estamos monitorando”, especificou o especialista.

Esta madrugada, a plataforma de alertas SkyAlert reportou que um brilho acompanhado de um estrondo foi registrado no centro do México, e atribuiu o fenômeno a um possível “bólido ou meteoro”.

A SkyAklert, uma plataforma extraoficial que alerta sobre fenômenos sísmicos, vulcânicos e atmosféricos, detalhou através da rede Twitter que ao redor de 1h47 (horário local, 3h47 em Brasília) “se viu uma luz e escutou uma explosão”, e acrescentou que os relatos do fato chegam de Puebla, Cidade do México, Estado do México e Tlaxcala.

“É muito provável que a explosão do possível ‘bólido ou meteoro’ tenha ocorrido durante sua entrada na atmosfera terrestre. Não foram reportados danos, por isso que também é provável que não impactou em terra”, afirmou.

“O céu se iluminou, como quando cai um raio, e durante poucos segundos se viu um objeto laranja como um foguete que recém explode”, disse à Agência Efe Eduardo Bravo, morador de Puebla que testemunhou o fenômeno quando estava em seu veículo.

Outros o sentiram em suas casas como um estrondo que fez vibrar portas, janelas e paredes. “Se escutou como se alguma coisa tivesse explodido”, declarou Julián Peña, que estava em casa, em uma conversa por telefone com a Efe.


Pesquisadores desenvolvem leite mais saudável...

 


A adição de óleo de canola na ração de vacas leiteiras pode tornar o leite produzido pelos animais mais saudável e apresentar outros benefícios que não apenas os nutricionais, como diminuir o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares, autoimunes e inflamatórias.

As constatações são de um estudo feito por pesquisadores da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA-USP), campus de Pirassununga.

Resultado de um projeto de pesquisa e de um estudo de mestrado feitos com apoio da FAPESP, o estudo levou à publicação de um artigo na revista PLoS One.

“Conseguimos melhorar a qualidade nutricional da gordura do leite produzido por vacas por meio da adição de óleo de canola à dieta dos animais”, disse Arlindo Saran Netto, professor da FZEA-USP e coordenador do projeto, à Agência FAPESP.

Eles adicionaram óleo de canola à ração de vacas para avaliar o efeito da inclusão de diferentes níveis do lipídeo na produção e na composição do leite e alterar a qualidade da gordura da bebida ao diminuir a concentração de ácidos graxos saturados e melhorar a proporção de ácidos graxos insaturados ômega 6 e ômega 3.

Os ácidos graxos saturados – ou gordura saturada – têm sido identificados como precursores de doença cardiovascular. Já os ácidos graxos insaturados – ou gordura insaturada –, como o ômega 6 e ômega 3, contribuem para reduzir os níveis de LDL (“mau colesterol”) e o risco de desenvolvimento de doenças cardíacas, apontam especialistas na área.

“O leite e outros produtos de origem animal têm sido apontados como vilões da dieta humana devido a sua grande quantidade de ácidos graxos saturados e baixa concentração de ácidos graxos insaturados ômega 3”, explicou Saran Netto.

“Mas estudos anteriores ao nosso já haviam demonstrado que a inclusão de óleos vegetais, como o de canola, que é fonte de ômega 3, podia alterar o perfil de ácidos gordos do leite, aumentando a concentração de ácidos graxos insaturados e diminuindo o teor de ácidos graxos saturados. Porém, a maioria desses estudos não avaliou a inclusão de altos níveis de óleo de canola, por exemplo, na dieta de vacas leiteiras”, afirmou.

Dosagem ideal – A fim de avaliar a dosagem ideal de inclusão de óleo de canola na dieta de vacas leiteiras, eles selecionaram 18 vacas da raça Holandesa, com produção diária média de 22 litros por dia, em duas ordenhas diárias, e em estágio intermediário de lactação. Os animais foram submetidos a três tipos de dietas diferentes, com 21 dias de duração cada, sendo 14 dias de adaptação à dieta e sete dias de coleta de amostras de sangue e de leite produzido.

No primeiro tipo de dieta, as vacas consumiram um concentrado à base de farelo de soja e fubá e silagem de milho. Já na segunda dieta, se alimentavam do concentrado com 3% de óleo de canola. E no terceiro tipo de dieta, recebiam o concentrado com 6% de óleo de canola.

Os resultados dos experimentos indicaram que a inclusão de 6% de óleo de canola na dieta de vacas em lactação reduziu em 20,24% a concentração de ácidos graxos saturados no leite.

Além disso, diminuiu em 39,20% a proporção entre ácidos graxos saturados e insaturados e em 39,45% a proporção entre gorduras insaturadas ômega 6 e ômega 3 pelo aumento da concentração de ômega 3.

“Queríamos melhorar a relação entre ômega 6 e ômega 3 no leite de vaca, uma vez que o equilíbrio da proporção entre esses ácidos graxos insaturados na dieta pode trazer efeitos benéficos à saúde, como prevenir a ocorrência de doenças cardiovasculares, autoimunes e inflamatórias”, explicou Saran Netto.

Os pesquisadores estimaram que a adição de 6% de óleo de canola na dieta das vacas leiteiras reduziu em 48,36% o índice de aterogenicidade (capacidade de induzir a formação de aterosclerose) e em 39,86% o índice de trombogenicidade (capacidade de promover um ataque cardíaco ou acidente vascular cerebral) pelo consumo do leite com o perfil de gorduras modificado e maior teor de ômega 3.

Além disso, aumentou em 94,44% o índice h/H, que está relacionado com o risco de incidência de doenças cardiovasculares pela relação hipo ou hipercolesterolemia – quanto maior o índice, menor é a probabilidade.

Já em relação à composição do leite produzido pelos animais, a adição de 6% de óleo de canola na ração resultou em um aumento de 34,08% no teor de ácidos graxos insaturados e de 115% na concentração de ômega 3, afirmam os pesquisadores.

“A inclusão de óleo de canola na dieta das vacas em lactação tornou o perfil da gordura do leite que produziram mais saudável para a dieta humana”, disse Saran Netto.

Em contrapartida, a adição de 6% de óleo de canola na dieta das vacas diminuiu a produção de leite pelos animais em 2,5 litros por dia.

Os resultados das análises indicaram que a produção de leite diminuiu de acordo com o aumento da dosagem de óleo de canola na dieta das vacas, de 23,5 litros para 22,46 litros, quando a ração foi suplementada com 3% de óleo de canola, e de 22,46 para pouco menos de 20 litros quando foi adicionado 6% de óleo de canola na ração dos animais.

“Isso se deve ao fato de que qualquer óleo adicionado à dieta das vacas causa a diminuição da degradabilidade ruminal [a capacidade de degradar fibras] e da taxa de digestão dos animais, que passam a ingerir menos matéria seca e nutrientes. Isso acarreta uma diminuição do fluxo de nutrientes para a glândula mamária e, consequentemente, a redução da produção de leite”, explicou o pesquisador.

“Mas, agora, temos interesse em não só conseguir produzir leite com essa característica, mas também melhorar esse aspecto da produção”, afirmou.

Mais vantagensJá é comercializado em alguns países leite UHT com maiores teores de ômega 3, porém adicionado ao produto já industrializado, na fase de envase.

Algumas das vantagens de ter esses ácidos graxos insaturados disponíveis já naturalmente no produto, por meio da adição na ração das vacas leiteiras, segundo Saran Netto, são que podem ter maior biodisponibilidade e podem ser melhor absorvidos pelos consumidores.

“O custo desse leite com ômega 3 adicionado à ração das vacas leiteiras também pode ser um pouco menor do que um leite com o ingrediente adicionado na fase de envase, ainda que mais caro que um leite convencional”, afirmou o pesquisador.

Nenhum dos produtos desenvolvidos pelos pesquisadores nos últimos anos, como o leite com maior teor de ômega 6, selênio e vitamina E, chegou ainda ao mercado porque há a necessidade de realizar mudanças na logística das fazendas e dos laticínios para comercializá-los, apontou Saran Netto.

O leite com óleo de canola ou de girassol adicionado à ração das vacas leiteiras precisaria ser captado e processado pelo laticínio de forma separada em sua linha de envase, exemplificou.

“Ainda não há uma demanda alta que viabilize a produção desse tipo de leite diferenciado pelas fazendas produtoras de leite”, ponderou o pesquisador.

Os pesquisadores ainda não realizaram testes do leite com ômega 3 com consumidores para avaliar os benefícios à saúde proporcionados pelo consumo regular do produto.

A ideia, porém, é realizar um estudo em que irão adicionar óleo de soja e de canola na dieta de vacas leiteiras e estudar os efeitos do consumo de leite com maiores teores de ômega 6 e ômega 3 produzidos pelos animais em suínos, cuja fisiologia é muito parecida com a humana, comparou o pesquisador.

“Vimos os benefícios que a adição de óleo de canola proporcionou para a qualidade da gordura do leite e que podem ser estendidos para a saúde humana por meio do consumo do produto com maiores teores de ômega 3. Agora, pretendemos atestar os reais efeitos usando suínos como modelo”, explicou Saran Netto.

Produtividade e qualidade – Saran Netto e colegas da FZEA-USP têm se dedicado nos últimos anos a melhorar a produtividade e a qualidade nutricional de produtos de origem animal, como leite e carne, por meio da suplementação da ração dos animais com vitaminas, minerais e antioxidantes, entre outros ingredientes funcionais.

Por meio de um projeto anterior, também financiado pela FAPESP, eles adicionaram óleo de girassol com selênio orgânico e vitamina E à ração de vacas.

Com isso, conseguiram não só melhorar a saúde e a produção leiteira dos animais, como também melhorar a conservação do produto e os níveis do mineral e da vitamina no sangue de crianças que consumiram o produto.

Já no início de 2014, por meio de um segundo projeto, produziram carne com menor nível de colesterol ao suplementar a ração de bois com vitamina E, selênio e óleo de girassol.

Mais recentemente, por meio de outra pesquisa, eles adicionaram vitamina E, óleo de canola e selênio na dieta de bois para avaliar os efeitos da suplementação desses ingredientes na expressão gênica, qualidade da carne e sistema imune dos animais.

Estudo revela como o vírus Zika mata as células cerebrais...

 


Estudos recentes têm mostrado que as células progenitoras neurais – um tipo de célula-tronco capaz de se transformar em neurônios e em células da glia – são os alvos preferenciais do vírus Zika quando ele infecta o cérebro de bebês em gestação.
 
Uma nova pesquisa, divulgada por um consórcio de pesquisadores brasileiros, esmiuçou os mecanismos moleculares que são ativados durante a infecção viral e acabam levando essas células à morte.
 
Os resultados podem guiar os cientistas na busca por medicamentos capazes de evitar ou, ao menos, minimizar o dano causado pelo vírus no sistema nervoso central.
 
“Já se sabia que as células progenitoras neurais são as que mais morrem em decorrência da infecção pelo Zika e, agora, nós mostramos como elas morrem. Os dados indicam que a replicação viral causa uma instabilidade genômica e isso resulta em interrupção do ciclo celular. A célula não consegue mais se proliferar, nem dar início ao processo de diferenciação e acaba entrando em apoptose [morte programada]”, disse Juliana Minardi Nascimento, pós-doutoranda do Laboratório de Neuroproteômica do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coautora do artigo.
 
As conclusões são baseadas em análises de proteômica (conjunto de proteínas presentes na célula) e de transcriptômica (do conjunto de genes expressos) feitas in vitro, com culturas tridimensionais de células progenitoras neurais.
 
“Em vez de cultivar as células em placas de vidro convencionais, nós as colocamos em rotação, sob condições bem específicas, para que assumam um formato tridimensional e formem as chamadas neuroesferas. A formação de neuroesferas marca o início do processo de diferenciação celular ou neurogênese”, explicou Nascimento, cuja pesquisa, intitulada “Proteômica quantitativa de linhagens neurais e organoides cerebrais derivados de células-tronco de pluripotência induzida de pacientes com esquizofrenia”, tem apoio da FAPESP.
 
A vantagem do modelo é que ele mimetiza melhor o funcionamento celular in vivo. “Na cultura bidimensional, elas só conseguem interagir com células que estão imediatamente ao seu lado. No modelo tridimensional, a comunicação ocorre com todas ao redor e fica mais parecido com o cérebro de um embrião em estágio rudimentar de desenvolvimento”, disse a pesquisadora.
Antes de dar início ao procedimento para a formação de neuroesferas, os pesquisadores infectaram parte das células com o vírus Zika. Foi usada uma amostra da linhagem brasileira isolada de um paciente de Pernambuco.
 
“As culturas ficaram em contato com o vírus durante duas horas e, depois, ele foi inativado e teve início o processo de indução de neuroesferas. As células infectadas chegaram a se agregar em esferas, mas não progrediram muito. Após seis dias, as neuroesferas começaram a se desmanchar e, após 12 dias, não restava praticamente nada nas culturas infectadas”, contou Nascimento.
 
No terceiro dia após a infecção, o grupo observou que as culturas expostas ao Zika haviam crescido 40% menos que as do grupo controle. As análises de proteômica indicaram 458 proteínas alteradas, sendo que 199 delas estavam menos expressas do que nas células controle e 259 estavam com a expressão aumentada.
 
“Muitas proteínas de tradução [que traduzem o RNA mensageiro para formar uma nova proteína] estavam alteradas, o que é comum em infecções virais, pois esse tipo de patógeno usa o maquinário da célula para produzir suas próprias proteínas. Também notamos aumento na expressão de moléculas relacionadas ao reparo de DNA, como a BRCA1. Isso indica que a replicação viral estava gerando erros no material genético e deixando a célula instável”, disse Nascimento.
 
O que mais chamou a atenção dos pesquisadores, porém, foi a mudança no perfil de expressão de proteínas relacionadas ao ciclo celular.
 
“Os resultados indicam que o ciclo celular foi interrompido ainda muito no início, antes que a célula começasse a duplicar seu material genético. Também foi possível ver que essa pausa não foi motivada pelo início do processo de diferenciação, pois as proteínas relacionadas à neurogênese estavam diminuídas em relação às neuroesferas controle”, disse Nascimento.
 
No sexto dia após a infecção, o número de neuroesferas controle era 50% maior que o das expostas ao vírus. As células não infectadas também haviam avançado bem mais no processo de diferenciação em neurônio, o que ficou evidente pela maior presença de proteínas que funcionam como marcadores específicos para esse tipo celular.
 
“Nas neuroesferas expostas ao Zika a quantidade de marcadores relacionados a neurônios estava bastante diminuída. Por outro lado, observamos a presença de caspase-3 ativa, proteína indicadora de apoptose. Outro indício de que as células estavam morrendo foi a presença de núcleos muito condensados”, disse a pesquisadora.
 
Nas análises feitas no 12º dia após a infecção, observou-se um número dez vezes menor de neuroesferas infectadas em comparação ao grupo controle. “Em experimentos in vitro, cerca de 21 dias podem ser necessários para obter um neurônio jovem funcional a partir de uma célula progenitora neural. Mas, neste estudo, mostramos que a maioria das células progenitoras infectadas pelo Zika não dura nem 12 dias. É um processo de morte rápido”, disse.
Colaborações – Os experimentos in vitro foram conduzidos no Rio de Janeiro, sob a coordenação de Patrícia Garcez e Stevens Rehen, pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor).
 
As análises de proteômica foram feitas na Unicamp e, além de Nascimento, contaram com a colaboração da pós-doutoranda Juliana Silva Cassoli e com a coordenação do professor Daniel Martins de Souza. Os ensaios de transcriptômica foram realizados em Belém, por colaboradores do Instituto Evandro Chagas. Os resultados estão submetidos para a análise de uma revista de alto impacto e, em função da relevância do tema para a saúde pública, foram colocados on-line antes mesmo da conclusão do processo de revisão por pares.


Produção eólica ajuda Portugal a passar quatro dias apenas com energia renovável...

 



Pela primeira vez, durante quatro dias seguidos, toda a eletricidade consumida em Portugal foi assegurada por fontes renováveis. Com um setor elétrico ainda dependente do carvão e do gás natural, Portugal tem um longo desafio pela frente: atingir a meta, no âmbito das diretrizes da União Europeia, de aumentar o peso das energias renováveis de 20,5%, em 2005, para 31% em 2020. Trata-se de um objetivo amplo, que abriga os setores dos transportes, sistemas de aquecimento e arrefecimento e produção de eletricidade.

De acordo com o secretário-geral da Associação Portuguesa de Energias Renováveis (Apren), José Madeiros Pinto, durante esse período, 58% do consumo de eletricidade no país foram assegurados pela energia eólica. A Associação Sistema Terrestre Sustentável (Zero) e a Apren analisaram os dados das Redes Energéticas Nacionais (REN) e concluíram que, durante 107 horas, entre as 6h45 do dia 7 de maio e as 17h45 do dia 11 de maio, todo o consumo de eletricidade em Portugal foi assegurado integralmente por fontes renováveis.

Portugal, no final dos anos 80, havia construído uma enorme plataforma de produção de energia, em que o principal combustível era o carvão. No entanto, a escolha pelo carvão, altamente poluente, levou o país a ocupar o 27º lugar entre os 30 mais poluentes da Europa, segundo o site Energia em Portugal, portal de pesquisa e informações sobre o setor energético no país. Já a política energética da primeira década dos anos 2000 foi marcada por investimentos significativos em fontes de energia renovável. A multiplicação de parques eólicos pelo país é resultado desse posicionamento adotado por Portugal.

“Tínhamos grande dependência das energias fósseis e os níveis de emissões de gás carbônico eram bastante altas. Mas reduzimos em mais da metade essas emissões no sistema elétrico. Em 2000, aqui em Portugal, lançou-se um programa estruturado para a integração de energias renováveis”, explicou. “À época, a energia renovável que tinha maior potencial e se via com melhor futuro era a eólica, que vem crescendo de maneira sustentável e gradual. Foi ela [energia eólica] que deu o aporte para que conseguíssemos ter, de fato, muitos dias em que a produção renovável excedesse as necessidades de consumo”, afirmou Madeiros Pinto.

Cumprimento da meta – Segundo o secretário, a meta proposta pelo país, de atingir 31% da produção com energias renováveis, será difícil de cumprir. Para ele, as áreas de aquecimento e arrefecimento e transportes, que também deveriam contribuir para esse objetivo, não têm avançado muito.

“Estamos muito atrasados em aplicar energia renovável na área do aquecimento. Os transportes estão na casa dos 5% em percentual de renovável, com os biocombustíveis. Na parte elétrica, que é o nosso setor, estamos com 52% de renovável e temos que chegar aos 60%. Julgamos que não vai ser possível alcançar, mas não ficaremos longe”, disse.
 
Atualmente, a produção de energia hídrica cobre entre 25% e 28% do consumo final de energia elétrica, e a média anual da eólica fica em cerca de 25%. De acordo com Madeiros Pinto, a energia solar ainda está dando os primeiros passos no país. “Embora tenhamos na zona sul um bom potencial solar, isso está muito pouco desenvolvido e não representa mais que 1% ou 1,5% das nossas necessidades.”


Mudanças climáticas ameaçam pererecas...

 


As mudanças climáticas ao longo do século 21 são uma ameaça à biodiversidade, colocando em risco muitas espécies da fauna e da flora do planeta.

Os biólogos Tiago Vasconcelos e Bruno do Nascimento, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Estadual Paulista, em Bauru, acabam de publicar um estudo no qual relacionam os efeitos potenciais das mudanças climáticas esperadas para 2050 sobre a distribuição de quatro pererecas de ampla ocorrência geográfica na América do Sul.

O artigo Potential Climate-Driven Impacts on the Distribution of Generalist Treefrogs in South America, publicado no periódico Herpetologica, é resultado de um trabalho amplo que busca relacionar a influência de mudanças climáticas sobre a distribuição potencial de 350 espécies de anfíbios da Mata Atlântica e 150 espécies do Cerrado, a fim de determinar quais seriam as áreas prioritárias para conservação destas espécies. A pesquisa tem apoio da FAPESP por meio do projeto “Macroecologia de anfíbios anuros do Cerrado e Mata Atlântica”.

O artigo destaca quatro espécies de pererecas de hábitos generalistas – que apresentam hábitos alimentares variados, alta taxa de dispersão e que são capazes de aproveitar diferentes recursos oferecidos pelo meio ambiente – que vivem tanto em áreas abertas como em florestas.

A Dendropsophus minutus tem uma das maiores distribuições geográficas, habitando a maior parte da América do Sul tropical e subtropical ao leste dos Andes. A distribuição é muito semelhante à apresentada pela Dendropsophus nanus.

Já a Scinax fuscomarginatus é encontrada em uma grande variedade de habitats, ocorrendo desde o noroeste da Argentina até o norte da Amazônia. Por fim, a Scinax fuscovarius – também conhecida como “perereca do banheiro”, por ser comumente encontrada em ambientes domiciliares – tem distribuição menor do que as demais, sendo encontrada entre o centro da Argentina e o centro do Brasil.

Com relação a preferências climáticas relacionadas às diversas regiões e biomas onde vivem tais pererecas, foram utilizadas seis variáveis climáticas: temperatura média anual, temperatura máxima no mês mais quente, temperatura mínima no mês mais frio, quantidade anual de precipitação, precipitação sazonal e quantidade de precipitação durante os três meses mais quentes do ano.

Os dados climáticos atuais são da base de dados WorldClim. Já os modelos de circulação atmosférica e oceânica globais para 2050 foram reunidos pelo General Circulation Model.

Todas as variáveis foram reunidas para determinar as áreas climaticamente favoráveis, tanto hoje quanto em 2050, para a sobrevivência das quatro espécies.

Estimou-se que a distribuição potencial prevista para a D. minutus variaria, de acordo com os algoritmos de modelagem, de 3,3 milhões até 11,2 milhões de km2. No caso da D. nanus, a distribuição potencial seria de 2,1 milhões até 12 milhões de km2. Para a S. fuscomarginatus, a distribuição variaria de 2,3 milhões até 13,6 milhões de km2. Finalmente, a S. fuscovarius poderia habitar uma área que varia de 2,6 milhões até 14,5 milhões de km2.

Segundo os pesquisadores, percebe-se uma aparente disparidade. As pererecas que atualmente contam com a maior distribuição geográfica, em termos de distribuição latitudinal, são aquelas com menor distribuição potencial prevista.

A explicação é que o uso de diferentes algoritmos de modelagem geram, inerentemente, diferentes predições de ocorrência. Por esse motivo, para minimizar a variabilidade das predições geradas por diferentes metodologias, os autores consideram um mapa consensual para a avaliação das distribuições previstas das pererecas.

Quando são considerados os cenários com as mudanças climáticas previstas para 2050, as áreas de distribuição potencial das quatro pererecas encolhem – algumas sensivelmente. É o caso da D. minutus, com uma perda de habitat de 52%.

Comparada com a sua distribuição atual, prevê-se que as espécies S. fuscomarginatus e a S. fuscovarius teriam uma perda de áreas climáticas apropriadas de 43% e de 31%, respectivamente. A espécie menos afetada seria D. nanus, com uma redução de hábitat potencial de 14% em 2050.

As áreas potenciais para as quatro espécies, grosso modo, sobrepõem-se. Com isso, e diante do cenário de mudanças climáticas, é de se esperar que as espécies com maior distribuição serão aquelas com maior perda de área climaticamente favorável. O melhor exemplo é o aferido para a perda de 52% de áreas climaticamente favoráveis para a D. minutus.

A redução da área total de habitat potencial para cada espécie não se traduz pura e simplesmente na sua extinção. “Não estamos dizendo que estas espécies irão desaparecer”, ressalta Vasconcelos. “As espécies que conseguirem responder às mudanças climáticas com alterações comportamentais e fisiológicas terão grande chance de permanecer em seus habitats atuais.”

Já aquelas incapazes do mesmo, tenderão a se extinguir localmente. Ou seja, populações poderão desaparecer dos locais onde o clima será diferente para a espécie como um todo e continuarão vivendo naquelas regiões onde o clima sofrerá menos alterações.

“Os organismos que habitam as regiões tropicais mais ao norte já estão em ambiente mais quente do que aqueles que vivem mais ao sul. Eles já sobrevivem em ambiente com alta temperatura”, disse Vasconcelos.

“Estudos fisiológicos mostram que, de modo geral, a capacidade de tolerância às temperaturas máximas varia entre 40 ºC e45 ºC em anfíbios. Por conta disso, as populações dessas pererecas que se encontram mais ao norte já vivem no cenário mais próximo de sua tolerância térmica máxima”, disse.

Caso nesses locais as temperaturas continuem subindo como os modelos indicam, há chances reais de as espécies não terem adaptações necessárias para lidar com um ambiente mais quente, e então, se extinguirem localmente.

“Para lidar com um ambiente mais quente, pode haver uma mudança na época do ano quando essas espécies apresentam o seu maior nível de atividade, o que geralmente acontece durante a reprodução. Às vezes, o animal já tem essa capacidade de adaptação, mas simplesmente não a exibe nas condições atuais onde habita porque não precisa”, disse Vasconcelos.

“Outro recurso de sobrevivência seria a procura por ambientes similares aos que elas viviam, o que vai depender da capacidade de dispersão dos organismos”, disse.

Estratégias de conservação – Vasconcelos destaca que a importância do trabalho está em revelar o que pode ser esperado para as espécies generalistas, visto que o maior enfoque dos estudos deste tipo é dado para espécies mais especializadas ou ameaçadas de extinção.

Um último resultado mais alarmante é que essas pererecas generalistas não contarão com áreas favoráveis na região do Pantanal brasileiro em 2050. “Isso é preocupante para as perspectivas de sobrevivência das espécies mais especializadas, ou mesmo outras generalistas de diferentes grupos animais e vegetais”, disse.

A pesquisa também visa propor estratégias de conservação. “Queremos determinar onde deverão ser criadas novas reservas e áreas de conservação a partir dos modelos preditivos”, disse Vasconcelos.