sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ibama recusa proposta da Samarco e exige novo Plano de Recuperação Ambiental...

http://www.ibama.gov.br/images/noticias_ambientais/2016/janeiro2016/barragem.jpg




O Ibama encaminhou ofício nesta quarta-feira (27/01) à mineradora Samarco, responsável pela catástrofe provocada pelo rompimento de barragem em Mariana (MG), exigindo que a empresa apresente um novo Plano de Recuperação Ambiental da região afetada, com as complementações e atualizações necessárias.
 
Em 18/01, a Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, protocolou na Superintendência do Ibama em Minas Gerais o Plano de Recuperação Ambiental, exigido por meio de notificação.
A equipe técnica responsável pela análise considerou que o levantamento dos impactos foi feito "de maneira genérica e superficial, sem considerar o imenso volume de informações produzidas e disponíveis até o momento". As ações propostas foram classificadas como "pouco detalhadas e pouco fundamentadas do ponto de vista metodológico e científico".

"O diagnóstico dos danos é extremamente superficial", apontam os técnicos no documento. De acordo com a avaliação, a empresa "minimiza todos os impactos ambientais da ruptura da barragem”. "Em relação aos impactos sobre os organismos aquáticos, verifica-se a tendência a subestimar o problema, inclusive se omitindo completamente em relação ao volume e diversidade de peixes encontrados mortos ao longo da bacia do Rio Doce."

A Nota Técnica produzida pelos analistas do Ibama ressalta que “a falta de prazos definidos impossibilita qualquer monitoramento das atividades a serem desenvolvidas por parte dos órgãos competentes”.

O prazo para entrega das complementações e atualizações exigidas é 17 de fevereiro.

Descarte correto de pneus elimina criadouros...

 




O governo federal está mobilizado para combater o Aedes aegypti, mosquito transmissor do zika vírus. A doença, em geral, é leve, mas capaz de gerar malformações congênitas nos bebês quando a gestante é picada pelo inseto infectado. Dados do Ministério da Saúde mostram que há 3.448 casos suspeitos de microcefalia em todo o país.


É uma situação inédita no mundo, que reforça a importância de eliminar os criadouros do Aedes, que também transmite dengue e chikungunya – além da febre amarela, para a qual existe vacina. Essas doenças têm vitimado milhares de brasileiros em todas as regiões da país.

Nesse sentido, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) alerta para a necessidade de se fazer o descarte correto de resíduos, especialmente materiais recicláveis como pneus e tudo o mais que possa armazenar água. Isso porque o Aedes aegypti prolifera-se dentro ou nas proximidades de habitações, em recipientes onde se acumula água limpa: vasos de plantas, pneus velhos, cisternas.


Gerenciamento de pneus - Entre os criadouros mais combatidos estão os pneus descartados incorretamente. A destinação de pneus está determinada desde 1999, quando foi publicada a primeira resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Trata-se da Resolução Conama número 258/99, atualizada pela 416/2009.


Essa Resolução estabelece que os fabricantes e importadores devem recolher os pneus inservíveis. Na proporção de novo pneu colocado no mercado de reposição, o fabricante tem que recolher um pneu inservível, considerando o desgaste do pneu, e entregar, anualmente, o Plano de Gerenciamento de Pneus com um conteúdo mínimo.


O plano prevê a descrição das estratégias para coleta desses pneus, acompanhada de cópia de eventuais contratos, convênios ou termos de compromisso para este fim. Também a indicação das unidades de armazenagem, informando as correspondentes localização e capacidade instalada. Deve prever, ainda, a descrição dos programas educativos a serem desenvolvidos junto aos consumidores, entre outros aspectos.


Convênios - Para atender aos termos da Resolução do Conama, os fabricantes e importadores se uniram e fundaram a Reciclanip para compartilhar as responsabilidades.


“Neste momento, devido ao aumento dos casos de dengue e zika, a Reciclanip está chamando os responsáveis pelos 5.570 municípios brasileiros para participarem do processo de recolhimento de pneus por meio de convênios”, esclarece a diretora de Ambiente Urbano substituta e gerente de Resíduos Perigosos do MMA, a analista ambiental Sabrina Andrade.


Ela explica, ainda, que o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) elabora, anualmente, um relatório sobre pneus, com cumprimento da meta definida pela Resolução do Conama, dados de coleta, recolhimento e tratamento final. Veja os relatórios aqui.


Orientações para gestantes - Com o crescente aumento das ocorrências de microcefalia, o Ministério da Saúde declarou situação de emergência em saúde pública e criou o Plano Nacional de Enfrentamento ao Aedes e à Microcefalia. Está dividido em três eixos: mobilização e combate ao mosquito Aedes aegypti; atendimento às pessoas; e desenvolvimento tecnológico, educação e pesquisa.


O Ministério da Saúde recomenda que as gestantes adotem medidas para reduzir a presença de mosquitos transmissores dessas doenças. Além de eliminar criadouros, é importante se proteger da exposição ao mosquito, mantendo portas e janelas fechadas ou teladas, usando calça e camisa de manga comprida e utilizando repelentes permitidos para gestantes.


Mobilizações e capacitações de agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias, e profissionais de educação, saúde, assistência social, defesas civil e militar fazem parte da estratégia do Ministério da Saúde para reforçar a orientação à população.

As Forças Armadas e a Defesa Civil darão apoio logístico para transporte e distribuição de inseticidas, e de profissionais de saúde.


258 milhões de hectares estão no CAR...

 





O mês de dezembro registrou aumento de 6.338.647 hectares inscritos no Cadastro Ambiental Rural (CAR), o equivalente a duas vezes o tamanho da Bélgica, um incremento de 2,52% na área passível de cadastro. O registro reúne informações ambientais sobre áreas de proteção permanente, reservas legais, florestas, remanescentes de vegetação nativa, áreas de uso restrito e áreas consolidadas das propriedades e posses rurais em todo o País.

Até o final de 2015, a área cadastrada já ultrapassava 258 milhões de hectares, extensão sete vezes maior que o território da Alemanha, cobrindo 64,86% da área passível de cadastro. Esses números representam a inscrição de 2.255.428 imóveis rurais.

No Rio Grande do Sul, as novas inscrições mais que dobraram, saltando de 204 mil hectares em novembro para quase 500 mil hectares em dezembro. O estado tem atualmente 1,8 milhão de hectares inscritos, o que equivale a apenas 8,94% dos cerca de 20 milhões de hectares passíveis de cadastramento.

A região Norte segue campeã em número de inscrições, com 82% da área cadastrada, num total de quase 77 milhões de hectares, dos 93,7 milhões de área cadastrável na região. Para o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Raimundo Deusdará, o importante é que o ritmo de inscrições no CAR vem sendo mantido, mês a mês. “Temos uma média de mais cinco milhões de hectares cadastrados todo mês, o que é uma área considerável”, ponderou Deusdará. Ele acredita que o ritmo de inscrições será acelerado, na medida em que se aproxima o final do prazo, em maio deste ano.

Após o fim do prazo, as instituições financeiras que oferecem linhas de crédito a produtores rurais passarão a exigir o comprovante do CAR. Quem não fizer o cadastro perderá o acesso a financiamentos, além de ficar ilegal.

Legislação - O CAR foi criado pelo novo Código Florestal, Lei 12.651/2012, em seu artigo 29, no âmbito do Sistema Nacional de Informação sobre Meio Ambiente (Sinima), regulamentado pela Instrução Normativa do MMA nº 2, de 5 de maio de 2014.


domingo, 24 de janeiro de 2016

Tráfico de marfim dizima população de elefantes em Moçambique e Tanzânia...

 

  

Moçambique e Tanzânia perderam a metade de sua população de elefantes nos últimos seis anos por causa do tráfico ilegal de marfim, por isso as Nações Unidas pediram que esses países tomem medidas sérias contra a caça ilegal.

Segundo explicou nesta segunda-feira à Agência Efe o porta-voz e analista de comércio do Fundo Mundial para a Natureza (WWF), Cumulam O’Criodain, estes dois países africanos estão sob o ponto de mira das Nações Unidas por não ter progredido em sua legislação nacional nos últimos dois anos.

O Comitê permanente do Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Selvagens de Fauna e Flora (CITES) se reuniu recentemente em Genebra para determinar os progressos na legislação dos países envolvidos com a caça e comércio de marfim.

O Moçambique é um dos países com maior caça de elefantes e rinocerontes, e apesar de ter modificado suas leis sobre os animais selvagens, “pela caça de algum destes exemplares as penas são apenas de uma pequena multa”, disse O’Criodain.

Na Tanzânia, a situação é algo diferente, já que embora o país tenha modificado sua legislação, a ilha de Zanzibar -com leis independentes apesar de pertencer ao país- funciona como “buraco legal” no comércio de objetos e animais selvagens.

“A situação em Zanzibar não progrediu desde o último comitê em junho. A Tanzânia deveria controlar tudo aquilo que passa pela ilha, além de melhorar a presença no terreno”, explicou O’Criodain.

Na África, a caça ilegal de elefantes CAIU pouco a pouco desde o ponto álgido que alcançou em 2011, mesmo assim, cerca de 30 mil paquidermes são assassinados a cada ano no continente pelos traficantes de marfim.

Os especialistas acreditam que este descenso está diretamente relacionado com a diminuição da população de elefantes em algumas partes da África, como é o caso da Tanzânia e Moçambique, onde pelo menos 500 elefantes foram abatidos nos últimos três anos.

Por outro lado, segundo dados do WWF, na Namíbia em 2015 foram caçados de forma ilegal 80 rinocerontes, enquanto na África do Sul, também em 2015, foram mortos mil exemplares de rinocerontes pelo terceiro ano consecutivo.

O comércio ilegal se estende até a Ásia, onde tanto as presas de elefantes como os chifres de rinocerontes são utilizados na medicina tradicional ou como elementos de luxo.
Vietnã e Tailândia são dois dos países onde o marfim custa caro e contam com os mercados mais importantes do sudeste asiático.

Ambos países realizaram progressos nos últimos anos, mesmo assim, desde CITES foi exigido uma maior envolvimento para reverter esta situação e evitar sanções.

Parte da problemática mora no fato de que as autoridades “ainda têm dificuldades para diferenciar entre o marfim de âmbito doméstico e o de origem ilegal”, explicou O’Criodain.

Além disso, o controle do tráfico ilegal nestes países é difícil já que em muitas ocasiões os vendedores alegam que a mercadoria é falsa, como ocorre especificamente no caso dos chifres de rinoceronte.

“As leis destes países também deveriam penalizar o tráfico ilegal de chifres falsos, como ocorre na União Europeia (UE)”, considerou O’Criodain.

Durante seu encontro, o CITES também propôs sanções no comércio para Angola, Laos e Nigéria, pela falta de colaboração e informação sobre a implementação de medidas contra o tráfico ilegal de marfim.


Óleo de planta pode ser usado para matar larvas do Aedes, aponta estudo...

 


Um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amapá (Unifap) desenvolveu um produto inovador, que pode matar larvas do mosquito Aedes aegypti em depósitos de água por meio da extração de recursos biológicos da planta conhecida como sucupira, nativa da região amazônica. Apesar do resultado positivo, os testes ainda serão aprofundados para uma possível disponibilidade do produto para a rede pública de saúde.

De acordo com a pesquisadora e docente do curso de farmácia Anna Eliza Maciel, o estudo foi desenvolvido em conjunto com acadêmicos da graduação e apontou a eficácia de 70% no uso do produto em relação a mortalidade das larvas do mosquito, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

A pesquisa descobriu que o óleo extraído da planta apresenta várias atividades biológicas, incluindo uma potencial propriedade larvicida, substância que destrói larvas.

A escolha dos testes com larvas do mosquito Aedes deve-se pelo índice no Amapá. O último dado divulgado pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CVS) aponta que houve o registro de 4.086 casos notificados de dengue até dezembro de 2015.

“A partir do produto, que é utilizado em várias funções biológicas, resolvemos testar com as larvas do Aedes aegypti, porque é uma preocupação de saúde pública. Os testes apresentaram resultados muito promissores, com taxa de mortalidade acima de 70%. Novos testes serão desenvolvidos e o objetivo no futuro é disponibilizar para a rede pública”, ressaltou Anna Eliza.
A pesquisadora explicou que a maioria dos métodos de controle da dengue envolve agentes larvicidas em água e, portanto, o uso dos produtos naturais extraídos da região amazônica é considerado um desafio tecnológico e que pode beneficiar a população.

“Utilizamos matéria da própria natureza e conseguimos desenvolver um produto, à primeira vista, eficaz no combate às larvas. Neste contexto, a pesquisa aparece como alternativa viável para resolver este problema principal”, comentou a pesquisadora.

De acordo com o grupo de pesquisas, o trabalho foi publicado no dia 07 de janeiro de 2016, pela revista norte-americana PLOS ONE, da área de farmácia. “Para nós a repercussão desta pesquisa é um ótimo resultado para o aprofundamento dos estudos”, frisou.


sábado, 23 de janeiro de 2016

Madri proíbe carros em dias de poluição extrema...


Prefeitura de Madri aprovou na quinta-feira, 21 de janeiro, de forma definitiva, o novo protocolo de ação para casos de poluição elevada, endurecendo as medidas de restrição do tráfego que já vigoram desde março. Pela primeira vez, existe a possibilidade de proibir a circulação a todos os veículos de passeio quando a qualidade do ar estiver excepcionalmente ruim.
Segundo a secretária municipal de Meio Ambiente e Mobilidade, Inés Sabanés, as medidas concebidas pela equipe da ex-prefeita Ana Botella serão ativadas com o novo protocolo “dentro de alguns dias”.
Meses atrás, no outono espanhol, as autoridades madrilenhas em várias ocasiões reduziram a 70 quilômetros por hora a velocidade nas vias expressas que dão acesso à cidade e no anel viário M-30; além disso, durante dois dias foi proibido estacionar dentro da área regulamentada com parquímetros.
O novo protocolo determina apenas que haja duas estações quaisquer numa mesma zona que superem o limite durante duas horas consecutivas
Com o novo protocolo aprovado na quinta-feira — ainda a ser discutido na próxima semana pela Câmara dos Vereadores —, poderá ser proibida a circulação de metade dos carros a cada dia no centro expandido da capital espanhola (segundo a placa com final par ou ímpar) e inclusive na M-30, se a situação for crítica.
Táxis, motos e ciclomotores poderão circular normalmente. Mas, em caso de poluição extrema, todos os carros particulares poderiam ser proibidos de circular, independentemente do final da placa. Por outro lado, em circunstâncias excepcionais (como no regresso de um feriado prolongado) as restrições poderiam ser suspensas mesmo que a qualidade do ar continue ruim.
Madri viola o limite de dióxido de nitrogênio fixado pela União Europeia desde 2010, quando a regra entrou em vigor, e por isso se arrisca a sofrer uma multa milionária, sem falar nos sérios problemas de saúde que a poluição provoca aos seus cidadãos. Depois de dois anos de contínua redução dos níveis de poluentes, em 2015 eles voltaram a crescer, devido ao aumento do tráfego (presumivelmente por uma melhoria da situação econômica), razão pela qual a prefeitura chefiada por Manuela Carmena já trabalha na redação de um plano de qualidade do ar para o longo prazo.
Paralelamente, na manhã de quinta-feira foi aprovado um novo protocolo de ação para os dias de maior poluição, que incide sobre a circulação de carros porque o dióxido de nitrogênio procede principalmente dos escapamentos dos veículos a diesel.
A cidade está dividida em cinco zonas; a mais problemática compreende 41 quilômetros quadrados, coincide com o interior do anel viário, concentra 1,1 milhão de habitantes e tem 10 estações de medição. A União Europeia só prevê um nível de alerta, alcançado quando três estações de medição numa mesma zona da cidade superam os 400 microgramas de dióxido de nitrogênio por metro cúbico durante duas horas consecutivas. Isso nunca ocorreu em Madri.
Botella havia determinado, em março de 2015, dois níveis prévios ao alerta: atenção (250 microgramas por metro cúbico) e pré-atenção (200 microgramas). O novo protocolo aprovado nesta quinta-feira endurece essas condições: até agora, o limite de 200 ou 250 microgramas precisava ser superado durante duas horas consecutivas na mesma estação de medição, e que isso ocorresse simultaneamente em duas estações, as mesmas, numa mesma zona de Madri. O novo protocolo determina apenas que haja duas estações quaisquer numa mesma zona que superem o limite durante duas horas consecutivas.
Além disso, a Prefeitura pode limitar a velocidade nas rodovias de acesso e na M-30, mesmo sem a ativação do protocolo, se a poluição superar 160 microgramas por metro cúbico e se houver previsão meteorológica desfavorável.

Obra que liga Cantareira a nova bacia recebe licença e começa em fevereiro...



A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) recebeu a licença ambiental para o início das obras da interligação entre o Sistema Cantareira e a bacia do Rio Paraíba do Sul, que envia água para o estado do Rio de Janeiro. As obras estão previstas para começar no início de fevereiro.
O aviso de que a licença foi concedida pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) foi publicado nesta sexta-feira (22) em Diário Oficial.
Trata-se da principal intervenção de socorro ao Sistema Cantareira, que abastece 5,3 milhões de pessoas na Grande São Paulo e saiu do “vermelho” em dezembro após mais de um ano de utilização do volume morto. O sistema agora tem 13,3% de seu volume útil preenchido – se considerado também o volume morto na capacidade total, o volume atual é de 42,6%.
A interligação será entre a represa do Jaguari, no município de Igaratá, e a de Atibainha, em Nazaré Paulista, já dentro do Sistema Cantareira.
O investimento é de R$ 555 milhões e o prazo para conclusão das obras está previsto para abril de 2017. O empreendimento conta com o financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) por meio de contrato de empréstimo firmado entre a Sabesp e a instituição financeira em junho de 2015.
Segundo o governo de São Paulo, a interligação vai dobrar a capacidade de reserva do Sistema Cantareira. Isso porque as cinco represas somadas têm capacidade para 982 milhões de metros cúbicos de água, enquanto a represa Jaguari, da Bacia do Paraíba do Sul, tem capacidade para 1,2 bilhão de metros cúbicos de água. “Nós mais do que dobramos a capacidade de reservação e ligamos duas bacias diferentes”, afirmou Alckmin em outubro, quando assinou a autorização para a obra.
Para conseguir ligar as duas represas, o governo vai fazer uma adutora e um túnel que, juntos, vão ter quase 19,6 km de extensão.
Para que a interligação fosse possível, foi necessário um acordo mediado pelo Supremo Tribunal Federal entre os governos de São Paulo, Rio e Minas, os três estados afetados pela obra. Esse acordo também prevê, quando for necessário, o bombeamento de água no sentido inverso do Sistema Cantareira para a Jaguari. Mas essa parte da obra, que vai permitir essa via de mão dupla, só deve começar em 2017, após a primeira etapa.

Pesquisadores vão desenvolver soro contra vírus Zika...


Parceria firmada entre o Instituto Vital Brazil, laboratório do governo do Rio, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) prevê desenvolver um soro contra o vírus Zika. A previsão é que o soro fique pronto em até três anos para o tratamento de pessoas infectadas pelo vírus.
O diretor científico do Vital Brazil, Cláudio Maurício de Souza, disse que a expectativa é que o soro funcione da mesma forma que o soro antirábico. “A ideia é que, uma vez sendo administrado em um paciente com o vírus Zika, ele [o soro] vai reconhecer as partículas virais, vai se ligar na capa protetora dessas partículas promovendo a sua inativação”.
“A gente acredita que esse soro vai ser uma ferramenta terapêutica bastante útil, que vai ajudar bastante na proteção da gravidez das mulheres no Brasil”, disse o diretor.
De acordo com o presidente do instituto, Antônio Werneck, uma vez aplicado o soro em grávidas, tão logo seja confirmado o diagnóstico da doença, poderá evitar que o vírus entre em contato com o feto e evitar a microcefalia, uma malformação que afeta o tamanho adequado da cabeça do recém-nascido. O Ministério da Saúde confirmou 230 casos de microcefalia no país causados pelo vírus Zika.
O vírus Zika é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo que transmite a dengue. Os sintomas geralmente desaparecem espontaneamente em até sete dias.
A doença se assemelha com a dengue por ter sinais semelhantes, como febre, manchas pelo corpo com coceira, dor de cabeça e nas articulações, enjoo e dores musculares. Em alguns casos, o paciente pode apresentar olhos vermelhos.
Antes de chegar para uso humano, o soro será testado em animais.

Mais de 60 milhões de pessoas sofrerão com fenômeno El Niño...


Fenômeno meteorológico El Niño afetará 60 milhões de pessoas no mundo, sendo que 4,2 milhões já foram prejudicadas por ele na América Central, de acordo com um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado nesta sexta-feira.
Segundo as previsões da Organização Mundial da Meteorologia (OMM), o fenômeno deste ano já é o mais forte da última década e meia, e está prestes a se transformar em um dos mais potentes em 65 anos. A última vez em que um houve um episódio intenso do El Niño foi em 1997-1998, quando foram registradas mais de 20 mil mortes e perdas avaliadas em US$ 34 bilhões.
De acordo com o estudo da OMS, o El Niño já afetou 4,2 milhões de pessoas na América Central, 4,7 milhões no oeste do Pacífico e 30 milhões no sul da África. Porém, as previsões indicam que outras 20 milhões possam ser prejudicadas pelas consequências do fenômeno.
Na América Central, o El Niño provocou secas que permanecerão até março, o que causará “perdas nas colheitas no corredor da Guatemala, Nicarágua, Honduras e El Salvador”, indicou a OMS no comunicado. “É pouco provável que as famílias possam se recuperar rapidamente de suas perdas atuais e futuras”.
De fato, a entidade alerta sobre a possibilidade de a região sofrer um aumento de desnutrição aguda e severa. Deve faltar água potável, o que pode gerar casos de diarreia – uma das principais causas de morte de crianças menores de 5 anos – e doenças de pele.
A OMS estima que 1,5 milhão de pessoas estão sendo afetados pela seca na Guatemala, entre as quais 500 mil podem morrer de desnutrição. Já em Honduras, 1,3 milhão de habitantes sofrem com os efeitos do El Niño, com 400 mil precisando de assistência humanitária imediata. Em El Salvador, há 192 mil famílias com desnutrição severa e aguda.
Na América do Sul, as secas contribuirão para um aumento das doenças respiratórias e da pele, assim como o risco de diarreia.
A previsão é de chuvas acima da média até meados de maio na Argentina, Brasil, Equador, Peru, Paraguai e Uruguai, o que poderia provocar inundações e aumentar a incidência de doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, zika e chicungunha.
Consultado sobre a possível relação entre o El Niño e o atual surto do zika vírus, o diretor de emergências da OMS, Rick Brennan, respondeu em entrevista coletiva que, por enquanto, não há indícios conclusivos sobre a ligação.
O documento da OMS cita especificamente o Peru e a possibilidade do surgimento de crises de fome do país por causa das intensas nevascas em Puno e Pasco, no norte do país, que acabaram com as plantações que abasteceriam 500 mil pessoas.
Além disso, o texto indicar que, historicamente o El Niño gera um aumento do número de animais venenosos no Peru, como serpentes, aranhas e escorpiões.
Sobre o Equador, o texto da OMS lembra que da última vez que o fenômeno foi intenso como o previsto para este ano, em 1997-98, os casos de malária cresceram 440%.
Na Bolívia, mais de 170 mil pessoas já foram obrigadas a deixar suas casas devido às inundações, enquanto no Paraguai 90 mil estão desabrigadas.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Governo anuncia fundação financiada por mineradoras para recuperar Rio Doce...


Após reunião na tarde desta quinta-feira (21) com representantes das mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton para negociar um acordo sobre a reparação integral dos estragos causados pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), o advogado-geral da AGU, Luís Inácio Adams, disse que as negociações com as empresas avançaram muito nas duas reuniões desta semana e a expectativa é que um acordo seja firmado no início de fevereiro.

Em entrevista coletiva, o ministro informou que as reuniões tiveram como foco o debate de quatro grandes tópicos: governança, financiamento, ações socioambientais e ações socioeconômicas. Segundo ele, há consenso sobre a criação de uma fundação, financiada pelas empresas, com participação da sociedade civil, por meio de um conselho consultivo, e de especialistas em meio ambiente para recuperação do Rio Doce.

“Deverão ter também um processo de relacionamento intergovernamental com a presença dos três entes federativos, de modo a facilitar o diálogo na execução dos 38 programas apresentados e que devem ser implementados pela fundação. Desses, 19 terão ações socioambientais e 19 ações socioeconômicas.” Conforme o ministro, entre segunda (25) e quinta-feira (28) ocorrerão novas rodadas de negociação para detalhar cada um dos itens propostos.

O advogado-geral do estado de Minas Gerais, Onofre Batista Júnior, apoia a ideia. “Em lugar de se estabelecer uma montanha de dinheiro para órgãos públicos sentarem em cima, está sendo feita a modelagem de uma fundação, usando a eficiência da iniciativa privada na realização da restauração e no que o público faz de melhor, que é a verificação do atendimento do interesse público. Nesse sentido, os trabalhos evoluíram muito.”

De acordo com Onofre Batista, um problema “complexo e dessa magnitude” exige uma solução muito bem articulada entre os envolvidos. “Está havendo um alinhamento grande dos órgãos públicos. A próxima etapa é o acoplamento do Ministério Público no processo. Houve também um alinhamento grande por parte das empresas. A Samarco, Vale e BHP participam alinhadas do processo de ressarcimento, compensação e restauração dos danos.”

A presidenta do Ibama, Marilene Ramos, disse que os programas socioambientais precisam ser aprofundados. Ela destacou que, para conclusão do acordo, é preciso definir metas e objetivos de cada ação, o que também permitirá o monitoramento do plano de ação.

“Tivemos uma boa receptividade das empresas para as propostas. A totalidade dos programas foi aceita. O próximo passo é discutir as metas de cada um. Queremos que o acordo envolva metas técnicas e quantitativas, inclusive com um cronograma para esses dez anos, de modo que não tenhamos só um grande plano de boas intenções, mas objetivos concretos que possam ter execução integral.”

Para Marilene Ramos, os 19 programas socioambientais propostos extrapolam a recuperação ambiental dos municípios atingidos pelo desastre de Mariana e englobam toda a Bacia do Rio Doce. “Os programas envolvem dragagem dos rejeitos depositados no leito dos rios, restauração da fauna e da flora, além da recuperação de nascentes, coleta e tratamento de esgoto, encerramento dos lixões da região, reintrodução da biodiversidade local, entre muitos outros pontos.”

O secretário de Desenvolvimento Regional, Político e Urbano de Minas Gerais, Tadeu Martins Leite, informou que, na próxima semana, a força-tarefa criada para fazer o levantamento dos danos materiais, humanos e ambientais do desastre apresentará relatório final socioeconômico e ambiental e fará sugestões de medidas corretivas e restauradoras para lidar com a situação.

Operações da Samarco – O novo presidente da Samarco, Roberto Carvalho, disse que, “mesmo em operação, a Samarco não tem condições de arcar com todas essas responsabilidades financeiras.” Ele assumiu o cargo na quarta-feira (20), após o afastamento de Ricardo Vescovi, que tirou licença temporária para se defender do indiciamento da Polícia Federal pelos crimes ambientais decorrentes do rompimento da Barragem de Fundão.

Segundo Luís Inácio Adams, desde o desastre, em 5 de novembro de 2015, a empresa já aportou algo em torno de R$ 2,6 bilhões, considerando as diversas ações movidas contra a mineradora, os gastos e os recursos aportados em garantias financeiras “Temos, de fato, um funding para esse primeiro ano, que tem de ser organizado entre os órgãos públicos, a fim de que esses recursos sejam plenamente executados em favor da sociedade.”

Caso o acordo seja acertado na Justiça, a licença de operação da Mineradora Samarco poderá ser liberada, sempre vinculada à execução do acordo. “Se o acordo não for executado, a licença será suspensa”, adiantou o ministro.

A presidenta do Ibama disse que, para liberação da licença, a mineradora precisa adequar suas instalações para evitar novos desastres. “Hoje, a Samarco não tem condições de operar, porque não conta com a infraestrutura necessária. Ela terá de apresentar aos órgãos ambientais o pedido com o projeto de recuperação de suas estruturas e, acreditamos, até com mudanças em seus processos produtivos para evitar desastres semelhantes.”

A ação – A União e os governos de Minas Gerais e do Espírito Santo são os autores da ação civil pública ajuizada no fim de novembro de 2015. A ação exige a criação de um fundo de R$ 20 bilhões, por parte da Samarco e das acionistas Vale e BHP Billiton, para financiar as medidas de reparação dos danos. O valor deverá ser pago em dez anos, em parcelas de R$ 2 bilhões.

Na terça-feira (19) à noite, o desembargador federal Néviton Guedes, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, estendeu em 15 dias o prazo para depósito da primeira parcela de R$ 2 bilhões a ser paga pela Samarco, Vale e BHP Billiton. O prazo final para pagamento vencia nessa quarta-feira.

Se o acordo for assinado, esse valor passa a ser uma estimativa e as empresas terão de fazer todos os investimentos necessários para implementar os programas acordados.

Honda diz que lançará carro movido a hidrogênio na Califórnia neste ano...

 





A Honda anunciou nesta quinta-feira (21) que seu primeiro carro movido a hidrogênio, o Clarity, será lançado na Califórnia antes do fim do ano. O sedã deve ser comercializado por cerca de US$ 60 mil (cerca de R$ 250 mil, na cotação desta quinta), com parcelas mensais de menos de US$ 500 (R$ 2 mil) para leasing. Nesta modalidade bastante popular nos Estados Unidos, o bem continua em nome do próprio banco ou empresa arrendadora.

Antes dos EUA, o Clarity será vendido no mercado japonês, em março, e depois na Europa. Apenas 72 unidades foram produzidas no Japão para o lançamento.

O nome e a versão final do modelo, antes mostrado como o conceito FCV (sigla de sigla de “fuel cell vehicle” ou veículo movido a célula de combustão), foram revelados no Salão de Tóquio, em outubro passado.

Também em 2015 a Toyota lançou o rival do Honda, o Mirai, nos EUA; o carro também é oferecido no Japão.

Falta estrutura – Recentemente, o site “Wards Auto” divulgou que a montadora chegou a pedir a alguns concessionários que parassem de vender o modelo na Califórnia. Posteriormente, a marca esclareceu que pediu que as entregas fossem adiadas até fossem abertas novas estações de carga.

Nos EUA, há apenas 14 estações de recarga de hidrogênio abertas ao público, sendo 11 na Califórnia, de acordo com o Departamento de Energia do governo americano.
Como funciona – Tanto no Mirai quanto no Honda, o gás hidrogênio é comprimido em tanques, como os de GNV, instalados no carro. Ele é levado para uma caixa onde entra em contato com o oxigênio que veio das generosas entradas de ar do carro.

Esse encontro produz a corrente que faz o motor elétrico funcionar e “empurrar” o carro. Ou seja: todo veículo “movido” a hidrogênio (ou FCV, sigla de “fuel cell vehicle”) é, na essência, um elétrico.

Só que, em vez de carregar o carro na tomada, para dar nova carga à bateria, o hidrogênio é que produz essa energia. E o que ele solta pelo escapamento, em vez de gases nocivos como no caso do motor a combustão, é água.

Uma das vantagens em relação aos carros elétricos carregados na tomada (“plug-ins”), segundo as montadoras, é que a bateria demora muito mais para acabar porque a capacidade de compressão do hidrogênio nos tanques é grande.

Com mais fonte de energia, o carro consegue rodar uma distância muito maior, ou seja, tem mais autonomia – um dos maiores entraves para veículos elétricos, que descarregam mais rápido e requerem recargas mais frequentes.

Outro benefício é que reabastecer o tanque de hidrogênio demora cerca de 3 minutos em estações apropriadas (que ainda são raras mesmo na Califórnia) – enquanto um carro elétrico pode ter de ficar horas ligado à tomada para recarregar a bateria.

Em contrapartida, a tecnologia é mais cara, o que acaba sendo repassado para o custo do carro, e a estrutura para que seja possível recarregar os tanques com facilidade ainda é inexistente em boa parte do mundo.



























































quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Para prefeito, Aedes transgênico fica barato se usado no longo prazo...



O prefeito de Piracicaba, Gabriel Ferrato (PSDB), afirma que a tecnologia dos mosquitos transgênicos no combate ao Aedes aegypti é cara, mas usada a longo prazo pode se tornar economicamente viável.
“Se comparamos as ações tradicionais com esta tecnologia, o custo de usar os mosquitos transgênicos é mais alto, mas se eu puder com essa nova tecnologia eliminar as ações tradicionais ao longo do tempo, provavelmente ela vai ter viabilidade econômica” disse o Ferrato, em entrevista ao G1. “Tem que ser feito ainda um estudo de custo-benefício sobre a viabilidade econômica, mas, como economista que sou, tenho quase certeza que daria certo.”
Segundo o prefeito, se o impacto econômico de uma eventual erradicação da dengue for computado, a conta sai ainda mais positiva.
A tecnologia vem sendo testada no Cecap, um bairro na periferia do município, desde abril de 2015, num programa de parceria entre a prefeitura e a Oxitec, empresa que criou os insetos.
A técnica levou a uma redução de 82% na população de mosquitos (medida a partir de larvas depositadas em armadilhas), quando comparada a outras áreas onde o mosquito transgênico não estava presente.
Por enquanto a Prefeitura gastou relativamente pouco, cerca de R$ 150 mil, para tratar por um ano uma área de 5.200 habitantes. O valor, na verdade, foi uma “pechincha” oferecida pela Oxitec, que ainda não tem licença para comercializar o produto e realizou o projeto a título de pesquisa científica, sem poder lucrar. O dinheiro da prefeitura foi investido diretamente no projeto.
A área onde a tecnologia foi implementada, porém, não deixou de ser tratada com ações tradicionais: pesticidas e visitas de agentes sanitários para achar focos de água parada e educar a população. Segundo o prefeito, não há caixa na Prefeitura para espalhar mosquitos transgênicos em todo o município no curto prazo.
“Se alguém neste país puder nos oferecer os recursos necessários, nem que fosse de financiamento, para expandir por toda a cidade, sem dúvida eu faria”, disse Ferrato. “Mas agora, não hão há como fazer isso, até por conta da crise econômica que afetou a receita dos municípios.”
Oferta e demanda – A Oxitec não revela quanto dinheiro gastou no projeto em Piracicaba, mas em 2014 chegou a divulgar uma estimativa de custo. Para conduzir um programa de combate ao mosquito numa cidade de 50 mil habitantes, seria preciso gastar entre R$ 2 milhões e R$ 5 milhões para o primeiro ano. Nos anos seguintes o custo anual cairia para R$ 1 milhão. Esses valores, porém, não levam em conta a inflação e variação cambial dos últimos dois anos e hoje provavelmente são maiores.
O valor a ser gasto em um novo teste a ser realizado no município, porém, deve ser em torno dessa escala, já que deve proteger uma área contendo população de 35 mil a 55 mil pessoas. Na nova fase, os mosquitos continuarão a ser liberados no Cecap e também em um bairro na região central da cidade, a ser definido.
Para isso a Oxitec já planeja criar uma nova fábrica de mosquitos, com capacidade para atender no futuro uma população de 300 mil pessoas, trinta vezes maior do que aquela que a empresa já possui em Campinas. Piracicaba tem hoje 390 mil habitantes.
Se a intenção for expandir o projeto para toda a cidade no futuro, porém, também será preciso aguardar a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovar a licença de comercialização da Oxitec.
A empresa já tem aval de segurança, mas para fazer um projeto de grande escala, o projeto teria de sair da esfera da pesquisa para o dos negócios. E o próprio Ferrato diz que não teria como comprar todos os mosquitos que a Oxitec será capaz de produzir em Piracicaba. “Mas já há outros municípios interessados.”
“Evidentemente vamos continuar expandindo nossa capacidade de produção de acordo com a demanda que temos”, diz Glen Slade, presidente da Oxitec no Brasil. “Estamos prontos para investir mais rapidamente caso tenhamos uma parceria com o governo para implantar projetos.”
O governo federal não manifestou interesse ainda.
Medo – Enquanto a barreira financeira para expandir a tecnologia é ainda uma incógnita, uma barreira cultural parece aparentemente ter sido vencida pela Oxitec: a opinião pública sobre os transgênicos.
Enquanto a implementação da transgenia na agricultura causou grande controvérsia no país, o uso desta biotecnologia para um projeto de saúde pública não despertou a ira de ambientalistas.
Os materiais de divulgação da Oxitec, de qualquer forma, que apresentam seu mosquito transgênico como “Aedes do Bem”, não mencionam muito o conceito de transgenia.
A preocupação de técnicos de campo como Guilherme Trivellato, coordenador do projeto da Oxitec em Piracicaba, é mais a de convencer a população de que os mosquitos liberados não vão picar ninguém.
Trivellato também passou boa parte do ano rodando pelos bairros do teste e cuidando das armadilhas onde mosquitos e larvas eram capturados. A relação de cortesia construída com os moradores ajudou a manter intacto o material de pesquisa usado para monitorar a população de mosquitos.
Para o trabalho, o agrônomo-entomólogo conseguiu a ajuda de estudantes de pós-graduação da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luís de Queiroz), onde ele mesmo se formou. Os mosquitos só foram liberados depois de a Oxitec ter certeza que a população não iria se revoltar contra o projeto.
“Se você vê alguém soltando mosquito e você não entende o que está fazendo, assusta um pouco”, diz Trivellato. “Mas antes de começar a liberar a gente fez um trabalho muito forte no centro de Piracicaba e no Cecap, indo a escolas e falando com formadores de opinião da cidade para explicar como a tecnologia funciona.”
Segundo ele, conhecendo bem o bairro foi possível ver de perto áreas onde o mosquito transgênico faria a diferença. “Se você tem uma casa para alugar que está fechada, uma piscina abandonada ou um depósito de pneu ao qual ninguém consegue ter acesso, o mosquito chega lá”, diz. “Mas o mosquito transgênico macho consegue ir ativamente atrás desses criadouros para encontrar as fêmeas e interromper a linhagem de reprodução delas.” 

MMA atualiza planos da Amazônia e Cerrado...

Os planos de prevenção e controle do desmatamento na Amazônia e no Cerrado começaram, neste mês de janeiro, a ter resultados analisados. As conclusões servirão de subsídios para que o Ministério do Meio Ambiente construa as novas estratégias de proteção aos biomas, agora adaptadas aos compromissos assumidos pelo Brasil na 21a Conferência das Partes para Mudanças Climáticas (COP 21), realizada em Paris, em dezembro, em que 190 países firmaram um novo acordo global para redução de emissões de gases de efeito estufa.
O Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) foi criado em 2004 e teve, no ano passado, encerrada a sua terceira fase. As ações do PPCDAm foram responsáveis pela queda de mais de 80% do desmatamento entre 2004 e 2015. Já o Plano de Ação para Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento e das Queimadas no Cerrado (PPCerrado) foi lançado em 2010, com a segunda fase encerrada também em 2015. A revisão dos planos deverá estar pronta ainda neste semestre.
“Entre as inovações que deverão constar dos planos estão os desdobramentos da implementação do Código Florestal, que tem como um dos principais instrumentos de execução o Cadastro Ambiental Rural (CAR), fundamental para a regularização ambiental de propriedades e posses rurais”, ressalta o gerente de Projeto do Departamento de Políticas para o Combate ao Desmatamento do MMA, Gabriel Lui.
Ele explica que a ferramenta possibilita monitorar o desmatamento nos imóveis rurais, o que antes era possível apenas no bioma, nos estados ou outros territórios já delimitados. “Será possível também reconhecer e atuar para fomentar o potencial de conservação das Reservas Legais e Áreas de Preservação Permanente (APPs)”, completa o gerente.
Fiscalização – Com o cadastro obrigatório, onde já constam mais de 60% de todas as posses e propriedades rurais do país, é possível ter informações georreferenciadas com a delimitação das áreas de proteção permanente, reservas legais e remanescentes de vegetação nativa – oferecendo a possibilidade de elaboração de mapas mais detalhados e agregando dados sobre o uso da terra dentro dos imóveis rurais.
“Essas mudanças deverão se refletir no aprimoramento do trabalho de fiscalização das equipes do Ibama, contribuindo para o controle do desmatamento ilegal”, acentua Gabriel Lui. Isso significa dizer que as áreas de maior incidência de desmatamento e os infratores poderão ser identificados com mais facilidade na tela de computadores.
Gabriel Lui ressalta que o mapeamento também irá facilitar planos de recuperação de áreas degradadas e fomento a atividades sustentáveis na agricultura e pecuária, com o intuito de alinhar uma agenda de produção e proteção ambiental. Esses objetivos fazem parte das estratégias para que o Brasil cumpra o compromisso de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030, com base no nível de emissões em 2005. 

Planeta vive momentos decisivos para transição energética...


O acordo de Paris despertou grandes esperanças ao comprometer 195 países na luta contra o aquecimento global, mas ficará como uma mera promessa de boas intenções sem o emprego efetivo da transição energética.
“Paris não salvou o planeta, mas preservou as possibilidades de salvá-lo”, resumiu Bill McKibben, fundador da 350.org, uma organização que milita para que os atores econômicos (investidores, instituições, empresas) abandonem as energias fósseis – carvão, petróleo e gás – responsáveis por três quartos das emissões de gases de efeito estufa.
Três anos de difíceis negociações e dotados de um objetivo comum muito ambicioso (limitar a alta da temperatura mundial abaixo dos 2ºC), os países podem colocar a mão na massa para buscar soluções em matéria de produção energética, transporte, construção e agricultura.
Os eventos extremos e os recordes – como o anúncio previsto nesta quarta-feira de que 2015 foi o ano mais quente já registrado – não deixarão de lembrar a cada um a necessidade de que a ação climática se torne um eixo das políticas econômicas.
Os dirigentes mais poderosos do planeta abordarão nesta semana em Davos os riscos vinculados à desregulação do clima e o tema também estará na agenda do G20 este ano.
“Em 2016 precisamos transformar em realidade a promessa climática da COP21 mediante a ação em campo”, afirmou o ex-ministro francês Pascal Canfin, diretor-geral da WWF na França.
“Há cada vez mais atores mobilizados para o desenvolvimento de soluções como as energias renováveis ou a eficácia energética”, agrega, porque “ficou provado que são competitivas e trazem inúmeros benefícios como a melhora da qualidade do ar”.
Embora ainda representem uma pequena fração do mercado mundial de energia, a solar e a eólica continuam se desenvolvendo cada vez mais, da China (primeiro investidor em energias renováveis) à Europa, passando por Estados Unidos, África ou América Latina.
Também está sendo desenvolvido o potencial da energia geotérmica. Na COP21 nasceu uma aliança mundial entre 36 países e cerca de vinte instituições.
A Índia, embora continue apostando no carvão, lançou em Paris uma “Aliança Internacional de Energia Solar” junto a outros 120 países.
- Resistência dos petroleiros -Melhora das tecnologias, diminuição dos custos e vontade política: tudo converge para que as energias “verdes” ganhem terreno. Se beneficiaram em 2015 de uma soma recorde de investimentos, cerca de 300 bilhões de dólares.
Mas para que o mundo concretize de fato a transição energética, será preciso mudar a escala das mudanças. A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que para alcançar o nível de 50% de energias renováveis em 2050 serão necessários cerca de 32 bilhões de dólares em investimentos.
Iniciativas como a de Bill Gates na COP21 (“Breakthrough energy coalition”) destinada a reunir investidores privados em torno da inovação tecnológica e a comercialização das soluções.
Apesar dos sinais de que a transição está começando a acontecer, o mundo depende tanto das energias fósseis que a batalha para limitar a desregulação continua tendo um desfecho certo.
“Evidentemente, esta transformação se choca com os interesses de inúmeros grupos de pressão que buscam preservar sua renda procedente das energias fósseis”, destaca Pascal Canfin.
“As indústrias de gás e petróleo são muito ricas e poderosas”, concorda Alden Meyer, da Union of concerned scientists, um centro de pesquisas com sede em Washington.
Em alguns países (Arábia Saudita, Venezuela, Nigéria, Argélia, Rússia, etc), a renda trazida pelo petróleo e pelo gás representam uma enorme parcela do PIB.
“Transformar a economia mundial não é uma tarefa fácil, haverá muito jogo político, de resistência, certa inércia”, prevê Saleemul Huq, especialista e conselheiro dos países em desenvolvimento.
Espera-se que os primeiros países a saírem da era pós-fóssil arrastem todo o resto.
“Mas ainda há muitos líderes apegados à velha noção de um compromisso necessário entre desenvolvimento e prosperidade econômica de um lado e ação climática de outro”, lamenta Alden Meyer, mas também existe “uma tomada de consciência cada vez maior dos custos associados ao impacto” do aquecimento e à falta de ação para combatê-lo. 

Nordeste dispensa uso de usinas térmicas mais caras...


As usinas termelétricas que têm alto custo de geração de energia (superior a R$ 600 por megawatt/hora) não serão mais utilizadas de forma contínua no Nordeste. Os membros do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) avaliam que o risco de desabastecimento na região com ou sem essa energia mais cara é zero.
A decisão de dispensar as térmicas foi tomada em agosto de 2015 e, segundo o Ministério de Minas e Energia, gerou economia de R$ 5,5 bilhões entre agosto e dezembro do ano passado. As térmicas de Custo Variável Unitário (CVU) mais caro (que usam diesel, petróleo e gás, por exemplo) funcionaram de forma contínua durante todo o primeiro semestre de 2015 como forma de suprir a deficiência de outras usinas, sobretudo as hidrelétricas ao longo do Rio São Francisco.
Mesmo com a geração das hidrelétricas reduzida (Sobradinho, por exemplo, vem gerando o equivalente a um sexto de sua capacidade instalada), o comitê verificou que o Nordeste seguirá sem risco de desabastecimento de energia graças à expansão da geração de energia eólica, à presença de térmicas de base (que ficam ligadas continuamente e têm CVU menor) e à importação de energia das regiões Centro-Sul e Norte.
As térmicas de custo mais alto, ainda que não usadas de forma contínua, estão disponíveis para suprir alguma necessidade do Sistema Interligado Nacional (SIN), como substituir térmicas em manutenção e dar suporte em horários de pico. O uso dessa forma, por exemplo foi responsável por cerca de 2% de toda a energia termelétrica gerada de 3 a 13 de janeiro. O ministério esclarece que esse índice não influencia nas bandeiras tarifárias.
O Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico se reúne mensalmente e é formado por representantes do Ministério de Minas e Energia, do Operador Nacional do Sistema, das agências nacionais de Energia Elétrica e do Petróleo, da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica e da Empresa de Pesquisa Energética. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

MLK Day of Service

MLK Day of Service

Pesquisadora do IOC/Fiocruz diz que há muito a esclarecer sobre o vírus Zika...

 


A chefe do Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Ana Maria Bispo, disse que desde a identificação de ligação entre o vírus Zika e os casos de microcefalia, o Brasil saiu de uma fase de desinformação total sobre a ocorrência para cerca de 30%, mas admitiu que há um longo caminho pela frente para que pesquisadores e especialistas consigam conhecimento suficiente sobre os efeitos do vírus e os reflexos causados nos infectados. “Que fatores poderiam estar favorecendo para a invasão deste vírus? Atravessar a placenta e infectar o feto. Qual é a célula-alvo desse vírus no feto. Então, esse tipo de perguntas é que a gente precisa [esclarecer]”, completou.

Além da microcefalia, já foram comprovados problemas de alteração de visão nos bebês nascidos de mães infectadas com o vírus Zika. Ela acrescentou que um outro questionamento feito é por que o vírus ultrapassou a barreira placentária, enquanto os estudos indicavam até agora que isso não acontecia?

A pesquisadora revelou que a Fiocruz já vem fazendo testes com minicérebros produzidos in vitro, que são infectados com o vírus para acompanhar toda a evolução da infecção. “Tudo isso é um leque de estudos que temos pela frente, e não se sabe absolutamente nada sobre esse vírus. A cada dia é uma coisa nova. Não é só a microcefalia. A microcefalia é um dos problemas. Tem se observado uma série de sequelas nos bebês. A microcefalia é a mais gritante; aquela que chama mais atenção; mas tem uma série de outras sequelas”, disse ela.

Ana Maria Bispo foi a primeira pesquisadora a diagnosticar a presença do vírus Zika no líquido amniótico. O teste foi feito em duas gestantes de Campina Grande, na Paraíba, e comprovou a ligação da doença com a microcefalia. Ela alertou, no entanto, que nem todas as gestantes com resultado positivo de zika têm bebês com malformações. “Esta é mais uma pergunta. Por que algumas têm bebê com microcefalia e outras não? Tudo isso é motivo de investigação”, reforçou.

Ana Maria Bispo informou que por causa dessa abrangência de reflexos, alguns pesquisadores estão propondo que não haja referência única à microcefalia, mas seja nomeada de síndrome congênita de zika, a exemplo da síndrome congênita da rubéola. “Eles estão querendo chamar de síndrome porque é uma doença muito maior que apenas a microcefalia”, adiantou.

A pesquisadora defende que o Ministério da Saúde adote a notificação obrigatória para os casos de zika no país. Segundo ela, com isso será possível ter avaliação dos registros e números de pessoas infectadas no Brasil, o que também favorecerá os estudos nessa área. “Ainda faltam muitos dados para que a gente possa acompanhar a necessidade de estudos de caso e controle de gestantes que tenham bebês com microcefalia, [bem como] as que tenham tido zika e não conceberam bebês com microcefalia”, analisou.

Para a especialista, a falta de dados, por não haver notificação obrigatória de zika, vai ser reduzida com a utilização dos kits NAT Discriminatório para Dengue, Zika e Chikungunya, mas, mesmo assim, a notificação obrigatória é necessária. “O ministério vai ter o número de casos reais de zica, de dengue e de chikungunya, porque dengue e chikungunya já são casos de notificação obrigatória. Acredito que em pouco tempo o zika também, pela sua importância epidemiológica”, apontou.

Sobre a vacina, ela explicou que os estudos serão feitos no Instituto Bio-Manguinhos da Fiocruz, a partir de um vírus Zika isolado pelo Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz. “A gente trabalha em parceria”, contou.

A pesquisadora acrescentou que ainda não é possível estimar quando a vacina ficará pronta, mas como o instituto já desenvolve estudos para uma vacina contra dengue, é possível usar a mesma plataforma. Além disso, há estudos em outros institutos no Brasil.




Óleo de planta pode ser usado para matar larvas do Aedes, aponta estudo...

 


Um grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amapá (Unifap) desenvolveu um produto inovador, que pode matar larvas do mosquito Aedes aegypti em depósitos de água por meio da extração de recursos biológicos da planta conhecida como sucupira, nativa da região amazônica. Apesar do resultado positivo, os testes ainda serão aprofundados para uma possível disponibilidade do produto para a rede pública de saúde.

De acordo com a pesquisadora e docente do curso de farmácia Anna Eliza Maciel, o estudo foi desenvolvido em conjunto com acadêmicos da graduação e apontou a eficácia de 70% no uso do produto em relação a mortalidade das larvas do mosquito, transmissor da dengue, chikungunya e zika vírus.

A pesquisa descobriu que o óleo extraído da planta apresenta várias atividades biológicas, incluindo uma potencial propriedade larvicida, substância que destrói larvas.

A escolha dos testes com larvas do mosquito Aedes deve-se pelo índice no Amapá. O último dado divulgado pela Coordenadoria de Vigilância em Saúde (CVS) aponta que houve o registro de 4.086 casos notificados de dengue até dezembro de 2015.

“A partir do produto, que é utilizado em várias funções biológicas, resolvemos testar com as larvas do Aedes aegypti, porque é uma preocupação de saúde pública. Os testes apresentaram resultados muito promissores, com taxa de mortalidade acima de 70%. Novos testes serão desenvolvidos e o objetivo no futuro é disponibilizar para a rede pública”, ressaltou Anna Eliza.
A pesquisadora explicou que a maioria dos métodos de controle da dengue envolve agentes larvicidas em água e, portanto, o uso dos produtos naturais extraídos da região amazônica é considerado um desafio tecnológico e que pode beneficiar a população.

“Utilizamos matéria da própria natureza e conseguimos desenvolver um produto, à primeira vista, eficaz no combate às larvas. Neste contexto, a pesquisa aparece como alternativa viável para resolver este problema principal”, comentou a pesquisadora.

De acordo com o grupo de pesquisas, o trabalho foi publicado no dia 07 de janeiro de 2016, pela revista norte-americana PLOS ONE, da área de farmácia. “Para nós a repercussão desta pesquisa é um ótimo resultado para o aprofundamento dos estudos”, frisou.


Belo Monte poderá ter problemas para escoar parte da energia gerada...

 


A Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Rio Xingu (PA), vai acionar as primeiras turbinas nos próximos meses, mas poderá ter problemas para escoar a energia gerada para outras regiões do país. Em um primeiro momento, quando a geração de Belo Monte ainda estiver baixa, a energia será transmitida diretamente para o Sistema Interligado Nacional, pela subestação Xingu, situada no município paraense de Vitória do Xingu. No entanto, quando a geração aumentar, pode haver dificuldades para escoar toda a energia.

As linhas de transmissão que deverão levar a energia de Belo Monte à Região Nordeste estavam sendo construídas pela empresa Abengoa, mas as obras foram paralisadas no fim do ano passado porque a matriz da empresa, na Espanha, entrou em recuperação judicial. Segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o atraso nesses empreendimentos poderá restringir a geração de energia em Belo Monte até a entrada da primeira grande linha de transmissão do empreendimento. 

“Considerando as previsões atuais dos agentes, é bastante provável que haja restrição de geração no período de novembro de 2016 a julho de 2017”, diz um relatório sobre o setor de transmissão publicado recentemente pela agência reguladora. O principal empreendimento da Abengoa, que foi paralisado, é a linha de transmissão que interliga a usina a Miracema do Tocantins. A linha, que deverá passar por 22 municípios, foi licitada em 2013 e deveria entrar em operação em agosto deste ano. Mas, com os atrasos, só deve começar a transmitir energia em setembro de 2017, segundo relatório de fiscalização da Aneel.

De acordo com previsões da Aneel, a usina começará gerando menos de 1 mil megawatts e chegará ao fim do ano com geração de mais de 3 mil megawatts. A capacidade de geração aumentará gradualmente, com a entrada em operação de novas turbinas, e a potência máxima da usina, estimada em 11,2 mil MW, deve ser alcançada no início de 2019. 

As duas maiores linhas de transmissão de Belo Monte, que vão levar a energia para o Sudeste, só devem ficar prontas em 2018 e 2019. Esses dois empreendimentos estão com o cronograma em dia, segundo relatório da Aneel. O primeiro bipolo foi leiloado em fevereiro de 2014 e vai levar a energia da Subestação Xingu até Estreito, Minas Gerais. A linha, de 2 quilômetros de extensão, deve ficar pronta em 2018 e está sendo construída pelo consórcio formado pelas empresas Eletronorte, Furnas e State Grid. O segundo bipolo, leiloado em julho do ano passado, vai até Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, e deve estar pronto em dezembro de 2019. O empreendimento está sendo construído pela State Grid e terá 2,5 quilômetros de extensão.

Para o professor Nivalde de Castro, coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a questão da transmissão deve ser um grande problema para o empreendimento. A falta das linhas de transmissão da Abengoa demonstra, segundo ele, o sintoma de que o segmento de transmissão está em crise preocupante.
“A questão de transmissão é o grande problema como um todo, não só para Belo Monte. Este, hoje, é o segmento que mais preocupa porque pode desestruturar o planejamento do setor elétrico que busca manter o equilíbrio dinâmico entre oferta e demanda. Estamos tendo capacidade de gerar e não vamos poder atender à demanda por falta de linhas de transmissão porque o setor entrou em uma crise muito preocupante”, disse. Castro lembra que nos últimos leilões de transmissão vários lotes ficaram sem compradores e que, nos próximos leilões, poderá não haver interessados suficientes para participar da competição.

Justiça suspende licença de operação – A previsão é que a usina comece a gerar energia em março. Mas, na semana passada, uma decisão judicial suspendeu a licença de operação de Belo Monte por causa de descumprimentos de condicionantes relacionadas à Fundação Nacional do Índio (Funai). A Norte Energia, responsável pela construção e operação da usina, não informou se a decisão da Justiça Federal de Altamira vai afetar o cronograma do empreendimento, mas disse que não foi notificada sobre a decisão e que cumpriu todas as determinações e obrigações do licenciamento ambiental do empreendimento. 

Segundo a Norte Energia, a usina está com mais de 87% das obras civis concluídas e a empresa está monitorando o enchimento dos reservatórios até que o nível esteja adequado para a geração de energia. De acordo com a empresa, o nível do Rio Xingu está subindo como previsto.