quarta-feira, 30 de setembro de 2015

XPrize dá US$ 20 mi para quem transformar CO2 em dinheiro...


A organização XPrize, que capitaneou a corrida para privatizar a exploração espacial, anunciou nesta terça-feira (29) que agraciará com US$ 20 milhões quem for capaz de desenvolver um método para transformar as emissões de dióxido de carbono em produtos com valor comercial.
“Nos próximos meses, a XPrize recrutará equipes de todo o mundo para concorrer pelo XPrize Carbono. Estamos buscando abordagens novas e revolucionárias para transformar as emissões de CO2 em produtos com valor”, anunciou hoje Paul Bunje, diretor de Energia e Meio Ambiente da XPrize.
A metade do prêmio, US$ 10 milhões, será proporcionada pelas companhias petrolíferas que exploram as jazidas das areias betuminosas da província canadense de Alberta, consideradas uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
A exploração das jazidas de Alberta se transformou em um grave problema político para o Canadá.
O primeiro-ministro canadense, o conservador Stephen Harper, retirou o Canadá do Protocolo de Kioto em 2010 para poder desenvolver sem dificuldades as jazidas das areias betuminosas.
Cientistas e grupos ambientalistas consideram o petróleo das areias betuminosas como um dos mais “sujos” do mundo pelo grave impacto no meio ambiente que representa sua extração, tanto em emissões de dióxido de carbono como no consumo de água e poluição, e seu processamento e transporte.
A recusa de Harper de atalhar o problema das emissões do setor petroleiro no Canadá é considerada a principal razão pela qual Washington se negou a autorizar a construção do oleoduto Keystone XL, que conectaria as jazidas de Alberta com as refinarias no sul dos Estados Unidos.
Os US$ 10 milhões com os quais as companhias petrolíferas contribuirão ao XPrize Carbono serão proporcionados pela Aliança para a Inovação das Areias Betuminosas do Canadá (COSIA, por sua sigla em inglês).
Os US$ 20 milhões do XPrize Carbono é o segundo maior prêmio outorgado atualmente pela organização, que tem em andamento seis competições para a inovação.
O primeiro são os US$ 30 milhões oferecidos para quem desenvolver um método acessível para que uma companhia privada envie um robô à Lua. Este desafio é financiado pelo Google.
O XPrize Carbono tem como objetivo encontrar a solução às emissões de carbono em 54 meses.
A XPrize disse que a competição terá duas vias: uma concentrada em provar tecnologias em uma central elétrica de carvão e outra em provar tecnologias em uma central elétrica de gás.
“A equipe ganhadora transformará a maior quantidade de emissões de CO2 nos produtos de maior valor”, disse a XPrize em seu site.

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Como a pesquisa de um universitário nepalês ajudou a Nasa a ‘descobrir água em Marte’...


Um cientista espacial nepalês foi um dos principais responsáveis pela descoberta de provas da existência de água em Marte – quando ainda era estudante.
Em 2011, durante sua graduação na Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, e aos 21 anos, Lujendra Ojha publicou uma pesquisa sugerindo que as manchas escuras em declives marcianos poderiam ser causadas por cursos de água salgada, que correriam durante o verão no planeta.
Ele formulou a hipótese a partir de análises de imagens feitas pela High Resolution Imaging Science Experiment (HiRISE), uma das câmeras do satélite Mars Reconnaissance Orbiter (MRO).
Em abril de 2015, a Nasa afirmou que as imagens feitas pelo satélite haviam oferecido pistas de que a teoria de Lujendra poderia estar correta. E, nesta segunda-feira, um estudo do nepalês confirmando a hipótese foi divulgado na publicação científica e anunciado pela agência espacial americana.
Atualmente, ele é estudante de PhD em ciência planetária no Instituto de Tecnologia do Estado da Geórgia.
Em seu site, ele afirma que seu principal interesse é “entender a evolução dos planetas telúricos (os mais próximos do Sol no Sistema Solar: Mercúrio, Vênus, Terra e Marte)”.
“Sou apaixonado pelo estudo das atuais características geológicas de corpos planetários no Sistema Solar. Trabalhei com Terra, Marte, Lua, asteroides, cometas e também classifiquei diversos meteoritos”, diz.
‘Golpe de sorte’ – Nascido em Katmandu, no Nepal , Lujendra era fã de ficção científica e sonhava inventar uma máquina do tempo quando criança, segundo o portal de notícias da rede americana CNN.
A descoberta sobre Marte aconteceu durante um projeto que ele desenvolvia com o professor Alfred McEwen, membro da equipe de pesquisadores do MRO e professor de geologia planetária na Universidade do Arizona.
Investigando, com a ajuda de um algoritmo, imagens das mudanças sazonais em canais de Marte, que podem ser resquícios da presença de água no passado, Lujendra percebeu manchas irregulares diferentes.
“Quando eu as vi pela primeira vez, não tinha ideia do que eram. Achava que eram apenas traços criados pela poeira ou algo assim. Foi um golpe de sorte”, disse ele à CNN em 2011, quando apresentou, como coautor, seu primeiro estudo sobre o tema.
Após meses de pesquisas, a equipe de McEwen descobriu que as manchas encontradas por Lujendra eram a primeira evidência de que água líquida salgada poderia existir na superfície do planeta.
O cientista nepalês é, agora, o principal nome no estudo que traz o que pode ser a notícia mais significativa do ano para a exploração espacial.
Na sua página pessoal, Lujendra aparece tocando guitarra em uma banda de rock, mostra suas fotos de cachoeiras e montanhas no Instagram e dá explicações espirituais para sua atração pela pesquisa científica.
“Com o profundo conhecimento de que sou corpo e mente unificados compostos de poeira estelar, eu não estou fazendo ciência. Estou apenas tentando entender minha gênese e compartilhar esse conhecimento.” 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Do papel ao lixo eletrônico, tudo se recicla...



Quem passa em frente à Rua Nova Pátria, em Cotia (SP), não imagina o que acontece no galpão que fica ao lado de uma quadra de esportes. Parte do que é descartado pela população da cidade ganha o destino certo: a reciclagem. No local funciona a Coopernova Cotia Recicla, cooperativa fundada em 2008 que reúne 32 participantes (22 mulheres e dez homens).
No galpão, com o apoio de apenas duas prensas e uma empilhadeira, eles reciclam, por mês, cerca de 40 toneladas de papelão; 30 toneladas de papel misto; 10 toneladas de vidro; três toneladas de embalagens cartonadas (caixas de leite, sucos e molhos), 1.500 quilos de latas de alumínio, e centenas de componentes de lixo eletrônico (monitores, computadores, impressoras e mouses).
Referência EducaRES – A Coopernova foi uma das cooperativas contempladas pelo projeto “Lixo Eletrônico e Responsabilidade Socioambiental”, apoiado pelo Fundo Socioambiental Caixa e realizado pelo Instituto GEA – Ética e Meio Ambiente, reconhecido como prática de referência EducaRES, ferramenta digital do Ministério do Meio Ambiente (MMA).
Desde a sua criação, em 2013, a EducaRES vem divulgando ações que ajudem a enfrentar os desafios da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS – Lei 12.305/10) proporcionando aos gestores, catadores de material reciclável e cidadãos em geral, a oportunidade de buscar boas iniciativas de todas as regiões do País. Atualmente existem 200 iniciativas cadastradas na plataforma.
Objetivos - O projeto, que foi iniciado em julho de 2013 e terminou em julho deste ano, teve como objetivo principal gerar renda para cooperativas de catadores, a partir da capacitação técnica dos cooperados e estruturação física das cooperativas para processamento adequado de resíduos eletrônicos (computadores, impressoras e mouses).
Além disso, a iniciativa teve como meta colocar à disposição da população uma forma ambientalmente segura e socialmente justa de destinar seus equipamentos eletrônicos sem uso; facilitar a inserção das cooperativas na logística reversa dos resíduos eletroeletrônicos (REE), uma diretriz da PNRS e do Decreto 7.404/10; e reduzir o risco de contaminação do meio ambiente por resíduos tóxicos.
Inspiração - De acordo com estudo desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA/ONU), o Brasil apresenta-se como maior produtor per capita de lixo eletrônico entre países emergentes e em desenvolvimento, resultando em 96,8 mil toneladas de lixo eletrônico ao ano – sendo o setor bancário um grande consumidor de equipamentos eletroeletrônicos.
Tendo em vista a abrangência nacional da Caixa, a sua ampla rede de atendimento e os avanços tecnológicos, a instituição identificou que o estoque de equipamentos eletroeletrônicos sem uso era elevado, o que demandava uma solução ambientalmente correta. Paralelamente, também constatou que as cooperativas não estavam preparadas para executar essa atividade.
Somando a isso, havia a necessidade de atender ao marco regulatório de resíduos sólidos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que estabelece a responsabilidade compartilhada na destinação final dos REE (fabricantes, distribuidores e consumidores), além do estímulo à participação de catadores no processo de gestão resíduos sólidos. A partir de todas essas questões, a Caixa resolveu desenvolver o projeto em parceria com o GEA.
Capacitações – O projeto apresentou resultados em todos os aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Foram estruturadas e capacitadas sete cooperativas (localizadas em São Paulo, Salvador, Recife e no Distrito Federal) para coletar, processar e comercializar resíduos eletrônicos, utilizando parte de resíduos da Caixa.
Foram capacitados 79 catadores pelo Instituto GEA, apoiado pelo Laboratório de Sustentabilidade da Universidade de São Paulo (Lassu). As capacitações abordaram os seguintes temas: riscos de contaminação durante a manipulação de resíduos eletrônicos, gestão administrativa do negócio e internalização de informações sobre toda a documentação necessária para comercializar esse material com empresas certificadas.
Segundo a presidente da Coopernova, Marli Monteiro, a partir das capacitações os cooperados passaram a trabalhar com mais segurança e mais higiene. “O descarte e o manuseio corretos das embalagens proporcionam mais saúde e mais renda ao trabalhador”, afirmou. “Ao higienizar as embalagens antes de descartá-las, a população mostra uma preocupação com quem vai trabalhar com elas”.
Lixo eletrônico - Após as capacitações técnicas, as cooperativas foram equipadas com ferramentas, mobiliário e equipamentos de segurança, para que pudessem atuar com os resíduos eletrônicos de forma profissionalizada e segura.
Foi só a partir desse momento que a Caixa passou a destinar os seus resíduos eletrônicos a essas cooperativas, que fizeram sua desmontagem e venderam os componentes para empresas especializadas, que fornecem documento comprovando a destinação final adequada. Segundo Marli Monteiro, durante a vigência do projeto a cooperativa passou a receber cerca de 300 monitores e 300 CPUs por mês da instituição.
Todos os cooperados que integram as cooperativas tiveram um aumento da renda proveniente da reciclagem do lixo eletrônico. Marli conta que os cooperados da Coopernova recebem, em média, renda de R$ 1.500,00 e que boa parte do valor vem desse tipo de material, normalmente muito procurado pelo mercado. “Não é só uma questão de valor”, enfatizou. “O lixo eletrônico é um dos que mais traz danos ao meio ambiente.”
Foram também colocadas à disposição do público 26 caixas coletoras nas regiões contempladas para resíduos eletrônicos provenientes da população, em condomínios residenciais e comerciais, mercados, aeroportos, empresas públicas e privadas.
Resultados - No total, 17.965 equipamentos eletrônicos foram destinados pela Caixa às cooperativas e 300 doados pela população. A comercialização desses equipamentos, após tratamento adequado, gerou um total de R$ 220 mil para as cooperativas. O descarte adequado desses equipamentos permitiu que pelo menos duas toneladas de chumbo fossem recicladas, evitando a contaminação do meio ambiente.
Segundo a presidente do Instituto GEA, Ana Maria Luz, o projeto só teve resultados positivos e serviu como exemplo a outras empresas, pois demonstrou, na prática, que é viável considerar as cooperativas de catadores como destinatários dos seus resíduos eletrônicos.
Essa ação socioambiental tem um grande alcance e beneficia não só os catadores, mas a população em geral. “Adotando esse mesmo procedimento, as empresas podem ainda antecipar-se à entrada em vigor da política nacional de resíduos sólidos, implementando a logística reversa de eletrônicos com viés social”, destacou.
Considerando os resultados exitosos do projeto, a Caixa iniciará uma segunda fase, que consistirá na expansão para Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Goiânia, além de Brasília, Recife, Salvador e São Paulo. Serão tratados, além de eletroeletrônicos, mobiliários, equipamentos de uso, de segurança e de tecnologia da informação (TI). Outras 22 cooperativas participarão, sendo capacitados e instrumentalizados 420 cooperados.
As cooperativas e cooperados da primeira fase também receberão capacitação. O outro diferencial dessa próxima fase consistirá na estruturação de uma rede apoio para que a comercialização seja realizada de forma integrada com outras cooperativas locais.
Saiba mais – Mais de 200 experiências sobre educação ambiental e comunicação social com resíduos sólidos estão disponíveis na plataforma virtual EducaRES. Essa ferramenta digital tem o objetivo de divulgar ações que ajudem a enfrentar os desafios da implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) proporcionando aos gestores, catadores de material reciclável e cidadãos em geral, a oportunidade de buscar boas iniciativas de todas as regiões do país.
Em 2014, o Ministério do Meio Ambiente lançou edital público que selecionou 84 ações de referência. Foram escolhidas até 30 experiências de cada segmento (sociedade civil, poder público e setor privado).
As propostas selecionadas foram reconhecidas como “Práticas de Referência EducaRES” e aparecerem de forma diferenciada na plataforma. As experiências também serão recomendadas pelo Ministério do Meio Ambiente como referência para compor materiais pedagógicos e técnicos de publicações e processos formativos, presenciais ou a distância, produzidos pelos governos no âmbito federal, distrital, estadual e municipal. 

sábado, 26 de setembro de 2015

ONU adota metas de desenvolvimento sustentável dos próximos 15 anos...



Uma nova agenda global para acabar com a pobreza até 2030 e buscar um futuro sustentável para todos foi adotada, nesta sexta-feira (25), por unanimidade, pelos 193 Estados-membros das Nações Unidas, no início da Cúpula da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável 2015. Eles aprovaram formalmente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – 17 grandes metas que guiarão os próximos 15 anos na luta global contra a pobreza e as desigualdades. O processo de construção dessa metas começou em 2012, na conferência Rio+20.
A agenda compromete todos os países a tomarem uma série de ações que não somente atacam as causas profundas da pobreza, mas também pretendem aumentar o crescimento econômico e a prosperidade, além de abranger problemas ligados à saúde, educação e necessidades sociais das pessoas e, ao mesmo tempo, proteger o meio ambiente.
Durante a cerimônia de abertura da Cúpula, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse que “a nova agenda é uma visão universal, integrada e de transformação para um mundo melhor. Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) são o nosso guia. Eles são uma lista de coisas a fazer para as pessoas e o planeta, e um plano para o sucesso”, disse o secretário-geral, segundo comunicado divulgado pela ONU.
A adoção oficial da agenda aconteceu logo depois que o Papa Francisco se dirigiu à Assembleia Geral.
A nova agenda de desenvolvimento substitui os Objetivos do Milênio, cujo ciclo se fecha este ano com grande sucesso em áreas como a redução da extrema pobreza, mas longe de cumprir outras metas e incapazes de conter a desigualdade no mundo.
Os 17 objetivos de Desenvolvimento Sustentável incluem 169 metas concretas, cujo cumprimento será medido por 300 indicadores elaborados pela ONU. Os compromissos, negociados durante anos, afetam tanto os países ricos como os pobres e têm como eixo central a erradicação da pobreza extrema.
O plano estabelece especificamente a meta de acabar até 2030 com a pobreza mais grave, onde estão todos que vivem com menos de US$ 1,25 ao dia, e a de reduzir pela metade o número de pessoas pobres, medida em função das definições aplicadas por cada país.
A nova agenda se aprofundará também em outras áreas que registraram grandes progressos nos últimos anos, como a educação, a saúde e a luta contra a fome. Entre os objetivos está conseguir que em 15 anos chegue o fim da desnutrição, o acesso universal a alimentos suficientes, e que todas as crianças completem os estudos primários e secundários.
Também há metas ambiciosas para reduzir a mortalidade materna e infantil, acabar com a epidemia da aids e facilitar a todos o acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva.
Mas a nova estratégia procura responder também àquelas áreas em que os Objetivos do Milênio fracassaram, começando pelo problema da desigualdade.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

VOCÊ SABE O QUE É SUSTENTABILIDADE EMPRESARIAL?



Vivemos hoje sobre o fio da navalha em relação às questões ambientais. Nosso planeta dá sinais claros de que não suporta mais o ritmo de consumo que imprimimos nos dias atuais. A poluição da terra; da água e do ar; chegaram a níveis tão altos que em alguns países certas regiões chegam ater níveis de poluentes que provocam deformidades e problemas gravíssimos de saúde para os habitantes locais.

Como vivemos numa “bolha de vida” e tudo o que se faz aqui reflete obrigatoriamente em toda parte, a sucessão de ocorrências catastróficas ligadas ao clima e ao meio ambiente, constantemente atacados pelo nosso modo de vida; acabaram forçando a humanidade a repensar sua forma de se relacionar com o planeta. Isso ajudou muito a criar e a fomentar uma consciência planetária de que algo deve mudar.

Da mesma forma, essa massa cada consumidora, cada vez mais, representa uma pressão constante sobre as empresas e suas práticas de produção e de prestação de serviços. Isso é muito positivo, pois cria nas empresas a necessidade de adaptarem seus procedimentos ou de mudarem sua forma de agir de forma drástica e rápida; sob pena de verem suas vendas (e seus lucros) caírem vertiginosamente de forma perigosa e arriscada. Esse “novo comportamento” acabou recebendo o nome de sustentabilidade empresarial. Desta forma, as empresas acabaram definindo um conjunto de práticas que procuram demonstrar o seu respeito e a sua preocupação com as condições do ambiente e da sociedade em que estão inseridas ou aonde atuam.

Para atribuir-se um controle maior e transformar essa preocupação num ponto de apoio ao marketing dessas empresas, a BOVESPA criou Há algum tempo um índice para medir o grau de sustentabilidade empresarial das empresas que têm ações na bolsa: O I.S.E. – Índice de Sustentabilidade Empresarial; que acabou se tornando um importante fator para despertar o interesse de investidores nas ações de empresas que possuem políticas claras de respeito à responsabilidade social de seus empreendimentos, produtos e serviços. As empresas que se interessam em adotar o índice devem responder a um questionário de aproximadamente cento e cinqüenta questões relacionadas ao meio ambiente, atuação social, governança e seu envolvimento com a causa do desenvolvimento sustentável. E já existem trinta e duas empresas vinculadas ao índice cujo escopo e alcance devem aumentar consideravelmente muito em breve.

Infelizmente, devemos reconhecer que a sustentabilidade empresarial ainda não é um tema central em muitas empresas. Principalmente em países como o nosso e nos países ricos, muitas corporações associam a idéia da sustentabilidade empresarial a um aumento nos custos de operação e nos preços de venda; o que provocaria um risco aos seus produtos e a sua penetração no mercado consumidor. No entanto, aos poucos, essa visão vai sendo revertida pela conscientização cada vez maior dos consumidores e a real pressão que esses grupos vêm fazendo sobre o mercado e, conseqüentemente, sobre as empresas.
Cabe a cada um de nós, como consumidores atentos, elevar o nível de pressão sobre essas empresas teimosas e deixar bem claro que; ou elas mudam sua forma de agir e controlam seus procedimentos produtivos e agem de forma mais sustentável, ou seus produtos acabarão sendo deixados de lado e elas perderão o mercado.

Mas, para que a sustentabilidade empresarial seja uma realidade em todo mundo, os consumidores devem se unir e promover uma grande onda de esclarecimento e de cobrança consciente. Devem fazer os empresários entenderem que chegou o fim do “lucro pelo lucro” e que, agora, pensar com responsabilidade e cuidar do mundo que nos cerca é crucial para nossa própria sobrevivência.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Planeta terá temperaturas muito elevadas em 2015 e 2016, diz relatório...



O aquecimento global, associado a fenômenos naturais como El Niño, provocará temperaturas muito elevadas em 2015 e 2016, afirma um relatório publicado nesta segunda-feira (14) pelo serviço meteorológico britânico (Met Office).
“É muito provável que 2014, 2015 e 2016 estejam entre os anos mais quentes já registrados” no planeta, disse Rowan Sutton, professor do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas.
Sutton acredita ainda que o aquecimento global voltará a se acelerar, após uma década de relativa estabilidade.
Esta “pausa” no aumento das temperaturas serviu de argumento para os chamados “clima-céticos”, que criticam os modelos científicos para explicar a mudança climática e até negam a responsabilidade humana no aquecimento global.
Segundo o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), a “pausa” no aquecimento se deve a uma questão estatística, já que 1998 foi um ano especialmente quente devido ao El Niño, fenômeno ligado ao aquecimento do Pacífico, que teve como consequência anos seguintes mais amenos.
O estudo publicado pelo Met Office analisa detalhadamente o El Niño, que voltou a ser detectado em março e pode ser “um dos mais intensos” da história.
Segundo pesquisadores britânicos, o fenômeno contribui com o aquecimento global e também repercute em nível local, com condições mais secas para alguns países asiáticos e a Austrália.
Os pesquisadores preveem que neste outono e inverno no hemisfério norte as chuvas serão mais abundantes na Califórnia, que enfrenta uma severa seca há quatro anos.
O Met Office também prevê que o esfriamento que se observa atualmente no oceano Atlântico pode provocar verões menos quentes e mais secos no norte da Europa, efeito que será contrabalançado pela tendência geral de aquecimento global.
Em agosto, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos informou que os sete primeiros meses de 2015 foram mais quentes já registrados, após 2014 ter sido o período mais quente em 135 anos. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Projetos para ‘precificar’ CO2 dobram em três anos, diz Banco Mundial...



Os sistemas para precificação de carbono – impostos sobre emissões de CO2 ou mecanismos de mercado para negociar direitos de emissão – dobraram em número no planeta desde 2012.
O preço atribuído ao carbono na maioria desses mercados, porém, é baixo demais para ajudar a combater, afirma um novo relatório do Banco Mundial.
Esquemas para precificar as emissões existem em lugares tão diferentes quanto a Califórnia e a China, e têm jurisdição sobre cerca de 12% as emissões de gases de efeito estufa no planeta.
O número de instrumentos para precificação de carbono implementados ou planejados subiu de 20 para 38. A Coreia do Sul inaugurou um mercado de emissões em 2015, por exemplo, e Chile e África do Sul já programaram a implementação de taxas de carbono.
“Há um sentimento crescente de inevitabilidade… de que vai haver um preço sobre o carbono”, disse Rachel Kyte, vice-presidente do Banco Mundial e adida especial para o clima, em entrevista por telefone.
Os mercados de carbono funcionam em esquema de “cap-and-trade”, onde o número de emissões é limitado para um setor da economia, e as licenças para emissão podem ser vendidas de uma empresa para outra.
Carbono barato – A ideia de colocar um custo na emissão de carbono é incentivar a migração de investimentos dos combustíveis fósseis para fontes como solar ou eólica. O preço da tonelada de CO2 no mundo, porém, varia no planeta entre algo como menos de U$ 1 no México e US$ 130 na Suécia. Em mais de 85% dos casos o presso foi de menos de US$ 10.
O valor médio é “consideravelmente mais baixo” do que o necessário para incentivar a redução nas emissões de CO2 necessária para evitar que o clima se aqueça mais de 2°C no planeta além dos limites pré-industriais, limite considerado perigoso.
O Banco Mundial não tem sugestão de preço para a tonelada de CO2.
O valor combinado dos instrumentos de precificação de carbono foi estimado em US$ 50 bilhões por ano no mundo, dois quais US$ 34 bilhões foram negociados em mercados e outros U$ 16 bilhões captados em impostos.
No Brasil, o Ministério da Fazenda realiza estudos sobre o impacto de uma eventual precificação de carbono na economia, mas o governo ainda não tem programa anunciado para implementar nenhum mecanismo. 

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Uso de resíduos minerais reduz custo da indústria e ajuda o meio ambiente...



Pesquisas do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem) e do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, sugerem que a indústria nacional pode se beneficiar da utilização de resíduos provenientes de rochas ornamentais e minerais para fabricação de armação de óculos e tubetes (recipientes biodegradáveis) usados para fixação de mudas de plantas no solo.
Essas inovações tecnológicas, que estão sendo patenteadas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), podem reduzir os custos para as empresas, gerar menor dano para o meio ambiente, e enriquecer o solo, segundo os pesquisadores.
Uma das pesquisas se refere à utilização de polipropileno e resíduos oriundos de rochas ornamentais para a produção de armação de óculos de alta resistência, de autoria dos pesquisadores Roberto Carlos da Conceição Ribeiro, Marcia Gomes de Oliveira e Fernanda Veloso de Carvalho. Roberto Carlos Ribeiro disse que, embora haja produção no Brasil desse material, os elementos utilizados – talco ou resinas – são mais caros.
“Utilizando resíduo mineral, é possível reduzir custos em relação ao que se utiliza hoje. Não é um resíduo mineral qualquer. É um resíduo mineral descartado no meio ambiente”, disse Roberto Ribeiro. Segundo o pesquisador, como o novo processo não usa carga virgem – e sim um resíduo de rochas ornamentais – o custo é praticamente zero. “Os produtores de rochas ornamentais querem se livrar desse material e eu consegui gerar uma armação de óculos com resistência mecânica, flexibilidade e leveza, que pode constituir um novo material para o mercado”, acrescentou.
Segundo o pesquisador do Centro de Tecnologia Mineral, a rede de incubadoras ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação busca inovações dentro dos institutos de pesquisa e passa informações para empresas interessadas em estabelecer parcerias visando a transferência tecnológica e produção industrial das invenções.
Roberto Ribeiro disse que a indústria, antes de produzir granito ou mármore cortado, descarta 70% a 80% da matéria prima retirada das rochas. Esse material é jogado pela indústria em aterros. Segundo o pesquisador, Espírito Santo e Minas Gerais, por exemplo, “já não suportam mais receber tanta carga de resíduos”. Acrescentou que até pouco tempo, os rejeitos eram lançados em rios e córregos, gerando um problema grande de assoreamento. “Mas o Ministério Público entrou em ação, as prefeituras foram orientadas a implantar depósito para esses resíduos”, disse o pesquisador. Roberto Ribeiro disse que existem depósitos clandestinos no interior do país. Se houver interesse das indústrias em estabelecer parceria no projeto, esses resíduos de rochas ornamentais poderão ter uma nova finalidade.
A fabricação de tubetes – usados para fixar mudas de plantas – constitui outra experiência de sucesso dos pesquisadores Roberto Ribeiro e Marcia Gomes de Oliveira, do Centro de Tecnologia Mineral. O material plástico utilizado atualmente na confecção dos tubetes é biodegradável. Esses equipamentos fixam a planta no solo e o material plástico se degrada, mas não acrescenta nada de positivo. “Nossa ideia foi que, em vez de ter um polímero simplesmente se degradando ao longo do tempo no solo, sem contribuir em nada para ele positivamente, nós resolvemos colocar resíduos ricos em fósforo ou potássio na composição do polímero”.
Com isso, na medida em que o tubete se degrada no solo ao longo do tempo, ele vai despejando na terra os fertilizantes naturais, “seja potássio, fósforo ou corretores de PH (alcalinidade), como cálcio e magnésio”. Esse processo evita, ou retarda, por outro lado, o uso de fertilizantes químicos. “Na medida em que a planta está se adequando àquele solo, você está levando também nutrientes para facilitar a fixação dessa planta no solo”.
O objetivo, conforme disse Roberto Ribeiro, é preservar e meio ambiente e permitir que os produtores de rochas possam gerar um subproduto dentro de sua linha de trabalho, utilizando os resíduos como uma carga mineral. 



domingo, 20 de setembro de 2015

Projeto transforma cigarros irregulares em adubos ecológicos...



Um projeto desenvolvido no município de Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, transforma cigarros irregulares apreendidos nas rodovias federais em adubos ecológicos para plantas. Desde 2011, quando os trabalhos foram iniciados, mais de 25 toneladas do produto já viraram fertilizantes.
Na última semana, uma carga irregular apreendida resultou em quase 2 toneladas de cigarros falsificados, que foram encaminhados ao projeto. “Constantemente a Receita Federal tem desenvolvido operações, principalmente nas fronteiras e no interior do Brasil, com o objetivo de coibir a circulação dessas mercadorias ilegais que vêm de outros países”, afirmou o analista tributário Reginaldo Araújo.
O projeto de reciclagem dos cigarros é uma parceria entre a Receita Federal e a Prefeitura de Cristalina. Em um terreno, as caixas são trituradas e misturadas a esterco de gado. Essa mistura leva aproximadamente 90 dias para ficar pronta para uso.
“A gente tem um material, por exemplo, que está com 20 dias, e que já começou a fermentar. Ele fica em altas temperaturas e o plástico começa a derreter. Aí a gente vai aguando e mexendo ele até que ele se torne em um composto viável para o uso em plantas e plantações”, explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico e de Agronegócio, Carlos Alberto Sponchiado.
Após o período de preparação, o resultado é um adubo ecológico, que pode ser usado como fertilizante de mudas nativas, hortas, plantio de árvores e ajuda até a recuperação de áreas degradadas. Sendo assim, o projeto encaminha o material para plantações de escolas do município, casas de apoio e até de hospitais.
“A gente acaba usando esse composto para fazer a produção de verduras e de mudas. Ele ajuda a proteger a planta de pragas e não é preciso o uso de muitos defensivos agrícolas”, relatou o engenheiro agrônomo Juliano Shonberger.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Cidades produzem até 10 bilhões de toneladas de lixo por ano...


As zonas urbanas produzem, por ano, entre sete e 10 bilhões de toneladas de lixo, segundo um levantamento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) divulgado nesta semana.
Além disso, 3 bilhões de habitantes do planeta não têm acesso a locais apropriados para descartar esse material. O Pnuma afirma que a situação já é um problema econômico, ambiental e de saúde pública. O estudo foi feito em parceria com a Associação Internacional dos Resíduos Sólidos.
O crescimento da população, a urbanização e o aumento do consumo estão por trás de tanto desperdício. A agência da ONU prevê que até 2030 o volume de resíduos desperdiçados poderá dobrar em cidades da África e da Ásia.
O Pnuma também defende uma mudança no padrão de consumo, atualmente baseado no “pegue, faça, use, descarte”, para o princípio do “reduza, reutilize, recicle”
O diretor-executivo do Pnuma falou sobre a urgência de uma resposta a esse “problema mundial”, porque a falta de ação está custando aos países de cinco a 10 vezes mais do que custariam os investimentos adequados no manejo do lixo.
Achim Steiner lembrou que as nações precisam aplicar o princípio dos “3 Rs”: “reduzir, reutilizar e reciclar”. Uma mudança de atitude pode gerar “reduções drásticas na emissão de gases, criar milhões de empregos e gerar benefícios econômicos de bilhões de dólares”, afirmou o chefe do Pnuma.
Mudança de padrão - O relatório oferece exemplos de soluções, como melhorias nos sistemas de busca e descarte de lixo; ações de prevenção do desperdício; e aumentar a reutilização e a reciclagem de produtos.
O Pnuma também defende uma mudança no padrão de consumo, atualmente baseado no “pegue, faça, use, descarte”, para o princípio do “reduza, reutilize, recicle”.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Equipe internacional finaliza projeto de ‘ducha infinita’ e filtro d’água impresso em 3D...


Um chuveiro que recicla a água durante o banho e uma turbina eólica feita com roda de bicicleta são alguns dos projetos ecológicos sendo finalizados em um castelo na França, como parte de uma iniciativa que visa o uso sustentável de recursos energéticos.
As ideias, que ficarão disponíveis na internet, não estarão sujeitas a normas de propriedade intelectual e poderão ser compartilhadas livremente dentro do sistema chamado de “open source” (código aberto).
Desde meados de agosto, cerca de cem de engenheiros, designers e pesquisadores de vários países, inclusive do Brasil, estão reunidos no castelo de Millemont, nos arredores de Paris, para concluir os 12 projetos finalistas.
A iniciativa, batizada de POC 21 (Proof of Concept – “prova de viabilidade”, em tradução livre), foi lançada pelas ONGs Oui Share (da França) e Open State (da Alemanha), que atuam na área de economia colaborativa, e tem o objetivo de aumentar a eficiência no uso de recursos naturais.
A POC 21 recebeu cerca de 200 projetos e selecionou os 12 finalistas – originários de Europa, EUA e Canadá –, cujos protótipos serão finalizados em 18 de setembro.
Logo depois, os métodos de fabricação, em linguagem simples e com uso de materiais reciclados ou acessíveis, serão colocados na internet, nos moldes de “faça você mesmo”.
‘Ducha infinita’ – Um dos protótipos é o finlandês “showerloop”, espécie de “ducha infinita” dotada de um sistema de filtragem que recicla a água do banho em tempo real e a re-envia ao chuveiro.
“É um objeto que tem relação direta com os problemas da crise hídrica que enfrentamos em São Paulo e no Rio de Janeiro”, disse à BBC Brasil Manuela Yamada, brasileira que integra a equipe em ação no castelo francês como consultora em materiais recicláveis.
Há também um projeto espanhol de um filtro de água impresso em 3D, que custará apenas cerca de um euro (R$ 4) e que poderá ser utilizado em qualquer garrafa.
E uma turbina eólica que deve custar 30 euros (cerca de R$ 130) é 100% composta de materiais reciclados, como chapas de alumínio que normalmente são jogadas fora por gráficas offset após certo tempo de utilização, disse a consultora.
A versão atual do protótipo é capaz de gerar 1 kW sob ventos de 60 km/h – e pode absorver aqueles de até 105 km/h.
Há ainda iniciativas como o “Solarrose”, painel com sistema de espelhos para transformar a energia solar em térmica, além de outros projetos de painéis de energia solar, agricultura urbana e conservação e transformação de alimentos.
Melhorias – “O projeto irá continuar após o desenvolvimento dos protótipos. Como as informações estarão disponíveis na internet, elas poderão ter melhorias ao longo do tempo, já que as tecnologias evoluem”, afirmou Manuela Yamada, que também atua na Materia Brasil, empresa de design e conhecimento em projetos ambientais.
Desse modo, “o impacto é bem maior do que se (as iniciativas) fossem desenvolvidas de maneira tradicional”, opinou.
Segundo ela, essa é a primeira vez que foi criado um campo de inovação tecnológica e de sustentabilidade tão grande, envolvendo uma centena de pessoas de inúmeros países.
Os objetos em desenvolvimento serão concluídos cerca de dois meses antes da COP 21, Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, que será realizada em Paris a partir de 30 de novembro.
“Nosso objetivo é favorecer a troca de competências e mostrar como a economia colaborativa participa na transição energética”, afirmou Benjamin Tincq, cofundador da OuiShare. “Desejamos tornar esses projetos compreensíveis ao público em geral.”
Os protótipos desenvolvidos podem ser vistos de 18 a 20 de setembro no castelo de Millemont, a 55 quilômetros de Paris, onde também devem ser exibidos antes da COP 21. 

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Projeto transforma cigarros irregulares em adubos ecológicos...



Um projeto desenvolvido no município de Cristalina, no Entorno do Distrito Federal, transforma cigarros irregulares apreendidos nas rodovias federais em adubos ecológicos para plantas. Desde 2011, quando os trabalhos foram iniciados, mais de 25 toneladas do produto já viraram fertilizantes.

Na última semana, uma carga irregular apreendida resultou em quase 2 toneladas de cigarros falsificados, que foram encaminhados ao projeto. “Constantemente a Receita Federal tem desenvolvido operações, principalmente nas fronteiras e no interior do Brasil, com o objetivo de coibir a circulação dessas mercadorias ilegais que vêm de outros países”, afirmou o analista tributário Reginaldo Araújo.
O projeto de reciclagem dos cigarros é uma parceria entre a Receita Federal e a Prefeitura de Cristalina. Em um terreno, as caixas são trituradas e misturadas a esterco de gado. Essa mistura leva aproximadamente 90 dias para ficar pronta para uso.
“A gente tem um material, por exemplo, que está com 20 dias, e que já começou a fermentar. Ele fica em altas temperaturas e o plástico começa a derreter. Aí a gente vai aguando e mexendo ele até que ele se torne em um composto viável para o uso em plantas e plantações”, explicou o secretário de Desenvolvimento Econômico e de Agronegócio, Carlos Alberto Sponchiado.
Após o período de preparação, o resultado é um adubo ecológico, que pode ser usado como fertilizante de mudas nativas, hortas, plantio de árvores e ajuda até a recuperação de áreas degradadas. Sendo assim, o projeto encaminha o material para plantações de escolas do município, casas de apoio e até de hospitais.
“A gente acaba usando esse composto para fazer a produção de verduras e de mudas. Ele ajuda a proteger a planta de pragas e não é preciso o uso de muitos defensivos agrícolas”, relatou o engenheiro agrônomo Juliano Shonberger. 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Cientista brasileiro vende empresa de biotecnologia por R$ 1,5 bilhão...


Uma empresa de biotecnologia fundada nos Estados Unidos com a ajuda de um pesquisador brasileiro foi vendida neste mês para a Roche por US$ 425 milhões (pouco mais de R$ 1,5 bilhão no câmbio atual).
A GeneWEAVE Biosciences foi cofundada por Leonardo Maestri Teixeira junto com outro amigo durante o período em que estava na Universidade de Cornellpara desenvolver o doutorado.
Teixeira foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao Ministério da Educação (MEC). De acordo com a Capes, a ideia da empresa surgiu em uma disciplina sobre empreendedorismo e acabou executada paralelamente às atividades do bolsista.
“Tínhamos que trabalhar um plano de negócios conceitual em cima de uma ideia. Discutimos sobre diversas ideias, até resolvermos buscar um problema de países em desenvolvimento como o Brasil”, explicou.
O diagnóstico da tuberculose foi o primeiro foco, depois alterado para infecção hospitalar.
“Buscamos uma solução para a erradicação da tuberculose, focando no diagnóstico. Daí surgiu o conceito da tecnologia, que posteriormente patenteamos e aprovamos um projeto para o desenvolvimento da prova de conceito da ideia que tivemos”, relatou o brasileiro para a Capes.
Diante dos primeiros bons resultados, Teixeira partiu para obter recursos em competições para empreendedores. Com os prêmios em dinheiro conquistado nessas “disputas de plano de negócio”, a equipe foi ampliada e o foco, alterado.
“Para conseguirmos capital semente, mudamos o foco do nosso kit de diagnóstico de tuberculose para infecção hospitalar, já que este era um problema dos EUA, e consequentemente facilitaria a captação de recursos”, disse.
Investimento e retorno – Entre 2010 e 2014, a empresa captou US$ 25,2 milhões de dólares junto a investidores. Por isso, Teixeira lembra que na venda da empresa, como ocorre com a maioria das start-ups, os investidores ficarão com boa parte do valor da venda.
“(…) Sofri uma grande diluição durante os investimentos, o que é normal em uma empresa que recebe recursos de capital de risco. E que estes investidores ficam com a maior parte do retorno da venda. Isto é normal, já que o risco de capital é todo deles. Enfatizo isto para os que não são familiarizados com estes negócios acharem que fiquei bilionário”, disse.
Segundo o pesquisador, a venda da GeneWEAVE sempre foi uma das hipóteses consideradas pelo grupo. “Desde 2014 já temos alguns equipamentos em teste em alguns hospitais, e começamos a apresentar os resultados em algumas feiras setoriais, já no intuito de divulgar o produto e a empresa para uma possível venda, que ocorreu no início de agosto”, contou Leonardo.
“A aquisição teve um aporte inicial de apenas 40% do valor, ficando o restante dependendo dos resultados e metas negociadas. Ou seja, apenas começou. Nosso objetivo é realmente ver o produto em todos os hospitais, salvando milhares de vidas por ano, já que esta foi a proposta inicial”, explica.
Em nota, a Roche justificou a aquisição para seus investidores afirmando que a GeneWEAVE tem uma solução inovadora para diagnóstico molecular que identifica rapidamente organismos resistentes e avalia sensibilidade aos antibióticos diretamente a partir das amostras clínicas, sem processos complicados e demorados.
O produto desenvolvido pela empresa fundada pelo brasileiro foi considerado um “novo paradigma” pela Roche.
Trabalho paralelo – Apesar de a ideia do projeto ter surgido durante uma disciplina, todo o desenvolvimento ocorreu sem tratar do mesmo tema específico do doutorado, realizado entre os anos de 2004 e 2008.
“O trabalho da tecnologia da GeneWEAVE foi feito em paralelo por exigência do meu orientador, já que o desejo de trabalhar em algum projeto para iniciar uma empresa surgiu em uma disciplina de empreendedorismo”, explicou.
Teixeira resssalta que o trabalho da disciplina não tinha relação específica com o trabalho de conclusão da tese. “O projeto da empresa, assim como o modelo de negócios inicial foi elaborado nesta disciplina, ainda sem trabalho de bancada. Por incrível que pareça, nós dois ficamos com uma péssima nota nesta disciplina, na verdade a pior do meu histórico!”, lembra bem-humorado.
A trajetória acadêmica da Teixeira foi marcada pelo foco na pesquisa, com apoio da Capes. “Durante a minha graduação em Ciência e Tecnologia de Laticínios na UFV tive bolsa de iniciação científica e, posteriormente com bolsa da Capes, fiz meu mestrado em Microbiologia Agrícola nesta mesma instituição.”
De volta ao Brasil, Teixeira acredita que o conhecimento obtido no exterior está sendo revertido para o país. “Hoje sou diretor-presidente de um instituto (Instituto de Tecnologia e Pesquisa – em Sergipe), que é uma referência nas áreas de atuação, com mais de 60 pesquisadores doutores, muitos deles com bolsa de produtividade em pesquisa.”

sábado, 5 de setembro de 2015

Neymar lança campanha pela proteção da Amazônia...


Neymar anunciou nesta sexta-feira (5) uma parceria com a ONG World Wildlife Fund (WWF) em uma campanha de conscientização e proteção da Amazônia, maior reserva florestal do mundo.
“Eu acho que é dever de todo brasileiro e de todo ser humano olhar pela Amazônia, cuidar de nossas florestas. Precisamos devolver para a natureza tudo o que ela nos deu até hoje e é através da preservação que precisamos nos unir”, afirmou o atacante do Barcelona em comunicado que faz parte da iniciativa.
A campanha busca dar mais visibilidade internacional a um problema de alta sensibilidade no campo das mudanças climáticas e da conservação da biodiversidade, área em que o Brasil é um ator-chave por ter a maior quantidade de espécies no mundo – segundo dados do IBGE.
O jogador participa da campanha da WWF através do Instituto Projeto Neymar Jr. e gravou um vídeo que será divulgado neste sábado, 5 de setembro, data em que é comemorado o Dia da Amazônia.
A Amazônia tem sete milhões de quilômetros quadrados (km²), dos quais cinco e meio são florestas, e é palco de inúmeras atividades predatórias, como a derrubada ilegal de árvores.
Segundo os últimos dados do ministério de Meio Ambiente, em 2014 foram desmatados 5.012 quilômetros quadrados na Amazônia. O governo federal assumiu o compromisso de cumprir uma meta de reduzir esta área para 3.915 km² até 2020.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Prorrogada consulta à lei de biodiversidade...


O prazo para recebimento via Internet das contribuições da sociedade civil à regulamentação da Lei de Acesso e Repartição de Benefícios da Biodiversidade foi prorrogado até 15 de setembro. Mesmo após essa data, o cidadão que desejar contribuir ainda poderá fazê-lo, já sobre a minuta de decreto a ser apresentada à Casa Civil da Presidência.
Além das contribuições, o governo federal está ouvindo povos e comunidades tradicionais em seis encontros regionais, buscando contribuir para o aperfeiçoamento da legislação. De acordo com previsão da Diretoria de Patrimônio Genético (DPG), pelo menos 20 dos artigos da nova lei remetem à regulamentação. “Além deles, há outros artigos que não pedem diretamente, mas podem ser alvo de regulamentos”, informou o analista ambiental da DPG Henry Nuvion.
Avanços
A lei é uma conquista para os povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, que passam a ter o direito de participar das decisões relacionadas à conservação e ao uso sustentável dos conhecimentos tradicionais. Para isso, terão assento garantido e paritário com os outros setores da sociedade civil (empresarial e academia) no Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen) do MMA.
Terão direito, inclusive, de participar das decisões acerca da destinação dos recursos do Fundo Nacional para Repartição de Benefícios (FNRB), que será gerido pelo MMA e tem como objetivo valorizar o patrimônio genético e os conhecimentos tradicionais associados, promovendo seu uso de forma sustentável.
Para a exploração econômica de produto acabado ou material reprodutivo, proveniente de acesso ao conhecimento tradicional associado, será exigido consentimento prévio informado e acordo de repartição de benefícios com as comunidades fornecedoras dos conhecimentos.
Benefício
O documento pode ser apresentado em até 365 dias após o momento da notificação ao CGen, informando que o produto acabado ou o material reprodutivo será colocado no mercado. Isso permite que as empresas e os provedores possam conhecer qual é o tamanho do benefício econômico auferido antes de fazer a repartição de benefícios, permitindo uma repartição mais justa e equitativa.
Outra novidade: as pesquisas envolvendo o patrimônio genético e o conhecimento tradicional associado não precisarão mais de autorização prévia do CGen, sendo necessário, apenas, fazer um cadastro eletrônico.
“A promoção do uso sustentável do patrimônio genético e a valorização do conhecimento tradicional associado podem abrir uma grande oportunidade para o Brasil fortalecer e desenvolver uma economia em que o elemento chave seja a conservação da biodiversidade”, destacou Rafael Marques. “Precisamos reconhecer o papel importante que os povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares representam nesse contexto (do desenvolvimento econômico).” 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

A eficiência dos fogões ecológicos...


Para a maioria das pessoas, cozinhar é uma tarefa simples. Fogão, gás, quase tudo à mão. Mas essa não é a realidade para a maior parte das famílias das zonas rurais no Nordeste do Brasil, onde 85% das famílias utilizam a lenha. Além da necessidade de manejo adequado na extração da lenha, a preparação de comida nesses fogões causa danos à saúde, devido ao alto índice de emissão de fumaça.
É por causa desta realidade que os projetos “Fogões do Araripe: Eficiência Energética na Propriedade Familiar”, realizado pela ONG Caatinga na mesorregião do Araripe, e “Fogões Geoagroecológicos = – Lenha – CO2 + O + H2O + Vida”, desenvolvido pela ONG Agendha (Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia) na mesorregião de Xingó, têm um papel muito importante.
Violência e riscos – Os dois projetos são realizados em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio do Departamento de Combate à Desertificação (DCD), Fundo Nacional de Meio Ambiente (FNMA) e Fundo Socioambiental da CAIXA. Segundo o diretor do DCD, Francisco Campello, uma mulher precisa dedicar em torno de 18 horas semanais na busca de lenha para o preparo dos alimentos, expostas em algumas situações a violência e riscos de morte por acidentes. “Os principais objetivos dos projetos são tornar o uso de lenha sustentável, além de evitar problemas de saúde, melhorar a qualidade de vida destas famílias e conservar a paisagem”, explicou.
Campello destaca que a lenha representa 70% da energia para o preparo dos alimentos no Semiárido. A utilização de fogões rústicos e pouco eficientes provoca uma série de impactos à saúde das pessoas, principalmente em virtude da fumaça e fuligem que se acumulam no interior das residências (de acordo com a Organização Mundial da Saúde, a exposição à fumaça é a quarta causa de morte nos países em desenvolvimento como o Brasil).
“A fumaça causa danos à saúde da mulher, como glaucoma, problemas na coluna, pressão e enfisema pulmonar. Além de tornar o ambiente domiciliar saudável, os fogões geoagroecológicos apresentam uma alta eficiência energética. Também é feito um processo de orientação e um planejamento de gestão ambiental para a coleta sustentável da lenha, que é um biocombustível sólido renovável e de baixo custo”, explica.
Vantagens - A lenha utilizada nos fogões rústicos contribui ainda, de forma significativa, para o desmatamento da Caatinga. Estudos realizados pelo MMA demonstram que o consumo domiciliar foi consideravelmente maior que a soma do consumo industrial e comercial.
A demanda principal nessa região da Caatinga é por fogões a lenha mais eficientes e menos danosos à saúde humana e ambiental, considerando que boa parte da população utiliza fogão a lenha tradicional, sobretudo nas regiões periurbanas e rurais.
Menor consumo - A agricultora Silvanete Lermen, da Serra dos Paus Dóias, em Exu (PE), conta as principais diferenças que percebeu no processo de construção dos fogões geoagroecológicos. “O forno foi feito de acordo com o tamanho da minha forma. Eu acompanhei toda a construção. O fogão consome realmente menos lenha e foi feito dentro da minha realidade, por isso pedi que ele fosse mais alto, porque aqui a lenha às vezes é mais grossa. Ele diminuiu bastante a emissão da fumaça”, afirma.
Nesse contexto, a difusão de tecnologias socioambientalmente sustentáveis como os fogões à lenha de maior eficiência energética, além do benefício ambiental devido à economia de até 40% de lenha (Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis), também melhora a qualidade de vida da população vulnerável. “Esse fogão é melhor do que o fogão a lenha que a gente usava. Aqui não fica nada preto, nem a parede e nem as panelas, e não tem mais fumaça dentro de casa”, conta Maria Iraci, do Sitio Primavera, em Bodocó (PE)
Como funcionam – Os fogões geoagroecológicos permitem a substituição de lenha de grossa por gravetos (galhos finos das árvores), que podem ser catados nas florestas e/ou colhidos através da poda, sem haver necessidade de derrubada através por corte raso.
Maurício Lins Aroucha, criador desta tecnologia socioambiental sustentável e coordenador técnico do projeto da Agendha, explica que se pode utilizar também resíduos agrícolas (manivas de mandioca e macaxeira; pés, palhas e sabugos de milho; catembas, palhas, cascas e cocos de diversas palmeiras; e “outros restos de roçados”), bem como resíduos florestais (lascas, cascas, raízes, serragem e pó de serra). “Isso contribui para a manutenção das coberturas florestais e para a conservação e utilização socioambientalmente sustentável da biodiversidade e dos solos”, destaca.
Os fogões possuem uma chaminé externa, permanente, que não estraga com facilidade, levando a fumaça para fora da cozinha e têm um sistema de isolamento térmico que evita o aquecimento acima da temperatura ambiente. Tudo isso ajuda a prevenir a instalação de doenças respiratórias.
Para o técnico Diolando Saraiva que acompanha as construções, a implantação desta tecnologia tem trazido diversos benefícios para as famílias que residem na zona rural. “O fogão ajuda na questão ambiental por conta da utilização de menos lenha, se comparado ao convencional, e a parte mais importante é a retirada da fumaça de dentro das casas o que resulta na melhoria da saúde e qualidade de vida das famílias”, destaca.
Na construção dos fogões é utilizada uma metodologia participativa num processo de capacitação das comunidades beneficiárias e dos pedreiros (mestres fogãozeiros, aptos para construir novos fogões nas comunidades). Além da construção dos fogões, foram feitas capacitações com as famílias agricultoras participantes dos projetos sobre: a Caatinga, manejo sustentável da lenha e da biodiversidade, e práticas agroecológicas de combate à desertificação.
Saiba mais - No âmbito dessa parceria entre MMA, FNMA e Caixa, foram desenvolvidos sete projetos, abrangendo: melhoria tecnológica dos fornos industriais para os polos gesseiros e ceramista, promoção ao manejo florestal comunitário em 15.000 ha e construção dos fogões geoagroecológicos para uso caseiro e de pequenas unidades de beneficiamento de alimentos.
Os projetos, no valor de R$ 6,3 milhões, estão relacionados à eficiência energética e ao uso sustentável dos recursos naturais. Mais de 1.400 unidades de fogões já foram montadas nas regiões da Chapada do Araripe (situada entre os Estados de Pernambuco, Piauí e Ceará); na Messoregião de Xingó (em 12 Municípios de Alagoas, da Bahia, de Pernambuco e de Sergipe); e no Vale do Jaguaribe (Ceará).