sexta-feira, 31 de julho de 2015

Árvores necessitam de até 4 anos para se recuperar de uma seca, diz estudo...


As árvores precisam, em média, de dois a quatro anos para recuperar suas taxas de crescimento após secas severas, um período maior do que o estabelecido pelos modelos globais que relacionam clima e vegetação, e que assumem uma recuperação quase imediata.
O estudo, publicado nesta quinta-feira pela revista “Science”, sugere, portanto, que as florestas, como consequência de sua recuperação lenta após uma seca, são capazes de armazenar menos carbono do que se tinha calculado com os modelos de clima e vegetação e isto traz implicações para a mudança climática, que pode ser também mais rápida do que se pensava.
Estas são algumas das conclusões de um artigo liderado por William R.L. Anderegg, da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, e Jesús Julio Camarero, cientista do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) do Instituto Pirenaico de Ecologia, em Zaragoza, na Espanha.
As florestas têm um papel muito importante no amortecimento da mudança climática provocado por ação do homem: as árvores retêm grande parte das emissões de CO2 através da fotossíntese e transformam e armazenam parte desse carbono sintetizado em forma de madeira.
Esta regulação do ciclo global de carbono é fundamental para o planeta, comentou Camarero à Agência Efe, e a descoberta de que o estresse causado por períodos de seca atrasa o crescimento das árvores durante anos indica que as florestas são capazes de armazenar menos carbono que o calculado.
“Se as florestas não são tão boas em reter o dióxido de carbono, isto significa que a mudança climática pode se acelerar”, disse Anderegg em uma nota de imprensa emitida pela Universidade de Utah.
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram uma base de dados global do crescimento de árvores (Internacional Tree Ring Data Bank), que foi elaborada a partir de medições dos anéis de crescimento fornecidos por cientistas do mundo todo.
Concretamente, os especialistas estudaram a recuperação de árvores de mais de 1.300 florestas não tropicais depois de graves secas ocorridas na segunda metade do século XX, entre elas as de 1994 e 1995 na Espanha e a de 2003 no centro da Europa.
A dendrocronologia é a ciência que estuda os anéis de crescimento nos troncos das árvores e através de técnicas dendrocronológicas os pesquisadores puderam reconstruir o crescimento após os períodos de seca e ter uma ideia de como as florestas transformam o carbono ao longo do tempo.
Uma vez estabelecido os anos que as árvores levam para se recuperar, os pesquisadores compararam os dados com os cálculos dos modelos teóricos de clima e vegetação.
Assim, segundo esse trabalho, o crescimento foi aproximadamente 9% menor que o esperado durante o primeiro ano de recuperação e 5% menor no segundo ano. Os efeitos da seca foram mais evidentes em famílias como a das pináceas, que compreendem pinheiros e outras árvores coníferas, e em zonas semiáridas.
“As conclusões deste trabalho são muito importantes para as florestas espanholas, dominadas por pinheiros e submetidas a períodos frequentes de seca”, declarou Camarero.
Segundo Anderegg, o impacto na capacidade de armazenamento de CO2 “não é insignificante: durante mais de um século, a capacidade de armazenamento de carbono nos ecossistemas semiáridos seria reduzida em 1,6 gigatoneladas, uma quantidade maior que o total de emissões de carbono, relacionadas com o consumo e a produção de energia, nos EUA em um ano”.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Pesquisadores identificam ossadas de primeiros colonizadores britânicos nos EUA...


Trabalho de detetive aliado à tecnologia de ponta ajudaram cientistas americanos a identificar as ossadas de quatro líderes de Jamestown (no estado de Virgínia) – a primeira colônia inglesa bem sucedida no Novo Mundo.
A identificação dos remanescentes dos corpos, 400 anos depois da morte deles, foi anunciada nesta terça-feira pelo Instituto Smithsonian.
A pesquisa também revela detalhes da vida, da morte e da importância da religião no assentamento de Jamestown, que fica a 130 quilômetros ao sul de Washington.
Mas foram necessários dois anos de investigação e de técnicas modernas para identificar os ossos, que estavam em péssimo estado de conservação.
Os homens identificados são o reverendo Robert Hunt, o capitão Gabriel Archer, ’sir’ Ferdinando Wainman e o capitão William West.
Eles foram figuras importantes na condução dos rumos de Jamestown entre 1607 e 1610, um período em que a colônia chegou perto do fim.
“Foi uma época de falta de alimentos, doenças e ataques indígenas”, disse James Horn, presidente da organização Jamestown Rediscovery.
“Esses homens ajudaram a estabelecer a colônia e a enfrentar os desafios impostos aos primeiros colonizadores”, disse.
“Temos dois homens da primeira expedição e dois da segunda. Então, essa notícia é extremamente importante em termos de se entender o sucesso e a sobrevivência da colônia no Novo Mundo.”
Pocahontas – Os corpos exumados foram encontrados em novembro de 2013 e se sabia que eram de pessoas de status na comunidade, já que estavam enterrados em uma igreja – a mesma onde ocorreu o casamento entre Pocahontas, filha de um líder indígena que ficou famosa com o filme da Disney, e o explorador britânico John Rolfe.
Uma combinação de arqueologia, análise de esqueletos, testes químicos, tecnologia 3-D e pesquisa genealógica tornaram possível a identificação.
Apenas cerca de 30% de cada esqueleto foram recuperados.
O reverendo Hunt, o primeiro pastor anglicano da colônia, e o capitão Aarcher, eram parte da primeira expedição ao local , em 1607. Ela foi liderada pelo capitão Smith, que foi ajudado por Pocahontas.
Além deles, estavam Wainman, que é considerado o primeiro integrante da elite inglesa a ser enterrado na América, e West, que foi morto durante uma batalha com os indígenas.
Os remanescentes dos corpos foram levados para o Smithsonian’s National Museum of Natural History para análise forense.
A presença de certos compostos químicos confirmaram a origem britânica dos homens, enquanto evidências de um dieta alta em proteína mostraram que eles eram de classes sociais mais altas.
Agora, serão feitas análises genéticas para ajudar a traçar os descendentes dos quatro homens.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Ministério libera R$ 10 milhões para Cadastro Ambiental Rural no semiárido...


O Ministério do Meio Ambiente e a Caixa Econômica Federal lançaram, nesta segunda-feira (27), um edital de apoio a entidades da sociedade civil envolvidas na realização do Cadastro Ambiental Rural (CAR). A medida será destinada ao cadastramento de pequenas propriedades localizadas no semiárido brasileiro, região que inclui os estados do Nordeste e o norte de Minas Gerais.
Segundo a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, o foco, agora, é a agricultura familiar. Ela explicou que o edital privilegia a Caatinga, região em que menos registros foram feitos até agora. "Vamos viabilizar o cadastro onde ele não aconteceu", destacou.
A expectativa do Ministério do Meio Ambiente é de que 50 mil imóveis rurais sejam cadastrados a partir deste edital, que receberá recursos do Fundo Socioambiental da Caixa e deve ser publicado no Diário Oficial da União desta terça-feira (28). O investimento total será de R$ 10 milhões. O prazo para o envio das propostas é o dia 30 de agosto.
Podem concorrer projetos orçados em R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões, que devem estar concluídos em oito meses, coincidindo com o prazo estabelecido pelo novo Código Florestal, que é maio de 2016. "Ao ter um único cadastro vai gerar desenho para melhorar nossas políticas públicas", afirmou a presidenta da Caixa, Miriam Belchior, ressaltando que o fato de o cadastro ir às comunidades mais distantes do País foi levado em consideração para a liberação dos recursos pela Caixa.
Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte não atingiram 10% da área a ser cadastrada e serão prioridades nesta nova ação.
Cadastro Ambiental
O Cadastro Ambiental Rural é um registro eletrônico, obrigatório para todos os imóveis rurais, com objetivo de integrar informações ambientais sobre as propriedades, sejam elas Áreas de Preservação Ambiental (APP), reservas legais e áreas de propriedades e posses legais. Tem caráter declaratório, a exemplo do Imposto de Renda.
O CAR facilita certificação ambiental, ajuda no combate ao desmatamento, facilita o reflorestamento e a tomada de crédito agrícola, além de colaborar para políticas públicas pela base de dados que gera ao governo federal.

Filtragem de água de chuva na Amazônia...


As civilizações antigas já valorizavam e desenvolveram importantes obras para captação, armazenamento e aproveitamento de água das chuvas. Particularmente é notável a contribuição dos árabes durante o período em que habitaram o sul da Espanha e tornaram mais conhecidas técnicas que já datavam de milhares de anos. Existem registros de utilização por pretéritas civilizações em várias localidades.
O jornal Beira-Rio, da Universidade Federal do Pará, em sua edição eletrônica de número 120, datada de agosto e setembro de 2014, descreve em detalhe atividade do grupo interno da instituição, para pesquisa e aproveitamento de água de chuva na Amazônia para saneamento e meio ambiente. Pode ser paradoxal, mas não é. Em local de tanta disponibilidade de recursos hídricos, como a Amazônia, venha a se depender da água da chuva, que por sinal representa fenômeno intempérico também abundante na região. Segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), a região norte responde por cerca de 81% dos recursos hídricos do país e cerca de 12% da água doce superficial do planeta.
As águas doces superficiais da região amazônica pouco estão pouco disponíveis para utilização, pois a região carece de saneamento básico e também de ações que contribuam para potabilização da água. Ou seja as águas são frequentemente contaminadas por esgotos e outros efluentes e não recebem os devidos tratamentos físicos e químicos. Apenas parte das águas da região, estão disponibilizadas para consumo humano em condições adequadas.
Como se sabe, a pluviosidade naquela região equatorial é elevada em boa parte do ano. E as águas da chuva quando devidamente filtradas apenas no aspecto físico, quando liberadas de particulados físicos que se encontram na atmosfera e contaminam as precipitações pluviométricas, é uma água de inegável qualidade. Não há contaminação química em águas de chuvas.
Então a instalação de filtragens físicas em coletores é uma boa solução para utilização das águas em excelentes condições. Coletores podem ser todos os telhados ou a cobertura de edificações, que sejam higienizadas 2 ou 3 vezes ao ano, para diminuir a contaminação por resíduos, particularmente de natureza física.
Os estudos do grupo de aproveitamento de água da chuva da Instituição, para uso em saneamento e meio ambiente (GPAC), através de estudos e levantamentos, estima que esta solução pode resolver a carência de água potabilizada na cidade de Belém, estimada em valor próximo a 200 mil habitantes, chegando a ter seu potencial elevado para o dobro na época de maior pluviosidade.
A água de chuva filtrada poderia ser utilizada para todas as finalidades domésticas, particularmente para fins sanitários em geral, sendo resguardada a ação de preparo de alimentos. Os sistemas de abastecimento são sempre concebidos em relação às finalidades previstas, destaca o Prof Dr. Ronaldo Mendes, coordenador da pesquisa. Dentro de realidades tão diferentes como as propiciadas por este país continente, é necessário adotar soluções específicas e regionalizadas, que possam compatibilizar inclusive a utilização de sistemas mistos de abastecimento, desde que sejam cuidadosamente planejados, dimensionados e universalizados.
Outros usos, além da demanda urbana, já estão sendo pesquisados pelo agrupamento da instituição, destacando-se o uso para irrigação, quando as características da água sofrem ainda menores restrições, ou seja, se viabilizam de forma mais fácil. A Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) já demonstrou interesse pelo trabalho, buscando firmar parcerias.
Poucos lugares são tão beneficiados pela presença de água doce quanto a região amazônica e a região norte do país em geral. É necessário transformar e potencializar esta riqueza como instrumento de desenvolvimento efetivo. Pois a região norte apresenta muitas populações empobrecidas e vulnerabilizadas por vários fatores, incluindo dificuldades de infraestrutura em geral e ausência de persistência em políticas locais, adaptadas às peculiaridades regionais.
A cidade de Belém tem grande deficiência na coleta e tratamento de esgotos, o que torna vulnerável até mesmo os aquíferos subterrâneos, principalmente quando são reservatórios de pequena ou de baixa profundidade.
Neste cenário, se desenha novamente a necessidade de que os órgãos e entidades gestoras atuem de forma mais pró-ativa e não preconceituosa, criando novos modelos e adaptando soluções inéditas e inovadoras para solucionar graves e antigos problemas ambientais e sociais que acometem grandes parcelas de população.
O prof Dr. Ronaldo Mendes destaca que a próxima meta é implantar o sistema de captação e uso em todo campus da Universidade Federal do Pará e para tanto já existe patrocínio de uma empresa privada que fornecerá os equipamentos necessários e a implantação se dará em breve intervalo de tempo.
Não importa se são usados recursos públicos ou se são viabilizadas iniciativas privadas para incremento de inovações. Empreendimentos privados que em geral para se viabilizarem, arregimentam e viabilizam retornos econômicos. O meio ambiente agradece igualmente e quanto mais soluções sustentáveis forem viabilizadas inclusive em nível de retornos econômicos, maior e melhor é a garantia de perenização das situações que melhoram a qualidade ambiental e a qualidade de vida das populações.
Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

28 Julho... Dia do Agricultor(a) ! Parabéns à todos(as) !


Apicultor da Bahia cria combustível feito de mel...


Numa experiência inédita no Brasil, um apicultor de Vitória da Conquista (BA) desenvolveu o combustível etanol do próprio carro a partir do mel de abelha, antes descartado durante o processo de controle de qualidade do produto.
A descoberta do apicultor Luiz Jordans Ramalho Alves é o desdobramento de uma pesquisa que tinha por finalidade o melhor aproveitamento do mel de descarte para produção de álcool alimentício (ou nobre), usado para fazer cachaça ou aguardente de mel.
Segundo o apicultor, das 10 toneladas de mel que produz ao mês, entre 50 e 100 quilos acaba tendo de ser descartado. Só que ao invés de jogar fora, Alves foi acumulando o produto em seu entreposto de mel, localizado em Barra do Choça, município vizinho a Vitória da Conquista.
É no próprio entreposto que ele realiza todo o processo químico, num pequeno laboratório. Primeiro, o mel descartado entra em fermentação em um tanque de 250 litros, que pode durar de cinco a 15 dias. Após isso, ocorre a primeira destilação do álcool, por um período de 24 horas. Dessa primeira destilação é retirado o álcool alimentício e a sobra (30%) vai para a produção do álcool combustível, numa segunda destilação.
Persistência – A pesquisa, no valor de R$ 185.052,40, financiados pela Fapesb (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia), teve início em 2012 e o final da vigência em dezembro de 2014.
Mas a descoberta do álcool combustível, contudo, só ocorreu há cerca de um mês. É que as pesquisas ainda não tinham indicado o que fazer com os 30% de álcool que sobrava ao final da primeira destilação.
Insistente no desejo de aproveitar 100% de todo o descarte do mel, o apicultor avançou nas pesquisas por conta própria e com o auxílio de um laboratório de Salvador avaliou que o produto tinha características semelhantes ao etanol utilizado no funcionamento de veículos.
“Foi quando tive a ideia de usar o álcool no meu carro e funcionou”, conta Luis Jordans, revelando em seguida que o produto não passou por teste mecânico em laboratório: “Foi um teste empírico que fiz no meu carro”.
Economia – O combustível de mel, segundo Luis Jordans, possui graduação alcoólica de cerca de 80%. Pelas normas da ANP (Agência Nacional de Petróleo), o etanol utilizado em veículos deve ter entre 92,5% e 94,7% de álcool.
“O desempenho do carro diminui um pouco, mas dá para andar tranquilo”, relatou o apicultor. A produção de combustível de mel está em 50 litros por semana e ele consegue economizar ao menos R$ 117,5 durante os dias de trabalho em que roda com o carro (de segunda a sexta-feira).
O apicultor informou que o que ele produz de combustível de mel é o limite, e que não tem pretensões de produzir em larga escala.
O próximo passo agora, diz ele, é patentear o uso do combustível de mel em veículos, já que as pesquisas sobre este tipo de etanol no país ainda não tinham avançado neste sentido.
Na Fapesb, o trabalho do apicultor repercutiu bem. “Ficamos muito satisfeitos com as descobertas, sobretudo porque elas se deram após a vigência do contrato. Ele terá nosso apoio, inclusive para patentear a ideia”, afirmou o pesquisador Alzir Antonio Mahl, da diretoria de Inovação da Fapesb.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Esgoto tratado favorece agricultura e poupa água para consumo, mostra estudo..


O emprego da água de esgoto tratado (efluente) na agricultura aumenta a produtividade, segundo estudo do Núcleo de Pesquisa em Geoquímica e Geofísica da Litosfera da Universidade de São Paulo (USP). Pesquisadores testaram, durante 15 anos, as vantagens do uso dessa água, que contém minerais e nutrientes como nitrogênio e fósforo, importantes no desenvolvimento das plantas.
Para o professor de geoquímica e ambiente da USP Adolpho Melfi, a água usada atualmente na irrigação das lavouras pode ser substituída com segurança pelo efluente, o que pouparia água potável importante no abastecimento das cidades. “A agricultura utiliza praticamente 70% da água que poderia ser para o consumo humano”, explica. Atualmente, o efluente só pode ser usado na lavagem de ruas e irrigação de jardins, por não haver legislação que autorize o seu uso no campo.
O experimento feito nas cidades de Lins e Piracicaba, interior de São Paulo, mostrou que a economia no uso de fertilizantes nitrogenados chegou a 80% no plantio de capim, utilizado na alimentação do gado, durante um ano de baixa ocorrência de chuvas.
Os cientistas compararam a produtividade do capim irrigado com água comum e do irrigado com esgoto tratado. Ambos receberam a mesma quantidade de fertilizante necessário para o crescimento das plantas. O resultado foi uma produtividade de 33 toneladas de capim por hectare ao ano no caso das plantas que receberam irrigação comum e de 39 toneladas por hectare ao ano no capim irrigado com efluente.
O mesmo experimento feito com a cana-de-açúcar resultou na produtividade de 87 toneladas por hectare ao ano para a cana que recebeu irrigação comum e de 143 toneladas por hectare ao ano na irrigada com água de esgoto tratado. Os testes foram feitos com cana soca, ou seja, quando a planta ainda não recebeu o primeiro corte.
Riscos do uso de efluentes – Para o emprego da técnica do esgoto tratado na agricultura, porém, é preciso atenção a alguns riscos, explica Melfi. “Como o efluente tem muito nitrogênio, uma parte não será aproveitada pela planta. Essa parte vai infiltrar no solo e contaminar o lençol freático na forma de nitrato. Há também os organismos patogênicos [presentes no efluente], que podem provocar problemas na saúde humana. A gente precisa ter um controle muito grande também dos metais pesados”, disse.
Para contornar esses problemas, os cientistas encontraram soluções simples. Para evitar os metais pesados, presentes nos dejetos de indústrias, os efluentes devem ser recolhidos preferencialmente de cidades pequenas, onde o controle é mais fácil e predomina o esgoto doméstico.
“Em Lins, o esgoto é exclusivamente doméstico. Em Franca, por exemplo, com a indústria de couro para a fabricação de sapatos, a curtição do couro usa uma substância formada por cromo, altamente tóxico. Mas o esgoto de lá pode ser usado, porque existem duas redes separadas, uma que é esgoto industrial e outra que é doméstico. No esgoto doméstico, não tem metal pesado”, explica o cientista.
Quanto aos organismos patogênicos, como o grupo de bactérias E.coli, existem tratamentos que são capazes de eliminá-los do efluente. Outra forma mais simples de evitar essa contaminação nas plantas é selecionar culturas que passam por tratamento industrializado antes do consumo, como é o caso do café, milho e cana-de-açúcar.
“O café pode ser irrigado com efluente, pois depois é torrado. A laranja também é irrigada nos Estados Unidos, na Flórida, por efluente. Basta fazer uma irrigação na superfície do solo, por gotejamento ou mesmo enterrada em até 20 centímetros, de forma que a fruta não entre em contato com os efluentes”, explica o professor.
O capim, cultura testada no estudo, é cortado e permanece na superfície do solo durante algumas semanas para que seja transformado em feno. Depois disso, o produto estará seguro para alimentar o rebanho de gado, já que os organismos patogênicos morrem nesse processo de fenação.
É importante lembrar, ainda, que o simples despejo do efluente em rios também gera problemas, pois causa a eutrofização. “Aumentam muito os micro-organismos, algas que consumem o oxigênio, e essa água sofre eutrofização, são aquelas espumas. Ou a água fica esverdeada por causa de algas”, disse Melfi.
O estudo também ouviu a população para avaliar a aceitação da novidade. “O resultado foi positivo, as pessoas entrevistadas disseram que, desde que soubessem que estava havendo o controle adequado, consumiriam [alimentos produzidos com efluentes]”, contou o professor. 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Pesquisador cria irrigador solar automático com garrafas usadas...



Um irrigador automático que não usa eletricidade e ainda pode ser feito com materiais usados. Essa criação rústica e eficaz de um pesquisador da Embrapa poderá ajudar de pequenos produtores a jardineiros amadores a manter seus canteiros irrigados automaticamente pelo método de gotejamento.

Desenvolvido pelo físico Washington Luiz de Barros Melo, pesquisador da Embrapa Instrumentação (SP), o equipamento é baseado em um princípio simples da termodinâmica: o ar se expande quando aquecido. Melo se valeu dessa propriedade para utilizar o ar como uma bomba que pressiona a água para a irrigação.

Uma garrafa de material rígido pintada de preto é emborcada sobre outra garrafa que contém água. Quando o sol incide sobre a garrafa escura, o calor aquece o ar em seu interior que, ao se expandir, empurra a água do recipiente de baixo e a expulsa por uma mangueira fina para gotejar na plantação.

"Funciona tão bem que se você sombrear a garrafa, o gotejamento para, e, ao deixar o sol bater novamente, a água volta a gotejar", afirma o pesquisador que apresenta sua invenção na 67ª Reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), de 12 a 18 de julho na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), São Paulo.

Fazem parte do invento outros dois depósitos de água: uma garrafa rígida também emborcada que desempenha a função de caixa d'água para manter abastecida a garrafa do gotejamento, e um recipiente maior conectado à garrafa-caixa-d'água que armazena um volume maior de água que será usado por todo o sistema (veja esquema abaixo).

"Os tubos que interligam as garrafas podem ser de equipos de soro hospitalar, por exemplo, mas já utilizei até capas de fios elétricos, retirei os fios de cobre de dentro e funcionou também," conta o pesquisador.

Ele explica que o maior desafio para quem for fazer o equipamento em casa é a vedação. Para o funcionamento do sistema é necessário que as três primeiras garrafas estejam fechadas hermeticamente. "Isso pode ser obtido com adesivos plásticos, do tipo Araldite, mas exige uma aplicação minuciosa", ensina.

Também compõe o sistema um distribuidor que pode ser construído com garrafa pet e do qual saem as tubulações que farão a irrigação.

Econômico e ecológico

As vantagens do irrigador caseiro são várias, conforme enumera Melo. Trata-se de um sistema automático sem fotocélulas e que não demanda eletricidade, pois depende somente da luz solar, tornando sua operação extremamente econômica. Ele promove igualmente uma economia de água, pois utiliza o método de gotejamento para irrigar, o que evita o desperdício do recurso.

"Além disso, é possível construí-lo com objetos que seriam jogados no lixo, como garrafas e recipientes de plástico, metal ou vidro", lembra o especialista.

A versatilidade do equipamento também é grande. A intensidade do gotejamento pode ser regulada por meio da altura do gotejador e o produtor pode colocar nutrientes ou outros insumos na água do reservatório para otimizar a irrigação.




4 – reservatório de água; 5 – equalização de pressão atmosférica; 6 – conexão; 7 – tubo de sucção; 8 – recipiente de transposição de água – sifão fonte; 9 – válvula; 10 – tubo de passagem; 11 – bomba solar – recipiente com ar; 12 – tubo de descompressão; 13 – conexão; 14 – recipiente do gotejador; 15 - sifão inverso; 16 – válvula de saída; 17 – gotas; 18 – suporte.
Quanto o Sol ilumina a bomba solar 11, a  temperatura interna aumenta. O ar interno se expande e força a passagem pelo tubo 12; a pressão do ar sobre o líquido no recipiente 14 impulsiona-o a sair pelos tubos 10 e 15.

A água sai pelo tubo 15 por gotejamento. A pressão interna do recipiente 14 diminui. Nisso, a água no recipiente 8 passa para o recipiente 14 para suprir a água perdida. Mas um pequeno vácuo no recipiente 8 é gerado. Este vácuo provoca a sucção da água que se encontra no reservatório 4.

Quando se encerra a iluminação, a bomba solar 11 tende a esfriar, diminuindo ainda mais a pressão interna do recipiente 14, isto provoca um aumento do vácuo no recipiente 8, que aumenta a sucção da água do reservatório 4.

Este processo continua até o recipiente 14 completar totalmente o seu volume de água.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Pneus do futuro dispensam uso de ar e transtorno dos furos...


Os pneus furados, que causam tantos transtornos aos motoristas, podem estar com os dias contados. A empresa de pneus sul-coreana Hankook trabalha em um pneu para carros que não precisa ser preenchido com ar. Chamados de iFlex, os pneus são construídos com materiais amigáveis à natureza e se sustentam graças a uma combinação de engenharia e design. Dessa maneira, as camadas de plástico geram sustentação, o que faz com que não seja necessário inflar o pneu com ar.

A empresa acabou o trabalho na quinta geração de seu protótipo recentemente. Diferente das anteriores, a nova é capaz de usar rodas tradicionais para se ligar a um carro. Com o uso da tecnologia, pneus furados podem ser coisa do passado.

A Bridgestone, gigante do setor de pneus, já mostrou esforços na mesma direção. A base do projeto é parecida, pois utiliza a distribuição geométrica de materiais para se criar sustentação.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Arquiteto cria torre que coleta água potável a partir do ar...


Um projeto criado na Itália pode ajudar a ampliar o acesso a água potável em locais afetados pela falta de chuvas. Pelo menos um terço da população mundial – cerca de 2,4 bilhões de pessoas – ainda não consome água tratada, segundo relatório da Unicef e da World Health Organization (WHO) divulgado em junho.
O arquiteto e designer italiano Arturo Vittori criou uma espécie de torre de cerca de 10 metros de altura que coleta água adequada para beber a partir do ar. Batizado de WarkaWater, o projeto foi concebido para comunidades rurais em áreas da Etiópia, na África, que sofrem com a falta de água limpa.
Segundo o site oficial do projeto, do Architecture and Vision, a torre pesa em torno de 90 quilos e possui cinco módulos que podem ser construídos pelos próprios moradores das comunidades beneficiadas.
A torre pode ser montada em qualquer local sem a necessidade de usar equipamentos elétricos ou andaimes. A estrutura, explica o escritório de Vittori, é feita de materiais recicláveis e biodegradáveis.
A torre tem capacidade para coletar cerca de 100 litros de água potável por dia por meio de um tecido especial que fica no interior da torre. Cada unidade custa US$ 500.
De acordo com o escritório de Vittori, Architecture and Vision, o formato de cone melhora a estabilidade e otimiza o transporte e armazenamento da torre. A estrutura em formato de “coroa” sobre a torre foi projetada para espantar pássaros e manter a água protegida destes animais.
Acesso a água potável no planeta – O último relatório da Unicef mostrou que o acesso à água potável no planeta avançou em vários países nas últimas décadas, mas a falta de progresso nos serviços de saneamento básico ameaça minar os avanços obtidos.
Cerca de 2,6 milhões de pessoas passaram a acessar o recurso desde 1990, e 91% da população mundial já viu melhorias na qualidade de água que consomem para beber – e esse número continua crescendo.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Britânicos criam casa com zero emissão de carbono...


Projetistas da Universidade de Cardiff, no País de Gales, Grã-Bretanha, afirmam ter construído uma casa cuja emissão de gases causadores do efeito estufa é zero.
Segundo os pesquisadores, a casa até exporta mais energia para a rede do que consome. Mais importante, o gasto para construir uma casa do tipo é semelhante ao da construção de casas convencionais de programas habitacionais do governo britânico.
Foram necessárias apenas 16 semanas para construir a casa a um custo de mil libras por metro quadrado (quase R$ 5 mil).
Os criadores da casa afirmam que, no futuro, os donos do imóvel poderão até ganhar dinheiro vendendo o excesso de energia.
No inverno britânico a casa terá que importar energia, mas este gasto será compensado pelas exportações do excesso de energia durante os meses de verão.
Luz natural – A construção tem painéis fotovoltaicos de vidro na face sul do telhado, o que permite que o espaço logo abaixo seja iluminado por luz natural. Isto reduziu o custo da instalação de painéis de energia solar em um teto comum.
A casa usa energia solar e armazenamento de energia em baterias para o aquecimento, ventilação, fornecimento de água quente, energia elétrica para os eletrodomésticos e luzes de LED.
“Usando as tecnologias mais recentes, inovação e design, é possível sim construir uma casa com emissão zero de carbono a um custo baixo, criando benefícios no longo prazo para a economia e também para o meio ambiente”, afirmou Phil Jones, o professor que liderou o projeto.
Apesar das boas notícias, a casa criada pela Universidade de Cardiff ainda precisa ser testada por moradores, pois nem sempre as construções têm um desempenho tão bom quando são colocadas à prova em uma situação real, abrigando uma família real.
O ministro das Finanças inglês, George Osborne, chegou a dizer que uma casa com tanta eficiência energética era impossível e até acabou com uma exigência de que todas as novas casas construídas na Grã-Bretanha a partir 2016 teriam que ter emissão zero de carbono. Para Osborne, casas com este nível de eficiência sairiam caras demais.
Críticos afirmam que, a partir de projetos como este, grandes construtoras que trabalham no mercado britânico serão obrigadas a aprender novas técnicas e usar novos materiais.
“Precisamos acabar com a abordagem sem visão que se importa apenas com os custos de construção. Os proprietários das casas querem saber quando custa viver na casa, não construir”, disse Jenny Holland, da Associação para Conservação de Energia.
“As pessoas pagam um pouco mais por uma geladeira ou freezer eficientes. Se gastar um pouco mais resulta em uma casa melhor que tem contas de energia perto de zero, os ocupantes ficarão satisfeitos e todos nós vamos colher as recompensas ambientais”, acrescentou. 

sexta-feira, 17 de julho de 2015

17 Julho - Dia de Proteção à Floresta...


Ecoturistas ajudam a resgatar corais na Flórida/EUA...


Munidos de tubos e máscaras para mergulho, ecoturistas e voluntários se tornaram os novos jardineiros do fundo do mar no estado norte-americano da Flórida, onde os cientistas ensinam a restaurar os recifes de coral em vias de extinção.
Os corais, tanto na Flórida quando em outras partes do mundo, estão sendo afetados pela poluição humana. Seu papel crucial na biodiversidade marinha levou ao desenvolvimento de técnicas para protegê-los.
O programa de Stephanie Schopmeyer, da Universidade de Miami, consiste em cortar as pontas dos corais vivos, colocá-las em uma “árvore” artificial subaquática e, em seguida, “transplantá-las” para os recifes de coral no fundo do oceano.
“É como se você tivesse uma roseira em seu jardim. Se poda, vai crescer saudável, mais forte e um pouco mais viva”, explicou Schopmeyer, cujo programa “Salve um Coral” é um dos muitos que pedem uma mãozinha ao público.
Os voluntários, como a estudante na Universidade de Miami Nicole Besemer, se mostram ansiosos para ajudar já que sabem que os corais são habitat e fonte de alimento para muitas espécies de peixes, tartarugas e ouriços do mar.
“Eu pratico mergulho no sul da Flórida e quero ter certeza de que meus recifes são saudáveis”, afirmou. “Sei que eles não são mais o que eram”, lamentou.
Resina e “cookies” – Em uma expedição recente, Schopmeyer e uma dúzia de mergulhadores viajaram de barco para um viveiro sob as águas de Biscayne Bay, onde primeiro retiraram algas que aderem às árvores artificiais com pedaços de coral, que foram então plantadas em um recife nas proximidades.
Turistas e estudantes ajudaram na confecção de “cookies”, pequenos discos onde os pedaços do coral são grudados com resina para serem colocados no recife.
O trabalho dos voluntários já tem rendido frutos.
“Estamos conseguindo uma escala ecologicamente significativa”, afirmou Diego Lirman, professor de Biologia Marinha na Universidade de Miami. “Nos demos conta de que tudo depende do número (de corais) que conseguirmos fazer crescer e volver a plantar”, apontou.
Lirman alertou há 30 anos para o impacto dos furacões em um local próximo chamado Elkhorn Reef. Atualmente, já não existem mais corais no local.
“Em um certo ponto eu cansei de apenas observá-los morrer. (…)Queria fazer alguma coisa”, contou.
O professor também contou que foram relatórios feitos por pesquisadores de países como Israel, Fiji, Indonésia e Filipinas que propiciaram o desenvolvimento de técnicas de jardinagem subaquáticas atualmente usadas na Flórida.
Crescimento explosivo – A poluição, a sobrepesca, a dragagem do leito do mar e a acidificação dos oceanos ameaçam os corais, que podem parecer pedras ou plantas, mas são animais da família das medusas ou anêmonas.
Na Flórida e no Caribe, a maioria do trabalho de proteção é feita pela Fundação para a Restauração de Coral (CRF), que emprega dez pessoas e um exército de voluntários.
Os programas da CRF e da Universidade de Miami foram inicialmente financiados pela iniciativa da Casa Branca em 2009 para reanimar a economia após a crise financeira global. Em seguida, foram beneficiadas com doações.
“Estamos na fase de crescimento explosivo”, disse Ken Nedimyer, presidente da CRF.
Há alguns anos, a fundação plantava alguns poucos corais por ano. Agora crescem cerca de 500 árvores submarinas na Flórida onde crescem entre 40.000 e 50.000 corais, afirmou.
Os voluntários podem ter a partir de 14 anos para colaborar com a CRF, após participarem de curso preparatório.
“É mais difícil do que parece quando estamos em terra firme”, disse Patti Gross, uma das instrutoras.
“Mas é muito gratificante”, agrega Gross, que já formou cerca de 250 personas em restauração de corais nos últimos quatro anos.

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Cientistas criam motor que funciona a partir da água...


Pesquisadores norte-americanos anunciaram nesta terça-feira (16) que usaram a energia da evaporação da água para operar motores, uma solução barata e que respeita o planeta.
Uma equipe de pesquisadores da Universidade Columbia, em Nova York, e da Universidade Loyola, em Chicago, fabricou dois pequenos gadgets experimentais que funcionam de maneira autônoma na presença da umidade do ar.
A chave da experiência, publicada pela revista Nature Communications, é o uso de inofensivos esporos bacterianos – pequenas unidades esféricas que se formam no interior de uma célula bacteriana.
Os esporos inflam com a umidade e encolhem uma vez secos. Este movimento de inchaço/retração é o motor da energia.
“Até agora conseguimos capturar a energia da água que desce das nuvens, agora queremos capturar a energia da evaporação da água a partir do ar, na atmosfera”, explicou Ozgur Sahin, da Universidade de Columbia e co-autor do estudo, em um vídeo transmitido pela Nature.
“Esse processo é muito poderoso, (mas) até agora não fomos capazes de capturar essa energia de forma eficiente”, afirmou.
A equipe construiu motores pequenos com finas tiras de plástico revestidas de esporos, que abastecem um carro muito pequeno e diodos emissores de luz (LED).
Expostos à umidade, os esporos expandem e fazem com que as tiras de plástico se movimentem. Elas se contraem muito rapidamente quando a fonte de umidade é removida. Este movimento para trás e para a frente pode movimentar as rodas e os pistões.
“Quando você monta muitas, muitas tiras juntas, aumenta a força que elas produzem”, declarou o pesquisador.
Esta técnica ainda é experimental. Mas um dia poderia ser usada para próteses ou membros de robôs, baterias e geradores ou para projetar uma roupa esportiva que responda ao suor: quanto mais você suar, mais energia você produz. 

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Aplicativo da Nasa simula viagem da sonda New Horizons a Plutão...


Um aplicativo que pode ser usado em computadores permite a qualquer pessoa “vigiar” o percurso da sonda New Horizons, da agência espacial americana (Nasa), que atingiu nesta terça (14) a menor distância de Plutão, em um feito histórico para a ciência.
Chamado de “Eyes on Pluto” (Olhos em Plutão, na tradução do inglês), o app permite visualizar a distância percorrida pela sonda e acompanhar a sua velocidade.
Viagem histórica – Depois de viajar por nove anos e quase 5 bilhões de quilômetros (que é a distância entre Plutão e a Terra), o equipamento conseguiu ficar a 12.500 km do planeta anão.
Tal fato vai colaborar com a ciência para analisar mais detalhes sobre a superfície e a temperatura de Plutão e de sua região, chamada de Cinturão de Kuiper.
Às 8h50, horário de Brasília, o relógio com a contagem regressiva da Nasa zerou, o que, de acordo com os especialistas, era um indicativo de que a sonda teria feito a aproximação prevista.
Cientistas presentes na sede da Nasa comemoraram no momento em que a contagem regressiva acabou. A maioria vibrava e balançava pequenas bandeiras dos EUA.
Nenhum dado deve ser transmitido nesta manhã, já que a New Horizons precisa estar silenciosa para captar o máximo de informações sobre Plutão e sua maior lua, Caronte.
A informação foi confirmada pelo chefe da missão New Horizons, Alan Stern. “Fique ligado. Por volta das 21h [22h, hora de Brasília] vamos saber se ela [a sonda] sobreviveu ao sistema de Plutão. Mas é sempre bom um pequeno drama, já que é uma exploração verdadeira”, disse ele, que agradeceu a ajuda de sua equipe em uma coletiva de imprensa.
O motivo da preocupação é que na região há muitos meteoroides e destroços da formação do Sistema de luas de Plutão. Essas “pedras no caminho” podem colidir com a sonda e destruí-la. Segundo a Nasa, a chance de impacto é de 1 em 10 mil, considerada alta.
As informações principais, incluindo fotos de altíssima resolução, serão enviadas na quarta-feira (15), durante uma transmissão de dados mais longa.
Trajetória – A sonda foi lançada em 2006, dos Estados Unidos, a bordo do foguete Atlas. Ela viajou até Júpiter e usou a gravidade desse planeta como um estilingue para acelerar sua velocidade.
Desde então, a sonda ficou adormecida e viajou pelo espaço até ser reativada, em dezembro do ano passado.

Sete instrumentos que estão a bordo da sonda vão captar essas imagens, que serão transmitidas para a Terra. O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia.
A New Horizons viaja pelo espaço carregando as cinzas do cientista Clyde Tombaugh, que descobriu Plutão em 1930, além de outros itens, como duas bandeiras americanas.

terça-feira, 14 de julho de 2015

Cidade holandesa será a primeira do mundo com uma estrada feita com plástico reciclado...



A Holanda pode se tornar o primeiro país do mundo a pavimentar suas ruas com garrafas plásticas, após a prefeitura da cidade de Roterdã afirmar que está considerando implantar um novo tipo de cobertura para suas ruas, considerado por seus criadores como uma alternativa mais sustentável ao asfalto.
A empresa VolkerWessels apresentou na sexta-feira (10) os planos para uma superfície feita inteiramente com plástico reciclável, que precisaria de menos manutenção do que o asfalto e poderia aguentar grandes variações de temperatura, entre -40ºC e 80ºC.
As estradas poderiam ser construídas em questão de semanas, ao invés de meses, e durar três vezes mais, segundo seus inventores.
A produção de asfalto é responsável pela emissão de 1,6 milhão de toneladas de CO2 por ano no mundo todo, quase 2% de toda poluição gerada nas estradas e ruas do planeta.
“O plástico oferece todos os tipos de vantagem, comparando-se ao modo como as ruas e estradas são feitos atualmente, tanto na construção das ruas como na manutenção delas”, afirma Rolf Mars, executivo da VolkerWessels.
As estradas de plástico são mais leves, reduzindo o impacto no solo, e ocas, tornando mais simples a instalação de cabos e encanamentos embaixo da superfície.
Cada pedaço de estrada pode ser pré-moldado em uma fábrica e transportado até onde eles serão instalados, reduzindo o transtorno causado pela construção de estradas. Ou seja: menos congestionamento por causa das obras na pista.
Mars afirma que o projeto PlasticRoad ainda está em um estágio conceitual, mas a empresa espera conseguir construir a primeira estrada completamente reciclada em até três anos. A cidade de Roterdã já assinou um acordo para realizar o primeiro teste da tecnologia.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Pesquisadores de Harvard criam robô capaz de saltar como sapos...


Cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, criaram um robô feito com impressoras 3D e capaz de saltar como sapos. A pesquisa que sustenta a tecnologia por trás do “sapo-robô” foi publicada nesta quinta-feira (9) pela revista “Science”.
Para amaciar as quedas, a máquina possui nove camadas, sendo a última uma feita de borracha. Esse revestimento protege ainda o interior, mais rígido, que possui, entre outros componentes, bateria e compressor de ar. Os saltos são impulsionados pelas três pernas, posicionadas na parte inferior da estrutura.
Para dar pulinhos, o “sapo-robô” infla umas das pernas, dependendo da direção para onde quer ir. A responsável pelo impulso é uma mistura de butano (gás de cozinha) e oxigênio que, após entrar em combustão, se expande, enche a pata da máquina, que empurra a superfície.
Liderado por Nicholas Barlett, o grupo de cientistas de Harvard acredita que um robô como esse pode executar tarefas que poderiam colocar humanos em risco, como entrar em áreas de desastre ou até mesmo participar de explorações espaciais.

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Infraestrutura é chave para corte de emissões neste século, diz estudo...



Um relatório apresentado nesta terça-feira (7/7) por uma comissão internacional traz uma notícia má e uma boa para as aflições climáticas da humanidade. A má é que a conta da descarbonização necessária para evitar um aquecimento global de mais de 2oC neste século é salgada: somente em energia limpa será preciso aplicar US$ 1 trilhão por ano a partir de 2030. A boa é que fazer esses e outros investimentos nos deixará mais ricos.
O documento, chamado New Climate Economy Report, lista dez ações urgentes que governos e sociedade precisam adotar para fechar o buraco existente entre as políticas de redução de emissões em vigor hoje e o que é necessário fazer para ficar dentro do limite de aquecimento da Terra reconhecido como “seguro”. Entre essas medidas estão o desenvolvimento urbano limpo, a recuperação de 500 milhões de hectares de pastos e florestas degradadas, o fim do desmatamento e o estabelecimento de um preço efetivo para o carbono.
A maior parte dessas ações tem custos iniciais mais elevados, mas que mais do que se pagam ao longo do tempo devido a ganhos de eficiência e redução do custo de operação. Numa escala planetária, é como comprar uma lâmpada de LED em vez de uma incandescente: você paga mais no ato, mas economiza no longo prazo na conta de luz e não precisará mais substituir a lâmpada uma vez por ano.
A comissão responsável pelo relatório, liderada pelo ex-presidente mexicano Felipe Calderón e que tem entre seus membros o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), calculou o tamanho dessa economia em alguns casos. Somente os investimentos em eficiência energética poderiam turbinar o PIB mundial em R$ 50 trilhões (quase dez vezes o tamanho da economia brasileira) em 2035. O grupo lembra também que é possível que no ano passado a economia mundial tenha crescido pela primeira vez com uma queda nas emissões de gases-estufa.
Claro que não foi nada perto do que elas precisam cair. Para colocar a sociedade industrial no rumo dos 2oC, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estimou que, em 2030, a humanidade deveria emitir no máximo 42 bilhões de toneladas de CO2. Com as atuais políticas, chegaremos lá emitindo quase 70 bilhões.
O relatório reconhece que as metas colocadas na mesa até agora para a conferência do clima de Paris, as chamadas INDCs, não bastam para fechar esse hiato, e traz uma receita para reduzir a diferença.
“Essas recomendações poderiam entregar até 96% dos cortes de emissão necessários até 2030 para colocar o planeta no rumo de manter o aquecimento global abaixo de 2oC”, diz Rachel Biderman, do WRI (World Resources Institute), organização que coordenou a produção do relatório. “E essas ações também produziriam múltiplos benefícios para a economia.”
Infraestrutura inteligente
Uma das dez recomendações do relatório diz respeito a um debate central para o Brasil: a necessidade de investir em infraestrutura de baixo carbono.
Nos próximos 15 anos, estima-se que US$ 90 trilhões (R$ 270 trilhões – isso mesmo, trilhões) serão investidos em infraestrutura no mundo todo: estradas, portos, aeroportos e usinas de eletricidade, por exemplo.
A maior parte desse investimento está em países emergentes como Brasil, Índia, Indonésia e China e, cada vez mais, na África. Bancos de desenvolvimento nacionais, como o BNDES e o Banco de Desenvolvimento da China, ou até plurilaterais, como o da Ásia e o dos BRICS, vêm assumindo um papel predominante de financiamento desses projetos. A visita ao Brasil do premiê chinês, Li Keqiang, acompanhado de R$ 53 bilhões anunciados em investimentos (a maioria em infraestrutura) é um exemplo da importância crescente desse tipo de gasto público.
A comissão liderada por Calderón alerta, porém, para a necessidade de orientar esses investimentos para que eles levem o clima em consideração. “Muitas formas de infraestrutura contribuem significativamente para as emissões de gases-estufa, e também são particularmente vulneráveis à incidência de eventos climáticos extremos”, afirma o relatório.
O custo dessa reorientação é estimado em US$ 4 trilhões em 15 anos, algo considerável, mas mesmo assim uma fração do investimento total planejado. Além do mais, sugere o relatório, há no momento taxas de juros extremamente baixas em países desenvolvidos, que criam uma janela de oportunidade para o financiamento desses custos de transição.
Deixar de fazê-lo poderia travar o mundo em estrutura poluente e/ou vulnerável, já que uma usina termelétrica ou uma refinaria de petróleo, por exemplo, é um projeto com vida útil de décadas. “Seria extremamente míope construir infraestrutura que seja imediatamente vulnerável a impactos da mudança climática ou a políticas climáticas mais estritas no futuro”, afirma o relatório.
O recado do New Climate Economy Report tem um alvo certo: a reunião do G20 em novembro, quando será debatida a Iniciativa Global de Infraestrutura criada no ano passado pelo bloco. Segundo o relatório, a iniciativa do G20 “ignora em larga medida os elos entre investimentos em infraestrutura e a mudança climática”.
Um estudo feito sob encomenda do WRI por Oswaldo Lucon, do Instituto de Energia e Ambiente da USP, cujos resultados preliminares foram apresentados em maio numa reunião do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, dá um exemplo da dimensão desse casamento infeliz e de longo prazo com projetos poluentes em um setor, o de energia.
Lucon mostra, com base no Plano Decenal de Energia, que 78% dos investimentos em energia no país até 2023 já estão “travados” em combustíveis fósseis. Por causa disso, em seis de nove cenários de emissão analisados por ele o Brasil excede sua cota máxima de carbono antes do meio do século.
Por enquanto, o aporte maciço de investimentos chineses em infraestrutura no Brasil confirma essa tendência carbonizante em vez de revertê-la.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse em entrevista ao OC em junho que a infraestrutura de baixo carbono é uma discussão que precisa ser feita no Brasil. “Não é contabilizado na ambição brasileira, mas o Brasil, diferentemente de um país europeu, não tem sua infraestrutura toda implantada”.