quinta-feira, 30 de abril de 2015

Cientistas desenvolvem planta-robô que promete revolucionar estudo ambiental...


Pesquisadores anunciaram a criação de uma planta-robô que pode revolucionar o estudo do solo e do subsolo e abrir novas possibilidades para a exploração do meio ambiente e do comportamento da flora.
Para criar os chamados ‘plantoides’, os cientistas decifraram os movimentos das raízes de vegetais e os transportaram para o mundo da inteligência artificial. Eles então adaptaram a morfologia e as habilidades naturais das raízes a um sistema eficiente de perfuração e análise da terra.
Segundo os pesquisadores, o protótipo da planta sintética tem “vida própria”.
Os ‘plantoides’ são capazes de explorar e penetrar a terra com um gasto mínimo de energia – economia de até 70% se comparado com sistemas tradicionais de perfuração linear – devido à redução do atrito com as barreiras naturais de ambientes irregulares.
“Na universidade, aprendemos questões relativas à botânica, mas aqui se trata de compreender as plantas sob um ponto de vista tecnológico”, disse à BBC Brasil a bióloga italiana Barbara Mazzolai, coordenadora do projeto Plantoid, no Centro de Micro-BioRobótica do Instituto Italiano de Tecnologia(IIT), em Gênova.
Entre as aplicações futuras da invenção, estão da descontaminação de um terreno até a exploração de minérios, passando pela busca por água e o estudo da comunicação entre as plantas.
O projeto, financiado pela União Europeia, envolve o IIT, a Universidade dos Estudos de Florença, o Instituto de Bioengenharia de Barcelona, na Espanha, e o Politécnico Federal de Lausanne, na Suíça.
Raiz robótica – Ao contrário das plantas reais, que crescem sempre, o desenvolvimento do robô vegetal se limita à quantidade de material depositada dentro do tronco. Ele é alimentado por diferentes fontes de energia, entre elas a solar.
O plantoide foi desenvolvido em plástico, com uma impressora 3D. Um mecanismo interno permite ao robô armazenar dentro de si tudo o que lhe serve para continuar a sua viagem ao interior da terra.
As raízes artificiais do plantoide avançam por meio de tentáculos inteligentes que descem pela base.
“Este robô se autoconstrói. A única parte fixa é a ponta final, onde estão instalados os sensores”, explica Barbara Mazzolai. “É como o crescimento dos nossos cabelos. Eles crescem da raiz na cabeça, e não da ponta final”, diz ela.
As raízes artificiais crescem e investigam o subsolo a partir de um programa que responde a dois estímulos: “ao do operador, que pode dar a ordem de procurar água, por exemplo, e ao do próprio robô, inspirado biologicamente, projetado e programado para medir parâmetros como temperatura, umidade, gravidade”, explica a coordenadora italiana.
“Ele tem ainda sensores químicos – para detectar a presença de fósforo, nitrogênio, potássio – e físicos, como o tato – que é fundamental para a integridade robótica.”
A fiação inteligente termina na ponta da raiz artificial, que é formada por uma cápsula de teflon. Esta ponta concentra os dispositivos sensíveis que vão “ler” o terreno. “Entre eles, temos um que mede a força aplicada por uma raiz quando encontra uma pedra no caminho”, conta Barbara Mazzolai.
O desafio foi o de transformar a reação de uma raiz natural diante de um problema como este em complicados algoritmos, que formam a base da linguagem robótica que determina o comportamento do plantoide.
“Tivemos que estudar o movimento das raízes embaixo da terra. Elas mudam de estratégia quando se deparam com um solo muito duro, por exemplo. Quando encontram um obstáculo, giram ao redor como espirais até achar uma saída, ou procuram fraturas. Assim, elas reduzem a força e a energia para superá-lo. Esta foi uma pesquisa difícil de ser feita”, conta Barbara Mazzolai.
A partir daí criaram-se os programas que permitem ao plantoide imitar os movimentos e as percepções das plantas naturais.
Testes – Os pesquisadores estudaram diferentes tipos de plantas para desenvolver os plantoides, mas se concentraram, principalmente, no milho.”Porque era mais fácil de cultivar em laboratório e tem uma raiz bem ramificada, relativamente grande”, disse a pesquisadora.
“É muito belo ver a estratégia da planta para sobreviver e se defender no meio ambiente. Ela está presente desde o início dos tempos e tem conseguido se adaptar sempre”, disse Barbara Mazzolai.
O protótipo atual chega a perfurar meio metro de terreno, mas futuras questões mais específicas exigirão uma escavação mais profunda, como uma hipotética exploração de petróleo ou de uma superfície deserta de um planeta distante.
“Em função de uma determinada aplicação, as dimensões devem ser revistas. O nosso robô é demonstrativo, por enquanto”, diz Barbara Mazzolai. “O objetivo é gerar novas tecnologias e linhas de pesquisa.” 

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Cientistas desvendam mistério de construções no Egito antigo...


Egípcios antigos tinham de transportar estátuas gigantes e pedras que pesavam toneladas por quilômetros no deserto – sem nenhuma tecnologia. Durante séculos, o transporte desses objetos foi um mistério, mas agora cientistas conseguiram desvendar a maneira que os antigos faziam isso: simplesmente, jogando água na areia. As informações são do IFL Science.
Segundo uma nova pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Amsterdã, liderada por Daniel Bonn, ao umedecer a areia, a tração diminui pela metade (o que permitira que os egípcios usassem 50% menos homens para o transporte). Em um teste realizado em laboratório, os cientistas observaram que a areia seca cria barreiras em frente aos objetos transportados, no entanto, a umidade em excesso também dificulta o movimento.
“A saturação de água é acompanhada por uma diminuição na rigidez. Com muita água, as pontes capilares permitidas com a umidade (que agem como uma espécie de cola) começam a se fundir e desaparecer – e o atrito de deslizamento aumenta novamente. É um equilíbrio delicado. Se você usar areia seca, não vai funcionar tão bem, mas se a areia está muito molhada, não vai funcionar também”, explicou Bonn. “Há uma rigidez ideal, portanto”.
Ainda segundo o cientistas, a quantidade ideal de água fica entre 2 e 5 por cento do volume de areia. Para o espanto dos cientistas, a resposta estava na “cara” de todos desde sempre, apenas não foi entendida. Isso porque as ilustrações, como a encontrada na tumba de Djehutihotep, é possível encontrar um homem jogando líquido em frente a estátua, o que era interpretado pelos egiptólogos como “parte de um ritual de purificação”, mas nunca como parte de “explicações científicas”. 

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Cientistas criam a “árvore eólica” que utiliza turbinas escondidas dentro de folhas de plástico para gerar energia...


O projeto usa minúsculas lâminas alojadas nas "folhas" que se transformam com o vento, independentemente de sua direção, de forma silenciosa.

Depois de três anos de pesquisa, a equipe de engenheiros desenvolveu um protótipo de quase 8 metros de altura, instalado em Bretanha, no noroeste da França. Eles esperam que a árvore possa ser usada nas casas das pessoas e em centros urbanos.

A árvore, que será vendida em valores que se aproximam de R$ 95 mil, pode gerar eletricidade diária dobrada em relação a uma turbina eólica convencional, pois pode gerar energia através de ventos de apenas 7,2 km/h.

Michaud-Lariviere disse que a árvore - que ainda não foi testada por um laboratório independente - é rentável quando capta, em média, ventos de 12,5 km/h, em um período anual.

Ele espera que a árvore possa ser usada para explorar pequenas correntes de ar que fluem para a cidade ao longo dos edifícios e ruas, podendo alimentar, por exemplo, lâmpadas de LED urbanas ou até mesmo uma estação de carregamento para carros elétricos.

Ele admite que existem ventos mais consistentes no ar, mas eles exigem "máquinas monstruosas”, longe de onde a energia é consumida.

Espera-se que a árvore possa ser combinada com outros meios de geração de energia, como a energia fotovoltaica e geotérmica, aparelhadas com os edifícios energeticamente eficientes.

No futuro, Michaud-Larivière espera desenvolver uma "árvore perfeita, com folhas de fibras naturais, raízes que poderiam gerar energia geotérmica e casca coberta com células fotossensíveis.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

WWF calcula valor dos oceanos em US$ 24 trilhões...


Os oceanos do mundo têm valor econômico de 24 trilhões de dólares, correspondentes à riqueza produzida pelos países mais desenvolvidos, segundo um estudo do Fundo Mundial para a Natureza (WWF).
Mas a ONG, que tem sede em Gland (Suíça), destacou que a exploração excessiva dos oceanos, a má gestão e as mudanças climáticas constituem uma ameaça cada vez maior para esta riqueza econômica.
O WWF afirma que uma estimativa prudente para o valor dos oceanos do planeta alcança 24 trilhões de dólares.
Os oceanos produzem a cada ano um rendimento econômico calculado em 2,5 trilhões de dólares, o que os deixaram entre o Reino Unido e o Brasil, que possuem Produto Interno Bruto (PIB) de 2,9 e 2,2 trilhões de dólares, respectivamente, na lista dos 10 países com maior PIB no mundo.
Para as estimativas, o WWF tem como base o novo relatório “Reviving the Ocean Economy”, elaborado em colaboração com o Global Change Institute da Universidade de Queensland (Austrália) e o Boston Consulting Group.
De acordo com o estudo, dois terços da criação anual de riqueza dos oceanos dependem diretamente de sua saúde econômica.
“Para preservar esta situação é necessário proteger os oceanos da exploração excessiva e das repercussões negativas do aquecimento global”, disse Alice Eymard-Duvernay, especialista de mares e oceanos do WWF na Suíça.
Metade dos corais do mundo desapareceu e, segundo o WWF, os recifes existentes terão desaparecido em 35 anos.
Além disso, o WWF considera que 90% da população de peixes é explorada em excesso ou está em perigo de esgotamento.
O WWF também advertiu que a destruição dos mangues, ecossistemas localizados em marismas de regiões tropicais, está de três a cinco vezes acima a de outros bosques.
“Ainda tempos tempo de inverter a tendência”, afirmou Alice Eymard-Duvernay.
Com este objetivo, o WWF propôs um catálogo de oito medidas, como a inclusão dos oceanos nas Metas de Desenvolvimento Sustentável da ONU, a adoção de medidas contra o aquecimento global e a obrigação de reforçar a proteção das zonas costeiras e marítimas.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Cientistas dos EUA propõem uso de CO2 capturado para produzir energia limpa...



Cientistas americanos apresentaram uma proposta, durante a reunião europeia de geociência realizada em Viena, que visa conter o escape de CO2 na atmosfera, além de aproveitá-lo para gerar energia limpa, já que o dióxido de carbono é um dos grandes responsáveis pela mudança climática.
A ideia desenvolve a já existente técnica de captura de dióxido de carbono emitido pelas usinas termoelétricas, na qual o gás é injetado a grandes profundezas em açudes naturais onde fica preso pela rocha impermeável que o cobre.
Agora, um grupo de cientistas propõe que o gás não seja somente armazenado, mas também aproveitado para produzir energia.
A temperatura, que cresce com a profundidade, faz com que o gás fique muito fluido e possa ser usado para transportar à superfície, através de poços verticais, o calor e a pressão que serviriam para movimentar turbinas de produção de eletricidade e substituir a água utilizada hoje em dia nas usinas geotérmicas.
“Gosto de pensar que é uma energia renovável que usa energia fóssil como matéria-prima”, explicou à Agência Efe Jeffrey Bielicki, professor da Universidade Estadual de Ohio e um dos desenvolvedores de uma ideia da qual se fala há tempos nos Estados Unidos.
O gás esfria e volta a ser injetado no subsolo, onde é pressionado para baixo, para depois se aquecer e voltar a subir.
Dessa forma, é criado um “circuito fechado”, no qual o dióxido de carbono não só não escapa na atmosfera mas, além disso, é aproveitado para produzir eletricidade, detalhou Bielicki.
“Os combustíveis fósseis não vão desaparecer”, opinou este cientista, ao lembrar que estas fontes de energias são muito abundantes e permitem produzir energia que, se não forem considerados os danos ambientais, é barata.
“Se não vão desaparecer, o que tentamos fazer é nos preocupar com alguns efeitos colaterais”, considerou.
Esta tecnologia alcançaria, assim, um triplo objetivo: combater a mudança climática, produzir energia e economizar água.
Embora Bielicki reconheça que esta técnica está ainda em uma fase de desenvolvimento, ele confia que o incentivo econômico que envolve ajude para que o financiamento flua.
“O benefício é que podemos vender a eletricidade, há um incentivo econômico, o que esperamos que torne o projeto mais atrativo para os investidores”, afirmou.
Por enquanto, grande parte da tecnologia e das técnicas necessárias (o armazenamento de CO2 ou as usinas geotérmicas) embora já existam, como diz Bielicki, “não foram colocadas de uma forma integrada”.
Por isso, Bielicki considera que estes tipos de infraestruturas poderiam ser economicamente competitivas com usinas térmicas de carvão, usinas nucleares e fontes de energia renováveis.
Uma das vantagens de usar este CO2 líquido, sozinho ou em combinação com nitrogênio e água, é que este gás extrai calor de forma mais eficaz do que a água.
Dessa forma, a localização destas usinas não ficaria limitada a áreas onde há focos térmicos muito intensos relativamente perto da superfície, mas poderiam ser usadas em outras áreas mais frias.
Além disso, ao fluir mais facilmente que a água, o CO2 quente permite levar à superfície a mesma energia com menos esforço.
Com as altas temperaturas do subsolo, o dióxido de carbono se expandiria tão rapidamente pelo encanamento que inclusive eliminaria a necessidade de usar bombas, e economizaria energia.
Segundo Bielicki, os primeiros modelos teóricos mostram que uma usina deste tipo poderia capturar o CO2 produzido em um ano por três centrais térmicas de tamanho médio (cerca de 15 milhões de toneladas).
Entre os riscos desta tecnologia destacam-se os vazamentos, que poderiam contaminar aquíferos potáveis, uma possibilidade que Bielicki vê como pouco provável, já que esse água está muito acima dos níveis dos quais seria injetado o CO2.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Brasileira cria app que poupa água e ganha bolsa em universidade na Nasa...


Um aplicativo que conecta o agricultor à sua plantação, reduzindo o consumo de água na irrigação, rendeu a uma brasileira de 23 anos uma bolsa para estudar em uma universidade na Califórnia ligada à Nasa (a agência espacial americana).
A administradora Mariana Vasconcelos, que mora em Itajubá (MG), foi selecionada entre mais de 500 pessoas para representar o Brasil como bolsista na Singularity University. A instituição, que funciona em um centro de pesquisa da Nasa no Vale do Silício, na Califórnia, selecionou empreendedores de 19 países para seu programa de imersão “Call to Innovation”.
Criada na fazenda do pai, Mariana desenvolveu em 2014 o Agrosmart, um aplicativo que promete tornar as plantações “mais inteligentes”.
A tecnologia utiliza sensores espalhados pelo campo, que avaliam a umidade do solo e a presença de pragas, entre outros parâmetros. Esses dados são interpretados pelo aplicativo, que indica ao agricultor os intervalos de irrigação e outras variáveis em tempo real.
Segundo Mariana, a tecnologia proporciona uma economia de água de até 60%. “A gente entende exatamente a necessidade hídrica da planta e calcula todo dia quanto deve irrigar. Às vezes, por desconhecimento, o agricultor utiliza uma quantidade de água muito acima do necessário”, explica.
No Brasil, cerca de 70% da água é utilizada na agricultura, segunda a Agência Nacional de Águas (ANA).
Economia de energia – Mariana afirma que, além da economia de água, o app também gera economia de energia elétrica e aumento da produtividade. Diz ainda que seu uso é simples. “Queria algo que falasse a linguagem do agricultor. Tenho contato constante com eles, sei de suas dificuldades diárias”, afirma ela, que tem mais três sócios no empreendimento e outros cinco funcionários.
Por enquanto, o Agrosmart está sendo usado em duas fazendas de Minas Gerais, como teste. Em maio deve começar sua comercialização, afirma Mariana. Sua meta é atingir outras dez fazendas até julho e 35 até o fim do ano.
Mariana vai para os EUA em junho. A bolsa custeia suas despesas com passagem, hospedagem e alimentação. Na volta, ela terá direito a fazer um MBA na faculdade de tecnologia Fiap, que representa o programa da Singularity no Brasil.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Brasil terá plano ambicioso de redução de poluição...


O Brasil vai aumentar o uso de energias renováveis, reduzir mais o desmatamento e promover a agricultura de baixo carbono como parte de sua proposta para a conferência do clima, que neste ano acontece em Paris, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Em sua proposta para a conferência climática das Nações Unidas, em Paris, neste ano, o maior país da América Latina vai propor novas metas ambiciosas para reduzir a destruição da floresta amazônica, aumentar o reflorestamento e ampliar o uso de energia solar, hídrica e eólica. Para isso, o Brasil vai necessitar de mais capital e tecnologia estrangeiros, disse Izabella, em seu escritório em Brasília.
Ao longo da última década, o Brasil foi um dos protagonistas do mundo na luta contra as mudanças climáticas, reduzindo as suas emissões de carbono em 41% entre 2005 e 2012, segundo dados oficiais. Realizar mais cortes pode ser mais difícil. As emissões vindas da geração de energia durante o mesmo período aumentaram 36% e houve uma queda na velocidade da redução do desmatamento da Amazônia, a maior fonte de aumento das emissões de carbono do país.
“O Brasil não será o último país a oferecer sua contribuição nem seremos pouco ambiciosos”, disse Izabella na terça-feira (14). “Vocês vão se surpreender.”
No mês passado, o México se tornou o primeiro país em desenvolvimento a apresentar sua proposta para a conferência da ONU em dezembro, prometendo reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 22% como meta até 2030. Os EUA se comprometeram a cortar as emissões em 26% a 28% até 2025 em relação aos níveis de 2005. A conferência reunirá 190 países para buscar um acordo para redução do aquecimento global.
As primeiras propostas para a ONU não necessariamente são as melhores, disse Izabella, acrescentando que a proposta do país seria baseada em consultas substanciais e que o governo estudaria cuidadosamente os custos da introdução de novos métodos de produção.
Desmatamento zero – Em seu plano, o Brasil entregará um número de meta para a redução do desmatamento ilegal, realizado principalmente por pecuaristas que cortam e queimam árvores para a criação de gado.
Os fazendeiros e donos de terras do Brasil podem derrubar legalmente uma parcela limitada de floresta. Segundo o novo plano, qualquer desmatamento legal restante será compensado pelo plantio de mata nativa, essencialmente, disse Izabella. O financiamento do governo para a polícia florestal (Ibama) não foi afetado pelos cortes de gastos pensados para reduzir o deficit fiscal do país, disse ela.
O desmatamento da Amazônia caiu para 4.571 quilômetros quadrados em 2012, contra 27.772 quilômetros quadrados em 2004. A derrubada subiu no ano seguinte e caiu de novo para 4.848 quilômetros quadrados em 2014, segundo dados do site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais.
“O Brasil hoje não tem obrigação de reduzir as emissões”, disse Izabella. “Mesmo assim, nós adotamos uma política nacional de mudança climática em 2010″. A destruição das florestas responde por 15% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil, contra 58% uma década atrás.
Papel modesto – O Brasil tem sido tímido nas negociações das mudanças climáticas, segundo Marcio Sztutman, gerente da The Nature Conservancy no Brasil.
“Nós poderíamos promover nossa liderança tendo metas ambiciosas e transparentes, anunciadas antes da reunião em Paris, no fim do ano”, disse Sztutman, por e-mail.
O Brasil, assim como outros países em desenvolvimento, argumenta que os países ricos devem ser mais ambiciosos em relação às propostas climáticas por causa de seu histórico de grandes emissões.
Izabella disse que o Brasil assumiria o papel de liderança no grupo formado com a China e a Índia, que vem representando os países subdesenvolvidos nas negociações.
“A grande discussão na conferência será a forma de financiar as mudanças”, disse ela. “Tudo tem um custo. Esta conferência não é sobre meio ambiente. É sobre economia.” 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

40% das reservas hídricas do mundo podem encolher até 2030, diz ONU...



Um novo relatório divulgado pelas Nações Unidas afirma que, se nada for feito, as reservas hídricas do mundo podem encolher 40% até 2030 e, por isso, é preciso melhorar a gestão deste recurso para garantir o abastecimento da população mundial.

O documento, elaborado pela agência da ONU para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco, aponta ainda que 748 milhões de pessoas no planeta não têm acesso a fontes de água potável.

Outra conclusão é que o Brasil está entre os países que mais registraram estresse ambiental após alterar o curso natural de rios. As mudanças nos fluxos naturais, segundo a análise feita entre o período de 1981 e 2010, mas que foi concluída em 2014, foram feitas para a construção de represas ou usinas hidrelétricas.

Entre as consequências dos desvios estão uma maior degradação dos ecossistemas, com aumento do número de espécies invasoras, além do risco de assoreamento.

Os autores do texto cobram do governo brasileiro e das demais nações da América Latina que priorizem a gestão da água para reduzir a poluição, principalmente em áreas urbanas, e evitar conflitos entre o desenvolvimento econômico e a preservação dos recursos naturais. Segundo a ONU, o gerenciamento dos mananciais deve ser vetor para o desenvolvimento sócio-econômico e redução da pobreza.

Aquíferos ameaçados – De acordo com o documento, 20% dos aquíferos mundiais já são explorados excessivamente, o que pode gerar graves consequências como a erosão do solo e a invasão de água salgada nesses reservatórios.

Os cientistas preveem ainda que em 2050, a agricultura e a indústria de alimentos vão precisar aumentar em 400% sua demanda por água para aumentar a produção.

Angela Ortigara, doutora em engenharia ambiental e integrante da Unesco na Itália, disse ao G1 que o foco do relatório é dar subsídios aos países para o enfrentamento da crise hídrica.

Segundo ela, a falta de acesso à água potável já melhorou muito – de 1990 até agora, 2,3 bilhões de pessoas deixaram de acessar recursos contaminados. No entanto, o número apresentado no relatório deste ano ainda é alto.

Para melhorar a situação, o relatório apresenta quatro sugestões aos países:

- É preciso conhecer seus recursos hídricos, melhorar o monitoramento para saber de onde vem a água, qual é a sua qualidade e como realizar uma distribuição melhor;

- Definir estratégias para o futuro, com a previsão de cenários em torno da distribuição;

- Integrar as decisões dos setores de energia, agricultura e recursos hídricos para que as ações atendam a todas as áreas e sejam feitas de forma sustentável;

- promover a boa governança: as decisões em torno da água precisam ser transparentes e devem ter a participação da sociedade civil, para que a população se sinta obrigada a colaborar para atingir a sustentabilidade.

Tais medidas podem, por exemplo, ajudar o Brasil a resolver o atual problema de desabastecimento que atinge várias regiões metropolitanas do país.

A ausência de chuvas ao longo de 2014 baixou o nível de reservatórios importantes de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, que tiveram que implantar políticas restritivas de acesso a água, como racionamento ou aplicação de multa para quem gasta mais recursos hídricos.

Risco de escassez maior – Ary Mergulhão, coordenador de ciências naturais da Unesco no Brasil, explica que as políticas voltadas à água em grande parte do mundo ainda estão em formação, já que o tema “está em constante mutação e desafia a criatividade e o poder de gestão dos governos”.

“Alguns países que acreditavam que tinham muita água enfrentam atualmente problemas de escassez, má distribuição e má preservação. A consciência [dos governos] atualmente está mais crítica que antes, mas precisamos trabalhar mais”, explicou.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Drone é capaz de plantar até 1 bilhão de árvores por ano...



Uma startup britânica resolveu apostar na tecnologia dos drones para plantar um bilhão de árvores por ano, uma solução que estaria à altura da devastação “industrial” das florestas, pois pode frear o desmatamento e recuperar tudo o que foi destruído – um dos grandes desafios dos nossos tempos.
De acordo com a BioCarbon Engine, o uso de drones seria mais eficiente e preciso que os métodos tradicionais adotados no mercado, como o plantio manual de árvores (“lento e caro”) e a distribuição de sementes secas por via aérea (“de baixas taxas de fixação”).
“Nossa solução equilibra esses dois métodos. Em primeiro lugar, por meio do plantio de sementes germinadas, utilizando técnicas de agricultura de precisão. Em segundo lugar, por ser escalável e automatizada, a nossa tecnologia reduz significativamente os requisitos de mão de obra e custos”, destaca a empresa em seu site.
Como funciona – Em um primeiro momento, com ajuda de um drone, a BioCarbon reúne dados detalhados do terreno, a fim de produzir mapas 3D de alta qualidade sobre as terras agrícolas, plantações e áreas a serem restauradas.
Ao utilizarem os dados de mapeamento, os drones realizam as atividades de plantio de precisão. A esperança vem do alto na forma de pequenas cápsulas que se rompem ao atingir o solo, liberando, assim, as sementes germinadas.
Monitoramento – Outra importante parte do projeto é o monitoramento do plantio. Esta informação ajudará a fornecer avaliações da saúde do ecossistema ao longo do tempo.
O projeto de reflorestamento em escala industrial a partir de drones ainda não está completamente pronto para uso comercial, mas o seu protótipo, que ganhou R $ 20 mil em fundos do Centro de Empreendedorismo Skoll em 2014, deve entrar em pleno funcionamento até o final do ano.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Empresa americana desenvolve usina de energia portátil e voadora...


Uma empresa start-up americana criou uma usina eólica portátil e voadora – que pode ser usada em áreas de catástrofe.
Ela é basicamente um balão de hélio com uma turbina eólica instalada no centro.
O aparelho pode gerar a eletricidade necessária para manter 15 casas ou até mesmo uma pequena vila em um país carente de energia.
A energia elétrica é transmitida por um cabo de força para uma estação no solo.
Diferentemente de usinas eólicas em terra, esta consegue aproveitar ventos de alta velocidade, presentes a mais de 600 metros de altura.
A primeira usina pode decolar até o fim deste ano.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Resíduos de laranja e banana podem contribuir para a produção de etanol...


Laranja e banana, as duas frutas mais cultivadas no Brasil, podem vir a ser também – devido aos seus resíduos – importantes fontes complementares para a produção de bioetanol veicular. Esse é o objetivo da pesquisa “Produção de bioetanol utilizando cascas de banana e laranja por cofermentação de Zymomonas mobilis ePichia stipitis”, apoiada pela FAPESP.
O estudo foi coordenado por Crispin Humberto Garcia Cruz, professor titular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), no campus de São José do Rio Preto, e desenvolvido pela doutoranda Michelle Cardoso Coimbra, bolsista da FAPESP.
“Claro que as respostas obtidas em laboratório não podem ser simplesmente extrapoladas para um processo industrial em grande escala. Mas elas permitem uma estimativa. Com base nos valores obtidos em escala laboratorial, se todos os resíduos resultantes das culturas de laranja e banana fossem convertidos em etanol, teríamos uma produção anual de 658 milhões de litros”, disse Garcia Cruz à Agência FAPESP.
Cardoso Coimbra descreveu, passo a passo, o processo realizado em laboratório. “Inicialmente, as cascas são secas e trituradas. Depois, passam por um pré-tratamento de hidrólise ácida, realizada com ácido sulfúrico a 5% (existem outras alternativas de pré-tratamento, como a hidrólise alcalina, a explosão a vapor etc.). O material pré-tratado é misturado com enzimas em solução por cerca de 24 horas.
Após a hidrólise enzimática, a mistura é filtrada e desintoxicada com carvão ativado para a retirada de compostos inibidores que podem ser formados na etapa da hidrólise ácida. O material é, então, utilizado como substrato para fermentação, realizada por culturas de Zymomonas mobilis e Pichia stipitis, produzindo o etanol”.
“Com a utilização da cultura consorciada de Zymomonas mobilis e Pichia stipitis, a produtividade foi maior, em comparação com os processos baseados em apenas um dos microrganismos. Isso ocorre porque, com os dois microrganismos, tanto as pentoses quanto as hexoses liberadas com a hidrólise das cascas podem ser transformadas em etanol”, comentou Garcia Cruz.
A produção brasileira de etanol de cana-de-açúcar, anidro e hidratado, é de aproximadamente 27 bilhões de litros por ano. O etanol de resíduo de laranja e banana corresponderia a 2,5% desse volume. Considerando apenas o etanol de cana-de-açúcar hidratado, que é o utilizado como combustível, a produção anual brasileira é de 15 bilhões de litros. Neste caso, o percentual do aporte do etanol de resíduo de laranja e banana subiria para 4,3%.
A maior parte desse aporte viria da citricultura.
12 milhões de toneladas de resíduos – O Brasil é, atualmente, o maior produtor de laranja do mundo, com uma produção anual da ordem de 18 milhões de toneladas. “Mais ou menos 50% do peso da laranja é formado pela casca e pelo bagaço, que são seus principais resíduos. Podemos estimar, portanto, 9 milhões de toneladas de resíduo de laranja por ano, que poderiam, idealmente, ser convertidos em 570 milhões de litros de etanol”, informou Michelle Cardoso Coimbra.
A banana, a segunda fruta mais cultivada no país, tem uma produção anual de aproximadamente 7 milhões de toneladas. Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), de cada 100 quilos de bananas colhidas, 46 quilos não são aproveitados por não atenderem aos padrões de consumo. Apenas a produção rejeitada gera ao redor de 3 milhões de toneladas de resíduos por ano. “Também idealmente, esse montante poderia ser convertido em 88 milhões de litros de etanol”, acrescentou a pesquisadora.
Somando-se os 570 milhões de litros provenientes da laranja com os 88 milhões de litros resultantes da banana, chega-se ao valor total de 658 milhões de litros/ano.
Os números são, por enquanto, puramente teóricos. Não existe no Brasil nenhuma usina de produção de etanol associada à fruticultura. Tais usinas teriam de ser instaladas preferencialmente próximas às áreas de cultivo dessas frutas, ou adaptações nas unidades atuais precisariam ser feitas. Além disso, a captação e o aproveitamento dos resíduos de frutas dependem de vários fatores. Um deles é que a geração desses resíduos ocorre em diferentes fases dos ciclos da laranja e da banana: colheita, transporte, revenda e pós-consumo.
O outro fator, ainda mais importante, é que a produção de etanol a partir de resíduos de frutas depende da chamada tecnologia de segunda geração, que consiste na quebra das cadeias de celulose e de hemicelulose por meio da hidrólise enzimática e no aproveitamento dos açúcares resultantes.
Custo das enzimas – “Um dos principais gargalos é o alto valor das enzimas necessárias para a liberação dos açúcares na etapa de hidrólise da celulose e da hemicelulose. Outro é o uso de microrganismos geneticamente modificados ou culturas consorciadas de microrganismos que possam fermentar as hexoses e pentoses liberadas com a hidrólise, aumentando assim o rendimento da produção de etanol de segunda geração”, explicou Garcia Cruz.
A primeira usina de etanol de cana-de-açúcar de segunda geração entrou em operação comercial no país no final do ano passado, em São Miguel dos Campos, Alagoas. Essa usina está localizada perto de outras três, que produzem açúcar e etanol de primeira geração, e que vendem parte do resíduo de sua produção (palha e bagaço de cana) para a usina de segunda geração. Tal arranjo, fundamental para a redução de custos com o transporte, não ocorreria, no curto prazo, no caso dos resíduos de frutas.
Apesar desses senões, os pesquisadores consideram o etanol de resíduos de frutas uma opção comercialmente promissora. Ainda mais que existiriam subprodutos. “A queima dos resíduos resultantes das várias etapas da produção do etanol poderia gerar energia elétrica. Além disso, para a utilização das cascas de laranja, seria recomendada a extração dos óleos essenciais, compostos principalmente por limoneno, subproduto de interesse para indústrias alimentícias”, afirmou Garcia Cruz. 

sábado, 4 de abril de 2015

Lavar lixo reciclável e usar copo plástico gastam mais água; entenda...


Em tempos de escassez hídrica, a necessidade de rever hábitos para economizar água se tornou prioridade. O de lavar o lixo antes de destiná-lo à reciclagem é um que precisa ser revisto.
Você que está acostumado a “passar uma aguinha” naquela caixa de leite longa vida ou lata de leite condensado antes do descarte, um recado: apenas pare de fazer isso pelo resto de sua vida.
É o que dizem especialistas ouvidos pelo G1. Lavar itens como potes de iogurte, garrafas PET ou de vidro para retirar restos de alimentos não ajuda no processo de reciclagem e gera mais esgoto – que muitas vezes não é coletado e tratado.
Esses materiais de qualquer forma serão novamente lavados quando chegarem às cooperativas, onde ocorre o processo de separação do papel, plástico, vidro e metal, que, posteriormente, serão destinados às indústrias de reciclagem.
“Em qualquer processo de reciclagem, o resíduo será submetido a um processo de higienização. Não há necessidade de uma lavagem aprofundada do material”, explica Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe).
A melhor maneira de preservar o lixo reciclável dentro de casa de maneira higiênica (sem uso de água), até que passe o caminhão para recolher, é guardá-lo em recipientes fechados, que evitam o surgimento de moscas e a emissão de odores, explica Emilio Maciel Eigenheer, especialista em resíduos sólidos.
Copo descartável: vilão ou herói? – Um dos produtos que ganharam destaque após episódios de falta d’água foi o copo descartável.
Restaurantes e bares, principalmente da cidade de São Paulo, decidiram suspender o uso de recipientes de vidro pelos copos feitos de plástico.
Para quem é atingido pela falta de água para lavar louça, a compra pode ser a solução do momento. A longo prazo, pode contribuir para prejudicar ainda mais o abastecimento.
O motivo? A fabricação de apenas um copo descartável chega a consumir 500 ml de água, enquanto a lavagem feita na pia utiliza 400 ml, de acordo com o Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia (IFSP) de Itapetininga (SP).
A lavagem na máquina é ainda mais econômica e gasta apenas 100 ml por copo, isto é, apenas 20% do que é gasto para se produzir um copinho plástico.
“Não se pode culpar a população por essa troca. Mas a grande questão é: será que grandes restaurantes e praças de alimentação realmente não podem usar máquinas mais econômicas?”, recomenda Bruno Fernando Gianelli, professor de materiais do instituto federal.

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Avião movido a energia solar chega à China após 22 horas de voo...


O avião Solar Impulse 2 aterrissou na China na madrugada desta terça-feira (horário local), completando a quinta etapa da primeira volta ao mundo de um avião alimentado apenas por energia solar.
Com o piloto Bertrand Piccard no comando, o avião de apenas um lugar pousou no aeroporto de Chongqing à 01h35 local de terça (14h35 de segunda-feira, pelo horário de Brasília), após um voo de 22 horas e meia a partir de Mianmar.
Originalmente, o Solar Impulse deveria fazer apenas uma breve escala nesta cidade e continuar o voo para Nanquim – a cerca de 270 km de Xangai – mas a parada foi prolongada devido ao mau tempo. Por isso, o piloto deve aguardar até que o tempo melhore para retomar a viagem.
Piccard, um dos dois pilotos suíços do Solar Impulse 2, teve que enfrentar um frio extremo, com temperaturas abaixo de 20 graus no cockpit, assim como os altos picos das províncias de Yunnan e Sichuan na China.
Ele também sobrevoou uma área isolada da região na fronteira entre Mianmar e China, onde são registados violentos combates entre os rebeldes chineses da maioria étnica Kokang e o exército birmanês.
O SI2, que saiu de Abu Dhabi em 9 de março, tem a intenção de viajar 35 mil quilômetros ao total movido apenas por energia solar. Esta volta ao mundo deve levar cinco meses, dos quais 25 dias são de voo efetivo, antes de retornar ao local de saída no final de junho ou início de julho.
Prevista para ser completada em 12 etapas, a volta ao redor do mundo é o resultado de 12 anos de pesquisa realizada por André Borschberg e Bertrand Piccard que, além da parte científica, tentam transmitir uma mensagem política.