sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Apagões e crise hídrica aceleram investimentos em energia limpa...



A necessidade de o Brasil voltar os olhos para as energias alternativas, como a solar e a eólica, é cada vez mais premente. Vários fatores vêm favorecendo investimentos em energia limpa: colapso na captação de água; riscos no abastecimento e geração de energia elétrica, com ocorrência de apagões; aumento do consumo de energia devido ao calor; além da crescente pressão mundial contra as emissões de gases poluentes oriundos do petróleo, carvão e gás.
As empresas que compõem a cadeia de energia eólica e solar já sentiram o bom momento para expandir seus negócios e até os fundos de investimento se voltam para a expectativa de lucratividade do setor nos próximos anos.
“Parece que até agora padecemos de um imobilismo no planejamento energético. Ficamos acomodados, contando basicamente com as hidrelétricas. Mas o problema do baixo nível dos reservatórios de água e o risco de novos apagões mostram a urgência de se investir em fontes de energias alternativas, como a eólica e a solar. Por isso, empresas e investidores já estão de olho nesse futuro promissor”, destaca Rodrigo Bertozzi, CEO da B2L Investimentos S/A, especializada na mediação de negócios entre fundos e empresas.
O interesse em energias eólica e solar vem aumentando e deve ser ainda maior a partir de agora diante do acordo firmado recentemente entre os países – inclusive o Brasil – na Conferência do Clima (COP 20), no Peru, para reduzir as emissões de poluentes que causam o efeito estufa e o aumento das temperaturas no mundo.
“O acordo firmado em Lima e que deverá ser detalhado ainda este ano na COP 21, em Paris, sem dúvida vai ajudar no crescimento do uso de energia limpa no Brasil, o que vai beneficiar investimentos no setor, como já começamos a observar. Há boas perspectivas, diante da demanda crescente. Além disso, projetos de energia renovável têm um processo de implantação mais rápido, com a obtenção de licenças ambientais mais simples do que as térmicas e hidrelétricas”, informa a advogada Danielle Limiro, sócia da B2L, especialista em energia.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Abvcap), mais de 21% dos gestores estão com foco no setor de energia limpa; e o interesse já chegou também entre os fundos de venture capital.
“Investir em energia eólica e solar é cada vez mais promissor e, além disso, tem forte apelo social. É importante lembrar ainda que o avanço da tecnologia já possibilita ao setor a geração de uma energia limpa com muita eficiência”, afirma Limiro.
Hoje a energia gerada pelas hidrelétricas ainda corresponde a 80% da matriz energética brasileira, mas o Brasil já investe em fontes alternativas. A energia eólica é a que mais cresce atualmente, especialmente em estados do Nordeste. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), em seis anos a capacidade instalada deve aumentar quase 300%. O setor eólico deve passar dos atuais 3% da matriz energética brasileira para 8% em 2018.
O mercado de energia solar também já ganha visibilidade. O que mais se tem ouvido entre investidores, geradoras de energia e fabricantes de equipamentos é que “chegou a hora” da energia solar no Brasil. Em agosto passado, entrou em operação, em Tubarão (SC), a maior usina solar construída até agora no país, com capacidade para abastecer 2,5 mil residências. E o primeiro leilão de energia solar organizado em 2014 pelo Governo contratou 31 novos projetos, que devem gerar energia suficiente para abastecer mais de 900 mil residências.
Diante desse quadro, os casos de empresas de sucesso que estão surgindo no setor faz crescer a demanda por fundos com esse perfil, com especial atenção à cadeia de fornecimento de equipamentos de energia eólica.
“A indústria de private equity deve ter presença cada vez maior como fonte de investimento de capital para fomentar o crescimento das empresas de energias alternativas”, conclui o CEO da B2L.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Avião movido a energia solar prepara voo de volta ao mundo...


Um avião movido apenas a energia solar tentará dar a volta ao mundo nas próximas semanas, contando com baterias e motores supereficientes que permitam que a aeronave voe durante a noite.
O Solar Impulse 2 vai decolar de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, entre o final de fevereiro e o início de março, fazendo diversas paradas em países como Estados Unidos e Índia.
Ele tem a largura de um Boeing 747, mas o peso parecido com o de um carro. Isso porque é feito de peças leves, de forma a reduzir o consumo de energia.
O objetivo é que as tecnologias do Solar Impulse ajudem a tornar a aviação mais ecologicamente correta, mas também inspirar melhorias em outros setores - uma das peças do cockpit, por exemplo, foi adotada para melhorar a eficiência de geladeiras.
"Toda a tecnologia que permite que o avião voe noite ou dia, sem combustível, pode ser usada em qualquer lugar do mundo para mobilidade, construção, iluminação e processos industriais, para (termos) um mundo mais limpo", diz à BBC o suíço Bertrand Piccard, piloto do Solar Impulse 2.
A aeronave antecessora, a Solar Impulse 1, conseguiu atravessar o continente americano voando e armazenou bateria o suficiente para voar durante a noite.

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Hidroalfabetização...



Quando um cidadão urbano bebe um copo d’água, raramente sabe de onde ela veio, por qual tipo de tratamento passou para tornar-se potável, qual o manancial em que foi produzida, de onde vieram as nuvens das quais choveu ou como tais nuvens se formaram. Quando toma banho ou lava as mãos, tampouco sabe para onde vai aquele líquido, se será tratado antes de ser devolvido a um rio ou lago, e se esse corpo d’água servirá como fonte de abastecimento para alguém rio abaixo. Tornou-se hidroalienado.
A sensação de abundância de água gera a atitude de descaso para com ela. Quando falta, acorda-se para seu valor e toma-se consciência de sua importância vital. A hidroalienação começa a se dissolver quando a água torna-se um assunto devido à sua escassez ou devido ao seu excesso, que traz inundações. O cidadão se pergunta, então: se o Brasil dispõe de 12% de toda a água doce do mundo, por que ela falta na minha torneira ou na minha casa? Por que a infraestrutura para captar, transportar, tratar e distribuir a agua é desigual, cara, beneficia os que mais podem?
Para superarmos o hidroanalfabetismo e aprendermos a conviver de modo harmônico com a água são valiosas várias abordagens.
Precisa-se aprender que a água passa pelo nosso corpo e pelos corpos dos demais seres vivos animais e vegetais e que somos parte do ciclo integral da água. A instalação de balanças hídricas em museus de ciência e tecnologia, que pesem e mostrem a quantidade de água existente no corpo de cada pessoa, criança ou adulta, é um instrumento poderoso para despertar tal consciência.
Do mesmo modo, visitas guiadas a estações de tratamento de água são valiosas para que se perceba o investimento necessário para colocar a água num padrão de qualidade que a torne potável. Visitas a estações de tratamento de esgoto são úteis para perceber os custos de sua despoluição.
A observação de sistemas para captar água de chuva e de cisternas para armazená-la também é valiosa: ajuda a conceber modos de aproveitar de modo descentralizado a água que vem da atmosfera para finalidades úteis no cotidiano, tais como regar jardins e uso não potável.
É relevante aprender sobre as bacias hidrográficas e como se interconectam as águas superficiais e as subterrâneas. Conhecer o valor dos serviços prestados pela natureza quando há áreas de proteção de mananciais que facilitam a infiltração de água no solo e a formação de reservas subterrâneas. Cada vez que se perdem tais serviços ambientais, aumenta a necessidade de investir em obras de infraestrutura hídrica – reservatórios, aquedutos, estações de tratamento, o que encarece o custo da água.
Em nosso tempo de mudanças climáticas, o tema da água veio para ficar, pois ela é o elemento da natureza que responde mais diretamente a variações de temperatura. Eventos extremos de seca e inundação tornam-se mais frequentes e intensos. Conhecer também como as ilhas de calor que se formam sobre as cidades aumentam os riscos de inundações.
Na escala global, saber como funciona o ciclo da água na natureza e sua presença em estado gasoso, liquido ou solido, como evapora ou congela, ajuda nessa tomada de consciência. Isso envolve também saber sobre a formação e a movimentação de nuvens e chuvas e sobre o grande serviço prestado pela evaporação nos oceanos, que dessaliniza água de modo natural. Na escala de um continente como a América do Sul, é relevante saber como os rios voadores, as nuvens que se movimentam a partir da Amazônia, contribuem para as chuvas no centro oeste e no sudeste, e as conexões que existem entre as torneiras secas no sudeste e o desmatamento da Amazônia.
A abordagem econômica pode ser realçada ao se evidenciarem os prejuízos sofridos na indústria, na agricultura, nos transportes e na geração de energia quando falta água; e ao se valorizarem os serviços hídricos prestados gratuitamente pela natureza.
Nesse contexto das mudanças climáticas aumenta a imprevisibilidade, as séries históricas de dados de chuva e vazão tornam-se referências menos uteis e aumentam os riscos de conflitos entre os vários usuários da água (por exemplo, entre hidrovias x geração de energia; geração de energia x agricultura; agricultura x abastecimento humano). Tais conflitos tendem a crescer à medida que a população aumenta e a demanda por água também se expande. Aprender sobre os conflitos que ocorrem entre países, estados e municípios que disputam uma mesma água traz a dimensão social e politica.
Há, então, a necessidade de aprender como reduzir o consumo e desenvolver tecnologias que levem à redução de desperdícios. Os arquitetos, engenheiros e urbanistas podem projetar ambientes construídos e cidades que se relacionem de modo harmônico com a água e nos quais ela esteja integrada.
De especial importância é a hidroalfabetização de governantes – prefeitos e vereadores, governadores e deputados, presidentes, ministros e senadores, juízes e promotores – pois de sua consciência depende a formulação e colocação em prática de políticas e programas que levem a uma relação consciente da sociedade e dos cidadãos com a água.
É necessário promover a hidroconsciência e o conhecimento, a capacitação dos cidadãos, dos usuários da água, dos técnicos, dos gestores públicos e dos empresários. Programas e campanhas de comunicação são parte relevante da hidroalfabetização. Jornalistas e comunicadores têm papel relevante na hidroalfabetização, assim como professores de crianças, jovens e adultos. Do mesmo modo, nas escolas e nas universidades, em cada disciplina o tema da água pode ser abordado com criatividade, de modo a despertar a curiosidade dos estudantes e a formar pesquisadores e cientistas hidroconscientes. Profissionais de todos os campos podem aplica-la, intelectuais usar a razão para expandir e elevar a relação das pessoas com ela. Na ciência e na escala cósmica, saber como ela se apresenta nos demais planetas, cometas e corpos celestes traz a dimensão que une o macro e o micro, da água no universo àquela que existe no próprio corpo.
Por fim, os artistas podem usar a emoção e impulsionar a aprendizagem sobre a água na agenda cultural – na música, na literatura, no cinema, no paisagismo, na arquitetura e no urbanismo e sua importância para a saúde e o bem estar humano.
Para reduzir o consumo pode ser eficaz aumentar as contas para quem consome mais. Mas isso não necessariamente ajuda a formar a hidroconsciência daqueles mais abastados, para quem faz pouca diferença pagar uma conta normal ou o triplo dela. A hidroalfabetização precisa ir além da simples educação pelo bolso e buscar desalienar efetivamente os cidadãos em relação à agua.
Capacitar municípios para que conduzam com responsabilidade hídrica o planejamento e a gestão de uso e ocupação do solo, bem como seus sistemas locais de saneamento; preparar os estados para que tenham capacidade de gestão ambiental e de recursos hídricos, e de colocar em prática planos de contingência para quando ela faltar; integrar as instituições federais articuladas em todos os âmbitos da federação; formar pessoas capazes de formular e cumprir leis hidroconscientes.
Essas são algumas das abordagens que podem compor um programa holístico e transdisciplinar. Aprender esse bê-á-bá é essencial na hidro alfabetização, que por sua vez é parte da hidroconsciência. Pode-se saber soletrar, ler palavras, escrever, mas não compreender o seu significado. É necessário desenvolver uma visão orgânica de como a água flui no ambiente, para além de visões sistêmicas parciais e setoriais; ampliar a consciência da água como parte de um sistema hídrico, que por sua vez é componente vital de um organismo vivo, seja ele o corpo humano, uma bacia hidrográfica ou o planeta Terra. A hidroconsciência pode contribuir para formar novas atitudes e posturas coletivas e individuais que sejam mais responsáveis para com a água.

sábado, 24 de janeiro de 2015

Chuveiro recicla água e a reaproveita no mesmo banho. Economia é de 70%...



Água é reciclada ao longo do banho via pasteurização

Uma companhia australiana desenvolveu uma ducha que é capaz de poupar até 70% de água, além de evitar gastos com energia. O conceito básico é a reciclagem, já que a água que escorre pelo ralo é reaproveitada automaticamente no próprio banho, voltando a molhar a cabeça do usuário.

Fabricada pela CINTEP, o “chuveiro mais eficiente do mundo”, de acordo com seus desenvolvedores, usa apenas três litros de água limpa por banho. A reciclagem é feita por meio de um processo de pasteurização – sim, o mesmo utilizado em leites. A água reciclada passa por três filtros, por um processo de pasteurização quente, é diluída com 30% de água potável e imediatamente reutilizada. O processo todo leva cerca de 25 segundos.

Além de poupar cerca de 70% de água de um banho normal, o sistema também economiza energia, já que gasta menos eletricidade para canalizar a água até o chuveiro e para aquecê-la (ela se mantém em alta temperatura enquanto é reciclada).

De acordo com a empresa, não há o risco de uma outra pessoa tomar banho usando a água do “banhista” anterior, isso porque, no momento em que o chuveiro é desligado, a água utilizada é drenada pelo ralo comum e não mais pode ser reutilizada.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Projeto: Análise das rotas Tecnológicas para produção de Biogás com a utilização de resíduos agrícolas...



O sistema de abastecimento da zona rural é bastante precário e falho, deixando de suprir muitas comunidades interioranas, e devido a tal situação o uso de energias renováveis é bem visto e valorizado para solucionar tais problemas. O biodigestor é uma das rotas tecnológicas que produz energia limpa e atende as necessidades da população,pois produz biogás que pode ser usado para gerar energia elétrica, biofertilizante que é o principal produto dele para as plantações rurais e o resíduo líquido pode ser utilizado para a piscicultura.
Alem dos subprodutos gerados com a instalação do reator anaeróbico o nível de desmatamento irá diminuir, os solos da região amazônica ficarão mais produtivos e irá diminuir uma parcela dos problemas relacionados ao clima e meio ambiente como é o caso do aquecimento global . Com os estudos realizados, concluiu-se que o biodigestor modelo chinês é o mais adequado para as zonas rurais devido a sua praticidade na hora de construir, o seu custo ser mais viável para eles e com a implantação do projeto a zona rural será autossustentável.
O projeto piloto construído a partir de materiais de fácil acesso para a população rural, tem como princípio ser utilizado para pesquisas científicas, no qual a principal análise será as biomassas regionais de fácil acesso na zona rural e avaliar quais delas produzem uma ótima taxa de biogás.
OBJETIVO GERAL
Esse projeto tem como objetivo analisar as formas de se obter biogás a partir de resíduos agrícolas e definir qual seria o mais apropriado para a agricultura amazonense levando em consideração a biomassa amazônica e o seu custo benefício para os agricultores.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Mexicano cria máquina que recicla plástico sem usar água...



Os processos tradicionais de reciclagem de plástico necessitam de muita água, para que o material seja transformado em grânulos reciclados. No entanto, uma máquina criada pelo mexicano Marco Adame promete oferecer o mesmo resultado, mas sem a necessidade de usar água no processo.
A tecnologia é capaz de processar mais de 90% de qualquer tipo de plástico. Além de reduzir o desperdício de recursos hídricos, o equipamento também diminui os custos de produção pela metade e ocupa muito menos espaços do que os maquinários comuns.
Conforme explicado por Adame, em declaração à revista phys.org, o processo original de reciclagem gasta muitos recursos, pois, após ser desidratado, o plástico precisa ser resfriado em água. Com o uso da nova tecnologia, a etapa de resfriamento com água é descartada. Em consequência disso, o consumo de energia do processo também cai pela metade. O mexicano ainda garante que o resultado do material final é de melhor qualidade do que os tradicionais.
Outra vantagem deste sistema é a sua capacidade de processar qualquer tipo de plástico. Dentro do próprio maquinário existem três peças diferentes para trabalhar os materiais específicos. Atualmente, a empresa de Adame processa duas toneladas de plástico por dia. Mas, segundo ele, a intenção é expandir a capacidade para dez toneladas.
O empresário ainda quer tornar a reciclagem de plástico mais eficiente, utilizando uma máquina de lavar plásticos que funciona com detergentes biodegradáveis.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Febre do ouro acelera desmatamento na América do Sul, afirma estudo...



A proliferação das minas de ouro, às vezes ilegais, observada nos últimos anos em várias regiões da América Latina acelera o desmatamento, ameaça a biodiversidade dessas áreas e contribui para a emissão de gases causadores do efeito estufa – alerta estudo publicado nesta quarta-feira (14) na revista “Environnemental Research Letters”.
“A febre do ouro mundial conduziu a um aumento significativo do desflorestamento das selvas tropicais na América do Sul”, escrevem os autores.
Entre 2001 e 2013, pelo menos 1.680 km² de florestas tropicais foram derrubados para a exploração das minas de ouro, relatam os especialistas. Isso representa uma pequena parte dos milhões de quilômetros quadrados de floresta tropical de todo o planeta, mas a riqueza biológica das áreas exploradas pelos garimpeiros é excepcional.
“Embora a perda das florestas, devido à exploração das minas, seja menos importante do que o desmatamento causado pela agricultura, ele acontece nas regiões tropicais com a biodiversidade mais rica”, destaca Nora Alvarez-Berrios, uma das autoras do estudo.
Brasil é um dos países mais afetados - Na região de Madres de Dios, no Peru, por exemplo, um hectare de selva pode conter “até 300 espécies de árvores”, explica a pesquisadora da Universidade de Porto Rico. O agravante é que 90% da destruição detectada desde 2001 ocorre em apenas quatro regiões que fazem ecossistemas e, com frequência, perto de zonas protegidas.
As regiões mais afetadas são os trechos compartilhados entre Guiana, Venezuela, Suriname, Guiana Francesa, Brasil, Colômbia, sudoeste amazônico (Peru, Bolívia, Brasil), região Tapajós-Xingu (Brasil) e região do vale Magdalena-Uraba, no norte da Colômbia.
Embora os espaços protegidos pareçam, em geral, em bom estado, os autores do estudo estimam que um terço do desflorestamento aconteceu a menos de 10 km dessas zonas, que estão expostas à contaminação química.
Em função da alta demanda, a produção mundial de ouro passou de 2.445 toneladas, em 2000, para 2.770 toneladas, em 2013.
O preço do ouro também registrou fortes altas nos últimos anos, de US$ 250 a US$ 1.300 a onça (28,3 gramas), entre 2000 e 2013. Isso contribuiu para a abertura de novas minas no mundo inteiro, incluindo em plena selva, em áreas de difícil acesso. 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Tecnologia transforma flatulência de vacas em sacolas plásticas...


Em seu complexo processo digestivo, as vagas expulsam entre 100 e 200 litros de metano por dia. "É biomagia", diz sorrindo Oliver Campbell, diretor do departamento de embalagens da empresa de tecnologia Dell, enquanto segura em uma das mãos uma sacola plástica comum... ou quase.

A sacolinha em questão é feita, literalmente, do ar que respiramos.

À primeira vista, as sacolas de metano são iguais às que conhecemos. A diferença é que os modelos comuns são feitos de petróleo, enquanto a engenhoca nas mãos de Campbell vem do AirCarbon, o carbono extraído do metano expulso pelas vacas, ou que se desprende de lixões.

O procedimento não apenas evita o uso de combustíveis fósseis, como também contribui com a diminiuição de gases tóxicos no meio ambiente. A versão proveniente do metano é produzida por uma empresa californiana chamada Newlight.

"(O metano) reage com um biocatalizador e cria uma reação que separa o carbono e o oxigênio no gás. Então passa por um período de fermentação, de onde surge este material plástico", exlpica Campbell à BBC.

"A partir daí, podemos criar vários tipos de plástico". Ele ressalta que este processo é mais barato do que o uso do petróleo.

Fungos

Material criado a partir de fungos é biodegradável, além de mais flexível e duradouro que o polietileno
Outro material não-biodegradável e raramente reciclável que a empresa se propôs a substituir foi o polietileno, usado em embalagens maleáveis e esponjas.

O material proposto é quase o oposto: embalagens cultivadas a partir de esporas de fungos, que produzem grandes blocos brancos com textura esponjosa.

Para criar este material, a empresa recolhe o substrato de antigas fazendas de cogumelos para moldar as esponjas. "Colocamos esta estrutura no molde e injetamos matrizes de fungos. As matrizes usam os carboidratos e açúcares ainda presentes no substrato para crescer", explica Campbell.

O material criado a partir dos fungos é biodegradável, mais flexível e duradouro que o polietileno. "Testamos toda a cadeia de fornecimento para verificar se o produto se mantinha em boas condições. Isso é fundamental já que, no caso de danos, esta solução seria pior em termos de sustentabilidade."

Os cientistas se mostram otimistas. "Realmente nos surpreendemos quando analisamos a estrutura celular com o microscópio. O que se vê é uma estrutura de raízes com pequenos tentáculos que se entrelaçam. É como uma cinta de velcro, melhor que o material original", diz Campell.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Justiça determina perícia sobre impactos de agrotóxicos no Pará...




A Justiça Federal determinou a realização de perícia científica em área de cultivo de dendê e em área indígena no município de Tomé-Açu, no nordeste do Pará. A decisão é baseada em ação em que o Ministério Público Federal no Estado (MPF/PA) aponta indícios de que o uso de agrotóxicos pela empresa Biopalma está provocando sérios impactos no meio ambiente e, principalmente, na saúde das famílias indígenas Tembé.
Em caráter liminar, o juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo determina que a perícia seja executada pelo Instituto Evandro Chagas (IEC) para averiguar os impactos da cultura do dendê no solo, na flora, na fauna, no ar e nos recursos hídricos.
Campelo definiu também que a investigação deve verificar se há presença de agrotóxicos utilizados na cultura do dendê e se esses produtos estariam causando problemas à saúde dos índios. O IEC deve providenciar, ainda, a realização de exames clínicos nos Tembé da Terra Indígena (TI) Turé-Mariquita.
Espera – Desde 2012, pelo menos, os Tembé da Turé-Mariquita tentam obter compensações e ações de mitigação para os impactos que sofrem com as atividades da Biopalma da Amazônia, de acordo com informações enviadas pelo MPF/PA à Justiça. Também foram encaminhados vários relatos indígenas com denúncias sobre a contaminação, com a morte de animais, peixes e o surgimento de várias doenças.
“Adultos e crianças sentem muita dor de cabeça, febre, diarreia e vômito. Estão dispostos a negociar e a ouvir as propostas da empresa. Os alimentos estão ficando contaminados. Antes caçavam nas áreas que são hoje da empresa e hoje são proibidos. A comunidade foi procurar a empresa para reivindicar saneamento e a empresa se recusou, disse que não tinha nada a ver com isso. Precisamos trabalhar juntos, precisamos de melhoria de vida, peixes e caças mortas depois da aplicação do veneno, antes nós não víamos isso”, diz um dos relatos.
Recentemente, o Instituto Evandro Chagas comprovou contaminação por agrotóxico em plantações de dendê, registradas em relatório de perícia feita nos municípios de São Domingos do Capim, Concórdia do Pará, Bujaru e Acará, vizinhos de Tomé-Açu e também tomados por plantações de dendê para beneficiamento pela Biopalma e outras empresas. O relatório, apesar de não tratar especificamente do município de Tomé-Açu, guarda muitas semelhanças com os relatos dos índios.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Bill Gates investe em máquina que extrai água potável de fezes humanas...



O bilionário americano Bill Gates investiu na criação de um equipamento que transforma excrementos humanos em água potável e eletricidade, o que, segundo o fundador da Microsoft, poderá salvar um grande número de vidas.
A máquina, chamada de Omniprocessor, foi desenhada e construída pela Janicki Bioenergy, que recebeu recursos da Fundação Bill & Melinda Gates. A instalação tem como objetivo prevenir doenças ocasionadas pela água contaminada.
Uma planta-piloto está pronta e em funcionamento na sede da Janicki, em Seattle, e deve entrar em operação em breve no Senegal. De acordo com o blog “The Gates Notes”, do próprio Bill Gates, o Omniprocessor poderá processar dejetos de até 100 mil pessoas e produzir cerca de 85 mil litros de água potável por dia, além de gerar 250 kw de eletricidade.
Em um vídeo divulgado no blog, Gates prova a água resultante do processo de tratamento e diz “é água”.
Como funciona? – A máquina aquece o excremento a uma temperatura de 1.000ºC para extrair sua água, a qual é submetida a outros tratamentos para se tornar potável.
O excremento desidratado pode ser queimado, produzindo calor suficiente para gerar energia elétrica necessária para a extração da água. O excedente pode ser vendido a usuários externos, assim como a água.
De acordo com a Fundação Bill & Melinda Gates, doenças provocadas por más condições de sáude matam ao menos 700 mil crianças todos os anos. 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

A Terra é uma APA...



Mirando na agricultura e na mudança de usos da terra, que no Brasil são responsáveis pela maior parte das emissões de gases de efeito estufa e que tornam os terrenos vulneráveis a catástrofes, James Lovelock afirma que “Temos que descartar o ensinamento antiquado da ciência e religião e começar a ver a superfície e florestas da Terra como algo que evoluiu para servir ao metabolismo do planeta – algo insubstituível. Já nos apossamos de mais de metade da terra produtiva para cultivar nossos alimentos. Como podemos presumir que Gaia cuidará da Terra se tentarmos pegar o restante das terras para a produção de combustível?”
Ele denuncia o comportamento agressivo humano em sua relação com a natureza e alerta para os riscos dessa atitude: “Apossando-se maciçamente de terras para alimentar as pessoas e empesteando o ar e a água, estamos tolhendo a capacidade de Gaia de regular o clima e a química da Terra, e se continuarmos assim, corremos o risco de extinção. Em certo sentido, entramos em guerra contra Gaia, guerra que não temos esperanças de vencer. Tudo o que podemos fazer são as pazes enquanto ainda somos fortes e não uma ralé debilitada.”
Numa perspectiva ainda utópica mas que pode vir a ser real, com os avanços da tecnologia de alimentos e do encontro de outras possibilidades para a alimentação e de outras dietas, ele especula sobre “a possibilidade de conseguirmos sintetizar toda a comida necessária para 8 bilhões de pessoas, abandonando assim a agricultura.” Propõe uma retirada sustentável, pois “já ocupamos muito mais do que seria razoável.
A retirada sustentável proposta por James Lovelock significa devolver à natureza parte das terras que foram ocupadas para uso humano, para que ela continue a prestar os serviços ambientais valiosos de regulação climática, produção de água, proteção da biodiversidade. Deter a expansão das fronteiras agrícolas e da ocupação humana, conter o desmatamento e as queimadas, criar e implementar novas áreas de proteção ambiental são ações em sintonia com esses objetivos.
Uma área de proteção ambiental – APA – é uma área extensa, com ocupação humana, dotada de atributos naturais e biológicos, estéticos ou culturais, especialmente importantes para a qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas. Deve-se para tanto proteger sua diversidade biológica, disciplinar o processo de sua ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso de seus recursos naturais.

Numa APA, há terras públicas e privadas e normas e restrições para a utilização de uma propriedade privada podem ser estabelecidas. Uma APA precisa ser gerida por um Conselho presidido pelo órgão responsável por sua administração e constituído por representantes dos órgãos públicos, de organizações da sociedade civil e da população. Conselhos gestores de APAs são colegiados que estendem o método participativo a esse âmbito, em substituição a métodos mais autocráticos. Dessa forma, criam-se dinâmicas sociais e políticas que levam à pactuação e ao entendimento coletivo sobre a forma de se administrar aquele território.

Esse conceito de APA pode ser expandido para a escala planetária: no limite, o planeta Terra pode ser considerada como uma Área de Proteção Ambiental: uma unidade de conservação de uso sustentável, que merece todos os cuidados para se protegerem os serviços ambientais prestados pelos seus ecossistemas.
Na condição de uma APA, a Terra ainda precisa ter seu conselho gestor e ser governada por métodos participativos, ter plano de manejo e regras de uso, bem como a fiscalização de seu cumprimento. A fiscalização do uso das unidades de conservação públicas é um dever elementar dos órgãos públicos responsáveis por sua manutenção. Também é necessária a punição para os transgressores.
Para cuidar da Terra como uma área de proteção ambiental, é necessária uma governança global ecologizada. A crise climática planetária pode ser um dos gatilhos para desencadear tal processo de governo colaborativo de interesse de todos. Os penosos e demorados processos para chegar a acordos sobre esse tema são um exercício pioneiro para projetar e construir essa inevitável e vital cooperação.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Especialista ensina como se proteger de uma tempestade com raios...


O Brasil é o campeão mundial de raios. São aproximadamente 50 milhões de descargas atmosféricas por ano. Em 2014, estima-se que 99 pessoas morreram vítimas de raio no país, o mesmo número de 2013. Foram 16 só em São Paulo, o estado que registrou mais mortes. O especialista em gerenciamento de risco Gustavo Cunha Mello ensina como se proteger em diversas situações.
Praia – Durante um temporal não se deve ficar na praia. O raio sempre procura o ponto mais alto, e tanto no mar quanto na areia as pessoas exercem esse papel. É importante ir para um local abrigado, mas os quiosques não são seguros, já que eles são o ponto mais alto da região. O ideal é entrar em um imóvel ou automóvel, pois os pneus emborrachados isolam o raio.
Para-raios – Todo o sistema de para-raios deve receber manutenção a cada cinco ou dez anos. Para-raios radioativos devem ser trocados por autoridades competentes, já que estão proibidos desde 1980. Colocar antenas, ar-condicionados e outros objetos para fora das janelas cria outros caminhos para o raio descer e contamina o do para-raios. Isso pode queimar todos os equipamentos do local e também provocar um incêndio.
Aviões e navios – Aviões não são afetados por raios quando estão voando, já que eles não estão encostados na terra. Os veículos também não vão sofrer danos. Barcos e navios não necessariamente são afetados, pois o raio vai passar por eles para ir para a água.
Lendas urbanas – O jargão de que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar é falso, pois se ele caiu em um ponto isso significa que o local é um bom condutor. E mesmo as pessoas que usam sandálias de borracha podem ser atingidas por um raio. Além disso, o calçado pode derreter e causar queimaduras.
Como se salvar – Caso a pessoa não tenha como sair do local, o ideal é andar de cócoras, sem levantar as mãos e encostando apenas os pés no solo.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Estudante cria dispositivo de baixo custo que retira sujeira da água da chuva...


Uma iniciativa desenvolvida na Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe) promete facilitar o uso de água da chuva para consumo humano. Trata-se de um sistema que retém a água da chuva desviando as impurezas por meio de um dispositivo.
A tecnologia melhora significativamente a qualidade do líquido que pode ser armazenado em cisternas e, posteriormente, ser consumido. Batizado de Desviufpe, o dispositivo foi desenvolvido pelo engenheiro civil Júlio César Azevedo com ajuda das professoras Sávia Gavazza e Sylvana Melo dos Santos.
O projeto baseia-se na técnica de desvio de água já existente, mas que foi aprimorado pelo Núcleo de Tecnologia do campus da Ufpe em Caruaru, agreste pernambucano. Os modelos anteriores, por exemplo, eram feitos com concreto, o que ocasionava vazamento frequentemente. Quando se vive um período de estiagem, muito comum no nordeste, qualquer gota desperdiçada é uma grande perda.
O novo equipamento é feito com canos de PVC, que são instalados entre a calha e a cisterna. As primeiras precipitações de água ficam mais impuras pela própria sujeira acumulada nos telhados. Estas águas enchem os tubos, e ficam retidas neles, e depois podem ser usadas para fins domésticos, como limpeza da casa, quintal, rega de planta.
O restante da água que cai, com melhor qualidade, vai direto para a cisterna. Uma medida simples e que foi testada nas residências de cem famílias da zona rural de Caruaru.
De acordo com o projeto, que venceu o Prêmio Ana 2014 na categoria “Pesquisa e Inovação Tecnológica”, cada Desviufpe custa R$210. Após 25 meses de monitoramento da qualidade da água, comparando as cisternas que tinham o dispositivo instalado e as que não dispunham de nenhuma barreira sanitária, concluiu-se que o dispositivo foi capaz de reduzir de 67% a 100% o teor das impurezas.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Empresa faz sucesso com plástico feito a partir da mandioca...



Proveniente do petróleo, o plástico convencional demora até 1000 anos para se decompor. Quando é descartado de forma inadequada no meio ambiente, causa, ainda, outros problemas, como a intoxicação de algumas espécies, que acabam confundindo-no com alimentos.

Contudo, algumas alternativas menos nocivas têm sido desenvolvidas nos últimos anos, com o objetivo de minimizar tais impactos. Uma delas foi criada pela empresa Tinta Marta, situada na Indonésia, e tem a mandioca como base.

Diretor da organização desde 2000, Sugianto Tandio percebeu que, apesar de facilitar a vida de tanta gente com seu plástico, usado basicamente para a fabricação de sacolas, ele tinha uma grande parcela de culpa quando o assunto eram os danos do homem à natureza.

Ex-funcionário de uma grande empresa voltada à inovação, Tandio passou a estudar e aplicar parte dos lucros da Tinta Marta em pesquisa: ele queria desenvolver um plástico "verde".

Dez anos após o início de suas pesquisas, a Tinta Marta deu origem à Ecoplas, cujo plástico sustentável já é utilizado em sacolas de empresas como a Zara e a GAP, na Ásia e nos Estados Unidos. As 500 toneladas de Ecoplas produzidas todos os meses não trazem benefícios somente à natureza, mas também aos agricultores da região, que agora têm mais um fiel cliente a quem vender a produção de mandioca.

"A Indonésia é conhecida por seus recursos, mas nós ainda estamos atrasados. Nós precisamos criar e dar valor aos nossos recursos para poder aumentar a riqueza de nossa população", afirma o empresário.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

O melhor plano de saúde? Comida, água e ar puros!



Há quase dois anos, deixei de pagar plano de saúde, depois de muito tempo mantendo contratos com diversas empresas. É verdade que tenho o privilégio de não ter nenhuma doença crônica, mas, até aí, muita gente também não sofre desse mal e, mesmo assim, continua pagando altas mensalidades para “garantir” um atendimento médico mais decente, em caso de necessidade.
É como se alguém (as empresas do ramo, a mídia, a sua mãe) ficasse o tempo todo dizendo pra você: “Olha, é melhor ter, porque nunca se sabe o dia de amanhã”. Ou seja, é melhor não confiar no seu corpo, não contar com a sua capacidade de se cuidar; é melhor temer e esperar sempre o pior. Isso é pura cultura do terror em nossa sociedade! É a mesma alavanca que impulsiona as seguradoras, a indústria bélica, a farmacêutica e até o cinema-catástrofe. Sem falar que, como quase tudo hoje em dia virou relação entre fornecedor e consumidor, lá no fundinho do nosso inconsciente é como se alguém soprasse, de vez em quando: “Que tal ficar doente para fazer valer a pena pagar pelo plano de saúde? Tanto investimento para nada”?
Desisti de pensar assim. Primeiro, porque faz tempo que os planos de saúde deixaram de ser garantia de alguma coisa – prova disso está no número alarmante e crescente de reclamações feitas diariamente aos mais diversos órgãos de defesa do consumidor. Segundo, porque prefiro me cuidar de modo preventivo e, quando é o caso, investigar as raízes do problema, e não apenas buscar um remédio (ou uma farmácia inteira) para cortar os sintomas da doença que, se tratada dessa forma, certamente surgirá novamente, ali adiante, e repetidas vezes.
Em outras palavras, não gosto da alopatia nem da pressa dos hospitais e clínicas que mais parecem fábricas de robôs ou qualquer coisa que não tenha nome, nem personalidade, nem sentimentos. Cansei dos ‘doutores’ que não olham no olho do paciente, das enfermeiras que tiram sangue e fazem curativos como se estivessem em um açougue de hipermercado, das recepcionistas de clínicas e laboratórios “treinadas” pelas piores empresas de telemarketing.
Não se trata de comparar o atendimento na rede pública com o que se oferece nos sistemas privados, ou de ficar listando os problemas políticos que nos trouxeram até aqui, num blábláblá cansativo e mais desanimador do que horário eleitoral obrigatório – estes assuntos renderiam outro post, ou muitos deles. Mas, de maneira pragmática: por que continuar pagando por algo que foge às minhas crenças e valores? Nas poucas vezes que precisei de ajuda médica, recorri a profissionais da chamada – e tão criticada – medicina alternativa (a amiga homeopata, o amigo quiroprático, a acupunturista indicada pela vizinha etc.) que, claro, não faziam parte da lista de médicos do convênio. (Só para dar um exemplo, sete anos atrás, curei uma crise renal exclusivamente com acupuntura). Por tudo isso, então, qual o sentido de manter o tal plano de saúde?
Mais do que pagar ou contar com a oferta do governo, decidi acreditar que meu estilo de vida atual é meu verdadeiro plano de saúde. De verdade! Nos últimos anos, notei que minha saúde se fortaleceu desde que deixei a capital para viver numa ecovila rural no interior do estado. Não foi a troca de CEP que me deixou mais resistente a doenças. O que sinto e percebo na prática é que o fato de eu beber água de nascente, respirar ar puro e me alimentar basicamente de produtos orgânicos e comida não industrializada fez um bem danado ao meu sistema imunológico – nesse sentido, vale lembrar que prefiro pagar um pouquinho a mais pelos orgânicos a ter que gastar depois com remédio na farmácia…
O resultado? Não precisei de médicos em 2014. Nem em 2013 ou 2012. Atualmente, a exceção é o acompanhamento pré-natal que estou fazendo com a médica que acompanhará meu parto, daqui a cerca de 90 dias. E, mesmo assim, graças à boa saúde, fiz apenas uma bateria de exames de sangue e duas ultrassonografias para verificar as condições do bebê. No mais, as consultas mensais são encontros para tirar dúvidas, definir o plano de parto, comentar sobre leituras e as mudanças no meu corpo, enfim, coisas desse tipo.
De nada adiantar pagar o mais caro e incrível plano de saúde se você mantém uma rotina estressante e sedentária, regada a fast food e “pequenos” vícios (muita cafeína, cigarros, o álcool dos “inofensivos” happy hours).
Voltando ao tema de duas semanas atrás, quando escrevi sobre como privatizamos as coisas mais simples da vida, é preciso resguardar a simplicidade que contribui para o nosso bem-estar. Várias pesquisas já mostraram que ter mais contato com a natureza favorece nosso sistema imunológico – ao contrário do que acontece quando enfrentamos hora no trânsito e no caos urbano ou quando trabalhamos numa sala fechada, com ar-condicionado e iluminação artificial.
Uma caminhada rápida pelo parque, uma pausa na varanda para contemplar o por do sol ou um suco de fruta fresca no meio da tarde são coisas simples e muito potentes para o nosso organismo. E não é preciso morar no mato para experimentar um pouco desses “luxos”. É preciso, sim, combater a ideia de que dependemos dos médicos (descontentes e mal pagos) e de mil exames para manter a saúde, quando, na verdade, um copo de água fresca, um prato de comida livre de agrotóxicos e um pouco de diversão ao ar livre (ar puro, hein!) podem fazer muito mais por nós. Experimente!