quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Manejo de pragas e produção orgânica são contrapontos ao uso de agrotóxicos...

Sítio Pinheiro, na região de Brazlândia, no DF. A produção de alimentos orgânicos no sistema de agroflorestas vem ganhando destaque entre produtores rurais (Antonio Cruz/Agência Brasil) 


A produção orgânica é o componente mais importante para ser utilizado como contraponto aos agrotóxicos no Brasil, na avaliação do professor Carlos Hugo Rocha, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.
Estudos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Paraná mostram que a adoção do chamado Manejo Integrado de Pragas pode reduzir em até 50% o uso de agrotóxicos na agricultura. A mesma metodologia tem sido usada em outras regiões do Brasil e em outros países, segundo Rocha.

“O conhecimento acadêmico para isso já existe e ele vem sendo aprimorado por pesquisadores em diversas universidades no país”.  Segundo ele, já há nas faculdades de agronomia conhecimento consolidado sobre o manejo de pragas como referencial para a redução do uso de agrotóxicos no dia a dia da agricultura brasileira.

No entanto, segundo Rocha, o método esbarra nos interesses econômicos das empresas que vendem produtos agroquímicos. Os técnicos dessas empresas têm o trabalho e o salário atrelados à venda dos defensivos e exercem muita influência nas decisões dos agricultores sobre a produção, o que faz com que a redução do uso de agrotóxicos seja um dos principais desafios da agricultura nacional.

No Paraná, por exemplo, o total de produtos agroquímicos vendidos alcançou 10 quilos por habitante, por ano, em 2011. “Esse é um número extremamente elevado quando a gente compara isso com qualquer outra região do Brasil e do mundo. São dados bastante preocupantes”, disse o professor à Agência Brasil. Daí a busca de alternativas para o controle de agrotóxicos ser fundamental para a saúde dos ecossistemas em geral, incluindo o solo, a vida silvestre, os mananciais de água e também para a saúde da população, apontou Rocha. “Esses produtos são perigosos, entram nas cadeias alimentares e isso afeta a saúde da população brasileira em geral”.

Agricultura orgânica
De acordo com o especialista, as propriedades que trabalham com agricultura orgânica não usam, por princípio, produtos agrotóxicos. Os agricultores conseguiram desenvolver métodos adaptados de cultivo no qual a presença da vegetação dos ecossistemas naturais se mescla à paisagem agrícola e o manejo das culturas e do solo é feito de maneira mais harmônica com a natureza, o que evita o aparecimento de pragas. Quando elas surgem, são controladas naturalmente pelo próprio meio ou por recursos não tóxicos.

Rocha avalia que a transição de uma agricultura altamente contaminante para o método orgânico também está entre os desafios da produção brasileira. Segundo ele, é crescente o número de agricultores que estão partindo para esse sistema de produção, com predomínio de pequenos proprietários, embora a mudança também em áreas mais extensas, por exemplo, em plantações de cana-de-açúcar em São Paulo, que são cultivadas de maneira orgânica. “É crescente e é potencial”.
Na Dinamarca, o governo tem a meta de transformar 100% de sua agricultura em orgânica. Na Holanda, mesmo a agricultura convencional tem baixo uso de produtos químicos. Além do manejo integrado de pragas, as medidas de legislação ajudam nessa transição, observou Rocha. Por exemplo, na Holanda, que é o maior exportador de batatas semente do mundo, há uma lei que obriga o agricultor a fazer rotação de culturas. “Só pode plantar batatas de quatro em quatro anos porque, se plantar seguidamente, acaba infestando o seu solo e de toda a região por conta disso”, explicou.

No Paraná, está em discussão a necessidade de os plantadores de soja adotarem o regime de rotação de culturas. O uso de agrotóxicos nas duas safras anuais de soja favorece o aparecimento de mais pragas e mais doenças devido à não adoção da rotação de culturas. No estado, 90% das propriedades são de pequeno porte. Pesquisa feita pela UEPG mostra o papel dessas propriedades para a proteção da floresta e, ao mesmo tempo, para a prestação de serviços ambientais para a sociedade, como produção de água, proteção da biodiversidade, proteção contra erosão e estabilidade das margens.

A UEPG está apoiando a transformação dessas propriedades familiares em propriedades orgânicas. Das 1,4 mil propriedades orgânicas certificadas no estado, mais de 300 tiveram suporte do programa de apoio à certificação da universidade, que combina a adequação ambiental, proteção de rios e nascentes e conservação de solos ao apoio para o agricultor levar sua propriedade de um sistema intensivo para um sistema ecológico de produção.


Milão proíbe tráfego de carros até 4ª feira para tentar reduzir poluição...

 Ciclista usa máscara de proteção em Roma, em registro feito na última quinta-feira (24). (Foto: Gregorio Borgia/AP)



A cidade de Milão proibiu o tráfego de automóveis desde esta segunda-feira (28) até quarta, com o objetivo de tentar reduzir os altos níveis de poluição. Outras cidades do país optaram por medidas como potencializar o uso do transporte público.

A prefeitura informou que o tráfego está proibido desde as 10h (7h, em Brasília) até as 16h (13h, em Brasília), com exceção do serviço de táxi e dos carros compartilhados.

Além disso, os veículos do transporte público não poderão superar os 30 km/h.

Esta medida foi aplicada também em outros 11 municípios da região da Lombardia, cujo presidente, Roberto Maroni, convocou para esta segunda-feira uma reunião destinada a coordenar com os prefeitos uma ação conjunta que diminua a poluição.

Milão, uma das cidades mais industrializadas do país, superou durante em 97 dias do ano os valores permitidos de partículas em suspensão PM10, enquanto o máximo previsto pela legislação local é de 35 dias por ano.

Outras cidades italianas que fecharam seu centro urbano à circulação foram Pavia, no norte, e Frosinone, próxima à capital italiana.

Roma voltou hoje a proibir o tráfego de carros com placas ímpares enquanto amanhã deverão permanecer estacionados os com placas pares.

Além disso, Roma pretende reduzir a circulação facilitando o uso do transporte público e, deste modo, o bilhete para todo o dia custará um euro e meio -  normalmente, é o valor para 100 minutos.
Esta medida foi implementada também na setentrional Turim.

A poluição se transformou em um caso político já que diferentes partidos políticos criticaram as Prefeituras e o governo pelos altos níveis de poluição registrados nas últimas semanas, assim como por estas medidas e pelos prejuízos que supõem para o deslocamento dos cidadãos.

O secretário federal da Liga Norte, Matteo Salvini, disse que a limitação do trânsito "não serve para nada" porque "contribui como muito para 20% da poluição total".

O líder do Movimento Cinco Estrelas, Beppe Grillo, culpou o governo por esta situação e por seu "política industrial própria do século XIX" que, na sua opinião, "envenena" os cidadãos.

Filme sobre indígenas da Amazônia pode ser indicado ao Oscar...



O Abraço da Serpente é um filme colombiano que retrata o universo indígena. Esse ano ele está sendo cotado para concorrer o Oscar

Filmes expressam o que quase sempre não pode ser vivido. É experimentar estar em outro corpo, em outro lugar, outra situação e ainda assim entender. “O Abraço da Serpente” tem esse mesmo objetivo. O filme colombiano apresenta o papel de Karamakate, um xamã amazônico que por acaso acaba encontrando um pesquisador americano que procura uma planta sagrada. Eles acabam vivendo uma jornada na Amazônia atrás dessa planta.

O filme está no shortlist, uma pequena lista de 9 filmes que podem ser indicados ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. A obra dirigida por Ciro Guerra é baseado nos relatos dos exploradores-pesquisadores Theodor Koch-Grunberg e Richard Evans Schultes. Além disso "O Abraço da Serpente" foi o único filme da America Latina a ser incluído na lista, ou seja, é o único que tem chances de ser indicado e premiado.

O filme foi rodado no Noroeste da Amazônia, na divisa entre o Brasil e a Colômbia. A obra demorou cinco anos para ser concluída, dois deles dedicados ao roteiro. O diretor Ciro Guerra primeiro iniciou sua aproximação documental com os povos amazônicos. Mas logo notou que os sonhos, a imaginação e a ficção eram muito importantes na cosmovisão indígena.

“O Abraço da Serpente” está no shotlist competindo com os filmes: Krigen (Dinamarca), de Tobias Lindholm; Miekkailija(Finlândia) de Klaus Härö; Le tout nouveau testament (Bélgica), de Jaco Van Dormael; Cinco Graças (França), de Deniz Gamze Ergüven; Labirinto de Mentiras(Alemanha), de Giulio Ricciarelli; O Filho de Saul (Hungria) de László Nemesreland; Viva (Irlanda), de Paddy Breathnach; e Theeb (Jordânia), de Naji Abu Nowar. Os cinco indicados ao Oscar serão conhecidos em 14 de janeiro, e os prêmios entregues na festa em 28 de fevereiro.

A obra tem 125 minutos de duração e foi feita através de uma coprodução entre argentinos e venezuelanos. A equipe de filmagem também contou com técnicos do méxico e do Peru.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Limitar o aquecimento global é possível desde que começamos a agir agora...

Ainda dá para manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C?


Derretimento das geleiras, possivelmente causado pelas mudanças climáticas, atrai turistas para a Groenlândia (Foto: Uriel Sinai/Getty Images)
Uma das (poucas) boas notícias de 2015 foi a inclusão, no Acordo de Paris, de uma meta de manutenção até 2100 do aquecimento global abaixo de 1,5°C em relação aos níveis pré industriais. Mesmo não se tratando de uma obrigação jurídica, mas de um objetivo a ser perseguido, a referência a 1,5°C é uma vitória não só das nações mais vulneráveis às mudanças climáticas, mas de todos, pois, junto com os mecanismos de revisão da contribuição de cada país a cada 5 anos, ela favorecerá a escalada na ação e na ambição nas metas individuais dos países.
Em junho de 2015, um relatório da ONU feito com base nas opiniões de 70 cientistas concluiu que a meta de 2°C é "inadequada" como limite seguro e que menos aquecimento seria "preferível", porque os impactos são tão graves - incluindo riscos à produção agrícola, o aumento do nível do mar no longo prazo, o alto risco de aquecimento e acidificação dos oceanos. Recifes de corais, por exemplo, não conseguirão sobreviver a um aumento de temperatura 2°C, ao passo que 50% poderão se manter diante de um aumento de 1,5°C.
Reduzir o teto do aquecimento global é fundamental também porque as promessas individuais dos países feitas como parte do Acordo de Paris implicam na emissão de 52 a 54 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa até 2025 – ou chegarmos a uma temperatura 2,7°C acima dos níveis pré-industriais até 2100. Buscar novos compromissos, portanto, é vital. Para sanar essa diferença entre o que podemos emitir e o que os países até agora prometeram emitir (vamos chamar esta diferença pela palavra inglesa gap), o Acordo de Paris estabelece um processo de revisão dos compromissos ao longo do tempo. A primeira revisão deve acontecer em 2018 (prepare-se!): com base no resultado da avaliação, cada país irá apresentar um novo compromisso ou atualizar o que existente. Depois disso, a revisão acontece a cada cinco anos. Desta forma, promove-se um processo contínuo e regular para aumentar a ação de todos os países. O mecanismo também define uma expectativa ambição crescente para o futuro. Dentro desse contexto, a meta de 1,5°C faz muito sentido. 
Mas embora a validade política desse novo teto de aquecimento global seja de relativo consenso, ainda persistem dúvidas sobre sua viabilidade técnica. A (outra) boa notícia é que, apesar de pouco pesquisado, o limite de 1,5°C é considerado viável por alguns estudos. A começar pelo Banco Mundial, que classificou o limite de 1,5°C como "técnica e economicamente viável". O relatório de 2014 do IPCC, por sua vez, identifica um "número limitado de estudos" propensos a limitar o aquecimento a 1,5°C. O relatório de 2014 da UNEP sobre o gap nas emissões também encontrou um pequeno número de cenários nos quais a probabilidade de conseguirmos ficar abaixo de 1,5°C de aquecimento é de 50%. Um estudo publicado na Nature Climate Change em junho 2015 descreve alguns cenários em que isso pode ser alcançado, embora classifique como "tarefa muito desafiadora".
O desafio para manter o aquecimento global abaixo 1,5ºC parece estar dentro do que é física, tecnológica e economicamente viável – sem comprometer o desenvolvimento sustentável – desde que comecemos a agir sem mais delongas. Não podemos nos permitir mais atrasos na redução das emissões dos gases causadores do efeito estufa, que devem diminuir rapidamente e de forma constante a partir de 2020, de acordo com pesquisa realizada pelaClimate Analytics.
Ficar abaixo 1,5°C quase certamente significa lançar mão tecnologias de “emissões negativas” – como biomassa com a captura e armazenamento de carbono – para sugar o dióxido de carbono do ar na última parte do século. Isto permitiria que o mundo alcançasse 1,5°C no meio do século e se mantivesse abaixo desse teto até 2100.
Os cenários nos quais o mundo se mantém abaixo de 1,5°C são caracterizados por uma rápida descarbonização do sistema energético pela alavancagem das tecnologias de baixo carbono, incluindo veículos elétricos e eficiência energética. No estudo da Nature Climate Change, a demanda de energia é apenas um pouco maior em 2100 do que agora, apesar do aumento da população e do crescimento econômico.
As pesquisas sugerem que limitar o aquecimento a 1,5°C é um processo semelhante ao de limitar o aquecimento a 2°C –a opção que estava na mesa de negociações antes do Acordo de Paris. O mundo terá que investir significativamente em novas infraestruturas de energia, não importa se com base em energias renováveis ou de combustíveis fósseis. Porém apenas as energias limpas proporcionarão a oportunidade de manter ou construir a prosperidade.
Continuar apostando nos combustíveis fósseis terá impactos econômicos significativos (além do risco das mudanças climáticas ficarem fora de controle). O que muda drasticamente é o prazo no qual precisamos agir e, portanto, a intensidade dos investimentos no curto prazo e o uso das tecnologias de emissões negativas.  Estes custos, porém, também precisam ser contrabalançados com os gastos que serão evitados.
Os esforços para manter o aquecimento abaixo de 1,5°C levantarão questões importantes sobre o uso do solo e a segurança alimentar. Seríamos obrigados a confrontar tais questões também na maioria dos cenários de 2°C – mas o limite 1,5ºC cria uma oportunidade inestimável de antecipação dessa conversa e de avanço da economia sustentável.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

COP-21, ODS, tragédia em Minas, o salto do desmatamento na Amazônia: destaques ambientais de 2015...



O Acordo de Paris, fruto da Conferência do Clima (COP-21) realizada na capital francesa, e o lançamento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em esfera internacional. A tragédia ambiental no Vale do Rio Doce, após o rompimento de barragens em Mariana (MG), e o salto no desmatamento na Amazônia. Estes são alguns dos destaques ambientais de 2015, segundo a Agência Social de Notícias. São fatos que ainda vão repercutir durante muito tempo no cenário ambiental e da sustentabilidade planetária.

1. Acordo de Paris - Durante duas semanas, entre 30 de novembro e 12 de dezembro, a capital francesa sediou a Conferência das Partes (COP-21) da Convenção das Mudanças Climáticas das Nações Unidas.  Foi um encontro destinado a estabelecer, depois de duas décadas de negociações, um grande acordo global para combater as mudanças climáticas intensificadas por ações humanas. E de fato a COP-21 resultou no Acordo de Paris, com várias medidas para manter a meta de aumento da temperatura média mundial em no máximo 2 graus até o final do século 21, com abertura para que a meta seja de acréscimo de no máximo 1,5 grau até 2100. O acordo foi saudado pela grande parte dos governos, empresas e muitas organizações internacionais como um sucesso, por indicar o consenso mundial em torno da necessidade de ações urgentes para enfrentar as mudanças climáticas. Entretanto, não são poucas as vozes na sociedade civil e entre cientistas no sentido de que o Acordo de Paris está longe de ser suficiente como ferramenta para combater o aquecimento global. A falta de compromissos claros por parte dos países industrializados, sobretudo em termos de financiamento e transferência de tecnologia, é um dos aspectos críticos apontados no documento. De qualquer modo, as linhas do Acordo de Paris vão definir por muito tempo a agenda ambiental planetária.

Proteção dos mares é um dos 17 ODS (Foto Adriano Rosa)

2. Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados na Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, finalizada no dia 27 de setembro, com a participação de mais de 150 chefes de Estado e governo na sede das Nações Unidas, em Nova York. São 17 ODS, que vão substituir os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs), em vigor entre 2000 e 2015. Os ODS representam uma ampliação numérica e temática em relação aos ODS, com destaque para as questões ambientais. Oito dos 17 ODS têm relação direta com assuntos ambientais e da sustentabilidade, enquanto apenas um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio tratava desses temas. Trata-se evidentemente de um reflexo do sentido de urgência que as pautas ambientais e da sustentabilidade assumiram nos últimos anos no conjunto da comunidade internacional.

Neste cenário o ponto mais crítico é o das mudanças climáticas, mas também há outras áreas que exigem ações corajosas e urgentes, como em termos da proteção da biodiversidade e dos oceanos e a garantia de água para todos, devidamente contempladas pelos ODS. A ampliação temática gera, por outro lado, uma das importantes interrogações com relação aos ODS: se já foi difícil avançar com oito ODMs e suas 18 metas, como será com os 17 ODS? Uma das indagações pertinentes e associadas é quanto à viabilidade de monitoramento dos 17 ODS e suas 169 metas e quanto aos indicadores que serão adotados para esse acompanhamento e medição. O financiamento das ações é outro desafio.

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL 2016-2030

1 – Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares;
2 – Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar, melhorar a nutrição;
3 – Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos;
4 – Garantir educação inclusiva, equitativa e de qualidade;
5 – Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas;
6 – Garantir disponibilidade e manejo sustentável da água;
7 – Garantir acesso à energia barata, confiável, sustentável;
8 – Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável;
9 – Construir infraestrutura resiliente, promover a industrialização inclusiva;
10 – Reduzir a desigualdade entre os países e dentro deles;
11 – Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes;
12 – Assegurar padrões de consumo e produção sustentável;
13 – Tomar medidas urgentes para combater a mudança do clima;
14 – Conservar e promover o uso sustentável dos oceanos;
15 – Proteger, recuperar e promover o uso sustentável as florestas;
16 – Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável;
17 – Fortalecer os mecanismos de implementação e revitalizar a parceria global.

OBJETIVOS DE DESENVOLVIMENTO DO MILÊNIO 2000-2015
1- Erradicar a pobreza extrema e a fome;
2- Educação básica de qualidade para todos;
3- Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres;
4- Reduzir a mortalidade infantil;
5- Melhorar a saúde das gestantes;
6- Combater o HIV/AIDS, a malária e outras doenças;
7- Garantir a sustentabilidade ambiental;
8 – Estabelecer parcerias para o desenvolvimento.


Acesso justo à biodiversidade é um dos objetivos do Protocolo de Nagoya

3. Um ano de Protocolo de Nagoya, sem ratificacão pelo Brasil –  O Protocolo de Protocolo de Nagoya sobre Acesso a Recursos Genéticos e a Partilha Equitativa Justa dos Benefícios Decorrentes da sua Utilização foi adotado pela Conferência das Partes (COP-10) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), a 29 de outubro de 2010, em Nagoya, Japão. A abertura para assinaturas dos estados nacionais foi a 2 de fevereiro de 2011.  Ele entraria em vigor 90 dias depois do depósito do 50º instrumento de ratificação, aceitação, aprovação ou adesão por parte de estados nacionais. Este prazo venceu dia 12 de outubro de 2014, e o Protocolo entrou em vigor. Atualmente o Protocolo tem 66 ratificações. O Brasil assinou (a 2 de fevereiro de 2011), mas ainda não ratificou o documento, o que diminui a sua força nas negociações internacionais. A ratificação encontra resistências da bancada ruralista no Congresso Nacional. O Protocolo de Nagoya está vinculado à CDB e representa, segundo seus objetivos oficiais, “um mecanismo para garantir que o acesso e a repartição dos benefícios a partir do uso de recursos genéticos e conhecimentos tradicionais associados, aconteçam em um contexto de transparência e com equidade”. A entrada em vigor deste Protocolo interessa muito ao Brasil, que tem a maior biodiversidade do planeta, e em particular às comunidades tradicionais, como indígenas e quilombolas.

Rio Doce:

4 – Tragédia no Vale do Rio Doce -  O rompimento de duas barragens de contenção de rejeitos de no complexo de Alegria, da mineradora Samarco, no dia 5 de novembro, arrasou o Distrito de Bento Rodrigues, em Mariana (MG), e provocou uma tragédia ambiental em grande parte do Vale do Rio Doce, entre Minas Gerais e o Espírito Santo. A lama atingiu os rios Gualaxo do Norte e do Carmo, antes de chegar ao próprio rio Doce, até a sua foz na costa capixaba. No caminho, um rastro de destruição, agravando a degradação ambiental já histórica no Vale do Rio Doce. Ainda vai demorar um tempo para a mensuração de todos os danos causados, aos recursos hídricos e à biodiversidade, sem falar nos danos humanos – pelo menos 17 pessoas morreram no episódio. A Justiça determinou um depósito bilionário para a empresa começar a pagar pela recomposição ambiental na região, começando pela indenização dos atingidos diretamente. A expectativa é a de que a tragédia contribua para o fortalecimento de medidas preventivas e punitivas no Brasil.

5 – Salto no desmatamento na Amazônia – Em função de várias ações, do governo e da sociedade civil, houve considerável redução do desmatamento na Amazônia entre 2005 e 2014, depois do recorde de 27.423 quilômetros quadrados desmatados em 2004. Justamente em 2004 o Brasil teve a maior emissão de CO2 equivalentes, de cerca de 2,8 bi de toneladas CO2e, segundo estimativas do SEEG (Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima. Desde então o desmatamento na Amazônia caiu, até atingir 5.012 km2 entre julho de 2013 e agosto de 2014, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Neste período, também houve queda nas emissões brasileiras de CO2e. Em 2013 as emissões foram de 1,571 bi de toneladas de CO2e, e em 2014, de 1,558 bi de ton de CO2e, ainda segundo o SEEG. Pois entre julho de 2014 e agosto de 2015 o desmatamento na Amazônia voltou a crescer, em 16% em relação ao período anterior: foram 5.831 km2 desmatados, conforme o INPE. Se essa tendência permanecer, as emissões brasileiras voltam a crescer. A ministra do Meio Ambiente, Izabela Teixeira, culpou os Estados do Amazonas, Mato Grosso e Rondônia (que aumentaram o desmatamento em 54%, 41% e 40%, respectivamente, em relação ao ano anterior) pelo incremento do desmatamento. Os governos dos dois estados rebateram a ministra. Espera-se que, a par das disputas políticas, os governos federal e dos estados da região efetivamente encontrem medidas para evitar novos saltos no desmatamento na Amazônia, em prejuízo do clima, da biodiversidade e dos povos indígenas e comunidades que vivem no território.

Este cenário não é mais visto no Cantareira, mas crise hídrica está longe de ser equacionada:

6 – Crise hídrica sem solução – Voltou a chover com maior intensidade em 2015, diminuindo a crise hídrica na Região Sudeste do país, mas a situação ainda não foi equacionada. O Sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo, por exemplo, ainda opera no Volume Morto. Enquanto isso, o Nordeste chegou ao quinto ano com forte seca e grandes impactos sociais, econômicos e ambientais. No caso do Cantareira, foi adiada para 2017 a definição sobre a nova outorga para a Sabesp continuar a operar o Sistema. Um adiamento sem as devidas precauções e garantias para que não seja prejudicada sobretudo a região das bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ), de ondem saem as águas  que alimentam o Cantareira. O panorama ainda é incerto para o abastecimento a curto e médio prazo na região mais populosa e rica do país.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Papai Noel da crise hídrica : o presente de natal de São Paulo será sair do volume morto...

O conjunto de reservatórios do sistema Cantareira, o principal que abastece São Paulo e o mais atingido pela estiagem histórica dos últimos anos, pode sair do desespero nos próximos dias. Até o dia 24 de dezembro, o limite pode sair do chamado volume morto. O volume morto é uma água que fica abaixo dos sistemas tradicionais de captação. Diante da falta de água, os engenheiros arrumaram um jeito de criar tubulações novas e captar esse volume que até então não era usado. Há 18 meses, a Cantareira está dentro do volume morto. Saindo dele, o sistema terá água suficiente para abastecer os consumidores por cerca de 260 dias, dependendo do rigor do uso. Seria em tese o bastante para atravessar o período seco do ano e chegar até o outro verão, de dezembro de 2017.
O alívio é produto das chuvas de um verão normal que transcorre agora. Os meses de novembro e dezembro (até agora) registraram precipitações mais ou menos dentro da média. Não foi nada demais. Apenas um verão onde as frentes frias chegam como devem e as tempestades de fim de tarde se forma e despencam sobre as cidades, causando os transtornos de sempre. A volta das chuvas se deve ao fim da formação anormal de um bloqueio atmosférico que impedia a chegada da umidade nos verões de 2013 e 2014.
Também ajudou a presenção de um dos mais fortes El Niños já registrados. O fenômeno, caracterizado pelo aquecimento da superfície da faixa tropical do Oceano Pacífico, tende a aumentar as chuvas no Sudeste do Brasil. O El Niño deve continuar forte até o fim do verão, em março de 2016, segundo Alexandre Nascimento, meterologista do Climatempo. Depois ele se dissipa, deixando para trás alguns centímetros a mais no nível dos reservatórios.
A recuperação completa do Sistema Cantareira, porém, ainda exigirá alguns anos. A seca foi tão extraordinária que não basta um verão ordinário para recuperá-lo. Para uma recuperação mais acelerada, seria preciso chover o dobro da média durante todos os meses de dois verões. Seriam chuvas catastróficas numa intensidade e frequência que São Paulo nunca viu. Isso significaria tanta destruição com as enchentes e desabamentos que é melhor termos paciência mesmo

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Brasil vai enfrentar 1º verão com dengue, chikungunya e Zika...

 Mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão dos vírus da dengue, febre chikungunya e Zika


Pela primeira vez, o verão brasileiro terá circulação de três tipos de vírus transmitidos pelo Aedes aegypti. Dengue, febre chikungunya e Zika são doenças com sintomas parecidos, sem tratamento específico e com consequências distintas. Até abril deste ano, não havia casos de Zika registrados no Brasil.

Para a coordenadora do Comitê de Virologia Clínica da Sociedade Brasileira de Infectologia, Nancy Bellei, o controle de focos do mosquito será imperativo durante a estação, que começa na segunda-feira (21).

Em entrevista à Agência Brasil, Nancy lembrou que o aumento de casos de infecção pelos três tipos de vírus durante o verão é esperado por causa de características biológicas do Aedes aegypti. Os ovos do mosquito, segundo ela, podem sobreviver por até um ano e, cinco ou seis dias após a primeira chuva, já formam novos insetos. “No verão, chove mais e o clima ajuda, já que a temperatura ideal para o mosquito é entre 30 a 32 graus Celsius”.

Outra dificuldade a ser enfrentada, segundo a infectologista, é a semelhança entre alguns sintomas, que se manifestam de formas distintas em cada quadro. A febre, por exemplo, pode aparecer em todos os casos, mas, na dengue, é mais elevada; na febre chikungunya, dura menos; e, no Zika, é mais baixa. Manchas na pele, segundo ela, são bastante comuns em casos de Zika desde o início da doença e, nas infecções por dengue e chikungunya, quando aparecem, chegam entre o terceiro e o quinto dia.
“A dor de cabeça pode aparecer nos três casos, sendo que, na dengue, é mais intensa. O quadro de mialgia (dores no corpo) também pode se manifestar nas três doenças. Já a articulação inflamada é pior na febre chikungunya e dura até três semanas. Temos também a conjuntivite, que pode aparecer em infecções por chikungunya e Zika, mas por dengue não”, explicou.

As grávidas já eram consideradas grupo de risco para infecções por dengue e agora também são motivo de preocupação para infecções por Zika, diante da relação do vírus com casos de microcefalia. A especialista defendeu a urgência no desenvolvimento de sorologia (detecção do vírus por exame de sangue) para as três doenças, para que se tenha precisão no diagnóstico e melhor acompanhamento de cada quadro.

“Precisamos juntar esforços. Este é o momento pra isso. Devemos recrutar universidades, institutos de pesquisa, fazer uma força tarefa para avançar no diagnóstico dessas doenças. Se a gente não souber quem tem e quem não tem, vamos ficar apenas nas hipóteses e nas suposições”, alertou.
Números – Dados do Ministério da Saúde indicam que, entre janeiro e novembro deste ano, foram notificados 1.566.510 casos de dengue no país. Neste período, o Sudeste registrou o maior número de casos (989.092 casos; 63,1% do total), seguido pelo Nordeste (287.491 casos; 18,4%), Centro-Oeste (206.493 casos; 13,2%), Sul (52.455 casos; 3,3%) e Norte (30.979 casos; 2%). Foram confirmados 828 óbitos por dengue, o que representa um aumento de 79% em comparação com o mesmo período de 2014, quando 463 pessoas morreram de dengue.

Já os casos autóctones de febre chikungunya notificados em 2015 totalizaram 17.765. Destes, 6.784 foram confirmados, sendo 429 por critério laboratorial e 6.355 por critério clínico-epidemiológico. Os demais 9.055 continuam sob investigação. Uma vez caracterizada a transmissão sustentada da doença em uma determinada área, com a confirmação laboratorial dos primeiros casos, a orientação do ministério é que os demais casos sejam confirmados por critério clínico-epidemiológico.

O último boletim do governo sobre vírus Zika indica que, até o dia 12 de dezembro, foram notificados 2.401 casos de microcefalia (quadro relacionado à infecção por Zika em gestantes) em 549 municípios de 20 unidades da federação. Desses, 134 tiveram a relação com o vírus confirmada, 102 foram descartados (não têm relação com o Zika) e 2.165 estão sob investigação.

O balanço mostra ainda que 29 óbitos por microcefalia foram notificados desde o início do ano: um no Ceará, que teve a relação com o Zika confirmada; dois no Rio de Janeiro, onde foi descartada a relação com o Zika; e 26 estão sendo investigados.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Adidas faz tênis conceito com redes de pesca ilegais capturadas no mar...

Adidas fez uma parceria com uma organização ambientalismo criativo multidisciplinar chamado Parley For The Oceans  para criar um tênis de redes de pesca conceito feito quase inteiramente de resíduos de plástico e rede de arrastão descartados extraídos do mar.

A Pesca marítima é uma fonte significativa de poluição nos mares. Parte das redes utilizadas para criar estas fibras recicladas veio a partir de uma fonte mais interessante do que simples lixo mar;  The Sea Shepherds, uma organização de ativismo ambiental ligada ao mar, resgataram cerca de 72 km de redes de ilegais após rastreamento na costa da África Ocidental .

O tecido dos calçados serão criados com plásticos reciclados e fibras verdes das redes, enquanto a base vai usar outros materiais sustentáveis.

Adidas tem sido acusada pelo Greenpeace de poluição ambiental no passado, de modo que este venha a representar um dos muitos passos na direção certa. Os sapatos podem ser produzidos ou não, mas eles prometem começar a partir de fibras recicladas no início de 2016.

Que novas iniciativas de grandes empresas sigam nessa direção.


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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Samarco não assina termo de compromisso proposto pelo MP...

Prazo terminava nesta quarta-feira e não foi cumprido pela empresa. Moradia e auxílio financeiro a atingidos estão entre as cláusulas.

Do G1 MG
#G1 está em Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Flávia Mantovani/G1)Distrito de Bento Rodrigues, local do desastre ambiental de Mariana. (Foto: Flávia Mantovani/G1)
A mineradora Samarco, cujos donos são a Vale e a anglo-australiana BHP, não assinou nesta quarta-feira (9) o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pelo Ministério Público de Minas Gerais que garante direitos emergenciais à população atingida pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na Região Central do estado. O prazo terminava nesta quarta-feira e não foi cumprido pela empresa.
Entre as cláusulas, segundo o promotor Guilherme de Sá Meneguin, está o a garantia de direitos emergenciais, como a moradia e ao auxílio financeiro de atingidos pelo rompimento da barragem, cujo valor deve ser rediscutido.
Anteriormente, o MPMG havia dito que se a Samarco não assinasse o termo, ingressaria com duas ações porque, de acordo com Meneghin, “há um grande risco de essas famílias não serem indenizadas” e de a “tragédia ficar esquecida no futuro”. Uma das ações seria relativa a medidas emergências e a outra, a medidas definitivas.
Nesta quinta-feira (10), o Ministério Público deve apresentar resultados das negociações com a mineradora. A Samarco informou, por meio de nota, que “embora não tenha assinado na data de hoje Termo de Compromisso proposto, continua analisando e discutindo os seus termos com o Ministério Público. Independentemente da assinatura do documento, a empresa reitera que continuará prestando auxílio humanitário às comunidades de Mariana”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Aquecimento global: um flagelo para as baleias...

(Foto: AFP)
 
Magras e com parasitas, cansadas por êxodos mais longos para se reproduzir e com ciclos migratórios alterados pelo aumento da temperatura das águas: as baleias, animal fundamental para o ecossistema marinho, também sofrem o impacto do aquecimento global.

"Dá para ver os ossos, doentes, com parasitas, e isso é uma coisa que a gente não via antes", disse à AFP a bióloga equatoriana Cristina Castro, enquanto observa o éden desses mamíferos, os maiores do mundo, em frente a Puerto López, 295 km ao sudoeste de Quito.

Neste ponto do trópico, as baleias chegam da Antártida para ter suas crias.

Os rituais de acasalamento são repetidos em outras áreas costeiras da América Latina, como em Cabo Blanco, no Peru, ou em Bahía Málaga, na Colômbia, e também em Puerto Pirâmides, no Atlântico argentino. Em todos esses lugares, é possível sentir o impacto da mudança do clima.

Com águas mais quentes, diminuem as fontes de alimentação, o que as torna menos propensas a se reproduzir. A maior temperatura do oceano também as confunde, modificando a duração e o alcance de suas migrações.

(Foto: AFP)

"Quando a alimentação das baleias na zona antártica é afetada, mudam seus ciclos de migração. Antes, elas chegavam aqui em julho e, agora, chegam em maio", aponta Castro, que há 18 anos estuda as baleias jubarte (Megaptera novaeangliae).

Além disso, já não chegam somente até a linha equatorial como antes, mas avançam inclusive até a Costa Rica, explica a especialista, que estima entre 8.000 e 10.000 a população de jubartes nas áreas de reprodução do Pacífico.

Diretora de pesquisa da ONG norte-americana Pacific Whale Foundation (PWF) no Equador, Cristina Castro também menciona mudanças no Atlântico.

"Detectamos migrações de mais de 10.000 km ao passar da península Antártica até áreas de alimentação do Brasil e possivelmente da África", relata.

Menos krill, menos baleias

A acidificação dos oceanos pelo aumento do dióxido de carbono (CO2) na atmosfera também afeta as baleias, porque reduz o plâncton com o qual se alimentam.

"As fêmeas dão à luz apenas quando as condições para alimentar suas crias são favoráveis", aponta o cientista norte-americano Roger Payne, que dedicou 45 anos à observação desses animais na Patagônia argentina.

"Nada é tão importante quanto a ameaça que esse efeito traz", alerta em conversa com a AFP este zoólogo, famoso por descobrir o canto das baleias jubarte.

Da Península de Valdés, onde trabalha com Payne, o argentino Mariano Sironi afirma que "tudo está ligado": quando falta o krill, crustáceo fundamental na dieta das baleias, a procriação diminui nos santuários de cetáceos a milhares de quilômetros de distância.

"Quando há menos krill, registramos um número menor de crias, ou, às vezes, também é possível que afete o nível de sobrevivência das crias que nascem", explica este especialista na espécie franca-austral (Eubalaena australis).

As baleias devem ingerir várias toneladas de krill por dia para ganhar peso e, então, conseguir encarar suas travessias e ter reservas de energia suficientes para a gestação.

"Uma mãe mal alimentada gera um leite de pior qualidade, e isso também se traduz em novas baleias pior alimentadas", anota Florencia Vilches, coordenadora do Programa de Adoção da Baleia Franca-Austral em Península Valdés.


(Foto: AFP)

El Niño, ameaça crescente
 
As baleias e suas crias saltitam em Puerto López, em um assombroso espetáculo convertido em atração turística sobre o qual os riscos do El Niño, um fenômeno meteorológico agravado pelo aquecimento global, parecem distantes.

Segundo os especialistas, é muito provável que tais efeitos "devastadores" do El Niño sejam sentidos pelas espécies marinhas das Ilhas Galápagos, localizadas a 1.000 km da costa do Equador.

O El Niño, resultante da interação entre o oceano e a atmosfera nas zonas oriental e central do Pacífico equatorial, já provocou o desaparecimento de 90% das iguanas marinhas, de 50% dos lobos marinhos, de 75% dos pinguins e de quase todas as crias menores de três anos das focas de Galápagos.

"Infelizmente, espera-se que os efeitos globais do aquecimento global se reflitam em grande medida nos causados pelo El Niño" com seus eventos de 1982-83 e 1997-98, dois dos três mais fortes desde 1950, alertou em relatório recente o Parque Nacional Galápagos.

Este parque protegido conta com uma reserva marinha de 138.000 km2, onde podem ser vistas baleias jubarte, orcas (Orcinus orca), baleias-piloto (Globicephala), de Bryde (Balaenoptera brydei) e azuis (Balaenoptera musculus).

A população destas últimas gera, sem dúvida, muita preocupação.

"Não há sinais de aumento", diz à AFP a presidente do Centro de Conservação Cetácea do Chile, Bárbara Galletti, após 15 anos de monitoramento desse mamífero.

(Foto: AFP)



Salvar as fezes
 
O aquecimento global atinge em particular as baleias, que paradoxalmente parecem ter a chave para contê-lo, já que suas fezes colaboram para o crescimento da maioria das plantas que absorvem CO2.

A grande quantidade de ferro no excremento das baleias, que ajuda no crescimento de algas microscópicas, é fundamental para o equilíbrio do ecossistema marinho.

"Esse aspecto mantém o resto do oceano vivo", destaca Payne, explicando como as baleias buscam o alimento nas profundezas do mar, mas comem e defecam na superfície, permitindo a circulação de nutrientes.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Saiba o que é o Zika vírus, conheça os sintomas e como prevenir a doença...

A principal via de transmissão é por meio da picada de mosquitos Aedes aegypti...

Saúde | Maycon Corazza | AEN


1. O que é a febre por Vírus Zika?

O vírus Zika é um arbovírus (grande família de vírus), transmitido pela picada do mesmo vetor da dengue, o Aedes aegypti. É uma doença viral caracterizada pelo quadro clínico de febre, presença de manchas vermelhas e coceira na pele, olhos vermelhos (sem coceira e sem secreção), dores musculares e nas articulações.

2. Como é transmitida?

A principal via de transmissão é por meio da picada de mosquitos Aedes aegypti. Após um período de incubação (período entre a picada do mosquito e o início de sintomas) de aproximadamente quatro dias, podem surgir os primeiros sinais e sintomas.

3. Quais são os principais sinais e sintomas?

Os principais sinais e sintomas incluem manchas vermelhas e coceira na pele, febre, olhos vermelhos (sem coceira e sem secreção), inflamação ou dor nas articulações, dor muscular, dor de cabeça e dor nas costas.

Com menor frequência, há relatos também de inchaço, dor de garganta, tosse e vômitos. Segundo a literatura, apenas 18% das pessoas apresentam manifestações clínicas da doença. Geralmente os sinais e sintomas duram de 2 a 7 dias.

4. Qual o prognóstico?

Não havia conhecimento científico acumulado no mundo sobre zika vírus. Agora, diante dos recentes achados científicos, a orientação é tratar zika como dengue grave. A comunidade científica ainda estuda como a doença evolui e como leva ao agravamento.

5. Há tratamento ou vacina contra o Zika vírus?

Não há vacina contra o Zika vírus.

O tratamento é sintomático e baseado no uso de acetaminofeno (paracetamol) para febre e dor, conforme orientação médica. Não está indicado o uso de ácido acetilsalicílico e drogas anti-inflamatórias devido ao risco aumentado de complicações hemorrágicas, como ocorre com a dengue. Orienta-se procurar o serviço de saúde para orientação adequada. 

6. Quais as medidas de prevenção e controle?

As medidas de prevenção e controle são semelhantes às da dengue e chikungunya – a eliminação dos criadouros do mosquito transmissor. Todo e qualquer recipiente que possa acumular água deve ser eliminado de forma adequada.

Roupas que minimizem a exposição da pele durante o dia, quando os mosquitos são mais ativos, proporciona alguma proteção às picadas dos mosquitos e podem ser adotadas principalmente durante surtos. Repelentes podem ser aplicados na pele exposta ou nas roupas.

7. O que é a microcefalia?

Trata-se de uma má formação congênita, em que o cérebro não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês nascem com perímetro cefálico (PC) menor que o normal, que habitualmente é igual ou superior a 32 centímetros.

8. Quais as causas desta condição?

Essa má formação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação.

9. Já há confirmação que o aumento de casos de microcefalia no Brasil é causado pelo vírus Zika?

O Ministério da Saúde confirmou no sábado (28/11) a relação entre o vírus Zika e o surto de microcefalia na região Nordeste. O Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério em Belém (PA), encaminhou o resultado de exames realizados em um bebê nascida no Ceará com microcefalia e outras má formações congênitas. Em amostras de sangue e tecidos, foi identificada a presença do vírus Zika.

A partir dessa descoberta, o Ministério da Saúde considera confirmada a relação entre o vírus e a ocorrência de microcefalia. Essa é uma situação inédita na pesquisa científica mundial. 

As investigações sobre o tema devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.

10. A microcefalia pode levar à morte ou deixar sequelas?

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto nas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e a qualidade de vida.

11. Como é feito o diagnóstico?

Após o nascimento do recém-nascido, o primeiro exame físico é rotina nos berçários e deve ser feito em até 24 horas após o nascimento. Este período é um dos principais momentos para se realizar busca ativa de possíveis anomalias congênitas. 

12. É possível detectar a microcefalia no pré-natal? Apenas a ultrassonografia é suficiente?

Sim. As gestantes devem manter toda a rotina do pré-natal (exames, avaliação clínica e orientações de rotina), além de verificar a medida do perímetro cefálico do feto no exame ultrassom.

Toda gestante com diagnóstico ultrassonográfico de microcefalia fetal intraútero deverá ser estratificada como gestação de alto risco e ser encaminhada para acompanhamento no serviço de referência da Rede Mãe Paranaense de Gestação de Alto Risco da sua região. 

13. Qual o tratamento para a microcefalia? 

Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e da criança, e este acompanhamento tem protocolo definido na Rede Mãe Paranaense. Como cada criança desenvolve complicações diferentes - entre elas respiratórias, neurológicas e motoras – o acompanhamento por diferentes especialistas vai depender das funções que ficarem comprometidas.

Estão disponíveis serviços de atenção básica, serviços especializados de reabilitação, os serviços de exame e diagnóstico e serviços hospitalares, além de órteses e próteses aos casos em que se aplicar.

14. Quais estados estão apontando crescimento de casos de microcefalia acima da média?

Até 5 de dezembro de 2015, foram notificados ao Ministério da Saúde 1.761 casos suspeitos de microcefalia, identificados em 422 municípios, em 14 Estados. Ressalta-se que todos os casos notificados se enquadraram na definição de microcefalia nos bebês que apresentam perímetro cefálico igual ou menor a 32 centímetros, tratando-se de casos suspeitos e que ainda precisam ser investigados e classificados. Entre os casos foram notificados 19 óbitos suspeitos – 17 em estados da região Nordeste (Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe) e dois no Rio de Janeiro.

15. Há registro de ‘surtos’ de microcefalia em outros países?

Até o momento, a comunidade científica não havia registrado casos de microcefalia vinculados ao Zika Vírus em países com circulação da doença. Até 5 de dezembro de 2015, o Paraná não registrou aumento no número de casos de microcefalia e os casos registrados (quatro) não têm vinculação com o Zika Vírus.

16. Qual período da gestação é mais suscetível à ação do vírus?

De acordo com os casos relatados até o momento, as gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia tiveram sintomas do vírus Zika no primeiro trimestre da gravidez. Mas o cuidado para não entrar em contato com o mosquito Aedes aegypti é para todo o período da gestação.

17. Neste momento, qual é a recomendação para as gestantes?

? Fazer acompanhamento com consultas de pré-natal, realizando todos os exames recomendados pelo seu médico;

? Não consumir bebida alcoólica ou qualquer tipo de droga;

? Não utilizar medicamentos, principalmente controlados (antidepressivos, anticonvulsivantes e ansiolíticos) sem a orientação médica;

? Evitar contatos com pessoas com febre, rash cutâneo ou infecções;

? Se houver qualquer alteração no estado de saúde da mulher, principalmente até o 4º mês de gestação, comunique o fato ao profissional de saúde para as devidas providências no acompanhamento da gestação; 

? Adotar medidas que possam reduzir a presença de mosquitos transmissores de doenças (Aedes aegypti), eliminando os criadouros – retirada de recipientes que tenham água parada e cobertura adequada de locais de armazenamento de água;

? Adotar medidas de proteção contra mosquitos com manutenção de portas e janelas fechadas ou utilizar redes de proteção, usar calça comprida e camisa de manga longa e epelentes indicados para gestantes (ex. Icaridina exposis, DEET adulto 15% e IR3535).

domingo, 22 de novembro de 2015

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Lixo: Restos de 26 feiras livres de SP já estão virando adubo na Lapa...

Leia Mais:http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,lixo-de-feira-comeca-a-virar-adubo-na-capital-imp-,1082821
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Leira de compostagem com placas indicando origem e datas dos restos de feira depositados e a caixa de escoamento do líquido 



Começou a funcionar no bairro da Lapa, em São Paulo, o projeto piloto Feiras e Jardins Sustentáveis. Depois de uma pesquisa sobre métodos adequados de compostagem, de um mapeamento de locais de coleta de material orgânico, com estudo de rotas de transporte e horários, e a criação de uma logística de operação, foi instalado um pátio para tratar restos de 26 feiras livres da região. 

Na última terça (17), houve uma inauguração oficial do projeto com técnicos e administradores ligados à prefeitura e às empresas parceiras. Visitei a unidade na semana anterior, durante um seminário sobre tratamento de resíduos orgânicos. 

Diariamente, desde setembro, estão sendo recolhidos restos de frutas, legumes e verduras no final das feiras participantes. São cinco toneladas diárias, 35 toneladas por semana. Todo esse material é verificado no ato da coleta junto com os feirantes, para evitar a mistura com plásticos ou outros tipos de resíduos não adequados, como peixes e carnes, por exemplo. 

Quando chegam ao pátio da Lapa, os resíduos das feiras são depositados em leiras (que são aquelas lombadas comuns nas hortas) feitas de camadas de restos de poda de jardins e cobertas de palha, para que sejam decompostos, possam depois maturar e descansar para uso posterior no plantio. 

Esse processo é chamado de compostagem termofílica em leiras estáticas de aeração natural e é conhecido também como método UFSC (de Universidade Federal de Santa Catarina) por ter sido adotado para reciclagem das sobras orgânicas naquela instituição, em projeto liderado pelo agrônomo e professor Paul Richard Muller. 

O método foi escolhido por demandar pouco investimento em infraestrutura, não causar odor e por combinar os restos de verduras, frutas e legumes aos compostos de carbono presentes em palhadas, folhas secas e lascas de madeira, facilmente obtidas em jardins e parques, criando ambiente adequado para bactérias e fungos degradarem o material em poucos meses. 

Depois que a leira já recebeu resíduos suficientes para chegar na altura que permita ainda o manuseio, ela é deixada em repouso por 90 dias. Nesse período, a temperatura interna chega aos 65 graus. Depois disso, o material é retirado, peneirado e descansa por mais 30 dias antes de ser ensacado e distribuído. 

Já em dezembro, deve estar pronto o primeiro lote de adubo orgânico feito com esse lixo verde nobre, que será usado na plantação de árvores e manutenção de jardins e praças da região.


O projeto tem caráter experimental e deve durar um ano. Todas as etapas estão sendo acompanhadas e analisadas para que o sistema possa ser expandido para outros pátios semelhantes e as quatro centrais de compostagem que a Prefeitura da cidade quer implantar em 2016, com capacidade para 50 toneladas cada uma. 

Foi desenhado pelo setor de resíduos sólidos orgânicos da Amlurb, empresa de limpeza pública da cidade, coordenado pelo engenheiro agrônomo Antonio Storel, em parceria com a empresa Inova, concessionária responsável pelos serviços de limpeza da área noroeste da cidade (que inclui a subprefeitura da Lapa), e com o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo, o Cepagro. 

O Cepagro é a organização responsável pelo projeto Revolução do Baldinhos, de gestão comunitária de resíduos orgânicos na comunidade Chico Mendes no bairro de Monte Cristo, em Florianópolis, que se tornou referência na área. 

O projeto faz parte da estratégia do governo municipal de São Paulo para cumprir uma das metas da administração de processamento dos resíduos das 900 feiras livres e de podas de jardins. A meta se alinha com a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê que os aterros sanitários só devem receber rejeitos, isto é, apenas o material que não for passível de reciclagem ou reaproveitamento pode ser depositado nesses locais. 

Os resíduos orgânicos provenientes das feiras e domicílios formam a maior parcela do lixo comum. Embora não sejam contaminantes em si, são veículo de contaminação quando se degradam misturados a outros materiais, no processo de deposição dos aterros, e são responsáveis pelas emissões de gás carbônico, gás metano e chorume nesses locais. 

Há 11 anos, em agosto de 2004, era fechada a usina de compostagem da Vila Leopoldina, na zona oeste na cidade. Inaugurada em 1974, ela foi a última central daquele tipo a fechar suas portas no município. Na época de pleno funcionamento, recebia diariamente cerca de 800 toneladas de resíduos, geradas por aproximadamente 950 mil habitantes dos bairros do Butantã, Pinheiros e Lapa. 

Naquela época, era usado um outro método para a compostagem e a usina sofreu as consequências da falta de controle da coleta e da mistura inadequada de materiais. Por causa do mau cheiro causado pelo processo de decomposição, seu fechamento foi reivindicado pelos moradores da região.

Extra shelter spaces open due to cold weather alert | City of Vancouver

Extra shelter spaces open due to cold weather alert | City of Vancouver

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Rio Doce terá processo de decantação para evitar rejeitos na sua foz...


 



A mineradora Samarco vai lançar floculantes de origem vegetal no Rio Doce, para decantar os rejeitos de mineração e evitar que eles cheguem à sua foz, depois do rompimento de barragens na cidade de Mariana (MG). A medida foi acordada pela empresa com o governo federal, após análise de técnicos, que chegaram à conclusão que a medida não trará impactos ambientais.

Os floculantes são usados em tratamento de água e fazem com que os sólidos suspensos se aglomerem em grandes flocos e precipitem para o fundo do rio ou do reservatório. Geralmente, eles são usados em reservatórios, antes de passar pela estação de tratamento de água. As cidades ao longo do Rio Doce já estão usando floculantes vegetais para restabelecer o abastecimento de água tratada.

“Diante do desastre ambiental ocorrido, a Samarco adquiriu uma grande quantidade de floculantes para fazer esse uso e tentar, ao máximo, que ocorra essa decantação da lama ainda no reservatório de Aimorés, a fim de minimizar o impacto ambiental na foz do Rio Doce”, explicou a presidente do Ibama, Marilene Ramos.

O Ibama, o Instituto Chico Mendes de Biodiversidade (ICMBio) e a Agência Nacional de Águas (ANA) se reuniram com representantes da Samarco e autoridades locais no domingo (15) para avaliar medidas para reduzir os danos ambientais. Marilene Ramos afirmou que navegou no Rio, do município de Candonga (ES) até a região afetada. “Em Candonga, ainda há muitos materiais suspensos [na água], o que indica a necessidade de outras ações”, afirmou.

A Samarco também se comprometeu com o governo a construir 20 quilômetros de diques de filtração, para diminuir a quantidade de sólidos carregados pela água. As barreiras flutuantes terão como prioridade proteger áreas ambientais mais sensíveis, como manguezais e áreas de reprodução de espécies ameaçadas de extinção.

A presidente do Ibama não descarta a aplicação de outras multas à mineradora Samarco, além dos R$ 250 milhões já anunciados. “Sendo apurados outros danos, poderão ocorrer outras multas”, afirmou. Ela disse ainda que a prioridade da aplicação dos recursos será para projetos na região afetada, sejam ambientais, de saneamento ou de reestruturação da cidade.

Entre as medidas avaliadas como necessárias do ponto de vista ambiental estão a dragagem dos resíduos sólidos do Rio Doce, o reflorestamento das margens do rio e a reintrodução de animais. “São mais de 600 hectares de áreas de proteção ambiental nas margens dos rios cuja cobertura vegetal foi totalmente perdida” e a fauna foi totalmente dizimada, segundo Marilene Ramos.