sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Produto quer "transformar danos ambientais em renda" com reciclagem do óleo de cozinha...



Você sabia que cada brasileiro consome cerca de 19 litros de óleo por ano? Este valor representa um total de 3 bilhões de litros gastos anualmente pela população do Brasil, que em vez de irem para o ralo podem gerar renda. É o que afirma David Keller, um dos responsáveis pelo Oliplanet. O projeto pretende motivar a reciclagem do material no pais, com a criação de um produto para melhorar a forma de coleta e um site para informar como e onde depositar todo óleo guardado.
De acordo com a Associação Brasileira para sensibilização, coleta e reciclagem de resíduos de óleo comestível (Ecóleo), menos de 1% do óleo de cozinha que é consumido, acaba reciclado. Uma parte dele é descartada na pia das cozinhas - ação que atinge a rede de esgoto, podendo provocar um entupimento da tubulação (o que aumenta as chances de enchentes). E, se conseguir passar por esta etapa e alcançar os rios, cada litro de óleo derramado pode poluir até 20 mil litros de água dos rios.
Keller defende que a melhor maneira de descartar o material é armazenando-o em garrafas PET. "Você encontra uma facilmente, elas têm boa vedação e são muito resistentes. Isso garante que o óleo chegue até a reciclagem sem atingir o meio ambiente", destaca o profissional, que também comentou que, apesar de não se tratar de uma novidade, poucas pessoas o fazem. "Penso que as coisas precisam ser fáceis e práticas para funcionar".
Para facilitar o manejo da ação, o Oliplanet é um material que tem a finalidade de escoar os líquidos como um funil. Ele permite a acoplagem na maioria das garrafas PET do mercado, servindo também como tampa da garrafa utilizada, segundo Keller.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014



Incentivos fiscais para captura de carbono devem ser parte do acordo sobre mudanças climáticas que substituirá o Protocolo de Kyoto, disseram em uma declaração conjunta na terça-feira (25) 56 países que pertencem à Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (Unece).
A recomendação dos Estados-membros da Unece coloca a questão formalmente na mesa para o encontro da Convenção-Quadro das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) em dezembro de 2015, em Paris, que buscará um acordo vinculativo para substituir Kyoto.
Delegados de quase 200 países se encontrarão no Peru no mês que vem para trabalhar no acordo, em meio a novos alertas científicos sobre os riscos de inundações, ondas de calor, acidificação dos oceanos e aumento dos níveis do mar.
A recomendação da Unece diz que o desenvolvimento comercial de captura de carbono e armazenamento (CSS, na sigla em inglês) -retirando dióxido de carbono da atmosfera para reduzir a concentração de gases-estufa- não tem apoio político suficiente, e deveria ter, pelo menos, tanto apoio quanto outras tecnologias de baixo carbono.
“Um acordo internacional pós-Kyoto deve aceitar uma ampla gama de instrumentos fiscais para encorajar CCS/CCUS (utilização de captura de carbono e armazenamento), mas a seleção de instrumentos deve ser deixada à discrição dos governos nacionais”, disse o comunicado da Unece.
Os governos devem, também, trabalhar juntos para patrocinar financeiramente projetos demonstrativos, de acordo com a entidade.
É preciso mais do que investir em energias renováveis – Aumentar fontes alternativas de energia, como eólicas e solares, não seria o suficiente para lidar com a mudança climática, considerando que essas tecnologias não fazem nada para reduzir o dióxido de carbono que já se acumulou na atmosfera, o qual, segundo a ONU, está causando o aquecimento global e perigosos aumentos na acidez dos oceanos.
“Cimento, aço, produtos químicos, processo de refino e meios de transporte estão entre os muitos setores que devem ser tratados de uma maneira semelhante ao setor de energia e de um jeito que se direcione às preocupações sobre os efeitos da competitividade internacional”, disse o comunicado.
“Dirigir-se propriamente quanto a CCS/CCUS em um acordo internacional pode ser uma das poucas estratégias capazes de progredir para um rápido uso de CCS como uma parte importante das atividades de globais de redução de CO2”.
O número de grandes projetos de CCS dobrou desde 2010, para 22, e a tecnologia teve um marco neste ano, com o começo da primeira usina energética a carvão equipada com CCS, disse o Instituto Global de CCS no começo deste mês.
Os altos custos do CCS -como capturar dióxido de carbono dos gases expelidos de usinas de energia ou retirar o carbono do gás natural- tem desencorajado maiores investimentos, apesar das preocupações sobre mudanças climáticas.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Nova parede promete ‘aposentar’ ventilador e ar-condicionado...



Quando o assunto é refrigerar os ambientes, o ar-condicionado e o ventilador ainda são os aparelhos mais utilizados, não é mesmo?
O problema é que o primeiro costuma turbinar a conta de luz, enquanto o segundo geralmente funciona com aquele barulho irritante. Ao pensar nisso, estudantes espanhóis desenvolvem um produto que promete acrescentar mais uma alternativa para amenizar o calor.
Trata-se da cerâmica de hidrogênio, um novo material que interage com a temperatura atmosférica. Assim, o produto promete resfriar o ambiente em dias de calor ao passo que isola o espaço no inverno.
A ideia ainda é um conceito. Mas, nos próximos anos pode ser possível encontrar essa parede, que refrigera, na loja de materiais de construção mais próxima.
Chamado de hidrocerâmica, o novo material de construção é formado por bolhas de hidrogel que interagem com o meio ambiente. O hidrogel é um insumo tecnológico com capacidade de absorver até 400 vezes sua massa em água.
Bolhas carregadas – Segundo o site de inovações Springwise, o novo material de construção pode ser ‘carregado’ por água e, em dias de calor, evaporar o líquido refrescante para dentro do ambiente.
Em sentido oposto, quando chove e a temperatura torna-se mais amena, as bolhas de hidrogênio são carregadas novamente de água e isolam a construção.
A ideia ainda é um conceito, mas não se admire se, nos próximos anos, você encontrar essa parede que refrigera na loja de materiais de construção mais próxima.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Brasileiro cria vaso sanitário que gasta apenas 2 litros por acionamento...



As tecnologias que reduzem o desperdício de água em residências estão cada vez mais aprimoradas. Descargas com vasão dupla já são comuns, mas o empresário brasileiro Leonardo Lopes criou um modelo ainda mais eficiente. O vaso sanitário desenvolvido por ele utiliza apenas dois litros de água a cada acionamento.

O modelo é comercializado pela Acquamatic e permite a economia de até oito litro a cada acionamento, se comparado aos modelos tradicionais. Segundo o empresário, um dos segredos para a eficiência é a ausência de sifão. Assim, um basculante despeja os dejetos diretamente na prumada do esgoto. Ele ainda explica que tudo acontece pela própria dinâmica da água, sem a necessidade do uso de eletricidade.

Enquanto os sanitários tradicionais gastam um litro de água para evitar o mau cheiro, o modelo desenvolvido por Lopes usa apenas 200 ml. Tamanha eficiência rendeu o selo hídrico ao produto. Outro diferencial foi o uso do polímero ABS na fabricação, mais resistente do que a louça utilizada nos vasos comuns.

A matéria-prima reduz os níveis de poluição durante toda a fase de produção e descarte. O modelo também é altamente resistente, suportando até 1,5 tonelada, conforme informado pelo fabricante.

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Muda regra de licenciamento para recolher embalagem de agrotóxico...



O Conselho Nacional do Meio Ambiente aprovou, na terça-feira (19), resolução alterando os critérios mínimos para o licenciamento ambiental de postos de coleta de embalagens de agrotóxicos.
A medida revisa resolução anterior que instituiu a logística reversa no setor, considerado atividade potencialmente poluidora e nociva à saúde dos trabalhadores.
As exigências da resolução anterior, que afetam os estabelecimentos comerciais e as indústrias, passam a vigorar também para a coleta mais criteriosa das embalagens vazias, ou contendo resíduos. O novo texto torna as exigências anteriores compatíveis com a Política Nacional de Resíduos Sólidos.
O setor de embalagens de agrotóxicos foi um dos primeiros a adotar a logística reversa, por resolução Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) há mais de dez anos, e vem obtendo bons resultados, de acordo com o monitoramento feito pelas autoridades ambientais.
Retorno de embalagens - A devolução da embalagem é obrigação do agricultores e vem sendo feita dentro das exigências em postos e centrais espalhados pelo país. As emendas à proposta de resolução foram acordadas sem grandes dificuldades e a aprovação pelo plenário, quase unânime.
Pela nova resolução, os estabelecimentos que já operam a logística reversa estão obrigados a requerer, junto aos órgãos ambientais licenciadores, a adequação às novas normas. Representantes do setor acreditam que não enfrentarão dificuldades para adequar sua rede.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Prepare-se: as profissões do futuro são verdes!



Se você está escolhendo um curso superior ou está concluindo sua graduação e gosta da área ambiental, talvez uma das profissões abaixo possa ser interessante para você. A área ambiental está demando um número cada vez maior de profissionais em médias e grandes empresas. Até mesmo pequenas empresas do setor industrial já se preocupam com a contratação de profissionais ou serviços terceirizados na área.
Um profissional do setor ambiental em geral precisa obter uma especialização na área, como um MBA em gestão ambiental, ou um mestrado em energias renováveis, por exemplo. Um conhecimento detalhado da legislação ambiental também é fundamental. Profissionais das áreas de engenharia, administração e direito podem encontrar excelentes oportunidades nesse mercado.
Se você deseja iniciar seus estudos hoje mesmo, recomendamos conhecer um pouco sobre: ISO 14.001,Certificação Leed e Certificação ambiental.
Confira abaixo as profissões mais quentes na área ambiental.
CarreiraO que faz?Formação básicaMercado de trabalhoSalário
Advogado ambientalAnalisa riscos e prepara contratos com cláusulas ambientaisDireito + especialização na área ambientalVocê poderá atuar como consultor para empresas em temas da área ambientalR$ 15.000,00
Especialista em energias renováveisDesenvolve projetos de uso de energia renovável de fontes, como solar e eólicaEngenharias (civil, elétrica ou de energia) + especializaçãoOportunidade quente, pois há carência de mão de obra na áreaR$ 8.000,00
ContabilistaPrepara e analisa balanços e números do patrimônio das empresasCiências contábeisFalta mão de obra qualificada para trabalhar na área, especialmente em empresas que precisam gerenciar o investimento em projetos ambientaisR$ 10.000,00
Coordenador de tratamento de águaCoordena o tratamento e a eliminação de resíduos na águaEngenharia (civil, química) + especializaçãoEmpresas e indústrias estão em busca desse profissional diante da legislação ambiental mais exigenteR$ 10.000,00
Técnico em meio ambienteColabora para o planejamento e a prática de projetos ambientais, orientados pelo gestorHá cursos técnicos que incluem formação na áreaEsse profissional é procurado por pequenas e médias empresas que acordaram para a sustentabilidadeR$ 3.000,00
Gestor de sustentabilidadeEstabelece políticas ambientais nas empresasAdministração ou engenharia + especializaçãoSão importantes para implantar na empresa a estrutura de sustentabilidadeR$ 15.000,00
Engenheiro ambiental e sanitárioFiscaliza e orienta terrenos e obras para verificar riscos de poluiçãoEngenharia + especializaçãoA legislação ambiental amplia bastante o campo de atuação desse profissionalR$ 8.000,00
Designer de produtos sustentáveisPlaneja embalagens de produtos com materiais sustentáveisEngenharia ou design + especializaçãoGrandes empresas têm políticas fortes de redução de impactos do descarte de resíduosR$ 5.000,00
UrbanistaEstuda e desenvolve formas de construção e ocupação do espaço urbano menos agressivas ao meio ambienteArquitetura e urbanismoÉ crescente o número de obras e construções que adotam princípios verdes, além de empresas que buscam certificações ambientaisR$ 8.000,00
Diretor de relações com investidoresTraduz as práticas de sustentabilidade da empresa para o público externo (investidores, imprensa, fornecedores e clientes).Não existe uma formação específica, o profissional deve buscar especializações e empresas com demanda por esse tipo de profissionalÉ um profissional fundamental em organizações de médio e grande porteR$ 10.000,00

quarta-feira, 19 de novembro de 2014



Quase 670 mil hectares da Floresta Amazônica entraram em regime de proteção. Decreto presidencial criou, na última sexta-feira (20), no Estado do Amazonas, a Estação Ecológica Alto Maués, em área totalmente livre de ocupação humana. A unidade abriga importantes espécies da biodiversidade brasileira, entre elas uma das maiores concentrações de primatas.
Além de garantir a preservação de exemplares da fauna e da flora, a criação da unidade de conservação vai assegurar a perenidade dos serviços ecossistêmicos da região. Contribuirá, ainda, para a estabilidade ambiental local.
Fronteira - A estação faz fronteira com o Parque Nacional da Amazônia e as florestas nacionais de Pau-Rosa e do Amanã. Dentro dos limites da Alto Maués vivem 13 espécies de primatas, das quais três só existem na região. Também há 624 espécies de aves, três delas ameaçadas de extinção. As condições da região também são adequadas para a sobrevivência e reprodução da onça pintada.
Como não há ocupação humana, a estação terá mantida a integridade da cobertura vegetal. A unidade faz parte das metas do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm) e consta no documento Área Prioritária para Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade Brasileira.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) definirá a zona de amortecimento da estação ecológica. Nessa área, serão permitidas atividades minerárias autorizadas pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e licenciadas pelo órgão ambiental competente.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

‘Bomba do Bem’ ajuda a reflorestar área queimada no Sul de Minas...



Um grupo de voluntários de São Tomé das Letras (MG) começou a fabricar um tipo de adubo orgânico que ganhou o apelido carinhoso de “bomba do bem”. O material, feito à base de terra, argila, esterco, água e sementes de árvores nativas e frutíferas da região, é uma tentativa de agilizar a recuperação de mais de mil hectares de mata destruídos por um incêndio este ano.

A técnica de adubação foi descoberta pela internet. A proposta é que o material orgânico e a argila garantam a umidade necessária para o desenvolvimento das sementes. Confeccionada em forma de bola, a “bomba do bem” é arremessada nos pontos atingidos pelo fogo. Em contato com o solo, o material se desfaz e espalha as sementes.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O ciclo da água...


A água é um dos recursos ambientais. Ela tem grande fluidez e capacidade de transformação e permeia a maior parte das esferas da natureza: a hidrosfera contém a água doce, salgada, de superfície ou subterrânea; cobrindo grande parte da superfície do planeta, parece ser muita água, mas seu volume é pequeno se comparado com o volume total do planeta. A água está presente na atmosfera, na umidade do ar, nas nuvens ou rios voadores. Também está na litosfera, embebida como água subterrânea nos solos; tem interface com a pirosfera, o calor no interior quente da terra nos geigers que trazem agua aquecida daquela esfera do planeta. A água está presente na biosfera, uma fina membrana na superfície do planeta. Está na seiva dos vegetais, nos humores dos corpos animais e humanos. Cerca de 70% do peso de um ser humano é composto de água. Está também na cosmosfera, na cauda gelada dos cometas, nos corpos celestes que a trouxeram para a Terra.

A hidrosfera infiltra-se na litosfera, na atmosfera, na biosfera.

O ciclo da água na natureza compreende várias etapas conforme mostra o vídeo de 4m: http://www2.ana.gov.br/Paginas/imprensa/Video.aspx?id_video=83.

Aquecida pelo calor do sol, a água de superfície evapora de oceanos, mares, rios e lagos. Ao se condensar, ela se precipita na forma de chuva, neve ou granizo; cai na terra e escoa, formando rios, lagos, mares e oceanos; uma parte dela se infiltração no solo e alimenta os lençóis freáticos e os aquíferos subterrâneos. O ciclo longo da água passa pelos seres vivos, tais como as plantas que a sugam do solo e depois a transpiram e devolvem à atmosfera por evapotranspiração, pela qual as plantas e arvores suam e liberam para a atmosfera a agua existente em sua seiva, coletada no subsolo pelas raízes. Ela se condensa nas nuvens e o ciclo se repete com a precipitação de chuva. Aumenta-se a umidade do ar, formam-se nuvens, os rios voadores que vão levar para longe essa umidade, que se precipita na forma de chuvas. A floresta e especialmente a floresta amazônica é uma grande bomba que emite água para a atmosfera, conforme mostra o trabalho do cientista Antonio Donato Nobre, que torna claro que a seca no sudeste brasileiro em 2014 está relacionada com o desmatamento da Amazônia.


A água é muito sensível a variações de temperatura e o ciclo da água sofre as influências do que ocorre com os ciclos biogeoquímicos tais como os do carbono, do nitrogênio, do fósforo, do enxofre. A água é o elemento da natureza que responde mais rapidamente às variações de temperatura que ocorrem no clima e, por isso, grande parte das medidas de adaptação às mudanças climáticas envolvem o elemento água.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Concentrações de gases do efeito estufa são maiores em 800 mil anos...



As concentrações de gases que provocam o efeito estufa na atmosfera alcançaram o nível mais elevado dos últimos 800 mil anos, anunciaram especialistas em um relatório divulgado neste domingo (2) em Copenhague, na Dinamarca.
Pesquisadores divulgaram relatório em Copenhague, na Dinamarca (Foto: Eld Navntoft/Scanpix Denmark/AFP)Pesquisadores divulgaram relatório em Copenhague, na Dinamarca (Foto: Eld Navntoft/Scanpix Denmark/AFP)
A temperatura média na superfície da Terra e dos oceanos aumentou 0,85ºC entre 1880 e 2012, um aquecimento de velocidade inédita, destacou o Painel Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês).
Segundo os cientistas, o mundo tem pouco tempo para conseguir manter o aumento global da temperatura abaixo do limite de 2ºC, a meta da comunidade internacional.
As emissões mundiais de gases que provocam o efeito estufa devem ser reduzidas de 40 a 70% entre 2010 e 2050 e desaparecer até 2100, anunciou o IPCC, no relatório mais completo sobre as mudanças climáticas desde 2007.
O relatório científico do IPCC serve de base para as negociações entre os países sobre medida para reduzir as emissões de gases-estufa.
De acordo com o relatório, a Terra caminha atualmente para um aumento de pelo menos 4ºC até 2100 na comparação com nível da era pré-industrial, o que provocará grandes secas, inundações, aumento do nível do mar e extinção de muitas espécies, além de fome, populações deslocadas e conflitos potenciais.
"A justificativa científica para dar prioridade a uma ação contra a mudança climática é mais clara que nunca", disse o diretor do IPCC, Rajendra Pachauri.
"Temos pouco tempo pela frente antes que passe a janela de oportunidade para permanecer abaixo dos 2ºC".
O relatório - a primeira revisão global do IPCC desde 2007 - foi divulgado antes das negociações de dezembro em Lima, que pretendem traçar o caminho para a grande reunião de dezembro de 2015 em Paris, que tem como meta a assinatura de um compromisso para alcançar a meta dos 2ºC.
As negociações esbarram há vários anos no debate sobre quais países deveriam assumir o custo da redução das emissões de gases do efeito estufa, que procedem principalmente do petróleo, gás e carvão, que atualmente constituem grande parte da energia consumida.
O documento afirma que o uso de energias renováveis, o aumento da eficiência energética e o desenvolvimento de outras medidas destinadas a limitar as emissões custaria muito menos que enfrentar as consequências do aquecimento global.
A conta a pagar atualmente para atingir a meta ainda é possível, mas adiar a resposta aumentaria consideravelmente a fatura para as gerações futuras.
"Os custos das políticas de limitação variam, mas o crescimento mundial não seria gravemente afetado", afirma o IPCC, que calcula que curvas "ambiciosas" de redução de carbono provocarão uma queda de apenas 0,06% no crescimento mundial neste século, que deve ser em média anual de entre 1,6 e 3%.
"Comparado ao risco iminente dos efeitos irreversíveis da mudança climática, os riscos a assumir para alcançar uma redução são administráveis", destaca Youba Sokona, um dos cientistas responsáveis pelo relatório.
De acordo com o cenário de emissões mais otimista dos quatro citados no documento, a temperatura média do planeta aumentará este ano entre 0,3 e 1,7 ºC, o que levará a uma alta de 26 a 55 cm do nível do mar.
Segundo a hipótese mais alarmista, o planeta terá um aquecimento de entre 2,6 e 4,8ºC, o que provocará um aumento de entre 45 e 82 cm do nível do mar.
O relatório adverte, sem rodeios, que caso as tendências atuais sejam mantidas, "a mudança climática tem mais probabilidades de exceder 4ºC que de não fazê-lo até 2100", na comparação com os níveis da era pré-industrial.
Risco de dano irreversível
Sem ações adicionais para limitar as emissões, "o aquecimento até o fim do século XXI conduzirá a um risco de impacto irreversível generalizado a nível global", destaca o IPCC.

O relatório adverte para os riscos como consequência de um sistema climático alterado:
- agravamento da segurança alimentar, com impacto nas colheitas de grãos e na pesca;
- aceleração da extinção das espécies e dano ao ecossistemas dos quais o ser humano depende;
- correntes migratórias provocadas pelo impacto econômico dos danos da mudança climática e a perda de terras em consequência do aumento do nível do mar;
- maior escassez de água, especialmente nas regiões subtropicais, mas também um risco de maiores inundações nas latitudes do norte e do Pacífico equatorial;
- riscos de conflitos por causa da escassez de recursos e impacto sobre a saúde provocado pelas ondas de calor e a proliferação de doenças transmitidas por mosquitos.
Se as emissões de CO2 prosseguirem a longo prazo, a acidificação dos oceanos e o aumento do nível dos mares continuará nos próximos séculos. O risco a longo prazo permanece desconhecido sobre uma perda 'abrupta e irreversível' dos gelos antárticos, que provocaria um grande aumento do nível das águas.
O IPCC foi criado em 1988 para fornecer aos governos informações neutras e objetiva sobre as mudanças climáticas, seus impactos e as medidas para reverter o problema.
O relatório elaborado por mais de 800 especialistas é o quinto resumo geral da situação publicado nos 26 anos de história do painel.
O documento anterior da mesma importância foi publicado em 2007 e ajudou a preparar a reunião de cúpula de Copenhague de 2009, que fracassou na tentativa de obter a assinatura de um acordo global.
Consequências drásticas
O primeiro capítulo afirmava que há mais de 95% (extremamente provável) de chance de que o homem tenha causado mais de metade da elevação média de temperatura registrada entre 1951 e 2010, que está na faixa entre 0,5 a 1,3 grau.

Sobre as previsões, a primeira parte trouxe também a informação de que há ao menos 66% de chance de a temperatura global aumentar pelo menos 2ºC até 2100 em comparação aos níveis pré-industriais (1850 a 1900). Isso se a queima de combustíveis fósseis continuar no ritmo atual e sem o cumprimento de políticas climáticas já existentes.
Os 259 pesquisadores-autores de várias partes do mundo, incluindo o Brasil, estimaram ainda que, no pior cenário possível de emissões, o nível do mar pode aumentar 82 centímetros, prejudicando regiões costeiras do planeta, e que o gelo do Ártico pode retroceder até 94% durante o verão no Hemisfério Norte (leia mais aqui).
Impactos e adaptação
Já o segundo capítulo, lançado no fim de março, concluiu que são "altamente confiáveis" as previsões de que danos residuais ligados a eventos naturais extremos ocorram em diferentes partes do planeta na segunda metade deste século. E isso deve acontecer mesmo se houver corte substancial de emissões nos próximos anos.

O texto aponta que populações pobres de regiões costeiras podem sofrer com o aumento do nível do mar, altas temperaturas acentuariam o risco de insegurança alimentar e que áreas tropicais da África, América do Sul e da Ásia devem sofrer com inundações causadas pelo excesso de tempestades.
O documento afirma também que há fortes evidências de uma redução da oferta de água potável em territórios subtropicais secos, o que aumentaria disputas pelo uso de bacias hidrográficas, além de uma possível perda de espécies de plantas e animais pela pressão humana, como a poluição e o desmatamento de florestas (leia mais aqui).
A terceira e última parte afirma que são necessárias mais ações para cortar as emissões de gases de efeito estufa para limitar o aquecimento do planeta a 2ºC até 2100. Segundo os cientistas, é preciso abandonar os combustíveis fósseis poluentes e utilizar fontes mais limpas para evitar o efeito estufa, que poderá provocar um aumento da temperatura do planeta entre 3,7ºC e 4,8ºC antes de 2100, o que seria um nível catastrófico.
IPCC - arte (Foto: G1)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Iniciativa internacional busca diminuir poluição luminosa e preservar a escuridão...



Ilha de Sark, Reino Unido - A ilha de Sark emerge abruptamente no Canal da Mancha. Com seus despenhadeiros que quase chegam aos cem metros de altura, sombreados por fileiras de vegetação escura riscada como um tabuleiro de damas trabalhado em tons de verde, a ilha parece ter se desgarrado da Inglaterra e flutuado mar adentro. Mas essa é Sark à luz do dia; à noite, no escuro, Sark quase desaparece. Não há iluminação nas ruas, nem carros ou caminhonetes, nem postos de gasolina acesos até o sol raiar. Há apenas os pubs, as fazendas, e as casas de seus 600 habitantes – e por isso Sark praticamente não emite luz à noite. A cerca de 70 milhas [110 quilômetros] ao sul da Inglaterra, e a metade dessa distância ao norte da França, Sark cobre somente duas milhas quadradas [3,2 quilômetros quadrados]. Em breve, porém, terá um impacto muito além de seu tamanho, como a primeira “Ilha de Céu Escuro” do mundo.

Até cerca de um ano atrás, eu nunca tinha ouvido falar de Sark. Aposto que a maioria das pouco mais de sete bilhões de pessoas no mundo possam dizer o mesmo. Mas pelo menos algumas pessoas a mais já sabem algo sobre esta minúscula ilha, graças ao reconhecimento que ela recebeu em 2010 da IDA, International Dark-Sky Association [Associação Internacional do Céu Escuro]. A IDA lançou o programa “Lugares de Céu Escuro” em 2001, com a designação da cidade de Flagstaff, no estado do Arizona, nos EUA, como a primeira “Cidade Internacional de Céu Escuro”. Essa categoria mudou desde então para Comunidade de Céu Escuro, e a ela se uniram as designações de Parques e Reservas de Céu Escuro. Tais designações não são monopólio da IDA, já que programas similares existem em outros países. No Canadá, a Sociedade Real de Astronomia tem seu próprio sistema de Preservação do Céu Escuro, por exemplo, e a UNESCO lançou seu próprio programa de “Reservas da Luz das Estrelas”. Embora variem ligeiramente em suas abordagens, os diferentes programas estão trabalhando pelo mesmo objetivo: proteger a escuridão em um mundo cada vez mais saturado de luz artificial.

O que torna o caso de Sark particularmente interessante é que há pessoas vivendo na ilha, com seus medos do escuro, suas preocupações com segurança, seus desejos de “progresso”. Por mais que seja importante proteger áreas de céu imaculado, é a conservação da escuridão em lugares onde as pessoas de fato vivem que poderá mudar atitudes com relação à luz e à escuridão.

“Se você só quer tascar selos em lugares muito escuros, dá para fazer isso o quanto quiser, e cobrir o mundo com parques de céu escuro”, diz Steve Owens, o escocês que auxiliou Sark em um processo de dois anos com a IDA. “Mas isso não afetaria uma luzinha sequer. Sark, por outro lado, teve que despender algum trabalho com a luz.” Por “trabalho com a luz”, Owens quer dizer que para se qualificar para o reconhecimento da IDA, a comunidade de Sark teve que agir: catalogar as luzes presentes na ilha, trocar aquelas que estavam causando brilho excessivo e refletindo no céu, e prometer que qualquer nova luz seria instalada de acordo com regulamentos antipoluição luminosa. Isso permitiu que a ilha correspondesse à definição da IDA de uma Comunidade de Céu Escuro: “uma vila, cidade, município ou outra comunidade organizada legalmente que demonstre dedicação excepcional à preservação do céu noturno através da implementação e do reforço dos códigos de iluminação de qualidade existentes, educação para o céu escuro, e apoio da cidadania ao céu escuro.”

“Eles na verdade querem lugares que estejam no meio do caminho”, Owens explica sobre a IDA. “Lugares que deveriam ser bons mas não são, e que podem se tornar bons caso se dediquem a trabalhar a iluminação. Não estão muito interessados em lugares que já sejam exemplares, porque esses não alcançariam o objetivo de melhorar a iluminação noturna.” Uma Comunidade de Céu Escuro, portanto, atua como um exemplo, para ajudar as pessoas a entender que a escuridão – e uma iluminação eficiente – não é somente para parques nacionais ou comunidades próximas a observatórios, mas algo por que qualquer comunidade pode almejar.

Iluminação artificial prejudica criaturas noturnas e crepusculares, como tartarugas marinhas e pássaros migrantes

Nascido e criado em Inverness, cidade às margens do famoso Lago Ness, na Escócia, Steve Owens cresceu com forte interesse em astronomia, e hoje parcialmente se mantém ajudando comunidades a desenvolver suas identidades de céu escuro. Seu primeiro sucesso veio quando a IDA declarou o Parque Florestal de Galloway, no sudoeste da Escócia, o primeiro Parque de Céu Escuro da Europa. Galloway é o primeiro no que Owens espera se torne uma longa lista de parques no Reino Unido a tornarem-se reservas de céu escuro. “Não acho que seja excessivo”, diz ele. “Principalmente porque os parques nacionais no Reino Unido são chamados ‘os espaços de respiro da Grã-Bretanha’, e a medida do sucesso nesse quesito é uma medida de tranquilidade. Já realizaram vários estudos sobre os significados que as pessoas dão para ‘tranquilidade’, e sempre, entre as três primeiras respostas, está um céu noturno belo e limpo, e nada de poluição luminosa.”

Por mais que designações oficiais sejam importantes, Owens acredita que no fim das contas as áreas de céu escuro só vão se sustentar se forem apoiadas pelas comunidades locais. Quando programas de astronomia começaram a se estabelecer em Galloway, por exemplo, e pessoas que viviam no parque ou nos arredores começaram a ouvir que Galloway era um dos melhores lugares da Europa para observar estrelas, a reação delas era, como Owens conta com um sorriso: “Olha só, eu não sabia disso. Então eu vivo em um dos melhores lugares da Europa para observar estrelas? Isso é muito bom.” E isso eventualmente se consolidou, e as pessoas começaram a se entusiasmar.

“É tudo uma questão de educação”, diz Owens. “É questão de garantir que as pessoas tenham alguma noção sobre céu escuro. A maioria das pessoas, até pouco tempo atrás, não tinha. Acho que o verdadeiro ponto de conversão, o grande passo nesse sentido, veio através dos Parques de Céu Escuro. O Parque Florestal de Galloway pode afetar centenas de milhares de pessoas que venham visitá-lo ao longo dos próximos anos. E mais do que isso, 160 milhões de pessoas em todo o mundo ficaram sabendo desse nosso esforço. Certamente, na mídia britânica, isso levou a discussão sobre poluição luminosa a outro patamar.”

A popularidade da ideia dos lugares de céu escuro vem do foco em aspectos positivos, acredita Owens. “A mídia estava definitivamente interessada em divulgar uma boa notícia sobre ambientalismo, economia, turismo e astronomia.”

Céu escuro permitiria observação de constelações

Valorizar a escuridão seria seguir o desejo do escritor e ambientalista norte-americano Aldo Leopold de alargar os limites de nossas comunidades. Ecologicamente, essa é uma questão vital: se nós realmente damos valor a criaturas noturnas e crepusculares, por exemplo, então não podemos deixar que nossas luzes artificiais destruam seu habitat. As ideias de Leopold se aplicam também no fato que o valor da escuridão não é sempre economicamente óbvio. Como podemos quantificar o valor da escuridão que permite a passagem de tartarugas marinhas e pássaros migrantes?

Leopold acreditava que a razão pela qual seres humanos somos tão limitados em nossa relação com o mundo natural é que nós não nos vemos como parte de uma comunidade que abrange também esse mundo. Ele argumentou que, enquanto seres humanos fizemos grandes esforços ao longo dos séculos para expandir nossa noção de comunidade humana para incluir uma variedade maior de raças, gêneros e etnias, não fizemos o mesmo ajuste com relação à terra. “A ética evoluída até agora se baseia em uma única premissa: de que o indivíduo é membro de uma comunidade de partes interdependentes”, escreveu ele. “A ética da terra simplesmente alarga os limites da comunidade para incluir o solo, as águas, as plantas, e os animais, ou coletivamente, a terra.”

Trabalhando no desértico sudoeste dos EUA nas primeiras décadas do século passado, Leopold certamente conheceu escuridões fantásticas. Mesmo depois de se mudar para a cidade de Wisconsin em 1924, ele provavelmente conheceu a verdadeira noite em sua cabana, um retiro a 40 milhas [64 quilômetros] da cidade de Madison. A escuridão não aparece explicitamente em sua escrita, mas tenho certeza que Leopold teria entendido o custo de perdê-la.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Dicas de reciclagem sustentável...



O destino do lixo doméstico é um dos grandes problemas enfrentados pela sociedade. A quantidade de detrito produzido é muito superior à capacidade de processamento do mesmo, contribuindo para o aumento da poluição da água, do ar e do solo. Por isso, reciclar é tão importante.
A reciclagem é uma maneira de ajudar a preservar o meio ambiente. Ela colabora para a diminuição do volume de resíduos nos aterros sanitários, protegendo os solos e os lençóis freáticos (água pouco profunda); e transforma lixo em matéria-prima, aumentando a vida útil dos materiais e evitando que mais detritos sejam produzidos desnecessariamente.
Reciclar é reaproveitar produtos e utensílios que normalmente iriam ser jogados fora e dar a eles uma nova funcionalidade. Qualquer parte de uma casa permite a reutilização de materiais, inclusive o jardim, que, após receber esses itens, acaba ficando mais bonito, charmoso e principalmente sustentável.
O reaproveitamento de recipientes para o cultivo de plantas é uma das formas de praticar a reciclagem e, consequentemente, a sustentabilidade, que a cada dia ganha mais adeptos. Baldes, chaleiras, xícaras, jarras, bacias e outros objetos podem ser transformados em belos vasos de plantas. No entanto, para utilizá-los, é preciso tomar alguns cuidados:
Lavar muito bem as vasilhas, eliminando qualquer vestígio de elementos tóxicos (ferrugem, produtos químicos como cloro, ácidos e detergentes), para que as plantas não sejam contaminadas.
Impermeabilizar a parte interna de cada recipiente, aplicando uma camada de tinta ou revestimento impermeabilizante. Com esse procedimento, a durabilidade do vaso aumentará e também evitará que qualquer produto químico do utensílio possa contaminar a planta.
Optar por materiais resistentes, que suportem bem as mudanças climáticas e que não absorvam muito calor, pois isso pode ressecar a terra e matar a flor. Caso vá utilizar recipientes metálicos, escolha plantas com maior resistência à temperatura e à falta de umidade.
Observar o tamanho da planta e de sua raiz. Aquelas que têm raízes maiores e mais fortes devem ser plantadas em recipientes grandes e resistentes. Já as plantas com raízes mais finas podem ser cultivadas em jarras, utensílios de vidro e de outros materiais mais delicados.
Em todos os casos, é preciso encontrar a melhor maneira de reproduzir as condições naturais de crescimento de cada planta. Toda espécie tem sua necessidade específica de água, portanto, é interessante escolher o recipiente de acordo com as necessidades de cada variedade. Flores como as orquídeas exigem pouquíssimas regas e obtém sua cota de água proveniente do ar, logo são mais fáceis de monitorar. Já as margaridas precisam de regas constantes e solo úmido, sem estar encharcado, e exigem um cuidado maior.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Plantio de florestas é estratégia de enfrentamento do aquecimento global...



De acordo com os cientistas, as florestas promovem um efeito de resfriamento do clima porque armazenam vastas quantidades de carbono em troncos, galhos, folhas e são capazes de manter esse elemento químico fora da atmosfera enquanto permanecerem intactas e saudáveis.

Segundo o grupo, as florestas também resfriam a atmosfera porque convertem a energia solar em vapor d’água, o que aumenta a refletividade da radiação solar por meio da formação de nuvens, fato negligenciado no trabalho de Unger. Concordam, em parte, com a afirmação da professora de Química Atmosférica em Yale, de que “as cores escuras das árvores absorvem maior quantidade de energia solar e aumentam a temperatura da superfície terrestre".

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Para transformar o lixo em energia...



O lixo que produzimos diariamente, também chamado, de modo mais técnico, de “resíduos sólidos urbanos – RSU”, tem como destino final lixões a céu aberto (17,8%), aterros sanitários (58%) e aterros controlados (24,2%). A quantidade gerada, no Brasil, chega a aproximadamente 200.000 toneladas de lixo por dia, sendo a região Sudeste responsável por quase metade desse total. Os dados são da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) de 2012, ano da mais recente publicação sobre o tema.
Diante disso, fica no ar a pergunta: não poderia ao menos parte desse lixo, esteja ele no lixão ou no aterro, ser utilizado para gerar energia e, desta forma, reduzir o volume ocupado em seu local de origem? A resposta é sim.
Antes de mais nada, vamos analisar a sua composição. O lixo é composto por uma série de materiais que podem ser separados em dois grupos: orgânicos e recicláveis (várias lixeiras públicas são rotuladas desse modo). Para simplificar, pense assim: os orgânicos são aqueles biológicos (“que têm vida”), ou seja, alimentos principalmente, e os recicláveis são aqueles não biológicos (“que não têm vida”), ou seja, recipientes em geral (latas, embalagens, sacos, garrafas, etc) e outros.
Os materiais recicláveis geralmente demoram muito tempo, de meses a anos, para sofrer decomposição e, portanto, liberar algum tipo de gás ou substância que possa ser aproveitada para gerar energia. Além disso, a melhor destinação de um material, antes de tornar-se resíduo, seria em primeiro lugar a sua reutilização, seguida, aí já como resíduo, da sua reciclagem (incluindo, quando for o caso, a compostagem – tipo de reciclagem do lixo para posterior utilização como adubo agrícola) – para, só então, participar do processo de geração de energia.
Já os materiais orgânicos são a parte do lixo que é decomposta por microorganismos, gerando produtos como gases e substâncias líquidas tóxicas que, em pouco tempo, podem contaminar o ar, o solo e os lençóis freáticos. Esses gases é que devem ser objeto de estudo.
A mistura de gases produzida pela parte orgânica do lixo é conhecida como biogás, cujo principal componente é o gás metano (CH4), que tem um efeito estufa 20 vezes mais intenso que o gás carbônico. Esse gás é o principal componente, também, do que chamamos de gás natural, que é utilizado em alguns veículos e em usinas termelétricas. Ou seja, ele pode ser queimado para gerar energia a partir de uma determinada fonte que, no caso em questão, pode ser o lixo que produzimos.
O ideal não é simplesmente queimá-lo para evitar o seu acúmulo e liberação para a atmosfera e sim utilizá-lo para gerar energia. Dessa forma, estaríamos contribuindo para gerar eletricidade, de modo sustentável, para populações que moram próximo aos locais de sua produção, ou seja, não precisaríamos extraí-lo de alguma reserva fóssil que o contenha e ainda estaríamos diminuindo o volume de lixo armazenado.
Nesse ponto, é importante colocar uma questão antiga que existe entre os especialistas da área: a produção de energia a partir do lixo não vai poluir o meio ambiente, como já fazem outras usinas? Essa discussão torna-se particularmente relevante se, com a produção de energia, houver a liberação de gases poluentes na atmosfera. Pode-se dizer que, hoje, esse problema está bem equacionado, pois esse tipo de usina utiliza filtros que evitam, ou pelo menos mitigam o lançamento desses gases para o meio externo.
Portanto, politicas públicas e parcerias público-privadas deveriam ser implementadas com mais ênfase no país para tornar esse modo de produção de energia viável, principalmente do ponto de vista econômico. Países europeus, Estados Unios e Japão estão muito mais avançados nessa área.
Esse tipo de produção de energia, desde que viável, com certeza ajudaria tanto em questões energéticas quanto na questão da destinação final dos resíduos sólidos urbanos, o lixo nosso de cada dia.