sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Modelo matemático estima a produção de cana sob diferentes condições climáticas...



Os modelos de estimativa de produtividade agrícola utilizados hoje não conseguiram prever o rendimento da cana-de-açúcar na safra dos canaviais paulistas este ano em razão de uma das piores estiagens já registradas no Sudeste nas últimas décadas.
“Nem o mais pessimista dos cenários de condições climáticas projetados pelos modelos matemáticos chegou perto do que aconteceu na safra da cana-de-açúcar de São Paulo este ano”, disse Edgar Gomes Ferreira de Beauclair, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), à Agência FAPESP.
“As projeções climáticas para a safra da cana-de-açúcar no estado para este ano indicavam que haveria uma redução da disponibilidade hídrica para a cultura agrícola de cerca de 10% em relação a 2013. Tivemos, contudo, uma queda de mais de 50% de disponibilidade hídrica, dando origem ao pior cenário climático para a cana-de-açúcar cultivada em São Paulo observado nos últimos anos, com muito calor e pouca umidade”, avaliou.
No entanto, um modelo matemático de estimativa do potencial rendimento da cana-de-açúcar baseado em parâmetros climáticos – desenvolvido pelo pesquisador em colaboração com colegas do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) – conseguiu estimar a produtividade final da planta cultivada em São Paulo na safra atual com índice de acerto de mais de 90%.
Criado no âmbito de um projeto realizado com apoio da FAPESP, o modelo foi apresentado por Beauclair no 2nd Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), que ocorreu de 20 a 24 de outubro em Campos do Jordão (SP).
“A previsão da produtividade final da cana-de-açúcar para a safra de São Paulo este ano era de 65 toneladas por hectare, em função do déficit hídrico”, disse Beauclair. “O modelo matemático que desenvolvemos conseguiu chegar muito perto dessa estimativa, apontando que a produtividade da planta no estado este ano seria entre 60 e 65 toneladas por hectare”, contou.
De acordo com o professor, o modelo começou a ser desenvolvido no início da década de 1980, quando era pesquisador do Centro de Tecnologia da Copersucar – atual CTC.
O objetivo, na época, era desenvolver um modelo de otimização de safra da cana-de-açúcar. A versão inicial do projeto, entretanto, esbarrava na falta de confiança dos cenários climáticos projetados.
“O modelo matemático desenvolvido na época teve o mérito de ser um dos pioneiros no Brasil, mas carecia de projeções mais confiáveis. Por isso, começamos a buscar um modelo mais crível de previsão para a formação de cenários de produção de cana”, afirmou.
Por meio da pesquisa de doutorado de Maximiliano Salles Scarpari, feita entre 2004 e 2006 e orientada por Beauclair, os pesquisadores chegaram a um modelo de previsão da maturação da cana-de-açúcar da espécie Saccharum spp. com até três meses de antecedência.
Nos últimos anos, com o projeto “Contribuição de produção de bioenergia pela América Latina, Caribe e África ao projeto GSB-Lacaf-Cana-I”, o modelo matemático foi aprimorado e passou a ser capaz de prever a produtividade de um canavial por hectare durante uma determinada safra.
Para fazer essas estimativas, o modelo se baseia em dados da produtividade do canavial na safra anterior e em indicadores de radiação solar e de déficit hídrico para a safra atual, obtidos a partir de previsões meteorológicas e de balanço hidrológico feitas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para diferentes regiões do país.
“Quanto maior a radiação solar e menor o déficit hídrico durante uma safra, maior será a produtividade da cana-de-açúcar plantada”, disse Beauclair.
“Com base nesses dois indicadores – que são cruciais para a cana –, o modelo consegue prever a produtividade de um canavial tanto em pequena como em larga escala”, afirmou.
Testes de projeções – De acordo com Beauclair, o modelo foi testado para estimar a produtividade de um canavial com 2 mil hectares na região de Pirassununga, no interior de São Paulo, durante as safras dos últimos dois anos.
No teste, foram levantados dados de maturação, idade do canavial, solo, variedades de cana utilizada, florescimento da planta e aplicação de maturadores, além do tipo de manejo adotado.
“Essas variáveis são relativamente fáceis de ser avaliadas e, combinadas com dados climáticos, podem dar uma boa perspectiva do que vai acontecer”, disse Beauclair.
“Os modelos existentes hoje solicitam muitas variáveis, como a taxa de fotossíntese de um canavial, que é difícil de um produtor obter para realizar o planejamento de uma lavoura. Nosso modelo utiliza variáveis mais simples”, comparou.
Com técnicas de pesquisa de programação linear – em que as alternativas de aumento da produção em diferentes cenários climáticos são comparadas e testadas por recursos matemáticos e computacionais –, o modelo possibilitou planejar o manejo da lavoura para atingir os objetivos de produção, mantendo os mesmos parâmetros de variedade de cana e maturadores utilizados na safra anterior.
“Uma premissa do modelo desenvolvido é que, quanto mais dados do sistema de produção de uma área analisada e quanto menor a alteração dos parâmetros de uma safra para a outra, maior será a precisão da estimativa.”
“Considerando que os parâmetros de produção dos canaviais de São Paulo seguidos na safra atual não mudarão na próxima, é possível prever a produtividade da cana no estado com relativa precisão”, afirmou.
O modelo está sendo utilizado agora no âmbito do projeto Bioenergy Contribution of Latin America & Caribbean and Africa to the Global Sustainable Bioenergy Project (Lacaf-Cana), apoiado pela FAPESP no âmbito do Programa de Pesquisa em Bioenergia (BIOEN), para realizar a previsão de produção de cana-de-açúcar em Moçambique e Colômbia.
Iniciado em 2013, o projeto tem o objetivo de analisar as possibilidades de produção de etanol de cana-de-açúcar nesses dois países e também na Guatemala e na África do Sul.
“As condições climáticas e de solo de Moçambique e da Colômbia são muito diferentes das do Brasil”, avaliou Beauclair.
“Em Moçambique, o regime hídrico e climático são semelhantes ao do Cerrado brasileiro; o país precisará de irrigação para cultivar cana. Já a Colômbia tem uma outra condição hídrica, com situações de encharcamento, muitas vezes”, comparou.
De acordo com o pesquisador, o modelo faz projeções de diferentes cenários climáticos, sendo um primeiro mais otimista, o segundo intermediário e o terceiro mais pessimista.
A ideia, segundo ele, é que o modelo seja disponibilizado publicamente e possa ser adaptado a outras plantas usadas na produção de biocombustíveis, que não somente a cana-de-açúcar.
“Em princípio, o modelo pode ser adaptado para fazer estimativas de produção de qualquer cultura de biomassa”, afirmou.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

ESTUDANTE GAÚCHA VAI A HARVARD APRESENTAR PROJETO AMBIENTAL...



A gaúcha Raíssa Müller, 19 anos, foi uma das cinco selecionadas para o programa americano Village To Raise a Child, que incentiva projetos de inovação social desenvolvidos por jovens do mundo inteiro. O evento, promovido pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, ocorre no dia 8 de novembro, na sede da instituição, em Cambridge. A estudante de Novo Hamburgo trabalhou por um ano na criação de um filtro que absorve óleos e repele água, projetado para a limpeza de rios, lagos e oceanos poluídos.

Estudantes gaúchas recebem prêmio de incentivo à educação
Jovens realizam imersão social em cooperativa

O objetivo do programa criado por alunos, ex-alunos e professores de Harvard é premiar projetos que tenham potencial de modificar o ambiente onde os inscritos vivem. Raíssa vai apresentar seu projeto a investidores no encontro anual e contar como a ideia surgiu: da lembrança de um desastre ambiental no Rio dos Sinos, que circunda a região onde mora. Em 2006, a falta de oxigenação da água do rio, causada pela poluição, matou toneladas de peixes.

— Eu tinha 11 anos e já pensava numa esponja para limpar a água, parecia tão simples — conta.

A ideia mostrou-se mais complexa do que a menina pensava. Uma esponja absorveria a água suja, e não apenas o resíduo poluente. No ano passado, a aluna do último ano do curso de química da Escola Técnica Liberato se voluntariou para, junto com o colega Gabriel Chiomento, pesquisar um elemento poroso que sugasse apenas óleo e derivados. O escolhido foi o criptomelano, um mineral à base de óxido de manganês que tem a capacidade de absorver até 22 vezes o seu próprio volume.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Relatório do IPCC será guia para acordo climático global em 2015...





Líderes mundiais aguardam com expectativa a divulgação da síntese do quinto relatório de avaliação sobre mudanças climáticas, elaborado pelo Painel Internacional da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas – o IPCC, na sigla em inglês. Cientistas e membros de governos estão reunidos durante toda a semana, em Copenhague, capital da Dinamarca, a portas fechadas, para finalizar o documento, que promete ser o mais abrangente já elaborado no setor. O encontro será encerrado na sexta-feira (31) e a divulgação do relatório está prevista para domingo (2).
Segundo o presidente do IPCC, Rajendra Pachauri, o documento funcionará como um guia para que os desenvolvedores de políticas públicas consigam chegar a um acordo que permita a redução das emissões de gases de efeito estufa, responsáveis pela elevação da temperatura do planeta. As negociações para um tratado climático global, com metas mais rigorosas para as nações, avançarão até a 21ª Conferência do Clima, em dezembro do ano que vem, em Paris.
A elaboração do quinto relatório do IPCC teve a participação de 830 cientistas de 80 países, divididos em três grupos de trabalho. Os resultados de cada grupo foram divulgados em três documentos, ao longo dos últimos 13 meses. A síntese, que está sendo elaborada esta semana, abordará as principais conclusões e orientações dos cientistas. “O relatório garante o conhecimento necessário para a tomada de decisões bem fundamentadas e para a construção de um futuro melhor e mais sustentável. Com ele, entenderemos melhor as razões pelas quais devemos agir, e as sérias consequências de não agirmos”, enfatizou Pachauri na abertura do encontro.
Por videoconferência, a secretária executiva da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas, Christiana Figueres, disse que “o quinto relatório é o mais atual e influente trabalho científico em mudanças climáticas já feito no mundo”. O ministro do Clima e Energia da Dinamarca, Rasmus Helveg Petersen, que abriu a conferência, enfatizou que se não houver ação imediata para conter as mudanças climáticas, “a dívida com as futuras gerações será crescente”. 



A ONU declarou 2014 como o “Ano Internacional da Agricultura Familiar”. Para debater o assunto, o Canal Futura entrevistou Maria Emília Pacheco, presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea). Ela, que integra a FASE, apresentou visões sobre o que é agricultura familiar, produção orgânica e agroecologia.
Durante o programa, exibido na TV em agosto, Maria Emília explica que a agroecologia é uma ciência, um movimento social e também suas práticas. Ela possui dimensões tecnológicas, sociais, políticas e econômicas. Além de não usar venenos, vai além: realiza o manejo sustentável, valoriza as sementes tradicionais e cultiva alimentos em harmonia com a natureza e a cultura local.
Já sobre a produção orgânica, Maria Emília disse ser a que não faz uso de agrotóxicos, porém não necessariamente engloba a diversidade, um princípio chave da agroecologia. Por último, ela destacou que “a agricultura familiar é o sujeito dessa história”. É por meio dela que já se desenvolve a agroecologia ou se está buscando uma transição do modelo de agricultura tradicional para um alternativo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Setembro de 2014 foi o mais quente do mundo desde 1880...



O mês de setembro de 2014 foi o mais quente no planeta, tanto em terra como nas superfícies dos oceanos, desde que o registro começou a ser realizado em 1880, informou nesta segunda-feira a agência meteorológica americana.
“É também o 38º setembro consecutivo que registra uma temperatura mundial acima da média do século 20″, informou a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA).
Quando combinadas, as temperaturas médias no solo e na superfície dos oceanos registradas em setembro bateram um recorde, chegando a 15,72 graus Celsius, ou seja, 0,72°C acima da média do século 20.
“À exceção de fevereiro, todos os meses de 2014 foram os mais quentes de que se tem registro. Entre eles, maio, junho, agosto e setembro foram os mais quentes de todos”, indicou a NOAA em seu relatório.
A última vez em que a temperatura média no mundo em setembro esteve abaixo da média foi em 1976.
O texto acrescentou que a maioria dos territórios do planeta registrou temperaturas mais quentes do que no mês anterior, à exceção da Rússia Central, de algumas áreas do leste e do norte do Canadá e de uma pequena região da Namíbia.
Em contrapartida, “o calor recorde foi muito perceptível no noroeste da África, nas regiões costeiras da América do Sul, no sudoeste da Austrália, em partes do Oriente Médio e em regiões do sudeste da Ásia”.
Em relação aos oceanos, a temperatura da superfície global foi 0,66º C acima da média do século 20, o que também foi um recorde para setembro.
“Isso também marca a temperatura mais alta registrada na superfície dos oceanos, batendo o recorde do mês passado”, acrescentou a NOAA, afirmando que este aumento de temperaturas foi observado em todos os oceanos, principalmente na parte equatorial do Pacífico.
Antes da conferência anual das Nações Unidas sobre o clima, prevista para dezembro, em Lima, os negociadores de 195 países se reúnem a partir desta segunda-feira em Bonn (Alemanha) para avançar rumo a um acordo previsto para 2015, em Paris.
A ONU tenta limitar o aumento das temperaturas mundiais a 2ºC com base nos níveis pré-industriais, já que acima disso, as consequências podem ser dramáticas, alertaram os cientistas.
Especialistas afirmam, no entanto, que as tendências atuais de emissões podem levar as temperaturas a alcançar mais do que o dobro desse nível até o fim do século. 

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Inventor adolescente cria método para limpar lixo plástico dos oceanos...







Boyan Slat é um jovem de 20 anos em uma missão ambiciosa – livrar os oceanos do planeta dos plásticos flutuantes.
Apesar da idade, ele já leva anos tentando encontrar maneiras de coletar esses resíduos – e sua técnica já convenceu entusiastas e patrocinadores dispostos a bancar seus projetos.
“Eu não entendo por que ‘obsessivo’ tem uma conotação negativa, mas eu sou obsessivo e gosto disso”, diz Slat. “Eu tenho uma ideia e vou em frente com ela.”
A ideia surgiu quando ele tinha 16 anos, em 2011, enquanto mergulhava na Grécia. “Eu vi mais sacos plásticos do que peixes”, diz. Ficou chocado, e ainda mais chocado ao notar que não havia nenhuma solução aparente.
“Todo mundo me disse: ‘Ah, não tem nada que você possa fazer com os plásticos depois que eles chegam aos oceanos’, e eu me perguntei se isso era verdade.”
Entre os últimos 30 e 40 anos, milhões de toneladas de plástico entraram nos oceanos. A produção mundial de plástico é de 288 milhões de toneladas por ano, das quais 10% acabam no oceano. A maioria – 80% – é proveniente de fontes terrestres.
O lixo é arrastado por ralos e esgotos e acaba nos rios – assim, aquele canudo de plástico ou cigarro que você jogou no chão podem acabar no mar.
O plástico é transportado por correntes para cinco sistemas de água rotativos, chamados de giros, nos grandes oceanos, sendo o mais famoso a enorme Mancha de Lixo do Pacífico, entre o Havaí e a Califórnia.
A concentração de plástico nestas áreas é alta e elas chegam a ser chamadas de sopa de plástico. A região abrange uma área duas vezes o tamanho do Texas. Além disso, o plástico não fica no mesmo lugar. Tudo isso faz com que a limpeza seja um grande desafio.
“Se você for lá para tentar limpar com navios levaria milhares de anos”, diz Slat. “Não só isso, seria muito custoso em termos de dinheiro e energia, e os peixes seriam acidentalmente capturados nas redes.”
Quebra-cabeças – Slat sempre gostou de encontrar soluções para quebra-cabeças e, ao refletir sobre este, pensou que, ao invés de ir atrás do plástico, por que não aproveitar as correntes e esperar que ele chegue até você?
Na escola, Slat desenvolveu sua ideia como parte de um projeto de ciências.
Uma série de barreiras flutuantes, ancoradas no leito do mar, primeiro capturariam e concentrariam os detritos flutuantes. O plástico se moveria ao longo das barreiras no sentido de uma plataforma, onde seria, então, extraído de forma eficiente.
A corrente oceânica passaria por baixo das barreiras, levando toda a vida marinha flutuante com ela. Não haveria emissões nem redes para a vida marinha se enroscar. O plástico coletado no oceano seria reciclado e transformado em produtos ou em óleo.
O projeto de ciências do ensino médio foi premiado como Melhor Projeto Técnico da Universidade de Tecnologia Delft. Para a maioria dos adolescentes, as coisas teriam ficado por ai, mas com Slat a coisa tinha de ser diferente.
Desde muito cedo, ele se interessou por engenharia. “Primeiro eu construí casas nas árvores… em seguida, coisas maiores”, diz. “Quando eu tinha 13 anos, estava muito interessado em foguetes.”
Slat ancançou um recorde mundial no Guinness pelo maior número de foguetes de água lançados ao mesmo tempo: 213. “A experiência me ensinou a como atrair o interesse das pessoas e como abordar de patrocinadores”, conta.
Quando Slat começou a estudar engenharia aeroespacial na Universidade de Delft, a ideia de limpar os oceanos seguia com ele. Ele criou uma fundação chamada The Ocean Cleanup (Limpeza de Oceano, em tradução literal) e explicou no evento TEDx seu conceito de como os oceanos poderiam se limpar.
Seis meses depois de entrar na faculdade, decidiu trancar o curso para tentar tornar seu projeto uma realidade.
Todo o dinheiro que ele tinha eram 200 euros (R$ 630). Os meses seguintes foram usados em busca de patrocínio.

“Foi muito desanimador porque ninguém estava interessado”, diz ele. “Eu lembro de um dia entrar em contato com 300 empresas para patrocínio – apenas uma respondeu, o que, também, resultou em nada.”
Mudança brusca – Mas então, em 26 de março de 2013, meses depois de ser publicada na internet, a fala de Slat no TEDx se tornou viral.
“Foi inacreditável”, diz ele. “De repente, tivemos centenas de milhares de pessoas clicando em nosso site todos os dias. Eu recebia cerca de 1.500 e-mails por dia na minha caixa de correio pessoal de pessoas se voluntariando para ajudar.”
Ele montou uma plataforma de financiamento coletivo que captou US$ 80 mil em 15 dias.
Slat ainda não sabe o que fez a sua ideia decolar dessa maneira, mas diz ter sido um grande alívio.
“Um ano atrás eu não tinha certeza de que seria bem-sucedido”, diz. “Mas, considerando o tamanho do problema, era importante pelo menos tentar.”
De acordo com o Programa de Meio Ambiente da Organização das Nações Unidas, há, em média, 13 mil peças de plástico flutuantes por quilômetro quadrado de oceano. Muitas dessas partículas acabam sendo ingeridas acidentalmente pelos animais marinhos, que podem morrer de fome já que o plástico enche seus estômagos.
Albatrozes são particularmente vulneráveis porque se alimentam de ovos de peixe-voador, que estão ligados a objetos flutuantes. Tartarugas tendem a ser vítimas de sacos plásticos, que, quando imersos na água, são parecidos com água-viva.
Conhecimento e críticas – É uma situação grave – e, por isso, quando Slat apareceu com uma solução aparentemente simples, começou a fazer manchetes em todo o mundo. Poderia um adolescente salvar os oceanos do planeta?
Seu entusiasmo contagiou milhões de pessoas – mas, junto com as ofertas de ajuda e doações, vieram as críticas. Não daria certo, disseram alguns. Outros argumentaram que seria melhor coletar lixo de praias, onde os resíduos chegam levados pelas ondas.
“É da minha natureza que, quando as pessoas dizem que algo é impossível, eu queira provar que elas estão erradas”, diz Slat.
Depois de ter chamado a atenção do mundo, a primeira coisa que ele fez foi desaparecer de vista. Precisava de provas científicas para apoiar sua teoria e responder a seus críticos.
Slat reuniu uma equipe de cem pessoas, a maioria voluntários, que foram espalhados por todo o mundo. Durante os estudos, ele visitou a área conhecida como a Mancha de Lixo do Atlântico Norte, onde a plataforma deverá ser construída.
“Fiquei muito enjoado nos primeiros três dias. Havia ventos de 25-30 nós (40-55 km/h) e ondas de 3 metros de altura. Foi uma experiência e tanto”, diz ele.
Em junho, um mês antes do seu aniversário de 20 anos, Slat ressurgiu com um relatório de viabilidade de 530 páginas, cuja capa foi feita de plástico reciclado. O relatório, baseado em diversos testes e simulações de computadores e assinado por 70 cientistas e engenheiros, respondeu a muitas das dúvidas que foram levantadas.
Após o estudo, ele pôs em marcha uma nova campanha de financiamento, que rapidamente atingiu a meta de US$ 2 milhões. Isto irá financiar um piloto maior no próximo ano e Slat espera que a plataforma do Atlântico Norte possa se tornar realidade em 2020.
Mas, mesmo assim, nem todos estão convencidos da viabilidade da ideia.
Um problema é que o plástico não está apenas flutuando na superfície, mas é encontrado em toda o corpo de água, mesmo em sedimentos no fundo do oceano.
A pesquisadora marinha Kerry Howell, da Universidade de Plymouth, disse à BBC ter encontrado lixo nas partes mais profundas do oceano. “Você está indo para um lugar onde ninguém jamais esteve antes”, diz ela. “É como ir à Lua e encontrar um pacote de batata frita.”
As críticas, no entanto, não parecem desanimar Slat, que trabalha 15 horas por dia. “Faz tempo que não vejo meus amigos, eles tentam me encher o saco dizendo como é legar estar na universidade”, diz ele.
O jovem diz que sua idade não o atrapalhou, e que pode, inclusive, ser uma vantagem. “Eu não tinha nada a perder, exceto minha renda dos estudos, portanto, essa não era uma preocupação”, diz. “Se você quer fazer algo, faça o mais rápido possível.” 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Eólicas podem suprir 19% da demanda global de energia até 2030...



A capacidade instalada de energia eólica pode crescer 530%, ou para 2 mil gigawatts (GW), até 2030, fornecendo até 19% da eletricidade global, afirmou relatório de uma associação comercial e do Greenpeace nesta terça-feira (21).
Segundo o documento, a capacidade instalada de energia originada pelos ventos totalizou 318 GW em todo mundo no final do ano passado e gerou cerca de 3% da eletricidade global. Esta capacidade deve aumentar em outros 45 GW, para um total de 363 GW, neste ano.
Em algumas partes do mundo, especialmente na Europa, há pessoas que vêm se opondo à energia eólica por causa dos subsídios do governo, que elas afirmam ter contribuído para um aumento crescente nas contas de energia.
Mas Steve Sawyer, executivo-chefe do Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês), disse: “A energia eólica se tornou a opção menos custosa quando acrescenta uma nova capacidade à rede elétrica em um número cada vez maior de mercados, e os preços continuam a cair”.
O GWEC, que representa 1.500 geradores de energia eólica, contempla o amanhã desta indústria em 2020, 2030 e 2050 em três situações tendo por base a redução de emissões atual e futura e as políticas de fomento à energia renovável.
Novo panorama global – Baseada em previsões da Agência Internacional de Energia, a entidade afirmou que a capacidade instalada cumulativa de energia eólica pode chegar a 611 GW até 2020 e a 964 GW até 2030.
No panorama “moderado” do relatório, ancorado em políticas de energia renovável existentes e supondo que a redução de emissões definida no ano que vem em Paris nos termos de um acordo climático global seja modesta, a capacidade eólica instalada pode chegar a 712 GW até 2020, a 1.500 GW até 2030 e a cerca de 2.670 GW até a metade do século.
Isso significa que a energia eólica pode suprir de 7 a 8 por cento da demanda de eletricidade global até 2020, de 13 a 15 por cento até 2030 e de 17 a 20 por cento até 2050.
No cenário mais “avançado”, baseado em taxas de crescimento mais ambiciosas e supondo que um acordo climático global mais robusto seja aprovado, a capacidade eólica pode alcançar 800 GW até 2020, quase 2 mil GW até 2030 e mais de 4 mil até 2050.
O documento identificou Brasil, México e África do Sul como áreas para um novo crescimento na energia eólica. O Brasil deve instalar quase 4 GW só neste ano. O relatório está disponível na íntegra em www.gwec.net

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

FÓRUM GLOBAL DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL REÚNE LÍDERES NA DINAMARCA...



Na semana em que o Conselho da União Europeia decide sobre as metas do clima e energia para os países europeus nos próximos dez anos, cerca de 300 líderes de alto nível estão reunidos hoje e amanhã em Copenhague, capital da Dinamarca, para a quarta edição do Fórum Global de Desenvolvimento Sustentável (3GF). O tema este ano é Mudando Padrões de Produção e Consumo por Meio de uma Ação Transformadora.

Criado em 2011, o fórum conta com a parceria de seis governos: Dinamarca, China, México, Etiópia, Quênia e Catar. Grandes empresas multinacionais, como Hyundai, Samsung e Siemens também são parceiras, além de organizações como a Agência Internacional de Energia (IEA, a sigla em inglês), o Pacto Global das Nações Unidas e a Corporação Financeira Internacional do Banco Mundial (IFC, da sigla em inglês).

Na abertura do evento hoje (20), a primeira-ministra da Dinamarca, Helle Thorning-Schmidt, enfatizou a importância do fórum como um espaço de debate entre governos e iniciativa privada na busca de parcerias e políticas globais que garantam o desenvolvimento sustentável. Ela convocou os líderes presentes a "tomar as decisões certas, que garantam um futuro de oportunidades para as próximas gerações".

O diretor-geral de Questões Globais do Ministério de Relações Exteriores do México, Roberto Dondisch, lembrou que na 21ª Conferência do Clima (COP 21), a se realizar em dezembro de 2015, em Paris, as nações discutirão os termos de um novo acordo climático global. "A cooperação entre nações desenvolvidas e nações em desenvolvimento, agora, é fundamental para a construção de políticas sustentáveis no futuro. Queremos aprimorar a nossa sinergia agora", afirmou. Também citando a COP 21, o subchefe da Administração Nacional de Energia da China, Liu Qi, destacou a importância da construção de uma economia global de baixo carbono, com a redução da emissão de gases de efeito estufa.

O fórum contará com plenárias, seções temáticas especiais e rodadas de conversação entre governos e iniciativa privada. Hoje, os participantes conhecerão projetos bem-sucedidos de cidades sustentáveis e discutirão com consumidores de classe média dos países parceiros, convidados pela organização do evento, sobre como atender as expectativas dos cidadãos sem comprometer as oportunidades para as futuras gerações.

Nos dias 23 e 24 de outubro, um dia depois do encerramento do 3GF, o Conselho da União Europeia decidirá se aprova o pacote de medidas sobre Clima e Energia 2030. O marco regulatório, que foi apresentado pela Comissão Europeia em janeiro, tem como meta principal reduzir em 40% (em relação a 1990) a emissão de gases de efeito estufa até 2030. Outro objetivo é diminuir a dependência energética da Europa, que importa mais de 50% da energia que consome.

O marco regulatório busca incluir os países da União Europeia entre as economias de baixo carbono, tornando, com isso, o sistema energético do bloco econômico mais competitivo, seguro e sustentável. Além da meta de reduzir em 40% a emissão de gases de efeito estufa em 15 anos, o plano prevê a ampliação, em 27%, do consumo de energias renováveis, o aumento da eficiência energética das empresas em no mínimo 30% e reformas no sistema de emissões de créditos de carbono, para torná-lo mais eficaz.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Fazenda vertical é solução para desafios enfrentados pela agricultura...



O conceito de fazendas verticais, ou o cultivo de alimentos em prédios, surgiu com a necessidade de ampliar a produção agrícola perante o crescimento populacional e de adaptar a agricultura para as mudanças climáticas. O modelo, já presente em alguns países, ainda é uma realidade distante no Brasil devido aos elevados custos de construção e produção, que acabam encarecendo o produto final.

Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), até 2050 a produção mundial de alimentos precisaria aumentar em cerca de 70%, em relação à safra de 2005, para alimentar os mais de 9 bilhões de habitantes que o planeta deverá ter até lá. Mas isso significaria também ampliar a área cultivada.

Segundo o criador do conceito de fazendas verticais, Dickson Despommier, para expandir a produção de alimentos nessa proporção seria necessário ampliar a atual área plantada em uma região quase do tamanho do Brasil. Além da escassez de áreas cultiváveis, a agricultura enfrentará nos próximos anos ainda desafios criados pelas mudanças climáticas.

"O aspecto da vida humana mais afetado pelo aquecimento global é a habilidade de produzir alimentos. Em muitos locais, a agricultura já está falhando em larga escala. Então precisamos de um meio de produzir alimentos que independa das condições climáticas", afirmou Despommier, que é professor emérito da Universidade Columbia, à DW Brasil.

Série de vantagens

Partindo do conceito de estufas, o modelo desenvolvido por ele prevê o cultivo de alimentos em prédios construídos próximos aos centros urbanos. O cultivo fechado possibilita a produção durante todo o ano, sem depender do clima. Além disso, economiza água, pois a hidroponia requer apenas 30% da quantidade de água necessária na produção convencional.

Esse modelo também reduz a incidência de pragas e o uso de defensivos agrícolas. Mas, nos planos de Despommier, a fazenda vertical ideal vai além. Ela é sustentável e totalmente integrada ao ambiente urbano.

O lixo das cidades seria usado para produzir a energia para a iluminação e manter a temperatura interna. A água para a produção de alimentos viria da reciclagem da chamada água cinza, ou seja, a água residual gerada em casas. O pesquisador afirma também que o modelo permite o cultivo de qualquer tipo de vegetal.

9438bCultivo hidropônico economiza 70% de água

Realidade distante

Para o chefe-adjunto de pesquisa e desenvolvimento da Embrapa Hortaliças Ítalo Guedes, o cultivo de alimentos perto dos centros consumidores é uma das grandes vantagens desse modelo. Isso reduz custos de transporte e perdas na produção, diminuindo o preço final dos produtos. No Brasil, por exemplo, perdas após a colheita chegam a 40% em algumas culturas, afirma Guedes.

O especialista afirma que o modelo, além de economizar água, requer menos espaço, otimiza e maximiza a produção, e no Brasil ainda pode contribuir para reduzir o desmatamento.

Além de sustentáveis, as fazendas verticais também têm um potencial turístico. "Elas podem ser uma excelente ferramenta para o agroturismo urbano, envolvendo políticas sociais de preservação ambiental e valorização da saúde", disse o especialista em agronegócio Leandro Pessoa de Lucena, da Universidade Federal do Mato Grosso.

Apesar de inovador, os altos custos de construção e produção ainda são as grandes barreiras para a expansão das fazendas verticais. Segundo Lucena, que avaliou o modelo em sua tese de doutorado, as principais desvantagens são o alto consumo de energia, a baixa escala de produção, além da falta de mão de obra especializada e a dificuldade de comercialização da produção, que tem custo mais elevado.

Modelo se propaga no mundo

Apesar das barreiras, aos poucos as fazendas verticais estão conquistando espaço. Já há projetos em Singapura, no Japão, na China, no Oriente Médio e nos Estados Unidos. Para especialistas, o modelo, no entanto, ainda deve demorar para chegar ao Brasil.

"Ainda temos vários passos para caminhar até chegar num ponto em que a fazenda vertical seja uma saída tecnológica viável. Ainda estamos lutamos para convencer a população brasileira a adquirir mais frutas e hortaliças. Não podemos esperar que essas pessoas comprem produtos mais caros, provenientes de fazendas verticais", diz Guedes.

Lucena concorda que o modelo ainda precisa de muitos estudos para reduzir os custos de produção e assim se tornar acessível.

Mas Despommier diz ter certeza de que as fazendas verticais podem se tornar uma alternativa confiável e barata na produção de alimentos. "A tecnologia inicial é cara, mas se o público realmente a quiser, a indústria encontrará um meio de torná-la acessível. A mesma coisa aconteceu com os primeiros celulares e televisões de plasmas", afirma.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Instituto Akatu lança campanha pelo consumo consciente e transformador...



No dia 15 de outubro será comemorado o Dia do Consumo Consciente. A data, instituída pelo Ministério do Meio Ambiente, quer despertar a consciência das pessoas sobre o poder de suas escolhas na hora da compra e o impacto que esta pode ter sobre nossa sociedade.
Para marcar o mês, o Instituto Akatu lançou a Campanha #SigaOs10Caminhos, que lista dez valores necessários para tornar mais sustentável a produção de bens e o consumo.
A ideia do Instituto Akatu é que os dez caminhos para o consumo consciente e transformador sejam divulgados e compartilhados nas redes sociais durante todo o mês de outubro.
Atualmente a humanidade já consome 50% mais recursos naturais do que o planeta é capaz de regenerar. Se tivermos o estilo de vida de um típico americano, por exemplo, precisaríamos de 3,9 planetas para suprir nossa demanda.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

A energia eólica global vai de vento em popa...




Fundado em 9 de Março de 2005, o GWEC é um fórum mundial para tratar das questões da energia gerada pelos ventos que congrega representantes desta indústria e membros de associações representativas do setor. Seus membros trabalham em mais de 50 países representando mais de 1.500 organizações que abrangem desde a manufatura de equipamentos, projetos de desenvolvimento, geração de energia, finanças, consultores especializados, até pesquisadores e acadêmicos. Entre os associados do GWEC se contam, também, os maiores fabricantes de turbinas eólicas. O Conselho Global de Energia Eólica responde por 47.317 MW, o que significa 99% da capacidade de energia eólica instalada mundo.

Wind Force 12
Uma dos principais objetivos do Conselho Global de Energia Eólica é a implementação do seu projeto “Wind Force 12”. O “Wind Force 12” é uma proposta para aumentar 12% a capacidade mundial de energia eólica até o ano 2020. O informe divulgado demonstra que não existem barreiras técnicas, econômicas ou de fontes para fornecer, até essa data, 12% das necessidades energéticas mundiais somente a partir dos ventos. E isto, se coloca como um desafio num cenário de crescimento de dois terços da demanda de eletricidade projetado nesse intervalo de tempo.
Os países com o maior número de instalações de energia eólica, são os seguintes: Alemanha (16.629 MW), Espanha (8.263 MW), Estados Unidos (6.740 MW), Dinamarca (3.117 MW) e Índia (3.000 MW). Alguns países, como Itália, Holanda, Japão e Reino Unido, estão acima ou próximos da marca dos 1.000 MW.
A Europa continuou a dominar o mercado global em 2004, com 72.4% das novas instalações (5,774 MW). A Ásia foi responsável por 15.9% das instalações (1.269 MW), seguido pela América do Norte (6.4%; 512 MW) e a região do Pacífico (4.1%; 325 MW). América Latina mais o Caribe (49 MW) e a África (47 MW) ficaram, cada um, com 0.6% do mercado. (Gráfico 3).
“A Europa é líder mundial em energia eólica, mas hoje estamos presenciando a globalização desse mercado. Na União Européia, este mercado tem crescido em média 22% ao ano, nos últimos seis anos; porém, o rápido progresso que essa indústria poderia alcançar é contido por obstáculos como o acesso a placas, a acumuladores e pelas barreiras administrativas”, disse Arthouros Zervos, Presidente da European Wind Energy Association (EWEA). “Novas iniciativas políticas do G-8 poderiam dar um empurrão no mercado de energia eólica; a indústria está bem posicionada e pronta para um começo ligeiro ao menor sinal político”, finalizou.
O crescimento do mercado nos Estados Unidos foi lento devido à grande demora na ampliação da vigência do Production Tax Credit (PTC) federal para a energia eólica, que expirou em Dezembro de 2003 e foi prolongado em Outubro de 2004. Os projetos propostos voltaram com toda a força e a American Wind Energy Association (AWEA) espera que, em 2005, sejam instalados nos EUA mais de 2.000 MW.
A incerteza continua a atormentar o mercado estadunidense, pois o PTC tornará a expirar em Dezembro de 2005, a não ser que o Congresso decida, com rapidez, estender os incentivos.
A indústria de energia eólica dos Estados Unidos está pleiteando uma extensão de longo prazo, pois somente assim poderá planejar um crescimento maior e mais equilibrado para os próximos anos. “Nos Estados Unidos, a tecnologia da energia eólica está oferecendo energia limpa, segura e inesgotável para clientes por todo o País, mas seu uso ainda é atrapalhado pela intermitência e pela incerteza quanto ao incentivo federal para a eólica e para outras fontes renováveis de energia” declarou Randall Swisher, Diretor-Executivo da AWEA. “Mas para que a energia eólica contribua com uma parcela substancial no consumo de eletricidade da nação, as empresas precisam de um planejamento estável, comparável, ao menos, às disponíveis para as tecnologias convencionais.”
“A capacidade de geração de energia eólica na Austrália quase duplicou nos últimos 12 meses, com a instalação de 380 MW no final de 2004. Este tipo de energia é uma das fontes de energia que mais crescem, pois já foi testada, é construí da com rapidez e é viável economicamente”, disse Ian Lloyd-Besson, Presidente da Australian Wind Energy Association (AusWEA).
“Além de ser limpa e não prejudicar o meio ambiente, a energia eólica gera investimentos, rendimentos para a agricultura, é à prova de secas e gera empregos nas comunidades rurais. A Austrália tem algumas das fontes mais poderosas e abundantes de ventos do Planeta podendo chegar a acumular até 8.000 MW de energia eólica com poucas adaptações. Mesmo se desenvolvermos apenas metade disso, os benefícios em relação a empregos na região e às oportunidades de exportação seriam enormes”.
“Em 2004, a indústria de energia eólica do Canadá bateu recordes, com 122 MW instalados. Com certeza esse número será ultrapassado em 2005. Desenvolvimentos recentes nas políticas federais e provinciais de energia prometem aumentar em até dez vezes o número total de capacitações para energia eólica instaladas no Canadá nos próximos 5 anos”, disse Robert Hornung, Presidente da Canadian Wind Energy Association (CanWEA).
Quanto às informações da Ásia, Li Junfeng, Secretário Geral do Chinese Renewable Energy Industries Association (CREIA) disse que “espera-se que a entrada da China no mercado de energia renovável tenha um impacto profundo sobre a indústria global. Gastamos muito tempo e energia aprendendo com os sucessos e os fracassos dos nossos parceiros na Europa e no mundo todo”.
A energia eólica é reconhecida atualmente no Hemisfério Asiático, principalmente na Índia, por ser econômica, completa e por proporcionar uma boa relação custo-benefício, e também por ser uma forma de produção de energia comprovadamente limpa, que não prejudica o meio ambiente – uma fonte de energia muito necessária na Índia.
“A Índia passou por um crescimento sem precedentes no setor de energia eólica. Ao longo do último ano fiscal, isto é, 2003/2004, a capacidade para gerar energia a partir dos ventos, no nosso país, cresceu mais de 35%”, disse, por sua vez, Sarvesh Kumar, Presidente da Indian Wind Turbine Manufacturers Association (IWTMA).
Ainda na região, o representante da Japanese Wind Energy e da Japanese Wind Power Associations, Hikaru Matsumiya, declarou que “o Japão planeja, após a ratificação do Protocolo de Kyoto, atingir a meta de 3.000 MW em energia eólica até o ano 2010. Até agora instalamos cerca de 936 MW, o que significa 20 vezes mais do que era instalado há cinco anos, e esse número é um terço da meta nacional”.
O GWEC, com a autoridade de ser um fórum mundial do setor de energia eólica, sugere políticas nacionais e internacionais mais fortes de apoio à expansão da energia eólica como uma das opções para a diminuição da mudança climática.
Segundo o projeto “Wind Force 12”, se se aumentam os investimentos em energia eólica até um nível no qual ela possa gerar 12% da eletricidade mundial até 2020, resultaria numa redução anual de 1.813 milhões de toneladas de CO2 em 2020, partindo-se do pressuposto de que serão instalados 1.245.000 MW, a partir de fontes fósseis e não-renováveis.
Hoje, a capacidade global de energia eólica instalada no mundo já atingiu o volume recorde de 47.317 MW.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Canadá terá 1ª usina de captura de carbono em larga escala do mundo...






A primeira planta em larga escala de captura e armazenamento de carbono do mundo, construída em uma termelétrica a carvão no Canadá, será inaugurada na quinta-feira (2). Se for bem-sucedido, o projeto piloto, de CAD$ 1,4 bilhão (US$ 1,25 bilhão) poderá renovar o interesse no uso de carvão para a geração de energia, em um momento em que vários países buscam desativar as térmicas a carvão – uma das principais fontes de emissão de gases causadores do efeito estufa, associadas com o aquecimento global.
A inauguração da planta, em Estevan, na província de Saskatchewan, é “um ponto significativo” na história do desenvolvimento das tecnologias de captura e armazenamento de carbono, informou em um comunicado a diretora da Agência Internacional de Energia (AIE), Maria van der Hoeven.
Essas tecnologias nascentes permitem capturar o dióxido de carbono (CO2), resultante da combustão de combustíveis fósseis ou de processos industriais, e possibilitam seu armazenamento subterrâneo. “A experiência nesse projeto será criticamente importante”, afirmou van der Hoeven.
“Desejo ao operador da planta muito sucesso em demonstrar ao mundo que a captura de CO2 de uma usina geradora de energia em larga escala na verdade não é ficção científica, mas realidade atual’, acrescentou.
A AIE prevê que a captura e o armazenamento de carbono responderão por um sexto das reduções de emissões globais até 2050. Sem a tecnologia, a agência informou que dois terços das reservas comprovadas de petróleo não poderão ser comercializadas.

O carvão não renovável é usado para gerar 40% da eletricidade do mundo, segundo a SaskPower. A usina tem três térmicas a carvão, que geram quase metade da energia usada na província canadense, assim como 70% de suas emissões de gases provocadores do efeito estufa.
A SaskPower reparou sua antiga represa Boundary para produzir mais de 110 megawattss de energia limpa, capturando ao mesmo tempo um milhão de toneladas ao ano de dióxido de carbono.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Carro do futuro será rápido, híbrido e econômico...






O veículo do futuro será mais simples, híbrido e rápido para se adaptar às exigências ambientais, afirmam fabricantes e especialistas que participarão do Salão do Automóvel que começa nesta quarta-feira (1º) em Paris.
Fortemente subsidiado pelos governos e alvo de pesado investimento dos grandes fabricantes, o carro elétrico não decola, apesar do preço do petróleo.
Os primeiros resultados da mobilização de fabricantes promovida pelos sucessivos governos franceses no marco de um plano industrial, reunidos na “Plataforma do Setor Automobilístico” (PFA, na sigla em francês), serão apresentados no salão parisiense.
O grupo PSA Peugeot-Citroën optou por um sistema híbrido inédito: a energia ficará contida em um depósito de ar de alta pressão comandado por um amortecedor hidráulico, em vez de ser armazenada em baterias pesadas e complexas.
O motor propulsor do Peugeot 2008 e do Citroën C4 Cactus pode consumir dois litros por 100 quilômetros, segundo o PSA.
A Renault garante ter alcançado a marca simbólica de um litro por 100 quilômetros em um carro do tamanho de um Clio. Esse veículo, o Eolab, é um híbrido recarregável, quando está parado, e que utiliza materiais leves e uma aerodinâmica trabalhada para reduzir o consumo.
Esses protótipos funcionam com gasolina, o que vai de encontro à economia geralmente associada ao diesel. Na França, os motores a diesel tinham uma participação de 65% do mercado no início de 2014. A produção caiu 8 pontos desde 2012, porém, e todos os especialistas concordam em que continuará caindo. Em particular, porque o governo francês prepara um aumento dos impostos para reduzir a diferença com a gasolina.
“O custo dos motores a diesel aumenta com o desenvolvimento das novas normas ‘Euro 6′. Há uma sensibilização crescente sobre os riscos para a saúde. Paralelamente, os motores a gasolina também avançam, e os motores híbridos estão conquistando parcelas do mercado”, disse Marc Boilard, do gabinete de consultores Oliver Wyman.
François Jaumain, do gabinete PwC, disse que os motoristas franceses “dirigem menos quilômetros” do que antes e não pagam o investimento adicional requerido pelo diesel. Ele destaca também que alguns fabricantes decidiram abandonar os pequenos veículos a diesel. Assim, o novo Twingo da Renault chega ao mercado apenas a gasolina, assim como a dupla C1 e 108 da Citroën e da Peugeot.
“Quanto ao carro elétrico, continua sendo um mercado marginal”, constata Rémi Cornubert, da Oliver Wyman.
De cada mil veículos fabricados no mundo em 2013, apenas dois eram elétricos, relata a PwC, acrescentando que a expectativa é que chegue a nove a cada mil em 2020.
Já os híbridos podem ocupar 4,7% do mercado mundial em seis anos. Em 2013, esse percentual foi de 2,9%.
“Isso não vai decolar, enquanto não houver infraestrutura, ou uma ruptura tecnológica com as baterias, cuja autonomia ainda é limitada”, afirmou Cornubert.
A infraestrutura constitui a maior dúvida para os veículos com célula a combustível de hidrogênio, como o que a Toyota vai comercializar a partir do ano que vem.
No campo elétrico, a “ruptura tecnológica” pode vir do Tesla, fabricante californiano que lançou o modelo de luxo “Model S” em 2012, com 500 km de autonomia, mas ao preço de 60.000 euros.
A empresa, que instalou 11 estações de recarga gratuitas para seus clientes na França, quer democratizar progressivamente a sua oferta, com um 4×4 e um sedã compacto que podem chegar ao mercado em 2016. 

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Começa a campanha de coleta e reciclagem de cartões de plástico...



O Ministério do Meio Ambiente (MMA), por meio do programa Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P) e parceiros, lançam a campanha de Coleta e Reciclagem de Cartões de Plástico. A partir desta semana, interessados em descartar cartões sem uso, podem procurar diversos órgãos em Brasília, além do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que terão instalados os coletores “Papa Cartão”.
A iniciativa visa reforçar a importância da educação ambiental, da coleta seletiva e da reciclagem dos plásticos. Podem ser descartados, inclusive, cartões que contêm chip e tarja magnética. Eles serão coletados e triturados para reciclagem e depois transformados em novos produtos, como porta copos, placas de sinalização, caixas, marcadores de páginas, cartões de visitas, entre outros.
A coordenadora da A3P, Ana Carla de Almeida, reforça que o acesso à informação correta e o esforço conjunto em prol das boas práticas de consumo e descarte é o que vai possibilitar a realização da coleta seletiva e da reciclagem no país. “Esse tipo de ação mostra, de uma forma prática, como é possível transformar resíduo plástico em produto e renda, com preservação ambiental”, afirma. “É fundamental que as pessoas saibam quais são as tecnologias para reciclagem que já se encontram disponíveis para serem utilizadas.”
Onde descartar – A campanha é uma ação do MMA, em parceria como o Plastivida – Instituto Sócio-Ambiental dos Plásticos, Instituto do PVC e Programa RC – Reciclagem de Cartão. Conta com a participação de vários órgãos (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Agência Nacional de Águas (ANA), Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Advocacia-Geral da União (AGU), Exército Brasileiro, Câmara dos Deputados, Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério de Minas e Energia e Secretaria-Geral da Presidência da República.
Todos esses órgãos terão instalados os coletores “Papa Cartão”. Podem ser descartados cartões de débito, crédito, seguro-saúde, fidelidade, cartões-presentes, credenciais, cartões telefônicos, bilhete único, alimentação e outros. Os coletores estarão disponíveis até fevereiro de 2015.