terça-feira, 30 de setembro de 2014

Tecnologias transformam o chorume em água...



As tecnologias de proteção e de recuperação do meio ambiente têm conseguido resultados revolucionários no Brasil e no mundo. O chorume, aquele líquido resultante da decomposição do lixo, já pode ser transformado em água pura.
A maior parte do lixo gerado no Brasil é matéria orgânica, principalmente restos de comida. A decomposição desses resíduos provoca o aparecimento do chorume, o suco do lixo, um líquido escuro, tóxico, que pode contaminar as águas subterrâneas. Na maioria dos aterros do país, não há tratamento adequado para o chorume.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Estudo supõe que metade da água da Terra seja mais antiga que o Sol...



Um estudo apresentado nesta quinta-feira (25) indica que metade da água do planeta talvez seja mais antiga do que o Sistema Solar, o que aumenta a possibilidade de existir vida fora de nossa galáxia, a Via Láctea.
Utilizando um sofisticado modelo que permite simular as fórmulas químicas entre as moléculas de água formadas no Sistema Solar e as que existiam antes, os pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, descobriram que entre 30% e 50% da água consumida hoje em dia é cerca de um milhão de anos mais antiga do que o Sol.
O trabalho, divulgado na revista americana Science, vai alimentar o debate sobre se as moléculas de gelo de água nos cometas e nos oceanos se formaram no disco de gás e poeira ao redor do jovem Sol há 4,6 bilhões de anos, ou se provêm de uma nuvem interestelar mais antiga.
“Determinando agora a parte antiga da procedência da água na Terra, podemos ver que o processo de formação de nosso Sistema Solar não foi único e que, portanto, os exoplanetas podem se formar nesses ambientes onde a água é abundante”, explicou Tim Harries, do Departamento de Física e Astronomia da universidade britânica e um dos autores da pesquisa.
Levando-se em consideração que a água é um elemento crucial para o desenvolvimento da vida na Terra, os resultados deste estudo podem sugerir que a vida existe em outro lugar mais além da nossa galáxia, ressaltaram os cientistas.
“Trata-se de um passo importante em nossa busca para saber se a vida existe em outros planetas”, afirmou Harries.
Os resultados “aumentam a possibilidade de que alguns planetas fora de nosso Sistema Solar (exoplanetas) contem com as condições propícias e recursos de água que permitam a existência de vida e sua evolução”, afirmou.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Suco de limão pode ajudar ESA a construir foguetes de maneira sustentável...



Pesquisadores da ESA (Agência Espacial Europeia) estão pesquisando as propriedades do ácido cítrico, encontrado no suco de limão, na preparação de aço inoxidável, material de extrema importância na fabricação de satélites e foguetes. Com a substância, eles querem desenvolver um método alternativo e ambientalmente sustentável para preparar o metal.
Antes de serem colocadas em uso, as peças feitas com aço inoxidável devem ser primeiro “passivadas”, ou seja, é preciso retirar sua camada superficial para remover quaisquer imperfeições ou contaminação que sobraram do processo de usinagem, que poderiam resultar em ferrugem.
Tradicionalmente, elas são banhadas em ácido nítrico, em uma etapa do processo que tem desvantagens ambientais e de segurança. O tratamento produz óxidos de nitrogênio, gases de efeito estufa e é potencialmente prejudicial aos trabalhadores.
Recentemente, o ácido cítrico tem sido visto pelos cientistas como uma alternativa verde para substituir o ácido nítrico. Para isso, um novo estudo realizado por iniciativa do projeto Espaço Limpo da ESA tem o objetivo de descobrir como essa substância poderia reduzir o impacto ambiental da indústria espacial, seja na Terra ou no espaço.
O estudo com o suco de limão envolverá ligas de aço inoxidável passivantes e componentes normalmente utilizados no setor espacial, avaliando seu processo de fabricação para, em seguida, submetê-los a uma gama de testes ambientais – incluindo corrosão sob tensão, teste de corrosão atmosférica e de laboratório, testes de aderência e fadiga mecânica – juntamente com uma análise metalúrgica completa. De acordo com os cientistas, é possível que em breve os foguetes que vão a Marte ou Saturno tenham passado por um “banho de limão”.
Descoberta do aço inoxidável – Em 1913, o metalúrgico Harry Brearley observou uma pilha de ligas de aço experimentais, rejeitadas por não serem fortes o suficiente. Ele notou uma delas brilhava tão forte como se fosse nova, o que contrastava com a ferrugem de todo o resto do material. Brearley tinha acabado de descobrir aço inoxidável.
Adição de cromo ao aço na proporção correta o impede de ficar escuro. Em vez de formar o óxido de ferro em reação ao ar e à água, o aço inoxidável constrói uma camada invisível e protetora de óxido de crómio.
Há um pouco mais de um século após sua descoberta, o aço inoxidável é largamente usado para fabricar desde talheres a espaçonaves – assim como foguetes e satélites. Nessa área, o aço inoxidável é comumente utilizado no armazenamento e manuseio de propulsores e resíduos, componentes de sistemas de proteção térmica e fixadores como parafusos de alta resistência. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Força-tarefa internacional fará diagnóstico sobre polinização no mundo...






Um grupo de 75 pesquisadores de diversos países-membros da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES, na sigla em inglês), que reúne 119 nações de todas as regiões do mundo, fará uma avaliação global sobre polinizadores, polinização e produção de alimentos.
O escopo do projeto foi apresentado na última quarta-feira (17) em São Paulo, no auditório da FAPESP, em um encontro de integrantes do organismo intergovernamental independente, voltado a organizar o conhecimento sobre a biodiversidade no mundo e os serviços ecossistêmicos.
“A ideia do trabalho é avaliar todo o conhecimento existente sobre polinização no mundo e identificar estudos necessários na área para auxiliar os tomadores de decisão dos países a formular políticas públicas para a preservação desse e de outros serviços ecossistêmicos prestados pelos animais polinizadores”, disse Vera Imperatriz Fonseca, do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Tecnológico Vale Desenvolvimento Sustentável (ITVDS), à Agência FAPESP.
“Já estamos conhecendo melhor o problema [da crise da polinização no mundo]. Agora, precisamos identificar soluções”, disse a pesquisadora, que coordena a avaliação ao lado de Simon Potts, professor da University of Reading, do Reino Unido.
De acordo com Fonseca, há mais de 100 mil espécies de animais invertebrados polinizadores no mundo, dos quais 20 mil são abelhas. Além de insetos polinizadores – que serão o foco do relatório –, há também cerca de 1,2 mil espécies de animais vertebrados, tais como pássaros, morcegos e outros mamíferos, além de répteis, que atuam como polinizadores.
Estima-se que 75% dos cultivos mundiais e entre 78% e 94% das flores silvestres do planeta dependam da polinização por animais, apontou a pesquisadora.
“Há cerca de 300 mil espécies de flores silvestres que dependem da polinização por insetos”, disse Fonseca. “O valor anual estimado desse serviço ecossistêmico prestado por insetos na agricultura é de US$ 361 bilhões. Mas, para a manutenção da biodiversidade, é incalculável”, afirmou.
Nos últimos anos registrou-se uma perda de espécies nativas de insetos polinizadores no mundo, causada por, entre outros fatores, desmatamento de áreas naturais próximas às lavouras, uso de pesticidas e surgimento de patógenos.
Se o declínio de espécies de insetos polinizadores se tornar tendência, pode colocar em risco a produtividade agrícola e, consequentemente, a segurança alimentar nas próximas décadas, disse a pesquisadora.
“A população mundial aumentará muito até 2050 e será preciso produzir uma grande quantidade de alimentos com maior rendimento agrícola, em um cenário agravado pelas mudanças climáticas. A polinização por insetos pode contribuir para solucionar esse problema”, afirmou Fonseca.
Segundo um estudo internacional, publicado na revista Current Biology, estima-se que o manejo de colmeias de abelhas utilizadas pelos agricultores para polinização – como as abelhas domésticas Apis mellifera L, amplamente criadas no mundo todo – tenha aumentado em cerca de 45% entre 1950 e 2000.
As áreas agrícolas dependentes de polinização, no entanto, também cresceram em mais de 300% no mesmo período, apontam os autores da pesquisa.
“Apesar de ter aumentado o manejo de espécies de abelhas polinizadoras, precisamos muito mais do que o que temos no momento para atender às necessidades da agricultura”, avaliou Fonseca.
O declínio das espécies de polinizadores no mundo estimula a polinização manual em muitos países. Na China, por exemplo, é comum o comércio de pólen para essa finalidade, afirmou a pesquisadora.
“Na ausência de animais para fazer a polinização, tem sido feita a polinização manual de lavouras de culturas importantes, como o dendê e a maçã. No Brasil se faz a polinização manual de maracujá , tomate e de outras culturas”, disse.
Falta de dados – Segundo Fonseca, já há dados sobre o declínio de espécies de abelhas, moscas-das-flores (sirfídeos) e de borboletas na Europa, nos Estados Unidos, no Oriente Médio e no Japão.
Um estudo internacional, publicado no Journal of Apicultural Research, apontou perdas de aproximadamente 30% de colônias de Apis mellifera L em decorrência da infestação pelo ácaro Varroa destructor, que diminui a vida das abelhas e, consequentemente, sua atividade de polinização nas flores, em especial nos países do hemisfério Norte.
Na Europa, as perdas de colônias de abelhas em decorrência do ácaro podem chegar a 53% e, no Oriente Médio, a 85%, indicam os autores do estudo. No entanto, ainda não há estimativas sobre a perda de colônias e de espécies em continentes como a América do Sul, África e Oceania.
“Não temos dados sobre esses continentes. Precisamos de informações objetivas para preenchermos uma base de dados sobre polinização em nível mundial a fim de definir estratégias de conservação em cada país”, avaliou Fonseca. “Também é preciso avaliar os efeitos de pesticidas no desaparecimento das abelhas em áreas agrícolas, que têm sido objeto de estudos e atuação dos órgãos regulatórios no Brasil.”
Outra grande lacuna a ser preenchida é a de estudos sobre interações entre espécies de abelhas polinizadoras nativas com as espécies criadas para polinização, como as Apis mellifera L.
Um estudo internacional publicado em 2013 indicou que, quando as Apis mellifera L e as abelhas solitárias atuam em uma mesma cultura, a taxa de polinização aumenta significativamente, pois elas se evitam nas flores e mudam mais frequentemente de local de coleta de alimento, explicou Fonseca.
De acordo com a pesquisadora, uma solução para a polinização em áreas agrícolas extensas tem sido o uso de colônias de polinizadores provenientes da produção de colônias em massa, como de abelhas Bombus terrestris, criadas em larga escala e inclusive exportadas.
Em 2004, foi produzido 1 milhão de colônias dessa abelha para uso na agricultura.
Na América do Sul, o Chile foi o primeiro país a introduzir essas abelhas para polinização de frutas e verduras. Em algumas áreas onde foi introduzida, entretanto, essa espécie exótica de abelha mostrou ser invasora e ter grande capacidade de ocupar novos territórios.
“É preciso estudar mais a interação entre as espécies para identificar onde elas convivem, qual a contribuição de cada uma delas na polinização e se essa interação é positiva ou negativa”, indicou Fonseca.
“Além disso, a propagação de doenças para as espécies nativas de abelhas causa preocupação e deve ser um foco da pesquisa nos próximos anos”, indicou.
Problema global – De acordo com Fonseca, a avaliação intitulada Polinizadores, polinização e produção de alimentos, do IPBES, está em fase de redação e deverá ser concluída no fim de 2015.
Além de um relatório técnico, com seis capítulos de 30 páginas cada, a avaliação também deverá apresentar um texto destinado aos formuladores de políticas públicas sobre o tema, contou.
“A avaliação sobre polinização deverá contribuir para aumentar os esforços de combate ao problema do desaparecimento de espécies de polinizadores no mundo, que é urgente e tem uma relevância política e econômica muito grande, porque afeta a produção de alimentos”, afirmou.
A avaliação será o primeiro diagnóstico temático realizado pelo IPBES e deverá ser disponibilizada para o público em geral em dezembro de 2015. O painel planeja produzir nos próximos anos outros levantamentos semelhantes sobre outros temas como espécies invasoras, restauração de habitats e cenários de biodiversidade no futuro.
Uma estratégia adotada para tornar os diagnósticos temáticos mais integrados foi a criação de forças-tarefa – voltadas à promoção da capacitação profissional e institucional, ao aprimoramento do processo de gerenciamento de dados e informações científicas e à integração do conhecimento tradicional indígena e das pesquisas locais aos processos científicos –, que deverão auxiliar na produção do texto final.
“O IPBES trabalha em parceria com a FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], Unep [Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente], CBD [Convention on Biological Diversity], Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura] e todos os esforços anteriores que trataram do tema de polinização”, afirmou Fonseca.
A polinização foi o primeiro tópico a ser escolhido pelos países-membros da plataforma intergovernamental, entre outras razões, por ser um problema global e já existir um grande número de estudos sobre o assunto, contou Carlos Joly, coordenador do Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade (BIOTA-FAPESP) e membro do Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES.
“Como já há um arcabouço muito grande de dados sobre esse tema, achamos que seria possível elaborar rapidamente uma síntese. Além disso, o tema tem um impacto global muito grande, principalmente por estar associado à produção de alimentos”, avaliou Joly.
Os 75 pesquisadores participantes do projeto foram indicados pelo Painel Multidisciplinar de Especialistas do IPBES, que se baseou nas indicações recebidas dos países-membros e observadores da plataforma intergovernamental.
Dois do grupo são escolhidos para coordenar o trabalho, sendo um de um país desenvolvido e outro de uma nação em desenvolvimento.
“O convite e a seleção da professora Vera Imperatriz Fonseca como coordenadora da avaliação é reflexo da qualidade da ciência desenvolvida nessa área no Brasil e da experiência dela em trabalhar com diagnósticos nacionais”, avaliou Joly. “Gostaríamos de ter mais pesquisadores brasileiros envolvidos na elaboração dos diagnósticos do IPBES.”

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Cidades se preparam para clima radical...





A certa altura, as autoridades municipais chegaram a considerar a possibilidade de destruir as ruas. Bangcoc estava em situação de desespero. Um dilúvio vindo do Norte, um desastre em câmera lenta que começou em julho com uma forte tempestade tropical, ameaçou tomar conta da capital tailandesa. As autoridades queriam deixar que as águas da enchente escoassem mais rápido para o mar.

No fim, as ruas foram poupadas, mas as enchentes transformaram um terço da metrópole em pântano e, meses depois, edifícios no centro da cidade ainda estavam cercados com sacos de areia.

Bangcoc é apenas uma entre muitas cidades cada vez mais expostas ao clima extremo, o qual os cientistas estão, pela primeira vez, associando explicitamente à mudança climática. As cidades são especialmente vulneráveis devido às suas elevadas concentrações de pessoas e ativos econômicos. 

Segundo estudo do Banco Mundial, os perigos induzidos pela mudança de clima são especialmente altos em países de baixa renda, onde cerca de 70 milhões de pessoas mudam-se a cada ano para áreas urbanas – e estas, muitas vezes, ainda não estão preparadas para os riscos futuros. 

"Cidades como Manila (Filipinas), Jacarta (Indonésia) e Calcutá (Índia) são núcleos vitais de crescimento econômico em mercados emergentes essenciais, porém a ocorrência de ondas de calor, inundações, falta de água e tempestades cada vez mais frequentes e mais violentas poderão muito bem aumentar à medida que a mudança climática se impuser", afirma Charlie Beldon, analista-chefe de meio ambiente para a empresa de análise de risco Maplecroft. 

Contudo, o clima extremo não poupa nem os ricos. Brisbane foi inundada no final de 2010; Nova Iorque fechou o metrô e evacuou 370 mil cidadãos por medo do furacão Irene, em agosto de 2011; e Gênova foi inundada após dias de chuva torrencial no último outono.

A catedral subterrânea de Tóquio
Isso definitivamente requer planos de ação que tornem as áreas urbanas mais resistentes. Mas para onde as cidades em rápida expansão devem olhar em busca de modelos de adaptação? 

Que tal Tóquio, capital de um dos países mais propensos a desastres em todo o mundo? Como bem definiu um jornalista alemão, a cidade é uma espécie de erro na história do assentamento humano, pois a maior área metropolitana do mundo é vulnerável a terremotos, tsunamis, ciclones e inundações. 

Seus edifícios resistentes a terremoto são mundialmente famosos, porém menos conhecido é o seu vasto sistema subterrâneo de drenagem, que é capaz de escoar 200 toneladas de água por segundo das ruas da cidade, dos estacionamentos e das linhas de metrô, drenando-as para o Oceano Pacífico. 

Tal como uma gigantesca catedral subterrânea, o sistema conhecido como "G-cans" é construído em torno de enormes cilindros verticais (30 m de largura e 60 m de altura) que conectam mais de 60 quilômetros de túneis. Trata-se de um feito incrível – e altamente eficiente – da moderna engenharia.

A obra também custou caro – mais de dois bilhões de dólares. E não há muitas cidades que podem bancar uma proteção tão sofisticada contra o clima extremo.

Soluções adaptativas
Apesar de tudo, a consciência internacional sobre a necessidade de soluções adaptativas é crescente. 

A gestão de risco não significa, necessariamente, enterrar bilhões de dólares em um único megaprojeto, como o sistema subterrâneo de Tóquio, as defesas anti-inundação da Holanda ou a barreira do Rio Tâmisa, em Londres. 

Existe um amplo conjunto de ações mais modestas que podem ajudar a adaptar as cidades às mudanças de clima e evitar os impactos de longo prazo sobre a saúde humana que podem surgir após um evento climático extremo. 

Sob os auspícios da campanha Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres (UNISDR, na sigla em inglês), as cidades estão aumentando seus esforços para se tornarem mais resilientes. Especialmente no mundo em desenvolvimento, elas não podem se permitir ficar por mais tempo à espera dos bilhões de dólares dos fundos ecológicos prometidos pelas nações ricas. 

Jacarta desenvolveu sistemas de alerta que informam seus cidadãos via SMS sobre enchentes prestes a acontecer. São Paulo identificou áreas de favelas que são propensas a deslizamentos de terra e requerem melhorias urgentes.

A Cidade do México definiu uma estratégia de ação climática local para reduzir as emissões de CO2 que inclui um plano de 15 anos, com medidas que abrangem desde a conservação do solo, espaços públicos e poluição do ar até a gestão de resíduos. 

Em uma escala mais ampla, o Estado indiano de Orissa, apesar de ser um dos mais pobres do país, está se tornando um modelo para outras regiões densamente povoadas e vulneráveis a terremotos, ciclones e enchentes.

Em cidades como Balasore, Bhadrak, Kendrapara e Puri, o órgão estadual para gestão de desastres coordena projetos custeados pelo Banco Mundial e voltados para a melhoria das práticas construtivas, dos sistemas de alerta e comunicação, além da construção de abrigos contra ciclones. 

Na América do Norte os cidadãos também estão se preparando para condições mais instáveis. Chicago, por exemplo, está tomando medidas prevendo um clima mais quente e úmido. Os planejadores urbanos estão projetando ruas que receberão calçamento com materiais permeáveis. 

Os locais mais problemáticos da cidade serão 'refrigerados' por meio da remoção do pavimento e da colocação de vegetação sobre os telhados. Todas as escolas públicas contarão com ar-condicionado. 

Conforme diz Aaron Durnbaugh, comissário adjunto do Departamento de Meio Ambiente de Chicago, em sua declaração ao New York Times: "A mudança climática está ocorrendo de modo real e dramático, mas também de forma lenta e onipresente. Nós podemos lidar com isso, mas precisamos reconhecer o problema... As cidades terão de se adaptar ou serão eliminadas."

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Plantas aumentam produtividade no ambiente de trabalho...




Esqueça os móveis caros e equipamentos cheios de funções: aumentar a produtividade no ambiente de trabalho é mais barato do que se imagina. Basta decorá-lo com plantas.

Uma pesquisa realizada pela Universidade de Queensland descobriu que um escritório decorado com plantas pode aumentar em até 15% a produtividade dos funcionários.

Este é o primeiro estudo nesse sentido para analisar os efeitos das plantas em um ambiente de trabalho em longo prazo, e ele também descobriu que essa medida melhorou a satisfação e a qualidade de vida dos empregados.

De acordo com o professor da Universidade de Queensland e co-autor da pesquisa, Alex Haslam, um escritório mais “verde” ajuda o profissional a ficar fisicamente, mentalmente e até emocionalmente mais envolvido em seu trabalho.

Realizado em parceria com as universidades de Cardiff, Exeter e Groningen, o estudo analisou o impacto de um ambiente enxuto e um com plantas nos funcionários em grandes escritórios comerciais no Reino Unido e na Holanda.

Os pesquisadores monitoraram os níveis de produtividade dos empregados por dois meses e também entrevistaram as pessoas para saber suas percepções sobre a qualidade do ar, concentração e satisfação no ambiente de trabalho.

Como resultado, eles se mostraram mais satisfeitos e afirmaram ter percebido melhor qualidade no ar nos ambientes em que haviam plantas.

Segundo Haslam, o retorno que uma empresa tem ao investir no paisagismo é uma equipe de trabalho mais satisfeita, com qualidade de vida, e também mais produtiva – algo que leva a melhores resultados para a companhia.

Ainda de acordo com o professor, as descobertas feitas na pesquisa desafiam filosofias empresariais modernas que sugerem que um ambiente enxuto traz mais produtividade.

Ao site UQ News, da Universidade de Queensland, Haslam afirma: “Os escritórios modernos ficaram mais enxutos para criar ambientes mais espaçosos. Nossas descobertas questionam essa teoria difundida de que menos é mais. Às vezes, menos é apenas menos”.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Verão terá chuvas acima da média, mas sem excessos...




A primavera no Brasil terá uma regularização de chuvas apenas a partir da segunda metade de outubro, enquanto o verão brasileiro verá precipitações acima da média na maior parte do país, mas em volumes que não deverão ser excessivos ao ponto de trazer uma folga aos reservatórios de água para o período seco de inverno, afirmou a Somar Meteorologia em projeção nesta quinta-feira.
As chuvas apenas um pouco mais volumosas do que a média no verão ocorrerão com influência de um fenômeno El Niño mais fraco, mas ainda assim serão benéficas para a agricultura e vão melhorar o nível dos reservatórios, cessando temporariamente conversas sobre racionamentos.
O verão de 2014 foi um dos mais secos da história recente do país, trazendo o fantasma da falta d’água para a região metropolitana de São Paulo e problemas com geração das usinas hidrelétricas.
“No próximo verão, vamos ter bons episódios de chuvas, contudo não será nenhuma maravilha, não é chuva que regulariza sistemas, mananciais… tanto no Sudeste quanto no Centro-Oeste. Mas serão chuvas muito melhores que no verão de 2014″, disse o meteorologista Marco Antonio dos Santos, da Somar.
Se o El Niño, que se caracteriza pelo aquecimento da superfície das águas equatoriais do Oceano Pacífico fosse forte, aí sim o centro-sul brasileiro teria chuvas expressivas, o que poderia dar folga aos reservatórios, enquanto o Nordeste sofreria com uma seca severa.
Embora se espere um verão mais chuvoso no país, a Somar não descarta alguns períodos curtos de estiagem e alerta que o Rio Grande do Sul pode ver proporcionalmente menos chuva do que outras regiões, com um El Niño mais fraco.
Para exemplificar, em algumas áreas do centro-sul do Brasil, o próximo verão poderia ter chuvas acumuladas de 500 a 700 milímetros, ante uma média histórica de 500 mm e apenas 200 mm do último verão, disse Santos.
A temporada mais quente do Brasil em 2015, em resumo, seria muito semelhante à de 2013.
Primavera – No padrão climático do atual El Niño, as chuvas da primavera, prestes a começar, vão chegar com grande irregularidade nos próximos 30 dias, para Centro-Oeste e Sudeste, ficando mais concentradas no Sul.
Isso afetará o plantio do arroz e prejudicará as lavouras de trigo, especialmente as mais tardias, no Rio Grande do Sul. No Centro-Oeste e Sudeste, até a regularização das chuvas, que deve ocorrer na segunda quinzena de outubro, o plantio das lavouras de verão, como soja, milho e feijão, além das hortaliças, será dificultado.
“Em São Paulo ainda chove um pouco melhor (no final de setembro), pois vamos ter a passagem de duas frentes frias, neste final de semana e no final de semana que vem, que trarão chuvas para o sul e leste de São Paulo, pegando um pouco do extremo sul de Minas Gerais”, projetou Santos.
Uma regularização antecipada de chuvas de primavera, que não virá como o esperado anteriormente, diante do El Niño fraco, seria importante para produtores de soja anteciparem o plantio com vistas em uma segunda safra de milho – e algodão em algumas áreas – semeada dentro da janela ideal de clima.
Mesmo assim, o plantio de soja da safra 2014/15 está começando em Mato Grosso, Estado que responde por cerca de 30 por cento da produção do grão no Brasil, o segundo produtor mundial atrás dos Estados Unidos.
Alguns produtores, portanto, estão arriscando plantar sem a regularização das precipitações, algo que não afeta as perspectivas gerais de uma safra recorde, com um forte crescimento de área e boa umidade esperada no verão.
Produtores de café e cana do centro-sul, afetados pela forte seca do início do ano e também por chuvas fracas nos últimos meses, também deverão ser beneficiados por maiores volumes de chuvas a partir de meados de outubro.
No caso do café, a colheita de 2014 está quase concluída, e os cafeicultores no maior produtor global esperam umidade para uma boa florada para 2015.
Na cana, chuvas antecipadas poderiam beneficiar o desenvolvimento da safra de 2015, embora possam afetar a parte final da moagem de 2014.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Cientistas vão explorar mar profundo onde computador mais antigo foi achado...




Arqueólogos começaram na segunda-feira (15) a usar um novo dispositivo revolucionário para explorar, em mares profundos, o local de um antigo naufrágio onde um dos objetos científicos mais notáveis da antiguidade foi encontrado: o mecanismo de Antikythera.
O artefato do século 2 a.C é conhecido como o mais antigo computador do mundo e foi descoberto por pescadores de esponjas na virada do século 20 nos arredores de uma ilha no mar Egeu. O dispositivo complexo de até 40 engrenagens de bronze era usado pelos antigos gregos para acompanhar os ciclos do sistema solar. Foram necessários mais de 1.500 anos para que um relógio astronômico com tecnologia semelhante fosse fabricado na Europa.
Os arqueólogos vão usar um novo equipamento de mergulho para alcançar o dobro da profundidade que geralmente conseguem atingir e permanecer, com segurança, por mais tempo nas profundezas do mar.
O Exosuit, construído no Canadá pela Nuytco Research, permitirá que os mergulhadores atinjam 150 metros de profundidade e ainda realizem tarefas delicadas, diz o arqueólogo grego Theotokis Theodoulou. “É um instrumento que expande nossas capacidades”, declarou o cientista à agência AFP.
O computador mais antigo do mundo foi encontrado nos destroços de um navio que aparentemente transportava riquezas para Roma. Os investigadores estão convencidos de que ainda é possível encontrar outras peças inestimáveis a bordo.
Os arqueólogos também esperam confirmar a presença de um segundo navio, que estaria provavelmente a cerca de 250 metros de distância do local da descoberta original.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Estudo com formigas avalia recuperação da Mata Atlântica...



Uma forma de verificar a saúde de um ecossistema é avaliar a variedade de espécies que nele vivem. Pesquisadores da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) valeram-se dessa premissa ao quantificar espécies de formigas de serapilheira em uma região entre as Bacias Hidrográficas do Alto Tietê e do Rio Itatinga, na cidade de Mogi das Cruzes, na divisa com Bertioga (SP).

Serapilheira é uma camada que mistura fragmentos de folhas, galhos e outros materiais orgânicos em decomposição, que fica sobre o solo das matas, formando húmus. O material abriga um rico ecossistema, composto por uma grande variedade de artrópodes, fungos e bactérias. Muitas espécies de formigas que constroem ninhos no solo visitam a região da serapilheira para coletar alimentos.

Ao contrário de formigas generalistas – como é o caso da maioria encontrada em ambientes urbanos –, as que vivem na serapilheira são em geral mais especialistas. Na serapilheira de florestas sem a interferência do homem, ocorrem diversas interações ecológicas que possibilitam a existência de outros pequenos animais que servem de alimento para as formigas.

No caso do estudo “Estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em cultivo extensivo da Eucalyptus grandis dunnil Maiden, em áreas de Mata Atlântica”, coordenado por Maria Santina de Castro Morini, da UMC, as formigas de serapilheira foram usadas como um marcador biológico para verificar a capacidade de recuperação de áreas uma vez cobertas por Mata Atlântica nativa.

Na região escolhida para a análise foram pesquisados três tipos de ambientes: áreas em que a Mata Atlântica foi retirada para a plantação de eucaliptos, ainda em atividade; áreas em que o plantio foi desativado entre 28 e 30 anos atrás por pressões conservacionistas ou dificuldade de manejo; e unidades de conservação (UC) com mata nativa.

Nas áreas nunca desmatadas, foi possível encontrar, por metro quadrado, cerca de 25 espécies de formigas de serapilheira – do total de mais de 200 existentes. Nas florestas de eucaliptos, por outro lado, o número não passou de cinco por metro quadrado. “Essa diferença se dá por vários fatores, mas principalmente porque as folhas de eucalipto se decompõem mais lentamente e têm altos teores de tanino, que é tóxico para muitos organismos que servem de alimento para as formigas”, disse Morini, professora do curso de Ciências Biológicas da UMC.

Já em regiões onde a plantação foi desativada há cerca de 30 anos e a Mata Atlântica voltou a ocupar espaço, a média encontrada foi de 18 espécies por metro quadrado – sinal de que a mata foi capaz de se recuperar, assim como a fauna da região. A pesquisadora escolheu estudar regiões em que a plantação estava desativada havia cerca de 30 anos - ehavia várias delas -, permitindo a obtenção de dados mais seguros (por serem coletados em mais de uma área).

Para fazer a contagem, Morini trabalhou de julho de 2010 a julho de 2013 especialmente na região da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê. Seu grupo de pesquisadores demarcava áreas de um metro quadrado de serapilheira – fosse em área de plantação de eucalipto, mata nativa ou plantação abandonada – e levava o material para o laboratório, onde as formigas eram contadas. Para cada área estudada foram retiradas seis amostras, totalizando 120 amostras de serapilheira.

Morini trabalhou em sintonia com um grupo de pesquisadores do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP) durante a realização dos projetos “Riqueza e diversidade de Hymenoptera e Isoptera ao longo de um gradiente latitudinal de Mata Atlântica – a floresta pluvial do leste do Brasil” e “Biodiversity of Isoptera and Hymenoptera”, sob a coordenação dos professores Carlos Roberto Ferreira Brandão e Eliana Cancello. “Toda a metodologia que usei foi discutida para que os resultados pudessem ser comparados. Eu participava das reuniões para aprender o desenho amostral e as técnicas de coleta que seriam usadas no projeto deles e assim fazer no meu”, contou Morini.

Estudo sobre a microbiota

Em outro trabalho, intitulado “Diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas de serapilheira em áreas de Mata Atlântica”, realizado também entre 2010 e 2013, a pesquisadora avaliou a diversidade de bactérias e de invertebrados e sua influência sobre a estrutura das comunidades de formigas.

A Mata Atlântica na região do Alto Tietê é protegida em áreas de barragens, unidades de conservação (UCs) e propriedades particulares. A pesquisa foi feita em fragmentos dessas áreas buscando avaliar o número de fungos e bactérias das amostras.

As áreas de floresta protegidas pelos órgãos públicos responsáveis pelas barragens e em propriedades particulares que valorizam o conservacionismo têm diversidade similar às UCs – indicando, segundo a pesquisadora, a importância dos fragmentos das barragens e das propriedades particulares para a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica. “Minha pesquisa mostra que não apenas as UCs são importantes para o Alto Tietê, mas também as demais áreas; é preciso criar incentivos para que elas não sejam desflorestadas”, diz Morini.

A microbiota, por meio da decomposição do material orgânico, possibilita a existência de outros invertebrados (acarinas e colêmbolos, por exemplo) que servem de alimento para as formigas. É de se esperar que onde há mais microrganismos também existam mais espécies de formigas. A comprovação da hipótese, no entanto, ainda precisa ser feita.

“Ainda não podemos afirmar nada sobre a associação da microbiota e a riqueza de formigas. Esperamos fechar em breve o modelo que foi proposto no projeto”, disse Morini.

Os resultados das duas pesquisas coordenadas por Morini devem ser publicados até o fim deste ano. “Por enquanto, estamos preparando um manuscrito para a Biological Conservation”, disse Morini.

Resultados parciais já renderam publicações como: Undecomposed twigs in the leaf litter as nest-building resources for ants (Hymenoptera: Formicidae) in areas of the Atlantic Forest in the southeastern region of Brazil, de Morini e outros, que pode ser lido na Psyche; Characterization of ant communities (Hymenoptera: Formicidae) in twigs in the leaf litter of the Atlantic Rainforest and eucalyptus trees in the southeast region of Brazil, de Morini e outros, que também está disponível na Psyche; e Occurrence and natural history of Myrmelachista Roger (Formicidae: Formicinae) in the Atlantic Forest of southeastern Brazil, de Morini e outros, publicado na Revista Chilena de Historia Natural.

Imagens

Durante suas pesquisas, Morini fotografou em laboratório e catalogou 235 espécies de formigas que vivem no Alto Tietê, no âmbito do projeto “Coleção biológica da fauna de formigas do Alto Tietê: organização de um acervo fotográfico”.

O resultado poderá ser visto em um catálogo com previsão de publicação para abril de 2014. Além das fotos, haverá textos contextualizando o ambiente em que essas formigas vivem, escritos por vários colaboradores, como Ramon Luciano de Melo, da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), e Jacques Delabie, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac).

A publicação abordará as coleções biológicas e a conservação da biodiversidade. O catálogo está sendo organizado por Morini; Silvia Sayuri Suguituru, também da UMC; Rodrigo Feitosa, da Universidade Federal do Paraná (UFPR); e Rogério Rosa Silva, pesquisador do Museu Paraense Emílio Goeldi. “Quero mostrar para todos, não apenas para os estudiosos, que a formiga é bonita morfologicamente. Ela não é uma praga e ajuda a área de mata. Com essa conscientização, espero que a sociedade ajude a protegê-las também”, diz Morini.

Morini estuda as formigas de serapilheira há mais de uma década e parte das conclusões a que chegou por meio de outros projetos também está no livro Serra do Itapeti: aspectos históricos, sociais e naturalísticos (Canal 6 Editora), organizado por ela e por Vitor Fernandes Oliveira de Miranda, e lançado em 2012.

Os 1.500 exemplares da obra foram distribuídos gratuitamente a instituições de ensino do Alto Tietê e ONGs. Está disponível para download em www.canal6.com.br/site/download. O livro ajuda a fomentar novas discussões sobre o assunto. De acordo com a pesquisadora, os dados sobre biodiversidade que a obra traz estão sendo usados para a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) da Serra do Itapeti, na região de Mogi das Cruzes.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Energia: Um futuro renovável...



Se assumirmos que a civilização humana existirá por pelo menos mais mil anos, então certamente chegaremos um sistema de energia 100% renovável. Todas as reservas existentes de combustíveis fósseis e aquelas ainda não descobertas destes fósseis e de minerais radioativos acabarão por se esgotar até lá ou serão caras demais para serem extraídas.

Os formuladores de políticas muitas vezes agem como se tivéssemos todo o tempo do mundo. Infelizmente não temos.

Como a ciência mostra claramente, as emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa devem atingir seu máximo e começar a declinar em menos de uma década [1] se quisermos manter o teto de 2°C para o aumento da temperatura média global, meta com a qual se comprometeram os governos de 192 países membros da Convenção Clima das Nações Unidas (UNFCCC).

Como mostra claramente o relatório sobre impactos climáticos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) lançado em março deste ano [2], acima de 2°C de aumento da temperatura média global a civilização humana tal como a conhecemos (sem mencionar o resto da biosfera) estará em sérios apuros.

Assim, a pergunta não é mais “se” teremos um futuro com 100% de energia renovável, mas sim “como?” e, ainda mais importante, “quão rápido podemos fazer isso?” e “quanto isso vai custar?”.

“Não precisamos gastar os olhos da cara salvando o planeta”, disse o co-presidente do Grupo de Trabalho III do IPCC Ottmar Edenhofer ao apresentar o capítulo “mitigação” do relatório do IPCC em Berlim, em abril passado [3]. Baseados no que agora sabemos, atingir metas climáticas rigorosas custará algo próximo a 0,06% do crescimento anual do PIB durante o resto do século, e isso sem levar em conta as vidas que serão salvas ou muito dos danos climáticos evitados. E sem levar em conta, também, a queda drástica dos custos da energia solar e da energia dos ventos dos últimos 2 ou 3 anos.

Mas as energias renováveis podem dar sua importante contribuição por conta própria? Hoje? Não. Amanhã? Por que não?

Enquanto não é difícil encontrar especialistas que afirmam que as energias renováveis não podem alimentar totalmente nossos sistemas de energia, são poucas as análises que sustentam estas declarações. Ouve-se geralmente algo como “o que você faz quando o Sol não brilha ou o vento não sopra?” acompanhado de justificativas para a utilização da tecnologia favorita do especialista, seja ela nuclear, “carvão limpo”, captura e armazenamento de carbono (CCS) ou alguma outra variação do sistema de energia que nos meteu nesta bagunça climática.


Eles convenientemente esquecem que as fontes hídrica, biomassa, solar térmica, geotérmica são tão variáveis quanto a energia dos ventos e a solar fotovoltaica. Esquecem-se que o Brasil, a Noruega e a Nova Zelândia têm sua oferta de eletricidade quase 100% renovável, e que a Dinamarca, a Suécia e outros países estão se movendo nessa direção.

Esquecem-se que com redes de transmissão de ampla cobertura e potência a energia pode ser levada com eficiência de uma região a outra e esquecem o crescente movimento de proprietários de habitações e de empresas pela autossuficiência de suas edificações, principalmente por meio da instalação de sistemas descentralizados de geração de energia solar fotovoltaica e de outras tecnologias de pequena escala cujos custos caíram drasticamente nos últimos anos.

Com armazenamento suficiente (por bombeamento de água, ar comprimido, baterias, células de combustível etc.), usinas renováveis e despacháveis suficientes e com eficiência energética, conservação de energia, redes inteligentes e sistemas de gestão da demanda, certamente é tecnicamente viável alimentar nossa economia com 100% de energia renovável, como várias simulações feitas em diferentes partes do mundo têm mostrado.

Além disso, nos países de grande penetração de fontes renováveis, como a Dinamarca por exemplo, se observa uma participação muito maior da energia elétrica no sistema de energia total, não só para o transporte, mas para o aquecimento também.

O fato é que um futuro 100% renovável é tecnicamente viável, e terá baixo ou nenhum impacto negativo sobre o PIB, especialmente quando se for considerada a economia de combustível envolvida na maioria dos casos e a necessária remoção de US$650 bilhões ao ano - ou mais - em subsídios à produção e ao consumo de combustíveis fósseis. A questão é saber se é politicamente viável.

Nós realmente temos muito pouco tempo para agir antes que a situação climática passe de mal a catastrófica, o que pode fazer com que a tomada de decisões saia das mãos de governos democraticamente eleitos para as dos serviços de emergência e até, nos piores casos, das forças armadas.

Os elevados custos de capital necessários para investimento em um futuro renovável serão mais do que pagos pela economia de combustível, sem mencionar todas as outras economias que serão obtidas pela redução de despesas em campos de refugiados, diques e combate a incêndios. No entanto, a verdadeira questão não é se podemos ou não pagar. Nós claramente não poderemos pagar pelos custos da inação... e não temos muito tempo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Acordos de lâmpadas e embalagens passam por consulta pública...








As minutas de acordos setoriais para a Logística Reversa de lâmpadas e embalagens em geral entrarão em consulta pública a partir do dia 15 de setembro. O Comitê Orientador para a Implementação da Logística Reversa (CORI) aprovou, em julho, as duas propostas que receberão contribuições da sociedade pela internet. As portarias que lançam as consultas foram publicadas na segunda-feira (8) no Diário Oficial da União (DOU).
As consultas públicas terão duração de 30 dias e as sugestões, que devem ser identificadas, objetivas e fundamentadas, serão encaminhadas por meio do formulário eletrônico disponível no site do Governo Eletrônico. O secretário de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ney Maranhão, explica que este é o momento da sociedade contribuir com proposições que aperfeiçoem o texto dos acordos. ”A consulta pública representa uma importante fase que precede a formatação final do acordo a ser celebrado entre o MMA e os responsáveis pela sua implantação, pois permite que a sociedade se manifeste com sugestões e observações destinadas a melhorar algum aspecto do texto”, afirma.
Texto final – As contribuições serão apreciadas por uma equipe técnica do MMA, para verificar, inclusive, se estão em conformidade com a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Depois serão submetidas ao CORI para aprovação final. Após a manifestação do CORI, será fechado o texto final do acordo, seguida da assinatura pelo MMA e todos os setores envolvidos.
O comitê é formado por representantes dos ministérios do Meio Ambiente, Saúde, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Agricultura e Abastecimento e Fazenda. Seu objetivo é definir as regras para a implantação da logística reversa, que garantirá retorno dos resíduos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reutilizado) à indústria, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos.
Propostas - Os acordos setoriais preveem responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e propicia que esses materiais, depois de usados, possam ser reaproveitados. Os dois acordos de embalagens e lâmpadas foram aprovados após negociações com representantes dos setores, desde a elaboração do edital de convocação em 2012. Eles são válidos por dois anos contados a partir da sua assinatura. Ao final desse período, deverão ser revisados a fim de incorporar os ajustes que se fizerem necessários para o seu bom funcionamento e a sua ampliação para o restante do País.
A minuta da proposta de acordo das lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, é uma versão consolidada de duas propostas inicialmente apresentadas que foram unificadas e adequadas aos termos do edital. No caso das embalagens em geral (vale lembrar que para as embalagens de agrotóxicos e óleos lubrificantes já existem acordos específicos), a minuta da proposta de acordo é assinada por 20 entidades representativas de comerciantes e fabricantes, além da participação dos catadores de material reciclável.
De acordo com a PNRS, logística reversa é um instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação. A lei dedicou especial atenção ao tema e definiu três diferentes instrumentos que poderão ser usados para a sua implantação: regulamento, acordo setorial e termo de compromisso.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Licença Ambiental: Proteção e obstáculo...



Toda atividade que tenha um impacto potencialmente danoso ao meio ambiente precisa de um licenciamento ambiental. Este é basicamente uma autorização de funcionamento expedido por um órgão de controle competente – municipal estadual ou federal – que permite o funcionamento do empreendimento, desde que seus proprietários cumpram determinadas exigências. Até aqui tudo claro: ninguém pode exercer uma atividade sem levar em consideração seu impacto ao entorno, seja urbano, rural ou natural.
Licenciamento ambiental é a maneira das administrações controlarem as atividades econômicas, de forma que não prejudiquem o meio ambiente. A agência ambiental exige que já na fase de projeto, sejam previstas tecnologias que aplicadas reduzam o impacto do empreendimento ao meio ambiente. Assim, ao invés de permitir, por exemplo, que fábricas se estabeleçam em qualquer lugar e funcionem sem atentar para seus efluentes, resíduos e fumaça – como no Brasil foi comum em passado recente –, a lei requer que mesmo antes de operar a indústria já tenha previsto um tratamento adequado destas emissões. Para isto são estabelecidos procedimentos e padrões que regulam a maneira como o empreendimento deve se estabelecer e a forma como, depois de aprovado, deve funcionar.
É importante que o país tenha uma legislação ambiental que determine como e em que condições um empreendimento deve operar, no que se refere ao seu impacto ambiental. Loteamento popular, indústria automobilística, fazenda, usina hidrelétrica, mineração, hospital público; para cada atividade econômica existe um conjunto de normas técnicas e providências a serem consideradas antes e durante a atividade econômica. A licença ambiental é o atestado emitido pela pelo órgão ambiental (que nesta situação atua como controle da sociedade), permitindo o funcionamento do empreendimento.
Um instrumento que foi criado para proteger o meio ambiente e os recursos naturais, pode ter se transformado também em obstáculo à expansão da infraestrutura e das atividades econômicas. Segundo pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), as licenças ambientais são ordenadas direta e indiretamente por cerca de 30 mil diferentes instrumentos legais, no âmbito federal, estadual e municipal. Mais grave ainda é que as leis, decretos, portarias e resoluções muitas vezes são contraditórias, conflitando e provocando um emaranhado jurídico equivalente ao que já existe no direito tributário – vale lembrar que atualmente o país tem mais de 181 mil leis, uma verdadeira Babel jurídica. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sapo no leite? Método de conservação utilizado antigamente é explicado cientificamente...



Antes da invenção da geladeira, alguns povos da Rússia e da Finlândia tinham o hábito de colocar um sapo dentro do recipiente de armazenamento do leite. Essa prática perdurou até metade do século XX em algumas áreas rurais, mas ninguém sabia explicar o porquê dessa prática; só sabiam que dava certo.

Agora, a ciência explica que as peles de algumas espécies de sapos e rãs produzem peptídeos antibióticos. Esses peptídeos impedem que o leite azede sem a refrigeração e, ao serem ingeridos junto com leite pelo ser humano, protegem o organismo da pessoa de ser infeccionado pelas bactérias que ainda estão ali presentes no líquido.

Em 2010, pesquisadores dos Emirados Árabes Unidos relataram, em publicação científica, a descoberta de mais de 100 substâncias antibióticas nas peles de sapos e rãs de todo mundo. Elas os protegem contra as bactérias dos habitats úmidos, local onde vivem. Dentre elas, foi descoberta uma substância que poderia ser usada no combate de uma superbactéria chamada “iraqibacter”. Essa infecção tem sido resistente a drogas e é conhecida por afetar os soldados feridos no Iraque. A doença pode ser combatida com um composto encontrado na pele de um sapo nativo da América do Norte. "Pele de rã é uma excelente fonte potencial de tais agentes antibióticos", disse o principal autor da pesquisa, Michael Conlon, em um comunicado sobre o estudo. "Eles têm uma evolução de 300 milhões anos, então tiveram muito tempo para aprenderem a se defender contra os micróbios causadores de doenças no ambiente. Seu próprio ambiente inclui águas poluídas, local no qual fortes defesas contra patógenos são uma obrigação."

A espécie Rana temporaria, que habita a região da Eurásia, no hemisfério norte, até o círculo polar Ártico, tem sido pesquisada pela Universidade de Moscou por ter sido a espécie mais comumente utilizada para a conservação do leite. Eles identificaram 97 antibióticos a partir dela, inclusive contra a Salmonella e o Staphylococcus.

Outras espécies de anfíbios também podem atrasar a deterioração do leite, mas isolar esses peptídeos para fazer medicamentos é um pouco mais complicado. Os sapos e rãs também contém substâncias tóxicas para os humanos e os cientistas ainda não conseguiram isolar a fórmula molecular correta.

É sabido que, muitas vezes, essa atenção toda com relação aos sapos significa problemas para a vida selvagem, mas os pesquisadores afirmam que a busca por antibióticos é sustentável. "Nós realmente só usamos os sapos para obter a estrutura química do antibiótico e então fazê-la no laboratório", diz Conlon. "Tomamos muito cuidado para não prejudicar essas criaturas delicadas e devolvê-las à vida selvagem após esfregar a pele para as secreções preciosas". Mas isso não significa que esses anfíbios estão a salvo. Quase um terço de todas as espécies de anfíbios conhecidas estão ameaçadas de extinção, segundo a Lista Vermelha da IUCN, classificando-os entre os animais mais ameaçados do planeta. As principais ameaças incluem perda de habitat, espécies invasoras, doenças infecciosas, alterações climáticas, pesticidas e poluição, bem como a colheita de alimentos e do comércio de animais.

Mas, voltando ao "sapo no leite", graças à ciência moderna, agora é sabido como o método funciona e o por quê. É claro que, a ciência também nos ensinou sobre doenças zoonóticas, portanto, conservar o leite junto com sapos e rãs não é muito recomendável, a não ser que seja uma questão de sobrevivência.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Pesquisa utiliza mapeamento geográfico para análise do manejo florestal...



Uma pesquisa está identificando áreas para o manejo florestal comunitário. Com o tema: “Sistema de Informação Geográfica Aplicado no Manejo Florestal de Unidades de Conservação”, será criado um banco de dados geográfico que vai contribuir na tomada de decisão de políticas públicas.
O estudo deve fazer parte do trabalho de doutorado, desenvolvido pela Mestre em Geografia Marilene Alves da Silva, que é vinculada ao Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Amazonas, Ifam.
O Sistema de Informação Geográfica foi empregado como ferramenta para monitoramento e manejo florestal em Unidades de Conservação, permitindo o gerenciamento dos dados e análises geográficas precisas.
“O mapeamento das áreas de manejo florestal foram digitalizados em um software com base no mosaico de imagens de satélite sensor TM (Thematic Mapper) do Landsat-5 da área da reserva, o trabalho permitiu a realização dos levantamentos de coordenadas geográficas por meio do Sistema de Posicionamento Global (GPS) em áreas de uso florestal”, afirmou a pesquisadora.