terça-feira, 19 de setembro de 2017

Fortaleza terá primeira ciclovia-modelo do Brasil...



Os ciclistas de Fortaleza terão um novo espaço de trânsito na capital a partir de um projeto-piloto elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ministério das Cidades e a prefeitura da capital. A ciclovia-modelo, de 7 quilômetros, vai passar pelas avenidas Coronel Carvalho e Radialista José Lima Verde, no lado oeste da cidade, duas das mais movimentadas da região e que cortam quatro bairros.

O projeto-piloto faz parte do Programa de Mobilidade de Baixo Carbono, elaborado após o Acordo de Paris, firmado pela comunidade internacional para combater as alterações climáticas no mundo, e o compromisso do Brasil de reduzir as emissões de carbono até 2030. Brasília, Belo Horizonte e São Paulo também fazem parte do programa e serão responsáveis pela elaboração do caderno técnico de referência em mobilidade por bicicleta.

O estudante de biblioteconomia Ivan Ribeiro, de 35 anos, que pedala com frequência nas duas vias para ir ao trabalho, tem a bicicleta como principal meio de transporte na cidade. “Atualmente, há trechos dessas avenidas em que é relativamente tranquilo pedalar. Em outros, as pistas são estreitas, e é difícil dividir o espaço com os carros. Eu não me sinto totalmente seguro, pois esses trechos complicados são maioria.”

Fortaleza receberá a ciclovia-modelo por já ter uma ampla malha cicloviária, de 214 quilômetros, e contar com o Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI). Atualmente, os dois programas de bicicletas compartilhadas ativos na cidade (o Bicicletar, que dá uma hora de uso gratuito, e o Bicicleta Compartilhada, que permite passar 14 horas com o veículo) disponibilizam aos ciclistas mais de mil unidades. Somente o Bicicletar registra mais de 1,5 milhão de viagens desde sua implantação, em 2014.

“Com esta ciclovia e o caderno técnico de referência, planeja-se criar um benchmark [processo de comparação de produtos, serviços e práticas empresariais], para todo o país, do planejamento e construção de uma ciclovia que promova a mobilidade urbana sustentável”, afirma Karisa Maia Ribeiro, especialista sênior em transportes do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

Um dos critérios usados para escolher as avenidas que receberão a ciclovia-modelo foi a possibilidade de integração com outras ciclovias e ciclofaixas existentes na região. Segundo o coordenador de Gerenciamento de Programas e Projetos da Secretaria da Infraestrutura de Fortaleza, os 7 quilômetros do projeto-piloto vão se somar a cerca de 20 quilômetros da estrutura para trânsito de bicicletas já existente, integrando, inclusive, o trecho da orla da Avenida Vila do Mar, no litoral oeste de Fortaleza.

“Acreditamos que, com segurança e com toda essa infraestrutura instalada, as pessoas vão mudar sua forma de deslocamento, optando por veículos não motorizados. Isso é um movimento em todo o país e, com esse investimento, pensamos que estamos mudando uma realidade”, disse Daher.

Obra custará US$ 1,5 milhão

A construção da ciclovia-modelo vai custar US$ 1,5 milhão, e a obra deve começar em fevereiro do ano que vem. O projeto está sendo elaborado pela prefeitura da capital cearense em conjunto com uma consultoria especializada e vai passar ainda por consulta pública para receber sugestões da população.

Com a experiência de quem pedala nas avenidas, o estudante Ivan Ribeiro pergunta como vão ficaras muitas árvores que existem nessas vias. “Tem muitas árvores no canteiro central das avenidas. Eu me pergunto se vão tirá-las, pois sou contra a derrubada de árvores para fazer ciclofaixas." Ele disse que também é preocupante o fato de essas vias não serem tão largas. "Querendo, ou não, existe o debate de que se tira o espaço do carro. Isso incomoda os motoristas e acaba gerando conflitos no trânsito.”

André Daher, entretanto, observou que a experiência de Fortaleza e de outras cidades brasileiras em termos de convivência entre carros e bicicletas vai trazer, por meio do caderno técnico, deve contribuir para o surgimento de soluções que tornem as vias mais seguras e o convívio com entre os usuários, mais tranquilo.

“Aqui na cidade, por exemplo, temos muitas ciclovias na área periférica, mas não há em todas elas o nível de conflito que há nas avenidas escolhidas para o projeto-piloto, que ficam em uma área bastante adensada. Haverá soluções com o maior número de dispositivos para garantir a segurança do ciclista”, acrescentou Daher. Ele destacou o aumento da sinalização e as travessias sobre canteiros e passeios.

Para Karisa, a adequação das cidades, já muito estruturadas para os veículos motorizados, para receber a bicicleta como modal de transporte, ocorre exatamente por meio de iniciativas que beneficiam a população com alternativas de mobilidade. Ela disse que também são fundamentais para mudar a forma de locomoção das pessoas nas cidades a prioridade ao transporte não motorizado e ao transporte público coletivo e a capacitação e a disseminação do conhecimento sobre planejamento da mobilidade urbana de baixo carbono.

Lançada em julho deste ano, a Política de Desenvolvimento Urbano de Baixo Carbono de Fortaleza prevê redução de 20% Gás de Efeito Estufa (GEE) até 2030. A prefeitura estima que, desde 2012, a capital já conseguiu reduzir a emissão desses gases em 4%.

Fonte: Agencia Brasil

Em tribo no Maranhão, índias amamentam animais...




Os awá-guajá são uma das últimas tribos nômades das Américas. Em sua reserva, no noroeste do Maranhão, eles mantêm a a tradição de contato próximo com os animais. O filhote de cutia é alimentado com o fruto do babaçu. E o de macaco é amamentado pelas índias.

"O awá-guajá é um povo muito único. E essa relação que eles têm com o bicho, ele passa a ser membro da família", conta Bruno Fragoso, coordenador de Índios Isolados da Funai. A índia Tapanií explica que quando o macaco órfão que ela adotou ficar maior e mais agressivo, ela o soltará na mata. É na floresta que a vida dos awá-guajá se renova e também corre risco no encontro com invasores.

"O maior medo que eles têm é a doença que às vezes contraem no contato com a gente. E o segundo medo é pensar que é inimigo, pistoleiro, esse povo que vem invadindo as terras.", explica Patreolino Garreto Viana, auxiliar de campo da Funai. Imoin tem o medo estampado no rosto e, no braço, uma marca de bala. O filho dela conta que a emboscada aconteceu quando ela fazia coleta na mata.

O perigo do encontro com invasores, caçadores e madeireiros é grande, mas o espírito nômade dos awá-guajá é muito forte e mesmo os que moram nas aldeias passam boa parte do tempo na mata.

Uma família que passou dias na floresta volta trazendo caça e vários litros de mel. Macaripitã conta que foi ela que enxergou a colméia. Aqui é assim, mulher boa para casar é aquela que sabe ver e ouvir a natureza. Ser prendada também conta, dizem os rapazes da aldeia.

"Aí a mulher sabe fazer a saia dele também, como ele usa, como ela usa, sabe cozinhar também, como a gente come”, descreve Manaxika, líder da aldeia. A sabedoria dessas mulheres é fruto da relação que elas têm com a natureza e com as tradições: o melhor jeito de subir na árvore, de limpar e preparar o peixe, de cortar o cabelo com lascas de taquara afiada. Os cestos, os enfeites, as redes e roupas da palha do tucum. Dar conforto e beleza para a tribo é função das mulheres awá-guajá.


As jovens se casam assim que menstruam. Novinhas já tem muitos filhos. Parapiñam tem quatro e mais um a caminho. O isolamento da aldeia awá só é vencido quando aparece alguém de carro. Foi a sorte de uma índia grávida com hemorragia, que Bruno Fragoso, o novo coordenador do grupo de índios isolados da funai a levou para a cidade de santa inês. No hospital precário nasceu mais um awá-guajá.

A ameaça é terrivelmente visível para os awás e para as outras etnias da região. Imagens de satélite mostram que os 820 mil hectares de terras indígenas demarcadas no Maranhão estão sendo devastadas sem dó.

“Os awá-guajá, no processo de aceleração de invasão em que se encontram, se não houver ação rápida e emergencial, o futuro desse povo é a extinção”, explica Bruno Fragoso, da Funai .

Fonte: Site G1

Máquina planta centenas de mudas em poucos minutos...




Uma máquina revolucionária que reduz em muito o tempo para plantação. É incrível o quão rápido ela é capaz de criar uma verdadeira fazenda urbana, o que levaria horas agora pode ser feito em minutos. A criação é de uma dupla de empresários com sede na cidade de Vista, condado de San Diego, na Califórnia (EUA).

Chamada de Paperpot Transplanter, a máquina permite plantar 264 mudas em uma área equivalente a mais de 25 metros em alguns minutos. Além disso, outra vantagem é a autonomia, uma vez que todo esse trabalho pode ser feito por apenas uma pessoa.

Os criados da tecnologia, Curtis Stone e Diego Footer, trabalharam juntos ao longo dos últimos anos em vários projetos para um podcast de agricultura urbana. Durante esse período, conversaram com centenas de pequenos agricultores e perceberam que um dos maiores problemas que eles enfrentavam era a falta de tempo.

“Acreditamos que muitos agricultores perdem tempo demais com processos, sistemas e tecnologia que não funcionam tão bem como poderiam. Quando seu maior recurso como fazendeiro é o seu tempo, por que desperdiçá-lo?”, questiona a dupla em seu site.

Um vídeo muito compartilhado na internet mostra Curtis plantando mudas de manjericão em uma área de mais de 15 metros. O trabalho que demoraria uma hora, no método comum, foi realizado em apenas sete minutos.

Com a máquina é possível plantar uma variedade de culturas, ervas em geral, cebolas, rabanetes, ervilhas. A tecnologia também promete ajudar a diminuir a perda de colheitas.


Fonte: Site Águas de Pontal

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Empresa africana quer abastecer Europa com energia solar do Saara...



Uma companhia de energia da Tunísia, país africano, está estudando uma maneira de construir um parque solar de 4.5GW no deserto do Saara para abastecer três países europeus via cabos submarinos.

Este, segundo o The Guardian, é maior projeto de exportação de energia em desenvolvimento.
Itália, França e o arquipélago de Malta seriam os beneficiados segundo o projeto da empresa TuNur.

A ideia é começar por Malta, até 2021. No ano seguinte, o primeiro de dois cabos chegaria à Itália e a conexão francesa seria realizada até 2024.

A companhia estima que, com torres de até 200 metros de altura, a energia solar do Saara poderá abastecer até dois milhões de residências europeias.

Outro ponto, é a criação de 20 mil postos de trabalho. O número inclui a desenvolvedor solar com sede em Londres, Nur Energie, além dos desenvolvedores tunisinos e malteses.

Chafik Ben Rouine, porta-voz do Observatório Econômico da Tunísia, questionou a credibilidade da companhia levando em consideração o portfólio de projetos pequenos até então. Agora, depende do governo do país da África do Norte aprovar ou não o projeto.

Fonte: Site Águas de Pontal

No Quênia, empresa produz carvão de cocô (mais barato, eficiente e sustentável) para substituir carvão mineral...



O carvão ainda é a fonte majoritária de energia em muitos países, principalmente nas nações em desenvolvimento. Afinal, não é todo lugar que é abençoado como o Brasil e possui recursos naturais de sobra para geração energética. No Quênia não é diferente: 80% de toda energia é gerada por meio de carvão e madeira.

Eis que a Nakuru Serviços de Água e Saneamento, empresa fundada no país, passou a oferecer uma alternativa viável, barata, mais eficiente e menos poluente do que o carvão à população: dejetos humanos. Isso mesmo, o cocô!

A ideia resolve, de uma vez só, dois grandes problemas de nações em desenvolvimento: geração de energia e saneamento básico – que especialmente no Quênia ainda é muito precário e gera uma porção de doenças urbanas.

O cocô é um recurso abundante, cheio de “energia”, desperdiçado e descartado diariamente. Um simples processo de compostagem ou ainda um biodigestor já são suficientes para garantir um destino muito mais nobre (e útil!) a ele. Já o carvão é responsável por boa parte das emissões de gases de efeito estufa que poluem nosso planeta, além de ser um recurso não-renovável. Ou seja… Não tem como a ideia da Nakuru dar errado!

Caminhões de esgoto de sistemas sépticos e latrinas de poço são encaminhados para as estações de tratamento da empresa, que deixa secar no sol os dejetos humanos a uma temperatura de 300ºC. Durante o processo de carbonização, adiciona-se serragem ao material. O resultado é pulverizado em um moinho de martelo e misturado com melaço para ganhar formato redondo.

Um quilo do material custa o equivalente a R$ 1,50. Além da queima ser mais limpa do que a de carvão e livre de qualquer odor, ela é mais eficiente, pois dura mais tempo queimando. Duas toneladas são produzidas todos os meses pela empresa e a meta é aumentar o potencial para 10 toneladas até o final do ano. Quem aí toparia fazer um churrasco com carvão de cocô?

Por Jéssica Miwa

Mãe do Gael, Googler, jornalista e cofundadora do The Greenest Post. Acredita em pequenas ações que podem mudar o mundo.

Fonte: Site Águas de Pontal

Parem de falar da ameaça das mudanças climáticas: é aqui e agora, já está acontecendo!




Furacão Harvey, furacão Irma, incêndios em nuvem de vapor (flash fires), secas: tudo isso nos diz a mesma coisa – precisamos repensar imediatamente a maneira como vivemos. Para que possamos abordar o assunto de forma adequada, vamos limitar a discussão a apenas um continente e uma semana: a América do Norte ao longo dos últimos sete dias.

Em Houston, começava o trabalho, árduo e nada romântico, de recuperação daquela que os economistas anunciam como sendo provavelmente a tempestade que causou o maior prejuízo na história dos Estados Unidos, e que os meteorologistas confirmaram como sendo o evento de maior precipitação já mensurada no país – em boa parte da sua trajetória, o furacão Irma foi uma tempestade do tipo que acontece uma vez a cada 25 mil anos, o que quer dizer 12 vezes o tempo entre agora e o nascimento de Cristo. Em pontos isolados, sua intensidade foi algo que acontece uma vez a cada 500 mil anos, ou seja, algo apenas visto quando ainda vivíamos em árvores. Enquanto isso, São Francisco não só quebrava seu recorde de temperatura máximacomo esse recorde era superado em 3ºC, o que deveria ser estatisticamente impossível em uma cidade com 150 anos (ou seja, 55 mil dias) de registro de temperatura..

A mesma onda de calor quebrava recordes em toda a costa oeste, exceto nos lugares em que nuvens de fumaça geradas por imensos incêndios florestais faziam sombra – depois que um incêndio florestal conseguiu cruzar o enorme rio Columbia, indo do Oregon até Washington, moradores do Pacífico Noroeste relataram que a nuvem de cinzas era tão densa que lembrava a erupção do Monte St. Helens, em 1980.

Um pouco mais adentro do continente, a mesma onda de calor causava uma “seca ao longo do cinturão do trigo em Dakota do Norte e Montana – a evaporação causada pelas temperaturas recorde encolheu os grãos ainda na espiga, chegando ao ponto de alguns fazendeiros acharem que sequer valeria a pena colhê-los. No Atlântico, como sabemos, o furacão Irma avançava furiosamente sobre as ilhas do Caribe (“É como se alguém com um cortador de grama vindo do céu estivesse passando por cima da ilha”, disse, chocado, um morador de St. Maarten). No momento, essa tempestade – a primeira de categoria 5, em cem anos, a atingir Cuba – está avançando sobre a costa oeste da Flórida depois de atingir o recorde de menor pressão barométrica já registrado no arquipélago Florida Keys e pode facilmente quebrar o recorde de catástrofe econômica estabelecido há dez dias pelo furacão Harvey, mudando definitivamente a psicologia da vida na Flórida pelas próximas décadas.

Ah, e enquanto o furacão Irma girava, o furacão José o seguia como um grande furacão. O Katia também se tornava uma tempestade assustadora, antes de tocar o solo da península mexicana de Yucatán quase no ponto diretamente oposto ao do epicentro do maior terremoto em cem anos no México, que tirou dezenas de vidas.

Afora o terremoto, cada um desses eventos confirma o que cientistas e ambientalistas vêm tentando nos dizer há 30 anos, sem muito sucesso, sobre o que esperar do aquecimento global. (Na realidade, há evidências bastante convincentes de que as mudanças climáticas estão provocando mais atividade sísmica, mas não precisamos forçar a barra.)

Essa longa sequência de notícias vindas de apenas um continente em uma única semana (que poderia ter sido escrita abordando outros continentes em diferentes semanas – basta ver, por exemplo, a recente enchente no sul da Ásia –) é um retrato preciso, pixel por pixel, de um mundo em aquecimento. Como já queimamos muito petróleo, gás e carvão, nós criamos nuvens gigantescas de CO2 e metano no ar; como as estruturas dessas moléculas acumulam calor, o planeta aqueceu; como o planeta aqueceu, nós podemos sofrer precipitações mais intensas, ventos mais fortes e florestas e campos mais secos. Não é nenhum mistério, de forma alguma. Não é uma onda de má sorte. Não é por causa de Donald Trump (embora ele obviamente não esteja ajudando). Não é o fogo do inferno enviado para nos punir. É física.

Imaginar que os avisos dos cientistas realmente comoveriam as pessoas talvez tenha sido esperar demais. (Quero dizer, eu escrevi The End of Nature, o primeiro livro sobre isso tudo, há 28 anos recém-completados, quando eu mesmo tinha 28 anos e quando minha teoria ainda era: “As pessoas vão ler meu livro e, com isso, elas vão mudar”). Talvez seja como aquelas recomendações de que deveríamos comer menos salgadinhos e tomar menos refrigerante – o que, a julgar pelas medidas das cinturas da maioria das pessoas, poucos de nós levam muito a sério. A não ser, talvez, quando você chega no médico e ele lhe diz: “Opa, você está com problemas”. Não se trata de: “Continue comendo porcaria e um dia você vai ter problemas”; mas, sim: “Você está com problemas já, agora. Me parece que você já teve um minienfarto ou dois”. Os furacões Harvey e Irma são os equivalentes a um desses ataques isquêmicos transitórios – sim, sua cara está paralisada de um jeito estranho do lado esquerdo, mas pode ser que você continue vivo. Talvez. Se você começar a tomar remédios, comer direito, se exercitar, dar um jeito na vida.

Esse é o ponto em que estamos agora – não na fase do aviso no maço de cigarros, mas já com a tosse desesperadora que faz cuspir sangue. Mas o que acontece se você seguir fumando? Você vai piorar, até chegar a um ponto de não continuar mais. Nós aumentamos a temperatura da Terra em pouco mais de 1°C até agora, o que já foi calor extra suficiente para causar os horrores que estamos presenciando continuamente. E com a energia já acumulada no sistema, vamos chegar a cerca de 2°C, não importa o que fizermos. Isso seria consideravelmente pior do que já está, mas talvez seja suportável, ainda que de maneira custosa.

O problema é que, se tudo continuar desse jeito, essa trajetória nos leva para um mundo 3,5ºC mais quente. Dito de outra forma, mesmo se mantivermos as promessas que fizemos em Paris (que Trump, obviamente, já se recusou a fazer), vamos construir um mundo tão quente que será impossível termos civilizações. Temos que aproveitar o momento em que estamos agora – este momento em que estamos apavorados e vulneráveis – e usá-lo para nos reorientarmos completamente. Cada um dos últimos três anos quebrou o recorde anterior de ano mais quente da história – eles são sinais vermelhos piscando e avisando: “Parem com isso”. Temos que não apenas fazer uma curva em nossa trajetória, como vislumbrado no Acordo de Paris, mas pisar com tudo no freio dos combustíveis fósseis e acelerar as energias solares (e também pensar em metáforas novas que não se refiram a motores de combustão interna).

Essa é uma corrida contra o tempo. O aquecimento global é uma crise que já vem com um limite: ou a resolvemos logo, ou não a resolveremos.

Nós somos capazes de fazer isso. Tecnologicamente, não é impossível – estudos, um após o outro, têm demonstrado que podemos chegar a 100% de energia renovável com um custo viável, mais viável a cada dia, já que o preço de painéis solares e turbinas eólicas continua caindo. Elon Musk, CEO da Tesla, está mostrando que é possível produzir carros elétricos em larga escala, diminuindo cada vez mais a possibilidade de que preços elevados afastem consumidores. Nos cantos mais remotos da África e da Ásia, camponeses estão começando a abandonar os combustíveis fósseis e recorrendo ao sol. Os dinamarqueses acabaram de vender sua última empresa petrolífera e usaram o dinheiro para construir mais turbinas eólicas. Há exemplos o suficiente para fazer com que o desespero seja visto como a fuga covarde que ele realmente é. Mas precisamos, em todos os lugares, caminhar na mesma velocidade, porque essa é, de fato, uma corrida contra o tempo. O aquecimento global é a primeira crise que já vem com um limite: ou a resolvemos logo, ou não a resolveremos. Vencê-la devagar é só uma forma diferente de perder.

Vencê-la rápido o suficiente para que isso faça alguma diferença significa, acima de tudo, combater a indústria dos combustíveis fósseis, a força mais poderosa na Terra até agora. Isso significa adiar outras iniciativas humanas e mudar o rumo de outros gastos. Ou seja, isso significa entrar em pé de guerra: não atirando nos inimigos, mas nos concentrando da mesma maneira como nações e povos se concentram quando alguém está atirando neles. E estão atirando. O que você acha que significa suas florestas estarem pegando fogo, suas ruas alagadas e seus prédios desabando??

Publicado originalmente em The Guardian por Bill McKibben

Fonte: Site 350



domingo, 17 de setembro de 2017

Aberta seleção para projetos de pesquisa...



Chamada pública contempla trabalhos em unidades de conservação da Caatinga e Mata Atlântica. Inscrições podem ser feitas até 6 de outubro.

Estão abertas até 6 de outubro, no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), as inscrições para a chamada pública de apoio a projetos de pesquisa em 19 unidades de conservação federais nos biomas Caatinga e Mata Atlântica.

A iniciativa é do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com o CNPq e as fundações estaduais de Amparo à Pesquisa (FAPs). Para isso, o ICMBio está disponibilizando R$ 4 milhões.

Os recursos foram viabilizados pela compensação ambiental de duas grandes obras (integração do Rio São Francisco com as bacias hidrográficas do Nordeste Setentrional e gasoduto Cacimba-Catue) e ainda poderá receber complementação das FAPs. O valor destinado a cada proposta poderá ser de até R$ 200 mil.

O apoio consistirá de itens de custeio e bolsas. A duração máxima dos projetos será de 36 meses. O intuito é beneficiar pesquisadores, estudantes, educadores, técnicos, comunidades locais, gestores de unidades de conservação e formuladores de políticas públicas, entre outros.

MANEJO

Segundo a coordenadora-geral de Pesquisa e Monitoramento da Biodiversidade do ICMBio, Katia Torres Ribeiro, os projetos vão contribuir para a implementação das estratégias de manejo, uso sustentável e conservação, além de fortalecer as capacidades de pesquisa interdisciplinar, a inclusão social e a inserção das UCs no desenvolvimento regional sustentável.

“A execução desses projetos proporcionará o envolvimento de comunitários e gestores, e a geração de conhecimentos-chave para alavancar ainda mais a gestão das unidades de conservação federais”, afirma Katia.

A coordenadora ressalta que a parceria do ICmBio com o CNPq e com as FAPs “é estratégica, pois possibilita a seleção de instituições de excelência e o apoio a projetos por meio de mecanismos que o ICMBio não dispõe”.

PARCERIAS

Já o professor Marcelo Morales, diretor de Ciências Agrárias, Biológicas e da Saúde do CNPq, diz que a instituição têm buscando parcerias para o fomento à pesquisa na área de biodiversidade. “O ICMBio é parceiro importante, pois reconhece de forma clara a importância da ciência e dos cientistas brasileiros na ajuda de tomada de decisões para preservação ambiental".

As propostas deverão observar um conjunto de oito diretrizes e aderir a pelo menos um dos temas elegíveis previstos na chamada. As orientações buscam garantir a participação comunitária, a comunicação à sociedade e a aplicabilidade dos resultados das pesquisas à conservação da biodiversidade.

Os temas, que abrangem várias áreas do conhecimento, foram definidos com a participação dos gestores das unidades de conservação e atendem a prioridades de pesquisa do ICMBio.

SERVIÇO:

As propostas deverão ser encaminhadas ao CNPq exclusivamente via internet.

Para mais informações: http://www.cnpq.br/web/guest/chamadas-publicas?p_p_id=resultadosportlet_WAR_resultadoscnpqportlet_INSTANCE_0ZaM&filtro=abertas&detalha=chamadaDivulgada&idDivulgacao=7622

Fonte: Ministério do Meio Ambiente